domingo, 12 de abril de 2020

Identidade e símbolo segundo a visão dos organismos sociais

Introdução:
         Olá amigos. Bem vindos à mais um texto meu. Na postagem anterior falei, no final, comentei sobre "identidade". Pois bem, hoje encaro o desafio de escrever sobre identidade. Posterguei este momento porque eu suponho isto ser um conceito complexo, então eu estava esperando uma oportunidade para pensá-lo, mas ela não veio então pensarei enquanto escrevo. Anteriormente, quando eu escrevi sobre linguagem, eu comentei que ela tinha uma dimensão simbólica e outra ética. Naquela época, meu entendimento unia símbolo e identidade numa única coisa. Atualmente, contudo, entendo que ambas são coisas diferentes e que identidade, ética e símbolo não fazem parte da linguagem, mas do organismo. É sobre isto que escrevei hoje e mais algumas questões envolvendo identidade. Portanto, vamos à postagem.
Link da postagem anterior: https://barnabasspenser.blogspot.com/2020/04/complemento-visao-dos-organismos.html

Identidade e símbolo:
      Inicialmente, ao pensar sobre esta questão, eu os via como uma coisa só. No entanto, esta postagem tratará de dividi-los. Símbolo trata-se dos aspectos concretos de um organismo social. Isto significa que a dimensão simbólica de um organismo refere-se a tudo aquilo que ele precisa lidar na sua realidade material para efetivar sua comunicação e produção. Quando eu refiro-me a esta dimensão prática como símbolo, entendo de imediato que faz parte da atividade do organismo sentir sua realidade, abstraí-la através de símbolos para então poder raciocinar e estruturar sua cadeia de produção. A identidade, por outro lado, não refere-se a interação do organismo com a realidade, mas sim da sua interação consigo mesmo e com os demais organismos. Desta forma, a identidade compõe de elementos capazes de diferenciar cada organismo dos demais e definir quem ele é através do tempo e espaço.

Construtores da identidade:
     É possível observar que a construção de identidade parte de alguns elementos. O primeiro deles é a aleatoriedade. A partir do momento que um organismo interage com a realidade, há eventos aleatórios acontecendo o tempo todo. Uma vez que este evento ocorra e, através dele, um organismo é dotado de alguma singularidade, isto pode ser interpretado pelo organismo como algo a ser ignorado ou como algo a ser incorporado à sua identidade. Por exemplo: um organismo trabalha com química e descobriu algum processo que produz uma cor específica, que outros organismos tem dificuldade em acessá-la. Logo, ele tem a ideia de atribuir para si a aquela cor, incorporando-a em sua identidade. Outro exemplo: um organismo descobre uma técnica de produzir estátuas de maneira muito específica, de modo que destaca-se dos demais organismos. Logo, ele busca construir grandes estátuas e inserir aquilo na sua identidade. Naturalmente, ambos os eventos poderiam ter sido ignorados, então o organismo, ao se deparar com estes eventos, consegue incorporá-los através de alguma justificativa que relaciona-os com si.

    O segundo elemento construtor de identidade é a história. Através da história, tais elementos podem construídos através da aleatoriedade podem ser herdados através das gerações de um organismo. Estes elementos podem ser rejeitados ou aceitos pelas próximas gerações. Se rejeitados, significa que aquele organismo está perdendo indivíduos, sendo estes convertidos à algum outro organismo. Se aceitos, significa que haverá uma cultura, uma identidade, que se reproduziu e continuará por mais uma geração. Esta identidade pode ser constituída por diversas coisas, como por exemplo, rituais, sacrifícios, padrões de beleza, moda, comportamentos, etc. A identidade pode se tornar algo muito importante para um organismo, pois é através dela que se cria as condições para que os indivíduos pertencentes à ele possam reproduzir sua ética, identificar-se uns aos outros e se ajudarem mutuamente. No entanto, assim como na natureza, é possível identificar indivíduos mímicos, ou seja, que não pertencem ao organismo social, mas buscam associar-se a alguma identidade para beneficiar-se. Portanto, construir uma identidade não é algo simples. Quanto maior o organismo ou mais visível ele for em sua sociedade, maiores são as pressões que ele sofrerá para manter sua integridade.

