sábado, 26 de maio de 2012

Tensão evolutiva e topografia social

Cada vez mais próximo da realidade

Olá amigos. Mais uma vez a postagem de hoje vem com um tema mais ou menos relacionado à minha vida pessoal. Como já explicado antes, eu estou na situação de estudante pré-vestibular. Isto implica dizer que todo meu investimento de esforço e dinheiro durante um ano se resume, a princípio, a passar no vestibular. Embora eu tenha outras vantagens em estar estudando novamente, passar ou não no vestibular é o resultado mais importante, e pensar nisto agregando uma grande quantidade de desejo a esse objetivo é um tanto aflitivo. Isto porque, caso eu não alcance meu objetivo, irei ficar extremamente insatisfeito. Porém, eu vinha me perguntando se é natural e saudável esta estrutura da sociedade, onde toda a satisfação de um indivíduo se resume a obter ou não algum objeto de desejo. Levando em consideração que eu acredito que ser evoluído é ter boa qualidade de vida, e parte da qualidade de vida se obtém através do exercício físico, a falta de tempo pra fazê-lo, devido ao vestibular, me incomoda bastante. Isto foi associado com este meu atual dilema sobre foco de desejo, então eu tive o seguinte insight: se após o vestibular eu tiver outra coisa importante, então eu também irei deixar de fazer exercícios físicos por causa disto? Ou seja, uma prova importante, um trabalho importante, uma reunião importante, etc. Foi através disto que eu observei que o que faltava ao meu conceito de evolução é prever o consumo, que é o que será feito agora.

Tensão evolutiva:
Já foi dito aqui que evoluir é aumentar as chances de sobrevivência e reprodução. É através disto que todo o processo de esforço para se tornar uma pessoa melhor é desenvolvido. Porém, é preciso observar a conseqüência de ser evoluído: Quanto mais evoluído se é, maiores as chances de sobreviver e reproduzir. Como estes dois últimos termos se traduzem em qualidade de vida, é possível observar que uma pessoa evoluída necessariamente deve ter isto. Porém, qual a finalidade da boa qualidade de vida? A resposta desta pergunta é análoga a resposta sobre o porquê evoluir: porque o humano foi feito para se sentir bem. Este se sentir bem pode ser tanto obtido através da evolução, do se sentir sempre melhor, como também através do consumo daquilo que se deseja, algo relacionado à qualidade de vida. Analisando a sobrevivência como o ato de produção, ou seja, algo que tem que dedicar esforço pra só depois ter recompensa, e o ato de reprodução como consumo, algo que pode ser consumido e traz sensação de bem-estar imediata, é possível perceber que deve haver um equilíbrio entre os dois aspectos. Tanto porque o humano precisa se sentir bem, como também porque o humano precisa conseguir produzir aquilo que o faz bem, já que nada é dado de graça na natureza.

Através desta conclusão, percebe-se que há uma dinâmica entre estas duas características da evolução que podem ser categorizadas para fins de estudo. Esta dinâmica será nomeada como Tensão evolutiva, já que ela determinará o quão estressado e a aflito será o estilo de vida de uma pessoa. Ela funciona da seguinte forma: quanto maior o esforço depositado a produção, maior será o nível de estresse de uma pessoa. Por outro lado, quanto maior o esforço no consumo, maior será a tendência dela desenvolver um comportamento parasitóide. O motivo pelo qual a produção sempre ser estressante, é porque ela, além de depender do esforço, também depende do conhecimento e de fatores externos bem difíceis de serem calculados. Isto põe o humano numa situação de difícil percepção se está ou não fazendo a coisa certa para alcançar seu objetivo, o que o faz focar toda sua atenção naquilo e ficar estressado. Um exemplo é o vestibular, ou a competição do mercado. Outro comentário é que, embora não pareça, o comportamento parasitóide, já explicado por mim em uma postagem anterior do blog, é tão cansativo e estressante quanto uma vida independente, porque ele prevê que a pessoa dependerá de outras para ter aquilo que lhe faz bem. Por isto, o ideal é o equilíbrio entre independência, através da própria produção, e do se sentir bem, através do próprio consumo.

