Seguir leis sem saber o porquê de sua existência ou significado é uma ignorância que pode levar a burrice ou perda de pontos estratégicos. Por isso, sigo apenas as minhas próprias regras. Por: Leandro Moura
quarta-feira, 21 de dezembro de 2016
Caracterização da força evolutiva
Olá a todos, bem vindos a mais uma artigo. Desta vez, falaremos sobre a “força evolutiva” e suas caracterizações. Antes de continuar, gostaria de avisar que este é um assunto um pouco mais abstrato, e o que me leva a falar dele aqui no blog é a percepção de que este entendimento torna o ser humano capaz de compreender tanto características macro quanto micro da evolução. Força evolutiva, no contexto deste artigo, é a forma que a vida encontra para continuar através das tecnologias que provém sua adaptação sua iteração com a realidade. Esta observação será feita visualizando como as sociedades civis se organizam e a relação com a força da evolução, que de algum modo também está relacionada com o modo que os animais encontraram para prosseguir durante o processo de evolução e eu buscarei traçar essas analogias.
A primeira forma da organização da força evolutiva é a uniforme. Nela, toda sociedade está unida por um só interesse e/ou está de acordo com a tecnologia usada para alcançar este interesse. Não há nenhuma grande briga interna, pois a esmagadora quantia de recursos é direcionada para atingir o objetivo estabelecido socialmente. Este objetivo pode ser a expansão, a sobrevivência ou a caracterização diante outras sociedades, e o desejo de alcançá-lo é forte o suficiente para fazer a sociedade abrir mãos dos conflitos e interesses internos, assumindo formas objetivas de resolver as coisas. Analogamente, esta força uniforme pode ser vista como a força fundamental da vida organizada para sobreviver, quando sobreviver era um aspecto importante, não básico. Este estágio aconteceu no inicio da vida na terra.
A segunda forma é a organização bipolar. Quando a sobrevivência é alcançada e não existe nenhum interesse externo forte o suficiente para fazer as pessoas de uma sociedade esquecerem de seus próprios interesses, parte do recurso que antes era destinado a um único objetivo passa a ser investido para selecionar internamente quem irá liderar socialmente. De modo análogo, as espécies que conseguiam sobreviver naturalmente desenvolveram uma estrutura sexual polarizada em feminino e masculino, de modo a desenvolver uma forma interna de seleção natural, além da externa, acelerando o processo de evolução, e este processo tem exatamente este objetivo na polarização social: selecionar as tecnologias e as pessoas mais qualificadas para continuar a sociedade.
Contudo, esta forma de organização da força é animalesco, selvagem. Formam-se “times”, onde um está disposto a fazer tudo para vencer o outro, inclusive coisas que prejudiquem a própria espécie como um todo. É daí que surge a terceira força, o que faz a força evolutiva entrar em um estado de evolução “equilibrada”. Isto porque, se uma das forças tenderem demais à selvageria, as outras duas vão se unir, assim voltando para o estado anterior. Portanto, a evolução sempre acaba por tentar encontrar formas de manter o equilíbrio da competição eterna, para que este processo não entre em um estado de selvageria autodestrutivo, mas sim construtivo.
Na natureza, o que equilibra o feminino e o masculino é o ambiente. Quando, contudo, o ser humano conseguiu se emancipar do ambiente, através do desenvolvimento das tecnologias que permitiu seus costumes a se desenvolverem por meios artificiais, a força feminina e masculina perdeu sua referência ambiental. Contudo, a mesma inteligência que conseguiu desenvolver formas abstratas de viver, também desenvolveu uma força abstrata de evolução, que é a força divina. Deste modo, o equilíbrio entre o feminino e o masculino consegue ser reestabelecido através da força divina, que se materializa na forma de costumes, escolhas e através da concepção do ser humano como algo eterno.
Esta concepção de “eternidade” se mostrou de fundamental importância, afinal, se o ser humano agir somente em reação ao presente, ele entrará em costumes autodestrutivos. Atualmente, é fácil perceber as pessoas que não enxergam o ser humano como algo eterno se polarizando, seja entre divergências tecnológicas ou pela própria divergência sexual, fazendo coisas que, ao invés de contribuir com o ser humano, o destrói. É fácil perceber isto quando vemos, por exemplo, um grupo de homens formulando táticas para pegar mais mulheres, mesmo que estas táticas passem pela mentira, ou quando uma tecnologia precisa gastar recursos desenvolvendo desnecessariamente formas de defesa contra um inimigo que não reconhece sua derrota. De fato, um pouco de selvageria faz parte do processo de seleção natural, mas quando é demais, de alguma força a terceira força surge.
A força divina, entretanto, se concretizou demais se tornando uma força uniforme, de modo a não permitir que o novo surgisse. Para isto, foi necessário desenvolver uma estrutura social que organiza a força que mantém a sociedade continuando através do conceito de pesos e contramedidas. É assim que surgem os três poderes, legislativo, executivo e judiciário. Estes três poderes organizam diferentes formas que o poder pode interagir com a realidade, e põe um agente controlando o outro. Assim, nenhuma força é soberana e uniforme, ela tem sempre seu par. Também, é preciso pensar racionalmente em quais medidas tomar para reorganizar as forças sempre que o equilíbrio dos três poderes está se quebrando, que é quando a sociedade começa a voltar para o estágio de selvageria e de vale tudo. Separar a força evolutiva em três e manter este equilíbrio é uma forma de garantir a competição saudável em certos aspectos da vida.
Quando começamos a pensar em mais que três forças, entramos em um estado de selva. Afinal, qual seria a função única da quarta força, se uma é para sobreviver, duas é para reproduzir, três é para frear a competição autodestrutiva? Se existe uma quarta força, pode existir uma quinta, uma sexta, uma sétima... Um verdadeiro estado de selva, com várias espécies se aproveitando de diferentes aspectos tecnológicos e geográficos. É isto o que explica a existência de vários países, vários estados, várias espécies de animais, equilibradas numa ecológico alcançado através do tempo. Socialmente falando, o que antes era ambiente, agora se torna a atuação do estado. Seguindo esta interpretação, quanto mais saudável é o estado, melhor ele consegue direcionar a energia que ele recebe do sol para gerar vida. Comparem o deserto do Saara, que tem vida, mas é um ambiente difícil, com a floresta amazônica, que tem a maior biodiversidade do planeta.
É interessante notar que, de tempos em tempos, a força evolutiva pode alterar sua caracterização. Dois exemplos já foram dados, quando o equilíbrio dos três poderes começa a se quebrar e quando uma ameaça externa surge, unificando todos os ameaçados em uma só força. Outra interessante conversão de características acontece quando, dentro de uma “selva”, surge uma tecnologia forte o suficiente para alterar completamente o equilíbrio da selva, dividindo, deste modo, a sociedade em uma situação binária: sua implementação ou não. Deste modo, as diversas forças se organizam em dois “times”, os que são a favor, que vão ser beneficiados, e os que são contra, que vão ser prejudicados. Neste momento, até aqueles que vão ser pouco prejudicados ou beneficiados por esta implementação ou não se sentem pressionados escolherem um lado, pois se o lado que ela estiver vencer, eles vão se beneficiar mais pela própria vitória em si do que pela implementação, além de se protegerem contra as enormes forças que vão se aglomerar em torno de um objetivo. Felizmente, a democracia foi inventada para tentar resolver este tipo de conflito sem o uso direto da força física.
Finalizando esta analise, pode até ser que exista uma função para uma quarta força, mas se existir eu ainda desconheço. Há quem diga que o ministério público e o tribunal de contas são forças equiparadas aos três poderes, mas eu preciso discordar, pois caso fossem, a polícia e o exercito também o seriam. Afinal, já aconteceu em vários lugares no mundo a força militar se tornar forte o suficiente a ponto de impor sua soberania na sociedade. No máximo, o MP e o TC são materializadores da vontade popular, mas o que eles fazem deveria ser feito pelo próprio cidadão, pois o risco é que eles se desconectem da sociedade e façam coisas transvestidos da vontade popular, mesmo que sem nenhuma intenção maldosa por traz. Espero que esta postagem tenha sido interessante para todos e mostrado a importância de entender sobre os aspectos “abstratos” da evolução. Um abraço a todos.
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domingo, 18 de dezembro de 2016
Privação de relacionamento como violência pura
Se toda violência for uma oposição de forças, há a força de quem deseja relacionar e há a força de quem deseja privar-se do relacionamento. Se aquele que não quer se relacionar for forte o suficiente para, através de sua privação, mudar a outra pessoa, então a violência foi forte o suficiente para alcançar seu objetivo. Caso contrário, cabe à própria pessoa repensar sobre sua relação com seu alvo de violência, pois talvez ela viva num mundo de ilusões, cabendo então sua própria readaptação a realidade. Afinal, toda iteração humana se dá através de relações, e se uma relação não vale nada para outra pessoa, por que se relacionar com ela?
Quaisquer outras formas de violência alteram outras áreas, que não o ser no seu sentido mais puro. Por exemplo, violência física degrada diretamente as funções vitais do ser. Privação econômica tem efeito parecido, principalmente se essa privação for ao nível de corte na manutenção do corpo que vive, contudo, em algumas ocasiões, a privação de relacionamento também implica numa privação econômica. Qualquer sistema social devidamente evoluído tem seus próprios mecanismos de adaptação, sendo estes os meios pelos quais aquele que deseja a mudança pode alcançá-lo, não precisando, portanto, recorrer à violência. Em uma sociedade parcialmente evoluída, a violência das leis já é algo grave o suficiente. Portanto, qual outra violência existirá, senão a privação do relacionamento?
Um homem na cadeia sofre a maior violência que ele pode sofrer, afinal. Preso, tendo comida e bebida, mas sendo privado do seu relacionamento com outros seres humanos e mesmo com a própria liberdade. Este castigo pode ser o suficiente para levar alguns homens à loucura, e para que tal não aconteça, é mesmo permitido que eles se relacionam entre eles mesmo dentro da cadeia. No entanto, há aqueles ainda que, mesmo dentro da própria cadeia, não entendem o suficiente sua realidade para alterá-la pelos devidos meios legais, fazendo-o ir ao que se chama de “solitária”. Algumas semanas na solitária e é possível ver um ser humano indo à loucura.
Acredito que qualquer sociedade que clame por outro tipo de violência que não a privação de relacionamento não está devidamente adaptada ao ser enquanto aquele que atua e se relaciona, não ao que é físico. Afinal, é possível matar fisicamente um ladrão, um mentiroso, um estuprador ou qualquer outro tipo de humano não socialmente aceito, mas não é possível matar aquilo que forma seu ser senão através de outras formas de se relacionar. A sociedade que criou um ladrão, que foi morto fisicamente, continuará criando novos ladrões se achar que apenas a morte física é o suficiente, e continuará matando se não alterar fundamentalmente o que ela é e seu comportamento.
Para matar realmente o ladrão, o mentiroso, o estuprador ou quem quer que seja, é preciso desenvolver formas de lidar com a vontade maldosa daqueles que a desenvolvem antes delas serem capazes de se materializar. Através da prevenção, com a psicologia e com uma sociedade justa, através da defesa, com mecanismos capazes de filtrar os agentes que desejam fazer o mal a um menor número, com o ataque, buscando formas de usar o que se tem para identificar quem atua, e com inovação, desenvolvendo novas formas de prevenção, defesa ou ataque, utilizando a experiência de quem, inclusive, cometeu tais crimes. Tudo isto apenas para garantir que aquele que erre receba sua punição: a privação de se relacionar-se com os outros.
