quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Coletânea de poemas com o tema "O homem tomando consciência de si"

O fluxo da vida

Havia dois pontos e uma estrada ligando eles.
No primeiro ponto está o humano, incompleto.
No segundo ponto está o objetivo, esperando.
Por instinto, o humano deseja alcançar seu objetivo.

O humano caminha na estrada e alcança seu desejo.
As coisas são simples. Ele se sente bem, se sente vivo.
Quando seu objetivo o deixar de ser, um novo surgirá,
E assim o humano continuará caminhando: evoluindo.

Mas é cansativo caminhar, o humano deseja melhorar.
Desenvolve ferramentas, mecanismos, explora a realidade.
Encontra uma maneira melhor para alcançar seu objetivo,
Um automóvel, então com menos esforço se obtém o que deseja.

A sociedade evolui. Humanos seguem caminhos diferentes.
Alguns, por sorte, alcançam logo os automóveis. Outros não.
Então a estrada se torna diversificada, todos se olham entre si.
Os que andam, cansados, desejam obter sua própria melhora.

Então o que antes era o meio de transporte se torna o desejo.
O objetivo se torna um ponto, algo para ser alcançado sem esforço.
Apenas um ponto qualquer, não se entende mais o objetivo.
Se chega nele apenas por costume, desaprendeu-se como usá-lo.

Agora todos têm automóveis, mas os avanços continuam.
O que antes era bom em poupar esforço deixou de ser.
Apareceu um melhor. As pessoas não se sentem mais satisfeitas.
Estão presas num transito sem sentido. Desejam o que nunca tem.

Aqueles que conseguem estar sempre com o que há de melhor.
São os poucos que se sentem satisfeito neste trânsito maluco.
Pois isto os permite mudar de realidade de acordo com sua vontade.
Sem consciência do que são. Insatisfeitos com sua própria satisfação.

Há ainda quem consiga conquistar o melhor através de seu trabalho.
Estes se tornam escravos do sistema. Não desfrutam do conquistado.
É notório o distúrbio na definição de melhor. Na definição de satisfação.
A identidade se torna perdida. Os objetivos, esquecidos. A vida, vendida.

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Desejar o viver bem

Nenhum humano sofre pelo impossível.
Há quem chore por não viver em marte?
Concluí-se: o conhecimento molda o instinto,
Mas o que seria da razão sem a emoção?

O humano precisa desejar para se esforçar,
Assim ele sente, vive. Enfrenta o desconhecido.
Adapta-se ao que for necessário para sobreviver.

Todo humano tem o dever de melhorar.
A si próprio, o lar, o cotidiano, a quem ama.
Do desejo vem a o esforço, e disto a melhora.

Mas como melhorar o que não se conhece?
Como conhecer sem tentar, e errar, e errar...?
Da variação de tentativas, a seleção natural.
Da boa utilização dos sentimentos, a evolução.

Como se satisfazer desejando o impossível?
Mas e quando o impossível se torna possível,
Através das mentiras, trapaças e egoísmo?

A corrupção invade os desejos, o ser humano.
Inicia-se a construção do um futuro mentiroso.
Logo surge o desrespeito, a vontade do tudo fácil.

É preciso desejar o melhor que a realidade oferece,
Ter forças para não deixar o desejo se corromper,
Vencer os sentimentos ruins, saber o valor do esforço,
E assim seguir o caminho da boa evolução, o viver bem.

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Amigos na realidade

Você é meu amigo, quero te fazer sofrer.
Quero transformar sua dor em força.
Quero você forte, quero sua companhia,
No mundo melhor que nós criaremos.

O mundo da verdade, do conhecimento.
O mundo do esforço, da estratégia.
O mundo melhor. Para todos. Para nós.

Se tua identidade for teu mal, abandone-a.
A realidade é tua: faz dela o que bem quiseres.
Inclusive tua nova identidade, teu novo melhor.
Só precisas de tu para seres além do que já és.

Destrua o mal que te prende, te cega.
Destrua o mal que te ilude, te anestesia.
Destrua o mal que te impede de ver a verdade.

Não utilize drogas para amenizar sua dor.
Seja ela física ou mental. Agüente firme.
No peso da realidade, descubra o melhor.
Se conecte a ela, a vida, ao mundo.

O mundo físico, o que você toca.
O mundo humano, o que você sente.
O mundo interior, o que você deseja.

Quando descobres o mundo e entendê-lo,
Compartilharemos nossa melhora mútua,
Competiremos pelo prazer da disputa,
Assim, um novo mundo surgirá do atual.
 


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O caminho da grandeza

Eu sou um humano grande. Não porque eu simplesmente o seja:
Foi me mostrado o caminho na sociedade que me tornou deste jeito.
É o que eu desejei, me esforcei para consegui-lo. Isto me faz bem.
Não é todos que alcançam este caminho, cansativo e tentador.

É difícil definir se isto é um privilegio ou uma responsabilidade.
Alguns se corrompem no caminho e sentem-se bem fazendo o mal,
Outros não entendem que isto é um sacrifício que exige esforço,
querem tudo fácil, sem estudo, estratégia ou adaptação.

Eu sou um humano comum. Esforço-me para me tornar melhor.
Sinto-me bem através de mim, ou através das minhas extensões:
Minha família, meus amigos ou projetos. Sou também parte deles.
Através disto nos divertimos, e assim se segue uma boa vida.

Não sigo caminho para além destes: se o conheci, não o escolhi.
Talvez ele não me fosse tão atraente, minha vida já estava formada.
Ou ainda não via motivos para desejá-lo. Não me sinto parte dele.
Do que sou parte: disto, que estou construindo, que me faz bem.

Eu sou um humano pequeno. Limito-me ao meu próprio ser.
Isto me impede de encontrar outros caminhos, novos conhecimentos.
Sempre estou errado ou perdido: às vezes busco outros para culpar.
Aprenderei através dos erros que eu não sou o único que sente.

Mas antes de aprender: sofrerei. Isto expandirá meus sentimentos.
Através deste conhecimento encontrarei outros caminhos, novas visões.
Diante de tanta coisa nova, uma me fará bem: será a que vou seguir.
Através desta responsabilidade assumirei meus atos: é quando crescerei.

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A vontade de melhorar:

Está na guerra. – Lastro na agressão.
Está na religião. – Lastro na existência.
Está na ciência. – Lastro na realidade.
Está na política. – Lastro na educação.
Está na beleza. – Lastro na atração.
Está na família. – Lastro na afeição.
Está na riqueza. – Lastro na inteligência.

Está em mim e no meu esforço.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Peloponeso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_M%C3%A9dia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Positivismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte
http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9dia_rom%C3%A2ntica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo

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Um merda feliz

De que a felicidade é constituída?
Por definição, eu sou feito de merda.

Precisarei mudar para constituir uma felicidade?

Para que irei eu, um merda, querer viver?

Se nunca encontrarei a felicidade em lugar algum.
O que é preciso ter para possuir a felicidade?

Algum tipo de poder? Algum objeto comprável?

E os fracos e sem dinheiro, nunca serão felizes?
Crianças pobres morrem de fome e desejam comer,
Enquanto obesos ricos desejam emagrecer.

O que se nota nesta confusão sobre a felicidade,

É que ela não se encontra em objetos ou status.
Nem em classe social ou econômica, poder ou fama.
Todos buscam a felicidade, independente do que sejam.

Nisto se conclui que ela é imaterial, transcendental.

Nunca terão o suficiente aqueles que buscam erroneamente.
Para isto, terão de buscar naquele que é o lugar mais próximo,
Mais difícil e mais comum a todos: dentro de si mesmos.

Deste modo eu descubro de que se constitui a felicidade:

Ela se constitui do que eu sou, do que há dentro de mim.
É assim que mesmo sendo um merda, eu sei que sou feliz.

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O jogo da realidade

A vida é como um jogo, e como todo jogo,
empolga se estiver sendo dominado,
desanima se estiver sendo perdido.

Portanto, não culpe a falta de dinheiro ou beleza,
de recursos, oportunidade ou qualquer outra condição.
Culpe apenas a falta de conhecimento em como jogar.

Pois os humanos são capazes de se adaptarem ao que quiserem,
mas ao se adaptarem ou desejarem a uma mentira, assumem um risco:
o de a realidade ser muito pior do que a mentira desejada.

Então se o medo o impedir de conhecer a realidade deste jogo,
abandone-o! Enfrente o desconhecido.

Ele esconde novas verdades, ou as verdades das antigas mentiras.
Ele esconde novos caminhos ou modos para realizar os desejos,
mas apenas os esforçados serão fortes o suficiente para desbravá-lo.

Se o sofrimento for um preço a pagar para desbravar o desconhecido,
pague-o! Pois ele é um pequeno preço em troca de uma felicidade maior.

Se nada for feito e o desconhecido tomar conta,
cada comportamento da realidade tende a ser uma surpresa desagradável,
e as mentiras invadirão a capacidade de construir adaptações sólidas,
de fazer o humano descobrir a si mesmo e encontrar o seu lugar.

A vida então se torna um jogo de resultados turvos e desesperançosos,
em que apenas a sorte fornece as pequenas felicidades do dia-a-dia,
em detrimento do prazer daquilo que se constrói com esforço e sabedoria.


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A arte dos desocupados

Isto tudo é arte. A arte dos desocupados.

A arte que revela quem somos nos momentos difíceis.
A arte que revela pelo que estamos dispostos a lutar.

Mas há realmente alguma razão na arte,
Ou apenas a vontade instintiva de mudar?

http://www.youtube.com/watch?v=5WilOJ81I5E&list=
PL13EE30FFB9391920&index=1&feature=plpp_video


Por: Leandro de Andrade Moura

Poemas respectivamente nas seguintes postagens:
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/09/mapeamento-dos-v-instintivos-e.html)
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/06/previa.html)
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/04/um-merda-feliz.html)
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/03/publicacao-de-dois-poemas-o-jogo-da.html)
*Exceto "amigos na realidade".


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O humano, o mestre e o discípulo

Era uma vez um humano em frente a um completo desconhecido.
Este humano não tinha nada, além de seu esforço e sua curiosidade.
Através do tempo e de tantos erros ele construiu um conhecimento.
Assim ele adquiriu uma habilidade que o destacava entre os demais:
Este humano tornou-se um mestre.

Era uma vez um humano que queria ser tão hábil quanto o mestre.
Além deste desejo, ele não tinha nada além do que o mestre já teve.
Ele não encontrava maneiras de se tornar tão hábil quanto o mestre.
Cansado, pediu ajuda ao mestre, que si reconheceu nele e o ajudou:
Este humano tornou-se um discípulo.

Esta então era a relação entre dois humanos frente a uma habilidade.
Habilidade que preenchia suas vidas e os tornava aptos a se destacar.
Assim, o mestre transmitia ao seu discípulo tudo aquilo o que ele era.
E o discípulo usava aquele ensinamento para encontrar, dentro de si,
O necessário para domar a habilidade.

