Novas observações
Olá amigos. Cá estou eu escrevendo novamente. Sinceramente minhas introduções voltaram a ser repetitivas, prova é que novamente sinto vontade de dizer que estou escrevendo com muita preguiça. Vou pensar sobre isso outra hora, porque agora é hora de escrever sobre uns temas que eu venho pensando há algum tempo e que são interessantes. Antes de continuar, devo dizer que minha lista de temas para escrever para o blog está enorme. Não sei exatamente se faço certo ao me desapegar do blog como eu ando fazendo. Sinto que fujo um pouco da natureza científica que me fez ser o que sou hoje, e eu gosto do que sou hoje pelo menos até agora. Sobre os temas de hoje, eu os produzi há algum tempo e estão se mostrando bastante interessantes para explicar alguns comportamentos humanos, e que novamente estão conectados a psicologia evolutiva. A cada dia que passa, eu venho me perguntando sobre qual é a real função da psicologia evolutiva na minha vida, e a resposta que ela é o conjunto de leis que organizam e dão sentido às minhas experiências e teorias humanas. Isto é, eu poderia saber tudo o que eu sei hoje sem ela, porém, de forma bem mais desorganizada e ineficiente. Enquanto der para sustentar ela, farei isto, porém, existe uma enorme quantidade de condutas práticas que precisam ser desenvolvidas por mim para eu finalmente chegar à fase adulta. Vamos à postagem de hoje, que foi nomeada com um conceito econômico que funciona de forma bastante análoga a este conhecimento.
Comportamento de lastro e conseqüências:
De modo geral, eu entendo que lastro pode ser definido como uma propriedade que as entidades que garantem que suas funções nunca fiquem abaixo de determinado limite. Em economia, exemplificamos como o papel-moeda, que a princípio não vale nada, mas passa a valer quando dá ao direito do seu possuidor a trocá-lo por ouro no banco na respectiva quantia. De modo geral, quando um existe lastro em um negocio, há garantias que ele irá trazer determinados resultados se começar a produzir, porém, existem situações em que não há a produção. É comum, nestes casos, os investidores ficarem atentos e buscarem formas da se iniciar ou continuar, pois só assim eles serão beneficiados. De forma análoga a isto os humanos administram suas relações, em um sistema que deriva das propriedades da psicologia evolutiva e que pode ser resumido através da forma como o instinto humano, através da imagem, calcula se vale ou não o investimento em determinado relacionamento.
Exemplificando, existem dois rapazes, um surfista e um skatista rockeiro. Ambos praticam esportes e possuem características físicas semelhantes, sendo o principal diferencial entre eles a imagem que ambos carregam de seu estilo de vida. O que fará a menina decidir por um ou por outro é justamente aquele que carrega a imagem que tenha as características que ela mais valoriza. Se ela escolheu o rockeiro porque ele apresenta um estilo de vida divertida e viva num ambiente que ela goste, mesmo que ele tenha os defeitos, ela irá fazer o que poder para melhorar isto e continuar com ele devido ao alto lastro que a imagem dele passa pra ela. Porém, qualquer defeito do surfista será motivo o suficiente para que ela não o escolha, afinal, ele não tem lastro nenhum com ela. Este comportamento de lastro se mostra bastante importante na dinâmica social, pois várias atitudes que um desconhecido tende a tomar com o outro são basicamente baseados nele. Em outras palavras, é o lastro que determina a quantidade de esforço que uma pessoa irá se dispor a gastar para fazer uma relação funcionar a princípio, ou continuar funcionando, se o lastro ainda existir.
Embora eu tenha exemplificado com a imagem, o lastro se expande a quaisquer características que uma pessoa possa desejar na outra. Isto surge devido à enorme capacidade de associação da mente humana, bem como com a capacidade de atribuir beleza a aquilo que ela considera importante, e de que esta importância varia de acordo com a linha de raciocínio. É preciso adiantar que este comportamento de lastro é bem instintivo, e ele tende ao positivo ou ao negativo devido estar relacionado diretamente com a quantidade de esforço que será depositada em determinada relação pelo instinto, e o modo que o instinto encontra para estimular ou não o esforço é através do desejo ou preguiça. Por isto que, diante de um lastro positivo, a pessoa busque formas de ver positivamente os aspectos negativos da outra, já que há o desejo que disponibiliza esforço para fazê-la melhorar ou buscar formas de contornar isto. Quando lastro negativo, não costuma haver desejo nenhum em iniciar aquela relação e quando ela é forçada a existir por outros fatores, surge à preguiça em mantê-la.