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domingo, 11 de dezembro de 2016
Sobre o adornamento
"O adorno causa uma confusão no nosso cérebro. Se ele é adicionado a algo bom, esta confusão será resolvida para causar beleza. Se for adicionado a algo ruim, esta confusão será resolvida para causar feiura. Se o adorno por si só já trazer consigo uma carga de associatividade, então haverá interferências na resolução do caso que podem, inclusive, levar ao engano."
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sexta-feira, 2 de dezembro de 2016
Uma análise da família através do processo de continuação
Bem vindos. Hoje iremos analisar a processo familiar de acordo com o processo de continuação. O conceito de continuidade surgiu através da observação da evolução, que tudo é continuidade de alguma coisa, adaptando-se de acordo com as necessidades e capacidades. Sendo assim, o interesse desta postagem será analisar a estrutura familiar de acordo com os preceitos da evolução, olhando através das gerações. Também utilizaremos as noções de forças sexuais, aonde o feminino e masculino são forças opostas e complementares que precisam de recursos e tempo para atingir seu ápice funcional. Afinal, a geração de vida passa pela negociação destas forças quando falamos em seres sexuados. Sendo assim, vamos dar inicio a postagem.
A família tradicional inicia-se com um homem e uma mulher, exercendo as funções de masculino e feminino, respectivamente. Tradicionalmente o masculino gasta a maioria dos seus recursos para manter contatos e ferramentas de produção. Ele adotou esta posição graças às características corporais que os hormônios masculinos atribuem ao homem, como mais agressividade e força, e no processo familiar ele entra como aquele que provém à maioria dos recursos. Já o feminino, por sua vez, acumula os recursos para si, embelezando-se para servir de recompensa para o masculino, como também utiliza sua força para trabalhos mais específicos, próprios de quem cuida do lar e das crias. A recompensa dela está contida nela mesma, mas ela precisa dos recursos providos pelo masculino para alcança-la.
Imaginemos que esta é uma família sem grandes inovações, que precisam competir na sociedade para prover e administrar os recursos. Dito isto, assumiremos que o casal teve condições de ter dois filhos, um menino e uma menina, de modo a dar prosseguimento ao processo de continuidade. O menino irá assumir o papel do pai, e a menina o papel da mãe, ambos vão se casar com filhos de outra família, de modo a dar variedade ao convívio familiar, mas, para nosso estudo, esta outra família será do mesmo tamanho, de modo a manter o número de pessoas no mundo constante. Assumimos também que não há acidentes. Estas hipóteses são importantes por causa da característica hereditária dos recursos familiares, que são parte importante da continuidade das características de uma família.
O menino, por precisar assumir o papel do pai em um futuro um pouco distante, começa a acompanhá-lo por tudo quanto é canto para aprender e desenvolver relações com os outros meninos, que acompanham e serão substitutos de seus pais em seus respectivos trabalhos, assim como desenvolver relações confiança, conhecimentos e contatos necessários ao trabalho. As meninas, em contrapartida, ficam em casa, para aprender seu trabalho específico de dona do lar, assim como aprender a como administrar bem os recursos para embelezar-se. É interessante perceber que neste exemplo, o feminino e o masculino são copiados com pouca variação, afinal, estamos num cenário de mundo estável, sem grandes mudanças tecnologias ou de paradigma social.
Durante a adolescência, inicia-se a fase de reprodução. Ambos os filhos do casal precisam utilizar parte do seu tempo para conhecer novos parceiros e dar inicio ao processo de formação de uma nova família. É preciso notar as diferenças de comportamento que o exercício tradicional das forças sexuais implica a cada gênero adolescente: o masculino tenderá a correr atrás, porque ele quer a recompensa. O feminino tenderá a esperar, por ela ser a recompensa. O masculino desenvolve formas de ataque pra conquistar o feminino, enquanto que o feminino precisará desenvolver formas de defesa para a integridade dos seus recursos manterem-se sólidos para serem quebradas apenas por um masculino forte e que tenha reais intenções de manter família com ela.
Este processo tradicional de reprodução foi atingido após várias e várias gerações de testes e de transição de conhecimento. Ele se baseia tanto na força do masculino de conseguir conquistar o feminino, através de seus conhecimentos de competição aprendidos por seu pai e direcionados pra menina certa através dos conhecimentos de feminilidade da mãe, quanto na força do feminino de defender seu acumulo de recursos, recebido do seu pai e formatado por sua mãe, para esperar o masculino que realmente queira formar família com ela. É uma espécie de negociação, que testa a força e a integridade dos recursos do parceiro que se pretende formar a família, para então dar prosseguimento ao processo de continuidade. O masculino que não conseguir atacar e o feminino que não conseguir se defender é deixado de lado neste processo, se reproduzindo tardiamente ou mesmo não conseguindo se reproduzir, ficando para “titia”, como dizem popularmente.
No nosso mundo hipotético, aonde cada casal tem apenas dois filhos, este comportamento de não conseguir se reproduzir significaria uma constante baixa na quantidade populacional, de modo que em algum momento a população seria reduzida a zero. Ou, caso forcemos que cada pessoa encontre seu par, teríamos uma situação de castas sociais. Isto porque, a cada geração, os casais irão se dividir em dois: os que tiveram sucesso em reproduzir-se, de modo que o masculino conseguiu atacar e o feminino defender tempo o suficiente para que eles desenvolvam um processo de formação familiar firme, e os que falharam, de modo que ou o masculino não conseguiu atacar, ou o feminino não conseguiu se defender. A falha na reprodução também significa uma falha na produção. Um pai ou mãe que falha não tem condições de ensinar sucesso ao filho ou filha, de modo que quem teve sucesso vai tender a continuar tendo através das gerações. É desta forma que duas castas irão surgir: aquelas que continuam o sucesso e aquelas que continuam o fracasso.
Obviamente, a realidade é bem mais complexa e rica de mecanismos. Porém, ainda dentro desta realidade, podemos explorar mais alguns conceitos. Para esta exploração, adicionaremos a possibilidade de “acidente”, que pode ser tanto negativo, de modo a incapacitar um pai ou mãe de transitar seu conhecimento com sucesso para seu filho ou filha, ou positivo, de modo a dar uma vantagem de ataque e de defesa para o filho ou filha, independente do conhecimento e recursos já estabelecidos. Como há a possibilidade de acidentes, é preciso também aumentar a taxa de reprodução para a população se manter constante, pois haverá pessoas que não vão conseguir se reproduzir, por serem fruto de algum acidente, e outras que irão reproduzir até por demais para compensar.
Com a adição dos acidentes, fica um pouco mais fácil imaginar como um processo de continuidade pode ser interrompido ou incrementado de maneira misteriosa e, às vezes, desequilibrada. Imaginemos uma família que por várias gerações tenha sucesso. Por um acidente, contudo, aquela família de sucesso experimenta a falta de capacidade de transmitir o sucesso aos seus filhos, como um pai ou mãe morto por exemplo. Metade do conhecimento, recursos e valores que faziam aquela família ir bem deixam de ser transmitidos, e os filhos vão experimentar a difícil tarefa de competirem sem esta metade. Podem conseguir ou não, tudo depende do tamanho do dano que aquele acidente representa. Ou, por outro lado, uma família fracassada pode experimentar um acidente benigno, de modo a dar vantagens de reprodução a ela. Neste ponto, é preciso que ela aproveite a chance para adaptar seu estilo de vida para aproveitar bem esta oportunidade.
Adicionaremos agora a violência. Com a adição deste recurso, cada indivíduo terá de ter mais algumas características: a sua capacidade de violentar, a sua capacidade de defender-se, e o quanto ele acredita no que ele faz a ponto de aguentar o sofrimento. Caso ele chegue ao máximo de sofrimento que ele consegue aguentar, inicia-se um processo de revolução da continuidade: não há modelo fixo para resolver. A pessoa pode decidir matar alguém, matar a si próprio, fugir de casa e não voltar, aceitar casar-se com a primeira pessoa que aparecer, dentre tantas e tantas outras possibilidades. Todas elas, contudo, altera abruptamente o processo de continuidade que estava sendo estabelecido por aquela família. Com a adição da violência, é também preciso pensar nas possibilidades de roubo, de mentira, de agressão física, etc. Vamos agora analisar alguns casos de continuação de uma família através com a adição da violência.
Sabemos que, no modelo tradicional, o pai é o responsável por prover recursos para a família. A mãe, por administrar e cuidar do lar. Com a adição da violência, a mãe pode mentir, o pai pode bater. Os filhos podem ser violentados por outras pessoas, de modo a se voltarem contra seus pais. Por exemplo: um filho ou filha encontra um modo de vida que parece ser mais fácil que o do seu pai ou mãe, mas estes, por saber a violência que há no mundo, tentam, a qualquer custo, desestimular que seu filho ou filha vá por esse caminho. Muitas vezes essa tentativa passa pelo crivo da violência física. A questão que a violência física desestimula até certo ponto, mas se o filho ou filha realmente acreditarem naquilo, esta violência não os impedirá. Uma tragédia, portanto, pode acontecer, pois sempre é possível agredir um pouco mais e não existe nenhum mecanismo de aviso de parada a agressão.
A violência física pode ser o suficiente para desestimular a aquela pessoa que deseja fugir de algum determinado processo de continuidade a prosseguir ao ponto de dar tempo o suficiente dela perceber que, aquele caminho que parecia mais fácil, na verdade, era algum tipo de armadilha, como roubo. No entanto, pode ocorrer que aquele sentimento de vida mais fácil seja realmente verdadeiro, afinal, existe os “acidentes” positivos, como anteriormente já mencionado. É preciso que haja bastante equilíbrio por parte dos responsáveis pelo processo de continuação para que a violência seja bem aplicada. De preferência, que não haja violência física, mas sim muita negociação e, no máximo, privação de relacionamento, que, por si só, já deveria ser uma violência forte o suficiente para fazer qualquer pessoa relacionada ao processo de continuidade repensar no seu caminho, caso este processo seja realmente saudável.
Por exemplo: se um filho ou filha decidir ir por determinado caminho e o pai ou mãe decidir privar-se de relacionar-se com ele, após tentar todos os mecanismos de negociação possível, essa próxima geração estará deixando de receber uma boa parte dos recursos e grande parte dos conhecimentos e valores que seus familiares podem dar a eles. Isto abre espaço para um processo de renovação ou de recuperação. Se a privação de relacionamento não funcionar, é porque aquele que está se privando do relacionamento tem pouco ou nenhum efeito sobre a vida daquela pessoa, então é preciso repensar sobre a função deste relacionamento em si, sobre as possibilidades de readequação e atuar de forma diferente, para fazer diferente se assim desejar ou buscar relacionar-se com quem sente a diferença com a relação.
No começo do texto atribuímos a função masculina ao homem e a feminina a mulher, justamente pelas características físicas de cada um, que permite que eles desempenhem uma função maximizada em determinados papeis. Porém, com o avanço da sociedade, surgiram trabalhos que se utiliza pouca força física, assim como, através dos métodos anticoncepcionais, parte da “integridade” feminina, de ser capaz de esperar pelo parceiro certo para então iniciar os procedimentos de reprodução, passa a ser redundante. Desta forma, a função tradicional do feminino e masculino perde suas características de fixação, e estas características passam a flutuar através de abstrações de comportamento mais modernas. Deste modo, um homem, heterossexual, pode exercer o papel tradicional da característica feminina, enquanto que uma mulher, também heterossexual, pode exercer o papel tradicional da característica masculina. Desta forma, a própria definição de masculino e feminino se abstrai para, simplesmente, forças opostas e complementares cuja negociação gera vida.
