Cada vez mais próximo da realidade
Olá amigos. Mais uma vez a postagem de hoje vem com um tema mais ou menos relacionado à minha vida pessoal. Como já explicado antes, eu estou na situação de estudante pré-vestibular. Isto implica dizer que todo meu investimento de esforço e dinheiro durante um ano se resume, a princípio, a passar no vestibular. Embora eu tenha outras vantagens em estar estudando novamente, passar ou não no vestibular é o resultado mais importante, e pensar nisto agregando uma grande quantidade de desejo a esse objetivo é um tanto aflitivo. Isto porque, caso eu não alcance meu objetivo, irei ficar extremamente insatisfeito. Porém, eu vinha me perguntando se é natural e saudável esta estrutura da sociedade, onde toda a satisfação de um indivíduo se resume a obter ou não algum objeto de desejo. Levando em consideração que eu acredito que ser evoluído é ter boa qualidade de vida, e parte da qualidade de vida se obtém através do exercício físico, a falta de tempo pra fazê-lo, devido ao vestibular, me incomoda bastante. Isto foi associado com este meu atual dilema sobre foco de desejo, então eu tive o seguinte insight: se após o vestibular eu tiver outra coisa importante, então eu também irei deixar de fazer exercícios físicos por causa disto? Ou seja, uma prova importante, um trabalho importante, uma reunião importante, etc. Foi através disto que eu observei que o que faltava ao meu conceito de evolução é prever o consumo, que é o que será feito agora.
Tensão evolutiva:
Já foi dito aqui que evoluir é aumentar as chances de sobrevivência e reprodução. É através disto que todo o processo de esforço para se tornar uma pessoa melhor é desenvolvido. Porém, é preciso observar a conseqüência de ser evoluído: Quanto mais evoluído se é, maiores as chances de sobreviver e reproduzir. Como estes dois últimos termos se traduzem em qualidade de vida, é possível observar que uma pessoa evoluída necessariamente deve ter isto. Porém, qual a finalidade da boa qualidade de vida? A resposta desta pergunta é análoga a resposta sobre o porquê evoluir: porque o humano foi feito para se sentir bem. Este se sentir bem pode ser tanto obtido através da evolução, do se sentir sempre melhor, como também através do consumo daquilo que se deseja, algo relacionado à qualidade de vida. Analisando a sobrevivência como o ato de produção, ou seja, algo que tem que dedicar esforço pra só depois ter recompensa, e o ato de reprodução como consumo, algo que pode ser consumido e traz sensação de bem-estar imediata, é possível perceber que deve haver um equilíbrio entre os dois aspectos. Tanto porque o humano precisa se sentir bem, como também porque o humano precisa conseguir produzir aquilo que o faz bem, já que nada é dado de graça na natureza.
Através desta conclusão, percebe-se que há uma dinâmica entre estas duas características da evolução que podem ser categorizadas para fins de estudo. Esta dinâmica será nomeada como Tensão evolutiva, já que ela determinará o quão estressado e a aflito será o estilo de vida de uma pessoa. Ela funciona da seguinte forma: quanto maior o esforço depositado a produção, maior será o nível de estresse de uma pessoa. Por outro lado, quanto maior o esforço no consumo, maior será a tendência dela desenvolver um comportamento parasitóide. O motivo pelo qual a produção sempre ser estressante, é porque ela, além de depender do esforço, também depende do conhecimento e de fatores externos bem difíceis de serem calculados. Isto põe o humano numa situação de difícil percepção se está ou não fazendo a coisa certa para alcançar seu objetivo, o que o faz focar toda sua atenção naquilo e ficar estressado. Um exemplo é o vestibular, ou a competição do mercado. Outro comentário é que, embora não pareça, o comportamento parasitóide, já explicado por mim em uma postagem anterior do blog, é tão cansativo e estressante quanto uma vida independente, porque ele prevê que a pessoa dependerá de outras para ter aquilo que lhe faz bem. Por isto, o ideal é o equilíbrio entre independência, através da própria produção, e do se sentir bem, através do próprio consumo.
