sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

Reflexões de fim de ano

 Até o próximo ano. Parece longe, neh?

Olá a todos. Esta será a última postagem do ano, e nela não virá nenhuma teoria consolidada, apenas reflexões mesmo. Na postagem passada, eu expliquei que gostaria de iniciar alguns projetos nas férias, e realmente iniciei. Comecei um novo blog dedicado a psicologia evolutiva e comecei a jogar dota com os amigos. São duas experiências bem interessantes, vou comentar sobre cada uma delas. Antes de começar, um pequeno aviso: não passei no vestibular. Pois é, de fato, não me dediquei de modo adequado, e isto era esperado. Agora, neste próximo ano, minha vida tomará rumos desconhecidos. É esquecer todas as expectativas e me adequar ao que a realidade me der, e assim viver bem.

Primeiro sobre o blog, que se encontra neste endereço: Iniciei aquele o novo blog, www.apsicologiaevolutiva.blogspot.com, sua construção está sendo bem interessante, e embora eu tenha preguiça de iniciar cada novo texto, eu estou conseguindo manter a objetividade de cada um deles. Só não sei como exatamente este blog ganhará acessos ou servirá a sociedade, de qualquer modo, este não é meu objetivo primário, pois ao ver o blog se concretizando, sinto que estou aprimorando ainda mais minha capacidade de fazer projetos, sendo este o objetivo primário. Quem sabe, um dia, usarei estas habilidades em algum trabalho. Além disto, quero me livrar de vez da responsabilidade de divulgação da teoria. Ela estando online e com acesso facilitado ao conteúdo, se não for utilizada pelas pessoas, é porque ela não tem estrutura para ser utilizada em nossa sociedade, ou falta-me o conhecimento para estruturá-la de modo adequado, em ambos os casos, não posso fazer nada.

Agora vamos falar sobre o DotA, que é uma experiência muito interessante. Certamente um dia irei formalizar, neste blog, apenas para os fins de estudo próprio, as experiências adquiridas ao jogar dota. A guerra, seja lá qual for, é algo bem interessante. É um conjunto de sistemas que servem aos dois lados de batalha, e que cada lado tenta explorar ao máximo de modo a alcançar um resultado. Este resultado garante muita bonificação, e, sendo, portanto, o alvo de desejo. Estou falando sobre um conjunto de sistemas porque enquanto há o próprio dota, que é o jogo em si com regras delimitadas, há também os mecanismos que fazem o jogador aprender a jogar dota. Enquanto uns utilizam sites de ajuda, outros fazem testes durante o jogo, e outros seguem o conselho dos amigos, e além disto, alguns encontram amigos que sabem ensinar melhor que outros, usam sites melhores, ou tem sorte de iniciar com um personagem adequado a iniciantes.

Toda esta complexidade em aprendizagem se dá devido a riqueza de funções do jogo, que convergem a um objetivo: ganhar o game. Portanto, enquanto determinadas pessoas demoram uns dois meses para se adequar bem a determinada área, outras se dedicam a outras áreas. Quando ocorre o duelo entre duas pessoas, o que está sendo confrontado também é isto: qual delas escolheu, através de sua percepção, o sistema que trás mais resultado. Agora, imaginem isto numa guerra na realidade: pessoas duelando e explorando a realidade ao máximo em busca de formas de alcançar determinados resultados. Além disto, a pressão psicológica de quando não se conhece o inimigo, se ele está melhor que você, também faz parte da guerra. É algo bem complicado, que exige o máximo de esforço e de conhecimento para vencer.

Isto me lembra o big brother Brasil. Muitas pessoas o acham ruim, mas ele é uma zona de combate bem interessante. Cada participante sabe que realmente pode ganhar uma alta premiação, que mudará suas vidas. Ao entrarem no cenário do big brother, eles sabem que para vencer tem que fazer duas coisas: agradar ao publico e evitar o paredão. Para agradar ao publico, eles utilizam seus pré-conhecimentos sobre a sociedade a natureza humana para construir suas personalidades, para que com ela traga bom sentimento ao publico, embora eles não saibam se realmente estão ou não fazendo isto. A única situação que lhes dá informação sobre isto é o paredão, mas é um risco enorme entrar nele. Quanto a evitar os paredões, existem métodos bons e métodos ruins, e a escolha destes métodos irá ser sentido pelo publico e pelas pessoas da casa. Quanto as pessoas da casa, há mais informações, mas elas não são realmente o que interessam.

