domingo, 25 de março de 2012

Perfis dos jogos e construção e diversão como direcionadores da evolução

Específicações

Olá amigos. Mais um domingo que me dá uma enorme vontade de escrever sobre algo. Hoje pretendo escrever sobre coisas breves e diversificadas, umas antigas idéias que já estão anotadas no meu bloco de notas faz tempo. Ultimamente eu tenho pensado sobre a evolução das minhas idéias, pois é difícil deixar tudo organizado e registrado, contudo, eu continuo avançando em busca de conhecer mais e mais coisas. Mas quanto mais avançadas elas ficam, mais difícil se torna a comunicação com as pessoas que não tem a preocupação em ter este tipo de avanço intelectual porque eu acabo fugindo de mais dos conhecimentos e posições filosóficas comuns. Como produtor de conhecimento, eu fico também me preocupo com a distribuição, porém, é bem difícil distribuir idéias por inúmeros fatores, sendo alguma das principais dificuldades a relação estrita que as idéias têm com o instinto e também quanto à definição sobre o porquê alguém as usaria. Quanto a outras novidades, não mudou muita coisa desde as ultimas postagem, portanto, vamos à postagem.

Perfis de jogos:
Uma coisa que eu já notei é que é possível organizar os tipos de jogos em algumas categorias diante das semelhanças que cada gênero apresenta em relação a evolução. Portanto, criei quatro categorias para fins de estudo e organização, que depois pode ser ampliado ou modificado. Vamos às categorias.

Exploração: Os jogos de exploração prezam bastante pelo instinto de curiosidade, de desejo por conhecimentos novos e automotivação. Isto porquê nestes jogos, o jogador se encontra num mundo a ser explorado, onde cada cantinho pode ter uma surpresa interessante que irá beneficiar sua aventura como um todo. Nestes jogos é bastante comum encontrar itens colecionáveis, se tornando eles objetos de desejo dos jogadores que acaba se tornando um objetivo a mais no jogo apenas por diversão. É nesta diversão não obrigada que se encontre a automotivação, pois os jogadores se motivam a conquistar coisas que só os mais curiosos e desbravadores acabam por conseguir, como a coleção de todos os itens do jogo. Estes jogos não exigem nenhuma habilidade específica, mas sim um conjunto abrangente de percepção que é necessário para o jogador avançar ou encontrar coisas raras. Os gráficos destes jogos normalmente são bonitos, ricos e interativos.

Competição: Os jogos de competição costumam consistir de um mecanismo bastante dinâmico e rico de variáveis. Neste modelo, os jogadores se enfrentam com o objetivo primário de vencer, contudo, acabam realmente fazendo isto pelo prazer de um combate de alto nível, onde o conhecimento e a atenção são exigidos ao máximo. Normalmente os duelos de jogos de competição que fazem sucesso costumam consistir destas duas variáveis: conhecimento sobre o jogo e atenção durante a luta, muitas vezes havendo uma terceira variável, que é conhecer o estilo do inimigo. Isto significa que não basta apenas conhecer o jogo, pra ser melhor tem que ter mais atenção para captar todas as informações do campo de batalha e também sangue frio para processá-las. Jogos de competição costumam ser cruéis, pois sempre haverá um vencedor e outro perdedor, por isto alguns jogadores tendem a desenvolver uma filosofia um tanto agressiva e ignorante para suportar esta pressão e progredir de nível até algum razoável. A modalidade de jogador contra computador também pode ser considerada como jogo de competição, porém, o nível de dificuldade é pré programado e por isto a dificuldade tende a ser gradual para acomodar novatos e experientes. Os gráficos destes tipos de jogos precisam ser bem definidos e leves, pois a ação é o principal foco dos jogadores.

