A beleza na nossa sociedade segundo a P.E.
PARTE 1 – Definição teórica da beleza
Olá amigos. Embora já tenha batido minha meta mensal de quatro postagens por mês, estou com muita vontade de escrever sobre esse tema. Mas antes as novidades: é uma e meia da manhã, pretendo escrever até as três. Escrevo agora principalmente porque estou aproveitando o absolutamente nada pra fazer que a falta de internet trás. A minha passou o dia com problemas e no inicio da madrugada saiu totalmente de cena. Meus dias estão sendo ocupados, tenho assistido Friends, e infelizmente já estou chegando à temporada final, Game of Trhone, um seriado interessantíssimo e bastante fiel ao contexto medieval, sobre a disputa pelos reinos, e as vídeoaulas de matemática no canal do youtube Gusalberto8, que tem me passado muitas informações novas desta disciplina tão adorada por mim. A postagem de hoje será sobre um tema que há muito se mantinha indefinido dentro da minha filosofia, tendo eu, inclusive, vários conflitos éticos a cerca desta questão, por isso tamanha satisfação em defini-lo. O tema é “a valorização da beleza externa: o que significa e o valor dela em nossas vidas.” Esta definição sempre se mostrou muito importante para meus estudos, pois existe uma enorme quantidade de distúrbios e fatores sociais que se relacionam com este tema. Para defini-lo, utilizei novamente os conceitos básicos da psicologia evolutiva juntamente com bastante reflexão. Vamos à postagem. (PS: acabei falando também sobre os distúrbios e analises dos mesmos. Não previ que iria ficar tão grande. Dividi o texto em três partes por causa disto.)
A psicologia evolutiva nos diz que o humano tende a achar belo tudo aquilo que é importante para ele, e que tende também a dar importância instintiva a uma boa qualidade genética, porque ela é importante para a saúde de nossas proles, por isso a boa genética é identificada através da beleza externa. Sabemos, contudo, que beleza externa não necessariamente signifique boa saúde, e que existe uma enorme gradiente de beleza causada pela desigualdade social. Isto significa que as pessoas com mais dinheiro se alimentam melhor, se vestem melhor e utilizam mais produtos para manter sua boa aparência, enquanto que os que têm menos dinheiro acabam desgastando mais seus corpos com o trabalho braçal e condições de vida não tão boas. Além disto, existem pessoas com maior probabilidade de nascerem com mais chances de se tornarem bonitas graças a um histórico genético-familiar que outras, já existem outras que, por exemplo, nascem com o gene da obesidade, do cabelo crespo, de um corpo fora de equilíbrio métrico, e isto se torna uma marca pro resto de suas vidas. Iremos, para efeitos de estudo, separar as pessoas em dois grupos cujas causas foram citadas anteriormente: as feias e as bonitas.
Existe uma frase que expressa bem o que este parágrafo irá comunicar: “Desculpem-me as feias, mas beleza é fundamental”. Esta frase mostra a maior facilidade que uma pessoa bonita tem em ser tratada melhor pela sociedade, visto que a sociedade é formada por humanos e eles tendem a valorizar bons poderes instintivos. Os homens tendem a tratar as mulheres bonitas melhor e vice-versa, ganhando coisas às vezes pelo simples fato de serem bonitas, como presentes de pessoas apaixonadas, maior atenção em atendimentos, favores de desconhecidos, e etc. As pessoas feias, por outro lado, além de não costumarem ter este tipo de vantagem, ainda sofrem uma maior rejeição dos grupos sociais ou dificuldade em se estabelecer neles, são mal-tratadas por pessoas de má filosofia e passam despercebidas pela maioria das pessoas. Daí surge meu conflito ético: é certo tratar uma pessoa melhor apenas por ela ser mais bonita? É certo apaixonar-se por ela graças a este mesmo motivo? Uma resposta guiada pela lógica de classes diz-nos claramente que não, pois todos são humanos e tem os mesmos sentimentos, portanto, merecem a mesma chance para as oportunidades. Porém, esta lógica não se aplica tão facilmente na prática, pois é interferida pelo prazer instintivo em estar em contato com alguém de boa beleza.