Com esta incrível quantidade de elementos que podem variar o processo de continuação, e ainda com a abstração das forças sexuais explicadas no parágrafo anterior, como lidar com tanta variação de comportamento? Esta é uma pergunta muito importante, pois é muito fácil as pessoas se esquecerem de que o mais importante da vida é encontrar meios de continuar vivendo. Há muitos que negam o processo de continuação por tão confuso que ele se tornou, ao não desejarem ter filhos. Há outros que querem cristalizar o processo de continuação no modelo tradicional, e outros que querem quebrar completamente tudo o que possa parecer com tal modelo. Há, inclusive, os que resolvem se suicidar, ou quebrar completamente qualquer lógica de continuação através da prostituição ou do roubo.
Ora, é preciso que cada um de nós pense que continuação somos, como fomos gerados, como nossos pais foram gerados, e o que vamos passar para as próximas gerações. O que acreditamos ser, de modo a aguentar o sofrimento e prosseguir. Cada ação é atrelada a um valor e a um recurso, e, quando pensamos nesta ação ao infinito, é que entendemos o que ela significa para o processo de continuidade, é quando vamos saber se realmente acreditamos e queremos dar continuidade ao que somos. Ou, caso não, remodelar-se, buscar ser diferente, recuperar-se, transformar-se, abrir-se ao novo. Deixar que acidentes aconteçam na vida, se agarrar aos bons e consertar os ruins, e assim reconstruir a continuação com respeito à vida. Abraço a todos.
PS: Existem dois exercícios o autor deste texto gostaria que o leitor fizesse.
O primeiro se refere na afirmação, "mas ela[feminino] precisa dos recursos providos pelo masculino para alcança-la[a recompensa contida no próprio feminino]". Que masculino é este que provem os recursos? Acaso pode haver, a depender do modelo, o feminino e o masculino dentro de um mesmo corpo?
O segundo se refere ao modelo básico de continuidade familiar, aonde cada casal tem dois filhos, um menino e uma menina. Como seria a política de habitação entre as gerações?
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quinta-feira, 17 de novembro de 2016
Modelo e atuação: ser humano e o ajuste de detalhes.
Na discussão sobre a modelagem da realidade, quanto mais preciso o modelo, mais complexo é de torná-lo ainda mais preciso, de forma que a certo ponto este custo explode exponencialmente. Ainda mais: prever exatamente tudo o que irá acontecer é impossível, pois para tanto seria preciso compreender todo o universo. Isto nos leva a fatídica conclusão de que, independente do modelo, ao aplicá-lo na realidade, haverá imprecisões. Estas imprecisões são previstas e calculadas de modo a se tornarem insignificantes em processos mecânicos, como indústrias. Um acidente, seja lá por qual motivo for, se torna um interessante caso de estudo para os especialistas e gera aperfeiçoamentos na modelagem para que não ocorra novamente. Entretanto, na modelagem de comportamentos humanos, a coisa se torna um tanto mais complexa.
Isto porque cada humano é por si só único. Desta forma, só ai, imaginar um modelo capaz de prever o comportamento de algumas centenas de humano já se torna complexo o suficiente para explodir se quisermos alguma razoável capacidade de prever o futuro. Portanto, isto seria o suficiente para assumir que qualquer tipo de modelagem humana tende a ser um desperdício de tempo se não fosse pelo fato de que cada ser humano é capaz de se adaptar às suas circunstancias, de acordo com o que ele acredita. É justamente este último fato que torna não somente possível, mas objeto de estudo de vários pensadores, a modelagem do comportamento humano. Porém, percebam esta curiosa colocação que eu utilizei para explicar o mecanismo que viabiliza a modelagem do ser humano, “acreditar”.
Antes de explicar esta colocação, faremos uma breve reflexão sobre algumas considerações sobre o desenvolvimento de modelos num contexto humano. Um modelo preciso demais implica em bons resultados, mas também num gasto maior. Na realidade humana, este gasto é de tempo para a adaptação das pessoas ao modelo ou de recursos para transmitir a informação e verificar se ela foi bem executada. De modo que, embora os resultados sejam altos, o gasto para mantê-lo também o é, visto que seres humanos sempre se renovam através das gerações. Por outro lado, um modelo simples demais tem um baixo custo de execução, mas pode se tornar bastante instável devido à variação abrupta de resultados. Ainda, devemos lembrar que variação de resultados abruptos numa realidade humana pode ser o suficiente para causar revoltas, mortes ou mesmo revoluções.
Deste modo, fica fácil perceber o processo de calibragem que todo modelo de comportamento humano passa. Por um lado, é preciso que o modelo seja simples o suficiente para que as pessoas consigam compreendê-lo e executá-lo, e que o custo de fazer as pessoas entender ele seja baixo, por outro, é preciso um modelo que seja preciso o suficiente para que a variação de resultados seja precisa o suficiente de modo a não estressar a sociedade ao ponto de interromper o seu processo de continuidade. Portanto, coube aqui a palavra “acreditar”, pois quanto mais uma população acredita no modelo social ao qual ela é submetida, maior é a sua capacidade de suportar o estresse, se adaptar e esperar que uma nova onda de resultados venha de modo a permitir a continuidade da sociedade.
Manter, contudo, a credulidade de um sistema não é uma tarefa simples, tão pouco determinística. Em outras palavras, não é possível desenvolver um modelo para modelar como fazer um modelo ter um alto índice de credulidade. Isto porque, uma vez que um modelo de fazer a população acreditar em determinado modelo seja desacreditado, devido ao continuo fracasso dos modelos em questão, o modelo também perde sua credibilidade e eficácia. Isto, em tempos de globalização, em que informações de diversos modelos sociais são comparadas e verificadas a cada instante, é um processo que se torna muito veloz.
É interessante perceber que a falta de credulidade de um modelo, inclusive, é um fator que aumenta em muito a instabilidade do modelo. Por exemplo: se a pessoa não acredita naquele modelo, o que fará ela ter o esforço de fazer o que for preciso para tornar sua realidade, o que aquele modelo prevê de modo a fazê-lo funcionar bem? Ela simplesmente vai ignorá-lo, reorganizar sua realidade como bem querer, o que irá influenciar também a organização da realidade das pessoas próximas a ela. O resultado desta influência, que pode ser desarmônica ou não com o modelo de um modo geral, pode ser uma incógnita. Mas a probabilidade de um comportamento desenvolvimento sem pensar no modelo total ser harmônico com o modelo é bastante baixa, o que, de modo geral, vai gerar ainda mais instabilidade no modelo.
O contrário também é válido: uma pessoa que, ao perceber que ela pode fazer um pouco mais para reorganizar sua realidade de modo a alinhar-se com o modelo, influenciará positivamente com os resultados que o modelo prevê para a sociedade. Além disto, ela pode contribuir para que outras pessoas entendam e encontrem maneiras para se adequar ao modelo. Aqui, ainda, cabe invocar a responsabilidade que cada cidadão assume ao pertencer a um determinado modelo social. Ele pode, ou não, atender a essa responsabilidade, mas ai é uma escolha dele e é dele as consequências para os resultados. Afinal, se ele não contribui positivamente para o modelo, ele está contribuindo para sua possível degeneração.
Existem ainda muitas outras situações decorrentes dos processos de adaptação, de transição entre as gerações, de renovação de um modelo social, da tentativa de se manter certo modelo artificialmente por determinados setores sociais e saturação, mas isto será deixado para uma próxima oportunidade. Para concluir, percebam o quão importante é a noção de credulidade no desenvolvimento de um modelo social. Este efeito emerge principalmente através da capacidade das pessoas de sentir sua cultura e formatá-la de modo simples e preciso, de modo a permitir sua reprodução e sobrevivência através das gerações, além, como todo modelo, seu aperfeiçoamento e calibragem.
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quarta-feira, 16 de novembro de 2016
Observações sobre sistemas hierárquicos e sobre a geração de riqueza na política
Existem muitas formas de um grupo se organizar, cada uma delas tendo seus prós e contras. Uma destas formas é através de um sistema hierárquico. Uma característica interessante do sistema hierárquico é a capacidade que uma ordem tem de se propagar para o topo até a base, e o contrário não acontece. Vamos comentar um pouco sobre a segunda parte desta afirmação: assumi-se que tem está no topo tem mais experiência, o que, em um sistema vivo que age constantemente com as variações da realidade, é bastante precioso. A base fica responsável por aprender com o topo e, quem sabe, inovar com muita dificuldade. Sistemas hierárquicos tem pouca capacidade de renovação já que a experiência e continuidade são requisitos mais importantes, e pra uma coisa funcionar, ela tem que se mostrar funcional na prática muitas vezes.
Voltando a primeira parte: a capacidade da ordem se propagar do topo para a base é possibilitada pelo interesse do sistema hierárquico inteiro de executar tal ordem. Por algum motivo, a pessoa do topo decide dar a ordem, pois é do interesse dela executá-lo. Quem está logo abaixo também tem o interesse de executá-lo, seja por motivos semelhantes de quem solicitou, seja por vontade dar continuidade a sua boa posição no sistema hierárquico. Afinal, quanto melhor for o resultado, mais o topo vai recompensar o nível imediatamente abaixo. Este nível imediatamente abaixo fica responsável por, também, fiscalizar a ação de quem estiver mais embaixo, de modo a se certificar de que a ordem foi executada corretamente. Assim se segue, até a ordem chegar ao seu executor final.
Notemos algumas características interessantes deste sistema: todos aqueles que reproduzem a ordem tem sua credibilidade. Isto porque, uma ordem pode ser boa ou ruim, de interesse geral ou de interesse pessoal. Quanto pior e de interesse pessoal for uma ordem, menos interesse haverá de executá-la por parte de quem recebe a ordem. Portanto, se existir um sistema hierárquico mal estruturado, ou com pessoas que estruturam agindo sem propósito ou por interesses pessoas, a pessoa que estiver embaixo terá menos interesse em executar a ordem. Esta é uma forma interessante de analisar esta estrutura.
Sistemas hierárquicos são ótimos em situações que o tempo é um fator extremamente importante, guerras, por exemplo. É perceptível que não existe, neste sistema, a intenção de questionar o teor da ordem, e isto economiza bastante tempo. Também, quanto mais interesse do sistema inteiro que ele continue, maior será o interesse de executar a ordem. Por exemplo: numa guerra, quanto o general quanto o soldado querem vencer. Sendo assim, todos vão se esforçar o máximo, por menor que seja a ordem. Ao contrário: uma empresa cujo a base operaria não está nem ai para a continuidade ou não da empresa, fará a ordem apenas para não perder seu emprego, de modo preguiçoso ou mesmo enganador.
Em empresas, utiliza-se um sistema de recompensa para adicionar um interesse a mais em seus níveis de propagar a ordem de maneira rápida e correta e fiscalizá-la. De modo que, quem está no topo tem tudo, e passa uma grande recompensa para a parte seguinte, que pega parte dessa recompensa e transmite o resto pra baixo, assim por diante, de modo que quem está embaixo só recebe a recompensa depois da fiscalização e correta execução da ordem. Contudo, isto deve ser feito de modo equilibrado: a quantidade de recompensa dada ao nível de baixo não deve ser tão grande a ponto de desestabilizar sua posição. Afinal, quanto mais se ganha, maior é o desejo das pessoas de ocupar aquele lugar e cometer fraudes para prejudicar quem está imediatamente acima.
Também, é preciso levar em consideração o conflito entre os níveis: se um nível superiro ganha muito e quer muito que uma ordem seja executada, e um nível anterior ganha pouco e tem pouco interesse de executar uma ordem, é possível notar um conflito se configurando. Afinal, quem ganha muito irá fiscalizar de modo rude quem está embaixo, ou mesmo ameaçar, de modo a criar um sentimento de instabilidade que fará com que a base veja a parte de cima como inimiga. Do contrário, se a parte de cima receber uma recompensa muito próxima a quem estiver embaixo, a vontade de fiscalizar a ordem será proporcional à vontade de quem está embaixo de não executá-la, de modo que a ordem não será corretamente executada.