Já deu pra sentir a pressão, hein? Muitas pessoas não entendem isto. Bem, este tipo de pressão também pode ser sentido nos vestibulares, seleções de emprego ou em disputas de conquista de pessoas, como dois homens disputando por uma mulher. É muito aconselhável desenvolver conhecimentos para agüentar a pressão psicológica nestes tipos de ambientes, tanto quando o resultado for negativo como também negativo. A vida humana se tornou um conjunto de sistemas muito louco em que todas as pessoas estão inseridas e aprendendo a cada ano que vive, por isto merecem nosso respeito, mesmo quando não parecem produzir bons resultados em determinadas áreas. No fim, devemos nos contentar com aquilo que nosso esforço trás, pois, embora o sistema converge para um mesmo lugar, tudo pode ser resumido à sorte: sorte de ter nascido em boa posição da sociedade ou boa genética, sorte de ter conhecido as pessoas certas, sorte de ter aprendendo corretamente tudo aquilo que a vida tem a ensinar.

Enfim amigos, como ultima reflexão, meus blogs. O psicologia evolutiva, como falei, está meio sem expectativa de utilização, mas vou terminá-lo por dois motivos: primeiro, me focar menos na psicologia evolutiva em si, para me focar em outros projetos diretamente ligados na minha vida, e segundo: é bonitinho ver um projeto terminado, adoro olhar pro  meu livro as vezes, além disso, vou aprender a ter paciência para concretização de projetos além de outras coisas, assim espero. No mais, desculpem-me a falta de revisão e abraço a todos.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Falsidade e Aversão Sexual

Envolvimento de verdades e mentiras

Introdução:
Olá amigos. Cá estou eu escrevendo novamente, com a mesma preguiça de sempre. Então vamos às novidades: continuo na mesma situação apresentada na postagem anterior. Talvez ainda essa semana eu saia de férias, e então o tédio irá agravar, o que aumenta ainda mais minha necessidade de me envolver em alguma atividade. Estou pensando em voltar a escrever meu romance, Caçadores de Chuva, como forma de ocupar o tempo com algo que traga bons conhecimentos sobre produção artística. Também pondero começar a jogar Dota – ou algum outro de mesma classe -, que devido ao seu formato de “esporte eletrônico” me fará ter a oportunidade de socialização e de praticar temas como tática e estratégia em grupo, mas terei que investir algum tempo pra conhecer o jogo em si antes. Provavelmente posso fazer os dois ao mesmo tempo, mas será difícil manter a disciplina necessária para concluir o projeto do livro, que será, provavelmente, meio forçado devido ao distanciamento com o instinto. Outra possibilidade bem distante seria eu criar um site específico para os assuntos da psicologia evolutiva. Seria algo no formato colaborativo e com layout estruturado, pois imagino algo onde todos possam opinar e a estrutura me ajudaria, inclusive, a ter controle do que já foi construído, pois eu estou perdendo este controle no blog já que eu esqueço sobre o que eu já escrevi ou não. Bem, vamos à postagem.

A mecânica da falsidade:
Analisar o comportamento da falsidade será uma coisa muito positiva para a psicologia evolutiva, pois há relatos de várias pessoas que convivem com isto cotidianamente ou simples já presenciaram. A definição de falsidade pode ser dada como aquele comportamento que se esforça para aparentar alguma posição instintiva que não condiz com a realidade. A princípio esta classificação é bem simples, mas ao observar o contexto que a falsidade surge no cotidiano das pessoas, nota-se que as causas de sua existência e o modo como se manifestam varia, segundo os dados recolhidos, entre dois grupos: o de indução grupal e o de indução individual.

O grupo de falsidade por indução grupal surge quando há um sentimento ruim, como inveja ou raiva, de um indivíduo para o outro ou entre eles, mas a situação social em que estes dois se encontram obriga-os a se relacionarem para obter vantagens em suas zonas de conforto. Exemplo: uma pessoa, por algum motivo, tem raiva de outra, porém, esta outra também beneficia o grupo que a primeira pessoa participa. Deste modo, o grupo prefira ter as duas, mesmo que não se entendendo, do que ter apenas uma. Estar no grupo e conviver com a raiva, sendo, portanto, falsa, é considerado mais vantajoso por ela que criar um conflito com a pessoa alvo da raiva, pois ele pode criar uma sensação de desconforto no grupo, fazendo-o responder, ou com indiferença, ou de forma negativa.