Uma nova questão a ser abordada é a seguinte: qual o nível saudável de tensão evolutiva? Esta resposta é um tanto complicada, pois depende do panorama da vida e dos desejos da pessoa em questão. De forma geral, é possível assumir que uma tensão conscientizada é o saudável. Isto quer dizer que, se uma pessoa deseja coisas difíceis em relação à média geral da população, significa que ela irá ter que se esforçar para produzir mais que essa média para então poder aproveitar depois. Se uma pessoa quer somente consumir, mas tendo condições para isto, que o faça também. Um bom exemplo é a zona de conforto, local onde tudo aquilo que é produzido é consumido, e, portanto, não há melhora, apenas bons sentimentos e independência. Contudo, afim de evitar distúrbios, não é aconselhável uma tensão não consciente, que se exemplifica por alguém depositar todo seu desejo de produção em algo com baixíssimas chances de ser alcançado, e não se preparar psicologicamente para caso isto dê errado. Um bom modo de se preparar é perceber que não existe esforço inútil, pois todo esforço aplicado se transforma, no mínimo, em aprendizado para novas situações, sem contar com outros efeitos não calculados. Exemplo, estudar pra passar no vestibular e, mesmo não passando, aprender um bocado de coisa e saber que é capaz de aprender se quiser e tiver as condições. Ultimo detalhe interessante deste assunto: quanto mais forte a pessoa for, maior será sua resistência a tensão evolutiva. Lembrando que a força a qual estou falando se refere à falada no blog na postagem anterior.

Topografia social:
Na postagem passada eu escrevi sobre o comportamento de lastro, um conhecimento bem interessante que me permitiu entender alguns comportamentos antes um tanto complicados de serem definidos. Porém, após aplicar este conhecimento de forma mais profunda, eu observei algo mais interessante ainda: que o lastro, que é geralmente onde as pessoas esperam obter sua qualidade de vida, pode estar localizada em diversas áreas, e nisto se constitui uma propriedade interessante, a topografia social. Como explicado na postagem anterior, o lastro pode ser localizado em qualquer coisa que o humano possa valorizar ou obter qualidade de vida, e isto pode estar tanto no presente, quanto no futuro. Assim como existe o lastro positivo, existe o lastro negativo, e este se relaciona com as experiências ruins daquela pessoa e com as coisas que ela não espera ter qualidade de vida. Através destas duas informações é possível explicar uma enorme quantidade de comportamentos de uma pessoa em relação ao meio social, e quando observado em grupo, é possível perceber que pessoas que participam de grupos sociais semelhantes tendem a ter o lastro negativo e positivo voltado a locais parecidos. Sendo esta propriedade mais importante em se observar ao definir a localização dos lastros.

Esta coincidência na localização de lastros que faz as pessoas se aglomerarem em grupos, mesmo que de forma inconsciente, não é simplesmente por acaso. Ela segue o mesmo princípio do estudo social, que diz que a base de vida das pessoas é parecida, por isto elas tendem a tomar as mesmas decisões. Embora cada pessoa seja diferente, as pessoas de uma mesma classe econômica ou cultural têm a tendência de ter os lastros parecidos. É exemplo das tribos que se reúnem por um gosto musical, por um estilo de vida, por objetivos em comum, como se divertir em festas, pegar meninas, ou ganhar em algum jogo, dentre tantas outras características. De forma semelhante, existe a mesma chance de pessoas terem experiências semelhantes quanto ao lastro negativo, ou seja, não conseguir ter uma posição confortável na família, não conseguir uma boa posição nos grupos sociais da escola, ter experiências ruins com políticos, matemática, dentre outras coisas. São estes comportamentos, que tendem a surgir sistematicamente na vida das pessoas, que fazem elas terem determinada topografia social e a se aliar com pessoas parecidas com elas. Afinal, ambas desejam a mesma coisa, por isso se ajudam, e não gostam da mesma coisa, por isso se entendem e sabem como se agradar.

