sábado, 25 de janeiro de 2020

Poder implícito e explícito


Introdução:
    Olá a todos. Faz mais de um ano que eu não escrevo para este blog. Devo admitir que foi um período de bastante amadurecimento e de reavaliação sobre todo meu trabalho intelectual exercido através deste blog e sua relevância. Ainda não sou capaz de assumir um posicionamento firme acerca de várias questões, no entanto, sei que escrever e continuar a desenvolver meus pensamentos fazem parte do processo de amadurecimento. Em especial, torna-se cada vez mais clara a necessidade de me abrir num processo de construção mutua para que, através disto, aquilo que eu fale tenha um significado para as pessoas. Encerrado esta pequena explicação, vamos à postagem de hoje, que se trata de uma conceituação importante para a estrutura do meu pensamento aonde eu analiso diferentes estruturas de poder e sua relação com a política.

Resumo:
    A ideia principal desta postagem é estruturar duas formas de poder: o poder explícito e o poder implícito. O primeiro relaciona-se com o poder obtido através do místico ou do sobrenatural, podendo estes dois serem ou não fatores integrantes da realidade ou apenas mecanismos desconhecidos para a maioria das pessoas. Já o segundo relaciona-se com o poder obtido através do acordado e do racionalizado, no qual há um método bem estabelecido e aceito por todos que se submetem à ele. Através da conceituação destes dois tipos de poder, é possível relacioná-los como uma posição natural da esquerda e da direita política. Visto que nunca defini no meu blog o que eu penso ser esquerda ou direita para a política, também farei isto nesta postagem. A seguir, buscarei argumentar que não existe um sistema que funcione somente através de um tipo de poder, concluindo que para que a sociedade seja saudável é necessário haja uma mescla entre eles, pois em ambos há pontos negativos e positivos para determinado contexto histórico e tecnológico.

Poder:
    Antes de falar acerca dos tipos de poderes, será necessário definir poder. Aqui entendo poder como a capacidade de decidir, entre todas as possibilidades da realidade, aquela desejada. Esta definição eu li uma vez em um artigo do qual eu lembro pouco, mas lembro-me que ela foi cunhada pelo Foucalt. Não sei se estou sendo preciso, mas esta definição me satisfaz, uma vez que aquele que detém o poder tem o direito de decidir, enquanto que aquele que não detém o poder se torna submisso ao decidido. Obviamente, todos tem algum grau de poder se levarmos em consideração até mesmo o ato de alimentar-se é uma escolha. No entanto, torna-se óbvio que alguns são mais poderosos que outros dado que as decisões deles impossibilitam as decisões de outros.

Poder implícito:
    O poder implícito é definido como aquele que é construído através do místico ou do sobrenatural. Em outras palavras, este tipo de poder não tem interesse em buscar as explicações naturais ou racionais para sua existência, seja por não acreditar ser capaz de encontrar explicação além da sobrenatural, seja por falta de interesse, ou mesmo porque se satisfaça com as coisas sendo como são. Este tipo de poder precisa ser construído através de relações dinâmicas, visto que, uma vez que ele não é explicitado e determinado em nenhum lugar, ele é volátil. Assim, observa-se este tipo de poder em relações familiares, por exemplo, na qual os anciões transmitem sua “benção” e, portanto, a capacidade, ou ensinam, através da prática, a como efetivar seu poder. Portanto, todos aqueles alcançados pela benção ou que tiverem um convívio prático entendem, mesmo que de maneira sobrenatural ou inconsciente, como exercer aquele poder. Aqueles que, por outro lado, não são expostos a tais vivências, apresentam dificuldade ou mesmo tornam-se incapazes de exercê-lo.

Poder explícito:
    O poder explícito é definido como aquele que é construído através do acordado, do racionalizado. Assim, para exercer este tipo de poder é necessário que haja um acordo prévio, uma racionalização, que define os termos do contrato da relação do poder. Uma vez estabelecido tais termos, então as relações de poder estarão bem definidas, já cada parte do acordo compreende o poder que corresponde ou não a si. Desta forma, a própria noção de poder é limitada pelo acordo, uma vez que tudo é explicitado. Assim, observa-se que este tipo de poder tem uma relação mais estática, uma vez que ele só pode ser modificado por situações em que ele mesmo prevê sua própria modificação. Além disto, este tipo de poder também preza pela documentação, já que seu objetivo é validar o acordo perante à todos. Portanto, observa-se que este poder tende a ser construído através da impessoalidade.

