Introdução:Olá amigos. Estas semanas tem sido bastante proveitosas. Tenho conhecido pessoas de diferentes segmentos de pensamento e atuação, o que me tem feito pensar bastante em democracia. Portanto, hoje será este o tema. Aproveitando, irei também escrever sobre a complicada relação entre a igreja e a política, e minha opinião e posicionamento diante disto. Afinal, tenho dedicado bastante tempo da minha vida ao estudo e à vida evangélica.
A hereditariedade da democrática:Conversando com certos amigos, é possível perceber que existe um conflito muito grande no conceito de democracia com sua atuação. Afinal, o modelo democrático se supõe como aquele que dá a escolha de voto a todos, e, portanto, dentre os existentes, é o que maior liberdade confere ao povo. No entanto, tais amigos insistem que a democracia não traz tanta liberdade assim, afinal, quando se impõe o voto não há liberdade. Fica a pergunta: a democracia é ou não é um sistema que concede liberdade?
Para responder a esta pergunta, é preciso entender a origem e a formação do estado de direito que regula a democracia, e então observar a atuação da democracia para um pouco além de somente uma geração.
Iniciamos com a formação do estado de direito, que nada mais é que uma sociedade regulada através de uma constituição da qual dela se deriva todas as leis. Ora, a constituição é o documento mais importante de qualquer estado regido por leis, porque nele está toda a base, a intenção e a identidade da construção do direito daquela sociedade. No entanto, o que sustenta esta carta são as pessoas que nela acreditam e que a ela obedecem. Porém, sob o ponto de vista do direito, o que existe antes da formação da constituição? A resposta é que o direito nada pode dizer sobre Isto e classifica este processo como abstrato.
É possível pensar que existam inúmeros processos que levem a um país a desenvolver sua constituição. É o que vem antes que dá a cara da constituição, mas uma vez que ela é formada e o estado se consolida como de direito, então ela deve ser respeitada por todos aqueles que trabalham com a lei. A democracia, neste escopo, entra como uma lei que regula as posições de liderança desta sociedade, e é possível imaginarmos que ela foi desenvolvida de modo a adequar a cultura e a economia de um povo dentro de si. Portanto, quem se submete a um estado de direito também se submete à democracia. De outro modo, rebelar-se contra a democracia é também rebelar-se contra o estado de direito.
No momento que uma pessoa se rebela contra a constituição, ela basicamente diz que é preciso voltar ao processo abstrato de formação social, no qual o direito não tem nenhum tipo de poder. Além disto, ir contra a constituição é alterar os aspectos gerais que desenvolveram aquela constituição, como a intenção e a identidade do estado. Portanto, é algo absolutamente profundo e importante para a característica de um país. Disto podemos concluir: todos aqueles que não desejam se submeter a democracia, na realidade, não desejam submeter-se ao seu próprio país, o que implica no desejo de ou alterá-lo profundamente ou mesmo na emancipação, criando seu próprio estado.
A partir do entendimento da formação do estado do direito é possível concluir que recusar-se a se submeter a democracia é algo sério, que deve ser feito com a responsabilidade de carregar a estabilidade social de um povo em processos que não são capazes de ser previstos pelo homem. Podemos usar parte dessa explicação para estruturar nosso pensamento sobre a liberdade da democracia.
Para começar, a democracia já nasce com suporte de liberdade adequado ao seu povo. Afinal, se o estado de direito nascesse sem dar as condições de liberdade necessárias ao seu povo, ele não prosperaria, logo seria alterado ou mesmo substituído. Isto significa que aqueles que aceitaram a nacionalidade definida por aquele estado de direito, aceitam também sua carta constitucional com democracia inclusa. Portanto, esta liberdade é, de fato, garantida pela democracia e aceitada por aqueles que ascenderam a aquela nacionalidade.
No entanto, como ficam as pessoas que nasceram algumas gerações após o desenvolvimento daquele estado de direito? Afinal, elas não tiveram a oportunidade de participar da formação do estado, tão pouco escolheram ou nasceram estar nele. No entanto, é aqui que entramos numa interessante característica da democracia: ela é hereditária. Afinal, quem nasce em solo de uma nação, na maioria das constituições, herda a nacionalidade daquele solo. Ora, junto com a nacionalidade, a democracia.
Aqui enxergamos a sociedade como um processo contínuo de vida. Ora, uma vez que aqueles indivíduos aceitaram gerar uma vida em determinada nação, sabiam e estavam de acordo com as imposições feitas a eles pelo estado de direito. Do contrário, ao invés de gerar vida, eles teriam que depositar todo seu esforço para desenvolver as mudanças necessárias para viverem em um estado no qual eles estejam de acordo viver. Sei que isto parece uma situação utópica, no entanto, sob a face do declínio cultural e econômico de um país, podemos assumir que situação semelhante está acontecendo.