Quanto a localização do lastro de acordo com o tempo, esta é uma propriedade bastante interessante. Tendo em vista que o lastro é aquilo que se valoriza de alguma forma, se existem motivos para determinada pessoa valorizar seu presente, a tendência é que ela continue valorizando este presente. A partir daí, monta-se uma personalidade voltada para o consumo do presente, ou seja, buscando uma vida intensa e proveitosa. Normalmente as características que se observa neste quadro de estilo de vida são as relacionadas ao sexo, já que esta é uma das formas mais comuns que a maioria dos humanos encontra qualidade de vida de forma instantânea. É por isto, inclusive, que a cultura voltada à dinâmica das relações sexuais, que são as que falam de amor, traição, sensualidade, dentre outras, é tão forte, já que existe uma grande quantidade de pessoas com este tipo de lastro. Outras formas de lastro no presente é a diversão, competição, relações familiares, apreciação da arte e das experiências humanas, dentre outras. O tipo de personalidade de lastro voltada para o futuro normalmente são mais agressivas e intelectuais. O fato de esperar algo idealizado, que é um futuro melhor, faz as pessoas não perceberem o quão é difícil obter algum tipo de resultado. A intelectualidade é utilizada como uma forma de justificar como as coisas serão melhores. A agressividade é resultante da hostilidade com o presente, pois se esta pessoa teve que lastrear o futuro, significa que seu presente não é como ela gostaria. Músicas relacionadas ao poder e a sentimentos agressivos são comuns a este tipo de personalidade.

O lastro ao passado provavelmente é aquele tipo em que a pessoa costuma nutrir sentimentos nostálgicos e falta de valorização ao presente ou futuro. Costuma viver sem tensão evolutiva, provavelmente ocorre em pessoas com idade mais avançada. Determinar qual o lastro ideal para a evolução é semelhante a determinar qual a tensão evolutiva ideal: isto varia de pessoa para pessoa. Por motivos também parecidos, já que se o presente parece ser melhor que o futuro, que o valorize, e o vice-versa também é válido. Porém, do mesmo modo, é importante não valorizar demais apenas uma coisa com a finalidade de evitar distúrbios, pois todo presente precisa de um futuro, assim como todo futuro precisa de um presente. É importante observar mais uma propriedade interessante do lastro: quanto maior a distancia entre dois lastros, maior será a tendência de eles serem negativos um para o outro. Isto se justifica porque o humano tem a tendência de não valorizar aquilo em que ele é ruim, então se a pessoa se dedica muito para se tornar boa em uma coisa, a tendência é ela desvalorizar a outra, a qual ela não é boa. Isto traz outra observação importante: quanto mais madura sentimentalmente uma pessoa for, melhor ela saberá lidar com o lastro negativo. Pois, afinal, o lastro negativo é simplesmente uma questão de posição. Desqualificar alguém que siga um lastro a qual não se valoriza é algo totalmente desnecessário e não vantajoso, mas que muitas pessoas o fazem por não terem consciência sobre o que é importante para os humanos, que é se sentir bem.

Encerramento:
Enfim amigos, mais uma postagem sem revisão concluída. Foi muito interessantes estes dois temas, pois eles conseguiram reunir um monte de características importantes pra evolução e ainda aprofundar ainda mais seu conceito teórico. Agora só me resta por em prática estes conhecimentos pra ver se eles realmente são tão úteis quanto eu imagino. Sinto que meus conceitos estão cada vez mais próximos da realidade, e isto é interessante. Para quem quiser dá uma passadinha nas postagens que eu falei durante a postagem, aqui seguem os dois links: http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2011/11/aperfeicoando-os-conceitos-ola-amigos.html e http://www.barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/05/comportamento-de-lastro-e-forca-humana.html No mais, agora vou sair com meu amigo Bruno e o resto da noite pretendo escutar o novo cd do The Ting Tings com as letras traduzidas de lado. Abraços para todos e até a próxima postagem.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Comportamento de lastro e força humana

