sábado, 24 de março de 2018

Lei da demanda X lei da semeadura

Muito se fala acerca da lei da demanda, também conhecida como oferta e procura. Ela é, inclusive, reconhecida no meio acadêmico. Afinal, é fácil verificar seu efeito quando se fixa a atenção em qualquer produto no mercado, observando a relação entre as suas variáveis de oferta e procura. No entanto, existe uma lei que me chama bastante a atenção, mas que não é possível de ser reconhecida metodologicamente, e, portanto, nunca será aceito pela academia científica. Esta é a lei da semeadura, reconhecida por diversas religiões.

Ora, o motivo pelo qual esta lei nunca poderá ser reconhecida por uma metodologia é que, seguindo a analogia, cada semente e terreno têm seu próprio tempo e características, de modo que, embora seja possível encontrar associações, elas nunca poderão ser modularizadas a ponto de se tornar um modelo científico. Meu objetivo neste texto, porém, não é somente anunciar a lei da semeadura, mas analisar seus efeitos em nossa sociedade e contrapô-la com a lei da demanda.

A lei da demanda é uma lei imediatista. Em curto período de tempo é possível verificar seus efeitos. Já na lei da semeadura, no entanto, nada podemos dizer. Uma semente pode brotar rápido ou pode demorar. Geralmente, as práticas que geralmente geram efeitos sociais são sistematizadas pelas ciências sociais, como é o exemplo da propaganda. Porém, não é sobre isto que fala a lei da semeadura, pois ela é muito mais abrangente uma vez que se estende a valores e sentimentos, exemplo: quem planta violência, colhe violência. Inclusive, algumas religiões identificam isto como a lei do retorno.

Uma vez explicado um pouco melhor acerca da lei da semeadura, vamos analisar um pouco a sociedade à luz desta lei. Muitos dizem que o livre mercado deve ser o ambiente ideal pelo qual uma sociedade deve se desenvolver. Interferência mínima do governo, as empresas dando o melhor de si para oferecer o melhor produto, o consumidor com todo direito de escolha pra decidir o que é bom e o que é ruim. Isto seria verdadeiro se não existisse em qualquer coisa que é viva a capacidade de utilizar técnicas egoístas, que geram um bem para si, mas um mal maior para o próximo.

Ora, uma vez que as empresas sejam livres para fazer o que for necessário para conquistar mercado, sem nenhum filtro que decida aquilo que é bom e aquilo que é ruim, certamente haverá uma grande proliferação de práticas egoístas. A curto prazo, elas funcionam, a longo, não. Além disto, as empresas vão buscar semear o máximo possível do seu produto, da maneira mais agressiva possível, para conquistar mercado. A maneira pela qual se consegue agressividade é apelando aos instintos humanos, de maneira que as pessoas acabam sendo expostas constantemente a sementes que geram nela o estado de animalidade, que, afinal, o que gera consumo. Este é o ponto principal deste texto.

Sobre o ponto de vista da propaganda, quanto mais lugares para plantar a mensagem que ela quer passar, melhor. Quanto mais estas mensagens apelarem aos instintos humanos também, melhor. Ora, o que seria isto senão a própria lei da semeadura em ação? O que eles estão plantando afinal, senão o consumo? Deste modo, como desejaremos ter uma sociedade em que as pessoas tenham equilíbrio de consumo e produção, se a força que predomina é a do mercado, e esta força faz de tudo para que se consuma mais e mais? Para mim, há uma clara contradição neste modelo, a menos que a intenção daqueles que o plantam seja realmente produzir um bando de zumbis consumidores, sem nenhum valor mais elevado nenhum em si.

Isto reflete diretamente na construção dos nossos estados. Obviamente, para quem deseja este tipo de cenário, um estado pequeno, sem capacidade de articular seus agentes de modo que traga melhores benefícios para sua população é o ideal. A população, quando não consciente do que está acontecendo e sobre o efeito do que está acontecendo, acaba por votar naquele que traga melhor resultados à curto prazo, afinal, ela está sob um estado animalesco de consciência. A consequência disto é claramente um estado corrupto e ineficiente, que vende seus valores mais elevados ao consumo imediato.

