sábado, 29 de setembro de 2012

Analogia de relações sociais com as relações ecológicas e o desejo reativo

Introdução:
Olá amigos. Depois de passar a tarde toda sem fazer nada e perceber que o dia já anoiteceu, resolvi fazer algo produtivo: escrever para meu blog. Esse final de semana provavelmente não terei tempo porque terei umas aulas extras do pré-vestibular. Falando em estudo, final de ano está cada vez mais desanimador. Tentarei dar um “splint” como o professor mencionou e absorver alguns assuntos antes das provas, que chegará em no máximo três meses. Eu decidi que se eu não passar em engenharia numa faculdade pública, tentarei arrumar descontos em psicologia em alguma faculdade privada. É preciso levar em consideração que eu nunca estudei seriamente na vida, apenas este ano, então minha adaptação ao pré-vestibular não foi tão eficiente quanto eu imagino que aqueles que estudavam desde o ensino médio obtiveram. Isto sem contar com a falta e a preguiça de alguns professores, e com minha própria também. Quanto a política, não sei ainda em quem votar. Não é possível definir uma posição de voto com o tanto de informação que se transmite na internet e na televisão. Acredito que seja preciso um debate mais profundo que discutir apenas o que foi feito por cada candidato e o que cada um deles irá fazer. Mas algo mais complicado que isso envolve ideologia, e ideologia é algo bastante perigoso. É uma situação bem complicada de resolver. Enfim, vamos a postagem, hoje tratará sobre analogia relações social com as ecológicas e desejo reativo.

Analogia de relações sociais com as relações ecológicas:
Na minha penúltima postagem, em “alvos e limites do desejo”, cheguei à conclusão de que o humano deseja os itens explicados no gráfico do bem-estar evolutivo, e quanto melhor ele for naquilo em relação a maioria das pessoas da sua sociedade, maior será seu desejo. Foi exemplificado o caso do computador que, ao se tornar um meio de produção, muitas pessoas começaram a desejar a se tornarem boas nisso, principalmente aquelas que participaram do inicio do desenvolvimento dos computadores e por isso já sabiam mexer nele. Isto porque ali já estava associada uma nova forma de produção, então aquelas que já sabiam se animavam, pois sabiam que se algo rolasse, seria com elas, e não com outras que teriam que aprender tudo e irão demorar tempo para isto. Desta forma, é possível assumir que a cada nova indústria que começa a se desenvolver na sociedade, e ela necessariamente está relacionada com um ou mais elementos do gráfico, surge também um novo nicho evolutivo, onde surgirão novos produtores e consumidores. Nisto se percebe a primeira relação social análogas às relações ecológicas: a de produtores e consumidores.

Um bom exemplo disto é a indústria da dança: há quem se sinta muito bem por produzir dança, principalmente porque é boa nisso por ter tendência genética ou treinar desde criança. A este tipo de pessoa cabe a pesquisa de novos estilos de dança e a execução de movimentos difíceis, ao desenvolvimento de apresentações, e isto por si só já se constitui em uma grande quantidade de tempo. Há quem consuma isto o que esta pessoa produz: aquelas que vão aos shows desta apresentação, bem como também tem aulas para aprender estes tais movimentos difíceis ou novos estilos. Mas o importante é saber o porquê, tanto a que produz quanto a que consome, se preocupam em aprender a dançar. Uma das causas é a busca pelo exercício físico, função a qual a dança exerce. Outra é a dança como um dispositivo social, que é utilizada pelas pessoas como meio de socialização. Existe também a dança com função comunicativa, que busca expressar, através do corpo, culturas, intenções, sentimentos e o que mais for possível. Nestes três casos nós vemos relações com os elementos do gráfico. No primeiro, a saúde. No segundo, a competição e a associação ao prazer. No terceiro, há a busca por conhecimento de produção e comunicação de imagens, que são as associações de sentimentos e conhecimentos aos contextos e necessidades do mundo.

Quem está produzindo a dança sente, de alguma forma, que aquilo poderá ser aproveitado um dia. E o prazer de ser boa naquilo que a maioria das pessoas, aliado com a possibilidade de viver daquilo, mesmo que não seja de modo muito luxuoso, é o suficiente para algumas pessoas se dedicarem a um nicho evolutivo. É o caso das pessoas que fazem coisas por prazer de ser amador e tem um trabalho paralelo aquele, mas buscam melhorar, até se tornarem realmente boas e conseguirem viver disto. O público destas pessoas está relacionado ao mesmo nicho na qual ela se sente bem em produzir. Por exemplo, se aquela pessoa gosta de dançar porque isto é algo saudável, o seu público gostará disto pelo mesmo motivo, contudo, ela se dedica mais tempo para aquilo que seu público, por isso ela é a produtora e seu público é consumidor. Da mesma forma acontece com os outros nichos evolutivos sociais, por exemplo: no caso do rock, a agressividade. Na música pop, a dança e atitude. Na erudita, a técnica. Na música mpb, o estilo, etc. Muitas vezes é possível perceber que o próprio fã de determinado artista o admira porque este artista faz coisas que ele deseja fazer, por algum motivo. Este motivo é porque ele sente que é melhor naquilo que a maioria das pessoas, só não tem tempo ou algum outro recurso para potencializar aquilo como seu artista tem. Além disto, este motivo tem alguma relação com o gráfico.

Entendido esta primeira relação, vamos a outra que eu percebi e inclusive, já escrevi aqui no blog. É a relação de parasitismo. Existem pessoas que simplesmente são melhores em enganar e parasitar os outros. E nisto elas sempre serão melhores, portanto, seu instinto tenderá a sempre valorizar isto. Talvez, nestes casos, isto não possa ser considerado um distúrbio muito grave, mas ainda sim é distúrbio. O ato de parasitar é se beneficiar em cima do prejuízo dos outros, e isto vai contra a responsabilidade que todo humano deve ter com a boa evolução. Contudo, é algo inevitável pela própria mecânica que a evolução encontrou para existir. Para tal, é preciso que as pessoas montem um sistema de defesa e se tornem conscientes que este tipo de pessoa existe. Outras relações sociais análogas a ecológica devem existir, contudo, não observei a relação das pessoas com a devida atenção ainda para identificá-las. Porém, é preciso perceber que, diferente das relações ecológicas, que acontece entre espécies, às relações sociais análogas a elas acontece entre os desejos e as sensações relacionadas a ele, sensação de prazer e sensação de dor, no caso, que é o que acontece quando se obtém quando se esforça para ter o que deseja ou quando este esforço dá errado, respectivamente. Uma relação interessante que eu suspeito existir é o mimetismo, em que a pessoa é boa em imitar superficialmente a outra e consegue vários benefícios através disto, coisas simples e que ela deseja.

É possível perceber que, dentro de um modelo padrão de evolução, há a especificação. Ou seja: uma pessoa que tem como nicho evolutivo o mimetismo, ela tem um estilo de vida normal, como qualquer outra, mas que, porém, ela é boa especificamente em conseguir benefícios através da imitação. Outro exemplo é uma pessoa cujo nicho dela é dançar, embora ela desenvolva um estilo de vida normal, ela se destaca em dançar e seu estilo de vida se adéqua a isto. O que eu quero dizer é que os elementos que tornam uma evolução saudável devem existir em todas as pessoas, contudo, cada uma delas especializada naquilo em que ela é melhor, surgindo daí os nichos evolutivos sociais. Por isto surgem as relações entre os nichos evolutivos sociais, pois a especialização de uma é o que a outra precisa para ter uma vida saudável, porém em menores doses, mas que só são acessíveis se existir um produtor. Através disto surge uma população que produz bem e consome bem, e através disto desenvolve uma boa qualidade de vida. Esta relação pode ser melhor visualizada nas indústrias de produtos tradicionais, que são dividas em setor primário, de matéria prima, secundário, produtor, e terciário, consumidor. Cada setor depende do outro para que seus produtos tenham produção e consumo. O comentário a seguir sobre “auxiliadores” se encaixará porque podemos assumir que toda indústria é um nicho evolutivo definido, com produção e consumo constantes.

Deste mesmo ponto de vista é possível perceber a concorrência nos nichos evolutivos sociais. Supondo que haja um nicho evolutivo com muitas pessoas que se achem boas naquilo, haverá um processo de adaptação deste nicho a sociedade em que o consumo irá determinar quantas pessoas poderá sobreviver daquilo, em média. Daí surge o processo de concorrência, que seleciona os melhores, tanto em habilidade nativa, quanto em desejo de se esforçar para se tornar bom em tal nicho. Contudo, já que quanto melhor for à pessoa naturalmente naquilo, maior será o desejo dela em se esforçar para se adaptar a aquilo, a tendência será que as pessoas que são melhores naquilo ganhar da concorrência enquanto que as que são mais ou menos irão buscar outro nicho, e futuramente poderão se tornar consumidoras ou auxiliares. Um exemplo de pessoas auxiliares é o de que, numa indústria de música, não existe apenas o cantor principal, mas também os auxiliares. Estes auxiliares não têm o conjunto de condições necessárias para lançar uma carreira, mas tem os conhecimentos necessários para auxiliar os cantores a fazer aquilo. Numa indústria de música, suponho, a equipe auxiliar costuma ser fixa, pois é técnica, enquanto que o cantor, que trás o conteúdo a ser trabalhado pela equipe, varia. Estes auxiliadores existem porque a montagem de uma indústria é algo bem mais complexo do que a maioria das pessoas pensam, pois a técnica por traz da produção é bem trabalhosa. Contudo, eles trabalham mais por dinheiro, embora seja pelo fato deles serem bons que os tenha motivado a desenvolver aquele conjunto de habilidades.

Desejo reativo:
Em “Introdução a estrutura do desejo”, eu dei duas formas básicas de formação de desejo que foram percebidas por mim. A formação associativa e a adaptativa. Contudo, foi possível perceber outro tipo de formação de desejo, o desejo reativo. Antes, uma pequena revisão sobre os outros dois desejos. “Desejo associativo” é o tipo de desejo que surge quando alguém semelhante a pessoa consegue algo que também pode ser benéfico a ela. Por semelhança, ela assume que também pode ter aquilo e por isto deseja. “Desejo adaptativo” é o tipo de desejo que surge quando a pessoa compreende como é possível produzir algo que irá beneficiar ela. Não é simplesmente uma associação, mas sim um entendimento de realidade que faz a pessoa entender que algo que seja bom a ela é possível, e então ela vai e busca isto, mesmo que ninguém tenha feito isto antes. A diferença entre um e outro desejo é basicamente esta: o associativo é preciso de alguém semelhante tenha para então fazer surgir o desejo, o adaptativo é preciso compreender a realidade para então surgir o desejo.

Este parágrafo também servirá como uma revisão e uma reorganização de conceitos já ditos por mim anteriormente. Em ambos os casos, é possível aplicar a propriedade do desejo observada na postagem “Alvos e limites dos desejos”: o humano irá desejar aquilo que ele sente que é melhor que a maioria e esteja relacionada ao gráfico, seja por associação ou por adaptação. Neste caso, em associação, já que a pessoa é semelhante da outra, seja por motivos sociais ou econômicos, a mesma coisa que possivelmente seja boa pra uma também será para a outra. Esta propriedade se alia a propriedade associativa da mente humana. Já no desejo adaptativo, ela entende como encontrar os recursos para produzir o que deseja, e faz isto através da prática e da adaptação a como funcionam as coisas na realidade. Deste modo, ou a pessoa encontra um novo nicho evolutivo social, ou reinventa o seu ou o reencontra, lembrando que nicho evolutivo está relacionado com os elementos do gráfico do bem-estar evolutivo.

