sábado, 26 de maio de 2012

Tensão evolutiva e topografia social

Cada vez mais próximo da realidade

Olá amigos. Mais uma vez a postagem de hoje vem com um tema mais ou menos relacionado à minha vida pessoal. Como já explicado antes, eu estou na situação de estudante pré-vestibular. Isto implica dizer que todo meu investimento de esforço e dinheiro durante um ano se resume, a princípio, a passar no vestibular. Embora eu tenha outras vantagens em estar estudando novamente, passar ou não no vestibular é o resultado mais importante, e pensar nisto agregando uma grande quantidade de desejo a esse objetivo é um tanto aflitivo. Isto porque, caso eu não alcance meu objetivo, irei ficar extremamente insatisfeito. Porém, eu vinha me perguntando se é natural e saudável esta estrutura da sociedade, onde toda a satisfação de um indivíduo se resume a obter ou não algum objeto de desejo. Levando em consideração que eu acredito que ser evoluído é ter boa qualidade de vida, e parte da qualidade de vida se obtém através do exercício físico, a falta de tempo pra fazê-lo, devido ao vestibular, me incomoda bastante. Isto foi associado com este meu atual dilema sobre foco de desejo, então eu tive o seguinte insight: se após o vestibular eu tiver outra coisa importante, então eu também irei deixar de fazer exercícios físicos por causa disto? Ou seja, uma prova importante, um trabalho importante, uma reunião importante, etc. Foi através disto que eu observei que o que faltava ao meu conceito de evolução é prever o consumo, que é o que será feito agora.

Tensão evolutiva:
Já foi dito aqui que evoluir é aumentar as chances de sobrevivência e reprodução. É através disto que todo o processo de esforço para se tornar uma pessoa melhor é desenvolvido. Porém, é preciso observar a conseqüência de ser evoluído: Quanto mais evoluído se é, maiores as chances de sobreviver e reproduzir. Como estes dois últimos termos se traduzem em qualidade de vida, é possível observar que uma pessoa evoluída necessariamente deve ter isto. Porém, qual a finalidade da boa qualidade de vida? A resposta desta pergunta é análoga a resposta sobre o porquê evoluir: porque o humano foi feito para se sentir bem. Este se sentir bem pode ser tanto obtido através da evolução, do se sentir sempre melhor, como também através do consumo daquilo que se deseja, algo relacionado à qualidade de vida. Analisando a sobrevivência como o ato de produção, ou seja, algo que tem que dedicar esforço pra só depois ter recompensa, e o ato de reprodução como consumo, algo que pode ser consumido e traz sensação de bem-estar imediata, é possível perceber que deve haver um equilíbrio entre os dois aspectos. Tanto porque o humano precisa se sentir bem, como também porque o humano precisa conseguir produzir aquilo que o faz bem, já que nada é dado de graça na natureza.

Através desta conclusão, percebe-se que há uma dinâmica entre estas duas características da evolução que podem ser categorizadas para fins de estudo. Esta dinâmica será nomeada como Tensão evolutiva, já que ela determinará o quão estressado e a aflito será o estilo de vida de uma pessoa. Ela funciona da seguinte forma: quanto maior o esforço depositado a produção, maior será o nível de estresse de uma pessoa. Por outro lado, quanto maior o esforço no consumo, maior será a tendência dela desenvolver um comportamento parasitóide. O motivo pelo qual a produção sempre ser estressante, é porque ela, além de depender do esforço, também depende do conhecimento e de fatores externos bem difíceis de serem calculados. Isto põe o humano numa situação de difícil percepção se está ou não fazendo a coisa certa para alcançar seu objetivo, o que o faz focar toda sua atenção naquilo e ficar estressado. Um exemplo é o vestibular, ou a competição do mercado. Outro comentário é que, embora não pareça, o comportamento parasitóide, já explicado por mim em uma postagem anterior do blog, é tão cansativo e estressante quanto uma vida independente, porque ele prevê que a pessoa dependerá de outras para ter aquilo que lhe faz bem. Por isto, o ideal é o equilíbrio entre independência, através da própria produção, e do se sentir bem, através do próprio consumo.

Uma nova questão a ser abordada é a seguinte: qual o nível saudável de tensão evolutiva? Esta resposta é um tanto complicada, pois depende do panorama da vida e dos desejos da pessoa em questão. De forma geral, é possível assumir que uma tensão conscientizada é o saudável. Isto quer dizer que, se uma pessoa deseja coisas difíceis em relação à média geral da população, significa que ela irá ter que se esforçar para produzir mais que essa média para então poder aproveitar depois. Se uma pessoa quer somente consumir, mas tendo condições para isto, que o faça também. Um bom exemplo é a zona de conforto, local onde tudo aquilo que é produzido é consumido, e, portanto, não há melhora, apenas bons sentimentos e independência. Contudo, afim de evitar distúrbios, não é aconselhável uma tensão não consciente, que se exemplifica por alguém depositar todo seu desejo de produção em algo com baixíssimas chances de ser alcançado, e não se preparar psicologicamente para caso isto dê errado. Um bom modo de se preparar é perceber que não existe esforço inútil, pois todo esforço aplicado se transforma, no mínimo, em aprendizado para novas situações, sem contar com outros efeitos não calculados. Exemplo, estudar pra passar no vestibular e, mesmo não passando, aprender um bocado de coisa e saber que é capaz de aprender se quiser e tiver as condições. Ultimo detalhe interessante deste assunto: quanto mais forte a pessoa for, maior será sua resistência a tensão evolutiva. Lembrando que a força a qual estou falando se refere à falada no blog na postagem anterior.

Topografia social:
Na postagem passada eu escrevi sobre o comportamento de lastro, um conhecimento bem interessante que me permitiu entender alguns comportamentos antes um tanto complicados de serem definidos. Porém, após aplicar este conhecimento de forma mais profunda, eu observei algo mais interessante ainda: que o lastro, que é geralmente onde as pessoas esperam obter sua qualidade de vida, pode estar localizada em diversas áreas, e nisto se constitui uma propriedade interessante, a topografia social. Como explicado na postagem anterior, o lastro pode ser localizado em qualquer coisa que o humano possa valorizar ou obter qualidade de vida, e isto pode estar tanto no presente, quanto no futuro. Assim como existe o lastro positivo, existe o lastro negativo, e este se relaciona com as experiências ruins daquela pessoa e com as coisas que ela não espera ter qualidade de vida. Através destas duas informações é possível explicar uma enorme quantidade de comportamentos de uma pessoa em relação ao meio social, e quando observado em grupo, é possível perceber que pessoas que participam de grupos sociais semelhantes tendem a ter o lastro negativo e positivo voltado a locais parecidos. Sendo esta propriedade mais importante em se observar ao definir a localização dos lastros.

Esta coincidência na localização de lastros que faz as pessoas se aglomerarem em grupos, mesmo que de forma inconsciente, não é simplesmente por acaso. Ela segue o mesmo princípio do estudo social, que diz que a base de vida das pessoas é parecida, por isto elas tendem a tomar as mesmas decisões. Embora cada pessoa seja diferente, as pessoas de uma mesma classe econômica ou cultural têm a tendência de ter os lastros parecidos. É exemplo das tribos que se reúnem por um gosto musical, por um estilo de vida, por objetivos em comum, como se divertir em festas, pegar meninas, ou ganhar em algum jogo, dentre tantas outras características. De forma semelhante, existe a mesma chance de pessoas terem experiências semelhantes quanto ao lastro negativo, ou seja, não conseguir ter uma posição confortável na família, não conseguir uma boa posição nos grupos sociais da escola, ter experiências ruins com políticos, matemática, dentre outras coisas. São estes comportamentos, que tendem a surgir sistematicamente na vida das pessoas, que fazem elas terem determinada topografia social e a se aliar com pessoas parecidas com elas. Afinal, ambas desejam a mesma coisa, por isso se ajudam, e não gostam da mesma coisa, por isso se entendem e sabem como se agradar.

