terça-feira, 13 de outubro de 2020

Buscando um herdeiro

Durante sua vida, um homem produziu uma grande fortuna. Estando perto da morte, ele não queria que esta fortuna se perdesse. Ele teve dois filhos, porém um deles morreu e o outro lidava com a vida de maneira superficial. Ao que sobrou, ele deu apenas a superfície da sua fortuna. Preocupado, falou: Oh Deus! O que farei com esta grande fortuna? Não quero que ela se perca, mas não tenho a quem delegá-la. Então Deus disse: vá até a cidade e busque por um órfão, mas não qualquer um. Busque aquele que me busca e que não se satisfaz até me encontrar. Então o homem foi a cidade em busca dos órfãos. Lá anunciou: escutem, sou enviado por Deus para saciar aqueles que o buscam. Quem tiver o vazio em seus corações apresentem-se a mim, pois eu irei saciá-los. Logo muitos homens ajuntaram-se e a cada deles este homem deu uma pequena porção da sua fortuna, que para eles já era muito. Então os homens pararam de olhar para aquele que deu e começaram a olhar para a fortuna. Alguns a guardaram satisfeitos, outros pensavam em como obter mais e outros logo começaram a usufruí-las. No entanto, um deles indagou: você é mesmo enviado de Deus? Pois se for, responda-me, o que farei com esta fortuna? Isto aqui não saciará minha alma, pois o que busco de verdade é o Deus da vida. Foi assim que aquele que buscava um herdeiro o encontrou.

sábado, 10 de outubro de 2020

Exortação político-religiosa

A relação entre igreja e política partidária é uma das coisas mais prostituídas que há atualmente. A igreja deve ser mantida pela graça, pelo espírito santo, que se revela à nós através da leitura da bíblia, enquanto que o estado deve ser mantido através do monopólio da violência garantida pela constituição federal. Uma coisa é completamente contrária à outra. Misturá-las é uma promiscuidade que certamente envergonha o verdadeiro evangelho. É bem mais digno andar entre aqueles que, não conhecendo a Deus, buscam fazer o bem, embora falhem, que andar entre aqueles que, conhecendo a Deus, cedem ao desejo pecaminoso de suas almas pela segurança garantida pelo estado. Esta segurança, que deveria ser provida por Deus, enfraquece a fé e faz com que os templos se tornem obras humanas. Logo, para eles, a obra não será mais a do espírito, e sim das suas próprias mãos, recaindo em um sistema religioso, no mal sentido da palavra, de recompensas e punições, que não oferece salvação, mas sim uma prisão. Se o povo não tem mais onde se salvar, o que fará? Este é o início do fim, pois nada do que é de Deus se sustenta através da vontade pecaminosa da humanidade. Mas sabemos que Cristo renasceu e que sua vitória é certa, que a salvação está nele, e não nas palavras dos líderes religiosos. Alegremo-nos, portanto, nas aflições, e vivamos o verdadeiro evangelho.

quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna

Capítulo 1:
Introdução ao livro. Alguns princípios de observação para relação instituição comunidade foram instaladas. A primeira e a segunda dizem, respectivamente, que tanto a instituição influencia a comunidade quanto a comunidade influencia a instituição, no sentido que a primeira define os atores, regras, poderes, personagens da segunda e a segunda, através das suas escolhas, definem o contexto social que permite ou não a existência da primeira. Depois, foi discutido as formas como a instituição modifica a comunidade. Três formas foram destacadas: a constitucionalista, ou projeto institucional, que enfatiza o poder do projeto institucional como forma de moldar uma comunidade. A segunda é os fatores socioeconômicos como principias moldadores, vindo da tradição de Aristóteles, em que o bem estar social e econômico são predominantes. O terceiro, o sociocultural como principais moldadores, vindo da tradição de Platão, em que os governos variam de acordo com a disposição de seus cidadãos. Por fim, anunciou-se os métodos de investigação e as áreas da Itália que serão destacadas para o estudo.

Capítulo 2:
Criar uma nova instituição não significa criar um novo governo. Como se diz na França, "Vinho velho em garrafa nova". O processo de regionalização na Itália iniciou-se, mas precisa demonstrar sua consolidação. No começo, havia uma forte polarização política entre os partidos e eleitores, mas o processo de implementar políticas regionais fez com que partes opostas tivessem que governar juntas, o que diminuiu o índice de polarização. O norte, que tinha uma tradição mais de esquerda, conseguiu se adaptar melhor ao governo regional que o sul, com tradição mais de direita. Isto é constatado pelas pesquisas, que diz que os cidadãos acham o governo regional melhor que o central, embora rejeite a ambos, e que o sul é menos entusiasmada com o governo regional que o norte, embora ainda queira que ele funcione. É nítido, no entanto, que os governos regionais conseguiram ganhar força e autonomia, segundo conceitos mostrados no livro.