Interpretação: Podem ser considerados jogos de interpretação aqueles que consistem em posicionar o jogador numa posição dentro do cenário através de um personagem, e fazer com que o personagem evolua dentro deste cenário, fazendo com que o jogador tenha a mesma sensação do personagem. São jogos com histórias bem elaboradas e que normalmente os jogadores prezam bastante pela história, sendo ela um dos principais fatores que fazem o jogador se inserir no cenário, personagem, e acreditar naquele desenvolvimento de tal forma que sinta ele também. Os gráficos também colaboram bastante para este tipo de jogo, pois quanto mais o jogador se sentir envolvido por uma coisa bem produzida e realista, mais ele irá acreditar naquilo que está acontecendo e sentirá o desenvolvimento acontecer. Um exemplo interessante é comparar gerações diferentes do videogame, onde antigamente só era necessário um pequeno borrão na tela para as pessoas acreditarem que um monstro está se transformando, e atualmente é necessária, de fato, uma transformação bem feita para as pessoas acreditarem ao invés de constatarem que aquilo não aconteceu ou não foi bem feito.

Enigma (quebra-cabeça): São os jogos que envolvem uso dos mecanismos lógicos de forma direta. Neste caso, é preciso avaliar as propriedades de cada objeto, do cenário, a relação entre o cenário e objetos e etc. Estas propriedades são exploradas de várias formas nos diferentes níveis, e costuma-se adicionar novos elementos que aumentam as relações objeto e cenário. Vez ou outra há o tempo como um elemento a ser considerado, ou há alguma ação, mas ainda sim o jogo continua enfocado nos elementos mecânicos. Para se sair bem, o jogador precisa ter atenção e variar bastante as tentativas de solução, ou mesmo parar e pensar em alguma nova alternativa. Os gráficos costumam ser bem simples e objetivos, buscando representar de forma eficiente a relação entre os elementos.

Construção e diversão:
A definição de evolução continua em constante mutação. Isto não é necessariamente algo ruim, pois é possível perceber que ela está se tornando cada vez mais precisa e próxima a realidade observável. No começo, a definição era: tudo aquilo que aumenta as chances de sobreviver e reproduzir. Porém, logo depois de observado a propriedade de configurações mentais, foi possível adotar que evolução é a capacidade que alguém desenvolve de produzir determinados resultados, que é um aprofundamento da definição anterior, pois estes resultados aumentam as chances de sobreviver e reproduzir. Ultimamente minha principal dúvida era sobre o que faz as configurações mentais se tornarem o que são. É bastante perceptível que elas adotam um sentido de direção, pois podemos ver um enorme padrão de comportamentos a qual a indústria se aproveita para comercializar bem seus produtos, é com base nisto que minha dúvida persistia. Foi durante uma conversa com meu amigo que um insight surgiu, foi quando eu percebi que as configurações humanas são direcionadas a duas coisas: construção e diversão.

Quando eu uni estas duas palavras na mesma frase, as coisas pareceram ter sentido por vários motivos. Primeiro porque construção se relaciona com os comportamentos de sobrevivência, e diversão está se relaciona com os de reprodução. Explicando melhor, quando estamos construindo algo, estamos construindo pensando na sobrevivência que teremos futuramente, na qualidade de vida, no conforto. Estas características não estão relacionadas à reprodução em si porque são coisas construídas através do esforço e trazem sentimentos de longo prazo. A diversão ocorre sempre que há o alcance ou superação das expectativas de forma positiva e também quando há o consumo de algo que gera prazer, sendo ambos os aspectos de caráter momentâneo. Por ser momentânea, as pessoas tendem a escolher a opção que lhes parece melhor no momento em que decidem se divertir, havendo então o processo de seleção da reprodução. Além disto, enquanto que na sobrevivência existem as pessoas construindo algo para si, na reprodução há as pessoas consumindo coisas, e geralmente este consumo não é individualizado. São dois comportamentos contrários que trabalham em feedback e em mutualismo, ou seja, um precisa do outro para existir.