Esquerda e Direita:
    Sabe-se que essa nomenclatura vem desde a revolução francesa. Também não lembro com precisão acerca deste conceito, mas lembro-me que quem desejava um estado que tomasse decisões que privilegiassem a população em detrimento da elite sentavam-se à esquerda, já quem desejava que o estado tomasse decisões que privilegiassem a elite em detrimento à população sentava-se a direita. Afinal, por que é sempre necessário que o estado privilegie uma classe em detrimento da outra? Porque a matéria é limitada e, portanto, ou se concentra toda matéria em alguns ou se distribui a matéria para muitos. Para os que recebiam a concentração antes, se distribuir, eles perdem. E para os que recebiam a distribuição antes, estes perdem. Portanto, sempre alguém ganha ou perde a depender de qual escolha o estado estabelece. É preciso observar, portanto, que só faz sentindo falar de esquerda ou direita quando falamos do estado, que obtém seus recursos através dos impostos e gasta-os de acordo com seu planejamento político e suas leis.

Estado como uma estrutura explícita:
    O último passo para relacionar estes tipo de poder com as políticas de estado é justamente entender o estado. Em um dos meus textos eu já defini o estado em termos da linguagem dos organismos sociais. Para este texto, basta saber que o estado é uma estrutura explícita de poder. Portanto, necessariamente ele parte de um acordo, normalmente as constituições federais dos respectivos países, e limita naturalmente o poder de seus indivíduos. No entanto, embora seja uma estrutura explícita, isto não significa que não haja espaço para o poder implícito na estrutura do estado. No entanto, este poder é limitado pelo estado, ou seja, há tanto poder implícito quanto o estado permitir. Há ainda de se observar que se o estado é uma estrutura explícita, o não-estado é uma estrutura implícita. Portanto, sistemas sociais que não são algum tipo de estado são estruturas de poder implícita. Acredito ser possível exemplificar o monarquismo após uma reflexão superficial.

Poder implícito como natural da direita:
    Visto que o poder implícito é mais dinâmico, isto é, responde mais rápido às mudanças uma vez que não necessita de formalizar seu processo de atuação através de acordos, é natural que a direita seja melhor acomoda por ele. Afinal, se há um tipo de produção ao qual uma elite é responsável, e não toda a população, então é desejo desta elite que o estado não se interfira em suas responsabilidades para que ela continue sendo elite. Portanto, é possível afirmar que o poder implícito tem um caráter elitizante ou mesmo excludente, afinal, se todos tivessem acesso à tal poder, ele seria explícito, mesmo que inconsciente. Além disto, o poder implícito tem outra característica interessante que também é compartilhado pela direita: ele está mais perto da natureza animal do ser humano que o poder explícito. Isto porque não é necessário explicar aquilo que é implícito, sendo a fonte de tal explicação a própria natureza.

Poder explícito como natural da esquerda:
    Visto que o poder explícito é mais estático, ou seja, é necessário que seja produzido acordos para a sua efetivação, então é natural que a esquerda seja melhor acomodada por ele. Diferente da direita, que deseja construir uma elite, a esquerda deseja construir um povo. No entanto, mover um povo é mais difícil que mover uma elite e, além disto, todo este povo precisa estar orientado da mesma forma, pois do contrário a unidade é quebrada e o que antes era pra ser um todo, agora torna-se parte e, portanto, pode ou não haver um processo de elitização. Para, no entanto, haver a construção de uma unidade, é preciso um acordo, ou seja, a explicitação de algo. É através desta linha de raciocínio que eu afirmo que o poder explícito é natural à esquerda. É interessante observar que, mesmo que no acordo explicitado possa ter pessoas com diferentes responsabilidades, no geral, se todos envolvidos no processo concordam com ele é porque o processo tende a ser benéfico a todos. Assim a visão da esquerda acaba sendo mais inclusivo, pois ela busca conceber uma concepção de realidade para atender o maior número de pessoas, incluindo-as neste acordo e tornando o acordo mais forte como consequência.

Estado de extrema direita:
    O perigo de haver um estado excessivamente de direita são dois: o primeiro é um poder implícito qualquer se tornar tão poderoso quanto o estado, ao ponto do próprio estado ser uma ameaça para este poder. Assim, há o perigo deste poder querer ele mesmo tornar-se um estado, o que é uma contradição, e isto implica em estados corruptos. O segundo é o de que haja tantos poderes implícitos atuando num estado que o estado em si não consiga organizar os poderes e orientá-los à um objetivo benéfico a todos. As consequências disto é que mesmo que um grupo de poderes se unam e se chamem de estado, este estado não pode contribuir em nada para estes poderes individualmente, não podendo, portanto, articulá-los para proteger de inimigos externos ou mesmo para impedir que o primeiro caso aconteça. Em outras palavras, se construirá um estado sem soberania, a mercê dos estados fortes que o colonizam.