É necessário lembrar que parte do humano é instinto e ignorar as propriedades instintivas pode ser bastante prejudicial ao objetivo humano da boa evolução. Também é importante resolver este conflito ético, sobre se é certo ou não valorizar alguém por uma propriedade que ela adquiriu por sorte, lembrando que certo significa ser o melhor caminho para o alcance da boa evolução humana. Notemos então que a psicologia evolutiva põe como principal objetivo humano a boa evolução, e a resolução de todos os problemas têm como finalidade alcançar este objetivo. O mais importante (e bonito) ainda é que todos os humanos tendem a ter o mesmo objetivo, independente da posição social ou situação economia que este esteja, diferindo apenas as configurações que esta evolução se apresenta, e este objetivo é evoluir. Portanto, o certo neste caso para a psicologia evolutiva é tomar aquela atitude que gere a melhor evolução para todos os envolvidos, não ignorando as propriedades instintivas de cada um deles. Se o instinto é atraído pela beleza que uma pessoa traz, não devemos ignorar isto, mas também não devemos ignorar que somos racionais e que devemos achar uma forma saudável de lidar com isto.
Vamos agora fazer uma analise técnica e dissertativa de alguns conceitos para interligá-los: O humano pode evoluir, o que é seu objetivo, mesmo tendo poucas chances de sobrevivência e reprodução, o que significa na prática ter baixa qualidade de e conseqüentemente de evolução, já que ele terá menor probabilidade de ter bons sentimentos, conforto, saúde e etc., porém, ele tende a buscar aquela atividade ou algo que faça com que sua qualidade de vida se torne melhor, mais prolongada e satisfatória, ou seja, com boas chances de sobreviver e reproduzir e que o traga bons sentimentos e conforto. A beleza externa, para o instinto, significa boa saúde, portanto, mais chances de sobrevivência e reprodução. Unindo a conclusão de que boas chances de sobreviver e reproduzir traz maior qualidade de vida e que a beleza faz o instinto sentir maiores chances de sobreviver e reproduzir, podemos concluir que ela tem a função de aumentar a qualidade de vida (que é conforto e bons sentimentos). Isto pode ser observado na prática, amigos, pois se há duas pessoas com personalidades parecidas, porém uma feia e a outra bonita, a bonita trará um maior prazer de companhia que a feia. Há ainda outra conclusão tão ou mais importante a ser feita: podemos expandir a função da beleza, que é um poder instintivo, a todos de sua classe de qualidade, ou seja, a função de todos os poderes instintivos é trazer maior qualidade de vida.
(apenas o lembrete de definição de poderes instintivos: são todas as qualidades que um humano pode atribuir e valorizar em outro, por exemplo: bonito, simpático, engraçado, sagaz, meigo, atencioso, prestativo, estilizo, inteligente, etc.)
PARTE 2 – Distúrbios da beleza
Embora não seja tão rebuscada quanto se espera, a princípio, esta definição é muito importante para meus estudos. Principalmente porque com ela é possível estabelecer uma quantificação da saúde ou distúrbio de um comportamento ou filosofia, sejam estes individuais ou coletivos. Sem ela, esta quantificação se tornaria vaga e sem parâmetros racionais de comparação entre os valores humanos. Por exemplo, (1) se uma pessoa é feia, mas tem condições pra se arrumar e se tornar bonita, mas sabendo que nunca se tornará tão bonita quanto às pessoas que já são bonitas, vale a pena esta pessoa dedicar esforço para este objetivo? (2) E o quanto de esforço é considerado saudável para atingir este objetivo? (3) É necessário haver beleza para que haja um bom casamento? Outro exemplo: (4) O quanto um humano deve valorizar a beleza em detrimento de outras qualidades? (5) É certo tratar uma pessoa melhor apenas por ela ser bonita? (6) Por que a sociedade tende a escolher pessoas bonitas para a atuação nas campanhas de publicidade? Para demonstrar a utilidade desta definição, irei analisar e resolver os principais conflitos éticos enfrentados por mim e os distúrbios relacionados à beleza, ambos expostos nas perguntas a cima. Para isto irei fazer uma pequena reconstrução histórica do surgimento dos distúrbios e em seguida as respostas.
