Introdução:
Olá amigos. Após muitos adiamentos venho escrever este texto, aproveitando essa manhã de sábado antes que eu faça algo e acabe me esquecendo. Hoje irei falar sobre dois tópicos interessantes, porém, um deles, com um bom destaque. Porém, devo admitir que ultimamente eu tenho acumulado assuntos para escrever no blog. Acho uns dois sábados de atualização resolve isso. Sobre as novidades, continuo fazendo academia e jogando rugby, porém, praticamente parei de jogar lol. O espaço que antes era do lol foi substituído por joguinhos casuais e sociais. Se eu quiser voltar a jogar lol, terei que relembrar várias informações, porque deixar de praticar algo o torna meio que enferrujado nisso. Bem, o assunto de hoje tratará sobre um distúrbio que mistura componentes sexuais com culturais muito observado atualmente, o chamarei de distúrbio dos relacionamentos alpha e beta. A segunda coisa que eu irei falar hoje é sobre os motivos para a não traição segundo a psicologia evolutiva. Se der, ainda tentarei falar sobre um terceiro assunto, que é um princípio muito interessante descoberto ao se observar várias conseqüências das possibilidades do comportamento humano, que é o princípio das probabilidades dos pensamentos em relação a estrutura. Enfim, vamos à postagem.
Distúrbio dos relacionamentos alpha e beta:
Durante muito tempo eu venho observando o uso popular dos termos “alpha” e “beta” para classificar o modo como os homens agem diante dos relacionamentos e da vida. Estes dois termos, com origem conceitual na biologia, mais precisamente, na observação do comportamento de grupos de animais com certa organização social e que apresentam um macho que lidera e obtém a maioria das coisas primeiro, o alpha, e os machos que aceitam sua posição de subordinados, os betas, são o que irão determinar os termos que serão usados no resto desta postagem. O uso popular destes termos surgiu através da associação, em que qualquer homem que pareça ter liderança acaba sendo associado com o alpha, e o beta é qualquer homem que aceita ser liderado, e também se associa força aos que lideram e fraqueza aos que são liderados. De fato, o uso destes dois termos para classificar os homens desta forma não é algo impreciso, porém, é algo generalista e que normalmente quem faz não considera que vivemos em uma sociedade também racional, e não puramente instintiva, e por isto supervaloriza o comportamento alpha. A principal importância do uso destes termos para o uso popular é em relação ao modo em que os dois tipos de macho tratam um relacionamento. Porém, para entender este distúrbio em específico, é preciso entender especificamente o modo como eles tratam o sexo, por isso será explicada a atitude sexual que cada um destes machos costuma ter
Homens com atitude sexual alpha são aqueles que querem consumir a fêmea rapidamente, utilizando todas as suas artimanhas para tal propósito. São os que conquistam, os que deixam as fêmeas confusas e os que tentam seduzir o desejo das fêmeas, e não a razão. Normalmente a relação entre uma fêmea e um macho alpha tende a ser bastante turbulenta, cheia de nuances que tem bastante de suas motivações o desejo do consumo sexual e da conquista. Já os homens beta são os preocupados com uma relação estável e saudável, e não com o consumo sexual. São estes também os que se preocupam com a família, e geralmente tratam sua fêmea de forma bem carinhosa e verdadeira. Porém, nas relações com o beta, a fêmea tende a ter menos interesse instintivo e mais interesse racional, pois ela sabe que precisa de uma relação firme de douradora, embora que esta relação não seja tão prazerosa como a de um macho alpha. Isto porque estamos considerando uma fêmea com muito poder passivo, ou seja, capaz de atrair os olhares de vários machos, e que deseja ter seu poder passivo consumido, porém também deseja ter uma relação estável para montar uma família.