 Novas observações

Olá amigos. Cá estou eu escrevendo novamente. Sinceramente minhas introduções voltaram a ser repetitivas, prova é que novamente sinto vontade de dizer que estou escrevendo com muita preguiça. Vou pensar sobre isso outra hora, porque agora é hora de escrever sobre uns temas que eu venho pensando há algum tempo e que são interessantes. Antes de continuar, devo dizer que minha lista de temas para escrever para o blog está enorme. Não sei exatamente se faço certo ao me desapegar do blog como eu ando fazendo. Sinto que fujo um pouco da natureza científica que me fez ser o que sou hoje, e eu gosto do que sou hoje pelo menos até agora. Sobre os temas de hoje, eu os produzi há algum tempo e estão se mostrando bastante interessantes para explicar alguns comportamentos humanos, e que novamente estão conectados a psicologia evolutiva. A cada dia que passa, eu venho me perguntando sobre qual é a real função da psicologia evolutiva na minha vida, e a resposta que ela é o conjunto de leis que organizam e dão sentido às minhas experiências e teorias humanas. Isto é, eu poderia saber tudo o que eu sei hoje sem ela, porém, de forma bem mais desorganizada e ineficiente. Enquanto der para sustentar ela, farei isto, porém, existe uma enorme quantidade de condutas práticas que precisam ser desenvolvidas por mim para eu finalmente chegar à fase adulta. Vamos à postagem de hoje, que foi nomeada com um conceito econômico que funciona de forma bastante análoga a este conhecimento.

Comportamento de lastro e conseqüências:
De modo geral, eu entendo que lastro pode ser definido como uma propriedade que as entidades que garantem que suas funções nunca fiquem abaixo de determinado limite. Em economia, exemplificamos como o papel-moeda, que a princípio não vale nada, mas passa a valer quando dá ao direito do seu possuidor a trocá-lo por ouro no banco na respectiva quantia. De modo geral, quando um existe lastro em um negocio, há garantias que ele irá trazer determinados resultados se começar a produzir, porém, existem situações em que não há a produção. É comum, nestes casos, os investidores ficarem atentos e buscarem formas da se iniciar ou continuar, pois só assim eles serão beneficiados. De forma análoga a isto os humanos administram suas relações, em um sistema que deriva das propriedades da psicologia evolutiva e que pode ser resumido através da forma como o instinto humano, através da imagem, calcula se vale ou não o investimento em determinado relacionamento.

Exemplificando, existem dois rapazes, um surfista e um skatista rockeiro. Ambos praticam esportes e possuem características físicas semelhantes, sendo o principal diferencial entre eles a imagem que ambos carregam de seu estilo de vida. O que fará a menina decidir por um ou por outro é justamente aquele que carrega a imagem que tenha as características que ela mais valoriza. Se ela escolheu o rockeiro porque ele apresenta um estilo de vida divertida e viva num ambiente que ela goste, mesmo que ele tenha os defeitos, ela irá fazer o que poder para melhorar isto e continuar com ele devido ao alto lastro que a imagem dele passa pra ela. Porém, qualquer defeito do surfista será motivo o suficiente para que ela não o escolha, afinal, ele não tem lastro nenhum com ela. Este comportamento de lastro se mostra bastante importante na dinâmica social, pois várias atitudes que um desconhecido tende a tomar com o outro são basicamente baseados nele. Em outras palavras, é o lastro que determina a quantidade de esforço que uma pessoa irá se dispor a gastar para fazer uma relação funcionar a princípio, ou continuar funcionando, se o lastro ainda existir.

Embora eu tenha exemplificado com a imagem, o lastro se expande a quaisquer características que uma pessoa possa desejar na outra. Isto surge devido à enorme capacidade de associação da mente humana, bem como com a capacidade de atribuir beleza a aquilo que ela considera importante, e de que esta importância varia de acordo com a linha de raciocínio. É preciso adiantar que este comportamento de lastro é bem instintivo, e ele tende ao positivo ou ao negativo devido estar relacionado diretamente com a quantidade de esforço que será depositada em determinada relação pelo instinto, e o modo que o instinto encontra para estimular ou não o esforço é através do desejo ou preguiça. Por isto que, diante de um lastro positivo, a pessoa busque formas de ver positivamente os aspectos negativos da outra, já que há o desejo que disponibiliza esforço para fazê-la melhorar ou buscar formas de contornar isto. Quando lastro negativo, não costuma haver desejo nenhum em iniciar aquela relação e quando ela é forçada a existir por outros fatores, surge à preguiça em mantê-la.

