Definição, objetivo e prática:
A psicologia evolutiva é uma linha de estudo da mente humana que se baseia nos princípios da teoria da evolução para buscar quais mecanismos o humano desenvolveu para ter maiores chances de sobreviver e reproduzir durante seu processo evolutivo. Também busca entender como o humano chegou ao seu atual estado e como aplicar os conceitos da evolução neste cenário. Na prática, ela é a ciência que lida diretamente com as chances de sobreviver e reproduzir humanas, e tenta desenvolver ferramentas que auxiliem ou direcionem isto através dos seus conceitos e definições, tomando emprestado também conhecimentos de outras ciências. Podemos observar que através da ótica da psicologia evolutiva, cada sentimento humano existe para lhe oferecer mais chances de sobreviver e reproduzir de alguma maneira graças à seleção natural.
Introdução as propriedades e exemplificação dos sentimentos:
A raiva, por exemplo, permite que o humano afaste tudo aquilo que lhe prejudica. A alegria permite que ele se sinta bem nas conquistas dos desafios, já a tristeza faz o contrário. O desejo permite que haja uma mobilização para a conquista de um objetivo que normalmente o melhora em algo, o ciúme o faz defender aquilo que ele supõe importante para suas chances de sobreviver e reproduzir. Cada um dos sentimentos será explicado mais detalhadamente em uma próxima oportunidade. O importante é perceber, e talvez exemplificando individualmente e sem as propriedades humanas isto fique difícil de ocorrer, que os sentimentos foram moldados pela seleção natural para ajudar na evolução humana, e assim continua até hoje. Agora serão apresentadas tais propriedades e os princípios de seu desenvolvimento, segundo o que se especula.
Desenvolvimento dos mecanismos lógicos:
Foi através das condições especiais que os ancestrais da raça humana estavam submetidos que foram desenvolvidos os mecanismos racionais e as propriedades que os tornaram seres altamente adaptativos. Tais características não são encontradas em igual organização em nenhum outro animal, e juntas são capazes de proporcionar ao humano a capacidade de produzir e transmitir novos conhecimentos e comportamentos. Um provável exemplo disto na prática foi a adaptação dos ancestrais humanos de herbívoros para onívoros, que seria uma mostra de que o ambiente era instável.
Memória:
Começaremos a explicar o mecanismo da memória. Mediante a necessidade de se adaptarem aos diferentes ambientes, os humanos desenvolveram uma memória relativa aos sentimentos, isto é, o determinante de se evento será ou não memorizado e com qual intensidade isto será feito são os sentimentos relacionados a ele, e é aqui que se observa uma das importâncias dos sentimentos bons e ruins. Isto o permitiu se adaptar ao ambiente em que viver independente de qual for, pois sua memória se adaptou a reter uma enorme variação e quantidade de informações. É interessante ressaltar que a memória utiliza tecnologias de associação de informações, característica muito importante na prática.
Módulo de simulação:
Desenvolveu também o “módulo de simulação”, que utiliza observações feitas através dos órgãos dos sentidos e memorizadas através da memória guiada pelos sentimentos, para conseguir simular situações e prever o que fazer para ter maiores chances de evolução. É este o responsável pela enorme capacidade imaginativa da mente humana. Mas como este módulo se localiza sob os efeitos dos sentimentos, é comum os sentimentos interferirem nos pensamentos. A forma mais comum disto acontecer é ao pensar algo ruim, fazendo o cérebro reagir a este pensamento respondendo com sentimentos ruins.
Relatividade humana:
Com a memória relativa e o módulo de simulação, o humano desenvolveu outra importante propriedade, que o torna mais relativo ainda: a capacidade de mudar a ordem de importância das coisas. Isto significa que o humano pode deixar de valorizar algo para valorizar outro algo, e isto se faz com o auxilio de novas experiências, vindas tanto do módulo de simulação como também de estímulos externos. Isto nem sempre ocorre de maneira rápida, pois o instinto pode demorar a se desapegar de algo, e também não ocorre sem uma diretriz básica de comportamento, que é: o humano sempre tende a valorizar aquilo que ele passa a considerar que lhe trará mais chances de evolução.
Beleza:
Cada sentimento apresenta sua importância quando atua naquilo que o humano desenvolve apego evolutivo, que é uma mistura entre afeto, desejo e posse. Mas dentre todos estes, a beleza se destaca e tem o funcionamento bastante representativo. O humano desenvolveu a beleza como uma forma de sinalizar tudo aquilo que é importante para suas chances de sobreviver e reproduzir. Os humanos tendem achar belo determinados tipos de corpos, pois estes demonstram boa saúde gênica, mas também podem achar belo aquilo que aprendem a valorizar através do raciocínio, e daí surge, por exemplo, a beleza das artes.
Quando a evolução se torna relativa:
A princípio, evoluir significa se adaptar para ter maiores chances de sobreviver e reproduzir em dadas característica fornecidas pelo ambiente. Mas a partir do momento que o humano desenvolve os mecanismos lógicos e relativos, assim como a capacidade de manipular ferramentas, ele passa também a transformar seu ambiente. Neste momento, o próprio ambiente se torna cada vez mais relativo às modificações humanas, e a seleção natural segue o mesmo processo. Quando chegamos ao estágio de sociedade atual, onde mesmo os pobres conseguem sobreviver e reproduzir, o conceito de evolução se torna anti-intuitivo.