O grande distúrbio começa a surgir justamente por este desejo duplo das fêmeas, que ao mesmo tempo deseja ser consumida e também montar uma família. Quando uma fêmea é consumida por um macho, este perde o interesse sexual por ela. Desta forma, a fêmea sempre tende a se proteger, para manter os machos atraídos sexualmente por ela e assim conseguir o que deseja. Porém, a grande questão é que o macho alpha utiliza todas as armas pra conseguir com que a fêmea deixe ele consumir seu poder sexual ao máximo, enquanto que o macho beta acaba respeitando e não tentando ultrapassar os limites impostos pela fêmea para preservar os poderes sexuais dela. Este limite vai sendo ultrapassado lentamente, a medida que a fêmea se sente segura e acredita que o interesse sexual que está sendo perdido irá ser reposto por outro tipo de interesse, como o de continuar a história, manter a família, etc. De fato, uma relação entre um homem com atitude beta e uma fêmea pode durar anos sem que ele consiga consumir todo o seu poder passivo, enquanto que a relação entre um de atitude alpha e uma fêmea dura muito menos, talvez meses. Pode até durar mais se houver uma pressão social para que o macho alpha fique com a fêmea, mas será alta a chance do seu desejo fazer com que ele a traia para saciar seu instinto, e ele não se sentirá culpado por isto.
O distúrbio é ainda piorado quando o homem beta toma consciência da sua situação, em que a maioria das mulheres se interessam instintivamente pelos alphas, e disto nasce uma série de sentimentos negativos que são propulsores de outros distúrbios sociais e sexuais. O interesse de uma fêmea por um macho beta só surge quando ela, após sofrer, entende que precisa de uma relação estável e segura para formalizar uma família. É neste ponto que os betas mostram seu potencial. Porém, mesmo tendo racionalmente esta consciência, há na mulher ou em qualquer pessoa que nutra o seu poder passivo, um desejo de ser consumido por um poder ativo, portanto, mesmo que esta mulher não sinta mais necessidade de ter uma relação prazerosa sexualmente de forma racional, ela, instintivamente, sente isto, porém, está adormecido. O grande distúrbio acontece quando uma mulher destas encontra um modo de ser consumida como seu instinto deseja sem que seu marido saiba. Há um grande conflito interno nela, e se ela não tiver boas bases morais, acabará cedendo. É quando ela se entrega sexualmente a algum desconhecido e faz com ele tudo o que nunca teve coragem de fazer com seu marido.
Este tipo de consumo costuma ser curto. Logo a fêmea perde interesse por este novo homem e vice-versa, pois o consumo dos poderes sexuais é feito rapidamente e seu desejo é saciado. Porém, se o macho beta descobre isto, é um sentimento forte o suficiente para fazê-lo cometer crimes ou desistir de qualquer relacionamento com sua mulher, pois saber que ela entregou a um qualquer em pouco tempo tudo aquilo que ele demorou anos para conquistar é um sentimento de traição e revolta muito forte. Isto é o suficiente pra desmoronar uma família. Algumas vezes, inclusive, numa hipótese mais aguda do distúrbio, este novo homem em questão na realidade é também um marido, porém, de alto poder ativo cuja mulher tem medo de deixar que ele a consuma e acaba encontrando nesta outra mulher a oportunidade de consumir um poder passivo como deseja, mas que não encontra em casa. Neste caso, se forem pegos, serão duas famílias desmoronadas. Nota-se aqui a gravidade deste distúrbio e a importância de encontrar modos para solucioná-lo.
Solução:
Como solução a psicologia evolutiva recomenda o mesmo que para todos os tipos de distúrbios: a consciência. Embora a consciência de tudo o que acontece neste tipo de relação seja algo realmente difícil, é preciso desenvolver isto. Pois somente assim é possível equilibrar os poderes e desenvolver uma relação de consumo-produção com o parceiro saudável e verdadeira. Neste caso, tanto o poder passivo quanto o ativo devem entender como o seu poder é produzido, como ele é consumido, e como renová-lo, para que a dinâmica de casal nunca morra enquanto que se constrói uma família. Isto porque o poder passivo é desenvolvido para ser consumido, e o poder ativo para ser consumir, e simplesmente isto. Este dever de continuar junto após o consumo é imposto pelas estruturas sociais a qual a humanidade encontrou para conseguir desenvolver todo seu aparato racional e tecnológico. Afinal, antigamente o sexo era só uma forma de se reproduzir, e sua finalidade era alcançada junto ao seu consumo, e para tal o instinto humano foi desenvolvido. Agora reprodução faz parte de um processo de formação de família e o sexo se tornou um elemento de dinâmica entre o casal que estabelece essa família. Entendendo isto, vamos para os principais conceitos que ambos devem ter em mente, segundo a psicologia evolutiva.