Capítulo 3:
No capítulo 3 são introduzidos alguns indicadores de eficiência governamental. Além disto, investiga-se várias causas do porquê os governos do norte apresentam desempenho superior aos do sul. Entre diversas hipóteses testadas, a mais promissora é que o povo do norte tem um espírito cívico mais acentuado que o sul. Hipóteses como educação ou consenso demonstraram não ter muita relevância na eficiência do governo. Vários parágrafos são utilizados para explicar o que é uma comunidade cívica e quais evidências levam a considerar que o norte apresenta tal caracterização. Estas evidências vão desde perfil de votação, à participação em atividades associativas e consumo de informações sobre o local. O sul, por outro lado, demonstrou evidências de ter relações clientelistas. Isto é, as pessoas associam-se verticalmente e com interesses próprios em relações mais pessoais do que institucionais.

Capítulo 4:
Neste capítulo o autor se dedica a definir o que é uma comunidade cívica. Após, começa a verificar no Norte da Itália os elementos que permitem demonstrar que existe indícios de formação de comunidades cívicas na Itália. Também demonstra que outros fatores que possivelmente poderiam colaborar para uma boa democracia, como educação, riqueza ou consenso político não são de fato significantes para este objetivo, acentuando que o fator predominante para a explicação dos bons governos é a comunidade cívica. À grosso modo, uma comunidade cívica é aquela em que seus cidadãos prezam pelas instituições como forma de apoio mútuo em contraste com o pensamento clientelista, onde as relações são construídas em torno do ganho pessoal. Além disso, também foi verificado que, embora sejam cívicas, a comunidade não deixa de ser politizada e que também o clientelismo consegue subsistir em meio a instituições formais como a democracia.

Capítulo 5:
É notório a diferença cultural entre o norte e o sul. Para explicar isto, este capítulo mergulha na história medieval da Itália. Nela, descobre-se que o sul da Itália foi reinada por um dos mais modernos estados monárquicos da época, altamente verticalizado, enquanto que o norte organizou-se em comunidades independentes e mais horizontais, pois havia uma cultura dos semelhantes se ajudarem. A partir daí, nota-se que o sul havia chegado no seu limite de crescimento, enquanto que o norte encontrava caminhos para crescer mais e mais, até a chegada das pestes na Europa, assim como outras instabilidades, que fizeram o norte fragmentar-se enquanto que o sul resistia, embora tendo a influência de outros países. Porém, a ética cívica do norte sobreviveu à isto e, após a unificação e democratização da Itália, o norte conseguiu ascender rapidamente enquanto que o sul, que também manteve suas relações servis e agora chamadas de clientelistas, teve dificuldades em construir governos eficientes. É preciso salientar que, embora não seja possível afirmar que apenas uma comunidade cívica seja suficiente para construir uma boa economia, é a experiência Italiana afirma que a comunidade cívica é um fator muito forte para tanto e que uma boa economia não implica em uma comunidade cívica.

Capítulo 6:
Entendido as origens da diferenciação entre norte e sul, este capítulo dedica-se a compreender o porquê tais diferenças persistem. Para isso, utilizou-se da teoria de jogos, principalmente do dilema do prisioneiro, para demonstrar que a solução ótima de um grupo em que não haja confiança prévia é desertar. Também utilizou a formulação de estado de Hobbies para afirmar que o estado é uma solução subótima à deserção do dilema do prisioneiro, pois ele age como uma terceira parte que evita a deserção. No entanto, também o estado se torna inconfiável neste cenário. Assim, a solução ótima é a comunidade cívica, onde cria-se o que foi chamado de "capital social", que é a capacidade que as pessoas tem de confiarem umas nas outras que irão cumprir os contratos sociais estabelecidos. Por outro lado, culturas que não hajam espaço para a produção de capital social tendem a não construí-lo e, portanto, a desconfiança é continuada. Assim, compreende-se que o norte conseguiu alcançar este estágio de capital social e se estabilizar nesta solução ótima enquanto que o sul não conseguiu e se estabilizou na solução subótima. Por fim, o autor lembrou que, através da introdução de um novo regime político, foi possível alterar o perfil das pessoas e, portanto, há esperança, mas que, provavelmente, também é preciso que haja uma mudança de dentro para fora para que a melhor solução para a democracia seja atingida.

domingo, 4 de outubro de 2020

Polarização e virtualização da jornada do herói

Introdução:
    Boa tarde a todos. Na última postagem eu trouxe uma importante incorporação a minha filosofia, que é a jornada do herói. Através disto tenho condições de falar de maneira genérica certos conceitos que, de outro modo, eu não conseguia expressar com exatidão. Um deles é adoração, o qual pretendo escrever um pouco mais na próxima postagem, mas também a jornada do herói permite fazer outras análises como no campo da política, por exemplo. Hoje trago dois importantes conceitos observados por mim, que é a polarização e a virtualização da jornada do herói. Provavelmente a academia já consiga identificar estes dois conceitos e expressá-los de outra maneira, ou mesmo através da jornada do herói. No entanto, por não conhecer e por querer deixar esses conceitos registrados no meu blog, vou escrever sobre eles. Para quem quiser acessar a última postagem, o link encontra-se no fim deste texto. No mais, estou lendo um livro interessante sobre o processo de democracia na Itália. Vamos ao primeiro conceito.