Existem duas conseqüências interessantes deste comportamento de lastro. A primeira está relacionada com o lastro positivo, e é bem simples: existe uma enorme probabilidade de um lastro extremamente alto se transformar em paixão. Pensando bem, a partir de agora eu posso assumir que a causa da paixão é o lastro extremamente alto. Essa é uma forma mais técnica de explicar a paixão. A segunda conseqüência é quanto o lastro negativo, e é um pouco mais complicada: quando uma pessoa sente lastro negativo pra outra, significa que há algo que ela não gosta naquela pessoa. Este algo normalmente é apenas uma imagem, e nem sempre esta imagem conduz totalmente com a realidade. Nestas situações, é comum haver a preguiça para verificar se a imagem é ou não correta, e através disto assume-se um preconceito, que irá fazer com que aquela pessoa busque ver a outra sempre de forma negativa. Este incentivo da preguiça e do lastro negativo fará com que sempre haja um comentário negativo que faça ela não gostar da outra, como exemplificado anteriormente, até que algo faça isso mudar.
Força humana:
Há muito tempo eu venho refletindo sobre força humana. Não é raro encarar situações de competição onde determinado estilo de força conta mais, e então se chega a conclusão que força é algo relativo ao objetivo. O exemplo clássico é força intelectual e força física. De qualquer forma, sempre me pareceu que para obter estes dois ou quaisquer outros tipos de força, além de certa propensão genética ou característica de vida, fosse necessário algum tipo de esforço. Se levarmos em consideração que o esforço seja um fator a qual todas as pessoas têm condições de acesso, então, teoricamente, todas as pessoas podem ser fortes. Contudo, o que se vê por ai são pessoas que não buscam melhorar, e por isto se tornam fracas. Quando eu digo fracas neste contexto, quero dizer que elas não são tão boas quanto poderiam ser caso se desenvolvessem outro tipo de atitude. Em resumo, estou falando da força psicológica, que é diretamente relacionada à quantidade de esforço que alguém gasta para alcançar determinado objetivo.
Iniciei então as investigações para saber sobre de que se trata a força psicológica humana. Voltei então aos princípios da psicologia evolutiva. Se a força está relacionada diretamente ao desejo de fazer algo, então as propriedades do desejo podem ser aplicadas. Elas dizem que para que se desenvolva o desejo, a pessoa deve sentir sobre como algo irá aumentar suas chances de sobrevivência e reprodução para então desejar. A partir da propriedade do instinto influenciar o raciocínio e vice-versa, o conjunto de conhecimentos adquiridos por tal pessoa durante a vida estará diretamente relacionado com o que ela sente, e, portanto, deseja. Supondo que a pessoa já tenha um conjunto de experiências que a leve a desejar algo, chega-se então ao momento em que a pessoa move seus esforços para conquistar este algo. Se bem instruída, seu esforço irá trazer resultados e seu instinto irá se sentir satisfeito por possuir aquilo que deseja. Se não, ela provavelmente irá continuar a desejar, já que suas experiências de vida, que a fizeram desejar aquilo, não mudaram. Então, já que não consegue ter aquilo que deseja, todo o resto passa a não importar, então ela tende a não desenvolver esforço para fazer com que o que lhe sobrou se torne algo bom.
Porém, o que realmente importa aqui é o seguinte: o porquê o primeiro caso conseguiu aquilo que deseja e o segundo não conseguiu? De acordo com o princípio de que o humano só deseja aquilo que considera possível, ambos os casos presumiram que seria possível obter aquilo que deseja, mas somente no primeiro caso, de fato, foi possível. Se o segundo chegou a considerar que poderia possuir aquilo que deseja, e não conseguiu, pode-se chegar à conclusão que ela estava enganada quanto a sua realidade. É esta conclusão que é a principal constatação sobre de que é constituída a força humana: de conexão com a realidade. Nestes dois casos, aquela que estava mais conectada com a realidade desejou aquilo que realmente lhe é bom e lhe é possível, por isso obteve as melhoras de chances de sobreviver e reproduzir. A outra, que desejou aquilo que não é possível ou exige condições extremamente raras ou difíceis de serem obtidas e não teve consciência disto, simplesmente não obteve o que desejou porque a realidade não lhe permitiu, mesmo que ela pensasse ser possível. Isto aconteceu devido à falta de conexão com a realidade, que é basicamente o conhecimento sobre como as coisas funcionam e como o esforço pode produzir determinados resultados.