Notemos uma característica fundamentalmente interessante que diferença um sistema hierárquico natural de um sistema hierárquico artificial: no segundo, foi preciso estabelecer um sistema de recompensa de difícil calibragem. Já no primeiro, existe um genuíno interesse de que o sistema funcione e continue. Percebam que este interesse agrega uma riqueza ao sistema que o sistema de recompensa tenta reproduzir com muita dificuldade. Este interesse e esta riqueza são valores que não podem ser reproduzidos artificialmente somente através da vontade de uma única pessoa ganhar. Pode sim ser reproduzido através de mentiras, mas descoberta a mentira, o sistema caí completamente.
Esta é uma noção interessante pra ser percebida sobre a geração de riqueza: cada pessoa que acredita no que faz e sendo esse crédulo a recompensa, gera uma riqueza inimaginável para o sistema para o qual ela contribui. Esta é uma importante característica a ser verificada em muitos tipos de organização, como política por exemplo. Organizar um conjunto de pessoas de modo que elas acreditem ter um futuro melhor, e criar nelas a vontade de lutar por isso, é uma característica que somente a política pode fazer. Fazer muito com pouco, isto é algo que somente aquele que acredita no que faz consegue fazer.
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terça-feira, 8 de novembro de 2016
Ideologia do fracasso
"Ideologia do fracasso": o fracasso existe por causa do sucesso, sendo o sucesso objeto desejado por aqueles que lutam para obtê-lo. Contudo, para que um tenha sucesso, outro deve fracassar. Quem tem sucesso quer que seus filhos também tenham sucesso, quem fracassa quer que seus filhos não sigam o mesmo destino. Mas, na luta de fracassado contra sucedido, sendo travada indiretamente por seus filhos, quem vai vencer, novamente? Na maioria dos casos o próprio fracassado. Quando repetimos esse comportamento por repetidas gerações, de modo que a vida dos fracassados se torne um martírio, o que esperar dessas pessoas senão que elas se agarrarem e desejem, inclusive, dar sua própria vida em defesa de algo? Ainda mais, pedem que a "ideologia do fracasso" seja combatida com violência: matar os fracassados e só deixar os bem-sucedidos vivos. Mas quem alimenta o sucesso senão o fracasso? É destino de todos os que sobreviveram travar outra guerra enquanto "ser bem sucedido" for o principal valor a ser defendido pelas classes dominantes no mundo.
Ainda mais, quando existe alguma sensibilização por parte dos "jovens sucedidos", alguns que de alguma forma sentiram o fracasso, os país enxergam como fruto de doutrinação e impedem que os jovens se aproxime daquilo que mais se aproxime de alguma esperança que se conhece por meio da violência e demonização. Este movimento de violência e ignorância é adotado e demonização é aceito por jovens "sucedidos" que desejam manter o "sucesso" no seu futuro, assim como por alguns dos jovens "fracassados" que acreditam que são os fracassados iguais a eles que os impede de serem bem sucedidos, mesmo que para isso seja necessário matar alguns "fracassados"
https://www.facebook.com/midiaNINJA/videos/668668249957990/.
Ainda mais, quando existe alguma sensibilização por parte dos "jovens sucedidos", alguns que de alguma forma sentiram o fracasso, os país enxergam como fruto de doutrinação e impedem que os jovens se aproxime daquilo que mais se aproxime de alguma esperança que se conhece por meio da violência e demonização. Este movimento de violência e ignorância é adotado e demonização é aceito por jovens "sucedidos" que desejam manter o "sucesso" no seu futuro, assim como por alguns dos jovens "fracassados" que acreditam que são os fracassados iguais a eles que os impede de serem bem sucedidos, mesmo que para isso seja necessário matar alguns "fracassados"
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quinta-feira, 3 de novembro de 2016
Reflexão sobre a evolução e alguns dos seus mecanismos sociais aliados com perspectiva cristã
http://br.rfi.fr/franca/20161102-franca-enfrenta-crescimento-da-pobrefobia
"Evolução não é um processo simples: se evolui através daquilo que se acredita, seja através do sofrimento ou através da ajuda de quem está a frente em determinado aspecto da evolução. Contudo, em todo ser que é vivo existe uma força animal inerente à sua existência que chamamos de violência. Uma vez que tratamos outro ser vivo com violência, damos a ele o direito e o desejo de responder com violência ao nosso tratamento. Assim, inserimo-nos num cabo de guerra, aonde vai ganhar aquele que tem mais coragem de utilizar seus recursos para a obtenção daquilo que acredita. Dentre estes recursos, encontra-se aquele que é valioso a todo ser vivo, que é sua própria vida."
Existe uma enorme vontade de todos aqueles que fazem parte do movimento de esquerda em combater a pobreza, mas me pergunto se apenas a distribuição de renda é suficiente e necessária para tanto. Afinal, como desenvolver um método de distribuição de renda eficiente sem que se distribua, além da riqueza, também a experiência e a cultura daqueles que produzem? Sem contar que a pobreza não é problema somente no Brasil. Este é um problema mundial que determina, inclusive, a relação entre países. Não me parece um problema simples a distribuição de riqueza mundial, de modo que a riqueza distribuída seja aplicada eficientemente por quem a recebe.
De outro modo, também não acredito que seja simples a regulamentação da acumulação de riquezas de modo a deixar todos satisfeitos, até mesmo devido à preguiça e a condição de mentir que todo ser humano pode apresenta. Assim, como resolver este desejo de combate a pobreza sem a necessidade de distribuição de renda? Ora, parece-me que a dois mil anos atrás Jesus já havia chegado a esta resposta, que é o perdão.
Falando em outras palavras: o que é ser pobre senão não ter condições para atuar na sociedade e ter condições mínimas e dignas de vida? E como se chega a um estado de pobreza, senão através de um processo histórico regado a erros, seja erros de si mesmo e da própria família ou erros de terceiros? Assim chega-se a conclusão de que não é um mecanismo de distribuição de riqueza que precisamos, mas sim um mecanismo de recuperação social.
Contudo, acredito poder afirmar, até mesmo pelo sacrifício de Jesus na cruz, que não existe nenhum método mecânico para a recuperação dos seres humanos que não o interesse dos próprios seres humanos em assim fazê-lo. Podemos sim, organizar uma estrutura mecânica para viabilizar o desejo daqueles que desejam a recuperação, mas sem o desejo humano de recuperar, seja a si mesmo quanto a o próximo, estamos condenados eternamente à nossos próprios erros, sendo esta a a verdadeira origem de toda a pobreza. Há, ainda, de salientar que esse mecanismo deve ser social, não religioso, sendo este mais um desafio a criar para sua criação. Afinal, existem muitos modelos de fé no mundo, e cada região acaba desenvolvendo suas próprias especificidades.
Não é razoável admitir que eles larguem sua cultura em pró de outra, mas sim que se abram para aprender e se desenvolver. Esta é a principal diferença entre impor, modelo que rotineiramente costuma ser utilizado por sistemas religiosos, e negociar. Estamos lidando com seres vivos, detentores de corpo e de cultura: pedir que eles se livrem disto é pedir que eles joguem em fora tudo de bom que eles lutaram para desenvolver. Nós temos a aprender com eles quanto eles a aprender conosco, portanto, negociar é a palavra. Negociar de modo que a sociedade e a vida, não um sistema religioso ou político específico, saia vitorioso.
http://oglobo.globo.com/sociedade/papa-pede-aos-jovens-que-se-rebelem-questionem-que-estiver-errado-19803943
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sexta-feira, 2 de setembro de 2016
Níveis de degeneração social e a renovação social
Olá amigos. Faz muito tempo que eu não escrevo para este blog. Meus projetos
têm sido completamente absorvidos pelo Devir Social e pela Coletânea Evolutiva.
Contudo, hoje pensei em uma coisa interessante como resolução de alguns
conflitos que estou tendo e achei por bem escrevê-los. Contudo, antes de
prosseguir, é preciso que o leitor saiba que todo o conteúdo que se segue se
baseara na minha filosofia sobre sexualidade, na qual eu separo a tendência
sexual em duas grandes forças: a biológica e a cultural, e atribuo ao sexo a
função de reprodução, quanto biológica como cultural também. Vamos ao texto.
Ultimamente é possível perceber um grande clima de desanimo e desesperança na nossa sociedade, acompanho por um comportamento que as igrejas julgam “pecaminosos”. O pecado, na interpretação da filosofia citada anteriormente, é o caminho que leva a morte. Morrer não é de todo ruim: faz parte da vida, mas há alguns indícios que demonstram que a sociedade precisa se renovar para que a vida poda surgir novamente. São esses os níveis de degeneração social.
A minha filosofia da sexualidade veio através de uma interpretação da evolução. Portanto, uma sociedade degenerada é aquela que não consegue produzir evolução. Evoluir é um comportamento complexo, pois para tanto é preciso que haja mutação e seleção. O medo de mudar ou a incapacidade de escolher o que é bom ou o que é ruim demonstram o quão difícil é evoluir para qualquer ser humano. Isto nos leva, pouco a pouco, a uma sociedade degenerada, em que a degradação ocorrida devido ao tempo que ocorre nela é maior que sua capacidade de recuperação.
Vejamos um dos primeiros níveis: a dificuldade de reprodução. Pessoas com vinte anos já estão aptas a iniciar sua vida sexual, e por consequência começam sua busca por um parceiro. A dificuldade de reprodução pode ocorrer por motivos econômicos ou culturais. Existem ritos de reprodução, que são simbologias que servem tanto para movimentar a economia quanto dar senso de progressão a um relacionamento e marcar o ganho de confiabilidade do casal. Porém, quando a situação economia tá feia, estes ritos começam a se tornar falsos e parte da população começa a desprezá-los. Por fim, eles perdem seu significado cultural, e a reprodução passa a ser feita de qualquer forma.
A dificuldade economia também prejudica o casal a iniciar uma vida em sua própria casa, e isto implica em constantes brigas e num difícil inicio de relacionamento. É preciso ter uma cultura que se adapte a isto, pois um modelo de cultura em que os pais sempre acabem sem nenhum filho consigo não é sustentável, pois junto aos pais também há a casa deles, que ocupa um espaço geográfico que não deve ser desconsiderado. Este é o primeiro nível de degeneração cultural.
Em seguida, podemos começar a observar comportamentos que andem direcionados à violência e a morte. Pessoas aceitando que o ser humano é ruim e que para viver é preciso fazer o mal, é um forte indicio de que a sociedade precisa se renovar. Neste ponto, os relacionamentos tendem a ficar ainda mais caóticos, em que os casais sequer conseguem se respeitar a ponto de passar a experiência pros filhos, e a cultura se desestabiliza. Como os filhos ficam sem noção de progressão cultural, a parte central da sexualidade humana começa a se perder e a tentar buscar formas de dar sentido a vida. É quando os comportamentos de exploração reprodutiva começam a se configurar.
Homossexualismo, casamentos abertos, adoção, repulsão pela reprodução, são comportamentos que, ao invés de se tornarem exceção no sistema reprodutivo, tornam-se comuns. A desvalorização da figura humana começa a se tornar fortíssima, bem como os comportamentos de resgate da figura humana, mas através da violência. A economia neste ponto também anda caótica, pois a corrupção impera graças ao imediatismo trazido pela falta de marcadores de evolução. Basicamente, acredita-se que beleza e dinheiro mandam em tudo e ninguém tem fé o suficiente pra iniciar uma inovação que realmente melhore a vida das pessoas. Só perpetuam o já existente. Quando a corrupção atinge a níveis alarmantes, já é possível chamar isto de terceiro nível de degeneração.