Quando observamos as várias configurações mentais existentes, é possível perceber que elas são especificadas em, ou construir e desenvolver algo, ou em gerar diversão ou dinâmica social. Uma pessoa que se especializa em construir, por exemplo, conhece um monte de métodos para realizar determinado trabalho, o que lhe garante dinheiro, enquanto que uma que se especializa em diversão conhece vários métodos para se interagir com as pessoas. Esta é uma relação de mutualismo porque para algo ser construído, deve haver consumo, e para haver consumo, deve haver construções. É bom esclarecer, e talvez eu esteja me comunicando mal ao fazer isto somente agora, que construção neste caso é tudo aquilo que demore um longo período de tempo pra ser concretizado. Desenvolver um conhecimento, uma empresa, uma imagem, tudo isto se relaciona com construir algo a qual se tenha orgulho depois. Diversão, como já dito, é relacionada ao consumo e ao imediatismo, gerando bons e fortes sentimentos. A diversão é necessária porque o humano gosta de se sentir no limite, e também porque é por meio dela que as pessoas se interagem e desenvolvem seus relacionamentos afetuosos.

Encerramento:
Então é isto, amigos. Minha dúvida agora é porque existem algumas evoluções que irritam outras, e embora eu saiba o princípio sobre isto, quero me aprofundar um pouco mais. Além disto, eu também estava com a idéia de fazer um “vetor da evolução”, que define a direção como a forma de evolução, e a intensidade como a força que isto é feito. Esta idéia se sustenta nas observações de que alguns tipos de pessoas conseguem produzir bem mais resultados que outras, e parte desta força vêm de uma filosofia que lide bem com os elementos da evolução, como variabilidade, relações afetuosas, posicionamento diante o desconhecido, dentre outras coisas, porém, será uma idéia a ser trabalhada, nada concluído ainda. Enfim, amigos, acabaram-se meus dizeres, até a próxima postagem.

domingo, 18 de março de 2012

Analise sobre os motivos da corrupção social

Função Social

Olá amigos. Escrevo hoje por não ter nada melhor pra fazer e por já estar pensando neste tema há algum tempo. O tema de hoje se trata sobre o sistema corrupto, a qual todos comentam e que se instaurou atualmente na sociedade brasileira. Sobre as novidades, elas são praticamente as mesmas já comentadas na postagem anterior. Há uma pequena novidade: hoje de manhã eu assisti ao filme “Final Fantasy: Spirits Within”, um filme bem bonito que me fez entrar meio que numa viagem ruim até pouco tempo atrás. Outra novidade é que ontem eu vi um nerdcast muito interessante, o 302, o qual traz como convidado um psicólogo cognitivo que afirmou que o tamanho de certas regiões do cérebro está diretamente relacionado com certos padrões de comportamento, e isto me deixou bastante confuso. Preciso rever meus conceitos sobre algumas coisas. O que me leva escrever hoje é, além da observação diária, a realidade que o filme “Tropa de Elite 2” apresentou. Nele, vemos um estado dominado pela corrupção, e é este o tema da postagem de hoje. Como não tenho mais nada para por na introdução, vamos ao texto.

Corrupção:
Significa etimologicamente deterioração, quebra de um estado funcional e organizado (Wikipédia). Iniciei este parágrafo com esta definição só para ilustrar o que acontece num sistema social onde se diz haver corrupção. Há justamente isto, deterioração das funções sociais seja lá por qual motivo que o faça acontecer. Antes de avaliar propriamente o porquê há essa corrupção no sistema, é interessante analisar porque as funções de tal sistema se estabeleceram de tal forma, e sobre o porquê é importante mantê-lo neste formato. O sistema social foi composto principalmente com a função de proteger a sociedade, e por sociedade, lê-se qualquer cidadão capaz de pagar imposto. Este sistema foi desenvolvido porque as pessoas perceberam, através da história, que é mais barato e eficiente deixar a administração de sua cidade como um todo nas mãos de um grupo de pessoas e focar suas atenções em seus próprios projetos de vida que ter que investir nisto. Foi através disto que os sistemas de saúde, policiamento, educação, estruturação e vários outros componentes foram conectados através do sistema político, que gerencia o dinheiro e o interesse de toda a população.