O desejo reativo surge através dos sentimentos que reagem a desejos anteriores. Sabemos que primordialmente há o desejo, e em seguida, há as respostas ao desejo. Essas respostas são os sentimentos, que podem ser a sensação de bem-estar, de raiva, de dor, de afeto, entre outros. Sendo assim, dependendo da resposta do desejo daquela pessoa, ela pode acumular sentimentos positivos ou negativos em referencia a aquilo, e este sentimento irá guiar os futuros desejos. Por exemplo, se uma pessoa é levada a desejar a aprender um conteúdo escolar, mas não tem conhecimento o suficiente para fazer isto ou não entende o porquê irá utilizar isto, a tendência será ela associar aquilo à raiva ou a inutilidade, levando a preguiça. Isto guiará os próximos desejos dela, pois a cada repetição do mesmo resultado, o mesmo sentimento irá ser reforçado desestimulado futuros desejos. Ou ainda, se em outro caso a reação for positiva, gerando desta forma alegria ou afeto, haverá a estimulação de futuros desejos para aquele algo.

Neste ponto é possível perceber o porquê o instinto se sente estimulado quando é bom em algo que ele vê que poderá contribuir com sua evolução. Por contribuir com a evolução, ele acaba desejando, e ao obter sentimentos positivos por conseguir alcançar aquilo, seu instinto irá querer mais daquilo, e então o desejo se tornará maior a ponto dele querer o suficiente para aprender toda a parte difícil e se tornar realmente bom naquilo. Do mesmo modo, se a pessoa for ruim em algo, seu instinto irá desestimulá-la, e, portanto, ela irá ter menos estímulo para tentar ser boa naquilo. Se ainda o sentimento for forte o suficiente como raiva, ela irá buscar se distanciar de tudo aquilo associado a aquele algo. Neste caso se entende o porquê da raiva de certas pessoas por coisas que não estão necessariamente ligadas a elas. Estou dando exemplos simples até agora, mas existem exemplos mais complicados os quais eu não conheço muito bem. Existem casos em que as pessoas só associam raiva a determinado elemento de um desejo, mas ainda continua desejando ele. Então ela busca uma maneira alternativa de alcançar este desejo e, ao alcançar isto, busca uma forma de prejudicar aquilo que ela sente raiva por vingança. Outro exemplo é o de uma pessoa que associa sentimentos bons a determinado elemento da infância, e busca nisto a inspiração para sua identidade.

Encerramento:
Enfim, mais uma postagem encerrada. Faz tempo que eu estou com a analogia citada anteriormente na cabeça. O gráfico do bem-estar evolutivo foi um conhecimento chave para eu conseguir chegar a ela. Entender o que significa uma evolução humana na prática, através do sistema evolutivo, para então compreender sua especialização, que é onde o sistema evolutivo irá atuar. O que me incomoda bastante, atualmente, é a falta de definição sobre os outros sentimentos. Desde que eu desenvolvi o gráfico do bem-estar evolutivo, o desejo é o sentimento chave para desencadear os sentimentos, e isto desconfigurou meu entendimento sobre a função dos sentimentos. Reajustes serão bem-vindos. Outra coisa que vem me preocupando é minha construção da evolução aliada ao compromisso de sempre estar buscar o melhor, tanto pra mim quanto pras pessoas. Existe uma enorme tentação de construir coisas sem exatamente se preocupar com o próximo, mas isto é bastante perigoso. Após assumir compromissos com um sistema evolutivo mal feito, é difícil sair dele. Estou pensando nisso porque é difícil balancear a competição e os desejos, e durante a troca de algumas idéias, é preciso ter cuidado para não deixar que o instinto tome conta do sistema lógico de pensamento. É difícil ver as pessoas explorando as suas incertezas com a força de certezas mal fundamentadas que elas têm e não reagir a isto com certezas má fundamentadas também. Concluindo, uma boa noite para todos e até a próxima postagem

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Publicação do gráfico da realidade e do poema: Oh! Querida matemática.

Introdução:
Olá amigos. Cá estou para mais uma postagem. Vamos as novidades. Minhas ações de divulgação da p.e. foram bastante interessantes. Percebi que se eu quiser convencer certa comunidade de algo, é preciso conectar o que é conhecimento comum de forma que ela chegue à determinada conclusão. Embora pareça algo obvio, para mim realmente só se tornou após a prática. Este quesito de prática, junto com a idéia de mapeamento instintivo, e também a idéia de explorar a realidade, me tem trazido uma noção cada vez maior de evolução e configuração mental. Ainda não sei o que será do meu futuro, mas uma das idéias é buscar uma forma de pegar os conhecimentos fundamentais da psicologia, que devem ter princípios muito importantes relacionados ao comportamento humano, e adaptá-los todos à psicologia evolutiva. Acredito que isto será possível pelo princípio de funcionalidade da realidade: se algo funciona, é porque este algo está conectado, de alguma forma, aos fatores da existência. Se a p.e. quer ser principalmente uma ferramenta funcional, que busca se conectar com os fatores, então é conclusivo que ela poderá se beneficiar dos fatores descobertos por outras pessoas. A postagem de hoje tratará disso, em como o determinismo se alia a psicologia evolutiva para desenvolver uma filosofia prática e que busca a evolução do ser humano. A esta filosofia eu chamo de psicologia evolutiva por falta de nome melhor, já que, segundo o que eu percebo e será demonstrado a seguir, a p.e. é fruto direto do determinismo. Vamos a postagem.

Gráfico da realidade:
Eu tenho certa admiração pela projeção gráfica de conceitos. A idéia de unir topograficamente idéias demonstra que elas são feitas de fatores que se influenciam de acordo com sua distância imaginária, que deriva da cadeia de associações que um fator deva ter para chegar a outro. Inspirado nisso, que já foi feito no gráfico do bem-estar evolutivo, e com o objetivo de demonstrar como minha filosofia funciona na prática de forma mais rápida e organizada, eu montei o gráfico da realidade. É com ele que eu tento organizar toda a minha produção filosófica até agora, de forma coerente e consciente, em busca de demonstrar como as realidades se comportam e também como o humano deve usar isto para obter sua evolução, e em como a evolução influencia a realidade. Enfim, vamos ao gráfico:

 (Clique na imagem para ampliar.)
(A parte menor da seta implica ou produz a parte maior, dependendo dos elementos.)

Começando o gráfico temos a “Existência”. Para o determinismo, apenas a existência não tem explicação, mas dela derivam as leis e as propriedades do universo, que explicam todos os comportamentos que ocorrem no nosso universo. Este comportamento também pode ser interpretado por “fator que produz resultado”, sendo esta relação entre fator e produção determinada pelas leis e propriedades do universo. Desta forma, deriva-se a afirmação “tudo há um porquê”, já percebida por Platão há alguns milênios atrás. A realidade, por conseqüência, é tudo aquilo que está contido neste esquema, ou seja, fator-produção e leis e propriedades, e a verdade é a comunicação correta da realidade.

Da relação entre fator e produção, do desenvolvimento natural das leis e propriedades a partir do estado universal, forma-se o universo, o tempo, espaço, matéria, e a partir do desenvolvimento destes elementos, surgem às galáxias, as estrelas, os planetas. Disto inicia-se a contextualização da natureza humana, quando se chega ao planeta Terra no gráfico. Nota-se que para se chegar a este estágio, o universo demorou bilhões de anos. Mais alguns milhões de anos para a terra se resfriar e ter as condições iniciais de ambiente para dar origem às primeiras células que podem ser consideradas vivas. Daí surge o ambiente.

O ambiente é quem induzia o processo de mutação e seleção natural no início da vida. Foi este processo que deu condições das primeiras células evoluírem até seres multicelulares. Estes seres começaram a desenvolver, através da mesma seleção natural e mutação, mecanismos para que estes mesmos processos ocorressem de modo mais eficiente. Os indivíduos que desenvolviam isto, mesmo por acidente, acabavam se adaptando de forma mais eficiente também, já que são estes dois mecanismos os responsáveis pela adaptação do ser ao ambiente. Disto surgem os comportamentos “Sobreviver” e “Reproduzir”.

Estes dois comportamentos estão intimamente ligados, já que um não existe sem o outro quando se fala em existência de espécie. Uma espécie não passa para a próxima geração se não reproduzir, e nem irá durar caso não consiga sobreviver, mesmo que sobreviva muito. Estes comportamentos funcionam como feedback: quando se tem muito de um, precisa-se de outro. Para reproduzir, é preciso passar pelo mecanismo de seleção que os animais desenvolveram em que se escolhe o mais apto a sobreviver, e isto implica ser capaz de demonstrar que é capaz de sobreviver. Para tal, utilizam-se mecânicas para mostrar força ou saúde, como disputa entre animais, porém, este mecanismo em si consome muita energia e pode ser perigoso à sobrevivência. E para sobreviver, é preciso reproduzir. O próprio animal sente necessidade instintiva de reprodução, além de que, sem o mecanismo da reprodução, a espécie se tornaria fraca e fatalmente desapareceria.

Da dinâmica entre reproduzir e sobreviver, nasce à relação entre grupo e indivíduo. É possível assumir que para a existência de evolução, é obrigatória esta relação entre indivíduo e grupo. Já que, por princípio, para os seres unicamente sexuados, não existe reprodução apenas com indivíduo. Além disto, uma população maior costuma ser mais forte que uma população menor, ambas da mesma espécie, caso haja a necessidade de disputa física por território. Mas, entretanto, um grande volume de população também indica maior escassez de recursos, o que obriga aos indivíduos a pensarem em si próprios, além de haver a necessidade de se sobressair sobre os demais para aumentar as chances de reprodução. Da mesma forma que sobreviver e reproduzir, indivíduo e grupo funciona através de feedback, ou realimentação, já explicado acima.

É preciso observar que, embora com o desenvolvimento destes dois sistemas de seleção, o ambiente ainda tem uma enorme influencia sobre o resultado final do processo adaptativo. De forma geral, o indivíduo precisa se adaptar ao seu grupo, e seu grupo precisa se adaptar ao ambiente. Isto falando sobre a noção de evolução referente às espécies. Portanto, mutações e seleção natural ainda continuam sendo importantes fatores que determinam a forma como ocorre a evolução. Então se chega nela, a evolução, que pode ser considerada como o resultado final de um processo adaptativo. Disto se deriva o conceito de evoluído, que é aquele que está mais apto a se adaptar ao ambiente para desenvolver melhores chances de sobreviver e reproduzir. Disto também se deriva os conceitos de bom e ruim, sendo bom tudo aquilo que aumenta as chances de sobreviver e reproduzir, e ruim tudo aquilo que as diminui.

Da necessidade de especificar, na prática, o que significa evolução para o nosso atual estado de civilização, é que nascem os conceitos de “Qualidade de vida” e “Bem-estar”. Assume-se aqui que é de interesse de todo indivíduo se sentir bem, mas que para isto acontecer, é preciso que ele se relacione com sua sociedade. A forma como ele se sente bem é explicada no “gráfico do bem-estar evolutivo”, e sua relação com a sociedade se dá através dos mecanismos sociais, sendo qualidade de vida um indicador de eficiência entre a relação indivíduo-sociedade. Tanto qualidade de vida como bem-estar são objetivos finais do gráfico, ou seja, deles não se geram outros fatores propriamente ditos. Assim finaliza-se a análise de como, através da existência, chega-se ao objetivo humano, que é se sentir bem. Contudo, toda esta análise da dinâmica foi feita assumindo que o ambiente é fixo, o que não é verdade desde que o humano ganho a noção de modificar seu ambiente. Para corrigir isto, é preciso adicionar mais um campo de dinâmica, que é o campo de “humano produzindo resultados”, saindo também da realidade. Vamos a ele.