Com o tempo, o discípulo se torna tão habilidoso quanto o mestre.
Mas só será possível descobrir sua verdadeira habilidade quando,
Assim como o mestre um dia, ele estiver em frente ao desconhecido.
É quando ele realmente terá de usar tudo aquilo o que seu mestre,
Tornou-se e se esforçou para ensinar.

Se este discípulo encontrou o necessário para ser um bom mestre,
Ele terá sucesso em melhorar a habilidade e transmiti-la a outros humanos.
Se este discípulo se contentou em se tornar um humano habilidoso,
Ele terá sucesso em usar esta habilidade para manter-se em bom estado.
Isto é algo que ninguém pode prever.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mapeamento dos v. instintivos e publicação: O fluxo da vida e Desejar o viver bem.

Introdução:
Olá amigos. Vamos a mais uma postagem. Hoje estou sem internet, embora já pretendesse escrever, vou passar o resto da noite só fazendo isso aparentemente. Passei o dia assistindo a dois filmes, achei os dois interessantes. Ultimamente eu tenho dedicado algum tempo a tentar compor poemas pra resumir a filosofia e comunicá-la com força, acredito que disto tenha surgido algo legal. Contudo, uma coisa me preocupa: meus poemas, assim como minha filosofia, parecem ser muitos de auto-ajuda. Sempre tive uma visão negativa quanto a filosofia auto-ajuda, ela geralmente tenda maquiar a verdade ou desenvolver algum modo mecânico de resolver as coisas que não pode ser muito bom. O que me faz pensar que ela não é igual as filosofias anteriores é que ela se preocupa principalmente em não maquiar a realidade, mas sim encará-la e se acostumar com ela, para então melhorar. Como meu amigo Elon disse, ciência é auto-ajuda, desta forma, minha filosofia, que se baseia na ciência, acaba herdando também esta característica. Também estou me notando cada vez mais tímido, talvez seja a pouca convivência com pessoas diferentes. Vou pensar em ser um pouco mais orgânico, pra me permitir errar um pouco mais e me adaptar a isso. Perder o medo de me expor talvez também seja bom, mas terei que administrar isso bem pra não ter objetivos prejudicados. Se bem que talvez um objetivo o qual eu tenha que não me expor para alcançar não seja assim tão bom, pois isto pode ser considerado algo próximo a mentir. Encerrando a introdução, vamos a postagem, que hoje será mais uma vez sobre psicologia e também será a publicação de dois poemas que eu fiz recentemente.

Mapeamento e transmissão dos valores instintivos:
Em uma postagem anterior eu descrevi um pouco sobre como ocorre o processo de adaptação de um individuo aos sistemas evolutivos. Lá eu expliquei que de forma bastante resumida que o humano, através de erros e acertos, vai se adaptando a determinado sistema evolutivo. Contudo, após fazer bastantes observações sobre o conjunto de valores de uma pessoa, aliando isto com os conhecimentos do gráfico do bem-estar evolutivo e também com o pensamento de mutação comportamental, eu pude perceber algo bem mais interessante: o mapeando dos valores instintivos. Enquanto que no texto anterior simplesmente eu assumo que as pessoas têm acesso a experiências e conhecimentos diferentes, e, portanto, são guiadas a sistemas evolutivos diferentes, agora se torna mais concreto o entendimento sobre como ocorre este processo. Considero que este conhecimento será muito interessante para a psicologia evolutiva por ele dar melhores condições de autoconhecimento e de fazer o raciocínio encontrar melhores soluções para os conflitos instintivos.

 No texto anterior, eu, com licença para fins de estudo, resumi que a fase infantil era a fase de descobrimento e observação de como funciona a realidade. Contudo, o instinto humano, mesmo nesta fase, já aflora. A criança não somente tem sentimentos de sobrevivência, como também tem desejos. Na maioria dos casos, os desejos infantis são simples, pois elas conhecem pouco da realidade para entenderem que podem desejar coisas mais complexas, porém, ainda sim existe. Com o desejo, há o acarretamento dos outros sentimentos, tais como alegria, raiva, medo, ciúme, inveja e tristeza. Isto significa que desde cedo, o indivíduo já começa a criando uma biblioteca de experiências associando cada elemento a seu respectivo sentimento. Sendo assim, sempre que o indivíduo quiser experimentar aquele sentimento novamente, ele recorrerá ao elemento que sua memória associa com aquele sentimento, e por desconhecimento, se for o caso, ele não irá recorrer a nenhum outro elemento. Observa-se, portanto, um tipo de mapeamento de experiências instintivas que levam a pessoa agir de determinada forma sem o consciente de ela estar diretamente envolvido.

Por exemplo: vamos supor que existe uma criança que, por algum motivo, deseje andar com determinada tribo na sua escola. Esta tribo não a aceita, e por isto esta criança acaba sentindo raiva dos indivíduos desta tribo. Este sentimento de raiva a quaisquer grupos parecidos com aquele que a negou a acompanhará até a fase da adolescência ou mesmo adulta. É interessante também observar que este sentimento leva a estereotipagem, e que geralmente isto monta um sistema em si, onde nem o grupo aceita a outra pessoa pela imagem, nem ela gosta do grupo, sentido raiva. Por isso esse sentimento é levado até a adolescência ou mesmo fase adulta, e geralmente a pessoa deseja o grupo principal porque lá há bons parceiros sexuais. Durante este período, ela irá buscar se sentir bem com algo, e quando encontrar, é a este algo que ela irá associar coisas boas. Então se percebe que, mesmo sendo apresentado algo novo a esta pessoa, ela irá continuar recorrendo ao que faz bem a ela para se sentir bem, pois isto seu instinto sabe que funciona e com o menor esforço. É comum notar que há uma supervalorização de determinada atividade para mantê-la alvo do desejo. Porém, é algo que acontece de forma orgânica pela própria propriedade do lastro de que o indivíduo olha com bons olhos aquilo que lhe faz bem e com maus olhos aquilo que lhe faz mal.

O perigo disto, e é onde a psicologia evolutiva pretende atuar, é que estes sentimentos podem ser causa de distúrbio. Vamos supor que, devido a uma grande experiência ruim, se apegue demais a uma coisa só e sinta raiva das outras. Sua visão da realidade irá ficar presa ao que ele acha bom e ao que ele acha ruim, e isto o inibirá de descobrir novas formas de se tornar uma pessoa melhor. Para exemplificar, vamos supor que o indivíduo comentado no parágrafo anterior tenha se tornado um bom político, e que os indivíduos da tribo citada anteriormente seja parte importante da sociedade, mas que, contudo, não tem atividade política. Logo, devido à raiva, o político não irá tentar ajudar a esta parte importante da sociedade, e com isto atrapalhará não somente a si, como também as pessoas não envolvidas com tudo isto. Também é preciso observar que a falta de conhecimento que aquela raiva irá trazer irá lhe atrapalhar também em suas atividades de socialização, de educação, de transmissão de valores, dentre tantas e tantas coisas. Aos indivíduos da tribo que não aceitaram o rapaz que agora é um bom político também vale o mesmo, se eles ainda nutrirem sentimentos ruins e preconceituosos contra aqueles que são diferentes deles.

Embora este exemplo tenha sido um bastante clichê, provavelmente ele foi o suficiente para entender como funciona o mapeamento de valores instintivos. Contudo, é interessante observar algo mais profundo ainda: imaginemos que haja algo bem difícil de obter, mas que a pessoa é levada a desejar aquilo devido a pressões externas. Mas, por perceber que aquilo estava muito longe de sua realidade e o esforço para obtê-la seria absurdo de grande, se comparado a outras pessoas mais estruturadas, a pessoa irá recorrer às coisas que a faz bem. É através disto que novos sistemas evolutivos surgem, podendo, portanto, ser considerado como uma mutação de comportamento. Vamos supor que, um adolescente, incentivado a fazer engenharia civil, porém, sempre viveu em computadores e se sente bem com aquilo, e sabe que tem futuro. Embora para seus pais, o que haja futuro é a engenharia civil, porque é isso o que o mapeamento instintivo deles indica, o adolescente, com um novo mapeamento instintivo, vai lá e aposta na engenharia de computadores, e então consegue ganhar dinheiro e montar um sistema evolutivo. Se não fosse por essa mutação de comportamento, possibilitada pelo avanço tecnológico, o jovem iria concorrer num mercado saturado que é a engenharia civil neste contexto, talvez até mesmo ganhando menos e tendo uma qualidade de vida menor.

Neste exemplo também é possível perceber a transição de mapeamento instintivo que acontece dos pais pros filhos, e que pode haver mutações neste processo, positivas ou negativas. Sendo assim, é preciso estar atento as boas mutações, para incentivá-las com responsabilidade, e as más mutações, para corrigi-las. Más mutações são distúrbios, e para corrigir um distúrbio, é preciso primeiro identificá-lo, daí a utilidade de fazer um mapeamento dos valores instintivos, para então corrigir o que for possível e não for saudável. Existe um ditado popular que diz “os filhos são espelhos da criação familiar”, e esta frase parece ter sua fundamentação nesta propriedade. Se existir uma família cuja transmissão de valores seja feita de forma forte, o filho irá tender a ter aqueles mesmos valores. Porém, se a família for fraca em sua transmissão de valores, o filho provavelmente poderá desenvolver distúrbios, algo próprio das mutações humanas. É importante lembrar que não apenas os familiares têm influência nas transmissões de valores, como também os amigos, conhecidos, televisão, enfim, todos e tudo aquilo que aparente ter um bom poder instintivo. Para finalizar, entendo que a utilização destes conhecimentos como estou descrevendo pode ser bastante utópico, porém, já é o suficiente para uma nova percepção de realidade e para pequenos melhoramentos.

O fluxo da vida

Havia dois pontos e uma estrada ligando eles.
No primeiro ponto está o humano, incompleto.
No segundo ponto está o objetivo, esperando.
Por instinto, o humano deseja alcançar seu objetivo.

O humano caminha na estrada e alcança seu desejo.
As coisas são simples. Ele se sente bem, se sente vivo.
Quando seu objetivo o deixar de ser, um novo surgirá,
E assim o humano continuará caminhando: evoluindo.

Mas é cansativo caminhar, o humano deseja melhorar.
Desenvolve ferramentas, mecanismos, explora a realidade.
Encontra uma maneira melhor para alcançar seu objetivo,
Um automóvel, então com menos esforço se obtém o que deseja.

A sociedade evolui. Humanos seguem caminhos diferentes.
Alguns, por sorte, alcançam logo os automóveis. Outros não.
Então a estrada se torna diversificada, todos se olham entre si.
Os que andam, cansados, desejam obter sua própria melhora.

Então o que antes era o meio de transporte se torna o desejo.
O objetivo se torna um ponto, algo para ser alcançado sem esforço.
Apenas um ponto qualquer, não se entende mais o objetivo.
Se chega nele apenas por costume, desaprendeu-se como usá-lo.

Agora todos têm automóveis, mas os avanços continuam.
O que antes era bom em poupar esforço deixou de ser.
Apareceu um melhor. As pessoas não se sentem mais satisfeitas.
Estão presas num transito sem sentido. Desejam o que nunca tem.