Enfim, pior que isso não fica. Ou há guerra ou há inovação. E em ambos os casos, a economia melhora, e a maturidade trazida pelos comportamentos de exploração social daqueles que cresceram sem figura paterna e materna definidas acabam por voltar a regular a sociedade. É possível cogitar que isto já aconteceu inúmeras vezes na nossa sociedade pelos registros históricos trazidos através dos livros sagrados, como a bíblia, por exemplo. Enfim, esta postagem só foi mesmo para deixar a ideia registrada e trazer um pouco de reflexão a quem ler. Um abraço a todos e até a próxima.
Ultimamente é possível perceber um grande clima de desanimo e desesperança na nossa sociedade, acompanho por um comportamento que as igrejas julgam “pecaminosos”. O pecado, na interpretação da filosofia citada anteriormente, é o caminho que leva a morte. Morrer não é de todo ruim: faz parte da vida, mas há alguns indícios que demonstram que a sociedade precisa se renovar para que a vida poda surgir novamente. São esses os níveis de degeneração social.
A minha filosofia da sexualidade veio através de uma interpretação da evolução. Portanto, uma sociedade degenerada é aquela que não consegue produzir evolução. Evoluir é um comportamento complexo, pois para tanto é preciso que haja mutação e seleção. O medo de mudar ou a incapacidade de escolher o que é bom ou o que é ruim demonstram o quão difícil é evoluir para qualquer ser humano. Isto nos leva, pouco a pouco, a uma sociedade degenerada, em que a degradação ocorrida devido ao tempo que ocorre nela é maior que sua capacidade de recuperação.
Vejamos um dos primeiros níveis: a dificuldade de reprodução. Pessoas com vinte anos já estão aptas a iniciar sua vida sexual, e por consequência começam sua busca por um parceiro. A dificuldade de reprodução pode ocorrer por motivos econômicos ou culturais. Existem ritos de reprodução, que são simbologias que servem tanto para movimentar a economia quanto dar senso de progressão a um relacionamento e marcar o ganho de confiabilidade do casal. Porém, quando a situação economia tá feia, estes ritos começam a se tornar falsos e parte da população começa a desprezá-los. Por fim, eles perdem seu significado cultural, e a reprodução passa a ser feita de qualquer forma.
A dificuldade economia também prejudica o casal a iniciar uma vida em sua própria casa, e isto implica em constantes brigas e num difícil inicio de relacionamento. É preciso ter uma cultura que se adapte a isto, pois um modelo de cultura em que os pais sempre acabem sem nenhum filho consigo não é sustentável, pois junto aos pais também há a casa deles, que ocupa um espaço geográfico que não deve ser desconsiderado. Este é o primeiro nível de degeneração cultural.
Em seguida, podemos começar a observar comportamentos que andem direcionados à violência e a morte. Pessoas aceitando que o ser humano é ruim e que para viver é preciso fazer o mal, é um forte indicio de que a sociedade precisa se renovar. Neste ponto, os relacionamentos tendem a ficar ainda mais caóticos, em que os casais sequer conseguem se respeitar a ponto de passar a experiência pros filhos, e a cultura se desestabiliza. Como os filhos ficam sem noção de progressão cultural, a parte central da sexualidade humana começa a se perder e a tentar buscar formas de dar sentido a vida. É quando os comportamentos de exploração reprodutiva começam a se configurar.
Homossexualismo, casamentos abertos, adoção, repulsão pela reprodução, são comportamentos que, ao invés de se tornarem exceção no sistema reprodutivo, tornam-se comuns. A desvalorização da figura humana começa a se tornar fortíssima, bem como os comportamentos de resgate da figura humana, mas através da violência. A economia neste ponto também anda caótica, pois a corrupção impera graças ao imediatismo trazido pela falta de marcadores de evolução. Basicamente, acredita-se que beleza e dinheiro mandam em tudo e ninguém tem fé o suficiente pra iniciar uma inovação que realmente melhore a vida das pessoas. Só perpetuam o já existente. Quando a corrupção atinge a níveis alarmantes, já é possível chamar isto de terceiro nível de degeneração.
Enfim, pior que isso não fica. Ou há guerra ou há inovação. E em ambos os casos, a economia melhora, e a maturidade trazida pelos comportamentos de exploração social daqueles que cresceram sem figura paterna e materna definidas acabam por voltar a regular a sociedade. É possível cogitar que isto já aconteceu inúmeras vezes na nossa sociedade pelos registros históricos trazidos através dos livros sagrados, como a bíblia, por exemplo. Enfim, esta postagem só foi mesmo para deixar a ideia registrada e trazer um pouco de reflexão a quem ler. Um abraço a todos e até a próxima.
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quinta-feira, 28 de julho de 2016
Se rouba é por escolha: nada tem haver com oportunidades
Um pensamento comum é o de que quando uma pessoa comete um crime, ela o faz por escolha. Nada tem haver com o ambiente externo: é dela a escolha de ser bom ou mal. Ainda mais, há pessoas que usam a si próprias, ou conhecidos, como exemplo de histórias de pessoas que passaram dificuldades e tiveram até a chance de ir pra criminalidade, mas não o fizeram e conseguiram uma forma de manter seu sustento honesto.
O Devir Social gostaria de atacar a fundamentação desse pensamento para descobrir se ele é realmente válido ou apenas uma forma das pessoas fugirem da responsabilidade social que é inerente a todos nós, de cuidarmos do que é nosso e proporcionar uma vida melhor ao próximo.
Vejamos a seguinte linha de raciocínio: uma pessoa que diz que cometer ou não um crime é escolha própria alega fundamentalmente que fazer ou não a coisa errada também o é, já que cometer crime é algo errado. Ora, então ele está dizendo que nunca fez nada que sabia ser errado.
Se este for o caso, ela é um exemplo muito raro de pessoa: basicamente ela está dizendo que sempre teve sabedoria para manter todos os aspectos conhecidos da vida dele sobre controle, inclusive seus familiares. Afinal, ela nunca precisou mentir, nunca foi rude ou ignorante, nunca traiu a confiança de alguém, isto porque estamos usando uma visão simplista e determinística sobre o erro.
Porém, é interessante analisarmos a hipótese dela ter cometido algo que sabia que era errado, mesmo que esse erro não seja tão grave a ponto de ser punido pelo código penal. Já para iniciar já podemos considerá-la mentirosa, por ter dito que nunca errou sabendo que era errado, e semelhante ao criminoso, pois ambos erraram, só que o erro de um foi grave enquanto que o do outro não.
Contudo, o interessante a se observar é a justificativa que ela pode usar ao ter cometido tal erro: se ela disser que o cometeu somente porque escolheu, ela está afirmando que errar ou não é uma característica intrinsecamente individual. Isto o faz entrar em contradição novamente, pois por que ela reclamaria ou mostraria exemplos de quem acerta a quem erra se aquela pessoa está destinada a errar de todo jeito? Afinal, errar ou não é uma característica individual e nada externo irá afetar o resultado. A melhor coisa a se fazer neste caso seria simplesmente aceitar e aplicar as punições cabíveis, qualquer outra coisa seria perca de tempo.
Caso contrário, se o ambiente tiver levado ele a errar mesmo sabendo que era errado, então existe sim fatores externos que influenciaram no erro. Deste modo, alguém ter cometido um erro pode ter sido sim parte da característica individual dela, mas existem fatores ambientais que colaboram para a manifestação ou não destes fatores e cabe a nós fazer o melhor que podemos fazer para que melhorar o ambiente ao nosso redor, diminuindo as chances de tais manifestações acontecerem. Deste modo, concluímos que a afirmação primária dela é falsa: cometer ou não um crime não é somente uma escolha.
Sendo falsa ou não a frase a cima, o Devir Social considera que sua enunciação é algo desnecessário. Se a pessoa acredita que a frase é verdadeira, não tem pra que anunciá-la e ficar dando exemplos. Caso seja falso, a pessoa está cometendo um erro ao ficar discursando ele e também não está fazendo nada para melhorar a sociedade além de falar, e inclusive está desencorajando a quem deseja tentar quando usa os exemplos como forma de recriminação e segregação ao invés de inspiração.
Entender o porquê alguém cometeu algum crime não é uma coisa simples. Uma frase simples e generalista normalmente tende a estar errada, principalmente quando aplicada sobre seres humanos. Se, ainda, levássemos em consideração a relativização do erro, entraríamos num campo ainda mais complicado de analise cultural, pois o que é errado para uns pode ser certo para outros dependendo do contexto. Nestes casos o diálogo e negociação é mais que necessário para a prevenção ou reparo dos erros: é essencial.
Com esta análise o Devir Social espera ter contribuído com a discussão sobre o que é ser humano e com nossa responsabilidade com o ambiente que vivemos.
O Devir Social gostaria de atacar a fundamentação desse pensamento para descobrir se ele é realmente válido ou apenas uma forma das pessoas fugirem da responsabilidade social que é inerente a todos nós, de cuidarmos do que é nosso e proporcionar uma vida melhor ao próximo.
Vejamos a seguinte linha de raciocínio: uma pessoa que diz que cometer ou não um crime é escolha própria alega fundamentalmente que fazer ou não a coisa errada também o é, já que cometer crime é algo errado. Ora, então ele está dizendo que nunca fez nada que sabia ser errado.
Se este for o caso, ela é um exemplo muito raro de pessoa: basicamente ela está dizendo que sempre teve sabedoria para manter todos os aspectos conhecidos da vida dele sobre controle, inclusive seus familiares. Afinal, ela nunca precisou mentir, nunca foi rude ou ignorante, nunca traiu a confiança de alguém, isto porque estamos usando uma visão simplista e determinística sobre o erro.
Porém, é interessante analisarmos a hipótese dela ter cometido algo que sabia que era errado, mesmo que esse erro não seja tão grave a ponto de ser punido pelo código penal. Já para iniciar já podemos considerá-la mentirosa, por ter dito que nunca errou sabendo que era errado, e semelhante ao criminoso, pois ambos erraram, só que o erro de um foi grave enquanto que o do outro não.
Contudo, o interessante a se observar é a justificativa que ela pode usar ao ter cometido tal erro: se ela disser que o cometeu somente porque escolheu, ela está afirmando que errar ou não é uma característica intrinsecamente individual. Isto o faz entrar em contradição novamente, pois por que ela reclamaria ou mostraria exemplos de quem acerta a quem erra se aquela pessoa está destinada a errar de todo jeito? Afinal, errar ou não é uma característica individual e nada externo irá afetar o resultado. A melhor coisa a se fazer neste caso seria simplesmente aceitar e aplicar as punições cabíveis, qualquer outra coisa seria perca de tempo.
Caso contrário, se o ambiente tiver levado ele a errar mesmo sabendo que era errado, então existe sim fatores externos que influenciaram no erro. Deste modo, alguém ter cometido um erro pode ter sido sim parte da característica individual dela, mas existem fatores ambientais que colaboram para a manifestação ou não destes fatores e cabe a nós fazer o melhor que podemos fazer para que melhorar o ambiente ao nosso redor, diminuindo as chances de tais manifestações acontecerem. Deste modo, concluímos que a afirmação primária dela é falsa: cometer ou não um crime não é somente uma escolha.
Sendo falsa ou não a frase a cima, o Devir Social considera que sua enunciação é algo desnecessário. Se a pessoa acredita que a frase é verdadeira, não tem pra que anunciá-la e ficar dando exemplos. Caso seja falso, a pessoa está cometendo um erro ao ficar discursando ele e também não está fazendo nada para melhorar a sociedade além de falar, e inclusive está desencorajando a quem deseja tentar quando usa os exemplos como forma de recriminação e segregação ao invés de inspiração.