Uma nova questão a ser abordada é a seguinte: qual o nível saudável de tensão evolutiva? Esta resposta é um tanto complicada, pois depende do panorama da vida e dos desejos da pessoa em questão. De forma geral, é possível assumir que uma tensão conscientizada é o saudável. Isto quer dizer que, se uma pessoa deseja coisas difíceis em relação à média geral da população, significa que ela irá ter que se esforçar para produzir mais que essa média para então poder aproveitar depois. Se uma pessoa quer somente consumir, mas tendo condições para isto, que o faça também. Um bom exemplo é a zona de conforto, local onde tudo aquilo que é produzido é consumido, e, portanto, não há melhora, apenas bons sentimentos e independência. Contudo, afim de evitar distúrbios, não é aconselhável uma tensão não consciente, que se exemplifica por alguém depositar todo seu desejo de produção em algo com baixíssimas chances de ser alcançado, e não se preparar psicologicamente para caso isto dê errado. Um bom modo de se preparar é perceber que não existe esforço inútil, pois todo esforço aplicado se transforma, no mínimo, em aprendizado para novas situações, sem contar com outros efeitos não calculados. Exemplo, estudar pra passar no vestibular e, mesmo não passando, aprender um bocado de coisa e saber que é capaz de aprender se quiser e tiver as condições. Ultimo detalhe interessante deste assunto: quanto mais forte a pessoa for, maior será sua resistência a tensão evolutiva. Lembrando que a força a qual estou falando se refere à falada no blog na postagem anterior.
Topografia social:
Na postagem passada eu escrevi sobre o comportamento de lastro, um conhecimento bem interessante que me permitiu entender alguns comportamentos antes um tanto complicados de serem definidos. Porém, após aplicar este conhecimento de forma mais profunda, eu observei algo mais interessante ainda: que o lastro, que é geralmente onde as pessoas esperam obter sua qualidade de vida, pode estar localizada em diversas áreas, e nisto se constitui uma propriedade interessante, a topografia social. Como explicado na postagem anterior, o lastro pode ser localizado em qualquer coisa que o humano possa valorizar ou obter qualidade de vida, e isto pode estar tanto no presente, quanto no futuro. Assim como existe o lastro positivo, existe o lastro negativo, e este se relaciona com as experiências ruins daquela pessoa e com as coisas que ela não espera ter qualidade de vida. Através destas duas informações é possível explicar uma enorme quantidade de comportamentos de uma pessoa em relação ao meio social, e quando observado em grupo, é possível perceber que pessoas que participam de grupos sociais semelhantes tendem a ter o lastro negativo e positivo voltado a locais parecidos. Sendo esta propriedade mais importante em se observar ao definir a localização dos lastros.
Esta coincidência na localização de lastros que faz as pessoas se aglomerarem em grupos, mesmo que de forma inconsciente, não é simplesmente por acaso. Ela segue o mesmo princípio do estudo social, que diz que a base de vida das pessoas é parecida, por isto elas tendem a tomar as mesmas decisões. Embora cada pessoa seja diferente, as pessoas de uma mesma classe econômica ou cultural têm a tendência de ter os lastros parecidos. É exemplo das tribos que se reúnem por um gosto musical, por um estilo de vida, por objetivos em comum, como se divertir em festas, pegar meninas, ou ganhar em algum jogo, dentre tantas outras características. De forma semelhante, existe a mesma chance de pessoas terem experiências semelhantes quanto ao lastro negativo, ou seja, não conseguir ter uma posição confortável na família, não conseguir uma boa posição nos grupos sociais da escola, ter experiências ruins com políticos, matemática, dentre outras coisas. São estes comportamentos, que tendem a surgir sistematicamente na vida das pessoas, que fazem elas terem determinada topografia social e a se aliar com pessoas parecidas com elas. Afinal, ambas desejam a mesma coisa, por isso se ajudam, e não gostam da mesma coisa, por isso se entendem e sabem como se agradar.