Portanto, todo filho que nasce herda dos pais a submissão à democracia. Disto concluímos que questionamentos feitos acerca da liberdade da democracia fazem pouco sentido. São verdadeiros somente em contextos limitados e construídos propositalmente para revelar um paradoxo que, no decorrer do desenvolvimento do real cenário de atuação da democracia, não se sustentam. Desta forma, concluo com o seguinte: todos aqueles rebelados com a democracia, ao afirmar que ela limita a própria liberdade, conversem com seus progenitores sobre tal situação. Se verificarem um cenário real de cerceamento da liberdade pelo estado de direito, unam-se com seus semelhantes e preparem-se para o desconhecido.
A igreja e a política:Como desenvolver uma relação entre a política e a fé? Em um poema meu, da coletânea evolutiva, chamado Linguagens Sociais, eu descrevo a religião como uma linguagem declarativa, já o direito, do qual se deriva a democracia, uma linguagem de orientação a objeto. Também descrevo a própria democracia como uma linguagem estatística, ou seja, que utiliza métodos científicos para sua própria comunicação. Estou me referindo a estas definições porque, já para resumir o que será escrito aqui, acredito que se cada linguagem trabalhar estritamente para aquilo que ela foi projetada, nenhum mal irá acontecer. Sigamos o texto para uma demonstração com mais clareza.
Iniciando com religião, ela é uma linguagem declarativa. Isto significa que, na religião, coisas são declaradas e acatadas ou não através deste dispositivo. Uma pessoa, através da fé, pode declarar qualquer coisa, afinal, ela é livre. No entanto, ela terá uma maior autoridade se tiver ao seu lado o exemplo e a palavra de algum sistema religioso com aqueles que respeitam a autoridade de tais coisas. Se, por exemplo, a palavra for dita para alguém que ignora aquela autoridade, ela pode não surtir efeito imediatistas. Deste modo, a fé é a base de um sistema de hierarquia daquela religião, que busca transmitir uma forma de se ligar ao mundo.
Por outro lado o estado de direito, do qual se deriva a política, teve sua construção histórica levando em conta principalmente as dinâmicas de funcionamento da sociedade em curto e em médio prazo. Portanto, ao contrário da religião, que tradicionalmente costuma ter milênios de formação e carrega consigo questões acerca da eternidade, a política tem certo grau de imediatismo e a necessidade de construção de garantias naturais para seu funcionamento. Esta noção de construção histórica e também a construção das garantias naturais conferem ao estado maior facilidade de autoridade para pessoas sem fé ou de diferentes fontes de fé.
Entendo as diferentes bases de autoridade e atuação de cada um dos sistemas, o político e o religioso, acredito ser possível afirmar que não é adequado substituir um com o outro, mas sim vivê-los em harmonia. Isto acontece quando a liberdade que a religião confere ao seu fiel é utilizada para a busca do bem na política. A política, por outro lado, deve respeitar as posições e as restrições assumidas pelo lado religioso. Afinal, a política, por ser mais nova, tende a ser bem mais ampla em liberdade que a religião, mas sua sabedoria não é capaz de estruturar íntimos detalhes que a religião de fazer.
Para ilustrar isto, vamos imaginar uma pessoa que tenha a necessidade de equilibrar sua atuação política e religiosa. Ora, se ela deixar que seu lado religioso domine os aspectos da política, será visto casos em que se utilize fé para causar transformações impositivas na sociedade. Por exemplo, impor por meio da lei costumes que só são seguidos por religiões específicas, acredito que a imposição do ensino religioso de uma doutrina específica seja um exemplo interessante. Se, de outra forma, o lado político dominar o lado religioso, a pessoa passará a questionar costumes antigos, pois sua fé estará mais fundamentada nas fontes naturais que no espírito que rege as instituições religiosas.
Em ambos os casos ocorrerá desarmonia. Tanto a religião não gostará de ter seus costumes questionados por aqueles que não têm autoridade para tanto, como a política não gostará de ter leis impostas por núcleos de pessoas que não tem fundamento em dados naturais. Falando agora especificamente do cristianismo, o cristão deverá entender a política como mais uma ferramenta das tantas que ele usa para viver, mas não depositar sua fé nela. Assim sendo, é inconcebível que a política seja causa de rincha no corpo de Cristo. Se assim for, será claro que a fé em Cristo e as atividades exercidas pela igreja, que são a própria atuação do espírito Santo, são menores que a política, uma ferramenta criada para a atuação de homens.
Encerramento:
Chegamos ao fim de mais um texto. É interessante ver a nova fase deste blog, que agora se vê norteado por temas cristãos, sem, no entanto, ter perdido seu hábito de dissertar sobre temas relacionados ao cotidiano humano. Neste texto, a política, seguida por uma reflexão de sua relação com a religião. Acredito que este texto será importante para demonstrar meu posicionamento em futuros momentos. Portanto, para o que vier, já está escrito. No mais, espero que todos lembrem que neste blog, escrevo o que acredito e o que sei, portanto, não tenho vínculo com nenhum tipo de autoridade específica além de mim mesmo. Obviamente que correções serão bem vindas, assim como conselhos. Abraços a todos e até a próxima postagem.