Uma pena, pois o maior potencial semeador de um país é certamente seu governo. Se a população soubesse usar bem seu poder de voto e seu dever constitucional de cuidar do seu próprio estado, certamente se preocuparia com quem colocaria no governo e desenvolveria modos de acompanhar aquilo que os governantes fazem, pois são estas as sementes que se massificam em nossa sociedade. Então fica o alerta a todos aqueles que dizem que se preocupam com seu país, mas que também dizem que o livre mercado é o suficiente para o desenvolvimento da produção: isto, seguindo a linha de raciocínio que desenvolvo neste texto, é contraditório.

Obviamente, o livre mercado é sim importante, pois ele reflete a natureza animal do ser humano, que não deve ser ignorada. No entanto, também devemos lembrar que o ser humano é um ser espiritual, aqui entrando a lei da semeadura. Embora a lei da semeadura tenha origem no mundo espiritual, não podemos utilizar o estado para massificar uma estrutura específica de sementes. Por outro lado, devemos fazer com que o estado massifique sementes gerais, como a dignidade, o trabalho, a integridade, dentre outras coisas. Assim contribuiremos para a criação de um ambiente propício à produção de uma cultura mais elevada, de modo a tornar uma sociedade forte e saudável. Do contrário, se o consumo for à ordem da vida das pessoas, sempre teremos algum tipo de degeneração ao animalesco, o que gera uma sociedade violenta.

sexta-feira, 23 de março de 2018

Temor e aflições

Temor é o medo de sair de Deus. Este medo vem através do reconhecimento de que a verdadeira vida só vem Dele e que sem ele só há morte. Não devemos nos sentir interesseiros por desejar a vida que ele criou para que tenhamos nele, afinal, quantas são as pessoas que, por falta de conhecimento, preferem desejar a morte? Ele é o Deus da vida e foi para que tenhamos uma vida com ele que ele nos criou.

Estando em Cristo, no entanto, sabemos que não devemos ter medo algum. Portanto, nesta nova aliança, o temor ganha um novo aspecto. Tudo aquilo que era ruim no temor a Deus foi eliminado através da nosso renascimento em Cristo, pois agora o espírito santo está dentro de nós. Portanto, não tenhamos medo, ansiedade, mas respeito por aquele que nos criou e desejo para buscar sua presença. Assim se faz o temor na nova aliança.

No mundo tereis aflições, mas Cristo venceu o mundo. Portanto, aquele que vive em Cristo sentirá aflições, no entanto, elas não serão medo ou sofrimento, mas sim a ausência da palavra. Mas, estando em Cristo, basta que leia, pois é certo que o espírito santo irá guia-lo de modo que suas aflições sejam sanadas. Afinal, Jesus é a palavra e ele a tudo nos supre. Se nos falta algo, certamente é a renovação da nossa mente a luz de Cristo.

Uma vez que coloques a palavra pra dentro, Deus poderá se comunicar com as palavras específicas acerca do teu chamado em Cristo. Será uma voz interna, um conselho do espírito santo, e saberás que foi Deus porque tudo aquilo que ele te diz está de acordo com a palavra.

Se a palavra diz que serás generoso, aquilo que ele te disser também vai te levar a ser generoso. Se ele diz que és paciente, aquilo que ele disser vai te fazer ser paciente. Se ele diz que és próspero, aquilo que ele te disser também te levará a prosperidade. Assim conheceras a Deus intimamente, de modo que nada que venha do mundo e seja lançado pelo inimigo contra ti poderá fazer você se separar Dele. Será através deste chamado que te tornaras embaixador de Cristo, levando a palavra ao mundo e destruindo o império do mal.

quinta-feira, 15 de março de 2018

A realidade do coração


A boca fala do que o coração está cheio. Mas e se seu coração estiver cheio de mentiras? Maior satisfação do inimigo seria um coração cheio de mentiras, que pareçam verdades, pois é deste modo que falarás aquilo que pensas ser verdade, quando, de fato, estará tão somente enganando a si próprio. Como, no entanto, saber se aquilo que se crê de coração é verdade ou mentira? Ora, pois, basta verificar os frutos. Bem sabemos que não é possível que uma árvore boa dê frutos ruins, assim como também uma árvore ruim não dá frutos bons. Através da forma como fazemos as coisas, descobrimos a qualidade do que está em nossos corações.