Quanto a localização do lastro de acordo com o tempo, esta é uma propriedade bastante interessante. Tendo em vista que o lastro é aquilo que se valoriza de alguma forma, se existem motivos para determinada pessoa valorizar seu presente, a tendência é que ela continue valorizando este presente. A partir daí, monta-se uma personalidade voltada para o consumo do presente, ou seja, buscando uma vida intensa e proveitosa. Normalmente as características que se observa neste quadro de estilo de vida são as relacionadas ao sexo, já que esta é uma das formas mais comuns que a maioria dos humanos encontra qualidade de vida de forma instantânea. É por isto, inclusive, que a cultura voltada à dinâmica das relações sexuais, que são as que falam de amor, traição, sensualidade, dentre outras, é tão forte, já que existe uma grande quantidade de pessoas com este tipo de lastro. Outras formas de lastro no presente é a diversão, competição, relações familiares, apreciação da arte e das experiências humanas, dentre outras. O tipo de personalidade de lastro voltada para o futuro normalmente são mais agressivas e intelectuais. O fato de esperar algo idealizado, que é um futuro melhor, faz as pessoas não perceberem o quão é difícil obter algum tipo de resultado. A intelectualidade é utilizada como uma forma de justificar como as coisas serão melhores. A agressividade é resultante da hostilidade com o presente, pois se esta pessoa teve que lastrear o futuro, significa que seu presente não é como ela gostaria. Músicas relacionadas ao poder e a sentimentos agressivos são comuns a este tipo de personalidade.

O lastro ao passado provavelmente é aquele tipo em que a pessoa costuma nutrir sentimentos nostálgicos e falta de valorização ao presente ou futuro. Costuma viver sem tensão evolutiva, provavelmente ocorre em pessoas com idade mais avançada. Determinar qual o lastro ideal para a evolução é semelhante a determinar qual a tensão evolutiva ideal: isto varia de pessoa para pessoa. Por motivos também parecidos, já que se o presente parece ser melhor que o futuro, que o valorize, e o vice-versa também é válido. Porém, do mesmo modo, é importante não valorizar demais apenas uma coisa com a finalidade de evitar distúrbios, pois todo presente precisa de um futuro, assim como todo futuro precisa de um presente. É importante observar mais uma propriedade interessante do lastro: quanto maior a distancia entre dois lastros, maior será a tendência de eles serem negativos um para o outro. Isto se justifica porque o humano tem a tendência de não valorizar aquilo em que ele é ruim, então se a pessoa se dedica muito para se tornar boa em uma coisa, a tendência é ela desvalorizar a outra, a qual ela não é boa. Isto traz outra observação importante: quanto mais madura sentimentalmente uma pessoa for, melhor ela saberá lidar com o lastro negativo. Pois, afinal, o lastro negativo é simplesmente uma questão de posição. Desqualificar alguém que siga um lastro a qual não se valoriza é algo totalmente desnecessário e não vantajoso, mas que muitas pessoas o fazem por não terem consciência sobre o que é importante para os humanos, que é se sentir bem.

Encerramento:
Enfim amigos, mais uma postagem sem revisão concluída. Foi muito interessantes estes dois temas, pois eles conseguiram reunir um monte de características importantes pra evolução e ainda aprofundar ainda mais seu conceito teórico. Agora só me resta por em prática estes conhecimentos pra ver se eles realmente são tão úteis quanto eu imagino. Sinto que meus conceitos estão cada vez mais próximos da realidade, e isto é interessante. Para quem quiser dá uma passadinha nas postagens que eu falei durante a postagem, aqui seguem os dois links: http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2011/11/aperfeicoando-os-conceitos-ola-amigos.html e http://www.barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/05/comportamento-de-lastro-e-forca-humana.html No mais, agora vou sair com meu amigo Bruno e o resto da noite pretendo escutar o novo cd do The Ting Tings com as letras traduzidas de lado. Abraços para todos e até a próxima postagem.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Comportamento de lastro e força humana

 Novas observações

Olá amigos. Cá estou eu escrevendo novamente. Sinceramente minhas introduções voltaram a ser repetitivas, prova é que novamente sinto vontade de dizer que estou escrevendo com muita preguiça. Vou pensar sobre isso outra hora, porque agora é hora de escrever sobre uns temas que eu venho pensando há algum tempo e que são interessantes. Antes de continuar, devo dizer que minha lista de temas para escrever para o blog está enorme. Não sei exatamente se faço certo ao me desapegar do blog como eu ando fazendo. Sinto que fujo um pouco da natureza científica que me fez ser o que sou hoje, e eu gosto do que sou hoje pelo menos até agora. Sobre os temas de hoje, eu os produzi há algum tempo e estão se mostrando bastante interessantes para explicar alguns comportamentos humanos, e que novamente estão conectados a psicologia evolutiva. A cada dia que passa, eu venho me perguntando sobre qual é a real função da psicologia evolutiva na minha vida, e a resposta que ela é o conjunto de leis que organizam e dão sentido às minhas experiências e teorias humanas. Isto é, eu poderia saber tudo o que eu sei hoje sem ela, porém, de forma bem mais desorganizada e ineficiente. Enquanto der para sustentar ela, farei isto, porém, existe uma enorme quantidade de condutas práticas que precisam ser desenvolvidas por mim para eu finalmente chegar à fase adulta. Vamos à postagem de hoje, que foi nomeada com um conceito econômico que funciona de forma bastante análoga a este conhecimento.

Comportamento de lastro e conseqüências:
De modo geral, eu entendo que lastro pode ser definido como uma propriedade que as entidades que garantem que suas funções nunca fiquem abaixo de determinado limite. Em economia, exemplificamos como o papel-moeda, que a princípio não vale nada, mas passa a valer quando dá ao direito do seu possuidor a trocá-lo por ouro no banco na respectiva quantia. De modo geral, quando um existe lastro em um negocio, há garantias que ele irá trazer determinados resultados se começar a produzir, porém, existem situações em que não há a produção. É comum, nestes casos, os investidores ficarem atentos e buscarem formas da se iniciar ou continuar, pois só assim eles serão beneficiados. De forma análoga a isto os humanos administram suas relações, em um sistema que deriva das propriedades da psicologia evolutiva e que pode ser resumido através da forma como o instinto humano, através da imagem, calcula se vale ou não o investimento em determinado relacionamento.

Exemplificando, existem dois rapazes, um surfista e um skatista rockeiro. Ambos praticam esportes e possuem características físicas semelhantes, sendo o principal diferencial entre eles a imagem que ambos carregam de seu estilo de vida. O que fará a menina decidir por um ou por outro é justamente aquele que carrega a imagem que tenha as características que ela mais valoriza. Se ela escolheu o rockeiro porque ele apresenta um estilo de vida divertida e viva num ambiente que ela goste, mesmo que ele tenha os defeitos, ela irá fazer o que poder para melhorar isto e continuar com ele devido ao alto lastro que a imagem dele passa pra ela. Porém, qualquer defeito do surfista será motivo o suficiente para que ela não o escolha, afinal, ele não tem lastro nenhum com ela. Este comportamento de lastro se mostra bastante importante na dinâmica social, pois várias atitudes que um desconhecido tende a tomar com o outro são basicamente baseados nele. Em outras palavras, é o lastro que determina a quantidade de esforço que uma pessoa irá se dispor a gastar para fazer uma relação funcionar a princípio, ou continuar funcionando, se o lastro ainda existir.

Embora eu tenha exemplificado com a imagem, o lastro se expande a quaisquer características que uma pessoa possa desejar na outra. Isto surge devido à enorme capacidade de associação da mente humana, bem como com a capacidade de atribuir beleza a aquilo que ela considera importante, e de que esta importância varia de acordo com a linha de raciocínio. É preciso adiantar que este comportamento de lastro é bem instintivo, e ele tende ao positivo ou ao negativo devido estar relacionado diretamente com a quantidade de esforço que será depositada em determinada relação pelo instinto, e o modo que o instinto encontra para estimular ou não o esforço é através do desejo ou preguiça. Por isto que, diante de um lastro positivo, a pessoa busque formas de ver positivamente os aspectos negativos da outra, já que há o desejo que disponibiliza esforço para fazê-la melhorar ou buscar formas de contornar isto. Quando lastro negativo, não costuma haver desejo nenhum em iniciar aquela relação e quando ela é forçada a existir por outros fatores, surge à preguiça em mantê-la.

Existem duas conseqüências interessantes deste comportamento de lastro. A primeira está relacionada com o lastro positivo, e é bem simples: existe uma enorme probabilidade de um lastro extremamente alto se transformar em paixão. Pensando bem, a partir de agora eu posso assumir que a causa da paixão é o lastro extremamente alto. Essa é uma forma mais técnica de explicar a paixão. A segunda conseqüência é quanto o lastro negativo, e é um pouco mais complicada: quando uma pessoa sente lastro negativo pra outra, significa que há algo que ela não gosta naquela pessoa. Este algo normalmente é apenas uma imagem, e nem sempre esta imagem conduz totalmente com a realidade. Nestas situações, é comum haver a preguiça para verificar se a imagem é ou não correta, e através disto assume-se um preconceito, que irá fazer com que aquela pessoa busque ver a outra sempre de forma negativa. Este incentivo da preguiça e do lastro negativo fará com que sempre haja um comentário negativo que faça ela não gostar da outra, como exemplificado anteriormente, até que algo faça isso mudar.