Este comportamento pode chegar num nível tão acentuado que em certas ocasiões, quando necessário, uma pessoa chega a fingir ter uma proximidade com aquela que ela sente raiva para obter certo resultado. Por exemplo, uma pessoa sente raiva da outra, mas é obrigada a fingir que é próxima a ela para passar uma imagem de grupo unido, coisa que por ser uma característica que o avaliador valoriza, aumenta as chances de o grupo ser escolhido e todos se beneficiarem. Outro exemplo é um funcionário que evita conflito com alguém de seu trabalho que o irrita, apenas para o chefe não adquirir uma imagem ruim dele ou não atrapalhar a produtividade de sua função. Além do sentimento de raiva, outros sentimentos podem se manifestar no comportamento da falsidade, como a inveja, o ciúme e o medo.

O grupo de falsidade por indução individual ocorre de modo muito semelhante ao da indução grupal. A diferença é que enquanto o primeiro a relação do grupo que impõe as vantagens da falsidade, neste caso, é a relação dos próprios indivíduos. Ou seja, ela ocorre sempre que é mais vantajoso estar com alguém, mesmo não gostando de alguns aspectos desta pessoa, mas fingir gostar para agradá-la, do que falar a verdade e correr o risco de perder a aquela relação. Exemplo: um amigo sente inveja da conquista do outro, mas sabe que continuar a amizade será mais vantajoso que rompê-la apenas por causa do sentimento. É bem visível neste caso que a falsidade ocorre não porque não se gosta da pessoa, mas porque ela gera sentimentos ruins. Isto é uma observação importante para aprender a lidar com isto.

Sinceramente, não sei se a separação da falsidade em dois subgrupos será muito proveitosa, porém, prejudicial não há de ser. Como em todas as postagens que costumam falar sobre distúrbios são seguidas por algumas soluções que tentam ao menos amenizar o problema, agora vamos sobre o que se deve trabalhar para solucionar a falsidade: é muito comum as pessoas dizerem “eu não gosto de alguém”, contudo, é importante lembrar que na verdade, o que não se gosta é de determinada característica deste alguém, e que sem esta característica, aquela pessoa se tornará tão neutra quanto às outras. Se alguma característica trás sentimento ruim, é necessário verificar o porquê disto para evitar tal sentimento. Cada sentimento indica uma coisa, porém, como o foco da postagem não é esse, quem se interessar pode procurar no blog por meu livro, lá haverá maiores explicações disso. De forma genérica, é possível adiantar que a causa da maioria dos sentimentos ruins é a falta de consciência da realidade.

Aversão sexual:
Durante minhas observações do dia-a-dia, notei um comportamento bem interessante. Trata-se de uma aversão que algumas pessoas sentem quanto alguns comportamentos sexuais, como, por exemplo, o homossexualismo e o sexo em grupo. Em alguns casos, esta aversão chega a ser tão forte que estas pessoas iniciam até mesmo uma campanha contra tal comportamento com aqueles que sentem a mesma coisa. A princípio, tais práticas sexuais não podem ser consideradas um distúrbio, já que sexo oferece qualidade de vida, e é apenas considerado como distúrbio aquilo que prejudica o bem-estar humano. Portanto, iniciar uma campanha contra as práticas sexuais pode ser algo bastante prejudicial, pois pode gerar uma serie de distúrbios que podem diminuir a qualidade de vida dos envolvidos. O surgimento deste sentimento de aversão é algo particularmente curioso, pois se o humano sente algo, significa que aquilo está o afetando de alguma maneira, e o tipo de sentimento indica como. Neste caso, iremos investigar o porquê de práticas sexuais exercidas por outros afetam a alguém.

Antes de explicarmos o que causa este tipo de sentimentos, será interessante, primeiro, entender as diferentes funções do sexo observadas pela psicologia evolutiva até agora. A função primária do sexo é a reprodutiva, tendo o prazer sexual surgido como forma de fazer os humanos buscarem este e ato e os gratificar. Porém, o prazer sexual começou a ser utilizado como forma de aumentar a qualidade de vida, vindo, portanto, a função secundária do sexo. Algumas pessoas começaram a utilizar o sexo para também obter maiores chances de sobreviver, e fazem isto quando tem recursos para criar uma imagem que faça a maioria do sexo oposto desejar, podendo, assim, selecionar aquele com poder o suficiente para bancar suas chances de sobrevivência. Esta pode ser considerada como mais uma função sexual, a terceira, e esta terceira função tem o agente que produz a imagem sedutora, e o agente que provém às chances de sobrevivência.