Se fazemos através da mentira, nosso coração é mentiroso. Se fazemos através da integridade, sabemos que nosso coração é integro. Em verdade, isto é uma boa maneira para sabermos se nosso coração está de acordo com a palavra. Afinal, a palavra dita a forma como as coisas agradam a Deus, e se fazemos as coisas que agradam a Deus, e se com a boca confessamos aquilo que está escrito, então certamente estamos no caminho que Jesus conquistou para nós. Portanto, não existe alternativa senão recorrer à palavra, que é a verdade eterna.

Nela, fale o que lá está escrito, para que teu ouvido ouça da tua boca, e através do teu ouvido, a palavra caia no teu coração. Assim te enriquecerás do espírito de Deus, para que te prontifiques a receber toda graça que ele a ti dispõe. Na nova aliança, não existem formas externas de condenação. Tudo é interno. Assim, cabe a cada um avaliar se realmente está seguindo ou não a palavra. Pois bem sabemos que, uma vez colocada a salvação em algum fator externo ao ser humano, o mal certamente encontra formas de se apossar daquilo.

Somente através dentro e com o auxílio do espírito santo é que temos a confirmação da nossa salvação conquistada por Cristo. O pecado nos afasta dessa certeza interna, e sem ela não é possível que tenhamos perseverança. Sem perseverança, como podemos acessar às riquezas de Deus, alcançadas através da fé? Pois bem sabemos que Deus faz tudo à seu tempo, de acordo com seus propósitos e quando em nós está construída a estrutura espiritual para recebermos sua riqueza sem que nos consumamos nela.

Sigamos firmes na palavra e confiemos no espírito santo. Assim, toda semente que lançarmos frutificará. Trabalharemos para nos alimentar, mas a graça do senhor alimentará nossos sonhos até um dia que, através da palavra, colheremos os frutos daquilo que plantamos. Que tudo que saia da nossa boca seja guiado pelo espírito santo, para que não murmuremos, mas glorifiquemos ao senhor e mostraremos sua realidade ao mundo através de nosso exemplo. Assim é a estação da nova aliança, assim será até que toda a realidade dos céus se torne real também na terra. Este é o desejo de Deus para nosso tempo, e para depois, só Ele sabe como será. Vivamos conforme a sua vontade, pois confiamos que ela é boa.

segunda-feira, 12 de março de 2018

Vida eterna

    O que é a vida eterna? Ora, é o espírito vivo que é transmitido de geração a geração, através das escrituras e dos planos de Deus. Possuir a vida eterna transcende tua consciência não somente para o aqui e o agora, mas para o tudo o que veio antes e que virá depois. Antigamente a vida eterna estava em doutrinas. Agora, a vida eterna está em Cristo Jesus. Futuramente, após a vinda de Jesus, talvez ela paire sobre toda terra, quem sabe? O que se sabe é que, para aquele que não possui a vida eterna dentro de si, viver necessita ser o consumo da sua vida material. Neste ponto, cada segundo perdido é um enorme prejuízo, pois só existe uma vida para se viver. Quem, no entanto, transcende sua consciência à eternidade sabe, através das escritas, que muito do que ela sua carne deseja viver para consumir a vida material já foi vivido, e no final das contas, não levou o ser humano a lugar nenhum, senão a morte.

    Fato é que toda vida é construída em Deus. Aquele que herda sua vida e peca, irá somente consumir um legado construído por sua família e cairá em desonra. No entanto, aquele que continua seguindo aos desígnios de Deus, certamente crescerá. Assim, aquele que vive em Deus, vive em paz. Já o que não vive, nunca está satisfeito. Encontra problemas em tudo, é ansioso, pode pensar que tudo é conquistado através da sua própria força e, por isso, não consegue relaxar. Pensa que o único que pode protegê-lo dos inimigos é si mesmo, e que todos tem seu preço e, portanto, não consegue confiar em ninguém. Por não viver segundo os propósitos de Deus, nem tudo o que faz prospera, ou, se prospera, não acontece exatamente como planejado. Não dura, ou as outras pessoas e mesmo a próxima geração pode não encontrar paz naquilo. Isto não se equipara ao que popularmente se imagina como inferno?