Entender o porquê alguém cometeu algum crime não é uma coisa simples. Uma frase simples e generalista normalmente tende a estar errada, principalmente quando aplicada sobre seres humanos. Se, ainda, levássemos em consideração a relativização do erro, entraríamos num campo ainda mais complicado de analise cultural, pois o que é errado para uns pode ser certo para outros dependendo do contexto. Nestes casos o diálogo e negociação é mais que necessário para a prevenção ou reparo dos erros: é essencial.
Com esta análise o Devir Social espera ter contribuído com a discussão sobre o que é ser humano e com nossa responsabilidade com o ambiente que vivemos.
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sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016
Realidade, continuidade e metalinguagem.
Há muito venho desenvolvendo pensamentos para entender o que significa a verdade, a realidade, e como estes conceitos podem nos ajudar a sermos melhores humanos. Concluo, durante todo este processo, que a única coisa que podemos fazer enquanto seres humanos perto da infinidade da realidade é acreditar em nós mesmos enquanto seres vivos e conscientes da nossa existência. Mais que isso é pedir demais, pois é requerer que ultrapassemos as barreiras naturais que a existência nos impõe, como as distâncias espaciais e temporais. Porém, ferramentas interessantes foram desenvolvidas ao longo do caminho. Pretendo compartilhá-las neste texto.
O que o ser humano é senão um explorador da realidade? Cada um de nós é responsável por testar as possibilidades que nos parecem mais promissoras durante nosso tempo de vida, para assim fazer descobertas e contribuir com a evolução. Entretanto, estas descobertas estão na realidade e é nosso do nosso interesse organizá-la para tornar mais fácil seu entendimento e compartilhamento. Disto nasce a linguagem, e dela vem as construções, como a ciência, para explicar a realidade.
Porém, problemas surpreendentes começam a surgir quando tentamos explicar tais construções apenas com linguagem ou quando tentamos estudar a própria linguagem isoladamente. Isto demonstra que não há formas de conter a realidade dentro da linguagem, pois sempre precisamos da realidade para que a linguagem tenha sentido. Este fato nos leva a pensar sobre o processo de continuidade, pois a linguagem é algo combinado entre as partes comunicantes e só encontra sentido através deste acordo construído através do tempo e de modo a fazer a evolução se tornar possível.
Digo isto para refletir sobre o seguinte fato: o que nos impede de desenvolver a linguagem indefinidamente? Quando, por exemplo, um cientista preguiçoso desenvolve um artigo que foge completamente da nossa realidade, e mesmo que este artigo seja aprovado, o que faz com que esta nova linguagem desenvolvida por ele para explicar um fato novo da realidade não seja disseminado? Ora, a sua falta de contribuição da realidade. Talvez o mesmo fato seja explorado de forma melhor através de outros recursos linguísticos, que torne mais fácil seu entendimento e utilização.
Porém, não são raros os casos que o desenvolvimento de uma nova linguagem se tornou útil para a exploração de uma nova área da realidade, e estes recursos linguísticos acabam ganhando nomes tão usados que se tornam naturais aos nossos ouvidos e aos nossos instintos: parece que eles e a realidade se combinam em uma coisa só. Dito isto, podemos concluir também que é importante investigarmos se uma linha de pensamento que nos conduz diante a desconhecida realidade é realmente importante ou se ela está distante demais do que realmente é útil observar para a evolução. Em alguns casos, apenas a prática pode responder a esta pergunta.
O processo de continuidade também nos leva a refletir sobre a evolução da própria linguagem. Ela começa como algo que explica apenas ações simples, e a concatenação destas ações simples em novas palavras, pouco a pouco, vão sofisticando a linguagem, bem como a população a ela associada. A linguagem, além de precisar de seu dicionário, também precisa de seu meio tecnológico para existir. Isto é claramente evidenciado na matemática quando duas áreas diferentes da matemática conseguem fazer a mesma coisa, porém com eficiências diferentes, justamente por serem construções diferentes. A este evento chamamos de homomorfismo.
O dicionário e seus significados só são valorados através da utilização. Mas em algum momento, a utilização se misturará com a continuidade, pois chegaremos naquele conjunto de palavras básicas que são diretamente ligadas a ações. Se esta continuidade for perdida, todo o significado do dicionário também o será. Podemos chamar isto de núcleo da linguagem, pois a partir dele podemos reconstruir a utilização do dicionário. Podemos também associar um grau de precisão ou eficiência à linguagem para determinada área, pois é natural imaginar que uma linguagem que deseja descrever um evento na sua área de núcleo tenha maior precisão ou eficiência que uma que está distante deste núcleo.
Determinar o grau de precisão ou eficiência de uma linguagem é um trabalho complicado, mas bastante estudado na computação. Lá, eles utilizam o que chamam de “benchmark”, que são códigos ou pseudocódigos com o objetivo de avaliar um núcleo de linguagem em relação aos demais. Trazendo este evento para o nosso contexto, podemos chamar isto de “aferidores de atuação”, e o que se testa é a capacidade de cada linguagem de comunicar um aferidor da forma mais eficiente ou precisa possível, como desejar. Um aferidor é algo imaterial, como uma ação ou um algoritmo, e é definido e avaliado por um ser consciente e sua satisfação em relação a aquela comunicação e o que se pretendia comunicar.
Falamos anterior sobre ser consciente e área de núcleo. Numa nomenclatura mais precisa, o ser consciente evolutivo é aonde a linguagem efetua sua função de evolução, existência e continuidade. Área de núcleo é aonde aquela linguagem comunica mais diretamente as coisas imateriais, e áreas de atuação, por sua vez, são quaisquer partes da realidade capazes de ser comunicáveis. Portanto, cada aferidor pode ser categorizado em uma área de atuação, e então as linguagens com diferentes núcleos de comunicação podem ser testadas, inclusive áreas cujo núcleo pertence à área de atuação daquele aferidor.
É interessante notar que quanto mais precisa e eficiente for uma linguagem, mais trabalhosa vai ser pra ela atingir um processo de continuidade. É fácil mostrar o que é andar, por exemplo, porém mais complicado é mostrar o que é dançar. Mais ainda, para diferentes “escolas” de dança, esta palavra pode ser associada a um conjunto de ações diferente. Portanto, busca-se definir um significado geral para esta palavra, a fim de torná-la verdadeira para um maior número de situações, e então especificar de qual “escola” de dança se está falando com mais palavras. Isto é uma prática bastante comum de ser feita já que torna a linguagem mais satisfatória em sua comunicação.
Mais ainda, certos ritmos de dança são difíceis de serem descritos utilizados apenas com palavras. Vídeo se mostra um artefato tecnológico mais preciso para criar um dicionário sobre danças. Em alguns casos, é possível que uma dança comece de um jeito, e após um período de tempo se torne outra coisa, embora sua definição seja a mesma, graças à incapacidade da linguagem de capturar completamente a realidade. Mas isto é algo inerente a evolução. Como diz uma velha frase “nunca pisamos duas vezes no mesmo rio”.
Nos parágrafos acima eu fiz uma descrição satisfatória da metalinguagem. E, embora eu tenha falado no começo do texto que é difícil utilizar a própria linguagem para falar da linguagem, neste texto eu não utilizei a linguagem propriamente dita para falar sobre a linguagem, mas sim o núcleo da linguagem humana para falar da linguagem humana. Isso significa que só será capaz de entender este texto quem tenha consciência, no mínimo, do núcleo da linguagem humana, algo que só pode ser ensinado de humanos para humanos. Utilizei-me também do processo de continuação para fazer as definições acima, e assim expandi um pouco mais o que eu sinto ser o núcleo de linguagem humana, ou pelo menos a linguagem que eu poderei usar futuramente comigo mesmo.
Definimos neste texto metalinguagem e algumas de suas características, que foram as seguintes: núcleo de linguagem, tecnologia associada, utilização, processo de continuação, aferidores de atuação, precisão, eficiência, seres conscientes e áreas de atuação. Podem ou não haver mais fatores envolvidos com a metalinguagem, e a forma como eu expressei aqui esses conceitos fazem parte do que eu sinto que é a metalinguagem. Uma pessoa que sinta esta mesma área de atuação de forma diferente poderá descrevê-la diferente. O que importa para mim, atualmente, é satisfazer-me em esfera pessoal quanto a estas definições, já que estes conceitos ainda não tem utilidade na esfera pública. Quando houver necessidade, certamente as pessoas vão encontrar a melhor maneira de defini-los de acordo com a área que eles podem ser utilizados.
Enfim, aqui finalizo o texto. Sinto que posso explorar mais o conceito de área de atuação, seu tamanho e sua relação com a precisão e a eficiência, mas deixarei isto para uma próxima vez que eu revisar este texto. Abraço a todos.
O que o ser humano é senão um explorador da realidade? Cada um de nós é responsável por testar as possibilidades que nos parecem mais promissoras durante nosso tempo de vida, para assim fazer descobertas e contribuir com a evolução. Entretanto, estas descobertas estão na realidade e é nosso do nosso interesse organizá-la para tornar mais fácil seu entendimento e compartilhamento. Disto nasce a linguagem, e dela vem as construções, como a ciência, para explicar a realidade.
Porém, problemas surpreendentes começam a surgir quando tentamos explicar tais construções apenas com linguagem ou quando tentamos estudar a própria linguagem isoladamente. Isto demonstra que não há formas de conter a realidade dentro da linguagem, pois sempre precisamos da realidade para que a linguagem tenha sentido. Este fato nos leva a pensar sobre o processo de continuidade, pois a linguagem é algo combinado entre as partes comunicantes e só encontra sentido através deste acordo construído através do tempo e de modo a fazer a evolução se tornar possível.
Digo isto para refletir sobre o seguinte fato: o que nos impede de desenvolver a linguagem indefinidamente? Quando, por exemplo, um cientista preguiçoso desenvolve um artigo que foge completamente da nossa realidade, e mesmo que este artigo seja aprovado, o que faz com que esta nova linguagem desenvolvida por ele para explicar um fato novo da realidade não seja disseminado? Ora, a sua falta de contribuição da realidade. Talvez o mesmo fato seja explorado de forma melhor através de outros recursos linguísticos, que torne mais fácil seu entendimento e utilização.
Porém, não são raros os casos que o desenvolvimento de uma nova linguagem se tornou útil para a exploração de uma nova área da realidade, e estes recursos linguísticos acabam ganhando nomes tão usados que se tornam naturais aos nossos ouvidos e aos nossos instintos: parece que eles e a realidade se combinam em uma coisa só. Dito isto, podemos concluir também que é importante investigarmos se uma linha de pensamento que nos conduz diante a desconhecida realidade é realmente importante ou se ela está distante demais do que realmente é útil observar para a evolução. Em alguns casos, apenas a prática pode responder a esta pergunta.
O processo de continuidade também nos leva a refletir sobre a evolução da própria linguagem. Ela começa como algo que explica apenas ações simples, e a concatenação destas ações simples em novas palavras, pouco a pouco, vão sofisticando a linguagem, bem como a população a ela associada. A linguagem, além de precisar de seu dicionário, também precisa de seu meio tecnológico para existir. Isto é claramente evidenciado na matemática quando duas áreas diferentes da matemática conseguem fazer a mesma coisa, porém com eficiências diferentes, justamente por serem construções diferentes. A este evento chamamos de homomorfismo.