Força humana
:
Há muito tempo eu venho refletindo sobre força humana. Não é raro encarar situações de competição onde determinado estilo de força conta mais, e então se chega a conclusão que força é algo relativo ao objetivo. O exemplo clássico é força intelectual e força física. De qualquer forma, sempre me pareceu que para obter estes dois ou quaisquer outros tipos de força, além de certa propensão genética ou característica de vida, fosse necessário algum tipo de esforço. Se levarmos em consideração que o esforço seja um fator a qual todas as pessoas têm condições de acesso, então, teoricamente, todas as pessoas podem ser fortes. Contudo, o que se vê por ai são pessoas que não buscam melhorar, e por isto se tornam fracas. Quando eu digo fracas neste contexto, quero dizer que elas não são tão boas quanto poderiam ser caso se desenvolvessem outro tipo de atitude. Em resumo, estou falando da força psicológica, que é diretamente relacionada à quantidade de esforço que alguém gasta para alcançar determinado objetivo.

Iniciei então as investigações para saber sobre de que se trata a força psicológica humana. Voltei então aos princípios da psicologia evolutiva. Se a força está relacionada diretamente ao desejo de fazer algo, então as propriedades do desejo podem ser aplicadas. Elas dizem que para que se desenvolva o desejo, a pessoa deve sentir sobre como algo irá aumentar suas chances de sobrevivência e reprodução para então desejar. A partir da propriedade do instinto influenciar o raciocínio e vice-versa, o conjunto de conhecimentos adquiridos por tal pessoa durante a vida estará diretamente relacionado com o que ela sente, e, portanto, deseja. Supondo que a pessoa já tenha um conjunto de experiências que a leve a desejar algo, chega-se então ao momento em que a pessoa move seus esforços para conquistar este algo. Se bem instruída, seu esforço irá trazer resultados e seu instinto irá se sentir satisfeito por possuir aquilo que deseja. Se não, ela provavelmente irá continuar a desejar, já que suas experiências de vida, que a fizeram desejar aquilo, não mudaram. Então, já que não consegue ter aquilo que deseja, todo o resto passa a não importar, então ela tende a não desenvolver esforço para fazer com que o que lhe sobrou se torne algo bom.

Porém, o que realmente importa aqui é o seguinte: o porquê o primeiro caso conseguiu aquilo que deseja e o segundo não conseguiu? De acordo com o princípio de que o humano só deseja aquilo que considera possível, ambos os casos presumiram que seria possível obter aquilo que deseja, mas somente no primeiro caso, de fato, foi possível. Se o segundo chegou a considerar que poderia possuir aquilo que deseja, e não conseguiu, pode-se chegar à conclusão que ela estava enganada quanto a sua realidade. É esta conclusão que é a principal constatação sobre de que é constituída a força humana: de conexão com a realidade. Nestes dois casos, aquela que estava mais conectada com a realidade desejou aquilo que realmente lhe é bom e lhe é possível, por isso obteve as melhoras de chances de sobreviver e reproduzir. A outra, que desejou aquilo que não é possível ou exige condições extremamente raras ou difíceis de serem obtidas e não teve consciência disto, simplesmente não obteve o que desejou porque a realidade não lhe permitiu, mesmo que ela pensasse ser possível. Isto aconteceu devido à falta de conexão com a realidade, que é basicamente o conhecimento sobre como as coisas funcionam e como o esforço pode produzir determinados resultados.

Entender de que é constituída a força humana é parte do processo para entendê-la de forma aprofundada. Outra questão importante é entender como ocorre à conexão com a realidade. Grande parte da experiência que uma pessoa carrega vem do relacionamento diário com as pessoas mais próximas delas, neste caso os pais ou os responsáveis. Sendo assim, parte da responsabilidade de conectar a criança a realidade vem dos pais, que tem o compromisso, para atingir esta finalidade, de explicar de forma coesa e simplificada como o mundo funciona. Porém, de fato, compreender a realidade, até para os adultos, é algo complicado. Não é raro ver visões erradas sendo transmitidas as crianças, que desenvolvem filosofias também erradas durante a adolescência e chegam à fase adulta cheia de conflitos a serem resolvidos em meio a um mundo de competição selvagem. Parte destes conflitos vem justamente do desejo não conectado a realidade, e destinado a não ser alcançado, que estes jovens desenvolvem por não ter uma filosofia que compreenda o mundo. Compreender, neste caso, significa entender que tipos de estímulos causam determinadas ações, o porquê, aceitar e saber utilizar e configurar isto a seu bem e desenvolver uma boa evolução. Através destes conhecimentos, o esforço será bem aplicado em mecanismos que realmente funcionem e tragam resultados, e através disto o desejo será alcançado.

A grande importância de ter o desejo alcançado é a de que o desejo é diretamente relacionada a evolução. Se a pessoa tem seu conjunto de desejos bem ordenados, significa que ela tem uma evolução bem ordenada. Isto fará com que ela sempre aplique seu esforço naquilo que realmente seja bom pra ela, e através disto ela irá construir chances de sobreviver e reproduzir bem sólidas e conscientes. Obviamente, o processo de evolução em si, que é se tornar melhor, por princípio, exige que ela explore ainda mais a realidade para construir coisas que seus pais não construíram. Porém, devido a conexão com a realidade já estar bem firmada, este aprofundamento será feito de forma orgânica e produtiva, pois a própria consciência da complexidade da realidade fará com que a pessoa assuma que haverá erros que precisarão ser corrigidos, conhecimentos que precisarão ser adquiridos e que nada vai dar certo de primeira. É esta compreensão e conexão com a realidade que faz uma pessoa se tornar forte em produzir aquilo que deseja. Fará ela escolher bem o que desejar, e alcançar boas chances de sobreviver e reproduzir. No vice-versa, quem não tem a conexão com a realidade estará fadada a ter a maioria do esforço não dando bons resultados. Ao não compreender isto, tentará culpar qualquer coisa menos a si própria, e não construirá boas chances de sobreviver e reproduzir.

Três fatores me motivaram a falar sobre isto hoje. O primeiro é eu me deparar com estas reflexões e situações durante o dia-a-dia. O segundo é a interessante semelhança que há entre o conceito que eu desenvolvo e entre o conceito de Nietzsche. Recentemente meu amigo Bruno tem lido, sintetizado e me explicando alguns conceitos sobre a força segundo Nietzsche. Foi a partir destas conversações que eu tive a percepção de que este era realmente um conceito importante a ser trabalhado. O terceiro foi que este conceito se relaciona com o princípio de pressões de expectativas internas e externas, escritas por mim há umas três postagens atrás. (http://www.barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/04/imersao-artistica-e-principios-das.html). O conceito de força se relaciona com este conceito porque a força interna, para agüentar o externo, é justamente esta força psicológica que se firma na conexão com a realidade.

Encerramento:
Enfim amigos. Hoje eu pretendia escrever mais um tema, mas não deu. Essa postagem já ficou longa, o texto sobre força humana ficou maior que eu previa, e já está na hora de ir dormir. Amanhã terei aula. Este foi mais um texto que eu começo no sábado e só termino no domingo. O primeiro talvez esteja cheia de erros porque eu escrevi enquanto conversava, mas a preguiça para corrigi-lo é grande. Próxima semana eu vou tentar trazer novos temas para o blog, pois meu bloco de notas ainda tem vários. Sem mais assuntos para o encerramento, boa noite para todos.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Publicação: Um merda feliz e Domínio do conhecimento

 Também é arte

Olá amigos. Cá estou eu escrevendo mais uma vez para o blog. Desta vez demorou para o velho senso de dever vencer a preguiça. Hoje irei falar sobre uns poemas, mas antes, vamos às novidades: continuo firme com minha rotina de estudo. Não tão pesada quanto eu gostaria, mas ainda sim forte se comparada a maioria dos estudantes. Junto a rotina de estudo, também preparei uma rotina de exercício que até o momento está me satisfazendo muito. Inclusive, hoje é dia, assim que terminar esta postagem. Embora eu esteja nesta rotina apertada, tenho tido algum tempo para ter algumas idéias. Na verdade, talvez até mesmo esta rotina apertada, que consiste de novos ambientes e costumes e me permite experimentar novas coisas, tenha inspirado alguma coisa. Provavelmente algumas destas coisas serão escritas aqui no blog, basta minha coragem deixar. Hoje, como já adiantado, só irei falar duas coisas que eu escrevi apenas à caráter experimental. Quis, de certa forma, sintetizar uma simbologia forte e que comunicasse o meu desejado. Foi disto que surgiram os dois poemas que serão mostrados a seguir, mas, desta vez, não farei comentários sobre eles. Pelo menos por enquanto.