Quanto a localização do lastro de acordo com o tempo, esta é uma propriedade bastante interessante. Tendo em vista que o lastro é aquilo que se valoriza de alguma forma, se existem motivos para determinada pessoa valorizar seu presente, a tendência é que ela continue valorizando este presente. A partir daí, monta-se uma personalidade voltada para o consumo do presente, ou seja, buscando uma vida intensa e proveitosa. Normalmente as características que se observa neste quadro de estilo de vida são as relacionadas ao sexo, já que esta é uma das formas mais comuns que a maioria dos humanos encontra qualidade de vida de forma instantânea. É por isto, inclusive, que a cultura voltada à dinâmica das relações sexuais, que são as que falam de amor, traição, sensualidade, dentre outras, é tão forte, já que existe uma grande quantidade de pessoas com este tipo de lastro. Outras formas de lastro no presente é a diversão, competição, relações familiares, apreciação da arte e das experiências humanas, dentre outras. O tipo de personalidade de lastro voltada para o futuro normalmente são mais agressivas e intelectuais. O fato de esperar algo idealizado, que é um futuro melhor, faz as pessoas não perceberem o quão é difícil obter algum tipo de resultado. A intelectualidade é utilizada como uma forma de justificar como as coisas serão melhores. A agressividade é resultante da hostilidade com o presente, pois se esta pessoa teve que lastrear o futuro, significa que seu presente não é como ela gostaria. Músicas relacionadas ao poder e a sentimentos agressivos são comuns a este tipo de personalidade.
O lastro ao passado provavelmente é aquele tipo em que a pessoa costuma nutrir sentimentos nostálgicos e falta de valorização ao presente ou futuro. Costuma viver sem tensão evolutiva, provavelmente ocorre em pessoas com idade mais avançada. Determinar qual o lastro ideal para a evolução é semelhante a determinar qual a tensão evolutiva ideal: isto varia de pessoa para pessoa. Por motivos também parecidos, já que se o presente parece ser melhor que o futuro, que o valorize, e o vice-versa também é válido. Porém, do mesmo modo, é importante não valorizar demais apenas uma coisa com a finalidade de evitar distúrbios, pois todo presente precisa de um futuro, assim como todo futuro precisa de um presente. É importante observar mais uma propriedade interessante do lastro: quanto maior a distancia entre dois lastros, maior será a tendência de eles serem negativos um para o outro. Isto se justifica porque o humano tem a tendência de não valorizar aquilo em que ele é ruim, então se a pessoa se dedica muito para se tornar boa em uma coisa, a tendência é ela desvalorizar a outra, a qual ela não é boa. Isto traz outra observação importante: quanto mais madura sentimentalmente uma pessoa for, melhor ela saberá lidar com o lastro negativo. Pois, afinal, o lastro negativo é simplesmente uma questão de posição. Desqualificar alguém que siga um lastro a qual não se valoriza é algo totalmente desnecessário e não vantajoso, mas que muitas pessoas o fazem por não terem consciência sobre o que é importante para os humanos, que é se sentir bem.
Encerramento:
Enfim amigos, mais uma postagem sem revisão concluída. Foi muito interessantes estes dois temas, pois eles conseguiram reunir um monte de características importantes pra evolução e ainda aprofundar ainda mais seu conceito teórico. Agora só me resta por em prática estes conhecimentos pra ver se eles realmente são tão úteis quanto eu imagino. Sinto que meus conceitos estão cada vez mais próximos da realidade, e isto é interessante. Para quem quiser dá uma passadinha nas postagens que eu falei durante a postagem, aqui seguem os dois links: http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2011/11/aperfeicoando-os-conceitos-ola-amigos.html e http://www.barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/05/comportamento-de-lastro-e-forca-humana.html No mais, agora vou sair com meu amigo Bruno e o resto da noite pretendo escutar o novo cd do The Ting Tings com as letras traduzidas de lado. Abraços para todos e até a próxima postagem.