     Aquele que transcende a vida eterna, por outro lado, entende que cada momento tem seu propósito para Deus e que a sua graça se estende para a realização de tudo. Em certo ponto, ele deseja que avancemos, em outro, ele deseja que resistamos aos avanços do mal. Tudo articulado por sua sabedoria divina e oculto aos olhos carnais. Por cada momento ser único, cada ser humano tem seu único propósito, já planejado por Deus. Alguns podem demorar a descobrir, mas ao descobri-lo, cabe a ele aceitá-lo e cumpri-lo para acessar a eternidade ou viver segundo sua própria carne, consumindo a vida e caindo no esquecimento. Para quem tem plena confiança em Deus e segue sua palavra, não existe nada perdido. Cada segundo é um passo para aquilo que Deus planejou para ele, independente do que aconteça. Ao final de tudo, irá adorá-lo com a consciência de quem já sabe que seu propósito já está realizado, afinal, para Deus, passado e futuro é a mesma coisa.

sábado, 10 de março de 2018

A palavra que sustenta o reino

Há aqueles que, do alto do seu orgulho e da sua independência, dizem: religião até que é uma coisa boa para ajudar a quem precisa. Pois aviso a estes arrogantes: saiam desta posição de arrogância. Vá, e conheça verdadeiramente a Jesus. Do contrário, verás aqueles que, um dia tu disseste que precisa de ajuda, crescer através da palavra de Deus. E irão crescer tanto que te porão para trás. Enquanto eles crescem, continuarás estagnado, na tua própria posição. Então antes, quando olhavas do alto e fazia tua avaliação na tua mente, agora, olha de baixo, se sentido o menor dos menores. Então descobrirás a verdade: de a palavra não é somente para quem precisa, somente algo útil que se permite que usem quando nada mais dá certo. A palavra é a própria vida, fundamento de todas as coisas. Através dela, o Reino de Deus virá.

Acaso não acreditas que a palavra de Deus é capaz de gerar seu reino? Pois saiba: a palavra de Deus é vida! É sobre a vida que todas as coisas são construídas, e sem a palavra, não há vida, portanto, não há nada além da existência fria da matéria! Quer um exemplo? Veja uma cadeira. Qual outra possibilidade de uma cadeira existir, se não fosse para dar descanso à vida? No entanto, sem a vida, trazida através da palavra de Deus, qual seria o destino da cadeira, além de se deteriorar, transforma-se em matéria, sem forma e propósito, apenas acumulando em si os acasos da sua existência? Pois assim é com tudo mais.

O ser humano, por natureza, é capaz de sentir a vida. Ele sabe, por exemplo, quando uma casa é habitada por quem está vivo ou quando uma casa é habitada por quem está morto. Pois quem está morto não traz vida para dentro da sua casa. Tal como a cadeira, a casa se deteriora, se empoeira, se desgasta e, por fim, torna-se decrépita. Por outro lado, uma casa com vida também é viva. Ela se transforma assim como a vida de quem lá vive. Ela é limpa, aquilo que se desgasta é renovado. Ela funciona em seus vários sistemas, assim desempenha melhor sua função. Acaso não seria assim também um com reino?

Veja o reino do mundo: corrupto, destrutivo, impiedoso. São estas as características que espera para tua própria casa, para tua própria vida? Acredito que não. Acredito que no fundo do teu coração, justamente por seres criatura de Deus, é que esperas viver em um reino como as escrituras dizem que é o reino de Deus. Conheça a palavra, para então conhecer o reino por teus próprios olhos. Ouça a palavra, para então conhecer o reino com teu próprio ouvido. Quem tem olhos, que veja. Quem tem ouvidos, que ouça. Assim então farás tua própria vida uma extensão do reino de Deus, através do nosso senhor Jesus. Então, devido a isto, tua casa será vida, tua rua será vida, teu país será vida. Será este o reino de Deus.