Definição de evolução:
Para se chegar ao atual conceito de evolução, é necessário considerar não somente a esfera individual de um indivíduo, mas também a sociedade a qual ele faz parte. Entre um pobre e um rico, considera-se que o mais evoluído é aquele com mais capacidade de sobreviver a condições diversas ou oferecer melhores condições de conforto e qualidade de vida para sua prole e a outros humanos. Isto significa que o rico tende a ser mais evoluído que o pobre. Podemos ainda fazer a comparação entre uma pessoa que cuida de sua beleza e das delicadezas humanas e outra que, por algum motivo, não liga para o bem-estar humano. A primeira tende a ser mais evoluída que a segunda, já que ela adquiriu condições de oferecer conforto e qualidade de vida a sua prole e a outros humanos.
Poderes humanos:
Estes dois exemplos mostram diferentes tipos de evoluções, sendo a primeira social e a segunda instintiva. É baseado nisto que a psicologia evolutiva desenvolveu o conceito de “poderes humanos”, que é uma forma de classificar as atividades que dão mais chances de sobreviver e reproduzir aos humanos de acordo com suas características. São três vertentes: o poder instintivo, que é qualquer tipo de qualidade que um humano pode atribuir ao outro; o poder racional, que é a o humano utilizar seus conhecimentos e experiências para auxiliar aos outros ou a si mesmo a produzir resultados; e o poder social, que é todo o poder instintivo ou racional que é aproveitado pela sociedade e recompensado através do dinheiro.
Explicação do exemplo e outros detalhes:
O primeiro exemplo demonstra o poder social, pois por algum motivo o homem rico sabe produzir dinheiro, o que significa estar adaptado a sociedade, e o homem pobre não. O segundo exemplo demonstra o poder instintivo, já que ao dedicar-se a entender como lidar com os humanos, uma pessoa pode ajudá-los e ter como retribuição bons sentimentos, além de cuidar da própria beleza, que é uma característica que oferece qualidade de vida ao instinto alheio. Observa-se que nestes dois exemplos há a presença do poder racional, que pode ser desenvolvido individualmente ou transmitido através dos contatos humanos e/ou através de uma boa posição social. A evolução bruta de uma pessoa pode ser dada através da soma destes três poderes. É interessante também ressaltar que um poder pode ser convertido a outro, e isto é uma boa alternativa para evitar distúrbios.
Distúrbios:
A psicologia evolutiva considera como distúrbio todo aquele comportamento, praticado por um individuo ou um grupo, que prejudica a evolução, seja ela a individual ou a do grupo. Esta definição deriva do pressuposto que o homem é um ser com objetivos evolutivos individuais, mas que trabalha em grupo para que tais objetivos sejam alcançados com mais eficiência. Na prática, um indivíduo não saudável pode prejudicar um grupo saudável e vice-versa. A falta de equilíbrio entre os poderes humanos de um indivíduo também pode causar distúrbios, já que a harmonia entre os aspectos “sobreviver” e “reproduzir” é o ideal para a evolução humana. Outras prováveis causas são objetivos evolutivos mal definidos ou não estruturados de acordo com a realidade.
Amor:
O amor, para psicologia evolutiva, é o ato de fazer algo ou alguém se tornar melhor, que é ter mais chances de sobreviver e reproduzir. Notem que para que isto ocorra, é necessário haver um equilíbrio entre racional e instinto, já que o amor não é apenas sentimento, como a paixão, nem também apenas racionalidade, pois sem os sentimentos o humano não teria motivos para se esforçar e amar. É necessário também ter a experiência e racionalidade para saber como amar, já que nem tudo aquilo que se pensa que é o melhor é de fato o melhor para determinado humano ou grupo. Existem distúrbios, por exemplo, que podem ser resolvidos após certa reflexão, e outros tão complexos que o mais vantajoso é aprender a conviver com eles.
Objetivo evolutivo:
Se for considerado que o humano foi moldado através da seleção natural para evoluir, tendo seus sentimentos se desenvolvido para isto, e que o amor é um dos aspectos mais importante da vida no conhecimento popular, chega-se a conclusão que amor é, de fato, o ato de evoluir. Tanto é que a psicologia evolutiva observa que nos humanos há algo chamado de “objetivo evolutivo”, que é algo que o humano escolhe evoluir através de suas propriedades relativas. Teoricamente, para o humano viver bem é necessário duas coisas: objetivo evolutivo, que estaria relacionado com as atividades de reprodução, e conforto e qualidade de vida, que estariam relacionadas com as atividades de sobrevivência. Entretanto, estas duas necessidades existem apenas para que o humano possa evoluir, e estando em estado de evolução, ou seja, amando algo, o humano tende a se sentir completo.
Conclusão:
Concluindo esta síntese, é através do porte destes conceitos que a psicologia evolutiva espera que cada humano consiga organizar sua vida para alcançar um bom estado evolutivo. O que significa, na prática, que a qualidade de vida da sociedade em geral poderá melhorar. Espera-se também que estes conhecimentos possam auxiliar as empresas, governos, ou quaisquer outras entidades que lidem com humanos a fazer o melhor para a evolução de todas as partes envolvidas com seus sistemas. A essência da teoria foi transmitida através desta apresentação, embora haja outros conceitos, argumentos e dados que possam ser analisados para melhor compreensão dos interessados. Mas é fato que ela precisa ser suportada por uma metodologia científica mais rígida e bem estruturada e menos em filosofia e observações não registradas.