Um merda feliz.
De que a felicidade é constituída?
Por definição, eu sou feito de merda.

Precisarei mudar para constituir uma felicidade?

Para que irei eu, um merda, querer viver?

Se nunca encontrarei a felicidade em lugar algum.
O que é preciso ter para possuir a felicidade?

Algum tipo de poder? Algum objeto comprável?

E os fracos e sem dinheiro, nunca serão felizes?
Crianças pobres morrem de fome e desejam comer,
Enquanto obesos ricos desejam emagrecer.

O que se nota nesta confusão sobre a felicidade,

É que ela não se encontra em objetos ou status.
Nem em classe social ou econômica, poder ou fama.
Todos buscam a felicidade, independente do que sejam.

Nisto se conclui que ela é imaterial, transcendental.

Nunca terão o suficiente aqueles que buscam erroneamente.
Para isto, terão de buscar naquele que é o lugar mais próximo,
Mais difícil e mais comum a todos: dentro de si mesmos.

Deste modo eu descubro de que se constitui a felicidade:

Ela se constitui do que eu sou, do que há dentro de mim.
É assim que mesmo sendo um merda, eu sei que sou feliz.


Este próximo não tem formato de poema, mas também foi sintetizado. Esclarecer que quando eu digo sintetizado, quero dizer que foi criado ao método de erro, tentativa e construção de acordo com o objetivo. Ou seja, não é algo que vem através e unicamente da inspiração, e que tende a demorar um ou dois dias, pelo menos, pra ser concluído. Este não tem título, mas qualquer referência da analogia do conhecimento sendo dominado igual a um cavalo selvagem é comôdo.

O conhecimento é como um cavalo selvagem. No começo parece indomável, até que haja a coragem para a primeira tentativa. Haverá várias quedas, mas a cada uma delas se notará que foi possível permanecer um pouco mais no cavalo. Quanto mais forte ele for, mais preciosa será sua montaria. É preciso ter força para cair e levantar tantas vezes forem necessárias até dominá-lo, segurá-lo pelas rédeas e fazer dele o que bem quiser.

Encerramento: Enfim amigos. Espero que tenham gostado do que foi escrito por mim. Agora eu estou escutando Tuatha de Danann, ter jogado Settles Online, de alguma forma, me fez voltar a gostar dessa banda. Além disso, ela tem uma ótima sonoridade. Ainda continuo muito admirador da Lady Gaga, mas quero continuar explorando o mundo da música e não deixar a comodidade da velhice me possuir. Por falar em jogo, este jogo não tá atrapalhando muito a minha rotina de estudo pois, até agora, só precisa de meia hora por dia para fazer os ajustes na economia necessários. To gostando desse jogo também porque nele me sinto um arquiteto/economista, e isto me faz pensar sobre o quanto é difícil organizar uma cidade mal estruturada, e o quão é difícil também estruturar uma cidade. Os governadores devem ser pessoas com bastante conhecimento e boa vontade para ter paciência de absorver e utilizar de forma eficiente as ferramentas que o conhecimento traz. Boa noite a todos, até a próxima postagem.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Imersão artística e princípios das pressões de expectativa exterior e interior

Olá amigos. Percebi que esta seria uma ótima manhã pra escrever porque eu estou sem nada pra fazer e, para acentuar isto, a internet está ruim. Porém, demorei a iniciar a postagem por falta de assunto, foi então que eu me lembrei de abrir meu bloco de notas com os lembretes e vou escrever sobre algum assunto que está lá, apenas para atualizar o blog mesmo. Sobre as novidades, esta semana há algumas. Como provavelmente eu já informei em alguma postagem anterior, eu quase trocava de pré-vestibular, mas acabei não fazendo isto por alguns estresses que haveria no processo de troca por estar ficando algum tipo de laço com o meu pré-atual. Mas isto me revelou uma questão bem preocupante: minha dependência do pré-vestibular. Algumas pessoas com quem conversei me afirmaram que o aluno não pode ser dependente do andamento do pré-vestibular, tendo que, portanto, encontrar formas de estudar sozinho. Fazer isto é um grande problema pra mim, que não sei como iniciar o processo de estudo individual, se irei fazer da forma certa, e se o que estou estudando é ou não valido, e nem se o quanto eu estou estudando é o suficiente. Além disso, falta disciplina até mesmo para trabalhar em cima dessas perguntas, isto é algo que eu pretendo fazer hoje de tarde ou depois. Vamos agora à postagem.

Imersão artística:
Mais uma vez volto ao conceito de arte para a psicologia evolutiva, que é toda e qualquer técnica que mexa com os sentimentos humanos. Mas de alguns tempos prá cá eu observei que não somente a técnica mexe com os sentimentos humanos, como também o contexto. Foi isto o que me induziu a pensar na “imersão artística”, que é o esforço em se posicionar na posição do artista ou do objetivo da arte para sentir a mesma coisa que as pessoas envolvidas sentem, para então entender os sentimentos e o propósito do que está sendo produzido.O exemplo mais interessante que eu me lembro atualmente é o caso de uma banda russa chamada t.A.T.u., duas lindas garotas que produziam um som futurista bem trabalhado e se apoiavam principalmente  na temática do homossexualismo para fazer com que suas letras, um tanto subliminares, fizessem algum sentido. As letras dão a entender que falam sobre elas lutando contra o preconceito e os desafios que um casal lésbico vive, e todos sentiam que isso era verdadeiro e se identificavam com o que estava sendo produzindo, sentindo os mesmos sentimentos que elas estavam vivendo e superando, por serem lésbicas.

Porém, elas não eram lésbicas. E isto desmanchou toda a magia e o sentimento de estar superando os desafios que o clima das músicas transmitia. Tanto é que no começo da banda, elas faziam certo esforço para parecem lésbicas, contudo, após revelarem que eram heterossexuais, a banda entrou em declínio. Outro exemplo interessante foi o de Azaghal, num vídeo do Jovem Nerd, que, por não concordar com a ideologia do jogo, não se sentiu a vontade em empenhar esforço para alcançar o objetivo que o jogo propunha. Porém, em outros vídeos, quando ele concordava e entendia racionalmente a dificuldade ou os sentimentos que determinado feito representavam, ele se esforçava para sentir a mesma coisa que os personagens sentiam.

Estes dois exemplos mostram que o racional influencia absurdamente na forma como a arte é sentida. Por ser racional, e partindo do princípio que o humano controla seu raciocínio, é possível fazer uma imersão artística para buscar entender e posteriormente sentir tudo aquilo que o artista está produzindo, se assim houver o desejo. Porém, principalmente para as mentes não tão bem trabalhadas no autoconhecimento, esta é uma tarefa complica. Compreender isto é importante, principalmente para quem produz ou aprecia arte, pois através deste conhecimento é possível entender e desenvolver várias funções para a arte, e posicioná-la de várias formas diferentes. Na realidade, muitos artistas já percebem isto intuitivamente, assim como os apreciadores, porém, para evitar confusões, ações despropositadas, e para aumentar a eficiência da produção e apreciação artística, é bom ter estes conhecimentos em mente.

Princípio das pressões de expectativa exterior e interior:
Faz algum tempo que eu percebi isto, porém, não tive paciência e nem estava encontrando a linha de raciocínio correta para expressar essa idéia da melhor maneira possível na última vez que eu fui escrever, o que me fez guardar este assunto para outra ocasião. Desta vez vou fazer diferente, provavelmente vai funcionar. Observando a sociedade como um todo, percebi que existem algumas pessoas que acham determinadas posições naturais pra elas, a tal ponto de se envolver completamente com tal posição. Em alguns casos, esta posição era de alto nível de poder humano, em outros casos, baixo nível de poder humano. Isto me fez pensar o que faz cada pessoa aceitar a imagem que transmite para a sociedade e se envolver com isto em vez de buscar algo melhor ou diferente, foi então que eu desenvolvi um princípio, chamado princípio das pressões de expectativa exterior e interior.