terça-feira, 6 de março de 2018

Algumas mensagens sobre Cristo, parte 5

--- Sabemos que o desejo pode cegar. Como podemos enxergar a verdade se estamos cegos? Se não enxergamos a verdade, é certo que não podemos sentir a vontade do próprio Deus, uma vez que ele mesmo é a verdade. No entanto, uma vez enxergando a verdade de Deus, surge uma vontade em nós, um desejo, que não é fruto de nós mesmos, mas sim fruto Dele. Este desejo, entretanto, não cega, mas sim une. Realizar o desejo de Deus é o que torna um ser humano puro, uma vez que todas as suas vontades são satisfeitas através da verdade e do amor. Do contrário, o humano será corrompido, aonde a realização da sua própria vontade causa a morte, o pecado, a separação de Deus e o mal na sua comunidade. Sabemos agora que o desejo que cega é aquele que surge do nosso próprio ser, que é limitado a esta vida, que não tem maturidade para acessar ao plano espiritual de Deus e, portanto, nunca estará em harmonia com sua própria existência. O desejo de Deus, entretanto, não nos cega, mas nos realiza. Não nos obriga a andar em mentiras, mas sim a andar em sabedoria. Não nos faz plantar o mal, mas sim o bem. Não nos faz matar, mas gerar vida. O desejo pela vida é aquilo que realmente deveria mover a todo ser humano, mas certamente deve ser aquilo que move todo que nasceu de novo.

--- A rigidez daqueles que não são flexíveis a verdade do próximo é o que determina sua incapacidade de se unir em um objetivo comum. Deste modo, quanto ao mal daqueles que só enxergam a si próprios, contra este me tranquilizo, pois eles nunca serão capazes de moverem-se através do espírito santo, já que não conseguem enxergar nada além de si.

--- Certo dia eu senti raiva de alguém que sentia raiva. No entanto, logo percebi: sofro do mesmo mal a qual condeno. Portanto, o que fazer além de me libertar? Mas, ora, aquilo que me liberta também deve libertar àquele que tem raiva. Sei então que os caminhos que me livrará daquilo que não gosto também fará com que eu liberte ao próximo daquilo que ele também não gosta. Afinal, quem gosta de ser escravo de algo que destrói? A diferença, no final, entre mim e ele, é que eu tomei consciência da minha própria prisão. Sei, pois, através de Cristo Jesus que sou capaz de mudar, de me transformar, mediante a fé e oração, e encontrarei os caminhos. Ele, entretanto, acha que sua raiva pertence a sua própria natureza, portanto, como pode buscar aquilo que considera sólido como pedra? Em verdade, está escrito: diga, e crê de coração, para se mover o monte para o mar, e assim acontecerá. Através do meu exemplo, mostrarei a ele o próprio Cristo. Não será de outra fonte que ele afirmará ser a sabedoria que transformará a mim mesmo naquilo que está escrito.

Algumas mensagens sobre Cristo, parte 4

Pecado, crime e autoridade

Certas vezes perguntam-me acerca da salvação de Cristo. Ora, se Cristo nos livrou do pecado, pode um cristão pecar? Sabemos que o pecado ocorre quando fazemos algo sem fé, e que o pecado gera nossa morte espiritual. No entanto, também sabemos que Deus perdoa nossas falhas, e que nossa salvação está garantia por Cristo Jesus independente de nossos pecados. No entanto, o que acontece se um Cristão pecar? Existem duas dimensões para esta resposta. A primeira é no mundo espiritual, pois uma vez que ele peque, provavelmente seu galardão é diminuído. Ora, sua salvação ainda está garantida, esta nunca será revogada porque foi conquistada por Cristo. No entanto, temos sim nosso prejuízo espiritual. Também, nos afastamos de Deus e da graça, e isto pode ser muito perigoso na vida de um Cristão. É certo que ambos os efeitos são sanados através do arrependimento, pois Deus é misericordioso, nos perdoa e nos faz continuar com nosso amadurecimento espiritual.

Muitos, porém, podem perguntar: ora, é assim tão fácil? Eu peco, mas continuo salvo? Isto significa que se, por exemplo, eu matar alguém e me arrepender em seguida, Deus me perdoa? A resposta é que sim. Se você se arrepender de coração, Deus é misericordioso e certamente o perdoará. Porém, é preciso lembrar quando Jesus diz: “Dá a Cesar o que é de Cesar, dá a Deus o que é de Deus”, o que significa que as leis humanas existem tanto quanto as leis espirituais. Ora, na velha aliança seriamos mortos se cometêssemos tal pecado, no entanto, na nova aliança, somos perdoados. Entretanto, tal pecado, além de pecado, é crime. Por ser crime, é preciso que aquele que o cometeu responda diante da justiça humana. Acredito que, através do que Jesus disse, podemos entender que a nova aliança entende que as leis humanas são para o estabelecimento de um reino espiritual mais elevado.