Ao assumir que os humanos produzem resultados, entende-se que o humano é capaz de manipular os fatores da realidade a seu querer. Ele, diferente dos outros animais, tem consciência da realidade. Desta forma, ele é capaz de modificar o próprio sistema, tornando-se um indivíduo em posição de destaque na existência. Contudo, sua consciência surge através de um processo de adaptação e de descoberta da realidade, que juntos geram “os contextos da realidade”. Quando se fala em contextos da realidade, quer dizer com isto que cada humano tem sua própria noção de mundo, que se baseia em suas experiências. Ou seja, determinado contexto de realidade é adotado quando o humano só teve acesso a certas experiências específicas, enquanto que outro contexto é assumido com outras experiências. Isto é algo um tanto comum de acontecer, já que existem pessoas que passam anos tendo o mesmo conjunto de experiências e não buscam ou não sabem como buscar novas coisas. Por conseqüência, existem coisas que são possíveis e estas pessoas não fazem idéia disso, por isto não buscam isto. Muitas vezes este contexto é determinado simplesmente por fatores históricos e geográficos.

Embora o humano tenha apenas parte da visão do que seja a realidade, ela não funciona de modo diferente. Continua sendo formada por leis e propriedades, que resultam na dinâmica de fator-resultado já explicada anteriormente. Porém, quando se trata de humano produzindo resultado, os fatores podem ser dois: os fatores universais e os fatores humanos. Fatores universais são aqueles que se baseiam estritamente na mecânica do universo, ou seja, simplesmente suas leis e propriedades. Neste sentido, o humano só faz descobrir esta realidade, não tem capacidade de modificá-la, só manipulá-la. Um exemplo disto são as leis físicas, como a da gravidade, e embora o humano nunca vá poder alterar a força da gravidade, ele pode utilizar esta força para transformá-la em energia elétrica, como nas usinas hidroelétricas. (Ler OBS1) Já a realidade humana, por sua vez, é mutável. O que é verdade hoje pode ser mentira amanhã. Bons exemplos são o conjunto ético e o padrão de beleza de uma população. Embora mudem, ainda sim são características de uma realidade, já que a ética, por exemplo, induz o humano a praticar determinado comportamento, respeitando, portanto, a definição de fator-resultado para realidade (Ler OBS2).

OBS1: se o humano conseguir alterar a gravidade, significa que ela é resultado de outras propriedades e não é uma propriedade em si. Sendo a definição de propriedade algo próprio, que caracteriza e nunca muda.
OBS2: embora a realidade humana esteja contida na realidade universal, ela é um tipo de realidade particular. O humano nunca conseguirá compreender toda a realidade humana, pois a velocidade com a qual ela muda é muito maior que a velocidade com a qual se compreende ela. Isto é garantido pelos dispositivos instintivos que foram desenvolvidos no humano. Lembrando que realidade humana não é somente o próprio contexto de realidade, mas também o contexto de realidade de todas as outras pessoas. Sempre haverá novidades.

 Entendido as duas realidades presentes no cotidiano humano, é preciso entender o processo de descoberta e adaptação. O processo de descoberta ocorre com a realidade universal, já que o humano não consegue modificar tal realidade. Ele simplesmente a descobre. Esta descoberta é feita através de um longo percurso tecnológico, que pode ser acidental ou planejado. Um exemplo, dificilmente se compreenderia a física sem o auxílio da geometria, já que as análises de gráficos e vetores são importantes instrumentos para a simplificação das informações matemáticas da física.  Já o processo de adaptação ocorre na realidade humana. Existem vários exemplos registrados na história da humanidade de costumes que foram modificados para melhorar a qualidade de vida de certa população. Isto acontece porque muitos costumes são construídos e adaptados a determinado setor da sociedade, quando outro se torna forte o suficiente para mudá-lo, surge a mudança. Os próprios conceitos de ética e de beleza se adaptam a estas mudanças, que podem ser de motivadas por aspectos sociais, políticos, religiosos, culturais, tecnológicos, econômicos, dentre outros (OBS3).

OBS3: os conceitos de ética e beleza não surgem de forma aleatória, eles têm sua mecânica de comportamento. Embora esta mecânica dependa de elementos de contexto social, e este contexto seja determinado pelo conjunto de todos os conhecimentos e costumes adquiridos, existem leis e propriedades que a explicam em seu nível mais fundamental. São as chamadas propriedades humanas. Nas propriedades humanas também são encontradas o funcionamento dos sentimentos, da memória, da capacidade associativa, além do gráfico do bem-estar evolutivo, cuja intenção é mostrar como funcionam os elementos básicos de uma evolução individual humana saudável.

Do conhecimento sobre a realidade universal descoberta ou da realidade humana que surge pelo processo de adaptação, temos que o humano se torna capaz de modificar o seu próprio ambiente. Isto é algo importante, pois é isto o que torna o humano um ser capaz de mudar seu próprio sistema. Como o humano modifica o ambiente, e o ambiente é responsável pela seleção natural, a própria seleção natural torna-se algo relativo. A mutação também ganha novos aspectos e novos campos de atuação, deixando de ser somente biológica. Mutação comportamental, ideológica, tecnológica são alguns exemplos. A exploração também se tornou parte da mutação, pois é através dela que o humano pode encontrar conexões que a princípio pareçam distantes, mas que são boas para melhorar a evolução. A estratégia em lidar com o desconhecido ou em como mudar também é novos aspectos dela. Mais abaixo, é possível ver que há alguns termos ligados aos elementos “reproduzir e sobreviver”. Estes termos são considerados sinônimos e foram adicionados para melhor entender como funciona o sistema de realimentação que sobreviver e reproduzir se tornou para nossa sociedade atual.

Do conceito de “Bom”, já explicado anteriormente, surge uma longa seta que se conecta a “modificar”. Ela existe porque, se maiores chances de sobreviver e reproduzir, que é a evolução, produz “bem-estar” e “qualidade de vida”, é responsabilidade do humano fazer com que estas chances sempre se tornem maiores, e isto é representado pelo “bom". Sem isto, ele poderá começar a se sentir bem com coisas que diminuam a qualidade de vida da população, como roubar, ou ainda se preocupar demais com sua sociedade e esquecer-se de si próprio, que é algo também ruim. Através disto concluí-se que aquela seta é a responsabilidade que todo humano tem em se tornar melhor, em se preocupar com a evolução, tanto sua quanto da sua sociedade. Esta preocupação em modificar o seu ambiente para melhor reflete diretamente no processo de mutação e de seleção natural. É preciso buscar, através da seleção, mutações que tornem as realidades, tanto universais quanto reais, melhores, capazes de produzir bem-estar e qualidade de vida. É daí que surgem transformações dos contextos da realidade humana. Os sinônimos da mutação se adéquam bem para explicar como esta busca é feita, e ela é precisa.

Existem muitas situações em que pessoas têm uma vida muito ruim por não terem o conhecimento ou a força necessária para mudarem seu contexto de realidade. Ou ainda, se o tem, não entendem exatamente como isto funciona e não empregam o esforço necessário para explorar as várias formas que a realidade pode assumir para então encontrar aquela que faça bem a população, e às vezes até acabam encontrando posições em que seja confortável apenas para alguns e ruim para outros. Ou mesmo desejam uma realidade que seja boa somente para si, ou que seja falsa, impossível. Para aprender a manipular bem as duas realidades e saber o que é real e o que não é, é preciso conhecê-las muito bem. Este conhecimento surge através da tentativa e erro, das mutações, da seleção, do desejo em se adaptar e descobrir o melhor, do desejo em se sentir bem e ter uma maior qualidade de vida, do desejo de buscar a verdade. Da existência surgem os humanos, molda sua mente para evoluir, então que seja isto o que ele faça. Encerrado este assunto, vamos para a publicação do meu novo poema.

Publicação do novo poema: Oh! Querida matemática:
Este soneto eu fiz com duas intenções. A primeira era homenagear a matemática, pois eu notei que ela foi uma inspiração muito importante para construção da minha filosofia atual, principalmente no modo como manipular a lógica e no desenvolvimento de definições. A segunda coisa foi a vontade que eu tenha em testar um poema com rimas e em formato fixo. Esta vontade nasceu após eu descobrir uma forma de fazer rimas, algo que eu sempre tive dificuldade, e então eu quis testar pra saber se eu estava certo. E é possível verificar, através do poema, que deu certo. Este modo basicamente é a utilização de hipérbatos e sinônimos, que é resultante do campo semântico. Esta técnica já é utilizada há muito tempo pelos literários para a criação de seus poemas, até mesmo de modo instintivo, mas eu nunca havia percebido isto, e ao perceber, foi uma grande surpresa. No Wikipédia é possível perceber, através da leitura de “separação silábica”, que os profissionais, além de rimarem no final, fazem tonicidades internas, algo bem difícil pra mim agora.

Este soneto me fez pensar sobre a utilização de estruturas fixas. Neste caso não foi prejudicial, pois a estrutura se encaixou com o que eu quis dizer, (ou meu inconsciente encaixou o que eu quis dizer a essa estrutura, não sei dizer) que é a homenagem em si e a explicação do porquê da homenagem. De qualquer forma, não sinto necessidade de quaisquer versos adicionais. Coisa parecida não aconteceria com os outros poemas que eu fiz, que foram desenvolvimentos de conceitos com fins conclusivos. Este tipo de mensagem costuma ser grande demais para a estrutura do soneto, e por isso não se adequando a ela. Terminado esta pequena explicação, vamos ao poema:

Oh! Querida matemática

Escrevo esta agradecida homenagem de despedida,
Porque meu caminho se diferenciará do teu, querida.
Mas saiba que sem tu minha direção seria diferente,
Já que mostrastes a mim que a verdade é existente.

A verdade que se define: que produz resultados,

Resultados vistos por nós a escolhidos objetivos.
Assim surge um sistema que deve nos servir bem,
Guiar o desejo a melhora é nosso dever também.

Em nossas mentes está o poder de definir, redefinir.

Explorar a verdade que a tantas formas pode assumir,
Desbravar o assumido e aperfeiçoar toda a sistemática.

Foste tu que me mostrastes, oh! Querida matemática.

Que a verdade é a relação entre definição e produção,
Cabe ao humano, então, encontrar sua compreensão.

Por: Leandro de Andrade Moura.