Ele se baseia principalmente nas propriedades humanas de sempre buscar a melhor forma de evoluir e de se adaptar ao meio. Na prática, ele ocorre da seguinte forma: cada pessoa busca, para si, a melhor forma de evolução. Para tomar esta decisão, ela utiliza principalmente duas formas de julgamento: o julgamento interior, que são os resultados que ela observa que consegue alcançar através de seus conhecimentos instintos e racionais, bem como seus recursos individuais, e o julgamento exterior, que é o que as pessoas esperam dela e como elas reagem a cada resultado alcançado por aquela pessoa. Quando uma pessoa tenta se desenvolver em uma área que a maioria das pessoas não esperam, ela sofre um certo tipo de pressão de expectativas, que pode ser observado principalmente através do preconceito na  resistência em apreciar e valorizar. Quando, por outro lado, a maioria das pessoas espera algo de alguém, este alguém sente uma pressão enorme para atender aquelas expectativas, e quando não atende, a maioria das pessoas jogam nela sentimentos de depreciação e decepção, dentre outros ruins.

Embora a tendência seja a maioria das evoluções ocorrerem com estes dois tipos de pressões equilibradas, é possível evoluir quando há o desequilíbrio. Isto ocorre quando a pressão interna é forte o suficiente para suportar a pressão externa, em termos práticos, a pessoa é capaz de resistir a todo o preconceito e olhares depreciativos até as pessoas reconhecerem aquilo que ela está tentando produzir, como também pode ocorrer quando a pressão externa é maior que a interna, quando as pessoas sabem que aquela pessoa é capaz de produzir algo que mesmo ela não sabe que é capaz, mas através do incentivo acaba conseguindo fazer. É preciso observar que em algum momento a evolução individual precisa encontrar a grupal, pois o processo de evolução humana não se completa se for apenas individualmente. Seguindo a analogia de pressão para este comportamento, a pressão interna e a pressão externa, embora em desequilíbrio, precisam se encontrar em algum momento para ambas seguirem o fluxo da evolução, porém, elas não precisam necessariamente estar em constante equilíbrio.

Encerramento:
Bom amigo, por hoje é só. Eu pensei em escrever sobre mais dois temas, mas não vou fazer isso agora porque a postagem irá ficar muito grande e também porque eu ainda preciso trabalhar neles. Um está relacionado com os traumas de infância que podem determinar o futuro, quero entender como isso pode ser determinante nas escolhas de um adulto, e também sobre como comportamentos artificiais, ou montados instintivamente através da observação, podem gerar uma dinâmica social vantajosa. Estou acumulando textos não revisados este mês, pois este será o terceiro, mas a preguiça é maior. Enfim, até a próxima postagem e abraços.

domingo, 25 de março de 2012

Perfis dos jogos e construção e diversão como direcionadores da evolução

Específicações

Olá amigos. Mais um domingo que me dá uma enorme vontade de escrever sobre algo. Hoje pretendo escrever sobre coisas breves e diversificadas, umas antigas idéias que já estão anotadas no meu bloco de notas faz tempo. Ultimamente eu tenho pensado sobre a evolução das minhas idéias, pois é difícil deixar tudo organizado e registrado, contudo, eu continuo avançando em busca de conhecer mais e mais coisas. Mas quanto mais avançadas elas ficam, mais difícil se torna a comunicação com as pessoas que não tem a preocupação em ter este tipo de avanço intelectual porque eu acabo fugindo de mais dos conhecimentos e posições filosóficas comuns. Como produtor de conhecimento, eu fico também me preocupo com a distribuição, porém, é bem difícil distribuir idéias por inúmeros fatores, sendo alguma das principais dificuldades a relação estrita que as idéias têm com o instinto e também quanto à definição sobre o porquê alguém as usaria. Quanto a outras novidades, não mudou muita coisa desde as ultimas postagem, portanto, vamos à postagem.

Perfis de jogos:
Uma coisa que eu já notei é que é possível organizar os tipos de jogos em algumas categorias diante das semelhanças que cada gênero apresenta em relação a evolução. Portanto, criei quatro categorias para fins de estudo e organização, que depois pode ser ampliado ou modificado. Vamos às categorias.

Exploração: Os jogos de exploração prezam bastante pelo instinto de curiosidade, de desejo por conhecimentos novos e automotivação. Isto porquê nestes jogos, o jogador se encontra num mundo a ser explorado, onde cada cantinho pode ter uma surpresa interessante que irá beneficiar sua aventura como um todo. Nestes jogos é bastante comum encontrar itens colecionáveis, se tornando eles objetos de desejo dos jogadores que acaba se tornando um objetivo a mais no jogo apenas por diversão. É nesta diversão não obrigada que se encontre a automotivação, pois os jogadores se motivam a conquistar coisas que só os mais curiosos e desbravadores acabam por conseguir, como a coleção de todos os itens do jogo. Estes jogos não exigem nenhuma habilidade específica, mas sim um conjunto abrangente de percepção que é necessário para o jogador avançar ou encontrar coisas raras. Os gráficos destes jogos normalmente são bonitos, ricos e interativos.

Competição: Os jogos de competição costumam consistir de um mecanismo bastante dinâmico e rico de variáveis. Neste modelo, os jogadores se enfrentam com o objetivo primário de vencer, contudo, acabam realmente fazendo isto pelo prazer de um combate de alto nível, onde o conhecimento e a atenção são exigidos ao máximo. Normalmente os duelos de jogos de competição que fazem sucesso costumam consistir destas duas variáveis: conhecimento sobre o jogo e atenção durante a luta, muitas vezes havendo uma terceira variável, que é conhecer o estilo do inimigo. Isto significa que não basta apenas conhecer o jogo, pra ser melhor tem que ter mais atenção para captar todas as informações do campo de batalha e também sangue frio para processá-las. Jogos de competição costumam ser cruéis, pois sempre haverá um vencedor e outro perdedor, por isto alguns jogadores tendem a desenvolver uma filosofia um tanto agressiva e ignorante para suportar esta pressão e progredir de nível até algum razoável. A modalidade de jogador contra computador também pode ser considerada como jogo de competição, porém, o nível de dificuldade é pré programado e por isto a dificuldade tende a ser gradual para acomodar novatos e experientes. Os gráficos destes tipos de jogos precisam ser bem definidos e leves, pois a ação é o principal foco dos jogadores.

Interpretação: Podem ser considerados jogos de interpretação aqueles que consistem em posicionar o jogador numa posição dentro do cenário através de um personagem, e fazer com que o personagem evolua dentro deste cenário, fazendo com que o jogador tenha a mesma sensação do personagem. São jogos com histórias bem elaboradas e que normalmente os jogadores prezam bastante pela história, sendo ela um dos principais fatores que fazem o jogador se inserir no cenário, personagem, e acreditar naquele desenvolvimento de tal forma que sinta ele também. Os gráficos também colaboram bastante para este tipo de jogo, pois quanto mais o jogador se sentir envolvido por uma coisa bem produzida e realista, mais ele irá acreditar naquilo que está acontecendo e sentirá o desenvolvimento acontecer. Um exemplo interessante é comparar gerações diferentes do videogame, onde antigamente só era necessário um pequeno borrão na tela para as pessoas acreditarem que um monstro está se transformando, e atualmente é necessária, de fato, uma transformação bem feita para as pessoas acreditarem ao invés de constatarem que aquilo não aconteceu ou não foi bem feito.

Enigma (quebra-cabeça): São os jogos que envolvem uso dos mecanismos lógicos de forma direta. Neste caso, é preciso avaliar as propriedades de cada objeto, do cenário, a relação entre o cenário e objetos e etc. Estas propriedades são exploradas de várias formas nos diferentes níveis, e costuma-se adicionar novos elementos que aumentam as relações objeto e cenário. Vez ou outra há o tempo como um elemento a ser considerado, ou há alguma ação, mas ainda sim o jogo continua enfocado nos elementos mecânicos. Para se sair bem, o jogador precisa ter atenção e variar bastante as tentativas de solução, ou mesmo parar e pensar em alguma nova alternativa. Os gráficos costumam ser bem simples e objetivos, buscando representar de forma eficiente a relação entre os elementos.

Construção e diversão:
A definição de evolução continua em constante mutação. Isto não é necessariamente algo ruim, pois é possível perceber que ela está se tornando cada vez mais precisa e próxima a realidade observável. No começo, a definição era: tudo aquilo que aumenta as chances de sobreviver e reproduzir. Porém, logo depois de observado a propriedade de configurações mentais, foi possível adotar que evolução é a capacidade que alguém desenvolve de produzir determinados resultados, que é um aprofundamento da definição anterior, pois estes resultados aumentam as chances de sobreviver e reproduzir. Ultimamente minha principal dúvida era sobre o que faz as configurações mentais se tornarem o que são. É bastante perceptível que elas adotam um sentido de direção, pois podemos ver um enorme padrão de comportamentos a qual a indústria se aproveita para comercializar bem seus produtos, é com base nisto que minha dúvida persistia. Foi durante uma conversa com meu amigo que um insight surgiu, foi quando eu percebi que as configurações humanas são direcionadas a duas coisas: construção e diversão.