Quem cria os sistemas sociais são os próprios cidadãos. Isto quer dizer que o que irá definir se as funções destes sistemas irão continuar como planejadas ou não são, também, os próprios cidadãos. Seguindo os princípios da psicologia evolutiva, para que qualquer humano deseje executar sua função, é essencial que ele acredite naquilo que ele está fazendo, que irá trazer determinado resultado ou a qualidade de vida que ele deseje. Esta essencialidade pode ser substituída quando alguma outra propriedade é posta no lugar, como a obrigação de fazer certo para ganhar dinheiro e não ser demitido, por exemplo, porém, o resultado do trabalho tende a não ser tão eficiente quanto alguém que acredita nos resultados que faz. Se uma sociedade está corrupta, isto significa que seus cidadãos não estão executando a função de suas atividades como devem ser executadas, e portanto, suas atividades estão se deteriorando. É o exemplo do estudante que vai pra escola pra conversar e se divertir, ou do policial que se torna policial não para proteger, mas para se sentir poderoso, ou do político que entra em sua função para ganhar dinheiro, ou da mulher que quer emagrecer pra conquistar homens ao invés de ficar mais saudável.

Nos exemplos anteriores é perceptível que as funções sociais são corrompidas por outros motivos, que são vantajosos em curto prazo, porém, em longo prazo podem deteriorar uma sociedade. Em tropa de elite 2 que se a população tende a não entender o porquê de sua função existir, não importa a classe social, seja política, imprensa, jurídica ou policial, haverá uma forte tendência a corrupção existir. Isto é notório quando se observa os valores dos indivíduos corruptos, todos valorizam mulheres gostosas, dinheiro, do individualismo, conforto em detrimento da figura humana, da valorização da superação, da evolução, do grupo e dos bons sentimentos. Prova disto é que se um morrer, outro com mesma característica toma o lugar, e eles só se preocupam com si próprios, por isso que no filme é demonstrado que o sistema se auto-regula e encontra novas formas de continuar existindo, enquanto existir gente com estes valores. Já os polícias não corruptos se preocupam com a figura humana, com a evolução, com os filhos e com a sociedade. Os corruptos também tendem a trabalhar pelo prazer de sentir o poder e só gostam de trabalhar quando sentem isso, já os não-corruptos tendem a trabalhar por desejo e obrigação de ter que produzir o bem.

De forma resumida, se seguirmos a risca a definição de corrupção, todos aqueles que definem ou aceitam uma função e não a cumprem são corruptos, pois estão ignorando o estado funcional daquilo que lhes é responsabilidade realizar. Como já observado, as funções sociais são definidas porque teoricamente elas são as que mais beneficiam a sociedade como um todo. É freqüente os corruptos não terem noção da responsabilidade de suas funções, ou terem algum distúrbio que os faça valorizar somente a sua própria evolução. É disto que surge a constante deterioração social que levou ao estado que a sociedade brasileira está hoje. O importante desta parte do texto é principalmente conscientizar que não é apenas uma classe de pessoas que é responsável pela corrupção, mas sim grande parte da sociedade. Afinal, se perguntarmos aos cidadãos se eles cumprem com suas funções de maneira correta, deve ser freqüente observar que um ou outro arruma um jeito de burlar seu trabalho ou seu sistema, e isto pode ser desde uma mentira pra despistar a família ou entrar na boate sendo menor de idade, até mesmo faltas de trabalho com atestado médico falso. Se estes mesmos cidadãos estivessem na política ou em algum outro cargo importante, a corrupção ocorreria.

