Princípios da Verdade
Olá a todos. Hoje eu escrevo para demonstrar a interessante coincidência entre minhas idéias e as idéias do Descartes, e também sobre a psicologia evolutiva junto a isto. Mas antes disso, vamos as novidades: Esta semana foi longa e um tanto cansativa, meu sono desregulado me fez ficar duas vezes consecutivas 24h sem dormir. Meus neurônios que me perdoem. Também continuo estudando para o vestibular através da escola e do curso pré-vestibular, embora eu não tenha feito tarefas, o que certamente atrapalha a absorção dos conteúdos. Hoje tive um aulão de redação e estou a pensar sobre a função do texto dissertativo, e qual metodologia usar para alcançar o resultado desejado, to chegando a algumas conclusões e postarei depois no blog. E agora a última novidade que também se relaciona com o tema da postagem de hoje: terminei ontem de ler um livro chamado “O discurso do método”, de René Descartes. Agora vamos a postagem. (texto iniciado em 06/080/11)
PARTE 1 - Um pouco de história
Há mais ou menos quatro anos atrás eu iniciei esse blog para escrever sobre o que eu quisesse, sem pretensão alguma, tanto é que o nome escolhido pra ele foi algo meio acaso: o nome de uma música chamada The prodigy, que na época eu escutava muito. Após ver a tradução do nome da música, pensei em algo se encaixasse com o seu significado, foi então que eu criei a frase contida na apresentação do blog logo abaixo do nome. A frase permaneceu até hoje, pois ela tange um princípio seguido por mim desde aquela época: buscar saber o porquê de todas as coisas. Este princípio foi definido por mim ainda na infância, lá pros 13~14 anos, por causa de uma aula de história cujo professor, que eu não lembro ao certo, citou a seguinte frase do Platão (ou Sócrates, também não lembro): “Tudo há um porquê”. Apeguei-me fortemente a este princípio porque na época eu tinha dificuldades de socialização, bem como alguma iniciação no campo filosófico. Já não tenha grandes coisas a perder, então busquei ganhar através da filosofia.
Fui amadurecendo e entrando em contato com várias pessoas e tendo várias imagens de filosofia. Uma delas, não sei bem porquê, é que os filósofos não fazem nada além de pensar, e eu via que apenas o pensamento não levaria a ninguém a lugar nenhum, pois precisamos trabalhar e fazer outras coisas. A outra é que a maioria das pessoas que tinham pensamentos complexos de filosofia, o faziam para se sentir superiores, pois as vezes que tentei discutir com elas no Orkut, o mínimo erro era o suficiente pra me porem numa posição de inferioridade (não de aprendizagem), e, muitas vezes, tal pensamento complexo não melhorava em nada a vida daquelas pessoas, nem sequer estavam ligados a alguma atividade que elas fazem dia-a-dia. Descartes também percebe e descreve isto no seu livro. Foi nesta época também que eu estava iniciando minhas primeiras teorias matemáticas e tendo a experiência do que, de fato, é a ciência. Foi quando com tais experiências eu percebi e resolvi construir minha própria ciência e filosofia, utilizando as informações externas apenas como dados a serem avaliados.
Foi através disto que eu dediquei muito tempo ao entendimento de comportamentos simples na matemática, como os dos monômios, polinômios, regra de sinais, até chegar às propriedades básicas do mecanismo matemático, que é sempre que somarmos uma unidade a outra haverá duas unidades, a menos que algo seja diferente. Adotando tal propriedade ao nosso universo, cheguei ao determinismo, e isto foi o que me fez perceber que todo o resultado, todas as atitudes humanas, todo o comportamento da natureza, tudo realmente havia um motivo e poderia ser descoberto e transformado em fórmula ou pelo menos em previsões aproximadas. Nas dificuldades de investigação, acabei seguindo o seguinte conselho: fazer as coisas mais complicadas do modo mais simples (não tenho certeza se isto é uma citação do Einstein, mas lembro que da fonte que eu peguei dizia que sim). Isto me ajudava muito em várias das investigações sobre os assuntos escolares, e este princípio da simplificação é também é adotado por Descartes em o método do discurso.