Para o poder passivo, é preciso que ela tenha consciência sobre como o seu poder é desenvolvido. Para todo consumo, é preciso uma produção. Mas é comum que o poder passivo não faça a menor idéia sobre como seu poder seja produzido, um erro muito fatal, pois nasce disto uma série de medos difíceis de lidar, como o medo de ser consumida por completa por seu parceiro e ele perder o interesse por ela. Toda a produção, contudo, é feita através do esforço. Mudar de cabelo, perfume, comportamento, roupa, estes são alguns exemplos de como o poder passivo pode se renovar. Desenvolver poder passivo requer esforço por parte do seu usuário, portanto, é preciso que a pessoa tenha consciência disto e deseje sempre reconstituir aquele poder que foi consumido para que a relação continue tendo a sua dinâmica de casal.
Para o poder ativo, é preciso que ele tenha consciência de sua função de conquistar o poder passivo. É comum o poder ativo não deixar o poder passivo livre para se fortalecer, pois quanto mais forte o poder passivo ficar, mais difícil para o poder ativo será conquistá-lo. Contudo, é algo necessário para que a dinâmica de casal sobreviva. É preciso que ele saiba também que após o consumo, é necessário o tempo para o poder passivo se renovar, e ter paciência para tanto. E após a renovação do poder passivo, é dele a responsabilidade de reconquistá-lo. E isto também demanda esforço. De certo modo, uma relação sexual se mantém ativa dentro de um casal se cada uma das partes se esforçar para tanto, e é virtualmente possível que isso dure a vida toda se os dois caminharem para evoluções sexuais parecidas.
Conseguir expor os desejos para o parceiro não é algo simples. Muito menos desenvolver um desejo junto com ele. É preciso um companheirismo e uma consciência muito boa para que isto se desenvolva de maneira saudável. A psicologia evolutiva sempre leva em consideração uma evolução perfeitamente saudável, e isto é utópico. Porém, quanto mais próximo disto um casal conseguir se aproximar, melhor será sua qualidade de vida. Brigas e desentendimentos são comuns na dinâmica do casal, afinal, é constante a negociação entre os desejos e sobre as escolhas das possibilidades de onde depositar o esforço.
Só duas curiosidades, a primeira é que eu li numa pesquisa que apenas um entre onze homens são considerados os machos alphas. Isto tem uma boa chance de ser verdade, pois apenas aquele que se sai bem sucedido com as técnicas de macho alpha conseguem continuar com este tipo de evolução. Porém, para ser bem sucedido nestas técnicas, é preciso ter os valores certos e as experiências certas, geralmente experiências bem sucedidas. Aqueles com experiências más sucedidas acabam se tornando beta. Por isto que apenas alguns homens conseguem. É algo semelhante a evolução parasitóide, se todo mundo for, não dá certo, se apenas alguns forem, eles conseguem sobreviver. Não sei se essa pesquisa é verdadeira, de qualquer forma. A outra curiosidade é que provavelmente existe também um comportamento de alpha/beta entre as mulheres, mas sobre isto eu conheço pouco.