Encerramento:
Mais uma postagem finalizada. Foi extensa a explicação do gráfico, portanto, só postei o poema. Uma tarde inteira escrevendo, tirando as pequenas pausas. A idéia era postar hoje também sobre “desejo reativo”, mas postarei sobre isto outro dia, e aproveitarei para fazer uma revisão sobre os outros conceitos de desejo. É preciso fazer uma pequena explicação sobre a qualidade do gráfico: ele está bom para mim, eu gosto dele, mas poderia ser melhor. Ele foi feito no paint e eu estou com preguiça de fazer outro mais elaborado. Farei isto um dia, ou em breve se alguém chegar a me pedir. No mais, amigos, desejem-me sorte no estudo, final de ano difícil e com menos ritmo, e até a próxima postagem.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Alvos e limites do desejo e níveis de raciocínio

Introdução:
Olá amigos. Os procedimentos os quais imaginei para salvar o restinho do meu ano letivo estão dando certo. Eles são basicamente o seguinte: continuar com minha metodologia de estudo para os assuntos de exatas, que tem dado razoavelmente certo: se resumem a resolver os exercícios enquanto se explora a teoria. Já os assuntos da área de humana, meu problema, foram resolvidos assistindo aulas no Youtube. Não simplesmente assistindo aulas, como também anotando as informações importantes no caderno. É interessante perceber que, se desprovido de um caderno e caneta para sintetizar as informações importantes no caderno, eu tenho uma grande tendência a tirar minha atenção da aula, principalmente tendo facebook na janela ao lado. Isto são coisas que a variação de comportamento consegue descobrir. Mais uma vez, sem surpresa pra ninguém, irei falar sobre psicologia evolutiva. Não me sinto mais com propriedade para utilizar este termo após descobrir que ele já é algo consolidado na acadêmica científica, embora, pelo o que eu percebi, pouco direcionado. De qualquer forma, por falta de termo melhor, continuarei usando ele. Organizar esta filosofia será meu próximo ponto, estou desenvolvendo conceitos demais, e a ligação entre eles está cada vez mais dispersa, a exemplo desta postagem, que tratará sobre o detalhamento do desejo, que foi explicado numa postagem anterior. Segundo o que eu percebo, a organização possivelmente será feita em torno do gráfico do bem-estar evolutivo. Além disto, farei um trabalho enorme de referencia, pois muito do que eu observei foi também observado por outros cientistas. Por hoje, irei explorar um pouco mais o funcionamento do desejo.

Alvos e limites do desejo:
É possível observar na sociedade que a falta do limite causa muitos acidentes, que eventualmente se transformam em distúrbios sérios. É exemplo, principalmente, do excesso de desejo de pessoas com distúrbio sexuais que submetem outras a efeitos altamente danosos ao seu instinto. Por isto, entender como funciona os limites do desejo é uma das minhas principais preocupações quanto ao desejo é o seu limite. Para entender como funcionam seus limites, vamos relembrar sua função: estimular o humano a se esforçar para alcançar o objetivo do desejo, para então liberar sensações de bem-estar. Entendido isto, é importante observar quais tipos de coisas costumam ser alvo do desejo. Este conhecimento só foi observado por mim há pouco tempo atrás, e ainda está em período de observação, mas provavelmente é isto, pois não há fatores para ser de outra forma. Embora não pareça, devido a enorme capacidade de associação da mente humana, estas coisas alvo do desejo costumam ser os elementos do gráfico, ou seja: saúde, produção, competição e prazer. Quando não é isto, ele é derivado dos próprios sentimentos, como raiva e afeto, e estes sentimentos são derivados de desejos anteriores. Então, de forma indireta, estes desejos dos sentimentos também se relacionam com os elementos do gráfico.

De forma geral, o desejo atua naqueles elementos do gráfico em que o humano sente que pode ter mais que a maioria das pessoas. Exemplificando, vamos supor que exista uma nova forma de produzir na sociedade que beneficie aqueles que, desde cedo, mexem com computador. Obviamente, todos aqueles que mexem com computador desde cedo, e que, portanto, se adéquam a este modo de produção, irão se sentir bem produzindo isto, pois são melhores nisto que a maioria da sociedade. Outro exemplo é alguém que é melhor que a maioria da sociedade em certo tipo de competição. A tendência é que ela goste de fazer isto. Ou ainda, imaginemos crianças que, embora não sejam boas, são estimuladas a pensarem que poderão ser boas mais que a maioria da sociedade. A tendência é que elas valorizarem aquilo. Não estou levando em consideração aqui outras complicações, como, por exemplo, por alguma reação a experiência ruim, uma pessoa possa associar coisas ruins a algo que ela faz melhor que a maioria da sociedade. Sendo assim, será assumido isto: o desejo atua mais fortemente naquele elemento do gráfico que o humano se considera melhor que a maioria da sociedade. Portanto, ele sentirá bem-estar quando sentir que está caminhando nesta direção.

Sendo assim, já temos condições de entender como funciona o limite dos desejos. Como o humano tende a desejar aquilo que ele se considera melhor que a maioria das pessoas no gráfico do bem-estar evolutivo, existe um motivo para ele ser melhor naquilo. Seja tendência genética, posicionamento social, estilo de vida, ou algum outro fator, ou mesmo engano quanto à interpretação da realidade, ele existe. Porém, estes são apenas fatores que fazem a pessoa ser ter mais vantagem naquilo que as outras, porém, sem esforço, estas vantagens não aproveitáveis. Sendo assim, é preciso o desejo de esforço para transformar aquela vantagem em desejo, e aquele desejo em resultado. Porém, é durante o processo que faz alguém desejar algo é que há a quantificação do limite. Ou seja: quanto mais desejo, mais longe a pessoa está disposta a ir para alcançar os resultados que quer. O limite surge quando este “mais longe” esbarra em coisas que possam prejudicar a saúde ou as outras pessoas, ofender valores éticos, morais, religiosos, ou a outras pessoas, causar desequilíbrio na vida, ou quaisquer outros limites que façam o desejo se tornar prejudicial ao invés de benéfico. É preciso considerar que os limites como o de saúde, por exemplo, são impostos quando o indivíduo entende que aquilo o faz mal, e quanto mais ele tiver compreensão daquilo, maior será à força do limite.

É interessante notar este limite na idade média, quando a religião era de forte influência na vida das pessoas. Elas provavelmente iam com seu desejo até o limite imposto pela moral religiosa da igreja que poderiam. Porém, este limite é puramente abstrato, criado a partir de uma idéia de pecado que raramente condiz com um cenário que realmente faça mal à sociedade ou aos indivíduos envolvidos com a prática. Portanto, não era raro o instinto falar mais alto e as pessoas ultrapassarem um pouco deste limite. Após o período de excitação hormonal, as pessoas se sentiam culpadas pelo o que fizeram. Daí nascia à prática de se confessar, que era a forma de tirar a culpa e os malefícios que ultrapassar o limite poderiam causar. É, inclusive, pensando na culpa religiosa com o gráfico de crescimento populacional, onde o desejo seria o crescimento e a culpa a resistência do ambiente, foi que eu me inspirei para traçar esta teoria. Percebam a variação que ocorre no desejo começa a oscilar quando chega ao seu eixo limite, tal como a resistência do ambiente. Isto demonstra que o humano precisa errar para descobrir quais são os limites em alguns casos.  Vou montar este gráfico a seguir, só por curiosidade:

(Clique para ampliar o esboço)
(resultado pode ser considerado diretamente proporcional ao esforço e a técnica, e inversamente proporcional a dificuldade. Como técnica é constante e a quantidade de esforço é igual a de desejo, monta-se o segundo gráfico.)


A falta de compreensão da realidade que uma pessoa com distúrbios filosóficos apresenta pode tornar a variância do limite algo bastante perigoso. Imaginemos uma pessoa que, por distúrbio, deseja algo já bastante perigoso. A tendência será ela ir um pouco mais profundo nisto, até perceber que é perigoso demais. Porém, neste nível de perigo ocorrem as coisas realmente graves, irreversíveis, como fortes danos ao psicológico e ao físico, ou mesmo a morte. A variância do limite tem características curiosas para pessoas sem grandes distúrbios. É aí onde a pessoa conseguirá o máximo do que o desejo pode lhe proporcionar de bom, e é onde ela sentirá mais vontade de se esforçar para concretizar algo e se sentirá bastante viva. Devido a esta grande importância, é comum haver a mistura de adrenalina com o hormónio que faz a pessoa se sentir bem, a levando um estado bastante inteso de concentração e emoção. Esta sensação pode ser muitas vezes viciante, coisa preocupante a se observar. Quando um desejo já deu tudo o que tinha que dar para beneficiar a evolução, e geralmente isto também é na variância do limite, o interessante é começar a buscar outras coisas para desfocar o desejo daquilo e também aumentar o leque de benefícios evolutivos. Por exemplo, se a variância do desejo ocorre no elemento de competição, e a pessoa está competindo muito por isto, talvez seja uma boa hora dela buscar saúde ou prazer para evitar vícios, que levam ao distúrbio, e um estilo de vida dependente de apenas uma atividade.

Agora aqui vai uma especulação minha: é possível notar que as pessoas com distúrbios, de um modo ou de outro, buscam o melhor. Uma pessoa que faz mal a outras, faz isto porque assume que elas são idiotas, e que merecem isto. Uma interpretação errada da realidade, pois, na verdade, aquelas pessoas nunca tiveram, ou não quiseram, por algum motivo, chance de treinarem para se defender da maldade. Outro exemplo é o dos distúrbios do sexo, onde o agressor acredita que o que ele faz será facilmente superado pela vítima. Ou ao menos seu instinto o faz assumir isto diante a grande oferta de prazer fácil, embora perigoso, a qual ele se dispõe a fazer por ser um dos poucos da sociedade com coragem de fazer aquilo. Isto porque existe um princípio na psicologia, que é o princípio da empatia, que diz que as pessoas se põem no lugar de outras que considera semelhante a si, e ao fazerem isso, desenvolvem empatia e não querem pra elas o que não querem para si. Devido a isto é que é se nota este posicionamento filosófico de achar inferior a quem se vai fazer mal. Ou ainda talvez haja distúrbios mais profundos, de ordem mental. Este princípio foi visto por mim numa palestra que eu participei sobre vida digital e ele não está enunciado como eu vi lá, mas sim como eu interpretei. Este parágrafo é apenas especulativo e de caráter curioso.

Níveis de raciocínio:
Este lance de “limite assumido” me fez perceber uma coisa interessante. Existem cadeias de raciocínio que realmente conseguem influenciar o instinto, e outras cadeias que não conseguem. Embora já seja de conhecimento meu que o raciocínio consiga influenciar o instinto, a questão é entender exatamente quais tipos de cadeia de pensamento realmente conseguem fazer isto. De forma geral, a cadeia de pensamento que é trabalhada mais profundamente com o auxilio do instinto das informações da memória, é aquela com maior capacidade de influenciar no limite assumido pelo desejo. As que são simplesmente observadas, mas não passam por um processo de "digestão" costumam não fazer diferenças no dia-a-dia. Se, por exemplo, for apresentado um fato importante para uma pessoa, e ela não buscar compreender aquilo, ela, de fato, não vai compreender, e então o limite dos seus instintos irão ignorar aquilo. Por outro lado, se ela conseguir se convencer a ponto de querer modificar seu instinto para se adequar a aquela informação, é quando observa-se que há uma alteração na percepção de realidade da pessoa. Para compreender melhor esta situação, serão apresentados dois exemplos, e logo após entenderemos a diferença entre eles.

Vamos ao primeiro: Imaginem uma pessoa que, diante de um fato novo de um assunto que a interessa muito, começa a explorar suas lembranças e buscar referências que possam se conectar a este fato, além de tentar entender quais implicações terá aquele fato para as suas atitudes na atividade que exerce. É com posse dessa informação que ela irá fazer modificações práticas no seu dia-a-dia, como estabelecer limites ou alterar seu comportamento de algum modo, pois ela entendeu e acredita naquela informação, e que se seguir sua linha de raciocínio, as coisas ficaram melhores. O segundo exemplo é o de uma pessoa que, após se deparar com uma nova informação, simplesmente a lê repetidamente até absorver ou então a ignora. Ou ainda, percebe que aquela informação é importante, mas, porém, não faz nenhum tipo de esforço para associá-la ao dia-a-dia ou às suas memórias. Ou seja, ela acaba não percebendo como a informação altera sua realidade, e como isto pode fazer algo se tornar melhor. Se ainda sim ela perceber isso, é necessário saber se ela quer que aquele algo se torne melhor.