Como é curioso notar um homem que, ao pecar, mas não conseguir encontrar perdão para seus atos, pode chegar se torturar e guardar consigo um rancor e uma condenação enquanto que outro homem, acusado injustamente de um crime, mas em paz espiritualmente, pode encontrar paz em sua solidão. De fato, Cristo percebe que nossa relação com Deus independente do mundo, e que o desenvolvimento do mundo ocorre segundo a vontade de Deus. Sabemos que autoridades são constituídas por Deus, e que devemos respeitá-las. Cá está um bom motivo para que aprendamos, ainda mais, a respeitar as autoridades humanas, enquanto Cristãos. Sem elas, o conceito de crime e pecado poderiam se misturar, de modo que Deus precisaria agir de outro modo para com seus filhos, que não através da sua graça.

Deve ser preocupante, para os cristãos, verem suas autoridades humanas se deteriorando. No entanto, é preciso buscar entender a fonte de toda autoridade humana, que é a carta de constituição de um país. Firmar a autoridade desta carta perante os humanos é uma forma de enaltecer o sistema humano de leis, de modo que a justiça divina possa atuar na justiça humana. Através da efetivação da justiça humana, certamente a justiça de Deus poderá ser vista com mais clareza. No entanto, nem sempre a justiça humana está de acordo com aquilo que os cristãos acham correto. Neste ponto, é preciso entender que a sociedade ainda está em processo de amadurecimento, então é nosso dever atuar para que as leis humanas amadureçam, através da graça de Deus, e não de outra força, para que possamos trazer o reino dos céus à terra.

Existe, ainda, uma situação mais grave e digna de reflexão. Se, no final de tudo, a própria constituição de um país contiver, em si, elementos malignos? Enquanto que anteriormente nós deveríamos respeitar as autoridades humanas, que por sua vez respeitam a autoridade da constituição, se ela mesma for corrompida, o que faríamos? Neste caso é preciso observar que, uma vez que não exista a autoridade da C.F., não existe nenhum tipo de autoridade, senão a autoridade de Deus. Sendo assim, e também por isso, devemos nós mesmos ser observadores daquilo que constituí um país para ter certeza de que tal construção agrada a Deus, para que então possamos atuar nas pessoas, trazendo Jesus e o reino dos céus até elas. Do contrário, também podemos fazer pressão para que aquilo que é ruim seja alterado, pois, uma vez que não exista nenhuma autoridade acima da constituição de um país, há o próprio Deus, que é criador e autoridade sobre todas as coisas.

Para concluir, devemos lembrar que tudo isto deve ser feito através da graça, pois de outra forma estamos utilizando nossa própria força, e não a força de Deus. Se as coisas são feitas por nossa própria força, não temos condições de confiar o rumo de nossas vidas à Deus, e isto dimensionado a um país implica em um sítio de alerta, não de paz. Certamente os homens que irão construir a constituição de um país, nem todos eles são tocados diretamente por Cristo, afinal, estão lá justamente por sua força natural. No entanto, é preciso que cada Cristão acredite que, dentro deles, durante o processo de construção de uma constituição federal, as leis espirituais mais profundas do reino de Deus serão claras para eles. Afinal, se um país for construído sem a menor presença de Deus, o futuro deste país é a destruição total. Afinal, é o próprio Deus que constituí as autoridades humanas, e, sendo assim, há algo de inspiração divina nelas. Portanto, o respeito às autoridades é requisito fundamental para volta do reino de Deus para a terra.

quinta-feira, 1 de março de 2018

A natureza da graça, as estações da vida e um texto

Demorei muito para entender que a lei que governa o mundo é a graça, e aonde não há graça, há corrupção. É certo que as leis humanas têm seu lugar assim como a lei da natureza. No entanto, se tentarmos entender a humanidade por outro meio que não seja a graça de Deus, falharemos, e, no pior dos casos, criaremos um cenário aonde o mal poderá se instalar, gerando corrupção.