Aqueles que conseguem estar sempre com o que há de melhor.
São os poucos que se sentem satisfeito neste transito maluco.
Pois isto os permite mudar de realidade de acordo com sua vontade.
Sem consciência do que são. Insatisfeitos com sua própria satisfação.

Há ainda quem consiga conquistar o melhor através de seu trabalho.
Estes se tornam escravos do sistema. Não desfrutam do conquistado.
É notório o distúrbio na definição de melhor. Na definição de satisfação.
A identidade se torna perdida. Os objetivos, esquecidos. A vida, vendida.

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Desejar o viver bem.

Nenhum humano sofre pelo impossível.
Há quem chore por não viver em marte?
Concluí-se: o conhecimento molda o instinto,
Mas o que seria da razão sem a emoção?

O humano precisa desejar para se esforçar,
Assim ele sente, vive. Enfrenta o desconhecido.
Adapta-se ao que for necessário para sobreviver.

Todo humano tem o dever de melhorar.
A si próprio, o lar, o cotidiano, a quem ama.
Do desejo vem a o esforço, e disto a melhora.

Mas como melhorar o que não se conhece?
Como conhecer sem tentar, e errar, e errar...?
Da variação de tentativas, a seleção natural.
Da boa utilização dos sentimentos, a evolução.

Como se satisfazer desejando o impossível?
Mas e quando o impossível se torna possível,
Através das mentiras, trapaças e egoísmo?

A corrupção invade os desejos, o ser humano.
Inicia-se a construção do um futuro mentiroso.
Logo surge o desrespeito, a vontade do tudo fácil.

É preciso desejar o melhor que a realidade oferece,
Ter forças para não deixar o desejo se corromper,
Vencer os sentimentos ruins, saber o valor do esforço,
E assim seguir o caminho da boa evolução, o viver bem.

Encerramento:
Hoje eu planejava fazer a explicação dos dois poemas, mas isto irá render uma postagem enorme se eu levar em consideração que cada estrofe será um parágrafo.  Acredito que explicar a linha de raciocínio que eu quis expor ao desenvolver o poema seja algo interessante pela própria proposta do poema, que é transmitir pensamentos filosóficos de modo mais impactante. Estou tentando desenvolver soluções para salvar o final de ano letivo que ainda tenho, mas está difícil. Percebi que possa haver uma rede de valores instintivos um pouco mais extensas do que imaginei para explicar meu comportamento, que se estendem a configurações humanas. Amanhã iniciarei os procedimentos para por minha solução em prática. Salvar este resto de ano letivo é necessário para situações que eu ainda não defini muito bem, mas que estão acontecendo por ai. Finalizando, abraços a todos e até a próxima postagem.

domingo, 26 de agosto de 2012

Sistemas evolutivos e os dez estados de autoconhecimento da mente humana

Introdução:
Olá amigos. Após um longo período de procrastinação eu começo a escrever. Vamos às novidades. Encontrei um bomberman online sexta e estou jogando ele desde então. Vicia bastante e envolve um clima bem competitivo. Sexta feira também foi um dia em que eu dormir bem tarde e não sei por qual motivo. Por conseqüência, ontem também dormi tarde, e isso é atrapalha bastante a rotina de estudos. Também iniciei minha tímida campanha pra divulgação da psicologia evolutiva no mundo acadêmico. Meu objetivo final é conseguir permissão pra ensinar psicologia evolutiva nas faculdades a todos os interessados, para depois montar uma equipe de estudos e fazer dela uma ciência. Suponho que isso não irá atrapalhar tanto minha rotina de estudo este ano. Preciso pelo menos dar o pontapé inicial pra próximo ano já iniciar desenvolvendo novos projetos, seja eles relacionados a P.E. ou não. A postagem de hoje se tratará sobre um tema novo, que surgiu na postagem anterior, chamado “sistemas evolutivos” e também uma interpretação segundo os conhecimentos da P.E. sobre os estados da vida budista.

Sistemas evolutivos:
Durante o processo de adaptação a realidade, após o entendimento sobre como a realidade universal e humana funciona, chega a hora da última etapa: o envolvimento com os sistemas evolutivos. Para haver o envolvimento com os sistemas evolutivos, é necessário que haja o esforço por parte do indivíduo. Como observado no gráfico, o que faz ele se esforçar é o desejo, que impulsiona principalmente as necessidades de prazer e competição. Porém, para obter estas duas coisas de forma constante, é preciso estar conectado tanto diretamente quanto indiretamente com a sociedade, de modo que se arme o esquema do gráfico evolutivo. Diante disto, todo o estilo de vida capaz de se encaixar no gráfico pode ser considerado um sistema evolutivo, pois ele gera qualidade de vida e bem-estar de modo constante. Contudo, é preciso entender bem como ocorre o envolvendo como forma de conhecimento complementar ao processo de adaptação a realidade. Para isto, faremos uma revisão sobre como ocorre o processo de forma natural utilizando exemplos e os conceitos de desejo e de ciência. Embora esta revisão não esteja igual à realidade, pois o desenvolvimento descrito adiante pode apresentar bastantes variações, ela pode ser usada para fins de estudo.

Tudo começa na fase infantil, quando o que se deseja principalmente são os recursos básicos de sobrevivência, tais como ausência de dor física, alimentação, proteção e contato físico. Coisas simples se tornam divertidas, como o ato de explorar e de conhecer coisas novas, pois tudo tem seu teor de novidade. Por não conhecer, todas as coisas têm o potencial de serem ou não aproveitáveis ao instinto, o que o faz explorá-las. É na fase infanto-juvenil que as coisas começam a deixar de ser novidade para ser rotineira, e o instinto do desejo, o que faz o humano sempre buscar melhorar, começa a agir de outra forma. As novidades agora começam a se tornar raras, por isso ele começa a observar as pessoas o contexto a sua volta e a passa a desejar aquilo que está associado com o melhor, através do desejo associativo, e que ele observa que é possível alcançar. É daí que se tem inicio a configuração do sistema evolutivo.

O humano então irá passar por um processo de desejar, tentar obter aquilo que ele deseja e conseguir ou não. É desta forma que o sistema evolutivo se refina. Através da sucessão de erros e acertos, o humano irá começar a compreender como as coisas funcionam. Através deste entendimento é que ele começará a focar naquilo que realmente ele percebe que traz o resultado desejando, fazendo-o se sentir bem. Alguns exemplos: uma pessoa se sente satisfeita em desenvolver arte e desenvolveu um estilo de vida totalmente baseado nisto, encontrando todos os elementos no gráfico nisto. Outra consegue fazer a mesma coisa, porém, desenvolvendo estudos acadêmicos. Em casos de distúrbios, é possível perceber pessoas fazendo isto com coisas que são ruins para a sociedade como um todo, mas é bom para ela e para as pessoas que vivem ao seu redor, como roubar.

É preciso levar em consideração que, durante o esforço para alcançar o que se deseja, o jovem irá ter acesso a muitas pessoas e informações, que irão lhe guiar para agir de uma maneira ou outra. Além disso, também é preciso levar em consideração a sua estrutura familiar e sua cultura local, que são coisas que influenciam diretamente no que se deseja ou não. Depois de levar estas informações em consideração, é possível perceber o porquê uma pessoa desenvolve um sistema evolutivo bem diferente de outra, como mostrado anteriormente, já que algumas vezes eles conseguem se adaptar a determinado sistema evolutivo e outras vezes não. Após entender o contexto, a definição e a exemplificação de sistema evolutivo, é preciso entender agora quais são as condições necessárias para que alguém a se adapte ou não a um sistema evolutivo.

Interpretação dos Estados da existência, do budismo, pela psicologia evolutiva:
Durante algum tempo eu venho notando que é possível perceber algum padrão de comportamento entre diferentes tipos de pessoas. Observei que este comportamento em específico não está relacionado com as coisas que a pessoa gosta ou acredita, mas sim com o autoconhecimento que ela tem de si mesma. Eu já estava buscando maneiras de classificar estes comportamentos, algo bastante difícil. Por sorte, meu amigo, o Elon, me enviou o seguinte site: http://www.budanaweb.com/2008/07/o-budismo-classifica-em-dez-categorias.html. Assim que eu vi os estados da existência descritos neste site, logo os associei com os padrões de comportamentos associados ao autoconhecimento que eu buscava classificar.

Assumindo que a filosofia budista, por ser bastante praticada, tem bastante experiência prática quanto à dinâmica de comportamento humano que ocorre durante seu desenvolvimento, utilizarei este texto como inspiração e esboço da classificação que futuramente a psicologia evolutiva poderá desenvolver para seus próprios fins. Este conhecimento será útil provavelmente para ajudar as pessoas a atingir um estado de autoconhecimento saudável, que as ajudem a utilizar as ferramentas que a ciência as proporciona para aumentar sua qualidade de vida. É aconselhável que a leitura a partir daqui seja feita em paralela com o site referido, pois o conteúdo estará lá, e o que ficará aqui serão somente as interpretações sobre os estudos.

1. Estado de inferno: pode ser considerado o estado de traição. Quando a realidade trai o indivíduo, após ele gastar uma enorme parte de sua vida em algo que ele acreditava o motivo de sua existência, o sentimento da raiva o domina. Daí nasce o impulso da destruição. Tudo o que ele construiu se mostra falso, inclusive seu próprio eu, isto explicaria as tendências autodestrutivas.

2. Estado de fome: este pode ser explicado pela falta de autoconhecimento sobre o funcionamento do desejo e da realidade. Normalmente acontece quando o desejo é associado a coisas superficiais, que não estão interligadas intimamente com o esforço e a evolução do individuo. Isto pode fazer o indivíduo entrar num ciclo vicioso de desejo e consumo que não o satisfaz: sempre que ele não tem o que deseja, a culpa de sua infelicidade é isto. Quando ele o alcança, a sensação de vazio ocorre e ele irá buscar outro algo para preencher isto.

3. Estado de animalidade: nesse estado, o indivíduo tem noção da realidade universal e alguma noção de realidade humana, porém, ele ainda não conhece a si próprio o suficiente para se adequar ao que seu raciocínio pede. Ele sabe o que fazer para ter uma vida saudável, porém não sabe como fazer. Desta forma, ele acaba se entregando aos seus instintos e perdendo o autocontrole que precisa para alcançar o que deseja.

4. Estado de ira: o indivíduo tem noção de realidade humana e universal. Porém, ainda não se adequou a sociedade. Esta falta de adequação o faz se sentir deslocado. Motivado pelo desejo de se sentir melhor, ele busca naqueles que não o ajuda algum defeito para justificar o seu afastamento deles, algo que o prejudica e o causa raiva, mas ele não sabe como mudar. São alvo principalmente as pessoas que tem uma boa rede de conexões e de atividades definidas na sociedade.

5. Estado de tranqüilidade: é alcançado quando o indivíduo inicia seu processo de adaptação a sociedade, bem como aprofunda seus conhecimentos sobre seu próprio eu e sobre como as coisas funcionam. O inicio do entendimento sobre como agem os grupos que antes o causava raiva o faz aceitar as coisas como elas são. Agora ele entende que seus desejos dependem do seu esforço e de sua paciência.