Conclusão:
      Enfim amigos, termino mais uma postagem. Tenho a impressão de que quando a identidade torna-se algo muito importante numa sociedade, é possível observar que a rivalidade entre organismos sociais rivais pode chegar ao ponto de materializar-se um conflito físico. No entanto, para escrever sobre isto, eu precisaria de um pouco mais de contexto pra justificar essa sensação. Além do mais, modernamente, temos o estado, cuja função é organizar os organismos para que não haja um conflito a este nível. No entanto, minha preocupação, provavelmente, é acerca das questões internacionais. Não há um estado global e, portanto, um organismo, no caso país, pode exaltar tanto a sua própria identidade a ponto de deteriorar as demais. Penso eu que isto já deva ser assunto de alguma disciplina e, portanto, não discorrerei sobre isto, só deixo claro que é possível chegar a pensamentos como estes através da visão dos organismos sociais. Assim, despeço-me. Um abraço para todos.


quinta-feira, 9 de abril de 2020

Complemento à visão dos organismos sociais: não iniciados, filosofia e arte.

Introdução:
    Olá a todos. Hoje trago para vocês um complemento da construção que venho fazendo chamada organismos sociais, os conceitos de não-iniciados, filosofia e arte. Acredito que entender como estes elementos são identificados dentro da visão dos organismos sociais pode ser algo bastante esclarecedor e definidor, resultando numa melhor compreensão de sociedade. Além disto, também volta a mostrar a capacidade dessa construção de conceituar grandes temas humanos de maneira consistente, bem definida, e geral o suficiente para se adequar as diversas transformações temporárias que ocorrem nas sociedades. Lembrando da estrutura básica dos organismos sociais, há uma autoridade, que exerce uma linguagem para efetivar uma produção. Aos que desejam obter a leitura inicial dos organismos sociais, aqui estão os links dos três textos que definem a estrutura básica:
http://devirsocial.blogspot.com/2018/08/linguagem-dos-agentes-sociais.html
http://devirsocial.blogspot.com/2018/08/analise-das-autoridades-segundo.html
https://barnabasspenser.blogspot.com/2018/08/a-relacao-do-individuo-com-verdade.html

Não iniciados:
    Aqui entenderemos não iniciados como todos aqueles que não fazem parte de algum organismo social. Isto significa que todos os indivíduos são não iniciados para algum organismo social, pois assumiremos que é impossível um indivíduo fazer parte de todos os organismos sociais ao mesmo tempo. No entanto, é possível que ele seja iniciado em mais de um organismo social ao mesmo tempo, e isto é uma característica importante a ser notada, pois, para mim, para que as futuras sociedades sejam saudáveis elas devem constituir-se de indivíduos que sejam iniciados pelo menos nos três principais organismos sociais citados no texto sobre a análise das autoridades: a política, a ciência e a religião. Entende-se que o processo de iniciação política é pedir votos, o da ciência é produzir algo com o método científico, o da religião é aceitar algum tipo de fé.

    O ser humano nasce não iniciado. Isto significa que é necessário um esforço das autoridades para iniciá-los em seus organismos sociais. Algumas vezes isto acontece de maneira natural, pois os genitores introduzem sua prole ao organismo através de um processo hereditário. No entanto, é uma preocupação válida das autoridades desenvolver formas de alcançar novas pessoas. Neste sentido, a autoridade busca usar todo o potencial da sua linguagem, demonstrando que sua produção é benéfica tanto para o indivíduo quanto para a sociedade. Desta forma, quanto mais pessoas envolvidas naquele organismo, mais forte e relevante socialmente ele se torna. Isto pode chegar ao ponto de tornar-se uma questão de sobrevivência. Portanto, a noção de que existe os não iniciados implica na importância da autoridade entender da necessidade de tornar sua produção útil para a sociedade.

    Para algumas pessoas pode parecer absurdo algum tipo de organismo social deixar de existir, principalmente tratando-se dos três citados anteriormente. No entanto, sociedades podem reduzir-se à, por exemplo, ignorar a ciência, de modo que seu governo não busque sustentar seus mestres de doutores. Ou, por outro lado, a religião pode ser suprimida ou ignorada, fazendo o estado buscar tomar controle completo dos processos de identidade do povo ou deixar este processo alienado pelo consumo. Ainda, o próprio estado democrático de direito pode morrer, constituindo, portanto, um retrocesso social, uma vez que toda configuração dos organismos sociais de destituí retrocedendo aos modelos sociais já superados. Portanto, é necessário que as autoridades sempre tenham cuidado em tornar sua linguagem acessível, divugável, mas não ao ponto da sua identidade ser descaracterizada, ou seja: sem que sua produção, autoridade ou linguagem sejam perdidas.