Segundo o que eu observei, a raiz da corrupção pode ser resumida pelos valores sociais que tal sociedade cultura. No Brasil, a beleza da mulher ou o poder econômico é muito valorizado, portanto, os homens tendem a desejar querer mais dinheiro pra pegar uma mulher gostosa ao invés de usar este bem para ajudar aos demais. As mulheres, por sua vez, se dedicam para se tornarem gostosas justamente para conseguir dinheiro destes homens ao invés de dedicarem esforço aprendendo a trabalhar ou aprender a serem felizes com uma família simples, mas bem unida, que é o que um homem comum pode dar. Este parágrafo pode estar sendo generalista e pouco preciso, mas é fato que a principal das preocupações da maioria das mulheres é a beleza, assim como o principal motivo que faz um homem se aproximar de uma mulher atualmente. A mídia também pode ser vista como exemplo dos valores morais. Em um programa chamado Pânico na TV, é possível observar um quadro em que homenageiam as mulheres bonitas e ridicularizam as feias durante um ambiente de praia, e as pessoas costumam achar este quadro bastante divertido devido à ousadia dos apresentadores, porém, ao rirem e aceitarem este tipo de programa sem nenhuma contestação, há uma aceitação implícita neste tipo de valor.

Encerramento:
Enfim, espero que o texto tenha ficado nítida e enfática minha opinião quanto a este assunto. Demorei a tarde e noite inteira pra terminar esse texto, pois troquei durante sua construção fiquei bastante disperso no facebook e MSN. Devido a isto sei que é necessária a revisão, mas a preguiça me impede de fazer isto agora, além de ainda faltar o texto anterior pra revisar também. Eu pretendo usar esse texto como esqueleto para publicar em outro blog, o de uma amiga e que provavelmente tem público, esta opinião, pois acredito que ela seja bem reveladora. Mas ainda vou conversar com ela sobre isto. De qualquer forma, vou ver um bom dia para revisar os dois textos, e muito provavelmente esse mês não haverá mais nenhuma postagem. To sem assunto pra terminar o encerramento, então até mais, abraços a todos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Publicação de dois poemas: O jogo da realidade e A arte dos desoculpados

Arte ou não?

Introdução:
Olá amigos. Como era previsto, mês passado só escrevi uma vez, e talvez eu repita a dose novamente. Pretendo escrever novamente sobre um ou outro comportamento novo que eu notei por ai e achei interessante, só não sei se será esse mês. Escrevo agora para postar os dois “poemas” que eu produzi esses tempos, juntamente com alguma interpretação. Mas antes, vamos às novidades. Comecei a estudar em um curso pré-vestibular, e desta vez estou empenhado na vida de estudante. Obrigo-me a estudar pelo menos até as cinco da tarde, fazendo principalmente atividades, contudo, às vezes passo desse horário, quando são atividades de cálculos, ou quase não consigo alcançá-lo quando são matérias pra decorar nomes e funções, como biologia, geografia ou história. De qualquer forma, essa vida rotineira me leva a pensar sobre o que é a rotina, e como encontrar meios para se satisfazer. Digo isto pois é confuso entender como o humano se satisfaz no seu dia-a-dia a ponto de não sentir falta de qualquer coisa no fim da noite, e como aliar isto a uma rotina de estudos delimitados. Irei fazer teorias sobre isto e futuramente, provavelmente, as postarei no blog. Vamos a postagem de hoje:

O jogo da realidade
A vida é como um jogo, e como todo jogo,
empolga se estiver sendo dominado,
desanima se estiver sendo perdido.

Portanto, não culpe a falta de dinheiro ou beleza,
de recursos, oportunidade ou qualquer outra condição.
Culpe apenas a falta de conhecimento em como jogar.

Pois os humanos são capazes de se adaptarem ao que quiserem,
mas ao se adaptarem ou desejarem a uma mentira, assumem um risco:
o de a realidade ser muito pior do que a mentira desejada.

Então se o medo o impedir de conhecer a realidade deste jogo,
abandone-o! Enfrente o desconhecido.

Ele esconde novas verdades, ou as verdades das antigas mentiras.
Ele esconde novos caminhos ou modos para realizar os desejos,
mas apenas os esforçados serão fortes o suficiente para desbravá-lo.

Se o sofrimento for um preço a pagar para desbravar o desconhecido,
pague-o! Pois ele é um pequeno preço em troca de uma felicidade maior.

Se nada for feito e o desconhecido tomar conta,
cada comportamento da realidade tende a ser uma surpresa desagradável,
e as mentiras invadirão a capacidade de construir adaptações sólidas,
de fazer o humano descobrir a si mesmo e encontrar o seu lugar.