6. Estado de alegria: quando o indivíduo entende como adequar seus desejos as coisas simples da vida ou também para aquelas coisas que são conquistáveis para ele. Por alcançar o desejado, seu instinto libera bons sentimentos que o faz se sentir bem, alegre.  Porém, neste estado, seu conhecimento é limitado a si próprio e as coisas que o rodeiam. Seu instinto tem a tendência de entrar na zona de conforto e se sente mal sempre que precisa sair dela, porém, com o tempo ele sente a necessidade de mudança motivada pelo enjôo da rotina.

7. Estado de erudição: é o estado de expansão de conhecimento e de auto-aperfeiçoamento.  O indivíduo, movido por sua necessidade de sair da zona de conforto e não por necessidade social ou econômica, inicia sua busca por novos conhecimentos e pelo crescimento individual. Contudo, por já ter uma rotina definida e por já ter razoáveis conhecimentos, esta expansão é feita de forma consciente e sóbria. Isto reflete no aprecio pelo conhecimento bem elaborado e que explora as várias formas que a realidade universal e humana pode se apresentar. Neste ponto se adéqua a apreciação pelo estudo técnico da arte, filosofia e ciência.

8. Estado de absorção: neste estágio, o indivíduo sente que está maduro o suficiente para iniciar sua própria produção daquilo que ele estuda ou faz para se sentir bem, além de sua rotina. Iniciam-se aqui os projetos e experimentos para ir além e absorver novos aspectos da realidade, dando progressão à evolução humana. Estes projetos ou experimentos são bem organizados e tendem a ser saudáveis, já que o indivíduo tem os conhecimentos sobre a realidade universal e humana adquiridos no estado de erudição. Aqui se encontram as pessoas que produzem arte, filosofia ou ciência. Elas geralmente são preocupadas com a perfeição de sua obra, já que seu desejo está direcionado a isto.

9. Estado de Bodhisattva: quando levado ao extremo o contínuo processo de auto-aperfeiçoamento, ele se torna uma espécie de estado da fome aprimorado em que o benefício se torna pouco para tanto esforço. A forma mais saudável para sair deste dilema, segundo o budismo, é que o indivíduo utilize todo seu conhecimento da realidade para ajudar a outros humanos. Isto se mostra uma forma de sair da solidão do estado da fome aprimorada além de ajudar ao próximo e a si próprio a alcançar os desejos e a se sentir bem.

10. Estado de Buda: neste estado entende-se que a perfeição é a própria existência, não precisando, portanto, de nenhuma atividade que faça o indivíduo crescer em si. Ele deseja apenas a manutenção da existência. É para isto que é voltado seu esforço mental e físico. O indivíduo que chega a este estado provavelmente entende que apenas poucos podem chegar nele, e por isto toma para si a responsabilidade de preservar a manutenção da vida. Por isto, ele se esforça para utilizar todo o seu conhecimento para compreender e ajudar a todos, independente de seus sentimentos. Para que seus sentimentos não influenciem em seu esforço e na sua busca por compreensão, ele adota um estilo de vida simples, rotineiro e se desapega dos prazeres do instinto. Só precisa ajudar e existir para se sentir bem.

Considerações sobre a interpretação dos 10 estados da existência:
Os dez estados da existência humana, segundo o budismo, pode ser chamado pela psicologia evolutiva como os dez estados de autoconhecimento da mente humana. A principal intenção da psicologia evolutiva ao se interessar em categorizar os estados da mente humana é desenvolver metodologias que ajudem ao humano a chegar a um estado mental em que ele esteja totalmente adaptado ao seu próprio ser, a sociedade e a realidade. É neste estágio que se observa que o humano alcança um ótimo estilo de vida, observando suas próprias configurações e utilizando seu conhecimento, humano e universal, para desenvolver ferramentas que ajudem a ele e aos que estão a sua volta. É quando podemos assumir que o humano está totalmente adaptado a realidade.

Este estado pode ser considerado o nono estado de existência humana, o Bodhisattva.  Contudo, para a psicologia evolutiva ele pode ser chamado como o “Estado de adaptação”. Justamente porque neste estado ele consegue utilizar, e tem consciência disto, os mecanismos lógicos e o conhecimento sobre a realidade para desenvolver ou se adaptar a novos mecanismos que melhorem sua qualidade de vida. O último estado de existência humana, o Buda, para a psicologia evolutiva é o “Estado de amor”. Neste estado, além de desenvolver uma ótima qualidade de vida, o indivíduo também entende que todos os humanos merecem ser amados, independente do que eles são ou fazem. Isto porque ele utiliza seu conhecimento para entender o porquê uma pessoa é como é, e após fazer isto, ele percebe que a única diferença entre ela e qualquer outra pessoa, inclusive ele, são as configurações genéticas e sociais. Devido a isto, ele entende e sente que é preciso ter respeito à essência humana, que é evoluir, e faz isto não somente para si e aqueles que ele gosta, como também para desconhecidos. Como, para a psicologia evolutiva, evoluir é amor, daí vem o nome deste estado.

Dos estados anteriores, o estado de animalidade pode ser mais observado na fase infantil, em que o humano ainda não entende nada sobre si. O estado da ira pode ser mais observado fase adolescente, onde ocorrem os contatos mais críticos com a sociedade. O estado da fome pode ocorrer em alguns adultos que, por distúrbio, são impedidos de enxergar os reais valores da vida. O estado de inferno é observado sempre que há uma grande traição da realidade, seja por parte dos humanos, seja por parte das circunstancias, em que o indivíduo se esforça demais numa mentira e vê todo seu esforço valendo nada e seus desejos não sendo alcançados. Os estados de tranqüilidade e o de alegria são observados quando o humano está conseguindo se adaptar a sociedade. Os estados de erudição e de absorção são observados quando o humano está se adaptando a realidade universal e a realidade humana. O estado de mecanismo ocorre quando o humano já está adaptado a estas duas realidades, porém, ainda mantém algum vinculo com seus distúrbios, o que o impede de amar independente do que seja. O estado de amor surge quando o humano consegue entender e superar seus distúrbios e agir tanto para a evolução individual quanto para a evolução social.

Estes dez estados da mente humana não podem ser considerados estágios, já que é possível perceber que, de algum modo, o humano consegue passar de um estado para outro sem necessariamente precisar seguir a ordem. Contudo, é interessante que todo humano experimente todos, compreenda-os e os supere. Provavelmente só assim se obtém a experiência humana necessária para compreender e chegar ao estado de amor com bastante consciência. As diferenças entre a interpretação budista e a interpretação da psicologia evolutiva sobre estes estados se deve principalmente a carga de conhecimento teórico que a psicologia evolutiva pode trazer. O budismo, por ter sua carga prática, desenvolveu o estado de amor como o estado de Buda porque eles perceberam que só é possível se chegar a ele abrindo mão dos valores humanos, pois daí se vai junto os distúrbios. Contudo, o que a psicologia evolutiva espera fazer é não abrir mão destes valores, e sim utilizar os conhecimentos dados por ela para minimizar o máximo possível o efeito destes distúrbios, chegando a algo bastante próximo do estado de amor, o que já é algo muito saudável e sustentável. Neste estado, o humano terá condições de contemplar uma vida de boa evolução através dos sistemas evolutivos que ele se esforça para desenvolver.

Encerramento:
Enfim, finalizo mais uma postagem. Sinto que meus conceitos estão uma bagunça. Embora eu esteja progredindo, preciso arrumar essa bagunça, caso contrário sua utilização como ferramenta ficará mais árdua e anti-intuitiva, sem contar que aumenta a chance de enganos ou redundância durante o desenvolvimento dos conceitos. Pretendo reunir a grande parte dos conceitos e o gráfico, talvez eu faça isso na próxima postagem. Esta semana eu escutei bastante uma cantora chamada Lorena Simpson, mas algo me incomodava. Eu gostava dela, mas meu inconsciente dizia que ela é fruto da indústria musical, e isto, de certo modo, diminuía minha valorização sobre o que ela produzia. Cheguei a duas conclusões: o objetivo da indústria de música é ganhar dinheiro, e eles estão fazendo isso, portanto, o reconhecimento artístico da parte técnica não é necessário. A parte artística é encabeçada pela Lorena Simpson, que agrega a imagem dela ao que ela produz, com ou sem auxílio da indústria. Portanto, devo assumir que ela faz o que faz porque quis e se dedicou bastante para chegar a este ponto, portanto, é válida minha valorização a imagem dela, em específico. Ainda preciso essa diferença entre obrigação e boa ação. Após esta pequena reflexão, termino minha postagem. Abraços a todos.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Estrutura do desejo e processo de adaptação a realidade

Introdução:
Olá amigos. Cá estou eu para mais uma postagem. Passei a semana inteira querendo escrever sobre isso, contudo, em respeito ao meu período de estudo eu não o fiz. Se bem que ontem eu estudei pouquíssimo, um pequeno deslize. Percebi que meu modelo de estudo agora se baseia principalmente em fazer exercícios, e isto está me fazendo ter dificuldades para estudar as matérias humanas, cujos exercícios são um pouco mais complicados de achar. Ou talvez seja simplesmente preguiça de me adaptar a outro estilo de conhecimento, a outro modo de raciocinar que não seja o de exatas. Na verdade, até nos exercícios de exatas eu demoro bastante, e me pergunto se este é o modo mais eficiente de estudar. É o único que eu conheço. Testar variações seria uma boa opção mesmo estando no fim do ano. Assisti a dois filmes muito interessantes, “Freud: além da alma” e “Quando Nietzsche chorou”. Do primeiro, pude conhecer um pouco melhor sobre o trabalho dos psicanalistas e também um pouco mais sobre os casos de psicologia, como também observei a coragem do Freud em seguir suas teorias mesmo que elas revelassem o lado escuro do humano. No segundo, pude entender melhor Nietzsche e como sua filosofia é aplicada. Não pude deixar de relacionar as teorias de ambos a psicologia evolutiva. A primeira traz autoconhecimento, a segunda traz força, e a psicologia evolutiva seria aquela que organiza o instinto. A postagem de hoje será composta de um estudo mais profundo sobre alguns conceitos da psicologia evolutiva e que podem ser observados no gráfico, que são o desejo e a adaptação a realidade.

Introdução a estrutura do desejo:
A possibilidade de explorar o redirecionamento do desejo como uma forma de aumentar a qualidade de vida foi algo já previsto pela psicologia evolutiva em seu gráfico do bem-estar evolutivo. Esta capacidade, baseada na propriedade do instinto que influencia o raciocínio e vice-versa, é uma das principais formas para que, através da reorganização dos desejos, obtenha-se um aumento na qualidade de vida. Desejar é algo essencial para todo humano, pois através disto ele encontrará a vontade para se esforçar. Porém, um desejo mal formulado pelo instinto pode ser bastante nocivo, pois, além de jogar esforço fora, poderá fazer a pessoa se frustrar e abandonar uma evolução de alto nível, se entregando a uma vida cheia de distúrbios. Por isto, entender como o instinto formula e estrutura o desejo é um conhecimento bastante importante para a psicologia evolutiva. Para isto, será necessário explicar como funciona o desejo e as estruturas básicas nas quais ele surge.