Através destes dois exemplos é possível notar claramente os níveis de raciocínio. No primeiro, a pessoa logo de cara percebe que a informação é importante, pois o assunto a interessa muito. Diante deste nível de interesse, que já implica que aquele assunto está ligado de alguma forma com a sua evolução, o instinto junto com as associações daquele assunto que a memória tem indicam ao raciocínio que é preciso digerir a informação, fazendo o conjunto de associações citado anteriormente. No segundo caso, não há este esforço ou o conjunto de associações com que faça a pessoa perceba onde a informação poderá ser importante e como ela poderá modificar a realidade, ou ainda a realidade a qual aquela pessoa explora não está muito relacionada com aquela informação. Para um historiador, uma equação física pode não fazer tanta diferença, mas um objeto que comprove seu ponto de vista sobre um período histórico pode ser um item muito valioso, que buscará ser visto de várias formas e extrair a máxima quantidade de informação dali, pois só o historiador e sua classe conhecem toda a informação envolvida ali. O vice-versa também é válido. No próprio ensino médio, a maioria das informações é tratada como decorativas, contudo, sob outra ótica de observação, que pode ser obtida através de uma boa contextualização das informações, elas podem ser o suficiente pra mudar a interpretação de uma pessoa sobre o mundo.

Neste ponto, observa-se que a contextualização instintiva é tão importante quanto à informação racional propriamente dita. Quando digo contextualização instintiva, quero dizer toda esta carga de importância voltada a uma informação, sobre como ela pode modificar e melhorar a vida na prática, no dia-a-dia, ou mesmo em situações pouco prováveis e ainda sim importantes. É também interessante notar como isto reforça o conceito de configuração mental, que diz que a mente das pessoas se adapta ao seu estilo de vida através das propriedades da memória e da relatividade humana. A persistência ou não em determinada cadeia de pensamento é outro algo que faz parte das propriedades das configurações mentais, pois isto é uma característica que mistura o instinto ao racional. Quanto mais desejo de se adaptar a determinado contexto da realidade, maior será o esforço de explorar as informações em busca disto. Obviamente que noções de lógica, experiências em lidar com sistemas ou em como resolver desafios e problemas podem ajudar no processo de digestão da informação, pois isto reúne experiências boas para o instinto ter coragem de enfrentar e explorar a realidade desconhecida.

Encerramento:
Enfim, encerro mais um texto. Novamente sem correção, desta vez demorei um domingo e uma tarde de segunda para produzi-lo. Gostei das noções desenvolvidas por mim nesses dois assuntos, bem importante, ambas. A consolidação dos níveis de raciocínio pode ser algo interessante pra comunicação de idéias, e a noção de limite de desejo é algo importante principalmente pra quebrar preconceitos e medos em explorar a vida. É também interessante notar que a “contextualização instintiva” é, na verdade, outra forma de dizer “posição no mapeamento instintivo”, idéia mostrada em um texto anterior. Isto mais uma vez demonstra a confusão das minhas idéias. Por enquanto, estas idéias estão surgindo de forma compatível e complementar às minhas experiências, e isto é certa garantia de que eu não esquecerei nada nem confundirei quando for organizar. Para todo caso, ainda haverá estes escritos do blog, que serão utilizados por mim no processo de organização. Próxima postagem pretendo também trazer um pouco mais de características que podem ser extraídas do gráfico e a curiosa retomada de uns antigos conceitos meus que podem ser observados nele. Abraços a todos e até a próxima postagem.

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Coletânea de poemas com o tema "O homem tomando consciência de si"

O fluxo da vida

Havia dois pontos e uma estrada ligando eles.
No primeiro ponto está o humano, incompleto.
No segundo ponto está o objetivo, esperando.
Por instinto, o humano deseja alcançar seu objetivo.

O humano caminha na estrada e alcança seu desejo.
As coisas são simples. Ele se sente bem, se sente vivo.
Quando seu objetivo o deixar de ser, um novo surgirá,
E assim o humano continuará caminhando: evoluindo.

Mas é cansativo caminhar, o humano deseja melhorar.
Desenvolve ferramentas, mecanismos, explora a realidade.
Encontra uma maneira melhor para alcançar seu objetivo,
Um automóvel, então com menos esforço se obtém o que deseja.

A sociedade evolui. Humanos seguem caminhos diferentes.
Alguns, por sorte, alcançam logo os automóveis. Outros não.
Então a estrada se torna diversificada, todos se olham entre si.
Os que andam, cansados, desejam obter sua própria melhora.

Então o que antes era o meio de transporte se torna o desejo.
O objetivo se torna um ponto, algo para ser alcançado sem esforço.
Apenas um ponto qualquer, não se entende mais o objetivo.
Se chega nele apenas por costume, desaprendeu-se como usá-lo.

Agora todos têm automóveis, mas os avanços continuam.
O que antes era bom em poupar esforço deixou de ser.
Apareceu um melhor. As pessoas não se sentem mais satisfeitas.
Estão presas num transito sem sentido. Desejam o que nunca tem.

Aqueles que conseguem estar sempre com o que há de melhor.
São os poucos que se sentem satisfeito neste trânsito maluco.
Pois isto os permite mudar de realidade de acordo com sua vontade.
Sem consciência do que são. Insatisfeitos com sua própria satisfação.

Há ainda quem consiga conquistar o melhor através de seu trabalho.
Estes se tornam escravos do sistema. Não desfrutam do conquistado.
É notório o distúrbio na definição de melhor. Na definição de satisfação.
A identidade se torna perdida. Os objetivos, esquecidos. A vida, vendida.

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Desejar o viver bem

Nenhum humano sofre pelo impossível.
Há quem chore por não viver em marte?
Concluí-se: o conhecimento molda o instinto,
Mas o que seria da razão sem a emoção?

O humano precisa desejar para se esforçar,
Assim ele sente, vive. Enfrenta o desconhecido.
Adapta-se ao que for necessário para sobreviver.

Todo humano tem o dever de melhorar.
A si próprio, o lar, o cotidiano, a quem ama.
Do desejo vem a o esforço, e disto a melhora.

Mas como melhorar o que não se conhece?
Como conhecer sem tentar, e errar, e errar...?
Da variação de tentativas, a seleção natural.
Da boa utilização dos sentimentos, a evolução.

Como se satisfazer desejando o impossível?
Mas e quando o impossível se torna possível,
Através das mentiras, trapaças e egoísmo?

A corrupção invade os desejos, o ser humano.
Inicia-se a construção do um futuro mentiroso.
Logo surge o desrespeito, a vontade do tudo fácil.

É preciso desejar o melhor que a realidade oferece,
Ter forças para não deixar o desejo se corromper,
Vencer os sentimentos ruins, saber o valor do esforço,
E assim seguir o caminho da boa evolução, o viver bem.

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Amigos na realidade

Você é meu amigo, quero te fazer sofrer.
Quero transformar sua dor em força.
Quero você forte, quero sua companhia,
No mundo melhor que nós criaremos.

O mundo da verdade, do conhecimento.
O mundo do esforço, da estratégia.
O mundo melhor. Para todos. Para nós.

Se tua identidade for teu mal, abandone-a.
A realidade é tua: faz dela o que bem quiseres.
Inclusive tua nova identidade, teu novo melhor.
Só precisas de tu para seres além do que já és.

Destrua o mal que te prende, te cega.
Destrua o mal que te ilude, te anestesia.
Destrua o mal que te impede de ver a verdade.

Não utilize drogas para amenizar sua dor.
Seja ela física ou mental. Agüente firme.
No peso da realidade, descubra o melhor.
Se conecte a ela, a vida, ao mundo.

O mundo físico, o que você toca.
O mundo humano, o que você sente.
O mundo interior, o que você deseja.

Quando descobres o mundo e entendê-lo,
Compartilharemos nossa melhora mútua,
Competiremos pelo prazer da disputa,
Assim, um novo mundo surgirá do atual.
 


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O caminho da grandeza

Eu sou um humano grande. Não porque eu simplesmente o seja:
Foi me mostrado o caminho na sociedade que me tornou deste jeito.
É o que eu desejei, me esforcei para consegui-lo. Isto me faz bem.
Não é todos que alcançam este caminho, cansativo e tentador.

É difícil definir se isto é um privilegio ou uma responsabilidade.
Alguns se corrompem no caminho e sentem-se bem fazendo o mal,
Outros não entendem que isto é um sacrifício que exige esforço,
querem tudo fácil, sem estudo, estratégia ou adaptação.

Eu sou um humano comum. Esforço-me para me tornar melhor.
Sinto-me bem através de mim, ou através das minhas extensões:
Minha família, meus amigos ou projetos. Sou também parte deles.
Através disto nos divertimos, e assim se segue uma boa vida.

Não sigo caminho para além destes: se o conheci, não o escolhi.
Talvez ele não me fosse tão atraente, minha vida já estava formada.
Ou ainda não via motivos para desejá-lo. Não me sinto parte dele.
Do que sou parte: disto, que estou construindo, que me faz bem.

Eu sou um humano pequeno. Limito-me ao meu próprio ser.
Isto me impede de encontrar outros caminhos, novos conhecimentos.
Sempre estou errado ou perdido: às vezes busco outros para culpar.
Aprenderei através dos erros que eu não sou o único que sente.

Mas antes de aprender: sofrerei. Isto expandirá meus sentimentos.
Através deste conhecimento encontrarei outros caminhos, novas visões.
Diante de tanta coisa nova, uma me fará bem: será a que vou seguir.
Através desta responsabilidade assumirei meus atos: é quando crescerei.

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A vontade de melhorar:

Está na guerra. – Lastro na agressão.
Está na religião. – Lastro na existência.
Está na ciência. – Lastro na realidade.
Está na política. – Lastro na educação.
Está na beleza. – Lastro na atração.
Está na família. – Lastro na afeição.
Está na riqueza. – Lastro na inteligência.

Está em mim e no meu esforço.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_do_Peloponeso
http://pt.wikipedia.org/wiki/Idade_M%C3%A9dia
http://pt.wikipedia.org/wiki/Positivismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Comunismo
http://pt.wikipedia.org/wiki/Arte
http://pt.wikipedia.org/wiki/Com%C3%A9dia_rom%C3%A2ntica
http://pt.wikipedia.org/wiki/Capitalismo

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Um merda feliz

De que a felicidade é constituída?
Por definição, eu sou feito de merda.

Precisarei mudar para constituir uma felicidade?

Para que irei eu, um merda, querer viver?

Se nunca encontrarei a felicidade em lugar algum.
O que é preciso ter para possuir a felicidade?

Algum tipo de poder? Algum objeto comprável?

E os fracos e sem dinheiro, nunca serão felizes?
Crianças pobres morrem de fome e desejam comer,
Enquanto obesos ricos desejam emagrecer.

O que se nota nesta confusão sobre a felicidade,

É que ela não se encontra em objetos ou status.
Nem em classe social ou econômica, poder ou fama.
Todos buscam a felicidade, independente do que sejam.

Nisto se conclui que ela é imaterial, transcendental.