Lembremos que o humano deve sempre buscar sua boa evolução, ou seja, aumentar as chances de sobreviver e reproduzir, que é melhorar a qualidade de vida, para poder aproveitá-la e viver bons sentimentos. Se melhorar a beleza é um dos mecanismos capaz de melhorar a qualidade de vida, que o façamos, contudo, não deixemos isto se tornar um distúrbio, ou seja, algo que ao invés de melhorar, piore. Dado momento da sociedade em que fazer sexo livremente se tornou uma ameaça à boa evolução, seja por causa da estrutura social ou ao surgimento das DSTs, os humanos começam a passar longos períodos de abstinência sexual, coisa que o instinto humano não é adaptado a fazer. Desta abstinência surge um pequeno distúrbio: a valorização exagerada do sexo em detrimento a outras atividades. Notemos que isto é uma realidade: enquanto que existem pessoas que se esforçam muito para conseguir transar, outras têm esta oportunidade e simplesmente não o fazem, exemplo: alguns jovens e alguns casados após um longo tempo. Além disto, outras atividades que geram qualidade de vida, como a arte, a família, passeios, valorização de coisas mundanas, o conhecimento ou competições saudáveis deixam de ser valorizadas e executadas em pró de atividades que possam possivelmente trazer a oportunidade de sexo, como sair pras festas, beber, fazer coisas perigosas para chamar a atenção, fazer apelação instintiva com exibição de poder, e etc.
É comum notar a valorização exagerada em jovens, porém, devido a distúrbios, tal exagero consegue alcançar os adultos, que já deviam conhecer sua função evolutiva. Este distúrbio em si acaba causando outro distúrbio: a valorização exagerada daquelas que trazem, a princípio, uma melhor qualidade de sexo: as pessoas bonitas. Um dos motivos deste distúrbio é que quando as pessoas precisam escolher em quem depositar seu esforço a fim de conquistar e levar para cama, estas irão, em geral, escolher as pessoas bonitas. O outro é que devido à valorização exagerada das atividades envolvendo sexo em detrimento das outras atividades que geram qualidade de vida, as pessoas que desenvolvem poderes instintivos relacionados às outras qualidades de vida são ignoradas e/ou desvalorizadas, pois se tornam inúteis ao objetivo das pessoas com distúrbios, enquanto que as pessoas bonitas ou que desenvolvem poderes instintivos relacionados às atividades sexuais entram em foco e são exageradamente valorizadas. Derivam-se desta situação mais um distúrbio: as pessoas feias e envolvidas com tais distúrbios começam a querer, de qualquer forma, desenvolver poderes instintivos relacionados ao sexo, por isso passam por regimes extremos, fazem plásticas ou gastam muito dinheiro comprando roupas ou embelezando-se.
PARTE 3 – Analise sobre os distúrbios
Agora que já expostos os conhecimentos que eu acredito necessários para o entendimento do assunto, há condições de responder as perguntas feitas anteriormente. (1) (2) Como já introduzido no mesmo parágrafo, o humano deve buscar sempre melhores condições de vida, e isto inclui cuidar da sua própria beleza. Porém, se tais cuidados chegar ao ponto de prejudicar sua saúde, seja mental ou física e diminuir sua qualidade de vida, há distúrbios. Esta é a resposta das duas primeiras perguntas. (3) A questão do casamento é um tanto complicada, e inclusive há uma postagem sobre isto (http://barnabasspenser.blogspot.com/2011/06/analises-sobre-o-casamento-e-seus.html), mas resumindo: o que é interessante para um casamento é o equilíbrio entre os poderes instintivos e objetivos evolutivos em comum. Se os poderes dos cônjuges são desenvolvidos de forma saudável, então significa que o casal já encontrou seu ritmo, coisa que nem sempre pode acontecer. Ou seja, tanto o homem quanto a mulher cuidam de sua aparência para melhorar a qualidade de vida e sexo do casal, mas não ao ponto de tornar isto um distúrbio prejudicial. Contudo, é interessante não esquecer que o sexo é uma atividade que gera qualidade de vida entre duas pessoas e que, portanto, deve ser sempre praticado, bem como a manutenção da beleza pós o casamento.