Idéias gerais:
O desejo surge da necessidade do instinto humano se sentir bem. Ele funciona liberando bons sentimentos sempre que o humano alcança algo que deseja e forçando o humano conseguir isto, pois caso não consiga, ele pode ser gatilho para alguns sentimentos ruins. Ele surge naquilo que o humano considera que é o “melhor” para si, e é isto o que o torna o principal responsável por não permitir que os humanos se tornem conformados com um estilo de vida seguro e pacato. Durante algum tempo o humano se sente bem por ter alcançado algum desejo, porém, este sentimento logo é diluído e ele se sente normal novamente, precisando alcançar algum novo desejo, que pode ser diferente ou não do desejo anterior, tudo depende das circunstâncias. O gráfico do bem-estar evolutivo mostra como utilizar o desejo para a manutenção de uma boa evolução, por isto explicar este mecanismo não será a intenção desta postagem.

Definição de estrutura:
É possível perceber que na própria definição de desejo que ele é algo bastante relativo ao que o humano percebe, sente e entende. Isto é demonstrado em “o desejo surge naquilo que o humano considera o melhor para si”, onde esta consideração pode ser feita através de experiências, teorias ou observação. Contudo, o que significa melhor neste caso? É esta a grande pergunta que faz surgir alguns mecanismos de estruturação do desejo. Chamarei aqui de estruturação do desejo as propriedades humanas a quais o instinto humano se baseia para formular o que desejar e como conseguir isto. É possível perceber a existência principalmente de dois mecanismos: um é associativo, e deriva das propriedades humanas de associação de informações. O outro é adaptativo, e deriva das propriedades humanas de raciocínio que influencia o instinto e vice-versa. Agora será explicado como funciona cada um deles.

Estrutura de desejo associativa:
A capacidade associativa que o ser humano desenvolveu através dos mecanismos evolutivos o tornou mais inteligente, já que isto o tornou capaz de relacionar uma grande quantidade de sentimentos e experiências, obtendo informações novas. É através desta propriedade associativa que parte do desejo humano é concebido, e será explicado agora como isto ocorre na prática: imaginemos um grupo de pessoas cujas características são parecidas, chamaremos este grupo de A. Supondo que exista algo que algumas destas pessoas do grupo A experimentem e se sintam bem com isto, este algo logo se tornará objetivo de desejo. Porém, por terem características bem semelhantes, as outras pessoas deste mesmo grupo A, por meio da observação e associação, logo desejaram também este algo, mesmo não tendo experimentado. Ou seja, um desejo surge por meio da associação, pois se algum semelhante ao A se sente bem com algo, logo, existe uma grande probabilidade de que A também se sentirá bem com este mesmo algo, e se sentir bem é algo que ele deseja.

Estrutura de desejo adaptativa:
A estrutura adaptativa do desejo funciona através da propriedade do instinto que influencia o raciocínio e vice-versa. Este um princípio na psicologia que diz que nenhum humano deseja aquilo que acredita ser impossível, logo, o entendimento completo da realidade faz o humano desejar somente aquilo que é possível a ele. Porém, este entendimento da realidade não é algo natural ao humano, por isto ele precisa se esforçar bastante para entendê-la e com isto se adaptar a ela. Isto é o que se chama de “processo de adaptação a realidade”. Quando mais conectado a realidade o humano estiver, mais seus desejos estarão coerentes com as propriedades da realidade, e isto tornará maior as chances deles se tornarem reais. Porém, ao lembrar que o desejo tende a focar no melhor, o humano irá querer o melhor que a realidade pode fornecer, por isto existirá a tendência dele desejar coisas difíceis de serem conquistadas no sentido de exigirem muito esforço e conhecimento.

Considerações gerais sobre as estruturas:
Enquanto que os desejos formados pelo processo associativo costumam ter como característica serem mais simples e grupal, e se sustenta já que coisas que fazem bem a um grupo semelhante de pessoas geralmente tendem a ser genéricas e simples de se obter, os formados por processo de adaptação acabam sendo mais individuais e complexos, já que são formulados só após um processo de adaptação a realidade e exige muito esforço a construção de um mesmo algo. Podemos citar como exemplo de desejo formado por processo associativo a moda, onde pessoas se sentem bem por serem relacionadas a coisas que são desejadas e associadas a coisas boas, enquanto que um desejo formado por processo adaptativo é alguém que deseja desenvolver uma ferramenta bem específica, e passa algum tempo se dedicando, estudando e testando essa ferramenta para ela se adaptar a realidade e funcionar. De forma geral, é possível definir que desejos associativos bons são aqueles superficiais e de consumo rápido e coletivo, enquanto que bons desejos de adaptação sejam aqueles profundos, de produção ou consumo constante.

Benefícios de uso:
Esta definição é útil para evitar distúrbios. Supondo que uma pessoa deseje profundamente algo, mas este desejo tenha sido gerado através do processo associativo. Isto pode ser problemático, pois para o instinto dela, ela é capaz de fazer a mesma coisa que uma ou outra pessoa fez já que seu desejo surgiu através da associação, porém, a realidade pode ser diferente e talvez falte algum conhecimento, experiência ou recurso para que ela de fato seja capaz disto. Se for este o caso, existe uma enorme tendência dela se culpar por não conseguir e não entender o porquê não conseguiu. Outro exemplo é uma pessoa que apenas tem desejos superficiais, como os desejos consumistas, por exemplo. Se um dia algo, como a perca de fonte de renda, mudar a realidade dela bruscamente e ela não tiver previsto isto por não estar conectada a realidade, existirá uma grande probabilidade de ela sofrer bastante por não conseguir manter seus desejos e por ter que desenvolver desejos e estrutura de produção, algo um tanto difícil pra ser feito em pouco tempo.

Considerações finais:
O objetivo destes conhecimentos é fazer com que os desejos executem sua função, que é ser alcançado e fazer bem aos humanos. Após entendido estes dois processos, já é possível investigar as causas da maioria dos desejos e tentar modificá-los de modo saudável e coerente com a evolução, tal como explicado no gráfico do bem-estar evolutivo. O processo de adaptação da realidade será explicado melhor em um tópico exclusivo, porém, é interessante observar como, através da mutação, que pode ser considerada a descoberta acidental de algo, novos desejos surgem. Foi notado que alguma pessoa do grupo A descobriu algo, e logo este algo se espalhou por seus semelhantes, tornando-se uma característica de grupo. É possível também notar que os desejos mais profundos, que geralmente são de produção, são também aqueles auxiliados altamente pela tecnologia e pelo conhecimento, já que para se dedicar a algo por muito tempo, este algo precisa ter capacidade de continuar a se desenvolver e chegar a altos níveis de complexidade.

Processo de adaptação a realidade:
O processo de adaptação a realidade surgiu devido à necessidade que a psicologia evolutiva sentiu em possuir realmente a verdade, para então adequar o instinto humano a ela e fazer o que melhor a realidade permitir para o desenvolvimento humano. Contudo, descobrir a verdade não é uma tarefa fácil, pois o instinto humano possui muitos mecanismos de associação, que em tarefas cotidianas ajuda-o a se tornar mais eficiente, mas que cedo ou tarde, acaba caindo em alguns erros de lógica que acabam levando-o ao distúrbio. Se fossem pequenos distúrbios, não haveria tanto problema. O real problema é quando estes distúrbios são proliferados e evoluem, já que eles vão beneficiar algumas pessoas, mas vão prejudicar outras. É assim que nascem as grandes mazelas sociais: da má interpretação da realidade.

A metodologia científica nasceu como uma ferramenta de investigação da realidade. Ela se baseia nas propriedades do universo, onde cada efeito tem uma causa, e estabelece métodos para a investigação da causa e efeito com o intuito de conhecer a realidade e desenvolver mecanismos para ajudar ao humano. O exemplo disto, o computador, que, por ser projetado para respeitar a realidade lógica, física e química do universo, é capaz de executar seus milhares de cálculos com precisão e determinismo. Contudo, o modo como os humanos percebem a realidade é diferente. Devido à propriedade do instinto que influencia o raciocínio e vice-versa, a percepção da realidade humana não é simplesmente baseada em fatos, mas sim em sentimentos. Se existe um fato, este fato pode ser classificado como bom e bonito, para uma pessoa que se sente bem com isto, e ruim e feio, para outra pessoa que se sente mal com isto. Diante disto, perceber a realidade se torna algo complexo, pois afinal, o referido fato é bom ou ruim?

O processo de adaptação a realidade é um conjunto de princípios que tem como objetivo fazer a razão humana se desprender de seu instinto e, através disto, dar condições do humano buscar todos os conhecimentos necessários para dominar a realidade e usufruí-la a seu favor. É perceptível que o humano é capaz de mudar as configurações da realidade de modo que ela traga alguns resultados, mas ele não é capaz de mudar as suas propriedades. Por dominar a realidade, imaginemos aqueles que projetaram o computador: se eles não tivessem o domínio das propriedades da realidade, eles teriam conseguido organizá-la de tal modo que ela produza os efeitos do computador. Embora a metodologia científica tenha surgido há alguns séculos atrás, ela é incompleta como método de adequação do instinto a realidade porque ela apenas tem conhecimentos sobre a realidade física, química e matemática. O complemento necessário para isto são os conhecimentos da psicologia evolutiva, e por isso com ela surge esta noção de necessidade em adaptar-se a realidade bem definida.

Isto porque, enquanto que para a metodologia científica um fato é simplesmente um fato, para o instinto humano, um fato pode ganhar uma enorme quantidade de simbologias que o torna bom ou ruim. Além disto, a realidade, para os humanos, também é constituída de esforço e interesses, e um fato por si só pode ser constituído por muito esforço ou interesse de várias pessoas. Antes de se chegar quaisquer conclusões sobre a natureza boa ou ruim de algum fato, é necessário respeitar que este fato está envolvido com uma serie de processos evolutivos e buscar compreende-los, para só depois assumir uma posição seguindo um critério de julgamento. Desta forma, entende-se o porquê alguém acha bom e bonito algo e o porquê outro alguém acha ruim e feio este mesmo algo, além disto, através de um critério, é possível classificar este algo de modo que todos concordem sem desrespeitar ou ofender ninguém.  Com este procedimento, é possível conhecer e adequar todos os elementos da realidade e organizá-los de modo que produzam uma evolução sustentável e saudável. Agora vamos aos princípios, que também podem ser considerados como etapas do processo de adaptação a realidade.

Etapa um: Princípio de valorização da realidade:
Valorizar a realidade acima de tudo é o inicio para o processo de adaptação a realidade. Sem isto, o humano acabará cedendo a interpretação da realidade que mais lhe agrada e não terá coragem de enfrentar aquelas interpretações que o põe em posição ruim. Neste momento, é preciso se transformar em um agente que busca a realidade, seja ela muito boa ou muito ruim ao instinto. Sem isto, aceitar que tudo aquilo que faz o instinto se sentir bem seja mentira, por exemplo, se torne algo bastante difícil, pois o instinto se sente bem estando próximo daquilo que ele valoriza, e ainda existe a tendência do instinto fazer o raciocínio se apegar a aquela interpretação da realidade que melhor agrade a ele e então pare por ai. Então, a intenção real deste princípio é fazer com que as pessoas abandonem aquilo que as façam se sentir bem ou mal, seja verdade ou mentira, para então buscar e se sentir bem primordialmente com a realidade, e só após isto iniciar o processo de evolução, que estará adaptado a realidade.