Neste mesmo tempo eu já estava entrando em contato com a teoria da evolução e teoria da relatividade e estudando as duas. Também buscava compreender o comportamento humano, e dado momento encontrei, na internet, a comunidade “Psicologia evolutiva”, e associei automaticamente a evolução ao mecanismo do cérebro humano. Este foi um tema que continuei a pesquisar e desenvolver por alguns anos. Contei este pequeno resumo para justificar, em parte, meu orgulho em não gostar de ler ou adotar teorias sem que haja, de fato, um motivo que me o faça fazer. Mas há pouco tempo eu notei que estou chegando a um nível profissional, e por isso necessito de resultados. Resolvi então tentar me abrir, mas mantendo minha atenção em que tipos de teorias eu iria reter, e buscar saber o porquê delas, em que fato elas se baseiam pra existir. Resolvi então, também por incentivo (e empréstimo) do meu amigo Bruno Pontual, a ler Descartes – O discurso do método -. Foi então que, para minha enorme surpresa, ele chegou a conclusões parecidas com as minhas sobre a maioria das coisas, inclusive sobre o objetivo e funcionamento da filosofia, e trabalhou bastante (imagino) pra encontrar modos bastante satisfatórios de repassar tais pensamentos (mas ainda sim necessitando de bastante atenção para um leigo absorver o conteúdo).
Achei surpreendente como alguém há 300~400 anos tenha chegado às mesmas conclusões que eu. E é fácil entender os motivos disto: utilizamos as mesmas tecnologias de pensamento e tivemos acesso a mais ou menos os mesmos dados, e por isso chegamos a várias conclusões parecidas. As tecnologias de pensamento foram desenvolvidas utilizando as mesmas inspirações: o distanciamento de quaisquer outras filosofias (pois naquela época ele também notou que algumas pessoas utilizavam a filosofia como arma instintiva), além da inspiração dos princípios das ciências exatas, pois ele também era matemático e inclusive desenvolveu coisas como o plano cartesiano. Vou além: assim como ele, também acredito que é esta a metodologia que nos leva a encontrar a verdade, prova a maior prova disto é que elas produzem tecnologias capazes de prever e manipular os objetos da realidade, e através disto organizá-los de modo a aumentar a qualidade de vida humana.
PARTE 2 – Objetivo da idéia
Durante o meu desenvolvimento científico, em que eu pesquisava apenas por achar interessante, e que a maioria das pesquisas eram superficiais, comecei a me perguntar pra que serve a ciência e filosofia, cheguei a conclusão dita a cima, também alcançada por Descartes, porém, em vez de utilizar “qualidade de vida”, que para a psicologia evolutiva significa “mais chances de sobreviver e reproduzir”, ele fala em “bem-estar”. Entendam que para mim, que acabei seguindo mesmo sem querer o método filosofo (ou científico), a psicologia evolutiva é uma ferramenta alcançada através do pressuposto da evolução, e imagino que se Descartes tivesse acesso a teoria da evolução em sua total profundidade, bem como a mesma dedicação e acesso a informações complementares que me fizeram associar a evolução ao mecanismo cerebral, ele teria também chegado a psicologia evolutiva, a ferramenta que atualmente eu mais me empenho e me guio.
Na verdade, quaisquer pessoas com o devido apego aos métodos científicos bem como as informações necessárias chegariam a tais conclusões, pois elas refletem o que a realidade dos fatos e experiências mostram. Contudo, muitas vezes a intelectualidade é usada como arma instintiva para rebaixar determinada classe de humanos que não possui tal conhecimento, e por conseqüência, ele perde sua virtude de ser produzido para melhorar a qualidade de vida e ser utilizado apenas a este fim. Utilizar o conhecimento para outros fins, como uma arma instintiva ou anti-evolutiva, pode ser decorrente de um distúrbio, que pode gerar ainda outros distúrbios, como o afastamento das pessoas comuns a prática da racionalidade simples e edificadora, o que certamente diminui a produção social como um todo.
Em “O discurso do método”, Descartes tenta fazer, assim como eu, com que as pessoas comuns consigam adquirir e, além disso, produzir conhecimentos, para assim também produzir tecnologias das mais simples até as mais ou menos complicadas (visto que as complicadas estariam a nível profissional), mas que melhoram significativamente o dia-a-dia delas. É preciso reconhecer, entretanto, que o processo de amadurecimento intelectual é árduo e que precisa ser bem conduzido para que não haja distúrbios parecidos com os citados anteriormente, isto porque, devemos sempre lembrar, o humano é uma maquina instintiva, e embora possa dominar e criar novas funções lógicas de acordo com o que sente necessário, o que ele “sente” continuará sendo as propriedades do instinto até que ele deixe de ser humano, e este instinto poderá o conduzir a um caminho confuso ou contrário.