Nunca terão o suficiente aqueles que buscam erroneamente.
Para isto, terão de buscar naquele que é o lugar mais próximo,
Mais difícil e mais comum a todos: dentro de si mesmos.

Deste modo eu descubro de que se constitui a felicidade:

Ela se constitui do que eu sou, do que há dentro de mim.
É assim que mesmo sendo um merda, eu sei que sou feliz.

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O jogo da realidade

A vida é como um jogo, e como todo jogo,
empolga se estiver sendo dominado,
desanima se estiver sendo perdido.

Portanto, não culpe a falta de dinheiro ou beleza,
de recursos, oportunidade ou qualquer outra condição.
Culpe apenas a falta de conhecimento em como jogar.

Pois os humanos são capazes de se adaptarem ao que quiserem,
mas ao se adaptarem ou desejarem a uma mentira, assumem um risco:
o de a realidade ser muito pior do que a mentira desejada.

Então se o medo o impedir de conhecer a realidade deste jogo,
abandone-o! Enfrente o desconhecido.

Ele esconde novas verdades, ou as verdades das antigas mentiras.
Ele esconde novos caminhos ou modos para realizar os desejos,
mas apenas os esforçados serão fortes o suficiente para desbravá-lo.

Se o sofrimento for um preço a pagar para desbravar o desconhecido,
pague-o! Pois ele é um pequeno preço em troca de uma felicidade maior.

Se nada for feito e o desconhecido tomar conta,
cada comportamento da realidade tende a ser uma surpresa desagradável,
e as mentiras invadirão a capacidade de construir adaptações sólidas,
de fazer o humano descobrir a si mesmo e encontrar o seu lugar.

A vida então se torna um jogo de resultados turvos e desesperançosos,
em que apenas a sorte fornece as pequenas felicidades do dia-a-dia,
em detrimento do prazer daquilo que se constrói com esforço e sabedoria.


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A arte dos desocupados

Isto tudo é arte. A arte dos desocupados.

A arte que revela quem somos nos momentos difíceis.
A arte que revela pelo que estamos dispostos a lutar.

Mas há realmente alguma razão na arte,
Ou apenas a vontade instintiva de mudar?

http://www.youtube.com/watch?v=5WilOJ81I5E&list=
PL13EE30FFB9391920&index=1&feature=plpp_video


Por: Leandro de Andrade Moura

Poemas respectivamente nas seguintes postagens:
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/09/mapeamento-dos-v-instintivos-e.html)
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/06/previa.html)
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/04/um-merda-feliz.html)
(http://barnabasspenser.blogspot.com.br/2012/03/publicacao-de-dois-poemas-o-jogo-da.html)
*Exceto "amigos na realidade".


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O humano, o mestre e o discípulo

Era uma vez um humano em frente a um completo desconhecido.
Este humano não tinha nada, além de seu esforço e sua curiosidade.
Através do tempo e de tantos erros ele construiu um conhecimento.
Assim ele adquiriu uma habilidade que o destacava entre os demais:
Este humano tornou-se um mestre.

Era uma vez um humano que queria ser tão hábil quanto o mestre.
Além deste desejo, ele não tinha nada além do que o mestre já teve.
Ele não encontrava maneiras de se tornar tão hábil quanto o mestre.
Cansado, pediu ajuda ao mestre, que si reconheceu nele e o ajudou:
Este humano tornou-se um discípulo.

Esta então era a relação entre dois humanos frente a uma habilidade.
Habilidade que preenchia suas vidas e os tornava aptos a se destacar.
Assim, o mestre transmitia ao seu discípulo tudo aquilo o que ele era.
E o discípulo usava aquele ensinamento para encontrar, dentro de si,
O necessário para domar a habilidade.

Com o tempo, o discípulo se torna tão habilidoso quanto o mestre.
Mas só será possível descobrir sua verdadeira habilidade quando,
Assim como o mestre um dia, ele estiver em frente ao desconhecido.
É quando ele realmente terá de usar tudo aquilo o que seu mestre,
Tornou-se e se esforçou para ensinar.

Se este discípulo encontrou o necessário para ser um bom mestre,
Ele terá sucesso em melhorar a habilidade e transmiti-la a outros humanos.
Se este discípulo se contentou em se tornar um humano habilidoso,
Ele terá sucesso em usar esta habilidade para manter-se em bom estado.
Isto é algo que ninguém pode prever.

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mapeamento dos v. instintivos e publicação: O fluxo da vida e Desejar o viver bem.

Introdução:
Olá amigos. Vamos a mais uma postagem. Hoje estou sem internet, embora já pretendesse escrever, vou passar o resto da noite só fazendo isso aparentemente. Passei o dia assistindo a dois filmes, achei os dois interessantes. Ultimamente eu tenho dedicado algum tempo a tentar compor poemas pra resumir a filosofia e comunicá-la com força, acredito que disto tenha surgido algo legal. Contudo, uma coisa me preocupa: meus poemas, assim como minha filosofia, parecem ser muitos de auto-ajuda. Sempre tive uma visão negativa quanto a filosofia auto-ajuda, ela geralmente tenda maquiar a verdade ou desenvolver algum modo mecânico de resolver as coisas que não pode ser muito bom. O que me faz pensar que ela não é igual as filosofias anteriores é que ela se preocupa principalmente em não maquiar a realidade, mas sim encará-la e se acostumar com ela, para então melhorar. Como meu amigo Elon disse, ciência é auto-ajuda, desta forma, minha filosofia, que se baseia na ciência, acaba herdando também esta característica. Também estou me notando cada vez mais tímido, talvez seja a pouca convivência com pessoas diferentes. Vou pensar em ser um pouco mais orgânico, pra me permitir errar um pouco mais e me adaptar a isso. Perder o medo de me expor talvez também seja bom, mas terei que administrar isso bem pra não ter objetivos prejudicados. Se bem que talvez um objetivo o qual eu tenha que não me expor para alcançar não seja assim tão bom, pois isto pode ser considerado algo próximo a mentir. Encerrando a introdução, vamos a postagem, que hoje será mais uma vez sobre psicologia e também será a publicação de dois poemas que eu fiz recentemente.

Mapeamento e transmissão dos valores instintivos:
Em uma postagem anterior eu descrevi um pouco sobre como ocorre o processo de adaptação de um individuo aos sistemas evolutivos. Lá eu expliquei que de forma bastante resumida que o humano, através de erros e acertos, vai se adaptando a determinado sistema evolutivo. Contudo, após fazer bastantes observações sobre o conjunto de valores de uma pessoa, aliando isto com os conhecimentos do gráfico do bem-estar evolutivo e também com o pensamento de mutação comportamental, eu pude perceber algo bem mais interessante: o mapeando dos valores instintivos. Enquanto que no texto anterior simplesmente eu assumo que as pessoas têm acesso a experiências e conhecimentos diferentes, e, portanto, são guiadas a sistemas evolutivos diferentes, agora se torna mais concreto o entendimento sobre como ocorre este processo. Considero que este conhecimento será muito interessante para a psicologia evolutiva por ele dar melhores condições de autoconhecimento e de fazer o raciocínio encontrar melhores soluções para os conflitos instintivos.

 No texto anterior, eu, com licença para fins de estudo, resumi que a fase infantil era a fase de descobrimento e observação de como funciona a realidade. Contudo, o instinto humano, mesmo nesta fase, já aflora. A criança não somente tem sentimentos de sobrevivência, como também tem desejos. Na maioria dos casos, os desejos infantis são simples, pois elas conhecem pouco da realidade para entenderem que podem desejar coisas mais complexas, porém, ainda sim existe. Com o desejo, há o acarretamento dos outros sentimentos, tais como alegria, raiva, medo, ciúme, inveja e tristeza. Isto significa que desde cedo, o indivíduo já começa a criando uma biblioteca de experiências associando cada elemento a seu respectivo sentimento. Sendo assim, sempre que o indivíduo quiser experimentar aquele sentimento novamente, ele recorrerá ao elemento que sua memória associa com aquele sentimento, e por desconhecimento, se for o caso, ele não irá recorrer a nenhum outro elemento. Observa-se, portanto, um tipo de mapeamento de experiências instintivas que levam a pessoa agir de determinada forma sem o consciente de ela estar diretamente envolvido.

Por exemplo: vamos supor que existe uma criança que, por algum motivo, deseje andar com determinada tribo na sua escola. Esta tribo não a aceita, e por isto esta criança acaba sentindo raiva dos indivíduos desta tribo. Este sentimento de raiva a quaisquer grupos parecidos com aquele que a negou a acompanhará até a fase da adolescência ou mesmo adulta. É interessante também observar que este sentimento leva a estereotipagem, e que geralmente isto monta um sistema em si, onde nem o grupo aceita a outra pessoa pela imagem, nem ela gosta do grupo, sentido raiva. Por isso esse sentimento é levado até a adolescência ou mesmo fase adulta, e geralmente a pessoa deseja o grupo principal porque lá há bons parceiros sexuais. Durante este período, ela irá buscar se sentir bem com algo, e quando encontrar, é a este algo que ela irá associar coisas boas. Então se percebe que, mesmo sendo apresentado algo novo a esta pessoa, ela irá continuar recorrendo ao que faz bem a ela para se sentir bem, pois isto seu instinto sabe que funciona e com o menor esforço. É comum notar que há uma supervalorização de determinada atividade para mantê-la alvo do desejo. Porém, é algo que acontece de forma orgânica pela própria propriedade do lastro de que o indivíduo olha com bons olhos aquilo que lhe faz bem e com maus olhos aquilo que lhe faz mal.

O perigo disto, e é onde a psicologia evolutiva pretende atuar, é que estes sentimentos podem ser causa de distúrbio. Vamos supor que, devido a uma grande experiência ruim, se apegue demais a uma coisa só e sinta raiva das outras. Sua visão da realidade irá ficar presa ao que ele acha bom e ao que ele acha ruim, e isto o inibirá de descobrir novas formas de se tornar uma pessoa melhor. Para exemplificar, vamos supor que o indivíduo comentado no parágrafo anterior tenha se tornado um bom político, e que os indivíduos da tribo citada anteriormente seja parte importante da sociedade, mas que, contudo, não tem atividade política. Logo, devido à raiva, o político não irá tentar ajudar a esta parte importante da sociedade, e com isto atrapalhará não somente a si, como também as pessoas não envolvidas com tudo isto. Também é preciso observar que a falta de conhecimento que aquela raiva irá trazer irá lhe atrapalhar também em suas atividades de socialização, de educação, de transmissão de valores, dentre tantas e tantas coisas. Aos indivíduos da tribo que não aceitaram o rapaz que agora é um bom político também vale o mesmo, se eles ainda nutrirem sentimentos ruins e preconceituosos contra aqueles que são diferentes deles.

Embora este exemplo tenha sido um bastante clichê, provavelmente ele foi o suficiente para entender como funciona o mapeamento de valores instintivos. Contudo, é interessante observar algo mais profundo ainda: imaginemos que haja algo bem difícil de obter, mas que a pessoa é levada a desejar aquilo devido a pressões externas. Mas, por perceber que aquilo estava muito longe de sua realidade e o esforço para obtê-la seria absurdo de grande, se comparado a outras pessoas mais estruturadas, a pessoa irá recorrer às coisas que a faz bem. É através disto que novos sistemas evolutivos surgem, podendo, portanto, ser considerado como uma mutação de comportamento. Vamos supor que, um adolescente, incentivado a fazer engenharia civil, porém, sempre viveu em computadores e se sente bem com aquilo, e sabe que tem futuro. Embora para seus pais, o que haja futuro é a engenharia civil, porque é isso o que o mapeamento instintivo deles indica, o adolescente, com um novo mapeamento instintivo, vai lá e aposta na engenharia de computadores, e então consegue ganhar dinheiro e montar um sistema evolutivo. Se não fosse por essa mutação de comportamento, possibilitada pelo avanço tecnológico, o jovem iria concorrer num mercado saturado que é a engenharia civil neste contexto, talvez até mesmo ganhando menos e tendo uma qualidade de vida menor.