Etapa dois: Princípio da compreensão da realidade universal:
Após valorizar a realidade, é necessário compreendê-la. A necessidade de compreender a realidade existe porque é através disto que o humano irá desenvolver as técnicas necessárias para aumentar sua qualidade de vida. Porém, compreender totalmente a realidade atualmente é impossível, portanto, o que realmente interessa entender são seus princípios de funcionamento. São basicamente dois. O primeiro princípio: tudo há um porquê. Isto implica dizer que tudo no universo tem um motivo para ser como é. O segundo princípio: os motivos que fazem as coisas agirem de determinada forma são chamados de leis ou propriedades. A importância de entender estas duas características do universo é ter a capacidade de ter a noção de configurações de realidade. No exemplo do computador, nós, humanos, utilizamos e isolamos as propriedades da lógica e da eletrônica de tal forma que ela tome a configuração desejada por nós. E enquanto esta configuração se manter intacta, nada modificar este sistema, ele sempre irá funcionar e responder de acordo com o programado. É basicamente isto o que a metodologia científica nos diz, e compreender isto é essencial para desenvolver projetos e estudos para melhorar a qualidade de vida além de auxiliar o entendimento e aceitação dos conhecimentos da psicologia evolutiva.

Etapa três: Princípio compreensão da realidade humana:
Diferente da realidade universal, a realidade humana não pode ser entendida e aceita completamente apenas pela lógica e por definições. Devido ao enorme poder de relatividade da mente humana, é possível perceber comportamentos que, para alguns, não faça o menor sentido, mas para outros faz muito bem. E, embora a psicologia evolutiva entre como uma ferramenta que auxilie e organize o entendimento dos sentimentos humanos, é perceptível que em alguns casos seja necessário viver e sentir para entender. O objetivo deste princípio é fazer com que as pessoas busquem respeitar e entender a realidade de outras pessoas como forma de melhorar a qualidade de vida, e este objetivo se sustenta no fato de que, embora aparentemente estejamos conectados a algumas poucas pessoas, na prática, estas conexões funcionam como uma teia onde opiniões emitidas apenas para conhecidos podem chegar ao conhecimento de muitos desconhecidos. Além disto, outro motivo que o sustenta é que com este conhecimento humano adicional, se tornam maiores às possibilidades de encontrar comportamentos saudáveis bem como também ajude na convivência e na dinâmica em grupo, valores que, de modo geral, melhoram a comunicação, o autoconhecimento e o entrosamento familiar e social, e isto colabora no aumento de qualidade de vida.

Etapa quatro: Princípio de envolvimento com os sistemas evolutivos:
Após entender como a realidade universal e humana funcionam, é preciso iniciar um processo de evolução adaptado a realidade já que se assume, através dos conhecimentos da psicologia evolutiva, que é necessário que o humano estabeleça uma boa evolução para se sentir bem. Porém, é preciso observar que ter uma boa evolução não significa ter uma vida fácil. Isso porque por mais que o humano se esforce pra entender todos os aspectos teóricos da realidade, há uma forte tendência de que a prática não seja igual a teoria. Isto acontece porque ele não nasce conhecendo a realidade, e sim a descobre ou se adapta a ela. A descoberta se refere à realidade universal, que são as leis e propriedades da natureza, e o humano geralmente precisa estudar a ciência envolvida com aquele ramo de conhecimento e se esforçar para desenvolver métodos para descobri-la, mas uma vez feito isto, dificilmente irá mudar, apenas aperfeiçoar. A adaptação se refere à realidade humana, que é formada por sistemas humanos. Estes sistemas mudam constantemente devido a dinâmica trazida pela descoberta de novas tecnologias ou comportamentos, e se o humano não tiver sempre a preocupação de conhecer e acompanhar suas mudanças, é possível que ele se torne obsoleto ou usufrua menos dos benefícios que isto pode trazer. Portanto, é possível perceber que se envolver com os sistemas de adaptação ou descoberta da realidade está intimamente ligado com se esforçar para alcançar os resultados desejados, sendo a função dos princípios anteriores fazer com que este esforço seja corretamente direcionado.

Considerações finais sobre o processo de adaptação a realidade:
Após valorizar a realidade, entendê-la tanto do ponto de vista científico/universal e humano e aprender a aplicar o esforço de modo que ele produza alguma evolução, os conhecimentos da psicologia evolutiva são úteis apenas para organizar os setores da vida de modo geral e evidenciar as propriedades humanas, como mostrado no gráfico do bem-estar evolutivo. Contudo, como cada aspecto social, político, cultural, econômico e geográfico dos países é diferentes, cada sociedade desenvolverá sua própria configuração, e isto fará com que cada pessoa encontre seu modo específico de se adaptar a isto e desenvolver sua boa evolução. O impasse demonstrado no exemplo da introdução seria resolvido através do conhecimento sobre as duas realidades, já que haveria a percepção do por que determinada pessoa considera algo bom ou ruim. A metodologia científica também ajudará no impasse ensinando que, para se julgar algo, é preciso estabelecer critério de julgamento, pois como tudo tem um por que, se não for estabelecido nenhum critério, o julgamento acabará sendo feito pelo inconsciente das pessoas, que é fortemente movido por sentimentos que podem induzir o instinto a desejar a mentira.


Encerramento:
Enfim amigos, finalmente termino esta que foi uma das postagens mais longas que eu lembro ter feito. Comecei no sábado e só terminei no domingo. Abordei dois assuntos importantíssimos para a psicologia evolutiva de forma técnica e clara, espero. Novamente ficarei devendo a revisão, e olhe que esperava falar sobre outros temas. Já está dando hora de ir dormir, amanhã irei estudar. Esse horário de sono está me dando bastantes problemas. É difícil resolver isso. Também vou tentar reorganizar meu método de estudo para não acontecer de novo o que aconteceu na sexta-feira, fiquei um pouco chateado com aquilo. Finalizando o encerramento, boa noite a todos e até a próxima postagem.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Comportamentos e poderes sexuais segundo a psicologia evolutiva

Introdução:
Olá amigos. Decidi escrever após perceber que esta era a melhor opção para o fim de noite. Estes dias que se passaram desde a última atualização foram interessantes. Estou quase terminando de ler “A Batalha do Apocalipse”, emprestado de um amigo. O inicio do livro foi um pouco complicado, porque eu estava pouco familiarizado com os termos. Mas isto logo foi resolvido, e quando me acostumei a linguagem do livro, acabei me envolvendo por ele. O plano inicial para hoje a noite era continuar a leitura, mas como tem um som alto aqui do lado de casa, vou escrever essa postagem de hoje. Outra coisa legal que eu tenho feito é aprender a jogar “Dwarf Fortress”, um jogo cuja linha de aprendizagem é um tanto árdua. Decidi aprender a jogá-lo durante estas férias pra não deixar minha mente cair em preguiça. Tive a sorte, também, de encontrar um ótimo tutorial dividido em vários vídeos, que me poupou bastante esforço em procurar as funções da interface do jogo na wiki inglesa do jogo. Este jogo tem uma profundidade enorme de detalhes, tanto é que eu acho que aprendi apenas uns 70% de seus mecanismos iniciais dos quais eu tive conhecimento da existência através do tutorial. Terminada a atualização de novidades pessoais no blog, vamos agora para a postagem, que hoje será sobre uma teoria envolvendo sexualidade, ela é derivada de observações de das já conhecidas estratégias evolutivas para a reprodução e dos princípios de analise da psicologia evolutiva que busca encontrar a mais comportamental humana mais simples possível.

Introdução a poderes sexuais:
A princípio, reproduzir significa simplesmente produzir algo já troduzido. No caso dos animais, gerar mais de si mesmos, que neste caso é seus filhos. Porém, devido a seleção natural e a propriedade de hereditariedade genética, os animais que, por mutação, desenvolviam mecanismos para selecionar os parceiros que mais sobreviviam ao ambientes, transmitiam estas capacidades aos seus filhos. Tanto a capacidade de seleção como também a capacidade de sobrevivência. Devido a estes mecanismos e também a mutação genética, surgiu a diferenciação entre animais da mesma espécie em macho e fêmea, que foi benéfica por aumentar a variedade de mutações da população, tornando-a mais adaptável ao ambiente. Devido a esta forte variação e da continua ação da seleção natural, a especialização das funções do macho e da fêmea se tornou ainda mais evidente para que houvesse mais das chances de sobrevivência e reprodução para a espécie. Foi assim que surgiu as estratégias evolutivas que define “macho” e “fêmea”.

De modo geral e simplificado, o macho ficou responsável por garantir principalmente as chances de sobrevivência, gastando toda sua energia na caça e proteger a fêmeas. A fêmea, por sua vez, costuma guardar uma maior parte de energia em seu corpo para o árduo trabalho de gerar um filho, algo que consome bastante tempo e energia do indivíduo, e cuidar dele. Devido a estas características, o macho tem como objetivo encontrar formas de demonstrar que é o melhor do seu bando para conquistar uma fêmea, e a fêmea tem o objetivo de selecionar o melhor macho, para que seu filho tenha mais chances de sobreviver à seleção natural. Após este processo, há o acasalamento e a fêmea ficará grávida. A seleção atua na fêmea por meio da saúde: aquela que for mais saudável terá mais filhos, e passará essa característica a seus filhos. Para saber sobre isso de forma mais detalhada, ouça o nerdcast número 316 (link aqui). Estas informações são necessárias para, após acrescentar as propriedades que faz o humano se tornar um ser relativo, ser possível fazer uma analogia sobre como estas características estão agindo.

Relativização dos poderes sexuais:
A partir do momento em que o humano desenvolveu a capacidade de modificar o ambiente, houve também uma diluição na força da seleção natural que o ambiente exerce na espécie. Devido a isto, as técnicas que foram desenvolvidas para o humano se adaptar ao ambiente, dentre elas a diferenciação entre os sexos, também sofreram modificações. Sendo mais específico, o contexto o qual essas técnicas foram desenvolvidas deixou de existir quando o humano deixou de viver na floresta para viver em sociedade, devido a isto, a sociedade foi montada de modo a tecnologias humanas. É isto o que se chama de herança genética, algo que uma espécie recebeu sem necessariamente fazer o melhor uso disto. Quanto maior o nível tecnológico desta sociedade, maior é a capacidade do homem modificar o ambiente e também mais distante se torna a sociedade do contexto a qual as tecnologias humanas. É por isto que, em pleno século de tecnologia em que estamos ainda existem muitos distúrbios relacionados ao sexo.

