Documentário e suas cenas reais
Olá amiguinhos, ontem foi páscoa, comi muito peixe e outras coisas na casa da minha tia, e depois da comida, meu tio disse que havia um filme que meu primo trouxe e que era nojento, baseado em fatos reais. Não era um filme, mas sim um documentário o qual eu não lembro o nome agora, mas era algo como Incidentes ou não sei. Esse filme servirá perfeitamente para exemplificar uma das minhas idéias meio que eu fico pensando quando eu to deprê.
Seguinte, o documentário retratava na verdade sobre cenas reais de acidentes, assassinatos, suicídios, violência contra animais, guerra e mais coisa ainda. O documentário quis mostrar em imagens as cenas fortes como a de uma cabeça decapitada ou uma autopsia, como, por exemplo, em uma mina de ouro as pessoas arriscam as suas vidas em troca de dinheiro, o quão a vida humana, em alguns lugares, está submetida a se rastejar e se humilhar para conseguir sobreviver, condições tais que os fazem querer abdicar de suas próprias vidas, lutando contra o sentimento mais forte dos humanos, o de sobreviver.
O documentário também ia falar sobre as pessoas passando fome na áfrica, mas meu tio tirou o DVD antes por causa das cenas fortes. Entretanto, essas cenas são o suficiente para eu começar a falar sobre o que eu começo a pensar quando to deprê. Imaginem vocês a quantidade de pessoas sofrendo e passando fome agora, querendo mudar e não tendo condições, tentando sobreviver. São muitas. Isso é uma conseqüência do nosso sistema capitalista, que por outro lado, há pessoas esbanjando dinheiro.
Quando eu estou meio deprimido, é porque eu sei que eu preciso mudar as minhas condições de vida, pois do jeito que está, a coisa não tem previsão de melhorar. Como eu disse antes, existem dois modos de vida, o racional e o instintivo, eu sou muito racional e to tendo dificuldades na parte instintiva. Instintivo é a vontade de viver, estou tendo problema com essas coisas, e quando eu tenho alguma crise, a primeira coisa que eu penso é: Vou melhorar minhas chances de sobreviver.
O problema é que isso exige esforço meu, pra eu mudar, e como eu tenho preguiça, eu fico pensando em mil coisas pra saber se a idéia realmente vale à pena e se será melhor para o meu futuro. Eu já notei que é meio contraditória essa idéia de “ser melhor para o futuro”, pois se eu abandono o meu lado instintivo, abandonarei a vontade de viver e, portanto, me matarei, e se eu pretendo abandonar meu lado instintivo, significa que morrerei e que nada que eu faça agora tenha valor, portanto, poderei me matar desde já. Tal coisa eu não tenho coragem de fazer e, portanto, não abandonarei meu lado instintivo.
Já que eu não me matarei no futuro, preciso de chances de sobreviver e, por isso, preciso me esforçar para melhorar tais chances. Mas antes de eu tomar alguma atitude, minha preguiça faz com que eu pense mais e mais, e eu começo a lembrar dessas pessoas que sentem fome e sede toda hora, e penso, com tanta pessoa passando fome, não é egoísmo meu lutar pra ser feliz? Não é egoísmo meu esquecer o resto do mundo e apenas pensar na minha felicidade? Porque eu me sinto mal em sofrer, já que existe tanta gente sofrendo no mundo? Eu por acaso sou especial pra merecer a felicidade e eles não? E então eu desisto da idéia de mudar por preguiça.
Sim, por preguiça, pois sei muito bem que eu sofrendo não irá ajudá-los em nada, também sei que provavelmente, eles, como sofrem muito, não desejam isso para o seu próximo, e como eu sou o “próximo”, eles não desejariam isso pra mim, a menos que eu não fosse o próximo, e sim o ultimo, no caso, inimigo, e também, caso eu estivesse na boa, não iria ficar pensando em gente passando fome. Minha preguiça é muito maior, e eu sei o porquê tenho essa preguiça, tal coisa não irei comentar no blog pois é algo que eu ainda tenho que resolver, talvez um dia eu poste.
Eu, como humano, fico sensibilizado com tal situação, pois, me ponho no lugar daqueles que passa fome e repudio tal estado, de tal forma que faria qualquer coisa para mudá-lo, isso é um instinto de preservação de espécie. Mas sendo mais racional, com uma pitadinha de instinto com o objetivo de ver se há condições de mudar aquela situação, penso nos motivos que fazem aquelas pessoas passarem fome. O motivo é o sistema capitalista. O mesmo que produz pessoas cheias de glamour, riqueza, status, é o mesmo que produz muitas pessoas que passam fome diariamente, e isso é um baita de um problema.
O sistema capitalista valoriza os melhores e desvaloriza os piores, supondo que esse valor seja uma quantidade fixa e que o melhor e o pior tenham o mesmo valor, o capitalismo tira o valor do pior e passa para o melhor, de tal forma que quanto melhor a pessoa for, mais desvalorizada será uma pessoa que é pior. É o que acontece no caso do super glamour e da pobreza da áfrica. Teríamos que de fato, mudar o sistema. Amenizar esse instinto natural que todos temos pelos melhores e pensar que todos nós somos feitos das mesmas leis físicas, e por isso, somos iguais.