Existem duas conseqüências interessantes deste comportamento de lastro. A primeira está relacionada com o lastro positivo, e é bem simples: existe uma enorme probabilidade de um lastro extremamente alto se transformar em paixão. Pensando bem, a partir de agora eu posso assumir que a causa da paixão é o lastro extremamente alto. Essa é uma forma mais técnica de explicar a paixão. A segunda conseqüência é quanto o lastro negativo, e é um pouco mais complicada: quando uma pessoa sente lastro negativo pra outra, significa que há algo que ela não gosta naquela pessoa. Este algo normalmente é apenas uma imagem, e nem sempre esta imagem conduz totalmente com a realidade. Nestas situações, é comum haver a preguiça para verificar se a imagem é ou não correta, e através disto assume-se um preconceito, que irá fazer com que aquela pessoa busque ver a outra sempre de forma negativa. Este incentivo da preguiça e do lastro negativo fará com que sempre haja um comentário negativo que faça ela não gostar da outra, como exemplificado anteriormente, até que algo faça isso mudar.

Força humana
:
Há muito tempo eu venho refletindo sobre força humana. Não é raro encarar situações de competição onde determinado estilo de força conta mais, e então se chega a conclusão que força é algo relativo ao objetivo. O exemplo clássico é força intelectual e força física. De qualquer forma, sempre me pareceu que para obter estes dois ou quaisquer outros tipos de força, além de certa propensão genética ou característica de vida, fosse necessário algum tipo de esforço. Se levarmos em consideração que o esforço seja um fator a qual todas as pessoas têm condições de acesso, então, teoricamente, todas as pessoas podem ser fortes. Contudo, o que se vê por ai são pessoas que não buscam melhorar, e por isto se tornam fracas. Quando eu digo fracas neste contexto, quero dizer que elas não são tão boas quanto poderiam ser caso se desenvolvessem outro tipo de atitude. Em resumo, estou falando da força psicológica, que é diretamente relacionada à quantidade de esforço que alguém gasta para alcançar determinado objetivo.

Iniciei então as investigações para saber sobre de que se trata a força psicológica humana. Voltei então aos princípios da psicologia evolutiva. Se a força está relacionada diretamente ao desejo de fazer algo, então as propriedades do desejo podem ser aplicadas. Elas dizem que para que se desenvolva o desejo, a pessoa deve sentir sobre como algo irá aumentar suas chances de sobrevivência e reprodução para então desejar. A partir da propriedade do instinto influenciar o raciocínio e vice-versa, o conjunto de conhecimentos adquiridos por tal pessoa durante a vida estará diretamente relacionado com o que ela sente, e, portanto, deseja. Supondo que a pessoa já tenha um conjunto de experiências que a leve a desejar algo, chega-se então ao momento em que a pessoa move seus esforços para conquistar este algo. Se bem instruída, seu esforço irá trazer resultados e seu instinto irá se sentir satisfeito por possuir aquilo que deseja. Se não, ela provavelmente irá continuar a desejar, já que suas experiências de vida, que a fizeram desejar aquilo, não mudaram. Então, já que não consegue ter aquilo que deseja, todo o resto passa a não importar, então ela tende a não desenvolver esforço para fazer com que o que lhe sobrou se torne algo bom.

Porém, o que realmente importa aqui é o seguinte: o porquê o primeiro caso conseguiu aquilo que deseja e o segundo não conseguiu? De acordo com o princípio de que o humano só deseja aquilo que considera possível, ambos os casos presumiram que seria possível obter aquilo que deseja, mas somente no primeiro caso, de fato, foi possível. Se o segundo chegou a considerar que poderia possuir aquilo que deseja, e não conseguiu, pode-se chegar à conclusão que ela estava enganada quanto a sua realidade. É esta conclusão que é a principal constatação sobre de que é constituída a força humana: de conexão com a realidade. Nestes dois casos, aquela que estava mais conectada com a realidade desejou aquilo que realmente lhe é bom e lhe é possível, por isso obteve as melhoras de chances de sobreviver e reproduzir. A outra, que desejou aquilo que não é possível ou exige condições extremamente raras ou difíceis de serem obtidas e não teve consciência disto, simplesmente não obteve o que desejou porque a realidade não lhe permitiu, mesmo que ela pensasse ser possível. Isto aconteceu devido à falta de conexão com a realidade, que é basicamente o conhecimento sobre como as coisas funcionam e como o esforço pode produzir determinados resultados.