Dominar este universo da lógica não é fácil, já que é necessário muito esforço e constantemente nos deparamos com nossa própria realidade instintiva, algo que pode não ser fácil para alguns, principalmente aqueles que constroem uma imagem de si mesmos, seja social ou instintiva, baseada em mentira. Seria, portanto, até mesmo interessante nós começarmos a treinar nossas crianças numa filosofia que busque o encontro da verdade (e não ponto de vista) desde já, e não apenas ou até mesmo em substituição a uma filosofia que busque a aquisição de poderes instintivos fora do contexto da realidade, como eu imagino que deva ser com aquelas famílias que ensinam a seus filhos a como burlar sistemas sociais ou mesmo não os guiam e dão maus exemplos.
PARTE 3 – Sobre o racionalismo evolutivo
Conversando com o Bruno P. sobre Descartes, me foi dito que o racionalismo de Descartes foi atacado por outros pensadores. Em busca de maiores informações, fui pesquisar no Wikipédia e descobri o Empirismo. Enquanto o racionalismo diz que todas as coisas podem ser entendidas através apenas da razão, o empirismo diz que o humano precisa experimentar para entender. Eu considero que as duas sejam corretas e estejam reunidas no empirismo lógico, e mais precisamente na seguinte conclusão: quando um humano for capaz de sentir a lógica em toda sua plenitude, ele se tornará racionalista ou algo muito próximo disto, salvo a necessidade de conhecer profundamente os dados com os quais trabalha. Este “sentir a lógica” pode ser bastante presente nos estudos matemáticos, e por isso eu os aprecio tanto, embora também possa ser notado em outras propriedades da natureza.
Pressuponho, porém, que este racionalismo empírico não deva ser o suficiente pra entender e provar toda complexidade humana, principalmente nos séculos onde a teoria da evolução mal tinha sido descoberta. Na impossibilidade prática da reunião de todas as variáveis decorrentes das ações humanas, é difícil montar uma teoria e/ou ao menos definir uma essência que explique toda esta variância. Imagino que por causa disto os estudos quanto à essência humana entre os racionalistas tenha variado muito, já que cada um deles interpreta os comportamentos humanos de acordo com sua visão empírica do mundo. Devido a variação de teorias, imagino que a criação de técnicas também tenha sido algo dificultoso, o que fez com que os racionalistas tivessem um baixa resultado em seus objetivos no meio social, buscando como alternativa o método da tentativa impulsiva e da reprodução dos bons resultados sem perder tempo buscando os motivos.
Observemos que os matemáticos (e/ou racionalistas) buscam compreender a matemática dos seus princípios simples, criando fórmulas, que são o resumo da lógica, e usar estas fórmulas em problemas mais complicados, para resolvê-los e encontrar uma fórmula também para tais problemas complexos (vide logaritmo, que deriva da potenciação, que deriva da multiplicação, que deriva da soma, que deriva do sistema numérico). Eles buscam isto porque sabem que com uma matemática avançada é possível resolver vários problemas de física, química, e com isto desenvolver tecnologias, como a medicina, que melhore a nossa qualidade de vida. Porém, por qual motivo estudar o comportamento humano, se o humano é tão complicado a ponto de dificilmente se desenvolver uma teoria que possa descobrir sua essência, e com isto não desenvolver técnicas para interagir com outros humanos? Imagino que seja isto o que desmotiva as pessoas a estudarem os humanos, embarcando no método descrito no final do parágrafo anterior.
Este método de tentativa impulsiva é bastante interessante para recolher informações para futuros estudos, mas basear a vida apenas nele nos impede de entender mais profundamente os mecanismos humanos e, portanto, de aperfeiçoar seu funcionamento (o que resulta no aumento de qualidade de vida). Outro problema deste método é que ele pode expor os humanos a situações bastante confusas e agressivas ao seu instinto, o que gera a tendência de desenvolvimento de distúrbios. Se o humano não se conhecer tão profundamente a ponto de perceber isto e impedir, ou se acontecer, entender e remediar, ele desenvolverá distúrbios que poderá gerar mais distúrbios. Daí a necessidade de conhecer racionalmente o mecanismo humano. O que pode diferenciar os racionalistas atuais dos antigamente, é que eles não tinham informações o suficiente para chegar à psicologia evolutiva que é, segundo minhas observações, a base de qualquer comportamento humano.