O dicionário e seus significados só são valorados através da utilização. Mas em algum momento, a utilização se misturará com a continuidade, pois chegaremos naquele conjunto de palavras básicas que são diretamente ligadas a ações. Se esta continuidade for perdida, todo o significado do dicionário também o será. Podemos chamar isto de núcleo da linguagem, pois a partir dele podemos reconstruir a utilização do dicionário. Podemos também associar um grau de precisão ou eficiência à linguagem para determinada área, pois é natural imaginar que uma linguagem que deseja descrever um evento na sua área de núcleo tenha maior precisão ou eficiência que uma que está distante deste núcleo.
Determinar o grau de precisão ou eficiência de uma linguagem é um trabalho complicado, mas bastante estudado na computação. Lá, eles utilizam o que chamam de “benchmark”, que são códigos ou pseudocódigos com o objetivo de avaliar um núcleo de linguagem em relação aos demais. Trazendo este evento para o nosso contexto, podemos chamar isto de “aferidores de atuação”, e o que se testa é a capacidade de cada linguagem de comunicar um aferidor da forma mais eficiente ou precisa possível, como desejar. Um aferidor é algo imaterial, como uma ação ou um algoritmo, e é definido e avaliado por um ser consciente e sua satisfação em relação a aquela comunicação e o que se pretendia comunicar.
Falamos anterior sobre ser consciente e área de núcleo. Numa nomenclatura mais precisa, o ser consciente evolutivo é aonde a linguagem efetua sua função de evolução, existência e continuidade. Área de núcleo é aonde aquela linguagem comunica mais diretamente as coisas imateriais, e áreas de atuação, por sua vez, são quaisquer partes da realidade capazes de ser comunicáveis. Portanto, cada aferidor pode ser categorizado em uma área de atuação, e então as linguagens com diferentes núcleos de comunicação podem ser testadas, inclusive áreas cujo núcleo pertence à área de atuação daquele aferidor.
É interessante notar que quanto mais precisa e eficiente for uma linguagem, mais trabalhosa vai ser pra ela atingir um processo de continuidade. É fácil mostrar o que é andar, por exemplo, porém mais complicado é mostrar o que é dançar. Mais ainda, para diferentes “escolas” de dança, esta palavra pode ser associada a um conjunto de ações diferente. Portanto, busca-se definir um significado geral para esta palavra, a fim de torná-la verdadeira para um maior número de situações, e então especificar de qual “escola” de dança se está falando com mais palavras. Isto é uma prática bastante comum de ser feita já que torna a linguagem mais satisfatória em sua comunicação.
Mais ainda, certos ritmos de dança são difíceis de serem descritos utilizados apenas com palavras. Vídeo se mostra um artefato tecnológico mais preciso para criar um dicionário sobre danças. Em alguns casos, é possível que uma dança comece de um jeito, e após um período de tempo se torne outra coisa, embora sua definição seja a mesma, graças à incapacidade da linguagem de capturar completamente a realidade. Mas isto é algo inerente a evolução. Como diz uma velha frase “nunca pisamos duas vezes no mesmo rio”.
Nos parágrafos acima eu fiz uma descrição satisfatória da metalinguagem. E, embora eu tenha falado no começo do texto que é difícil utilizar a própria linguagem para falar da linguagem, neste texto eu não utilizei a linguagem propriamente dita para falar sobre a linguagem, mas sim o núcleo da linguagem humana para falar da linguagem humana. Isso significa que só será capaz de entender este texto quem tenha consciência, no mínimo, do núcleo da linguagem humana, algo que só pode ser ensinado de humanos para humanos. Utilizei-me também do processo de continuação para fazer as definições acima, e assim expandi um pouco mais o que eu sinto ser o núcleo de linguagem humana, ou pelo menos a linguagem que eu poderei usar futuramente comigo mesmo.
Definimos neste texto metalinguagem e algumas de suas características, que foram as seguintes: núcleo de linguagem, tecnologia associada, utilização, processo de continuação, aferidores de atuação, precisão, eficiência, seres conscientes e áreas de atuação. Podem ou não haver mais fatores envolvidos com a metalinguagem, e a forma como eu expressei aqui esses conceitos fazem parte do que eu sinto que é a metalinguagem. Uma pessoa que sinta esta mesma área de atuação de forma diferente poderá descrevê-la diferente. O que importa para mim, atualmente, é satisfazer-me em esfera pessoal quanto a estas definições, já que estes conceitos ainda não tem utilidade na esfera pública. Quando houver necessidade, certamente as pessoas vão encontrar a melhor maneira de defini-los de acordo com a área que eles podem ser utilizados.
Enfim, aqui finalizo o texto. Sinto que posso explorar mais o conceito de área de atuação, seu tamanho e sua relação com a precisão e a eficiência, mas deixarei isto para uma próxima vez que eu revisar este texto. Abraço a todos.
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domingo, 7 de fevereiro de 2016
Sistemas de classificação e a objetificação do ser humano
Durante meus estudos independentes de psicologia, surgiu-me a necessidade de classificar os seres humanos. Este ser humano é alto, aquele é baixo. Este humano é pobre, aquele é rico. Este é inteligente, aquele burro. Este humano está acima da média, aquele abaixo. Classificações como estas são comuns quando se desenvolve sistemas de classificação para estudos da realidade. Afinal, um físico precisa saber se está lidando com um objeto líquido ou sólido em seu sistema para fazer suas previsões.
Contudo, observo algo interessante quando comunico as pessoas meu sistema de classificação dos seres humanos. As pessoas apresentam certa aversão ao sistema de classificação. A alegação mais significante era a de que o ser humano é muito mais do que qualquer classificação pode exprimir, cada ser humano é único. Esse tipo de afirmação me causava certa estranheza, já que quando observados um objeto e determinamos se ele é sólido ou líquido, a argumentação de que “cada objeto é único” também pode ser aplicada, já que cada objeto tem seu arranjo único de átomos tal como o ser humano, mas ninguém sente aversão a este tipo de classificação.
Então surge o mistério de explicar o que causa a aversão nas pessoas quanto a classificação dos seres humanos. E aqui vemos claramente o poder da mente humana, com sua capacidade de fazer associações implícitas que, com muita dificuldade pelo menos pra mim, podem ser traduzidas com alguma precisão para a linguagem humana. Neste caso, explico esse fenômeno psicológico como a “aversão da objetificação ao ser humano”. Segue a explicação.
Quando se tenta objetificar o ser humano através de classificações, excluí-se o maior atributo de todo ser humano: estar vivo. Isto porque um ser humano é vivo, mas um objeto é morto. Um objeto é o que é e assim o será até que algo ou alguém o mude, mas não uma pessoa. O poder de transformação está dentro dela, e quando um agente externo a classifica como “rica ou pobre, inteligente ou burra, acima ou abaixo da média”, este agente simplesmente está ignorando este poder e transformando-a em algo morto. E isto explica a aversão apresentada à classificação de seres humanos, já que é comum ao ser humano não se sentir a vontade diante da morte. O mesmo não acontece à classificação de coisas que já são objetos, como o exemplo do estudo físico citado anteriormente.
Sinto-me satisfeito diante desta definição deste fenômeno, tanto pela demonstração de poder de associação implícita da mente humana como também por ela me sugerir um modo de evitar essa associação e continuar meus estudos. O próximo questionamento a ser feito é: supondo que se consiga desenvolver um sistema de classificação de ser humano que consiga respeitar que o ser humano seja vivo, porque desenvolver isto? E é aqui que entra as implicações sobre o estudo da realidade.
Porque nos preocupamos em classificar um objeto em seu estado líquido ou sólido? Ora, para melhorar nossa capacidade de observação e comunicação. Classificar em si não diz muita sobre a realidade, mas a argumentação feita através de objetos definidos através da classificação diz. Por exemplo: “isto é líquido” não diz muita coisa sobre o objeto, mas “todo objeto líquido adquire a forma do seu recipiente” diz. O mesmo se aplica aos seres humanos. Classificamos pra aumentar nossa capacidade de comunicação e observação. Não é um erro classificar, mas sim achar que a classificação mortifica alguma coisa. A classificação é viva, pois ela depende de um ser vivo, neste caso o ser humano, para validá-la ou não. Afinal, quem torna a frase “todo objeto liquido adquire a forma de seu recipiente” verdadeira senão um ser vivo?
No final precisamos acreditar em nós, na nossa capacidade de observar, comunicar e de ser vivos. É preciso classificar a realidade para poder tomar decisões, aprender, ensinar, prever, adotar todos os benefícios que uma realidade bem classificada possa oferecer aos seres vivos que se preocupam em classificá-la, como resolver problemas e viver melhor. Claro que todo sistema de classificação tem sua distância da realidade, e essa distância deve ser conhecida e respeitada, mas isto não invalida os benefícios do estudo. Por exemplo, é dito que todo líquido adquire a forma de seu recipiente, mas não é dito o quão veloz ele faz isto.
Todo ser vivo deve ser livre para aceitar, rejeitar ou aperfeiçoar quaisquer sistemas que lhe é oferecido, assim como criar o seu próprio de modo a comunicar melhor à realidade que ele observa. Portanto, usemos essa liberdade com sabedoria, para aprendemos a resolver nossos problemas e encontrar os caminhos para a vida. Com isto em mente é que eu irei continuar com meus estudos do ser humano, sabendo que nenhuma classificação terá poder para definir exatamente o que um ser humano é, mas entendendo que é preciso ter alguma coisa, mesmo que imprecisa, para tirar minhas conclusões, organizar o que sinto e observo e conseguir desenvolver formas de prever e tomar decisões com base em algo mais estruturado que apenas a sensação.
Contudo, observo algo interessante quando comunico as pessoas meu sistema de classificação dos seres humanos. As pessoas apresentam certa aversão ao sistema de classificação. A alegação mais significante era a de que o ser humano é muito mais do que qualquer classificação pode exprimir, cada ser humano é único. Esse tipo de afirmação me causava certa estranheza, já que quando observados um objeto e determinamos se ele é sólido ou líquido, a argumentação de que “cada objeto é único” também pode ser aplicada, já que cada objeto tem seu arranjo único de átomos tal como o ser humano, mas ninguém sente aversão a este tipo de classificação.
Então surge o mistério de explicar o que causa a aversão nas pessoas quanto a classificação dos seres humanos. E aqui vemos claramente o poder da mente humana, com sua capacidade de fazer associações implícitas que, com muita dificuldade pelo menos pra mim, podem ser traduzidas com alguma precisão para a linguagem humana. Neste caso, explico esse fenômeno psicológico como a “aversão da objetificação ao ser humano”. Segue a explicação.
Quando se tenta objetificar o ser humano através de classificações, excluí-se o maior atributo de todo ser humano: estar vivo. Isto porque um ser humano é vivo, mas um objeto é morto. Um objeto é o que é e assim o será até que algo ou alguém o mude, mas não uma pessoa. O poder de transformação está dentro dela, e quando um agente externo a classifica como “rica ou pobre, inteligente ou burra, acima ou abaixo da média”, este agente simplesmente está ignorando este poder e transformando-a em algo morto. E isto explica a aversão apresentada à classificação de seres humanos, já que é comum ao ser humano não se sentir a vontade diante da morte. O mesmo não acontece à classificação de coisas que já são objetos, como o exemplo do estudo físico citado anteriormente.
Sinto-me satisfeito diante desta definição deste fenômeno, tanto pela demonstração de poder de associação implícita da mente humana como também por ela me sugerir um modo de evitar essa associação e continuar meus estudos. O próximo questionamento a ser feito é: supondo que se consiga desenvolver um sistema de classificação de ser humano que consiga respeitar que o ser humano seja vivo, porque desenvolver isto? E é aqui que entra as implicações sobre o estudo da realidade.