Filosofia:
    A visão dos organismos sociais entende a filosofia como um meta processo. Isto significa que ela é um processo que ocorre sobre o processo. Ela é a produção que ocorre sobre a produção, a linguagem que ocorre sobre a linguagem, a autoridade que ocorre sobre a autoridade. Embora seja possível considerar que sua produção, linguagem e autoridade existam, eles meta existem e, portanto, ela não é constituída um organismo social. Por outro lado, todo organismo social possuí alguma filosofia, e as filosofias podem conversar entre si, influenciando-se, alterando-se. Qualquer um pode ser iniciado à filosofia, basta iniciar-se à reflexão. No entanto, nem todos o são e seguem, portanto, o fluxo do ou dos organismos sociais aos quais eles pertencem.

    A própria visão dos organismos sociais é uma filosofia, inclusive este conceito de filosofia. Cada autor filosófico tem o direito de ter seu próprio conceito, ele é autoridade sobre si mesmo e os outros podem ou não aceitar suas premissas e conclusões. Na religião, política, ciência, também há filosofia. De uma maneira geral, filosofias são premissas. O que difere a premissa filosófica da fé é a adoração: a filosofia, por definição da visão filosófica deste texto, não é capaz de produzir adoração. Na política, a premissa constitucional rege a forma como se organiza as leis. Já na ciência, estabelece como o método científico é constituído. Filosofias são estabelecidas através de consenso e sua diversidade é mantida por aqueles que respeitam e admiram as possibilidades de ser humano.

Arte:
    Durante o texto no qual foi analisado as autoridades, foi comentado que a religião tem como produção a adoração. Isto pode ser um pouco confuso, mas é preciso lembrar que, na visão dos organismos sociais, adoração é tudo aquilo que tem finalidade em si mesmo, e a finalidade da religião é conectar o ser humano à dimensão eterna do espírito. Por ser espiritual, esta conexão não pode ter uma produção material, portanto, sua produção é uma produção espiritual. De todas as coisas que são produzidas pelos organismos, a mais não material de todas é a adoração, pois é neste estado que o ser humano contenta-se somente com aquilo que ele pode adorar, e isto não precisa ser algo físico, mas tão somente uma fé.  entanto, é preciso considerar que a análise das autoridades feitas pelo texto é levando em consideração um mundo ideal. Na prática é possível, por exemplo, que políticos sejam adorados, de modo que as pessoas deem suas próprias vidas em nome de figuras com localização no tempo e espaço. Ou seja, em muitos casos presencia-se a adoração de elementos    localizados no tempo e espaço, ou mesmo materiais.

    Isto foi dito porque para a visão dos organismos sociais, a arte é a materialização da adoração. Isto significa que aonde haja adoração, há arte sendo manifesta, de alguma forma. Mesmo que o espírito não seja material, o ser humano o é. E a matéria do ser humano expressa a adoração que ocorre em seu espírito de alguma forma, ele sempre vai encontrar uma maneira. Esta forma é a arte. A arte foi produzida de diversas maneiras durante a história da humanidade, e em todas elas é possível observar algum senso de finalidade em si, constituindo-se, portando, como uma adoração. Toda arte, por ser matéria, tem uma identidade localizada no tempo e no espaço. No entanto, é possível observar elementos de adoração que são transcendentais em algumas delas, nas outras vezes ela traduz o “espírito” daquela época, demonstrando a maturidade, os sentimentos e os valores da humanidade.

Conclusão:
    Pois bem amigos, este curto texto traz três conceitos importantes para a “visão” ou filosofia dos organismos sociais. Sinceramente, estou com vontade de gravar vídeos explicando essa filosofia e divulgar para amigos para ver se consigo mais críticas. Ademais, também vejo como importante eu falar sobre “identidade” um dia, e estruturá-la na tríade da moral e ética. Também quero entender o significado dessas tríades. Parece que minha filosofia é cheia de tríades. Provavelmente escrevei sobre identidade quando escrever sobre estas tais tríades. Ou então também tratarei de entender de maneira mais profunda as implicâncias da identidade numa sociedade, e em como um tipo de identidade (que se relaciona com o organismo social como um todo) afeta outros tipos de identidade. Depois desta enrolação, amigos, finalizo esta postagem. Abraço a todos.