Estas diferenças de funções surgiram através da re-estruturação social causada pelo desenvolvimento tecnológico juntamente com a propriedade do humano modificar o raciocínio e vice-versa. É também devido a esta propriedade que as práticas sexuais podem variar muito de uma pessoa a outra, tendo uma ou outra forma mais valorizada por acumular maior valor instintivo, ou, em outros casos, se mostra necessário ter o suporte psicológico para conseguir apreciar as diferentes formas de maneira saudável. Tal suporte psicológico pode ser resumido como a consciência de que tipo de resultados, que neste caso pode significar qualidades ou sentimentos, aquela pessoa consegue produzir, e se estes resultados irão trazer o que se espera conseguir com o sexo, ou seja, se ela é ou não capaz de executar a função proposta naquela atividade sexual. Por exemplo, no sexo grupal, é necessário que haja certo desapego ou muita segurança nos envolvidos no ato sexual, para evitar o ciúme excessivo a ponto de tirar o prazer da prática, ter consciência de que tipo de imagem isto irá transmitir aos próximos e segurança de que os resultados daquela pratica não atrapalhem as outras atividades da vida.

A maior causa das aversões sexuais, segundo o que observado até agora, é a mistura de valores entre as funções sexuais. Uma das formas: o modo de encarar o sexo da pessoa que valoriza a segunda função pode se tornar prejudicial aos objetivos que uma pessoa que valoriza a terceira função do sexo tem, por exemplo: a segunda vive em um ambiente mais descontraído, onde as pessoas se preocupam com valores simples e por isto desfrutam do sexo como qualidade de vida, já a terceira vive num ambiente mais competitivo, onde o sexo é utilizado como uma arma instintiva para obter vantagens de sobrevivência. Desta forma, se expor a alguma atividade sexual que possa comprometer tal imagem é algo que pode ser muito prejudicial, pois as concorrentes irão utilizar qualquer resultado ruim como parte da justificativa de que são melhores que aquela que se expôs, e o alvo, a pessoa poderosa que as concorrentes desejam, pode se convencer disto. É este conjunto de perigo que causa a aversão, o que provavelmente é assemelha a um medo mal definido, ao instinto desta pessoa. Além disto, se esta pessoa estiver em um ambiente em que a maioria das pessoas quer apenas em curtir, provavelmente ela irá se sentir aversão a aquela situação.

Outra forma observada que ocorre o sentimento de aversão é quando se observa um sistema do qual uma pessoa, a que sente aversão, não pode participar, mesmo sentindo desejo. Isto ocorre geralmente quando uma pessoa com baixo poder instintivo ou sem suporte psicológico se envolve em um ambiente com pessoas de alto poder instintivo e em plenas atividades de negociação sexual. Ao perceber que não irá poder aproveitar nada daquele ambiente, e que as pessoas negociam utilizando armas bem instintivas bem mais poderosas que a dela, a tendência é que ela sinta um sentimento de aversão, provavelmente algum tipo de tristeza por não ter o poder instintivo necessário para obter as chances de sobreviver ou reproduzir que deseja. Outro sentimento de aversão interessante e bem conhecido é o sentimento daqueles que valorizam a primeira função, e vêem no homossexualismo ou em outras práticas sexuais que parecem ignorar a importância do bem-estar familiar e da reprodução, um risco a continuidade de sua família. É este, provavelmente, o precursor da homofobia.

Resolver os distúrbios de aversão sexual requer bastante autoconhecimento e o conhecimento do porque das coisas. É desta forma que se investe esforço o suficiente para atingir as práticas sexuais que se deseja, e que estão dentro dos limites reais e saudáveis, para aumentar a qualidade de vida, além de ter consciência que se precisa apenas disto, e não de tudo o que os diferentes níveis que se apresentam na sociedade parecem dar. A categorização das funções sexuais foi feitas aqui para fins de estudo, porém, na realidade, o que podemos observar é que cada pessoa tem estes conceitos misturados de forma muito imprevisível às práticas sexuais. É por isto também que analisar e resolver distúrbios se torna algo mais complicado e menos previsível, pois, devido à propriedade do raciocínio modificar o instinto e vice-versa, é necessário demonstrar os argumentos que demonstrem que a filosofia mal formulada, causadora do distúrbio, não precisa ser sustentada.