PARTE 4 – Considerações finais
Para unir a conclusão de Descartes, em “o discurso do método”, sobre o porquê e como utilizar o estudo da filosofia (que segundo minhas considerações, filosofia é a ciência que estuda as ciências de uma maneira geral) e da lógica para entender o mundo e se utilizar da melhor forma possível deste entendimento, escrevo esta consideração. Como explicado na ultima parte, eu considero que a psicologia evolutiva é uma excelente ferramenta para entender os humanos, bem como, por exemplo, a matemática é uma excelente ferramenta para entender todo universo que envolva números. É com a utilização destas ferramentas, bem como o desenvolvimento da lógica e filosofia, que os humanos terão maior oportunidade de melhorar sua qualidade de vida como um todo (não esquecendo do estudo das outras matérias).
Isto explica também meu esforço em desenvolver a psicologia evolutiva, já que eu pelo o que eu percebo, sou o único que a desenvolve com esta abordagem e não consigo (nem vejo motivos claros) de deixar de nutrir esperanças de que esta teoria um dia poderá fazer bem a muitos (sem contar que construir teorias é algo divertido pra passar o tempo e que a P.E. ajuda bastante minha vida pessoal). Enfim, em minhas idéias mais utópicas, realmente chego a pensar numa sociedade com uma cultura racionalizada e com base numa evolução definida e equilibrada, mediada pelo racional. Imagino, entretanto, que a transição deverá ser bastante demorada, algo em torno de gerações, e que o sistema deverá ser bem administrado pra não conter falhas de educação, que como hoje, iria privilegiar algumas pessoas e prejudicar outras.
Essa postagem também demonstra um pouco de um novo posicionamento que eu estou tentando tomar em relação às ciências, que é buscar novos fatos e idéias para analisá-los em vez de apenas resumir-me as minhas experiências pessoais. Isto significa ler livros e idéias de outros autores, o que antes me dava uma acerta apreensão gerada pela falta de definição das ações que me conduziram ao que sou hoje e o medo de me tornar igual a aqueles que me prejudicaram. Hoje, com a ajuda do discurso do método, se torna definido. E o que é? É a busca pela verdade que possa ser comprovada através dos fatos e não dos sentidos ou pontos de vista, já que ela pode melhorar nossa experiência na terra. (com o conhecimento da verdade se faz a técnica, que é a manipulação de seus elementos com o objetivo de algum resultado. Não lembro se havia feito essa observação).
Enfim, parágrafo de encerramento. Não me vem mais nada a cabeça sobre este assunto. Espero, novamente, ter sido menos redundante e mais objetivo. Também é altamente aconselhável que se leia o “Discurso do método”, e para aqueles que não sabem, eu escrevi um livro que fala sobre psicologia evolutiva, que em sua quinta edição pode ser encontrado neste blog. No mais, tava até pensando em mudar o nome do blog para algo como “O discurso do método”, mas não é exatamente a formulação que eu quero. Quero algo que busque a verdade, embora “O discurso do método” já indique isto a princípio. Vou ver isso depois. Abraços a todos e até a próxima postagem.
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Na verdade a intenção inicial desta postagem era anunciar a mudança de nome do blog. Mas acabei me animando mudando o foco. No final, percebi que a postagem ficou aproveitavel, mas não me sentia avontade com o novo nome que pretendia dar, que era "O discurso do método". Embora este nome esteja indiretamente ligado com a busca da verdade, que é o objetivo da aplicação do método proposto por Descartes, ele não esta diretamente ligado isto, e era o que me incomada, já que eu buscava um nome que estivesse diretamente ligado a isto, tanto para os conhecedores quanto para os leigos. Após algum tempo vendo outras coisas (não lembro exatamente o quê, parece que o texto que a littlebee postou lá no forum), comecei a pensar sobre o conhecimento e a verdade, daí então surgiu "Princípios da verdade", que pra mim é um bom nome para este meu blog, já que ele também está diretamente ligado a o que me moveu por muito tempo, que é a busca da verdade. Então, esta postagem também anuncia em substituição do nome "Thier Law" este novo nome do blog, "Princípios da Verdade".