O problema é, realmente, estamos preparados para tal procedimento? Muitos afirmam que sim, com o socialismo. Mas eu, de acordo com o que eu conheço, não acredito que o socialismo, pelo menos por enquanto, seja a solução. Argumentarei sobre isso fazendo uma simulação. Se de fato nós conseguíssemos tirar o valor* das pessoas glamorosas
e passar para as que não tem glamour, ficariam todas as pessoas mais ou menos com a mesma situação de vida. Todo mundo com uma fonte de renda parecida e tudo mais, todo mundo feliz. O problema, de acordo com o que eu simulo na cabeça, chegará quando forem distribuir as coisas ruins que há na sociedade.
*O valor se refere também a dinheiro.
Nossa sociedade valoriza as coisas boas e por isso, esquecemos das ruins. Mas quem é que iria querer trabalhar como Delegado, fazendo Autópsia, cuidando da higiene de velhinhos, sendo lixeiro, cuidado de uma frigorífica, recolhendo os miolos dos mortos no meio da rua (como o documentário mostrou), trabalhando a noite em plantão, ou dirigindo uma ambulância, estando em contato direto com presos de um presídio com pouca segurança, entre outras coisas... Quem iria querer fazer isso?
Portanto, essas profissões iriam ser desvalorizadas, e por mais que tentemos igualar as pessoas, a mocinha com um código genético e uma criação mais delicada vai preferir cuidar dos velhinhos, enquanto o garoto com código genético com corpo de mais massa e com uma criação mais durona vai querer ser delegado. Isso já é seleção natural. Podemos ver seleção natural também na seleção para o namoro, as pessoas bonitas sairiam na frente, disparado. Então, cadê o direito que as pessoas feias têm de ser iguais as bonitas? E as pessoas bonitas iam ser certamente mais privilegiadas que as feias, isso é natural de todo o humano. Como mudar isso?
Não sei se no sistema socialista eles arrumaram um jeito de arrumar isso, pelo menos eu não vejo nenhum. Acredito que, a única solução para isso, seja a vinda da tecnologia, transformando a nossa sociedade mais em um centro racional do que evolutivo, pois a evolução trocaria de foco para a tecnologia. Eliminar feios e bonitos seria fácil, bastaria manipulação genética e plástica. Aumentar a segurança e robôs fariam um monte de trabalho, mas claro, como ninguém pode deixar de ser humano, haveria um principio mínimo de evolucionismo animal, mas de tal forma que se dê para tolerar e seja facilmente remediável com tecnologia.
Mas por enquanto, uma situação como essa seria impossível. Então temos que aceitar o fato de que há gente com muita chance de sobreviver, os fortes, e outras com poucas chances, os fracos. O que fazer?
Simplesmente eliminar os frascos da sociedade? Isso só aumentaria a velocidade da evolução, pois de qualquer forma, se eliminarmos os fracos, haverá só os fortes, mas dentre os fortes, há os fracos, e então também deveríamos eliminá-los para que só sobre os fortes, mas o ciclo se repetiria, pois ninguém é igual. E, ao afirmar que o fraco, de fato, é fraco, não estamos levando em consideração um humano agindo em seu potencial máximo e outros fatores externos que dão força ao fraco, de tal forma que poderia deixar um fraco forte, principalmente nos tempos de hoje, onde já há tecnologia para modificar uma pessoa fisicamente, até certo ponto.
Adquirir uma personalidade complexa é uma forma de se tornar forte, por exemplo, é por isso que existem tantas tribos, cada tribo atende a diferentes características genéticas e as salientam, e caso uma tribo fique muito lotada, cria-se uma derivada e equilibra-se o sistema de novo. Uma tribo é como se fosse uma pequena sociedade fechada, onde seus integrantes podem se relacionar emocionalmente. Um bom exemplo são os roqueiros e suas varias vertentes. Há também as pessoas que ficam flutuando nessas vertentes até achar uma que atinja bem o seu potencial para deixá-la com boas chances de sobreviver, e nesse caso, o fraco torna-se forte.
Outra coisa que eu pensei é que é necessária uma base para sustentar a sociedade, enquanto não podemos fazer essa base puramente de tecnologia, botamos pessoas lá, e essas pessoas são as mais fracas. Supondo que peguemos todas as pessoas de um grupo, déssemos valores a elas e as organizássemos baseada em alguma definição, e fizéssemos uma lista, a média da lista seria a soma do valor de todas as pessoas dividido pela quantidade de pessoas. Como a base tem que ser a maior, todas as pessoas abaixo da média entraria na base, as pessoas da média até 85% estariam no meio, e o restante dos 15% no topo. É algo como ter uma rainha, seus soldados e os ferreiros que fazem os soldados. Os ferreiros precisam proteger os soldados com o ferro, os soldados precisam lutar pela princesa e a princesa precisa tomar a decisão por todos, é algo mais ou menos assim, os piores servindo aos melhore em nome da sobrevivência do grupo.
E pra mim, a melhor alternativa seria essa, os piores servindo aos melhores, pois aumentaria as chances de sobrevivência do grupo. E é isso o que acontece hoje, na sociedade capitalista. Os piores são obrigados a trabalhar para sobreviver, trabalhando para os melhores, estes, por sua vez, tratam de fazer seleção natural para continuar a espécie. Mas a seleção natural aos poucos ta mudando de foco para a tecnologia, as indústrias, a fazer dinheiro na sociedade, pois dessa forma, põe a sociedade pra frente. O que mais me lamenta são os africanos passando fome, mas acredito ser conseqüência da proposta do sistema que expliquei a cima, tirar o valor dos piores e por nos melhores.
Eu já manifestei essa dúvida aqui, não sei se na seleção natural, os animais irracionais passam fome, eu ainda não sei, nem pesquisei, mas farei isso um dia. Bem, com isso amiguinhos, vou dormir, até outro dia, abraço pra todos.