Cap. II
Pisei na rua, olhei para os lados, e lá estava ela, encostada na parede, segurando os livros na parte da frente da cintura com as duas mãos, olhando pro lado, parecia estar esperando alguma coisa. Ela estava tão linda que minha vontade de agarrá-la era imensa, andei um pouco para perto da parede onde ela estava encostada, fiquei imaginado ela em meus braços, ela estava ali, tão perto de mim, e eu aqui, desejando-a como eu nunca desejei mais nada na vida. Fiquei parado lá, enquanto eu estava entrando no profundo pensamento de meus desejos por ela, fui subitamente interrompido por uma voz familiar. Fiquei pensando de quem seria aquela voz, quando eu escutei de novo, ela gritava “Amanda!”, nessa hora eu comecei a imaginar se Amanda seria o suposto nome dessa linda garota. Logo em seguida, ela dá um pequeno sorriso e olha para a outra garota que tinha chamado-a. Ao olhar para a outra garota, eu tive uma surpresa, era a Juliana, estuda comigo desde a quinta série. Juliana veio andando apressada, como se estivesse com ansiando sua chegada. Eu me virei para Juliana, ela me viu, e gritou “Leandro!”, nesse momento ela apressou ainda mais os seus passos, que estavam do outro lado da rua. Quando Juliana chegou, cumprimentou a mim e a Amanda, ela olhou para Amanda e disse que estava morrendo de saudades, e que não via a hora delas se reencontrarem. Eu fiquei na minha, olhando como quem não queria nada, mas na verdade, queria muito falar com aquela garota. Juliana então olha pra mim, e me diz que a Amanda começaria a fazer parte do nosso clã. Levei um grande susto ao ouvir aquilo, fiquei muito feliz e ao mesmo tempo assustado. Olhei pra Juliana calmamente e falei “que ótimo” sem saber o que falar, pouco depois olhei para Amanda e perguntei se o nome dela seria aquele mesmo, ela respondeu que sim, e pediu confirmação do meu em seguida, então eu confirmei. A voz dela era deliciosa, meiga e agressiva, conforme ela desejasse. Naquele momento, tive certeza que a voz dela passaria bastante tempo na minha cabeça. Achei melhor me despedir das duas garotas, ficar lá sem necessidade certamente não seria uma boa ideia. Então, foi o que eu fiz. Despedi-me das garotas e fui pra casa. No meio do caminho encontrei com meu amigo, ele chegou me cumprimentando e dizendo que tinha grandes novidades, nem imagina ele o que tinha acontecido naquele dia. Eu o chamei pra uma partida de Videogame na minha casa, para pormos os assuntos em dia. Ele aceitou, pegou a bicicleta dele que estava perto dali e me mandou subir no quadro. Foi o que eu fiz, então ele me levou de carona até minha casa. Lá, sentamos no tapete da sala e começamos a escolher um bom jogo. Resolvemos fazer alguns pegas com nossos carros turbinados na rua, então escolhemos um jogo de corrida de rua. Enquanto jogávamos, ele me falava sobre algumas mulheres, e eu comentei que tinha encontrado uma garota naquele dia, que sem dúvidas passaria muito tempo na minha cabeça, ele rio da minha cara e disse que se apaixonar é coisa pra manés, disse também que nunca iria se apaixonar, e que sempre usaria as mulheres para o seu bem-estar, e que iria ser solteiro e galinha até morrer. Eu comecei a rir ouvindo tamanha bobagem, fiquei imaginando se ele não desejava ter filhos, encontrar uma mulher especial, passar momentos íntimos bons e ruins com ela, e guarda aquilo em suas lembranças sempre como uma coisa boa. Todo homem precisa disso, não sei dizer o porquê, talvez seja o próprio instinto humano, ou algo parecido. Eu disse pra que ele ainda não havia se apaixonado por não achar a mulher certa, e quando isso ocorresse, ele entraria em grandes problemas. Ele discordou, e disse que mulher pra ele só servia para seus desejos carnais. Eu repliquei que as erradas sim só serviam para desejos carnais, mas quando ele achasse aquela que realmente chamasse a atenção dele, as coisas mudariam, e achar a mulher certa, depende de cada um para cada um e no que a pessoa deseja ou acha importante em outra pessoa para passar a vida com ela, se aparecer uma pessoa com as qualidades desejadas, certamente você achará ela especial. Ele ficou calado, e parecia estar pronto pra falar mais umas de suas bobagens. Antes que ele abrisse a boca, eu o perguntei o que ele queria de uma mulher para passar a vida toda com ela. Ele respondeu da mesma forma que eu imaginaria que ele respondesse. Disse que não desejar passar mais de uma semana com mulher nenhuma, e que queria passar o resto da vida nesse estado de solteiro, porque assim, seria livre. Eu comecei a rir e brinquei com ele dizendo que ele era tiedphobiaco. Ele olhou com uma cara estranha pra mim perguntando o que seria tiedphobiaco. Eu disse que era a junção de tied, do inglês amarrado, e phobiaco, que é uma derivação que eu inventei do grego phobia, que representa medo, de forma geral. Ele riu da minha cara, e disse que não era nada daquilo, e que apenas não via graça em passar muito tempo com uma mesma mulher. Eu deixei o assunto de lado, mas tinha quase certeza que realmente era tiedphobiaco. Passamos mais algum tempo jogando, os nossos carros estavam ficando cada vez mais envenenados, a cada corrida que passasse, ficava mais difícil de vencer. Eu e ele estávamos jogando em dupla, contra as outras duplas. Quanto mais perfeito o carro ficava, mais era difícil melhorá-lo. Nesse momento eu me lembrei da seguinte frase: Quanto mais perto da perfeição nós chegamos, mais difícil é se torna chegar nela. Essa frase é engraçada e profunda. Engraçada porque se encaixa em todas as coisas da vida, o nosso estudo é a maior prova disso, quanto mais serie, mais grau de dificuldade, mais nós sabemos. Outro bom exemplo é o esporte, para se chegar ao primeiro lugar, muita dedicação precisará, muitas horas de treino, para se chegar a perfeição. Muitas pessoas não entendem isso, querem ser boas sem treinar, querem ser boas naturalmente. Poucas pessoas têm esse dom, pouquíssimas. E outras batalham muito para conseguirem o que querem, muita gente não entende isso, e acaba por invejar ou sentir raiva dos alheios que conseguem. Depois de quase um dia inteiro, estávamos parte do final do jogo, de pouco em pouco, fomos passando os estágios finais do jogo, até conseguirmos zerar ele, foi difícil, mas nada que um dia todo de conversa jogada fora e muitas tentativas não resolvesse...
By: Leandro Moura
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