A vida então se torna um jogo de resultados turvos e desesperançosos,
em que apenas a sorte fornece as pequenas felicidades do dia-a-dia,
em detrimento do prazer daquilo que se constrói com esforço e sabedoria.

Por: Leandro de Andrade Moura

Sobre este primeiro poema, eu o construí pensando principalmente na analogia sobre a vida ser um jogo. Entrando na definição de jogo, temos que jogar pode ser considerado como apostar no desconhecido, administrar leis de um sistema para obter benefícios ou superar desafios através de esforço e técnica. Então se a vida é um jogo, admite-se que ela tem as mesmas características do jogo que acabaram de ser explicadas.  A declaração que a vida é um jogo é encontrada na primeira estrofe, e nela podemos também encontrar uma propriedade humana que a psicologia evolutiva, assim como a própria experiência de vida, conhece: a propriedade de gostar daquilo que se sente poder, já que poder se relaciona diretamente com as chances de evolução, exemplo: o poder de comprar uma casa, de conquistar uma pessoa, de ter o que deseja.

Sendo assim, deve-se, para obter sucesso no jogo, configurar a mente de modo a compreender esta dinâmica para a obtenção de resultados. Uma mente não configurada nesta realidade tende a responsabilizar a sua falta de sucesso a quaisquer comportamentos alheios ao seu, menos ao seu próprio. A segunda estrofe trata-se disto, pois é exemplo das desculpas que as pessoas tendem a usar para justificar seu fracasso em não alcançar determinado objetivo. O desejo de alcançar este objetivo parte da propriedade humana de gostar de posições em que se tenha poder, contudo, este desejo só é iniciado quando o humano acredita que ele pode se tornar real, o chamado princípio da realidade. Este princípio da realidade, na interpretação da psicologia evolutiva, é o que permite que o humano se adapte a qualquer sistema que lhe é apresentado. É sobre esta idéia que se monta a terceira estrofe, que fala sobre adaptar-se a realidade.

O sofrimento é um desejo não alcançado, e um desejo só existe se o humano acreditar que é possível alcançar ele. Portanto, se há sofrimento, significa que o humano pensou ser possível um desejo que, na realidade, não é. Isto só surge devido a falta de compreensão da realidade por parte dos humanos, porém, é nesta lacuna de conhecimento que se expande todo o ego humano, é ela que torna possível ele se imaginar muito melhor e mais forte do que realmente é. Daí surge o medo de enfrentá-la e descobrir que a realidade é dura e trabalhosa. É possível afirmar que a realidade é difícil para todos devido ao desejo que o humano tem de sempre querer se tornar melhor, ou seja, sempre estar evoluindo. Portanto, não importa se a pessoa já seja poderosa, ela vai querer continuar evoluindo e isto significa continuar enfrentando desafios. A falta de compreensão, na prática, faz com que estes desafios sejam muito mais fáceis que parecem ou que muitas vezes o melhor venha sem esforço, e é isto o que seduz a muitos humanos a não quererem enfrentar a realidade.

Abandonar o medo de enfrentar o desconhecido é a declaração da quarta estrofe. Estar apto a enfrentar o desconhecido significa conhecer muito bem o que se tem e o que se é. Isto porque, ao enfrentá-lo, há o risco de descobrir que aquilo que ele baseia sua felicidade e qualidade de vida seja uma mentira, e devido a isto sofrer bastante. Porém, sofrimento maior para ele e sua família será se ele não enfrentar este desconhecido e aumentar ainda mais sua carga de conhecimento sobre as várias formas que a realidade humana pode se apresentar, e construir uma com base em valores reais, universais e duradouros. A falta de conhecimento sobre os humanos pode ser bastante decisiva, por exemplo, na relação com familiares ou desconhecidos, o que promoverá uma qualidade de vida pior e, se for um aspecto cultural de determinada comunidade, uma política, economia e cultura menos desenvolvida. Por isto é importante se sempre estar buscando o crescimento, o conhecimento e enfrentar aquilo que se tem medo.