Entender de que é constituída a força humana é parte do processo para entendê-la de forma aprofundada. Outra questão importante é entender como ocorre à conexão com a realidade. Grande parte da experiência que uma pessoa carrega vem do relacionamento diário com as pessoas mais próximas delas, neste caso os pais ou os responsáveis. Sendo assim, parte da responsabilidade de conectar a criança a realidade vem dos pais, que tem o compromisso, para atingir esta finalidade, de explicar de forma coesa e simplificada como o mundo funciona. Porém, de fato, compreender a realidade, até para os adultos, é algo complicado. Não é raro ver visões erradas sendo transmitidas as crianças, que desenvolvem filosofias também erradas durante a adolescência e chegam à fase adulta cheia de conflitos a serem resolvidos em meio a um mundo de competição selvagem. Parte destes conflitos vem justamente do desejo não conectado a realidade, e destinado a não ser alcançado, que estes jovens desenvolvem por não ter uma filosofia que compreenda o mundo. Compreender, neste caso, significa entender que tipos de estímulos causam determinadas ações, o porquê, aceitar e saber utilizar e configurar isto a seu bem e desenvolver uma boa evolução. Através destes conhecimentos, o esforço será bem aplicado em mecanismos que realmente funcionem e tragam resultados, e através disto o desejo será alcançado.

A grande importância de ter o desejo alcançado é a de que o desejo é diretamente relacionada a evolução. Se a pessoa tem seu conjunto de desejos bem ordenados, significa que ela tem uma evolução bem ordenada. Isto fará com que ela sempre aplique seu esforço naquilo que realmente seja bom pra ela, e através disto ela irá construir chances de sobreviver e reproduzir bem sólidas e conscientes. Obviamente, o processo de evolução em si, que é se tornar melhor, por princípio, exige que ela explore ainda mais a realidade para construir coisas que seus pais não construíram. Porém, devido a conexão com a realidade já estar bem firmada, este aprofundamento será feito de forma orgânica e produtiva, pois a própria consciência da complexidade da realidade fará com que a pessoa assuma que haverá erros que precisarão ser corrigidos, conhecimentos que precisarão ser adquiridos e que nada vai dar certo de primeira. É esta compreensão e conexão com a realidade que faz uma pessoa se tornar forte em produzir aquilo que deseja. Fará ela escolher bem o que desejar, e alcançar boas chances de sobreviver e reproduzir. No vice-versa, quem não tem a conexão com a realidade estará fadada a ter a maioria do esforço não dando bons resultados. Ao não compreender isto, tentará culpar qualquer coisa menos a si própria, e não construirá boas chances de sobreviver e reproduzir.

Três fatores me motivaram a falar sobre isto hoje. O primeiro é eu me deparar com estas reflexões e situações durante o dia-a-dia. O segundo é a interessante semelhança que há entre o conceito que eu desenvolvo e entre o conceito de Nietzsche. Recentemente meu amigo Bruno tem lido, sintetizado e me explicando alguns conceitos sobre a força segundo Nietzsche. Foi a partir destas conversações que eu tive a percepção de que este era realmente um conceito importante a ser trabalhado. O terceiro foi que este conceito se relaciona com o princípio de pressões de expectativas internas e externas, escritas por mim há umas três postagens atrás. (http://www.barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/04/imersao-artistica-e-principios-das.html). O conceito de força se relaciona com este conceito porque a força interna, para agüentar o externo, é justamente esta força psicológica que se firma na conexão com a realidade.

Encerramento:
Enfim amigos. Hoje eu pretendia escrever mais um tema, mas não deu. Essa postagem já ficou longa, o texto sobre força humana ficou maior que eu previa, e já está na hora de ir dormir. Amanhã terei aula. Este foi mais um texto que eu começo no sábado e só termino no domingo. O primeiro talvez esteja cheia de erros porque eu escrevi enquanto conversava, mas a preguiça para corrigi-lo é grande. Próxima semana eu vou tentar trazer novos temas para o blog, pois meu bloco de notas ainda tem vários. Sem mais assuntos para o encerramento, boa noite para todos.