Neste exemplo também é possível perceber a transição de mapeamento instintivo que acontece dos pais pros filhos, e que pode haver mutações neste processo, positivas ou negativas. Sendo assim, é preciso estar atento as boas mutações, para incentivá-las com responsabilidade, e as más mutações, para corrigi-las. Más mutações são distúrbios, e para corrigir um distúrbio, é preciso primeiro identificá-lo, daí a utilidade de fazer um mapeamento dos valores instintivos, para então corrigir o que for possível e não for saudável. Existe um ditado popular que diz “os filhos são espelhos da criação familiar”, e esta frase parece ter sua fundamentação nesta propriedade. Se existir uma família cuja transmissão de valores seja feita de forma forte, o filho irá tender a ter aqueles mesmos valores. Porém, se a família for fraca em sua transmissão de valores, o filho provavelmente poderá desenvolver distúrbios, algo próprio das mutações humanas. É importante lembrar que não apenas os familiares têm influência nas transmissões de valores, como também os amigos, conhecidos, televisão, enfim, todos e tudo aquilo que aparente ter um bom poder instintivo. Para finalizar, entendo que a utilização destes conhecimentos como estou descrevendo pode ser bastante utópico, porém, já é o suficiente para uma nova percepção de realidade e para pequenos melhoramentos.

O fluxo da vida

Havia dois pontos e uma estrada ligando eles.
No primeiro ponto está o humano, incompleto.
No segundo ponto está o objetivo, esperando.
Por instinto, o humano deseja alcançar seu objetivo.

O humano caminha na estrada e alcança seu desejo.
As coisas são simples. Ele se sente bem, se sente vivo.
Quando seu objetivo o deixar de ser, um novo surgirá,
E assim o humano continuará caminhando: evoluindo.

Mas é cansativo caminhar, o humano deseja melhorar.
Desenvolve ferramentas, mecanismos, explora a realidade.
Encontra uma maneira melhor para alcançar seu objetivo,
Um automóvel, então com menos esforço se obtém o que deseja.

A sociedade evolui. Humanos seguem caminhos diferentes.
Alguns, por sorte, alcançam logo os automóveis. Outros não.
Então a estrada se torna diversificada, todos se olham entre si.
Os que andam, cansados, desejam obter sua própria melhora.

Então o que antes era o meio de transporte se torna o desejo.
O objetivo se torna um ponto, algo para ser alcançado sem esforço.
Apenas um ponto qualquer, não se entende mais o objetivo.
Se chega nele apenas por costume, desaprendeu-se como usá-lo.

Agora todos têm automóveis, mas os avanços continuam.
O que antes era bom em poupar esforço deixou de ser.
Apareceu um melhor. As pessoas não se sentem mais satisfeitas.
Estão presas num transito sem sentido. Desejam o que nunca tem.

Aqueles que conseguem estar sempre com o que há de melhor.
São os poucos que se sentem satisfeito neste transito maluco.
Pois isto os permite mudar de realidade de acordo com sua vontade.
Sem consciência do que são. Insatisfeitos com sua própria satisfação.

Há ainda quem consiga conquistar o melhor através de seu trabalho.
Estes se tornam escravos do sistema. Não desfrutam do conquistado.
É notório o distúrbio na definição de melhor. Na definição de satisfação.
A identidade se torna perdida. Os objetivos, esquecidos. A vida, vendida.

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Desejar o viver bem.

Nenhum humano sofre pelo impossível.
Há quem chore por não viver em marte?
Concluí-se: o conhecimento molda o instinto,
Mas o que seria da razão sem a emoção?

O humano precisa desejar para se esforçar,
Assim ele sente, vive. Enfrenta o desconhecido.
Adapta-se ao que for necessário para sobreviver.

Todo humano tem o dever de melhorar.
A si próprio, o lar, o cotidiano, a quem ama.
Do desejo vem a o esforço, e disto a melhora.

Mas como melhorar o que não se conhece?
Como conhecer sem tentar, e errar, e errar...?
Da variação de tentativas, a seleção natural.
Da boa utilização dos sentimentos, a evolução.

Como se satisfazer desejando o impossível?
Mas e quando o impossível se torna possível,
Através das mentiras, trapaças e egoísmo?

A corrupção invade os desejos, o ser humano.
Inicia-se a construção do um futuro mentiroso.
Logo surge o desrespeito, a vontade do tudo fácil.

É preciso desejar o melhor que a realidade oferece,
Ter forças para não deixar o desejo se corromper,
Vencer os sentimentos ruins, saber o valor do esforço,
E assim seguir o caminho da boa evolução, o viver bem.

Encerramento:
Hoje eu planejava fazer a explicação dos dois poemas, mas isto irá render uma postagem enorme se eu levar em consideração que cada estrofe será um parágrafo.  Acredito que explicar a linha de raciocínio que eu quis expor ao desenvolver o poema seja algo interessante pela própria proposta do poema, que é transmitir pensamentos filosóficos de modo mais impactante. Estou tentando desenvolver soluções para salvar o final de ano letivo que ainda tenho, mas está difícil. Percebi que possa haver uma rede de valores instintivos um pouco mais extensas do que imaginei para explicar meu comportamento, que se estendem a configurações humanas. Amanhã iniciarei os procedimentos para por minha solução em prática. Salvar este resto de ano letivo é necessário para situações que eu ainda não defini muito bem, mas que estão acontecendo por ai. Finalizando, abraços a todos e até a próxima postagem.

domingo, 26 de agosto de 2012

Sistemas evolutivos e os dez estados de autoconhecimento da mente humana

Introdução:
Olá amigos. Após um longo período de procrastinação eu começo a escrever. Vamos às novidades. Encontrei um bomberman online sexta e estou jogando ele desde então. Vicia bastante e envolve um clima bem competitivo. Sexta feira também foi um dia em que eu dormir bem tarde e não sei por qual motivo. Por conseqüência, ontem também dormi tarde, e isso é atrapalha bastante a rotina de estudos. Também iniciei minha tímida campanha pra divulgação da psicologia evolutiva no mundo acadêmico. Meu objetivo final é conseguir permissão pra ensinar psicologia evolutiva nas faculdades a todos os interessados, para depois montar uma equipe de estudos e fazer dela uma ciência. Suponho que isso não irá atrapalhar tanto minha rotina de estudo este ano. Preciso pelo menos dar o pontapé inicial pra próximo ano já iniciar desenvolvendo novos projetos, seja eles relacionados a P.E. ou não. A postagem de hoje se tratará sobre um tema novo, que surgiu na postagem anterior, chamado “sistemas evolutivos” e também uma interpretação segundo os conhecimentos da P.E. sobre os estados da vida budista.

Sistemas evolutivos:
Durante o processo de adaptação a realidade, após o entendimento sobre como a realidade universal e humana funciona, chega a hora da última etapa: o envolvimento com os sistemas evolutivos. Para haver o envolvimento com os sistemas evolutivos, é necessário que haja o esforço por parte do indivíduo. Como observado no gráfico, o que faz ele se esforçar é o desejo, que impulsiona principalmente as necessidades de prazer e competição. Porém, para obter estas duas coisas de forma constante, é preciso estar conectado tanto diretamente quanto indiretamente com a sociedade, de modo que se arme o esquema do gráfico evolutivo. Diante disto, todo o estilo de vida capaz de se encaixar no gráfico pode ser considerado um sistema evolutivo, pois ele gera qualidade de vida e bem-estar de modo constante. Contudo, é preciso entender bem como ocorre o envolvendo como forma de conhecimento complementar ao processo de adaptação a realidade. Para isto, faremos uma revisão sobre como ocorre o processo de forma natural utilizando exemplos e os conceitos de desejo e de ciência. Embora esta revisão não esteja igual à realidade, pois o desenvolvimento descrito adiante pode apresentar bastantes variações, ela pode ser usada para fins de estudo.

Tudo começa na fase infantil, quando o que se deseja principalmente são os recursos básicos de sobrevivência, tais como ausência de dor física, alimentação, proteção e contato físico. Coisas simples se tornam divertidas, como o ato de explorar e de conhecer coisas novas, pois tudo tem seu teor de novidade. Por não conhecer, todas as coisas têm o potencial de serem ou não aproveitáveis ao instinto, o que o faz explorá-las. É na fase infanto-juvenil que as coisas começam a deixar de ser novidade para ser rotineira, e o instinto do desejo, o que faz o humano sempre buscar melhorar, começa a agir de outra forma. As novidades agora começam a se tornar raras, por isso ele começa a observar as pessoas o contexto a sua volta e a passa a desejar aquilo que está associado com o melhor, através do desejo associativo, e que ele observa que é possível alcançar. É daí que se tem inicio a configuração do sistema evolutivo.

O humano então irá passar por um processo de desejar, tentar obter aquilo que ele deseja e conseguir ou não. É desta forma que o sistema evolutivo se refina. Através da sucessão de erros e acertos, o humano irá começar a compreender como as coisas funcionam. Através deste entendimento é que ele começará a focar naquilo que realmente ele percebe que traz o resultado desejando, fazendo-o se sentir bem. Alguns exemplos: uma pessoa se sente satisfeita em desenvolver arte e desenvolveu um estilo de vida totalmente baseado nisto, encontrando todos os elementos no gráfico nisto. Outra consegue fazer a mesma coisa, porém, desenvolvendo estudos acadêmicos. Em casos de distúrbios, é possível perceber pessoas fazendo isto com coisas que são ruins para a sociedade como um todo, mas é bom para ela e para as pessoas que vivem ao seu redor, como roubar.

É preciso levar em consideração que, durante o esforço para alcançar o que se deseja, o jovem irá ter acesso a muitas pessoas e informações, que irão lhe guiar para agir de uma maneira ou outra. Além disso, também é preciso levar em consideração a sua estrutura familiar e sua cultura local, que são coisas que influenciam diretamente no que se deseja ou não. Depois de levar estas informações em consideração, é possível perceber o porquê uma pessoa desenvolve um sistema evolutivo bem diferente de outra, como mostrado anteriormente, já que algumas vezes eles conseguem se adaptar a determinado sistema evolutivo e outras vezes não. Após entender o contexto, a definição e a exemplificação de sistema evolutivo, é preciso entender agora quais são as condições necessárias para que alguém a se adapte ou não a um sistema evolutivo.

Interpretação dos Estados da existência, do budismo, pela psicologia evolutiva:
Durante algum tempo eu venho notando que é possível perceber algum padrão de comportamento entre diferentes tipos de pessoas. Observei que este comportamento em específico não está relacionado com as coisas que a pessoa gosta ou acredita, mas sim com o autoconhecimento que ela tem de si mesma. Eu já estava buscando maneiras de classificar estes comportamentos, algo bastante difícil. Por sorte, meu amigo, o Elon, me enviou o seguinte site: http://www.budanaweb.com/2008/07/o-budismo-classifica-em-dez-categorias.html. Assim que eu vi os estados da existência descritos neste site, logo os associei com os padrões de comportamentos associados ao autoconhecimento que eu buscava classificar.