Encerramento:
Enfim amigos, espero que tenham compreendido estes dois conhecimentos que eu tentei passar. Sinceramente, estou sem a menor paciência pra revisar agora, passei o dia todinho com o word aberto escrevendo sobre aversão sexual, e metade do dia anterior escrevendo sobre falsidade, farei isso próxima semana, talvez. Não sei se este tipo de texto demora mesmo pra ser escrito e eu to meio desmotivado a escrever ou se é falta de técnica minha, além disto, estou um tanto confuso quanto a minha forma de comunicação das teorias. To achando ela muito formal e desnecessária, pois não conta com a precisão técnica, afinal, minhas teorias não são tão bem estruturadas assim, e se torna algo bem confuso para quaisquer outros leitores. Isto me incomoda porque a função dos textos é comunicar, e utilizar um vocabulário complexo sem se comunicar bem de nada adianta. Tirando essa parte quanto a que vocábulo utilizar nos textos de teoria, acredito estar me comunicando bem, tanto é que eu fui bem elogiado por meus amigos no último texto narrativo que eu fiz, que pode ser vista na postagem anterior a esta. Tirando o vocabulário, a gramática é uma coisa que eu também preciso aperfeiçoar um pouco. Sinto vontade de assistir aulas especificas de português novamente, talvez eu até o faça em algum momento da minha vida. Será interessante. Abraços a todos e até a próxima postagem.

sábado, 10 de dezembro de 2011

O viver em uma hora - O livro do fim do mundo

Olá a todos. Faz algumas semanas que eu não atualizo o blog porque ando um pouco ocupado consumindo alguns jogos, vídeos, e o livro. Mas esta minha temporada de consumo parece já estar acabando, porque eu não estou com a menor paciência de dedicar muito tempo aos jogos, o livro eu só leio a noite, e os vídeos que estou assistindo são de canais que lançam um ou dois por dia. São apenas estas as novidades do cotidiano, e quanto as postagens aqui nos blogs, eu provavelmente tenho bons assuntos pra postar, mas ainda não dediquei um tempo pra produzi-los. Hoje a postagem será um pouco diferente da temática padrão do blog. É uma pequena história que eu criei para o site O livro do fim do mundo (se quiser curtir no facebook: http://www.olivrodofimdomundo.com.br/ler/366/o-viver-em-uma-hora), que tem como proposta fazer um livro com os contos escritos pelos próprios leitores, definindo apenas algumas regras básicas de organização e ambientação, sendo a principal: seu personagem descobrirá que o mundo irá acabar dali a uma hora às 16:15 (horário de Brasilía) do dia 12/12/2012, portanto, o mundo acabará às 17:15, e a causa do fim não pode ser especificada. Dentro desta proposta eu desenvolvi a história que segue dentro de uns dois ou três dias. A postagem hoje será apenas isto, espero que apreciem, abraços e até a próxima.

 O viver em uma hora

Abri os olhos como se tivesse despertado de um terrível pesadelo, mas não era apenas isso. Nele havia o algo misterioso que faz nossas mentes diferenciarem as ilusões da realidade. Ele é real, e o mundo irá acabar daqui à uma hora. Sentei-me no sofá sem esboçar nenhuma outra expressão facial além daquela que busca não acreditar naquilo que sua mente acabará de descobrir: o mundo irá acabar em menos de uma hora a partir de agora.

Levei minhas mãos à cabeça, talvez uma tentativa de não fazê-la explodir, talvez uma tentativa desnecessária, pois os pensamentos começam a se atropelar de tal forma que não consigo concluir nenhum deles. Meus pais? Meus amigos? Meus projetos? Droga! Nem ao menos tive tempo de ter uma família, ter uma esposa. Não! Preciso fazer alguma coisa. Mas o que? Não importa, preciso fazer alguma coisa.

Contar a alguém? Ninguém acreditará na minha verdade, e mesmo se acreditassem, não há nada que possa ser feito para evitar este fim. Ele virá, algo programou minha mente a não acreditar em outro destino. Que outra coisa eu faria? Fazer aquilo que sempre desejei? Construir uma família, aprender a atirar, criar um universo de RPG, gerenciar um projeto que ajude o mundo. Nada disto pode ser feito em menos de uma hora.