Um bom exemplo sobre isso foi no inicio das primeiras organizações sociais um pouco mais complexas, onde já existia propriedade privada. A propriedade privada faz o humano precisar definir quem é seu parceiro e quem são seus filhos para que haja transmissão de conhecimentos e riquezas de forma específica. Devido a isto, um homem precisa escolher uma mulher e vice-versa, para ambos terem um filho e constituir um núcleo familiar. Contudo, enquanto que antigamente o objetivo do homem era demonstrar as fêmeas em geral que era forte e merecia ser escolhido, e o da fêmea era escolher, parir e cuidar do filho, agora o homem precisa escolher e a mulher precisa atrair. Isto encontrou um modo de ser feito através das tecnologias humanas. A mulher começou a atrair através da tecnologia da beleza, onde ela buscava ser associada a valores que os homens valorizavam, além de o homem já estabelecer seu padrão de beleza por aspectos corporais que ele considerava importante. O homem, por sua vez, começou a atrair as mulheres pela sua capacidade de dar boas condições de vida a elas e a seus filhos, e foi em conseqüência disto que surgiu o status, onde a beleza é dada através da valorização da riqueza ou poder social. Uma curiosidade é que, até o período em que a medicina não tinha condições de garantir um bom parto para mulher, o padrão de beleza era as mulheres com maior saúde para parto.

A partir de então, devido a mulher estar vinculada a necessidade de ter um filho, ela sempre foi associada a valores de saúde e a beleza. O homem, por ter tomado a responsabilidade social devido a sua necessidade de se tornar melhor e competir com os machos para ser selecionado, acabou tomando a rédea da sociedade e tomando a responsabilidade de fazê-la melhorar em relação às outras, por isto, ele é vinculado a uma imagem de produção e competição. Embora o sexo estar associado ao prazer para ambos os gêneros, a mulher, devido a responsabilidade de carregar o filho consigo, desenvolveu uma certa aversão ao sexo, enquanto que o homem, devido a ausência causada pela aversão da mulher, acabou desenvolvendo uma super-valorização ao sexo. É isto também o que explica a mulher estar associada a prazer de tal forma que faz o homem mentir para conquistá-las para apenas uma noite. Quando as mulheres perceberam isto, começaram utilizar o prazer como uma tática para atrair os homens e fazê-los compartilhar aquilo que eles produzem, e isto logo foi integrado ao sistema social. Devido a isto, é possível também assumir que a manipulação do prazer, coisas que satisfaçam o instinto, não somente no sentido sexual, estão também relacionados ao sexo feminino, já que o masculino está preocupado demais com a produção e a competição.

Como explicado anteriormente, a capacidade de se tornar relativo do humano é tão grande que, já no século passado, é possível perceber mulheres se focando exageradamente na competição e homens se focando exageradamente na beleza, coisas que ao serem comparadas com o princípio do comportamento da sexualidade pode significar uma inversão de funções. Contudo, devido à característica do sexo feminino de gerar um filho, algo que nunca mudará, é possível determinar a essência de comportamento masculino e comportamento feminino para a natureza humana. Comportamento masculino, também chamado de poder ativo por efeitos práticos, é aquele que se foca na competição e produção. Comportamento feminino, também chamado de poder passivo por efeitos práticos, é aquele que se foca na saúde e no prazer. A importância de compreender estes elementos é ter condições de observar em como atuam, na prática, a estratégia sexual masculina e feminina para atrair e escolher aquilo que desejam. Para continuar, é preciso imaginar um cenário onde já haja a tecnologia de anticoncepção e anti-dst, como nossa sociedade atual e a camisinha, e também lembrar que o comportamento humano é relativo ao ponto de uma mulher que utiliza o poder ativo conquistar o homem que utiliza o poder ativo.

Poder ativo:
O comportamento masculino é assim chamado, pois, na prática, é ele quem conquista. Isto acontece porque este comportamento, ao ter como principal característica a busca pela produção e pela competição, acaba acumulando uma boa quantidade de recursos para viver bem, porém, deseja utilizar estes recursos em coisas que lhe tragam bastante prazer e façam bem ao seu futuro. É então que ele decide investir os recursos para conquistar aquela pessoa que aparenta apresentar os melhores conhecimentos e esteja relacionada às melhores coisas, ou seja, alguém de poder passivo. Para conquistá-la, a partir deste momento, ele irá empregar seus recursos para demonstrar a essa pessoa que realmente está interessado em suas capacidades e realmente deseja dar-lhe as melhores condições de sobrevivência através destes recursos possíveis, e que não é simplesmente um charlatão querendo ter prazer através de mentiras. A partir desta movimentação de esforço é que ocorre a conquista do poder passivo, quando este se convence de que o partido é realmente alguém com bons poderes em relação às opções e deseja fazê-la bem, coisa que as outras opções podem não desejar tanto.

Poder passivo:
O comportamento feminino é assim chamado, pois, na prática, é ele quem é conquistado. Isto acontece porque este comportamento, ao ter como principal objetivo encontrar meios de gerar saúde e bem-estar para si próprio e a quem nutre afeto, acaba se associando também a coisas prazerosas para conseguir conquistar a atenção daqueles que detém os recursos para a sobrevivência. Esta associação é feita de forma instintiva, é exemplo da dança provocativa e da moda, e é bastante útil dentro do sistema social. É através disto que o poder passivo atrai a maior quantidade de poderes ativos possível, e diante de todos os que são atraídos, aquele que mais se dispõe a lhe fazer bem e tiver mais recursos será o escolhido. A competição também ocorre no poder passivo, pois afinal, aquele que atrair mais poderá ter maior oportunidade de escolha e mais certeza o poder ativo terá para investir seus recursos para a conquista. Esta competição se dá principalmente através da imagem a qual aqueles que se valem do poder passivo se associam. O poder ativo quer ter, através da imagem, garantias de que seu investimento trará resultados para futuro. Por isto, um poder passivo difícil de ser conquistado demonstra que quer realmente se envolver com alguém que queira um envolvimento sério, que realmente faça bem e não seja superficial, e isto é algo que o poder ativo valoriza.

Considerações sobre os poderes sociais na sociedade:
Este sistema de poderes sexuais se consolidou porque é ele quem específica de maneira mais acentuada as características do comportamento de sobrevivência e reprodução. O poder ativo, portanto, é o comportamento da sobrevivência, que busca meios de se tornar excelente em produzir recursos, e o comportamento passivo é o da reprodução, que busca meios de selecionar aqueles que melhor consegue produzir recursos e cuidar bem do filho. Contudo, este é um sistema genérico, pois é possível observar que existe uma enorme quantidade de variações destes poderes na sociedade. Isto porque a tecnologia e a luta pela igualdade permitiram que o comportamento passivo também buscasse sua fonte de recurso, deixando de depender somente do ativo, e que o ativo também buscasse formas de atrair o passivo por estarem associado coisas boas, deixando de depender somente de seus recursos. Podemos ver então, em alguns casos, versões diluídas destes comportamentos ou mesmo invertidas. Isto é vantajoso, pois permite uma maior gama de variações de comportamentos, o que possibilita que cada pessoa busque se adequar naquilo que ela é melhor. Existem alguns homens que são melhores em ser passivos e existem algumas mulheres que são melhores em ser ativas, se a realidade é esta, é preciso respeitar. Obviamente, diante tanta variação de comportamento, existem os distúrbios, como casais que são montados apenas por interesses superficiais, como dinheiro ou beleza, coisas que são importantes, mas que na maioria das vezes não sustentam um relacionamento voltado à família por serem enjoativos.

Parte dos grandes distúrbios socais relacionados a guerra do sexo está relacionada ao não respeito com a realidade. Embora que para algumas mulheres seja vantajoso ser passiva, isto não significa que para toda mulher é vantajoso ser da mesma forma. Foi isto o que motivou a luta pela igualdade, que poderia ser mais bem titulada como a luta pelo direito de ser igual se quiser. O mesmo vale para os homens. Outro fato que ocorreu foi a falência do núcleo familiar constituído de maneira tradicional, onde o pai trabalha e a mãe em casa cuidado dos filhos. Este sistema faliu não devido a sua estrutura, que por princípio é ótima, mas sim pelo não entendimento de sua estrutura e a falta de compromisso com a realidade e com o melhor. As esposas e maridos buscavam omitir ou mentir sobre os fatores levados pela idéia de que manter o núcleo familiar é mais importante que a verdade, e isto levava, fatalmente, a tragédias ao núcleo, como traição, casamento ruim, qualidade de vida baixa, filhos rebeldes e que não apóiam os pais, dentre outras coisas. Isto foi sustentado por muitos para manter a imagem perante a sociedade que, embora parecesse respeitosa e todos os que não estavam envolvidos no núcleo admiravam, era constituída de mentiras. É por isto que o compromisso com a verdade e a liberdade para escolher o que se acha melhor deve vir antes de toda forma de estrutura social.

Poderes sexuais e definição da sexualidade:
Através do inconsciente coletivo e através da tecnologia da beleza, as pessoas aprendem a valorizar o sexo oposto desde crianças para fins reprodutivos. Na fase adolescente, os hormônios do sexo entram em ação. Os hormônios do corpo masculino desenvolvem uma tendência de comportamento masculino, que busca ser ativo, conquistar, produzir, já os hormônios do corpo feminino desenvolvem uma tendência de comportamento feminino, a de ter uma atenção maior aos sentimentos e gostar de ser conquistada. Através disto é que surge a sexualidade que o homem busque conquistar e a mulher busque ser conquistada. Porém, devido a mutações genéticas ou a distúrbios sociais, é possível observar que uma parcela da população acaba não seguindo esta tendência. É quando surgem homens que usam o poder passivo e mulheres que usam o poder ativo.

O cérebro humano não nasce sabendo a diferença entre homem e mulher. Esta diferença é percebida durante o crescimento, na idade infantil e na adolescência. Porém, são as tendências hormonais que tem a maior tendência de estabelecer que tipo de poder cada indivíduo desejará seguir. Quando há uma mutação genética que faz o homem ter tendências homossexuais, mesmo ao ser incentivado a gostar de meninas, seu instinto passivo acaba desejando ser conquistado pelo poder ativo, aquele que representa os homens, e a partir disto ele desenvolve a valorização sexual por homens, coisa que o faz achá-los bonitos e o faz desejá-los. A mesma coisa ocorre com mulheres que, por influências hormonais, desenvolvem uma tendência ativa. Elas acabam desejando o passivo, que é representado pelo sexo feminino, e por isso aprende a valorizar sexualmente e a desejar a mulher. O mesmo pode acontecer através de distúrbios sociais, onde o homem encontra vantagem em ser passivo, mesmo tendo taxa hormonal para ser ativo, e a mulher encontra vantagem em ser ativa, mesmo tendo taxa hormonal para ser passivo. O distúrbio está em não simplesmente eles mudarem sua natureza, como também valorizarem o mesmo sexo, algo que pode diminuir a taxa de natalidade de um país além de ser maior a dificuldade para manter um núcleo familiar entre casais homossexuais. Porém, estes tipos de distúrbios sexuais costumam ser passageiros.