Assumindo que a filosofia budista, por ser bastante praticada, tem bastante experiência prática quanto à dinâmica de comportamento humano que ocorre durante seu desenvolvimento, utilizarei este texto como inspiração e esboço da classificação que futuramente a psicologia evolutiva poderá desenvolver para seus próprios fins. Este conhecimento será útil provavelmente para ajudar as pessoas a atingir um estado de autoconhecimento saudável, que as ajudem a utilizar as ferramentas que a ciência as proporciona para aumentar sua qualidade de vida. É aconselhável que a leitura a partir daqui seja feita em paralela com o site referido, pois o conteúdo estará lá, e o que ficará aqui serão somente as interpretações sobre os estudos.

1. Estado de inferno: pode ser considerado o estado de traição. Quando a realidade trai o indivíduo, após ele gastar uma enorme parte de sua vida em algo que ele acreditava o motivo de sua existência, o sentimento da raiva o domina. Daí nasce o impulso da destruição. Tudo o que ele construiu se mostra falso, inclusive seu próprio eu, isto explicaria as tendências autodestrutivas.

2. Estado de fome: este pode ser explicado pela falta de autoconhecimento sobre o funcionamento do desejo e da realidade. Normalmente acontece quando o desejo é associado a coisas superficiais, que não estão interligadas intimamente com o esforço e a evolução do individuo. Isto pode fazer o indivíduo entrar num ciclo vicioso de desejo e consumo que não o satisfaz: sempre que ele não tem o que deseja, a culpa de sua infelicidade é isto. Quando ele o alcança, a sensação de vazio ocorre e ele irá buscar outro algo para preencher isto.

3. Estado de animalidade: nesse estado, o indivíduo tem noção da realidade universal e alguma noção de realidade humana, porém, ele ainda não conhece a si próprio o suficiente para se adequar ao que seu raciocínio pede. Ele sabe o que fazer para ter uma vida saudável, porém não sabe como fazer. Desta forma, ele acaba se entregando aos seus instintos e perdendo o autocontrole que precisa para alcançar o que deseja.

4. Estado de ira: o indivíduo tem noção de realidade humana e universal. Porém, ainda não se adequou a sociedade. Esta falta de adequação o faz se sentir deslocado. Motivado pelo desejo de se sentir melhor, ele busca naqueles que não o ajuda algum defeito para justificar o seu afastamento deles, algo que o prejudica e o causa raiva, mas ele não sabe como mudar. São alvo principalmente as pessoas que tem uma boa rede de conexões e de atividades definidas na sociedade.

5. Estado de tranqüilidade: é alcançado quando o indivíduo inicia seu processo de adaptação a sociedade, bem como aprofunda seus conhecimentos sobre seu próprio eu e sobre como as coisas funcionam. O inicio do entendimento sobre como agem os grupos que antes o causava raiva o faz aceitar as coisas como elas são. Agora ele entende que seus desejos dependem do seu esforço e de sua paciência.

6. Estado de alegria: quando o indivíduo entende como adequar seus desejos as coisas simples da vida ou também para aquelas coisas que são conquistáveis para ele. Por alcançar o desejado, seu instinto libera bons sentimentos que o faz se sentir bem, alegre.  Porém, neste estado, seu conhecimento é limitado a si próprio e as coisas que o rodeiam. Seu instinto tem a tendência de entrar na zona de conforto e se sente mal sempre que precisa sair dela, porém, com o tempo ele sente a necessidade de mudança motivada pelo enjôo da rotina.

7. Estado de erudição: é o estado de expansão de conhecimento e de auto-aperfeiçoamento.  O indivíduo, movido por sua necessidade de sair da zona de conforto e não por necessidade social ou econômica, inicia sua busca por novos conhecimentos e pelo crescimento individual. Contudo, por já ter uma rotina definida e por já ter razoáveis conhecimentos, esta expansão é feita de forma consciente e sóbria. Isto reflete no aprecio pelo conhecimento bem elaborado e que explora as várias formas que a realidade universal e humana pode se apresentar. Neste ponto se adéqua a apreciação pelo estudo técnico da arte, filosofia e ciência.

8. Estado de absorção: neste estágio, o indivíduo sente que está maduro o suficiente para iniciar sua própria produção daquilo que ele estuda ou faz para se sentir bem, além de sua rotina. Iniciam-se aqui os projetos e experimentos para ir além e absorver novos aspectos da realidade, dando progressão à evolução humana. Estes projetos ou experimentos são bem organizados e tendem a ser saudáveis, já que o indivíduo tem os conhecimentos sobre a realidade universal e humana adquiridos no estado de erudição. Aqui se encontram as pessoas que produzem arte, filosofia ou ciência. Elas geralmente são preocupadas com a perfeição de sua obra, já que seu desejo está direcionado a isto.

9. Estado de Bodhisattva: quando levado ao extremo o contínuo processo de auto-aperfeiçoamento, ele se torna uma espécie de estado da fome aprimorado em que o benefício se torna pouco para tanto esforço. A forma mais saudável para sair deste dilema, segundo o budismo, é que o indivíduo utilize todo seu conhecimento da realidade para ajudar a outros humanos. Isto se mostra uma forma de sair da solidão do estado da fome aprimorada além de ajudar ao próximo e a si próprio a alcançar os desejos e a se sentir bem.

10. Estado de Buda: neste estado entende-se que a perfeição é a própria existência, não precisando, portanto, de nenhuma atividade que faça o indivíduo crescer em si. Ele deseja apenas a manutenção da existência. É para isto que é voltado seu esforço mental e físico. O indivíduo que chega a este estado provavelmente entende que apenas poucos podem chegar nele, e por isto toma para si a responsabilidade de preservar a manutenção da vida. Por isto, ele se esforça para utilizar todo o seu conhecimento para compreender e ajudar a todos, independente de seus sentimentos. Para que seus sentimentos não influenciem em seu esforço e na sua busca por compreensão, ele adota um estilo de vida simples, rotineiro e se desapega dos prazeres do instinto. Só precisa ajudar e existir para se sentir bem.

Considerações sobre a interpretação dos 10 estados da existência:
Os dez estados da existência humana, segundo o budismo, pode ser chamado pela psicologia evolutiva como os dez estados de autoconhecimento da mente humana. A principal intenção da psicologia evolutiva ao se interessar em categorizar os estados da mente humana é desenvolver metodologias que ajudem ao humano a chegar a um estado mental em que ele esteja totalmente adaptado ao seu próprio ser, a sociedade e a realidade. É neste estágio que se observa que o humano alcança um ótimo estilo de vida, observando suas próprias configurações e utilizando seu conhecimento, humano e universal, para desenvolver ferramentas que ajudem a ele e aos que estão a sua volta. É quando podemos assumir que o humano está totalmente adaptado a realidade.

Este estado pode ser considerado o nono estado de existência humana, o Bodhisattva.  Contudo, para a psicologia evolutiva ele pode ser chamado como o “Estado de adaptação”. Justamente porque neste estado ele consegue utilizar, e tem consciência disto, os mecanismos lógicos e o conhecimento sobre a realidade para desenvolver ou se adaptar a novos mecanismos que melhorem sua qualidade de vida. O último estado de existência humana, o Buda, para a psicologia evolutiva é o “Estado de amor”. Neste estado, além de desenvolver uma ótima qualidade de vida, o indivíduo também entende que todos os humanos merecem ser amados, independente do que eles são ou fazem. Isto porque ele utiliza seu conhecimento para entender o porquê uma pessoa é como é, e após fazer isto, ele percebe que a única diferença entre ela e qualquer outra pessoa, inclusive ele, são as configurações genéticas e sociais. Devido a isto, ele entende e sente que é preciso ter respeito à essência humana, que é evoluir, e faz isto não somente para si e aqueles que ele gosta, como também para desconhecidos. Como, para a psicologia evolutiva, evoluir é amor, daí vem o nome deste estado.

Dos estados anteriores, o estado de animalidade pode ser mais observado na fase infantil, em que o humano ainda não entende nada sobre si. O estado da ira pode ser mais observado fase adolescente, onde ocorrem os contatos mais críticos com a sociedade. O estado da fome pode ocorrer em alguns adultos que, por distúrbio, são impedidos de enxergar os reais valores da vida. O estado de inferno é observado sempre que há uma grande traição da realidade, seja por parte dos humanos, seja por parte das circunstancias, em que o indivíduo se esforça demais numa mentira e vê todo seu esforço valendo nada e seus desejos não sendo alcançados. Os estados de tranqüilidade e o de alegria são observados quando o humano está conseguindo se adaptar a sociedade. Os estados de erudição e de absorção são observados quando o humano está se adaptando a realidade universal e a realidade humana. O estado de mecanismo ocorre quando o humano já está adaptado a estas duas realidades, porém, ainda mantém algum vinculo com seus distúrbios, o que o impede de amar independente do que seja. O estado de amor surge quando o humano consegue entender e superar seus distúrbios e agir tanto para a evolução individual quanto para a evolução social.

Estes dez estados da mente humana não podem ser considerados estágios, já que é possível perceber que, de algum modo, o humano consegue passar de um estado para outro sem necessariamente precisar seguir a ordem. Contudo, é interessante que todo humano experimente todos, compreenda-os e os supere. Provavelmente só assim se obtém a experiência humana necessária para compreender e chegar ao estado de amor com bastante consciência. As diferenças entre a interpretação budista e a interpretação da psicologia evolutiva sobre estes estados se deve principalmente a carga de conhecimento teórico que a psicologia evolutiva pode trazer. O budismo, por ter sua carga prática, desenvolveu o estado de amor como o estado de Buda porque eles perceberam que só é possível se chegar a ele abrindo mão dos valores humanos, pois daí se vai junto os distúrbios. Contudo, o que a psicologia evolutiva espera fazer é não abrir mão destes valores, e sim utilizar os conhecimentos dados por ela para minimizar o máximo possível o efeito destes distúrbios, chegando a algo bastante próximo do estado de amor, o que já é algo muito saudável e sustentável. Neste estado, o humano terá condições de contemplar uma vida de boa evolução através dos sistemas evolutivos que ele se esforça para desenvolver.

Encerramento:
Enfim, finalizo mais uma postagem. Sinto que meus conceitos estão uma bagunça. Embora eu esteja progredindo, preciso arrumar essa bagunça, caso contrário sua utilização como ferramenta ficará mais árdua e anti-intuitiva, sem contar que aumenta a chance de enganos ou redundância durante o desenvolvimento dos conceitos. Pretendo reunir a grande parte dos conceitos e o gráfico, talvez eu faça isso na próxima postagem. Esta semana eu escutei bastante uma cantora chamada Lorena Simpson, mas algo me incomodava. Eu gostava dela, mas meu inconsciente dizia que ela é fruto da indústria musical, e isto, de certo modo, diminuía minha valorização sobre o que ela produzia. Cheguei a duas conclusões: o objetivo da indústria de música é ganhar dinheiro, e eles estão fazendo isso, portanto, o reconhecimento artístico da parte técnica não é necessário. A parte artística é encabeçada pela Lorena Simpson, que agrega a imagem dela ao que ela produz, com ou sem auxílio da indústria. Portanto, devo assumir que ela faz o que faz porque quis e se dedicou bastante para chegar a este ponto, portanto, é válida minha valorização a imagem dela, em específico. Ainda preciso essa diferença entre obrigação e boa ação. Após esta pequena reflexão, termino minha postagem. Abraços a todos.