Quando eu uni estas duas palavras na mesma frase, as coisas pareceram ter sentido por vários motivos. Primeiro porque construção se relaciona com os comportamentos de sobrevivência, e diversão está se relaciona com os de reprodução. Explicando melhor, quando estamos construindo algo, estamos construindo pensando na sobrevivência que teremos futuramente, na qualidade de vida, no conforto. Estas características não estão relacionadas à reprodução em si porque são coisas construídas através do esforço e trazem sentimentos de longo prazo. A diversão ocorre sempre que há o alcance ou superação das expectativas de forma positiva e também quando há o consumo de algo que gera prazer, sendo ambos os aspectos de caráter momentâneo. Por ser momentânea, as pessoas tendem a escolher a opção que lhes parece melhor no momento em que decidem se divertir, havendo então o processo de seleção da reprodução. Além disto, enquanto que na sobrevivência existem as pessoas construindo algo para si, na reprodução há as pessoas consumindo coisas, e geralmente este consumo não é individualizado. São dois comportamentos contrários que trabalham em feedback e em mutualismo, ou seja, um precisa do outro para existir.

Quando observamos as várias configurações mentais existentes, é possível perceber que elas são especificadas em, ou construir e desenvolver algo, ou em gerar diversão ou dinâmica social. Uma pessoa que se especializa em construir, por exemplo, conhece um monte de métodos para realizar determinado trabalho, o que lhe garante dinheiro, enquanto que uma que se especializa em diversão conhece vários métodos para se interagir com as pessoas. Esta é uma relação de mutualismo porque para algo ser construído, deve haver consumo, e para haver consumo, deve haver construções. É bom esclarecer, e talvez eu esteja me comunicando mal ao fazer isto somente agora, que construção neste caso é tudo aquilo que demore um longo período de tempo pra ser concretizado. Desenvolver um conhecimento, uma empresa, uma imagem, tudo isto se relaciona com construir algo a qual se tenha orgulho depois. Diversão, como já dito, é relacionada ao consumo e ao imediatismo, gerando bons e fortes sentimentos. A diversão é necessária porque o humano gosta de se sentir no limite, e também porque é por meio dela que as pessoas se interagem e desenvolvem seus relacionamentos afetuosos.

Encerramento:
Então é isto, amigos. Minha dúvida agora é porque existem algumas evoluções que irritam outras, e embora eu saiba o princípio sobre isto, quero me aprofundar um pouco mais. Além disto, eu também estava com a idéia de fazer um “vetor da evolução”, que define a direção como a forma de evolução, e a intensidade como a força que isto é feito. Esta idéia se sustenta nas observações de que alguns tipos de pessoas conseguem produzir bem mais resultados que outras, e parte desta força vêm de uma filosofia que lide bem com os elementos da evolução, como variabilidade, relações afetuosas, posicionamento diante o desconhecido, dentre outras coisas, porém, será uma idéia a ser trabalhada, nada concluído ainda. Enfim, amigos, acabaram-se meus dizeres, até a próxima postagem.

domingo, 18 de março de 2012

Analise sobre os motivos da corrupção social

Função Social

Olá amigos. Escrevo hoje por não ter nada melhor pra fazer e por já estar pensando neste tema há algum tempo. O tema de hoje se trata sobre o sistema corrupto, a qual todos comentam e que se instaurou atualmente na sociedade brasileira. Sobre as novidades, elas são praticamente as mesmas já comentadas na postagem anterior. Há uma pequena novidade: hoje de manhã eu assisti ao filme “Final Fantasy: Spirits Within”, um filme bem bonito que me fez entrar meio que numa viagem ruim até pouco tempo atrás. Outra novidade é que ontem eu vi um nerdcast muito interessante, o 302, o qual traz como convidado um psicólogo cognitivo que afirmou que o tamanho de certas regiões do cérebro está diretamente relacionado com certos padrões de comportamento, e isto me deixou bastante confuso. Preciso rever meus conceitos sobre algumas coisas. O que me leva escrever hoje é, além da observação diária, a realidade que o filme “Tropa de Elite 2” apresentou. Nele, vemos um estado dominado pela corrupção, e é este o tema da postagem de hoje. Como não tenho mais nada para por na introdução, vamos ao texto.

Corrupção:
Significa etimologicamente deterioração, quebra de um estado funcional e organizado (Wikipédia). Iniciei este parágrafo com esta definição só para ilustrar o que acontece num sistema social onde se diz haver corrupção. Há justamente isto, deterioração das funções sociais seja lá por qual motivo que o faça acontecer. Antes de avaliar propriamente o porquê há essa corrupção no sistema, é interessante analisar porque as funções de tal sistema se estabeleceram de tal forma, e sobre o porquê é importante mantê-lo neste formato. O sistema social foi composto principalmente com a função de proteger a sociedade, e por sociedade, lê-se qualquer cidadão capaz de pagar imposto. Este sistema foi desenvolvido porque as pessoas perceberam, através da história, que é mais barato e eficiente deixar a administração de sua cidade como um todo nas mãos de um grupo de pessoas e focar suas atenções em seus próprios projetos de vida que ter que investir nisto. Foi através disto que os sistemas de saúde, policiamento, educação, estruturação e vários outros componentes foram conectados através do sistema político, que gerencia o dinheiro e o interesse de toda a população.

Quem cria os sistemas sociais são os próprios cidadãos. Isto quer dizer que o que irá definir se as funções destes sistemas irão continuar como planejadas ou não são, também, os próprios cidadãos. Seguindo os princípios da psicologia evolutiva, para que qualquer humano deseje executar sua função, é essencial que ele acredite naquilo que ele está fazendo, que irá trazer determinado resultado ou a qualidade de vida que ele deseje. Esta essencialidade pode ser substituída quando alguma outra propriedade é posta no lugar, como a obrigação de fazer certo para ganhar dinheiro e não ser demitido, por exemplo, porém, o resultado do trabalho tende a não ser tão eficiente quanto alguém que acredita nos resultados que faz. Se uma sociedade está corrupta, isto significa que seus cidadãos não estão executando a função de suas atividades como devem ser executadas, e portanto, suas atividades estão se deteriorando. É o exemplo do estudante que vai pra escola pra conversar e se divertir, ou do policial que se torna policial não para proteger, mas para se sentir poderoso, ou do político que entra em sua função para ganhar dinheiro, ou da mulher que quer emagrecer pra conquistar homens ao invés de ficar mais saudável.

Nos exemplos anteriores é perceptível que as funções sociais são corrompidas por outros motivos, que são vantajosos em curto prazo, porém, em longo prazo podem deteriorar uma sociedade. Em tropa de elite 2 que se a população tende a não entender o porquê de sua função existir, não importa a classe social, seja política, imprensa, jurídica ou policial, haverá uma forte tendência a corrupção existir. Isto é notório quando se observa os valores dos indivíduos corruptos, todos valorizam mulheres gostosas, dinheiro, do individualismo, conforto em detrimento da figura humana, da valorização da superação, da evolução, do grupo e dos bons sentimentos. Prova disto é que se um morrer, outro com mesma característica toma o lugar, e eles só se preocupam com si próprios, por isso que no filme é demonstrado que o sistema se auto-regula e encontra novas formas de continuar existindo, enquanto existir gente com estes valores. Já os polícias não corruptos se preocupam com a figura humana, com a evolução, com os filhos e com a sociedade. Os corruptos também tendem a trabalhar pelo prazer de sentir o poder e só gostam de trabalhar quando sentem isso, já os não-corruptos tendem a trabalhar por desejo e obrigação de ter que produzir o bem.