Não é que eu deseje apenas coisas trabalhosas, mas tento mantê-las em prioridade na minha mente. Existe uma ou outra coisa que possa ser realizada a curto prazo com os devidos recursos ou a devida sorte, mas estas eu apenas espero acontecer, e quando acontecem, as aprecio adequadamente. São coisas simples: um bom lugar, uma boa comida, disputas amigáveis e competitivas, filmes, músicas, pessoas.

Mas nenhum destes prazeres mundanos parecem ter sentido agora, nem mesmo o beijo de uma agradável mulher. O mundo irá acabar, merda! Olhei a minha volta, apenas minha sala, com o televisor, sofá, computador, varanda, tapete pendurado na parede. Este tapete me custou uma nota e é incrivelmente bonito e confortável. Tirei-o da parede e o puis no chão, deitei-me nele. Sei que isto não faz o menor sentido, e todo meu prazer se converte em dor ao lembrar que o mundo vai acabar. Preciso fazer alguma outra coisa, vou buscar isto em outro lugar.

Levantei-me pra ir à rua e logo cheguei a ela. Toda aquela vida pulsava de forma tão harmoniosa, seguindo todas as leis e condutas sociais construídas através dos milênios de desenvolvimento tecnológicas. O direito a expressão, a liberdade, a igualdade, tudo se desenvolvendo junto com a imprensa, a eletricidade, a computação. Ao mesmo tempo tudo tão caótico na cabeça destas pessoas, cercadas por seus problemas, desafios, qualidades, construções, prazeres, dilemas, defeitos, conhecimentos, amores, medos. Cada uma delas se esforçando para fazer o melhor que sua realidade a permite e se adequando ao fluxo da vida.

Eu perdi as forças das pernas e sentei no chão da calçada num rápido movimento sem jeito. Meus olhos já lacrimejavam ao perceber a interrupção do desenvolvimento coletivo e individual da sociedade. Nada restará! Todo e qualquer esforço se perderá completamente. Isto certamente é o pior de todos os cenários humanos, pois mesmo aqueles que morrem na pior das circunstâncias deixavam algum legado para a sociedade, alguma prova de sua existência no universo. Foi inevitável deixar algumas gotas de lágrima cair dos meus olhos.

Em volta observei as pessoas seguindo pela calçada. Elas percebiam minha situação e pareciam querer ajudar, mas o estilo de vida atarefado destas pessoas as fazia não ter disposição para ajudar um desconhecido. Sei disto pois já passei por esta situação, vendo as pessoas com problemas mas estando ocupado de mais melhorando minha vida que já poderia ser considerada boa. Agora nada do que foi construído por mim poderá ser usado para diminuir este sofrimento, logo ele que sempre me fora útil para mostrar onde eu deveria melhorar para evitá-lo, mas neste caso, de que adianta sofrer tanto? Nada mudará o final.

Levantei-me novamente, enxuguei as lágrimas, limpei a mente. Não há muito o que fazer, vou apenas andar. Peguei a chave do carro e comecei a dirigir pela cidade. Desviei minha atenção da pista e verifiquei no celular que já havia passado quinze minutos desde que o fim me foi revelado. Ao voltar minha atenção para pista novamente, percebi uma mulher com o mesmo olhar desesperado que o meu há alguns minutos atrás. Parei o carro imediatamente provocando o susto e as buzinas de muitos motoristas, desci e fui em direção a ela.
- Você está bem?
É bonita o suficiente para eu me apaixonar caso descubra que ela é uma boa pessoa. Ela balançou a cabeça como quem tenta afastar alguns pensamentos, ou pô-los no lugar.
- Não sei... Não há como saber, ou o que fazer.
Demorou alguns instantes para perceber o que eu fizera por ela, foi quando ela tomou a iniciativa do diálogo.
- Quem é você? Porque quer saber sobre mim?
Os carros ainda buzinam, preciso saber se o fim também foi relevado a ela.
- Te foi revelado algo hoje que mudou sua vida?
- Sim.
- O fim?
- A você também?
- A mim também. Isto é confuso, não? Suba no carro, vamos conversar.
Ela aceitou meu convite imediatamente. Ao entrar no carro, não mais me sentia solitário por ser o único a ter percebido o fim. Sentia que agora estava conectado a alguém neste evento tão extraordinário, e imagino que ela também sentia isto.