Entender de que é constituída a força humana é parte do processo para entendê-la de forma aprofundada. Outra questão importante é entender como ocorre à conexão com a realidade. Grande parte da experiência que uma pessoa carrega vem do relacionamento diário com as pessoas mais próximas delas, neste caso os pais ou os responsáveis. Sendo assim, parte da responsabilidade de conectar a criança a realidade vem dos pais, que tem o compromisso, para atingir esta finalidade, de explicar de forma coesa e simplificada como o mundo funciona. Porém, de fato, compreender a realidade, até para os adultos, é algo complicado. Não é raro ver visões erradas sendo transmitidas as crianças, que desenvolvem filosofias também erradas durante a adolescência e chegam à fase adulta cheia de conflitos a serem resolvidos em meio a um mundo de competição selvagem. Parte destes conflitos vem justamente do desejo não conectado a realidade, e destinado a não ser alcançado, que estes jovens desenvolvem por não ter uma filosofia que compreenda o mundo. Compreender, neste caso, significa entender que tipos de estímulos causam determinadas ações, o porquê, aceitar e saber utilizar e configurar isto a seu bem e desenvolver uma boa evolução. Através destes conhecimentos, o esforço será bem aplicado em mecanismos que realmente funcionem e tragam resultados, e através disto o desejo será alcançado.
A grande importância de ter o desejo alcançado é a de que o desejo é diretamente relacionada a evolução. Se a pessoa tem seu conjunto de desejos bem ordenados, significa que ela tem uma evolução bem ordenada. Isto fará com que ela sempre aplique seu esforço naquilo que realmente seja bom pra ela, e através disto ela irá construir chances de sobreviver e reproduzir bem sólidas e conscientes. Obviamente, o processo de evolução em si, que é se tornar melhor, por princípio, exige que ela explore ainda mais a realidade para construir coisas que seus pais não construíram. Porém, devido a conexão com a realidade já estar bem firmada, este aprofundamento será feito de forma orgânica e produtiva, pois a própria consciência da complexidade da realidade fará com que a pessoa assuma que haverá erros que precisarão ser corrigidos, conhecimentos que precisarão ser adquiridos e que nada vai dar certo de primeira. É esta compreensão e conexão com a realidade que faz uma pessoa se tornar forte em produzir aquilo que deseja. Fará ela escolher bem o que desejar, e alcançar boas chances de sobreviver e reproduzir. No vice-versa, quem não tem a conexão com a realidade estará fadada a ter a maioria do esforço não dando bons resultados. Ao não compreender isto, tentará culpar qualquer coisa menos a si própria, e não construirá boas chances de sobreviver e reproduzir.
Três fatores me motivaram a falar sobre isto hoje. O primeiro é eu me deparar com estas reflexões e situações durante o dia-a-dia. O segundo é a interessante semelhança que há entre o conceito que eu desenvolvo e entre o conceito de Nietzsche. Recentemente meu amigo Bruno tem lido, sintetizado e me explicando alguns conceitos sobre a força segundo Nietzsche. Foi a partir destas conversações que eu tive a percepção de que este era realmente um conceito importante a ser trabalhado. O terceiro foi que este conceito se relaciona com o princípio de pressões de expectativas internas e externas, escritas por mim há umas três postagens atrás. (http://www.barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/04/imersao-artistica-e-principios-das.html). O conceito de força se relaciona com este conceito porque a força interna, para agüentar o externo, é justamente esta força psicológica que se firma na conexão com a realidade.
Encerramento:
Enfim amigos. Hoje eu pretendia escrever mais um tema, mas não deu. Essa postagem já ficou longa, o texto sobre força humana ficou maior que eu previa, e já está na hora de ir dormir. Amanhã terei aula. Este foi mais um texto que eu começo no sábado e só termino no domingo. O primeiro talvez esteja cheia de erros porque eu escrevi enquanto conversava, mas a preguiça para corrigi-lo é grande. Próxima semana eu vou tentar trazer novos temas para o blog, pois meu bloco de notas ainda tem vários. Sem mais assuntos para o encerramento, boa noite para todos.