Para a psicologia evolutiva, os poderes sexuais servem como algo que engata uma relação familiar, contudo, não somente com eles ela se sustenta. É preciso que o casal se goste, se compreenda, queira um o melhor pro outro, sejam sinceros e tenham objetivos evolutivos parecidos. O maior benefício do núcleo familiar são os filhos, que são investimentos que duram para vida toda ou mesmo para além dela. É por isto que mesmo casais formados com gatilho homossexual também podem sustentar, embora que com mais dificuldade, um núcleo familiar por maio da adoção, pois afinal, ambos são humanos e tem o mecanismo evolutivo igual ao dos heterossexuais, só com algumas poucas configurações diferentes. Como ultima observação, é importante que tanto o homem quanto a mulher entendam como os dois tipos de poderes funcionam para melhor compreender e administrar a relação com seu parceiro. Muito dos conflitos ocorrem devido ao não entendimento, causado pela imagem de que o homem só deve ser homem e a mulher só deve ser mulher, e que um não deve entrar no mundo do outro. Na verdade, ambos compartilham as mesmas características, porém, cada um se especializa naquilo que é mais forte, embora possa compreender e sentir um pouco do outro. Isto aumentará a empatia e o entendimento entre o casal, o que aumenta a confiança e a qualidade de vida deles e de seu núcleo social.

Encerramento:
Enfim, finalizo esta postagem. Ela demorou bem mais que eu imaginava, pois, seu projeto original só detinha uma introdução e os conceitos de poder ativo e passivo. Ao iniciar a viagem histórica pelos principais fatores que modificaram a sexualidade, acabei sentindo a necessidade de explicar de onde surgiram os fatores que me fizeram criar este sistema de definições e em como eles se relacionam com os conhecimentos gerais da psicologia evolutiva. Também esqueci de afirmar que utilizei um método de elaboração teórica para chegar a essas conclusões que me induz a pensar nas tecnologias mais simples que faz o cérebro ter os resultados que é percebido, foi assim que eu concebi as tecnologias básicas da psicologia evolutiva e é assim que essa postagem também foi feita. Terminada esta postagem, está também terminando as minhas férias. Pretendo ainda alugar alguns filmes, terminar o livro e voltar à rotina de estudo que me fará me afastar novamente do computador. Desculpem-me se mais uma vez faltei com a revisão, um abraço a todos e até a próxima postagem.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Publicação e explicação do gráfico do bem-estar evolutivo

Introdução:
Olá amigos. Após certa procrastinação, resolvo escrever. Provavelmente não vou terminar esta postagem hoje, mas faz uma semana que eu to pensando em escrever. Planejava em escrevê-la neste sábado, mas então me lembrei que a possibilidade de eu sair sábado ou domingo é grande. Então vamos à postagem. Hoje ela trata sobre um gráfico montado por mim cujo nome ainda não foi definido. Provavelmente se chamará gráfico do bem-estar, pois seu principal objetivo é reunir os elementos que façam com que o humano se sinta bem de maneira plena e continua. Para chegar a este objetivo, foi necessário analisar e traduzir os conceitos da psicologia evolutiva para atual situação da sociedade capitalista, modelo que permite uma evolução bastante orgânica.

Apresentação: O gráfico foi montado através da aproximação topográfica dos fatores que produzem a evolução humana, e através desta aproximação, sua conexão através de setas que indicam a relação entre eles. Estes fatores, assim como a evolução humana, se adaptam a quaisquer ambientes que ele o humano se encontre. Se algum deles não for devidamente desenvolvido, mesmo que por vias alternativas, existe uma grande tendência de esta evolução desenvolver algum tipo de distúrbio, algo que atrapalha o bem-estar. Sendo então esta a principal utilidade desta tabela: observar os elementos da evolução e descobrir quais são fatores que estão causando o mau desenvolvimento da evolução. Vamos ao gráfico. As linhas pontilhadas indicam influencia, enquanto que as não pontilhadas indicam produção. Clique na imagem para ampliá-la.


Indivíduo: É definido, por princípio, que o indivíduo deve se sentir bem. Para que isto aconteça, é preciso que haja saúde, prazer e imagem. Um indivíduo sem saúde não consegue realizar as atividades que o faça bem. O prazer é responsável por fazê-lo se sentir bem através dos bons hormônios. A iimagem trás ao indivíduo a sensação de segurança instintiva para realizar as atividades que o proporciona prazer e saúde. Sem ela, ele não tem certeza se seu esforço está sendo ou não bem aplicado.

Sociedade: A sociedade decide se o que está sendo produzindo é ou não benéfico para o coletivo. É desta forma que se algo que estiver sendo produzido não for bom para a sociedade, haverá reações instintivas ou dispositivos socais que irão desestimular ou mesmo coibir tal produção ou competição. É ela também que torna válido os efeitos do dinheiro. Sem ela, tais efeitos não existiriam, e toda a estrutura do gráfico se modificaria.

Ciência: É o conhecimento de como a realidade funciona. Sua função é permitir que o humano possa prever como obter saúde ou como melhor aplicar seu esforço para produzir o que deseja a fim de melhorar a qualidade de vida e bem-estar. O entendimento da realidade vem sendo transmitido ao humano desde o momento em que ele começa a observar quais resultados suas ações desencadeia. A partir disto, notam-se os primeiros princípios de causa e efeito dos quais se fundamenta a ciência.

Desejo: Neste gráfico, desejo é o que faz surgir a vontade do indivíduo de querer se tornar ou estar entre os melhores ou possuir o melhor. É derivado do comportamento de reprodução, que é responsável pela seleção natural. Sua importância é que, quanto maior o desejo, maior o esforço que a pessoa estará disposta a empregar para obter o que deseja. É propriedade do desejo desejar sempre aquilo que o humano considera acessível para si. É isto que garante, por exemplo, que o humano que entenda sua realidade irá desejar o melhor que sua realidade possa o conceder, seja através do esforço ou através de outros mecanismos. Um exemplo clássico é que nenhum humano sofre por não morar em marte, já que é impossível morar lá atualmente.

Imagem: A imagem é o conjunto de valores que o individuo considera bom para a sua evolução. Ela surge devido à tendência humana de querer sempre estar perto daquilo que considera bom para si, por isto é formada pelo o que ele entende como saudável e prazeroso. Quando o humano busca o que produzir ou competir, a tendência é que sua imagem o influencie a escolher algo relacionado a ela, caso contrário ele sentirá que não está se esforçando por algo que realmente valha à pena, pois não sentirá que o fruto desta produção será tão benéfico para seu futuro quanto poderia ser algum outro tipo de produção a qual sua imagem se identificasse.

Produção: É a capacidade que o indivíduo tem de produzir os recursos necessários para a sua sobrevivência. Devido à atual estrutura da sociedade, toda produção tende a estar relacionada com o dinheiro, já que é ele, e não mais a caça, que garante o alimento. São inúmeras as formas de produção social. Estudos que aperfeiçoem o modo como o indivíduo entende a realidade também são considerados como produção, pois fazem o mesmo esforço produzir mais resultados. Cabe ao indivíduo encontrar, através de seu conhecimento acerca da realidade, uma forma de produção que se adéqüe a sua evolução e também a sociedade.

Dinheiro: É um dispositivo criado como forma de recompensar o quão um indivíduo colaborou para a sociedade, e garante a ele o direito de trocar o dinheiro por algum produto, a sua escolha, que a sociedade desenvolve. Quanto melhor for a técnica de produção, mais será produzido com o mesmo esforço. Esta relação é a chave para entender o porquê o conhecimento da realidade é importante. O dinheiro garante fontes de prazer, caso o indivíduo se interesse, e saúde, já que ambos são produtos que a sociedade oferece em troca de dinheiro.

Competição: Neste gráfico, competição significa o ato de se tornar melhor. A competição pode ser tanto contra si próprio, como também contra outras pessoas. Ela também pode ser nas mais variadas áreas. Quando não há a busca por se tornar melhor, existe a chance de que a pessoa se torne cansativa para as outras ao seu redor ou obsoleta para a sociedade, algo que diminui as chances de evoluir. Além disto, é importante saber lidar com os vários fatores que envolvem a competição e equilibrá-los de modo que haja uma evolução saudável, ou seja: o indivíduo saber lidar com pessoas mais fortes ou mais fracas que ele, com os fracassos e os sucessos e saber equilibrar os outros elementos da vida ao mesmo tempo em que a competição ocorre. Este conhecimento torna o indivíduo mais apto a ter relações sociais e profissionais, por conseqüência, melhora suas chances de se adequar a sociedade.

Saúde: São todos os elementos, psíquicos ou físicos, que fazem o humano ter condições de realizar suas atividades para se sentir bem. Sem saúde, o esforço disponível para a evolução tende a ser menor. Por saúde física, entende-se como o perfeito funcionamento do corpo humano de modo a permiti-lhe desenvolver atividades físicas que promova prazer, como também a ter uma alta expectativa de tempo de vida. Por saúde mental, entende-se como a saciedade de todas as necessidades de sobrevivência e reprodução que a mente confere ao humano. Devido a enorme versatilidade da mente humana, é difícil especificar quais elementos são os essências. Contudo, um modo para trabalhar a saúde mental é observar os sentimentos com sinceridade e verificar quais deles estão fundamentados em coisas verdadeiras e quais deles são fundamentados em coisas maleáveis ou falsas. Sentimentos fundamentados na realidade são bons guias. Dentre as necessidades que tendem a ser comum a todos, estão a necessidade de se sentir bem, a necessidade de se socializar e a necessidade de fazer sexo.

Prazer: É o responsável por fazer o humano se sentir muito bem através de picos hormonais. Surge sempre que ele alcança ou possui algo que deseja. Sua função, para a evolução, é recompensar o humano por chegar ou ter o que deseja e, quando não tiver, encorajá-lo a buscar este algo. Isto acontece da seguinte forma: por ser influenciado pelo desejo, ele sempre tende a querer o melhor para que o prazer seja liberado. Por querer, ele irá se esforçar para alcançar este algo, que pode ser qualquer outro elemento do gráfico. Assim sendo, ele pode se sentir bem produzindo, tendo saúde, competindo ou estando associado a uma boa imagem, por exemplo. Através deste mecanismo, a qualidade de vida e o bem-estar são alcançados, o que se configura uma boa evolução. Portanto, buscar uma forma de sempre melhorar que seja saudável é primordial para não banalizar o prazer e ter sua função corretamente exercida.

Encerramento:
Outra observação que pode ser feita através deste gráfico é que, além de proporcionar uma evolução que seja capaz de garantir o bem estar e uma evolução equilibrada, ele também garante que o indivíduo tenha as condições necessárias, como conhecimento e poder instintivo, para estabelecer relações saudáveis com outras pessoas. Este tipo de relação é bastante benéfico para a evolução, pois garante novos conhecimentos humanos e científicos além de proporcionar maiores chances de reprodução. Outro nome para este gráfico, pensando por mim, é o nome de “célula humana”, pois ele tem as estruturas básicas que todos os humanos precisam ter para se conectarem com a sociedade, independente do tipo de evolução que tiverem. Exemplo: um cientista, um artista, um operário, um empresário, um esportista, todos eles apresentam estes elementos, porém em diferentes configurações, mas ainda sim equilibrados de modo a proporcionar o bem-estar e a boa evolução.