Um pouco após ter dado partida no carro, começa o nosso diálogo.
- Então você também sente o fim?
- Sim. Estava em casa quando ele me foi revelado. Foi algo absurdamente estranho, solitário, desesperador. Demorei pra processar e me acostumar a esta nova realidade.
Ela deu um longo suspiro.
- Ainda estou tentando me acostumar, mas se quer saber, não sei se vale o esforço já que nos restam apenas uns quarenta minutos. Descobri enquanto estava atendendo uma cliente lá na loja de roupas em que trabalho. Foi algo que invadiu minha cabeça e eu apenas sentei e chorei. A atenção de todos voltou-se a mim, ofereceram-me água e perguntaram o que era, se havia algo que podia ser feito. Foi assim que eu percebi que apenas eu senti isso, foi quando eu me senti tão sozinha... Saí de lá e tava indo pra casa, quando você chegou.
- Não temos muito o que fazer agora, não é?
- Tudo mudou, embora tudo pareça igual. Realmente não temos mais nossas obrigações, mas eu desejo ir à praia pela última vez, e terminar meu dia lá.
- Porque deseja isso?
- É um desejo meu voltar lá desde muito tempo, mas o emprego e os estudos me impediam. Pra mim não existe lugar melhor que a praia, vivi muitas emoções boas lá durante a infância, e é um lugar incrível para se estar em contato com a natureza.

Entendi seus sentimentos. Eu, por exemplo, me tornei programador graças às boas lembranças e ao clima mágico em torno da matemática e da lógica que meu pai criou pra mim. Dizia que tudo poderia ser traduzido em números e em propriedades lógicas, só não especificou o quão trabalhoso isto era, porém, as boas lembranças e um futuro satisfatório me fizeram continuar nos estudos. Já estava satisfeito quanto ao modo e a qualidade da minha sobrevivência, faltava-me agora uma família. Imagino que esta mulher, embora não pareça tão diferente de algumas outras que eu já conheci, tenha algo que a faça semelhante a mim, o que talvez explique o fim ter se revelado apenas a nós dois entre muitos. Se ele não tivesse tão próximo, acredito que ela se tornaria uma boa mãe para meus filhos, e uma boa mulher para mim.

- Tudo bem, vamos à praia.
- Você faria isto por mim?
Ela está muito surpresa e seu semblante demonstrou alguma animação que, de algum modo, mesmo naquele momento, foi irradiante.
- Sim. Como já disse, não tenho muito o que fazer deste restinho de vida, e seu desejo é bom a ponto de também se tornar o meu.
- Isto me deixa muito feliz. Mas lembro que a viagem durava pelo menos quarenta minutos.
- É verdade, deixe-me pensar um pouco.
Qualquer que seja minha escolha, precisarei de dinheiro.
- Vamos ao banco aqui perto fazer uma retirada enquanto eu penso em algo.
- Tudo bem.
Ela aceitou enquanto pedia permissão para ver meus CDs, concordei, e a viagem até o banco foi preenchida com comentários sobre as músicas e as lembranças que elas traziam. Não demorou mais que cinco minutos, tenho sorte de morar numa capital bem organizada, o que também me permitiu dirigir em alta velocidade. Ao chegar no banco, fui direto ao gerente explicar a retirada da alta quantia de dinheiro.
- Tá vendo aquela moça?
- Sim.
- Quero fazer a surpresa mais incrível da vida dela, vou pedi-la em casamento. Quero fazer uma retirada alta de dinheiro para isto.
O gerente se surpreendeu. Conhecia-me das minhas visitas para a manutenção das economias da minha pequena e inovadora empresa de softwares e jogos. Sempre tivera uma imagem de que eu fosse consciente do uso do meu dinheiro, e permitiu que eu retirasse apenas o meu fundo pessoal de economias sem maior burocracia, o que era o suficiente para o que eu planejei.

