Pedro,
vc lembra sobre a série de perguntas que vc fez a mim para identificar o
que é uma maçã? Bem, tenho quase certeza que sim, mas vou expô-las aqui
para quem mais tiver curiosidade em saber: o que é uma maçã? Uma maçã
mordida continua sendo uma maçã? Uma maçã pequena continua sendo uma
maçã? Metade de uma maçã é uma maçã? Ou seja, todas estas perguntas
estão fazendo referência a uma "maçã" ideal. Contudo, quem idealiza essa
maçã é o ser consciente, e essa idealização é feita através do uso que
será feito daquela maçã. Porém, é preciso implementar a maçã na
realidade, e a partir de então constrói-se um modelo. Alguns modelos vão
aceitar uma maçã mordida como maçã, outros não. Alguns modelos vão
aceitar uma maçã pequena sendo uma maçã, outros não. Da mesma forma, o
ser humano.
O
que é um ser humano? Um ser humano sem braço, continua sendo um ser
humano? Um ser humano com braço robótico, continua sendo um ser humano?
Um ser humano com síndrome de down, continua sendo um ser humano?
Novamente, depende do modelo. Para alguns modelos sim, para outros,
estes são humanos "especiais", e ainda, há outros que mesmo deixa de
considerá-los. Chegamos então aos modelos, e parece-me haver aqui a
referência de um modelo real, e os demais modelos implementados. Fazemos
a pergunta que modela o modelo real? Será ele um modelo platônico, que
existe antes mesmo do objeto em si existir? Talvez passamos aqui para o
estudo da memética.
De onde vem a "maçã" ideal? Ou, ainda, voltando a nossa conversa, Pedro,
de onde vem o significado do número? Do ser consciente, oras!
Concordamos, nós dois, que se um dia todos os matemáticos do universo
morressem, a matemática morreria junto. O mesmo vale para a maçã. O
mesmo vale para o ser humano. Portanto, o mesmo que irá validar o que é o
significado de um número, irá validar o que é uma maçã, e também irá
validar o que é ser humano: a concordância entre os seres conscientes
envolvidos.
Se
estamos falando de um modelo, seja ele ideal ou implementado, estamos
falando também da necessidade que o ser consciente tem de interagir com a
realidade. Se houver apenas um ser consciente e a realidade, o modelo
ideal será exatamente aquilo que esse ser consciente idealizar, afinal,
só existe ele com capacidade de dar identidade aos fenômenos da
realidade. Contudo, se estamos falando de um modelo entre mais de um ser
consciente, o modelo ideal será a negociação que ocorre entre todos
estes seres e o que eles aceitam. Desta forma, a pergunta: "quanto pesa
uma maçã ideal?" se torna extremamente complexa de ser respondida,
porque a resposta envolve o consenso de todos aqueles que lidam com
modelos envolvendo maçãs implementadas. Podemos, para a finalidade de
encontrar uma resposta objetiva a esta pergunta, assumir que o peso da
maçã ideal será a média aritmética de todos os modelos de maçãs ideais
que existem entre os seres conscientes que lidam com maçãs
implementadas. Contudo, nem todo mundo que lida com maçã implementada
explícita o quanto sua maçã ideal pesa. Aliás, isto nos leva a uma
questão interessante: o quanto o algo ideal é definido? Novamente, acho
que a memética trata sobre isso. Seguindo.
Vejamos
o exemplo das unidades de meda, o quilo por exemplo. O quilo ideal pesa
exatamente um quilo. O mais próximo que temos do quilo ideal é o quilo
encontrado em um cofre protegido por autoridades internacionais e é
usado como referência para o comércio e indústria global como uma forma
de acordo e harmonia (desculpem-me a falta de precisão neste dado,
procurem na web que acharão). Para ser mais preciso, o quilo ideal foi
definido, em acordo uns séculos atrás como sendo este objeto, mas
sabe-se que ele está perdendo peso devido suas propriedades físicas
(como decaimento químico) e por isso ele está se afastando do que foi
definido como o "ideal" para a indústria e comércio. Li isso rapidamente
agora e parece-me que vão substituir objeto por um mais preciso, com
menos decaimento.
Voltamos,
então, a discussão, "o que é ser humano?" E através da linha de
raciocínio anterior reduzimos discussão a "o que é uma maçã?". A forma
de obter a resposta, para as duas perguntas, é a mesma. Através da
negociação do modelo ideal daqueles que lidam com essas implementações.
Em alguns casos pode ser impossível definir. Mas isto nos leva a
seguinte pergunta: quem implementa? Não, não é o ser humano, pois o ser
humano não pode ser ao mesmo tempo aquele que define e aquele que é
definido, pois isto seria paradoxal. Afinal, afirmamos que ser humano é
aquele que define, como Pedro
mencionou através do princípio dos universalistas, seria dizer que todo
ser que é capaz de definir, é ser humano, e sabemos que isto não é
verdade. A resposta para esta pergunta, pelo menos para mim e para meu
modelo, está numa entidade que eu chamo de ser consciente evolutivo.
Este ser, e o ser humano é uma implementação deste ser, é aquele que é
capaz de definir. O ser humano também o é por transitividade.