De forma resumida, se seguirmos a risca a definição de corrupção, todos aqueles que definem ou aceitam uma função e não a cumprem são corruptos, pois estão ignorando o estado funcional daquilo que lhes é responsabilidade realizar. Como já observado, as funções sociais são definidas porque teoricamente elas são as que mais beneficiam a sociedade como um todo. É freqüente os corruptos não terem noção da responsabilidade de suas funções, ou terem algum distúrbio que os faça valorizar somente a sua própria evolução. É disto que surge a constante deterioração social que levou ao estado que a sociedade brasileira está hoje. O importante desta parte do texto é principalmente conscientizar que não é apenas uma classe de pessoas que é responsável pela corrupção, mas sim grande parte da sociedade. Afinal, se perguntarmos aos cidadãos se eles cumprem com suas funções de maneira correta, deve ser freqüente observar que um ou outro arruma um jeito de burlar seu trabalho ou seu sistema, e isto pode ser desde uma mentira pra despistar a família ou entrar na boate sendo menor de idade, até mesmo faltas de trabalho com atestado médico falso. Se estes mesmos cidadãos estivessem na política ou em algum outro cargo importante, a corrupção ocorreria.

Segundo o que eu observei, a raiz da corrupção pode ser resumida pelos valores sociais que tal sociedade cultura. No Brasil, a beleza da mulher ou o poder econômico é muito valorizado, portanto, os homens tendem a desejar querer mais dinheiro pra pegar uma mulher gostosa ao invés de usar este bem para ajudar aos demais. As mulheres, por sua vez, se dedicam para se tornarem gostosas justamente para conseguir dinheiro destes homens ao invés de dedicarem esforço aprendendo a trabalhar ou aprender a serem felizes com uma família simples, mas bem unida, que é o que um homem comum pode dar. Este parágrafo pode estar sendo generalista e pouco preciso, mas é fato que a principal das preocupações da maioria das mulheres é a beleza, assim como o principal motivo que faz um homem se aproximar de uma mulher atualmente. A mídia também pode ser vista como exemplo dos valores morais. Em um programa chamado Pânico na TV, é possível observar um quadro em que homenageiam as mulheres bonitas e ridicularizam as feias durante um ambiente de praia, e as pessoas costumam achar este quadro bastante divertido devido à ousadia dos apresentadores, porém, ao rirem e aceitarem este tipo de programa sem nenhuma contestação, há uma aceitação implícita neste tipo de valor.

Encerramento:
Enfim, espero que o texto tenha ficado nítida e enfática minha opinião quanto a este assunto. Demorei a tarde e noite inteira pra terminar esse texto, pois troquei durante sua construção fiquei bastante disperso no facebook e MSN. Devido a isto sei que é necessária a revisão, mas a preguiça me impede de fazer isto agora, além de ainda faltar o texto anterior pra revisar também. Eu pretendo usar esse texto como esqueleto para publicar em outro blog, o de uma amiga e que provavelmente tem público, esta opinião, pois acredito que ela seja bem reveladora. Mas ainda vou conversar com ela sobre isto. De qualquer forma, vou ver um bom dia para revisar os dois textos, e muito provavelmente esse mês não haverá mais nenhuma postagem. To sem assunto pra terminar o encerramento, então até mais, abraços a todos.

sexta-feira, 9 de março de 2012

Publicação de dois poemas: O jogo da realidade e A arte dos desoculpados

Arte ou não?

Introdução:
Olá amigos. Como era previsto, mês passado só escrevi uma vez, e talvez eu repita a dose novamente. Pretendo escrever novamente sobre um ou outro comportamento novo que eu notei por ai e achei interessante, só não sei se será esse mês. Escrevo agora para postar os dois “poemas” que eu produzi esses tempos, juntamente com alguma interpretação. Mas antes, vamos às novidades. Comecei a estudar em um curso pré-vestibular, e desta vez estou empenhado na vida de estudante. Obrigo-me a estudar pelo menos até as cinco da tarde, fazendo principalmente atividades, contudo, às vezes passo desse horário, quando são atividades de cálculos, ou quase não consigo alcançá-lo quando são matérias pra decorar nomes e funções, como biologia, geografia ou história. De qualquer forma, essa vida rotineira me leva a pensar sobre o que é a rotina, e como encontrar meios para se satisfazer. Digo isto pois é confuso entender como o humano se satisfaz no seu dia-a-dia a ponto de não sentir falta de qualquer coisa no fim da noite, e como aliar isto a uma rotina de estudos delimitados. Irei fazer teorias sobre isto e futuramente, provavelmente, as postarei no blog. Vamos a postagem de hoje:

O jogo da realidade
A vida é como um jogo, e como todo jogo,
empolga se estiver sendo dominado,
desanima se estiver sendo perdido.

Portanto, não culpe a falta de dinheiro ou beleza,
de recursos, oportunidade ou qualquer outra condição.
Culpe apenas a falta de conhecimento em como jogar.

Pois os humanos são capazes de se adaptarem ao que quiserem,
mas ao se adaptarem ou desejarem a uma mentira, assumem um risco:
o de a realidade ser muito pior do que a mentira desejada.

Então se o medo o impedir de conhecer a realidade deste jogo,
abandone-o! Enfrente o desconhecido.

Ele esconde novas verdades, ou as verdades das antigas mentiras.
Ele esconde novos caminhos ou modos para realizar os desejos,
mas apenas os esforçados serão fortes o suficiente para desbravá-lo.

Se o sofrimento for um preço a pagar para desbravar o desconhecido,
pague-o! Pois ele é um pequeno preço em troca de uma felicidade maior.

Se nada for feito e o desconhecido tomar conta,
cada comportamento da realidade tende a ser uma surpresa desagradável,
e as mentiras invadirão a capacidade de construir adaptações sólidas,
de fazer o humano descobrir a si mesmo e encontrar o seu lugar.

A vida então se torna um jogo de resultados turvos e desesperançosos,
em que apenas a sorte fornece as pequenas felicidades do dia-a-dia,
em detrimento do prazer daquilo que se constrói com esforço e sabedoria.

Por: Leandro de Andrade Moura

Sobre este primeiro poema, eu o construí pensando principalmente na analogia sobre a vida ser um jogo. Entrando na definição de jogo, temos que jogar pode ser considerado como apostar no desconhecido, administrar leis de um sistema para obter benefícios ou superar desafios através de esforço e técnica. Então se a vida é um jogo, admite-se que ela tem as mesmas características do jogo que acabaram de ser explicadas.  A declaração que a vida é um jogo é encontrada na primeira estrofe, e nela podemos também encontrar uma propriedade humana que a psicologia evolutiva, assim como a própria experiência de vida, conhece: a propriedade de gostar daquilo que se sente poder, já que poder se relaciona diretamente com as chances de evolução, exemplo: o poder de comprar uma casa, de conquistar uma pessoa, de ter o que deseja.

Sendo assim, deve-se, para obter sucesso no jogo, configurar a mente de modo a compreender esta dinâmica para a obtenção de resultados. Uma mente não configurada nesta realidade tende a responsabilizar a sua falta de sucesso a quaisquer comportamentos alheios ao seu, menos ao seu próprio. A segunda estrofe trata-se disto, pois é exemplo das desculpas que as pessoas tendem a usar para justificar seu fracasso em não alcançar determinado objetivo. O desejo de alcançar este objetivo parte da propriedade humana de gostar de posições em que se tenha poder, contudo, este desejo só é iniciado quando o humano acredita que ele pode se tornar real, o chamado princípio da realidade. Este princípio da realidade, na interpretação da psicologia evolutiva, é o que permite que o humano se adapte a qualquer sistema que lhe é apresentado. É sobre esta idéia que se monta a terceira estrofe, que fala sobre adaptar-se a realidade.

O sofrimento é um desejo não alcançado, e um desejo só existe se o humano acreditar que é possível alcançar ele. Portanto, se há sofrimento, significa que o humano pensou ser possível um desejo que, na realidade, não é. Isto só surge devido a falta de compreensão da realidade por parte dos humanos, porém, é nesta lacuna de conhecimento que se expande todo o ego humano, é ela que torna possível ele se imaginar muito melhor e mais forte do que realmente é. Daí surge o medo de enfrentá-la e descobrir que a realidade é dura e trabalhosa. É possível afirmar que a realidade é difícil para todos devido ao desejo que o humano tem de sempre querer se tornar melhor, ou seja, sempre estar evoluindo. Portanto, não importa se a pessoa já seja poderosa, ela vai querer continuar evoluindo e isto significa continuar enfrentando desafios. A falta de compreensão, na prática, faz com que estes desafios sejam muito mais fáceis que parecem ou que muitas vezes o melhor venha sem esforço, e é isto o que seduz a muitos humanos a não quererem enfrentar a realidade.