Voltando a analogia sobre a realidade ser um jogo, e em como todo jogo, para obter os resultados desejados é preciso conhecê-lo para manipulá-lo, o mesmo acontece com a vida humana. Na quinta estrofe há apenas a conscientização de alguns benefícios que o conhecimento da realidade pode trazer. Ela mostra como, ao enfrentar o desconhecido, é possível otimizar os resultados da vida. Ao observar que, de modo geral, todo resultado é constituído de esforço multiplicado pela técnica, enfrentar o desconhecido e descobrir novas técnicas significa se esforçar menos para conseguir as mesmas coisas, sobrando mais tempo para aproveitar a qualidade de vida obtida através da evolução.  Esta estrofe mostra ainda algo mais profundo, que é os caminhos de evolução que cada pessoa decide escolher, e mostra que mesmo que as pessoas a sigam ou a copiem, quem tem a força e o conhecimento necessário para continuar evoluindo e se renovando naquele caminho é ela.

A felicidade maior a qual a sexta estrofe refere-se é justamente a total compreensão da realidade. Obviamente, ela é muito árdua de ser obtida, por isso que o sofrimento será um preço a ser pago. Mas ao obtê-la, é possível ter uma alta consciência de todos os fatores que influenciam a sua vida, além de ter razoável controle sobre eles. Isto é vantajoso porque permite que o instinto se apegue bastante a esta visão de realidade, e todos os desejos que se manifestarão serão passíveis de concretização, dependendo apenas do esforço para torná-los reais. Na realidade sempre existirão fatores desconhecidos para os humanos, pois é fisicamente impossível saber de todos a todo tempo, mas haverá também uma enorme consciência em administração de riscos, uma enorme sensibilidade para prever resultados, uma boa percepção aos padrões e aos mínimos detalhes, e este conjunto de habilidades tornará muito alta a adaptabilidade de qualquer humano.

Na sétima estrofe há a tentativa de conscientizar o público do perigo que é deixar o desconhecido tomar conta. Nela é demonstrado como as habilidades advindas graças ao conhecimento podem deixar de prevenir mudanças desconfortáveis na realidade, como por exemplo, um namorado de repente enjoar da namorada e não fazer a mínima idéia do porque isto acontece, aceitando que é apenas algo natural e imutável, ou consciência do risco que é determinado investimento. Demonstra também como a falta destas habilidades irá diminuir a capacidade adaptativa humana, já que por não ser capaz de se adaptar a determinada atividade evolutiva, ou ter muita dificuldade, ele irá ter dificuldades de definir o que é e qual tipo de evolução deseja para seu futuro. Encontrar seu lugar na ultima parte desta estrofe faz referencia justamente a ter uma evolução definida e que se sustente na sociedade, pois este estar localizado nela é algo importante para uma evolução.

A oitava estrofe é uma conclusão, que tenta impactar a importância de se abrir a realidade. É possível notar que a maioria das pessoas que não tem boas expectativas para melhorar de vida também não tem controle sobre seus próprios sentimentos e sobre como se adequar à sociedade às pessoas a sua volta. É por isto que a vida deixa de ser um jogo empolgante com os riscos claros e bases definidas e passa a ser turva e desesperançosa. As pequenas felicidades do dia-a-dia é justamente o que é colhido do descontrole que acaba sendo regulado de erros sistemáticos que poderiam ter sido evitados se houvesse um mínimo de coragem e preocupação. Por exemplo, sabe-se que se envolver em tal algo é perigoso, mas por falta de conhecimento em algo melhor, envolve-se da mesma maneira. A evolução firme e ligada com aspectos da realidade, como as propriedades humanas e sociais e que é construída através do esforço e sabedora, acaba não tendo condições de sobreviver, pois não há sabedoria para depositar o esforço nas coisas certas. Agora vamos ao próximo poema:

A arte dos desocupados.

Isto tudo é arte. A arte dos desocupados.