Estávamos eu e ela indo em direção ao aeroporto. É fácil perceber que ela está com um olhar curioso quanto ao nosso destino. Logo surgiram as perguntas, contudo, para trazê-la a empolgação da surpresa e evitar a frustração de expectativas não atendidas caso eu não conseguisse, preferi manter segredo. Já no interior do aeroporto, sugeri que ela se sentasse enquanto ia em busca da surpresa.
- Olá, você é piloto de helicóptero, certo?
- Sim senhor. Sei bem como dirigir estas belezinhas. E você, quem é?
Falou enquanto dava uma tapinha no helicóptero ao lado.
- Muito bem. Sou alguém que precisa desta sua habilidade com urgência.
Mostrei a ele a pequena fortuna que foi retirada do banco e estava em minha mala.
- Hooow, então é algo sério, hein?
- Muitíssimo. Não tenho muito tempo, mas te dou metade disto agora e metade disto quando chegarmos ao destino final, que fica certa de 40 minutos a carro daqui.
- Vamos partir agora, senhor?
Ele não pensou duas vezes. Quaisquer que fossem as punições por fazer uma decolagem não autorizada como aquela seriam facilmente remediadas por aquela quantia de dinheiro. Acenei positivamente com a cabeça e fui buscar minha companheira, que estava sentada e veio em minha direção ao me ver.
- Estou ansiosa.
- Vamos.

Puxei-a pela mão e ela se surpreendeu com o helicóptero e a ventania que empurrava seu corpo para trás. Sentamos, entreguei parte do dinheiro a ele, informei o destino através do GPS, equipamos os protetores auriculares e começamos a viagem. A previsão de chegada ao destino era dez minutos, já que o helicóptero não enfrenta as mesmas resistências que o carro, como trânsito ou desvios e curvas que alongam o caminho. Nossa viagem foi fantástica. Era assustador pensar que não há nada além do piso e das paredes do helicóptero para evitar uma queda fatal, mas não ao ponto de tirar a sensação prazerosa de ver tudo do alto. Devido à empolgação, suponho, ela segurou firme a minha mão e não a soltou durante toda viagem. Aquele definitivamente não era um momento para ter pensamentos ruins. Apenas apreciei.

O piloto encontrou um morro relativamente plano de pedras e resolveu pousar ali, que era bem próximo a faixa de areia da praia. Paguei o prometido e desembarcamos do avião, eu e ela. A descida até a praia foi algo bastante divertido, pois tivemos que escalar e pular várias pedras, o que aumentou ainda mais nossa intimidade corporal porque tive muitas vezes que pegar em suas mãos e cintura. Ao chegar à faixa praieira, sentamos um ao lado do outro apreciamos o cenário. Fim de tarde, sol se pondo e colorindo algumas nuvens densas com um vermelho alaranjado que fazia contraste ao azulado do céu. A brisa balançando os vários coqueiros que produziam um som que se misturava com os das ondas.

Ficamos alguns instantes em silêncio, apreciando a beleza daquele lugar. Eu já estava pensando em algo para falar e assim evitar os pensamentos ruins, até que ela me perguntou.
- Eu estudo e trabalho com moda, e você, o que faz?
- Sou programador e tenho uma pequena empresa de software.
- Você está bem em forma para o estereótipo de programador, hein?
Sorrimos com esta constatação curiosa.
- Obrigado, tento manter uma vida equilibrada.
- Sabe, eu escolhi a moda porque imaginei que através dela eu poderia ajudar as pessoas a se explorarem e descobrirem que podem ser melhores que imaginam, principalmente aquelas que tem coragem o suficiente, ou nada a perder, para mudarem e experimentar coisas novas. Mas existem muitas pressões da minha empresa para fazer as pessoas se sentirem bem apenas com o que é mais caro. Eu não concordo com isto, mas ela é mais forte que eu, e se eu não o fizer, perco meu emprego.
Ela se levantou, ainda estava com seu uniforme de trabalho.
- Não quero morrer com esta roupa que representa aquela empresa.
Ela se despiu de sua blusa e calça e jogou as peças ao vento, ficando apenas de calcinha e sutiã, ambas rendadas, algo que eu não pude deixar de achar sensual. Enquanto ela via suas roupas se distanciando com vento, levantei e peguei em suas mãos para obter sua atenção.
- Você é uma mulher incrível.
- Obrigada.
Respondeu-me olhando diretamente nos olhos e segurando minhas mãos com firmeza. Não resisti a este contato, peguei-a pela cintura, colei seu corpo ao meu e a beijei. Não demorou muito para que eu me despisse e jogasse as roupas ao vento também, deitamos no chão. Entreguei-me completamente a ela, tanto em corpo quanto em pensamento, e o frio da brisa praieira não era mais problema.
O sol se pôs pela última vez.

Por: Leandro de andrade Moura