Porque nos preocupamos em classificar um objeto em seu estado líquido ou sólido? Ora, para melhorar nossa capacidade de observação e comunicação. Classificar em si não diz muita sobre a realidade, mas a argumentação feita através de objetos definidos através da classificação diz. Por exemplo: “isto é líquido” não diz muita coisa sobre o objeto, mas “todo objeto líquido adquire a forma do seu recipiente” diz. O mesmo se aplica aos seres humanos. Classificamos pra aumentar nossa capacidade de comunicação e observação. Não é um erro classificar, mas sim achar que a classificação mortifica alguma coisa. A classificação é viva, pois ela depende de um ser vivo, neste caso o ser humano, para validá-la ou não. Afinal, quem torna a frase “todo objeto liquido adquire a forma de seu recipiente” verdadeira senão um ser vivo?
No final precisamos acreditar em nós, na nossa capacidade de observar, comunicar e de ser vivos. É preciso classificar a realidade para poder tomar decisões, aprender, ensinar, prever, adotar todos os benefícios que uma realidade bem classificada possa oferecer aos seres vivos que se preocupam em classificá-la, como resolver problemas e viver melhor. Claro que todo sistema de classificação tem sua distância da realidade, e essa distância deve ser conhecida e respeitada, mas isto não invalida os benefícios do estudo. Por exemplo, é dito que todo líquido adquire a forma de seu recipiente, mas não é dito o quão veloz ele faz isto.
Todo ser vivo deve ser livre para aceitar, rejeitar ou aperfeiçoar quaisquer sistemas que lhe é oferecido, assim como criar o seu próprio de modo a comunicar melhor à realidade que ele observa. Portanto, usemos essa liberdade com sabedoria, para aprendemos a resolver nossos problemas e encontrar os caminhos para a vida. Com isto em mente é que eu irei continuar com meus estudos do ser humano, sabendo que nenhuma classificação terá poder para definir exatamente o que um ser humano é, mas entendendo que é preciso ter alguma coisa, mesmo que imprecisa, para tirar minhas conclusões, organizar o que sinto e observo e conseguir desenvolver formas de prever e tomar decisões com base em algo mais estruturado que apenas a sensação.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016
Sobre filosofia e sua relação com o amor
Faz algum tempo que eu venho desenvolvendo estruturas teóricas para lidar com o amor. Mas durante o desenvolvimento destas estruturas, se tornou óbvio pra mim que isto não é algo tão simples quanto produzir matemática ou sistemas lógicos. Amor é algo muito mais profundo que uma estrutura congelada de regras e comportamentos: o amor é vivo como a água em estado líquido, quente o suficiente pra não ser congelado e frio o suficiente pra deixar quem nela vive ter estabilidade.
Pensando nisso, de que adianta, afinal, conversar sobre o amor? Desenvolver suas estruturas teóricas ou viajar através do pensamento por todas as suas possibilidades? De outro modo, pra que serve pensar filosoficamente sobre o que significa o amor? Se no final das contas, não existem regras, comportamentos ou atitudes que o defina? Para responder isto, vamos buscar inspiração de uma área um pouco inusitada: o desenvolvimento de sistemas computacionais, que de certa forma se assemelha a arte como explicarei a seguir, mas ao contrário dela, seu objetivo não é subjetividade.
Muito se fala sobre a inteligência artificial. Mas muitos já concluíram que, se existir uma inteligência artificial o suficientemente avançada, esta se assemelhará aos seres humanos a menos pela velocidade de tomada de decisões. Isto significa que ela poderá errar, pois estará limitada, assim como os seres humanos, aos seus dados de entrada, que nem sempre são verdadeiros ou precisos graças à imperfeição dos instrumentos sensoriais. Ou seja: viver é, de uma forma ou outra, um processo de sentir a realidade.
É então que chegamos aos desenvolvedores de sistemas computacionais. Estes precisam desenvolver algoritmos para resolver um problema do mundo real de maneira eficiente, para então serem reconhecidos em seus empregos. Mas a questão é: como são desenvolvidos os algoritmos? Podemos adiantar a suposição de que não existe nenhuma forma mecânica de fazer isto, pois se existisse, a inteligência artificial já teria se desenvolvido e seria diferente do ser humano. Portanto, resolver problemas se demonstra um exercício de criatividade, investigação e decisões que leve ao caminho correto da solução.
Se pensarmos quantos caminhos existem para a solução otimizada do um problema e quantos existem que não leve a ela, chegamos a conclusão que qualquer ser que tente chegar a solução otimizada através do acaso terá uma probabilidade insignificante de ter sucesso. É neste momento que somos capazes de perceber a importância de pensar filosoficamente sobre qualquer assunto, e mais ainda, sobre um assunto tão importante quanto o amor.
É através do pensamento filosófico que exploramos todas as possibilidades do que pode ser sem nos preocuparmos com o caminho que leve de fato, aquilo que imaginamos à existência. Desta forma, embora não saibamos qual caminho seguir, diminuímos significantemente a chance de pegamos um caminho errado, pois existe a concepção filosófica de onde se quer chegar durante o processo de exploração da realidade. De fato, se pensarmos a quantidade de ideias significantes apresentadas por seres humanos para a resolução de problemas, percebemos a importância deste processo não somente para o amor, como também para qualquer atividade de envolvimento com a realidade.
Contudo, é inocente quem pensa que pensar na concepção filosófica é o suficiente para a resolução do problema. Isto é apenas parte do processo, embora uma parte importante. Muitas soluções são alcançadas ao acaso, com uma concepção básica de sua filosofia, mas com uma grande exploração da realidade. De fato, quanto mais se conhece sobre a realidade, maior é a chance de desenvolver uma concepção filosófica já compatível com ela. Caso contrário, é preciso testar, e se der errado, voltar à filosofia e explorar todas as possibilidades não levando em conta aquele caminho.
É natural supor que a solução otimizada, aquela que resolve o problema da melhor maneira possível, só é alcançada através de um forte embasamento filosófico associado ao forte embasamento prático. Esta dupla união é tão rara que quem a alcança é tem uma grande chance de se destaca em sua área, ou mesmo ser eternizado como alguns dos nossos mais famosos pensadores.
Agora que fortemente inspirados pela forma como a filosofia pode ajudar a resolver problemas, entendemos a importância de pensar filosoficamente sobre o amor: é através da concepção filosófica do que é o amor que os seres humanos têm maior chance de fazer as escolhas em seu cotidiano que o leve a ele. E embora cada ser humano seja único, e, portanto, o caminho que o leve ao amor também seja único, conceber o que é o amor, conversar sobre isso e observar como outras pessoas o alcançaram pode aumentar a chance de ele esbarrar ao acaso no caminho certo pra ele.
Finalizando o texto, falamos muito sobre como a filosofia pode ajudar o ser humano a resolver seus problemas e como usar isso no contexto de amor, respeitando a individualidade de cada um. Contudo, começando por um ponto de partida filosófico sobre o que é o amor, podemos fazer uma definição geral do que ele venha a ser. Cada um que se sinta a vontade para fazer sua própria definição, decidir qual pode ser a melhor ou a pior para si, e aqui darei a minha como forma de despedida: amor, para mim, é o caminho que leva o ser humano à vida e a satisfação. Um abraço a todos e até a próxima postagem!
Pensando nisso, de que adianta, afinal, conversar sobre o amor? Desenvolver suas estruturas teóricas ou viajar através do pensamento por todas as suas possibilidades? De outro modo, pra que serve pensar filosoficamente sobre o que significa o amor? Se no final das contas, não existem regras, comportamentos ou atitudes que o defina? Para responder isto, vamos buscar inspiração de uma área um pouco inusitada: o desenvolvimento de sistemas computacionais, que de certa forma se assemelha a arte como explicarei a seguir, mas ao contrário dela, seu objetivo não é subjetividade.
Muito se fala sobre a inteligência artificial. Mas muitos já concluíram que, se existir uma inteligência artificial o suficientemente avançada, esta se assemelhará aos seres humanos a menos pela velocidade de tomada de decisões. Isto significa que ela poderá errar, pois estará limitada, assim como os seres humanos, aos seus dados de entrada, que nem sempre são verdadeiros ou precisos graças à imperfeição dos instrumentos sensoriais. Ou seja: viver é, de uma forma ou outra, um processo de sentir a realidade.
É então que chegamos aos desenvolvedores de sistemas computacionais. Estes precisam desenvolver algoritmos para resolver um problema do mundo real de maneira eficiente, para então serem reconhecidos em seus empregos. Mas a questão é: como são desenvolvidos os algoritmos? Podemos adiantar a suposição de que não existe nenhuma forma mecânica de fazer isto, pois se existisse, a inteligência artificial já teria se desenvolvido e seria diferente do ser humano. Portanto, resolver problemas se demonstra um exercício de criatividade, investigação e decisões que leve ao caminho correto da solução.
Se pensarmos quantos caminhos existem para a solução otimizada do um problema e quantos existem que não leve a ela, chegamos a conclusão que qualquer ser que tente chegar a solução otimizada através do acaso terá uma probabilidade insignificante de ter sucesso. É neste momento que somos capazes de perceber a importância de pensar filosoficamente sobre qualquer assunto, e mais ainda, sobre um assunto tão importante quanto o amor.
É através do pensamento filosófico que exploramos todas as possibilidades do que pode ser sem nos preocuparmos com o caminho que leve de fato, aquilo que imaginamos à existência. Desta forma, embora não saibamos qual caminho seguir, diminuímos significantemente a chance de pegamos um caminho errado, pois existe a concepção filosófica de onde se quer chegar durante o processo de exploração da realidade. De fato, se pensarmos a quantidade de ideias significantes apresentadas por seres humanos para a resolução de problemas, percebemos a importância deste processo não somente para o amor, como também para qualquer atividade de envolvimento com a realidade.
Contudo, é inocente quem pensa que pensar na concepção filosófica é o suficiente para a resolução do problema. Isto é apenas parte do processo, embora uma parte importante. Muitas soluções são alcançadas ao acaso, com uma concepção básica de sua filosofia, mas com uma grande exploração da realidade. De fato, quanto mais se conhece sobre a realidade, maior é a chance de desenvolver uma concepção filosófica já compatível com ela. Caso contrário, é preciso testar, e se der errado, voltar à filosofia e explorar todas as possibilidades não levando em conta aquele caminho.
É natural supor que a solução otimizada, aquela que resolve o problema da melhor maneira possível, só é alcançada através de um forte embasamento filosófico associado ao forte embasamento prático. Esta dupla união é tão rara que quem a alcança é tem uma grande chance de se destaca em sua área, ou mesmo ser eternizado como alguns dos nossos mais famosos pensadores.
Agora que fortemente inspirados pela forma como a filosofia pode ajudar a resolver problemas, entendemos a importância de pensar filosoficamente sobre o amor: é através da concepção filosófica do que é o amor que os seres humanos têm maior chance de fazer as escolhas em seu cotidiano que o leve a ele. E embora cada ser humano seja único, e, portanto, o caminho que o leve ao amor também seja único, conceber o que é o amor, conversar sobre isso e observar como outras pessoas o alcançaram pode aumentar a chance de ele esbarrar ao acaso no caminho certo pra ele.
Finalizando o texto, falamos muito sobre como a filosofia pode ajudar o ser humano a resolver seus problemas e como usar isso no contexto de amor, respeitando a individualidade de cada um. Contudo, começando por um ponto de partida filosófico sobre o que é o amor, podemos fazer uma definição geral do que ele venha a ser. Cada um que se sinta a vontade para fazer sua própria definição, decidir qual pode ser a melhor ou a pior para si, e aqui darei a minha como forma de despedida: amor, para mim, é o caminho que leva o ser humano à vida e a satisfação. Um abraço a todos e até a próxima postagem!
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