Abandonar o medo de enfrentar o desconhecido é a declaração da quarta estrofe. Estar apto a enfrentar o desconhecido significa conhecer muito bem o que se tem e o que se é. Isto porque, ao enfrentá-lo, há o risco de descobrir que aquilo que ele baseia sua felicidade e qualidade de vida seja uma mentira, e devido a isto sofrer bastante. Porém, sofrimento maior para ele e sua família será se ele não enfrentar este desconhecido e aumentar ainda mais sua carga de conhecimento sobre as várias formas que a realidade humana pode se apresentar, e construir uma com base em valores reais, universais e duradouros. A falta de conhecimento sobre os humanos pode ser bastante decisiva, por exemplo, na relação com familiares ou desconhecidos, o que promoverá uma qualidade de vida pior e, se for um aspecto cultural de determinada comunidade, uma política, economia e cultura menos desenvolvida. Por isto é importante se sempre estar buscando o crescimento, o conhecimento e enfrentar aquilo que se tem medo.

Voltando a analogia sobre a realidade ser um jogo, e em como todo jogo, para obter os resultados desejados é preciso conhecê-lo para manipulá-lo, o mesmo acontece com a vida humana. Na quinta estrofe há apenas a conscientização de alguns benefícios que o conhecimento da realidade pode trazer. Ela mostra como, ao enfrentar o desconhecido, é possível otimizar os resultados da vida. Ao observar que, de modo geral, todo resultado é constituído de esforço multiplicado pela técnica, enfrentar o desconhecido e descobrir novas técnicas significa se esforçar menos para conseguir as mesmas coisas, sobrando mais tempo para aproveitar a qualidade de vida obtida através da evolução.  Esta estrofe mostra ainda algo mais profundo, que é os caminhos de evolução que cada pessoa decide escolher, e mostra que mesmo que as pessoas a sigam ou a copiem, quem tem a força e o conhecimento necessário para continuar evoluindo e se renovando naquele caminho é ela.

A felicidade maior a qual a sexta estrofe refere-se é justamente a total compreensão da realidade. Obviamente, ela é muito árdua de ser obtida, por isso que o sofrimento será um preço a ser pago. Mas ao obtê-la, é possível ter uma alta consciência de todos os fatores que influenciam a sua vida, além de ter razoável controle sobre eles. Isto é vantajoso porque permite que o instinto se apegue bastante a esta visão de realidade, e todos os desejos que se manifestarão serão passíveis de concretização, dependendo apenas do esforço para torná-los reais. Na realidade sempre existirão fatores desconhecidos para os humanos, pois é fisicamente impossível saber de todos a todo tempo, mas haverá também uma enorme consciência em administração de riscos, uma enorme sensibilidade para prever resultados, uma boa percepção aos padrões e aos mínimos detalhes, e este conjunto de habilidades tornará muito alta a adaptabilidade de qualquer humano.

Na sétima estrofe há a tentativa de conscientizar o público do perigo que é deixar o desconhecido tomar conta. Nela é demonstrado como as habilidades advindas graças ao conhecimento podem deixar de prevenir mudanças desconfortáveis na realidade, como por exemplo, um namorado de repente enjoar da namorada e não fazer a mínima idéia do porque isto acontece, aceitando que é apenas algo natural e imutável, ou consciência do risco que é determinado investimento. Demonstra também como a falta destas habilidades irá diminuir a capacidade adaptativa humana, já que por não ser capaz de se adaptar a determinada atividade evolutiva, ou ter muita dificuldade, ele irá ter dificuldades de definir o que é e qual tipo de evolução deseja para seu futuro. Encontrar seu lugar na ultima parte desta estrofe faz referencia justamente a ter uma evolução definida e que se sustente na sociedade, pois este estar localizado nela é algo importante para uma evolução.

A oitava estrofe é uma conclusão, que tenta impactar a importância de se abrir a realidade. É possível notar que a maioria das pessoas que não tem boas expectativas para melhorar de vida também não tem controle sobre seus próprios sentimentos e sobre como se adequar à sociedade às pessoas a sua volta. É por isto que a vida deixa de ser um jogo empolgante com os riscos claros e bases definidas e passa a ser turva e desesperançosa. As pequenas felicidades do dia-a-dia é justamente o que é colhido do descontrole que acaba sendo regulado de erros sistemáticos que poderiam ter sido evitados se houvesse um mínimo de coragem e preocupação. Por exemplo, sabe-se que se envolver em tal algo é perigoso, mas por falta de conhecimento em algo melhor, envolve-se da mesma maneira. A evolução firme e ligada com aspectos da realidade, como as propriedades humanas e sociais e que é construída através do esforço e sabedora, acaba não tendo condições de sobreviver, pois não há sabedoria para depositar o esforço nas coisas certas. Agora vamos ao próximo poema:

A arte dos desocupados.

Isto tudo é arte. A arte dos desocupados.

A arte que revela quem somos nos momentos difíceis.
A arte que revela pelo que estamos dispostos a lutar.

Mas há realmente alguma razão na arte,
Ou apenas a vontade instintiva de mudar?

http://www.youtube.com/watch?v=5WilOJ81I5E&list=
PL13EE30FFB9391920&index=1&feature=plpp_video

Por: Leandro de Andrade Moura


Este poema surgiu do ocorrido mostrado deste vídeo, e ele próprio faz parte do poema. Nele é possível observar vários adolescentes que não fazem a menor idéia prática do que estão fazendo, mas estão fazendo algo seguindo um ideal. Contudo, este ideal não é definido, ele simplesmente se baseia na idéia de que o simples fato de haver a movimentação pra um protesto sem haver nenhuma ponderação das implicações do que o protesto pede, vai melhorar e mudar algo. Para se ter uma idéia, muitos destes estudantes não sabe o motivo do aumento da passagem, pois a possibilidade de mudar algo que não se saiba os motivos é baixíssima. É daí que surge a segunda declaração da primeira estrofe, “a arte dos desocupados”, pois só esta classe de pessoas seria capaz de depositar uma enorme quantidade de esforço naquilo que não se tem idéia sobre qual resultado terá ao contrário das pessoas com atividades definidas e responsabilidades, que tem uma maior tendência a ponderar sobre como gastar seu tempo.

A arte nessa declaração foi empregada de acordo com o meu conceito de arte, que significa “aquilo criado para mexer com os sentimentos”. Esta movimentação não foi criada por mecanismos racionais, mas sim por mecanismos sentimentais. O desejo de mudar independente de como a realidade configure e o romantismo de buscar algo enfrentando os vários desafios para ter o orgulho de ter participado conquistas que tenha mudado algo grande, como os antepassados fizeram, são os principias motores motivacionais segundo o que eu observei. Então, por ser movido principalmente por sentimentos, porque não chamar isto de arte? Algo parecido com os flash-mobs. Se observado, podemos notar as pessoas criando o que acreditam, como placas além de outros mecanismos para demonstrar sentimentos, e fazendo aquilo que sentem, sem nenhuma fundamentação teórica, que é certo e bom.

Mas será mesmo que isto é tão sem razão como parece ser? A pergunta da terceira estrofe serve tanto para os apoiadores destes movimentos como também para mim, que adotei uma posição de contra desde o inicio sem uma reflexão profunda. Eu poderia responder esta pergunta com minha velha máxima filosófica que é motor da minha filosofia: tudo há um porque. Mas o interessante será responder de acordo com a psicologia evolutiva, há benefícios neste comportamento? Ao que me parece, sim, mas não o benefício que a consciência instintiva dos que participam deste evento acreditam. É um benefício de autoconhecimento, tanto individual quanto coletivo. O que sustenta isso são os eventos demonstrados no segundo parágrafo, em que várias situações mexem com o sentimento daqueles que participam de forma que eles enfrentem, para o nível deles, momentos difíceis e realmente entenda o que, de fato, é importante para suas vidas. É com base nisto que a pergunta do último parágrafo é formulada, e ela ganhou sua forma final porque se não houvesse o desejo de mudança, não haveria esforço pra mudar.

Encerramento:
Bom amigos, terminei a postagem. Realmente foi longa, devo ter demorado umas duas ou três horas aqui, pior ainda será revisar. O primeiro poema eu demorei uns três dias fazendo, o segundo foi uma madrugada pra imaginar a base, e um dia pra finalizar. O interessante é que ambos vieram de um desejo de comunicar algum aspecto ou frase de forma impactante, depois foi se desenvolvendo até ganhar a forma atual. Foi trabalhado, não espontâneo. Não sei se isso pode ser considerado uma arte forte, mas ainda sim considero que estes poemas tenham algum nível artístico, principalmente levando em consideração meu conceito de arte. Enfim, o encerramento é este, abraços a todos aqueles que chegaram até aqui, até a próxima.