Então,
precisamos encontrar uma definição do ser consciente para o ser humano
ideal. Para mim, a definição que a biologia desenvolveu através da
Cladística, e aqui agradeço o link do Gabriel,
é o suficiente para mim, enquanto ser consciente, para definir o ser
humano ideal. Agora, quanto as implementações do ser humano, cabe a cada
modelo que o implementa definir o que é ser humano para ele, e se essa
modelagem é o suficiente para alcançar tudo o que o seres conscientes
que participam deste modelo esperam.
Desculpem-me
pelo texto longo, mas quis deixar tudo claro quanto a redução da
definição do ser humano à definição de uma maçã e depois explicar,
segundo o que eu percebo, como essas definição são feitas e suas
classificações quanto ao seu grau de existência, pois eu imagino que
isto serão questões que chegaremos ao decorrer dessa conversa. Abraço a
todos.
Iana,
exatamente por isso eu disse: "Não estou falando da representação do
tempo, mas do tempo em si, como entidade." e "seja lá como vc queira
sentir o tempo passando pela sua existência". Se vc sente o tempo
passando através do movimento, que assim seja,
vc tem o direito de definir o tempo como quiser prq vc é um ser
consciente. Porém, não acho das definições, essa a mais correta, porque
pela teoria da relatividade eu posso definir um ponto de referência
inercial, e para esse ponto, ele nunca vai se mover, contudo, ainda sim,
o tempo passa pra ele.
A
menos que vc diga que o tempo está passando pra ele através do
movimento interno dos seus átomos, e ai vem uma questão complicada: como
fazer o átomo parar de se mover? E se conseguirmos, isto implica que o
tempo também irá parar para aquele átomo? Talvez. Nesse caso, o tempo é
movimento. Como parar o movimento? Se existir um como, então esta será a
resposta para a pergunta: "como parar o tempo". Ou seja, podem ser
coisas equivalentes.
Mas
ainda sim há outro problema. Se definirmos o tempo como o movimento, e
assumirmos como ponto de referência a entidade menos complexa do
universo, o verdadeiro "átomo" universal, e se este átomo tiver uma
natureza sem movimento, isto implica que para ele, o tempo não existe,
já que ele não se movimenta. Se este "átomo" não tem movimento, e,
portanto, o tempo para ele não existe, e se dele são compostas todas as
matérias do universo, conceituar o tempo como movimento não me parece
apropriado, a menos que seja o conceito de movimento a partir de certa
complexidade de matéria. Mas que complexidade seria esta? Estamos
estudando a natureza da física, afinal.
Então,
ficamos com a pergunta: o que é o tempo? Eu respondo isto dizendo que
nunca poderemos compreender totalmente o tempo, apenas ter um razoável
modelo sobre o que ele significa. Afinal, ele, pra psicologia evolutiva,
é a entidade consciente axiomática. Uma vez que vc o entenda, sobre
qualquer forma, ele já vai ter mudado, e assim nunca seremos capaz de
entendê-lo instantaneamente. Então você, como entidade consciente, será
apenas capaz de senti-lo ou de desenvolver algum modelo que, no máximo,
corresponda a realidade com certa imprecisão ou atraso.
Seguir leis sem saber o porquê de sua existência ou significado é uma ignorância que pode levar a burrice ou perda de pontos estratégicos. Por isso, sigo apenas as minhas próprias regras. Por: Leandro Moura
sexta-feira, 31 de julho de 2015
quinta-feira, 2 de julho de 2015
A ideia de um ser perfeitamente evoluído é absurda ou divina
Segue-se os motivos:
Assumimos que um ser evoluí, em ultima instância, em resposta ao seu ambiente.
Assumimos que o ambiente tal como conhecemos nunca será estático. Ele sempre estará em constante mudança.
Assumimos que se um ser é perfeitamente evoluído, ele não tem mais como evoluir. Ou seja: ele está perfeitamente adaptado a realidade do seu ambiente.
Contudo, se assumirmos que a afirmação 3 é verdadeira, então entraremos em contradição, porque se o ser é perfeitamente evoluído implica que seu ambiente é perfeitamente estático, o que é falso de acordo com a afirmação dois.
Porém, podemos adaptar a terceira afirmação para que ela não torne o sistema contraditório caso seja verdadeira. Segue a adaptação:
Assumimos que se um ser é perfeitamente evoluído, ele não tem mais como evoluir, e ele necessariamente tem de ser onipresente, onipotente e onisciente em relação ao seu ambiente.
Conclusão: o único ser perfeitamente evoluído que poderia existir seria a própria definição de Deus.
Assumimos que um ser evoluí, em ultima instância, em resposta ao seu ambiente.
Assumimos que o ambiente tal como conhecemos nunca será estático. Ele sempre estará em constante mudança.
Assumimos que se um ser é perfeitamente evoluído, ele não tem mais como evoluir. Ou seja: ele está perfeitamente adaptado a realidade do seu ambiente.
Contudo, se assumirmos que a afirmação 3 é verdadeira, então entraremos em contradição, porque se o ser é perfeitamente evoluído implica que seu ambiente é perfeitamente estático, o que é falso de acordo com a afirmação dois.
Porém, podemos adaptar a terceira afirmação para que ela não torne o sistema contraditório caso seja verdadeira. Segue a adaptação:
Assumimos que se um ser é perfeitamente evoluído, ele não tem mais como evoluir, e ele necessariamente tem de ser onipresente, onipotente e onisciente em relação ao seu ambiente.
Conclusão: o único ser perfeitamente evoluído que poderia existir seria a própria definição de Deus.
Postado por:
Devir Social
às
14:20:00
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