A arte que revela quem somos nos momentos difíceis.
A arte que revela pelo que estamos dispostos a lutar.

Mas há realmente alguma razão na arte,
Ou apenas a vontade instintiva de mudar?

http://www.youtube.com/watch?v=5WilOJ81I5E&list=
PL13EE30FFB9391920&index=1&feature=plpp_video

Por: Leandro de Andrade Moura


Este poema surgiu do ocorrido mostrado deste vídeo, e ele próprio faz parte do poema. Nele é possível observar vários adolescentes que não fazem a menor idéia prática do que estão fazendo, mas estão fazendo algo seguindo um ideal. Contudo, este ideal não é definido, ele simplesmente se baseia na idéia de que o simples fato de haver a movimentação pra um protesto sem haver nenhuma ponderação das implicações do que o protesto pede, vai melhorar e mudar algo. Para se ter uma idéia, muitos destes estudantes não sabe o motivo do aumento da passagem, pois a possibilidade de mudar algo que não se saiba os motivos é baixíssima. É daí que surge a segunda declaração da primeira estrofe, “a arte dos desocupados”, pois só esta classe de pessoas seria capaz de depositar uma enorme quantidade de esforço naquilo que não se tem idéia sobre qual resultado terá ao contrário das pessoas com atividades definidas e responsabilidades, que tem uma maior tendência a ponderar sobre como gastar seu tempo.

A arte nessa declaração foi empregada de acordo com o meu conceito de arte, que significa “aquilo criado para mexer com os sentimentos”. Esta movimentação não foi criada por mecanismos racionais, mas sim por mecanismos sentimentais. O desejo de mudar independente de como a realidade configure e o romantismo de buscar algo enfrentando os vários desafios para ter o orgulho de ter participado conquistas que tenha mudado algo grande, como os antepassados fizeram, são os principias motores motivacionais segundo o que eu observei. Então, por ser movido principalmente por sentimentos, porque não chamar isto de arte? Algo parecido com os flash-mobs. Se observado, podemos notar as pessoas criando o que acreditam, como placas além de outros mecanismos para demonstrar sentimentos, e fazendo aquilo que sentem, sem nenhuma fundamentação teórica, que é certo e bom.

Mas será mesmo que isto é tão sem razão como parece ser? A pergunta da terceira estrofe serve tanto para os apoiadores destes movimentos como também para mim, que adotei uma posição de contra desde o inicio sem uma reflexão profunda. Eu poderia responder esta pergunta com minha velha máxima filosófica que é motor da minha filosofia: tudo há um porque. Mas o interessante será responder de acordo com a psicologia evolutiva, há benefícios neste comportamento? Ao que me parece, sim, mas não o benefício que a consciência instintiva dos que participam deste evento acreditam. É um benefício de autoconhecimento, tanto individual quanto coletivo. O que sustenta isso são os eventos demonstrados no segundo parágrafo, em que várias situações mexem com o sentimento daqueles que participam de forma que eles enfrentem, para o nível deles, momentos difíceis e realmente entenda o que, de fato, é importante para suas vidas. É com base nisto que a pergunta do último parágrafo é formulada, e ela ganhou sua forma final porque se não houvesse o desejo de mudança, não haveria esforço pra mudar.

Encerramento:
Bom amigos, terminei a postagem. Realmente foi longa, devo ter demorado umas duas ou três horas aqui, pior ainda será revisar. O primeiro poema eu demorei uns três dias fazendo, o segundo foi uma madrugada pra imaginar a base, e um dia pra finalizar. O interessante é que ambos vieram de um desejo de comunicar algum aspecto ou frase de forma impactante, depois foi se desenvolvendo até ganhar a forma atual. Foi trabalhado, não espontâneo. Não sei se isso pode ser considerado uma arte forte, mas ainda sim considero que estes poemas tenham algum nível artístico, principalmente levando em consideração meu conceito de arte. Enfim, o encerramento é este, abraços a todos aqueles que chegaram até aqui, até a próxima.