Quanto à quarta pergunta (4), podemos expandir seu enunciado também para a questão da valorização do sexo em detrimento de outras atividades. A resposta novamente fica por conta de buscar aquilo que é melhor, que traz boa evolução. Isto significa que se a valorização da beleza e do sexo está sendo demais a ponto de fazer uma pessoa ignorar as outras coisas boas da vida ou não enxergar outros tipos de qualidades nas pessoas além da beleza, pode-se considerar então como um distúrbio. Exemplo: se uma pessoa gasta uma enorme quantidade de tempo em busca do sexo, não o encontra e ainda deixa de ter prazer de outras formas, sentindo no lugar sentimentos ruins, como frustração, ela está sendo prejudicada. Do mesmo modo, se pessoa ignora todas aquelas que possam trazê-la bons sentimentos, conhecimentos, experiências, buscando apenas contato com pessoas bonitas e/ou bem-cuidadas, isto é outro exemplo de distúrbio, pois impede que tal pessoa conheça mais sobre a natureza humana, algo que pode ajudá-la em sua vida profissional e pessoal, além de perder oportunidade de várias outras experiências. (As perguntas e respostas foram enumeradas para evitar repetição. Aconselha-se reler as perguntas se necessário.)
Esta quarta resposta ajuda na quinta (5). Pela lógica de classes, que é bastante racional, todo humano merece o mesmo tratamento, pois o que difere entre um e outro são apenas as configurações. Mas o instinto acaba não conseguindo ignorar esta diferença, pois sente que uma pessoa mais bonita é capaz de proporcionar melhor qualidade de vida para ele. Contudo, não são apenas as pessoas bonitas capazes de proporcionar uma melhor qualidade de vida, e é isto o que as pessoas com distúrbios não percebem. Tratar bem e ajudar qualquer pessoa e não apenas as bonitas é interessante por vários fatores, principalmente porque quando uma pessoa se sente ajudada e feliz, a princípio, ela cuida melhor do ambiente em que vive e sente mais vontade de trabalhar, gerando mais imposto e consumo, o que melhora a vida de todos. Mas tratar em especial àquelas que são capazes de trazer um acréscimo a qualidade de vida como as pessoas bonitas não é algo considerado errado, que malefícios isto pode trazer? Contudo, não são apenas as pessoas bonitas capazes de trazer melhor qualidade de vida, como também todas aquelas que se dedicam para construir bons poderes instintivos. Quando não há distúrbio, o próprio instinto das pessoas que não são tratadas em especial percebe o porquê disto e aceita, e a sexta resposta ajudará a entender isto.
De uma maneira geral, (6) a função da publicidade é mostrar ao público quais vantagens ou qualidade de vida determinado produto pode trazer ao ser adquirido. Parte dos produtos anunciados tem como propósito aumentar o status, que é a sensação de poder. Ter um carro caro significa ter conforto e condições de sobrevivência superiores à maioria das pessoas, por exemplo. Para alcançar seus objetivos, os publicitários começaram a lançar mão da estratégia de trazer pessoas bonitas aos comerciais, pois desta forma, além de chamar a atenção do instinto, seus produtos são associados à qualidade de vida que tais pessoas bonitas representam ao instinto humano (isto acontece por causa das propriedades da memória humana, que trabalha através da associação). O mais interessante é que as pessoas feias tendem a entender e aceitar isto, pois ao compararem a si com as pessoas bonitas e sabendo que apenas uma poderá fazer aquilo, seu instinto entende que quem merece estar lá é a melhor, que neste caso significa representar mais qualidade através da beleza. Isto é reforçado até mesmo porque elas sentem que se estivessem no lugar do diretor, escolheriam a pessoa bonita ao invés de si mesma para alcançar o objetivo de sua função. É esta mesma propriedade de “merecimento” que faria uma pessoa de bom equilíbrio emocional entender o porquê uma segunda trata uma terceira bem, quando esta última tem alguma qualidade a mais (situação abordada no final do parágrafo anterior).
O que a maioria das pessoas não entende são os distúrbios como a supervalorização da beleza ou os tratamentos maldosos que os complexos mecanismos sociais apresentam. Daí gera-se sentimentos ruins. Na verdade esta propriedade do “merecimento” ainda precisa ser mais trabalhada, e isto seria tema para outra postagem. Enfim amigos, postagem concluída, agora a despedida. Desculpem-me pela redundância, talvez eu tenha a feito de novo. Acho que acabo fazendo isto devido à própria intenção instrutiva minha ao fazer os textos, que me inibe de ser totalmente técnico. Demorei uns três dias pra fazer este, acho que um total de cinco horas e meia (e mais meia pra revisar), o resultado foi se encaixando e ficou bastante satisfatório. O parágrafo está meio pequeno pra terminar, mas to pensando aqui e acho que não tem mais nada pra escrever. Se eu lembrar na revisão, eu edito, se não, fica este mesmo. Abraços a todos e até mais.