Polarização da jornada do herói
    Todo indivíduo, de alguma forma, relaciona-se com uma jornada do herói. Para aqueles que já não possuem a recompensa, eles são convidados a iniciar sua jornada em busca dela, já outros a recebem por herança. Porém, embora seja falado da jornada do herói de uma maneira abstrata, isto precisa encontrar um meio de materializar-se. A depender do que cada indivíduo constrói dentro de si, ele pode encontrar diferentes formas de materializar o mundo especial. Assim, alguns podem encontrar seu mundo especial de uma forma absolutamente particular e única, outros podem encontrá-la de maneira particular, mas que se repetem várias vezes na sociedade ou, ainda, outros podem encontrá-la de maneira coletiva. Quando um mundo especial é construído de maneira coletiva é que eu chamo de um “polo” da jornada do herói. Estas polaridades não necessariamente precisam ser duais, ou seja, se há um polo norte, há outro sul, se há um positivo, há outro negativo, mas também não é incomum que seja. É possível também que dois polos se destaquem e recrutem os demais para um determinado fim.

    Isto significa que um conjunto de indivíduos acessam um mundo especial no qual eles precisam completar uma missão de maneira coletiva e, para isto, eles utilizam técnicas coletivas para alcançar este fim. Muitas vezes este polo aponta para algum indivíduo em específico como aquele que vai completar a tarefa, e todos os outros indivíduos que participam indiretamente desta jornada estão para auxiliar este indivíduo principal a completar a sua tarefa, embora cada um deles, de maneira particular, terá que fazer sua própria jornada para alcançar este fim. Ou seja: não é que os indivíduos não precisem fazer a jornada, mas a recompensa que eles conquistam é utilizada por outro, na jornada do outro, para atingir um objetivo maior que irá ser a recompensa de todo aquele grupo. De certa forma, este líder também projeta valores e aspirações que cada indivíduo utiliza na sua própria jornada como forma de buscar a sua recompensa, e isto costuma ser o critério inconsciente que faz o centro deste polo ser este líder. Isto é muito visível em movimentos políticos que tem como principal técnica de coesão o populismo.

Virtualização da jornada do herói:
    A virtualização, por sua vez, é quando se constrói um ambiente virtual que simule uma jornada do herói para que quem estiver neste ambiente possa viver a jornada sem precisar arriscar-se de maneira real. Um bom exemplo disto são os videogames, no entanto, não se limita ai, pois livros, filmes ou músicas também podem ser considerados dispositivos de virtualização da jornada. Embora uma pessoa não viva a jornada de maneira real, a experiência que ela obtém no mundo virtual pode ser aproveitável numa futura jornada real. É como se houvesse uma pessoa mais velha ensinando a uma mais nova os perigos do mundo, e, portanto, este processo de virtualizar a jornada do herói não é algo dos nossos tempos. Porém, com o avanço da tecnologia das mídias, estamos alcançando níveis de virtualização que podem ser prejudiciais à sociedade, uma vez que se transforma este processo num produto a ser consumido e não numa pedagogia a amadurecer aquele por quem passa. Afinal, numa pedagogia, aplica-se virtualizações cada vez mais próxima da realidade, até que o aluno esteja pronto para superar o mestre e enfrentar a própria realidade.

    Algo interessante a ser observado é que o próprio processo de criar virtualizações pode ser, em si, uma jornada. Quando, por exemplo, um autor precisa sair do seu mundo comum, que é cotidiano, porém insatisfatório, para embarcar no mundo especial de construir uma história, onde ele passa por muitos dramas, pensamentos de desistir, busca amigos para ajudá-lo a completar a tarefa e as pessoas do mundo comum pode não entender o porquê ele está se desgastando tanto, para então ter uma narrativa concluída e impactante para sua comunidade, então este autor passou pelas etapas da própria jornada. Isto é, inclusive, abordado no livro de Vloger. Portanto, é possível observar casos heroicos na própria indústria do entretenimento, o que, de certa forma, mesmo essa indústria tendo como principal interesse o lucro, ela precisa da matéria-prima para contar algo de verdadeiro para as pessoas, do contrário as pessoas não se interessariam. Essa matéria-prima é possivelmente a recompensa da jornada heroica de alguém ou de um grupo de pessoas.

Conclusão:
    Como foi falado na postagem anterior, se uma pessoa é chamada para determinada jornada do herói, é porque há algo ali para ser aprendido. Assim, tanto no processo de virtualização quanto no processo de polarização, há um conjunto de valores ali para ser aprendido por uma ou mais pessoas, para que, através desse aprendizado, eles se tornem pessoas melhores para a sociedade. No entanto, como falado também na postagem anterior, nem toda jornada do herói é saudável. Aqui é possível ressaltar que tanto a polarização quanto a virtualização tornam-se nocivas à sociedade quando elas tornam as pessoas distantes da realidade, seja por estarem lutando contra um outro polo de maneira autodestrutiva. Quanto a este último tópico, também pretendo escrever um dia, pois ai entra a questão do sagrado. Enfim, amigos, com isto termino mais esta postagem. Abraços a todos.

https://barnabasspenser.blogspot.com/2020/09/a-incorporacao-da-jornada-do-heroi.html