É certo que a lei da graça é espiritual, e, portanto, ela precisa se materializar na natureza através de estruturas rígidas. Porém, é preciso entender que nenhuma destas estruturas são absolutas. Todas elas têm suas estações, seu tempo de nascimento, crescimento e morte. Quando velha, assim como os seres humanos, uma estrutura pode assumir diversas posições.

Pode ela preparar o futuro para seu herdeiro, aquele aonde ela reconheça que a graça acompanha, ou pode tentar manter-se no poder, mas se tornando cada vez mais caduca, dando lugar para o mal se instalar. No primeiro caso, a transição é suave. No segundo, é violenta. Mas, de um jeito ou de outro, o mundo precisará se renovar e a graça continuará a atuar.

Uma vez que assumamos que a graça é a lei que governa a vida humana, precisamos entender precisamente o que isto significa neste texto. Aqui, a graça é aquilo que alcançamos quando buscamos a Deus, no entanto, não por nosso mérito, mas pelos propósitos dele. Reconhecemos a graça espiritual, aquela que habita no corpo de Cristo, mas também a graça natural, aquela que aquele que busca conhecer a natureza em seus detalhes alcança. A primeira leva a eternidade espiritual, a segunda leva a prosperidade efêmera.

Disto isto, é preciso considerar que Deus quer que o busquemos de forma completa. Não somente em espírito, pois aquele que somente busca o espírito de Deus, mas não compreende a natureza da sua criação, não tem os recursos para ter acesso ao sobrenatural que a sua graça nos reserva. Também, aquele que busca somente conhecer a natureza, tanto a material quanto a natureza do homem, este está fadado a falhar, pois não existe paz sem o espírito de Deus. Quantos são aqueles que enriquecem, mas caem em desgraça?

No final das contas, precisamos confiar no Espírito Santo. É este, afinal, que nos guiará ao equilíbrio de uma vida plena de Deus, não somente o espiritual ou o natural, mas o Deus completo. De tal modo que seremos eternos, mas também reinaremos em vida.  Muitas vezes enrijecemos nossos corações em torno de certas verdades, que não são as trazidas pelo Espírito Santo, mas sim herdadas e, talvez, caducas, ou construídas com propósitos malignos, mas que aparentam ser boas. Certa vez eu imaginei uma história que pode ilustrar tal situação, e eu irei aproveitar este texto para escrevê-la. Lá vai:

O artista e o ocupado

    Havia um homem com o coração muito rígido. Ele pensava que sabia demais sobre o mundo, sobre como as coisas funcionavam. Ele acreditava que a vida era difícil, trabalhava muito, não tinha tempo para orar, conhecia pouco a história daqueles que nos salvou e, portanto, nunca confiou no Espírito Santo. Ele preferia confiar na sua própria força, afinal. Se não lutasse, não venceria, este era o seu pensamento.

    Um dia, teve uma oportunidade muito incomum de falar frente a frente com um artista que defenda que nossa sociedade deveria se preocupar com o futuro. Afinal, como ele estava inserido numa cultura ocupada demais com sua sobrevivência, esta mesma cultura não conseguia refletir sobre seus atos através do tempo. Estavam se autodestruído, como uma criança com acesso ilimitado a doces provavelmente o faria. Este artista, portanto, utiliza seu tempo livre para proferir tal discurso. Nesta oportunidade, este homem falou ao artista:

    - É bonito teu discurso de que temos que salvar nosso planeta. No entanto, tu falas isto porque tens tempo sobrando. Se, por outro lado, tivesses tu que lutar por tua sobrevivência, assim como eu, não teria tempo para pensar nestas coisas!

    Prontamente o artista respondeu:

    - É justamente por ter tempo sobrando que posso pensar acerca destas coisas, vir aqui e falar a vocês a verdade a qual acredito. Não estou gastando meu tempo aproveitando os prazeres que o dinheiro poderia me dar como outros fazem, mas sim tentando plantar uma semente de esperança para nossas crianças em seus corações!

    Nisto o homem se calou. As certezas do seu coração foram quebradas e pela primeira vez ele pode ouvir o Espírito Santo. Aquilo mudou sua vida.