Monogamia segundo a psicologia evolutiva:
Existe certa discussão sobre o ideal de uma relação de casamento. Alguns defendem que o instinto humano, principalmente o masculino, foi desenvolvido para uma relação poligâmica. Outros defendem que não. Porém, existem alguns princípios que defendem a relação monogâmica como a mais saudável, aquela que mais tem potencial para oferecer uma boa qualidade de vida. Seguem os motivos pelo qual a psicologia evolutiva considera isto:
Dentre todas as maneiras de se desenvolver relações sexuais e conjugais, a monogâmica parece ser a mais vantajosa. O primeiro motivo é o direcionamento do esforço para nutrir a relação. Se em determinado relacionamento houver mais de duas pessoas, como é que se organizará a força como cada uma se esforça pela outra? Isto é algo complicado, pois, é comum do ser humano querer sempre mais, e acabar esbarrando no que é da outra pessoa. Então haverá conflitos para ver quem fica com a maior quantidade de esforço, o que tornará uma longa relação algo instável. Além deste motivo, toda relação precisa de um meio para se manifestar. Organizar um meio para manifestar a relação entre mais de duas pessoas é um pouco mais complicado, pois com duas já há muita discussão, como o que fazer com o tempo livre pra se divertir, por exemplo. Se houver outro tipo de organização, tal como uma pessoa dar atenção a outra em diferentes horários, poderá surgir falta de tempo, pois assumindo que as três ou mais pessoas trabalhem, e se o único tempo delas livres coincidir, quem é que ficará com quem nesse tempo livre? Uma pessoa ficará sozinha. A monogamia se torna vantajosa por estes fatores.
Existe ainda outro cenário, o monogâmico liberal. O motivo para a psicologia evolutiva não ver este tipo de relacionamento como vantajoso é porque para ela, o ideal seria que todo o esforço que uma pessoa quer dar a outra deva ser concentrado em uma só, para que a adaptação entre o casal seja maior. Se uma pessoa separa seu esforço para outras, ela irá estar deixando de melhorar o seu cônjuge, e o motivo disto ser ruim é que o principal motivo para se manter uma relação com outra pessoa de forma monogâmica é o fato de um dia todo o ser humano desejar se reproduzir e montar uma família. Percebam que se uma pessoa começa a ter outras porque a sua não é como ela quer, e esta outra aceita, eles estarão deixando de se conhecer e de resolverem problemas juntos, e se adaptando um ao outro. Perder esta adaptação é algo muito prejudicial, pois toda ela será necessário no momento em que eles se casarem, terem filhos, trabalhar e ainda precisar desenvolver uma forma de nutrir o relacionamento de maneira saudável. A relação com os filhos é um fator primordial para determinar a monogamia como o tipo de relação com maior capacidade de oferecer qualidade de vida, pois, quanto mais desenvolvida é uma sociedade, maior o esforço para que um filho seja introduzido à este alto nível de desenvolvimento. Ou seja, o filho terá que estudar mais, entender melhor as normais sociais, tudo isto para que ele aprenda a viver bem em seu meio.
Além disto, é preciso levar em consideração que é preciso que haja uma dinâmica entre os poderes ativos e passivos no comportamento sexual para que ele seja bom. Se o sexo for muito fácil, essa dinâmica talvez não exista, então o sexo não será satisfatório. Isto é importante pois prova que para que haja um outro relacionamento é preciso de esforço, esforço este que poderia ser direcionado a pessoa com quem se pretende desenvolver uma família. Além disto, é preciso considerar as DST’s como fator de saúde num relacionamento. Caso trair se torne fácil, através de algum mecanismo social, é provável que haja transmissão de DSTs, visto que atualmente não temos tecnologia o suficiente para controlar este tipo de transmissão através de remédios ou quaisquer outros métodos, além do preservativo, segundo o que eu conheço, e que não é tão garantido assim. E sem este método, as chances de gravidez fora do relacionamento são altas, o que é o suficiente pra diminuir a qualidade de vida. Lembrando que a psicologia evolutiva considera a qualidade de vida como critério para determinar qual o comportamento mais adequado. Quem deseja outra coisa, sem ser qualidade de vida, não deve levar isto em consideração.
Encerramento:
Pois é amigos, estes dois tópicos foram o suficiente por hoje. Vou amadurecer a idéia do terceiro tópico e próximo sábado eu tento por aqui, junto com a publicação de um texto. Devo declarar que estou aprendendo bastante sobre o poder passivo e ativo na prática, e, sinceramente, não gosto muito desses nomes. Porém não consigo pensar em nada melhor. Talvez se eu melhorar a explicação para que eles sejam desse jeito, fique mais aceitável explicar isto para outra pessoa. Enfim, após uma longa tarde de sábado termino este texto. Até a próxima postagem, abraços.