Estado de extrema esquerda:
    O perigo de haver um estado excessivamente de esquerda são dois: o primeiro é geopolítico, pois como tudo é explicitado, as questões sensíveis como planejamento econômico podem se tornar muito expostas, dando oportunidade aos outros países de montarem estratégia para minar um possível crescimento de um país concorrente. Além disto, também por este mesmo motivo, as decisões acabam por ser mais lentas, fazendo o país responder mais devagar as questões geopolíticas. O segundo trata-se acerca de acordos que são feitos, mas não são respeitados. Desta forma, combina-se uma coisa, mas se faz outra, e, portanto, o resultado alcançado não acontece de acordo com o planejado pelos autores daquele acordo, trazendo, como consequência, privilégios para uns, obstáculos para outros. Além disto, também gasta-se recursos ensinando os acordos explicitados para as próximas gerações, e quando isto falha, também há o cenário em que os acordos não são respeitados.

O yin-yang dos poderes:
    O poder explícito e implícito comportam-se como yin-yang. Ou seja: é impossível haver um deles puramente. Sempre que há um, há outro. Provo: se o poder implícito precisa comunicar qualquer coisa ao próximo, ele faz uso da linguagem. No entanto, a linguagem é a explicitação de algo, e, portanto, no implícito há o explícito, mesmo que esse explícito seja restringido à algumas pessoas. Já no explícito, é preciso considerar que a realidade não é estática, ela transforma-se através do tempo. Portanto, toda nova transformação que não foi coberta por uma linguagem ou por um acordo torna-se necessariamente algo implícito. Com o tempo, deste implícito pode nascer um poder, que também será implícito. Naturalmente, é possível considerar que aqueles que fazem acordo ou constroem a linguagem não estão o tempo todo atualizando-se para cada transformação, portanto, a tendencia é sempre haver algo implícito em qualquer realidade. Assim, há sempre algo implícito em todo poder explícito. Através desta linha de raciocínio, conceber uma sociedade construída apenas por um tipo de poder torna-se impossível.

Conclusão:
    O objetivo deste texto foi lançar as bases teóricas para a análise dos tipos de poderes que atuam em uma sociedade. Esta base teórica é importante para, além de conseguir explicar o o que acontece, construir um conjunto de significados que, uma vez aceitos como verdadeiros, impeçam a construção de outro conjunto de significados que não tenham sentido ou sejam paradoxais. Acredito que através da consciência sobre quais poderes constituem uma sociedade, quem exerce qual e a relação pessoal de cada indivíduo com cada um desses poderes pode ser um fator importante para a coerência de uma nação. Assim, uma nação mais coerente é também uma nação mais soberana, pois será capaz de organizar suas relações internas e externas para construir algo de valor em nosso planeta.

domingo, 23 de setembro de 2018

Algumas mensagens sobre Cristo, parte 8



--- Que exemplo de tolerância da verdade alheia! Sabemos que o mistério que nos leva a crer em Cristo é a graça de Deus. No entanto, não cabe a nós julgar a verdade do próximo como verdadeira ou não, mas tão somente levar o evangelho, que é a nossa verdade. Há certos homens que alcançam a lei do coração de Deus por si mesmos. Há outros, por sua vez, que de frente ao senhor, não o reconhecem. Misteriosos são os caminhos dos homens, pois até mesmo alguns que nunca ouviram alcançam a lei de Deus, que é o amor, em seus corações. Há verdades duras que precisam ser ditas, mas sabemos que o sofrimento que vem de Cristo causa arrependimento, já o sofrimento que vem do mundo causa morte. Se o que saí da tua boca causa a morte do teu irmão, te arrepende e cala-te. Se, no entanto, ele se arrepende, alegra-te no senhor, pois ele te amou primeiro para que, através do amor, te abriste ao espírito santo ao ponto de salvar ao próximo. Ele, afinal,é nosso salvador.

--- Anunciamos o evangelho para muitos, sabemos que esta é a nossa parte. Oramos para que aquele que tem ouvidos, ouça, para que ele aceite e conheça as verdades vindas do céu. No entanto, não é nossa tarefa convencê-los, mas sim do espírito santo. Contudo, muitas vezes vemos satanás atuando na vida dos pecadores, turvando sua visão e obstruindo seus ouvidos. Naturalmente, sentimos raiva do inimigo, sentimos raiva também daquele que, ao escutar, não se agarrou a nossa verdade com toda sua força para se salvar. Porém, uma vez que fazemos isto, ferimos ao próprio espírito santo, pois o trabalho de convencimento é Dele, não nosso. Afinal de contas, nosso trabalho é buscá-lo, através do conhecimento da palavra, através da consagração à Cristo, através da busca. Assim, a liberdade que ele terá em nós se tornará tão forte que a luz que exalamos será capaz de alcançar até mesmo o mais cauterizado dos seres, através da graça do senhor Jesus.

https://barnabasspenser.blogspot.com/2018/07/algumas-mensagens-sobre-cristo-parte-7.html

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

O equilíbrio vem do espírito

    Muitos tentam aplicar respostas prontas para a vida. No entanto, apenas o que é vivo pode responder a vida, do contrário, tornam-se apenas coisas mortas reagindo à estímulos mecânicos. O que é, contudo, estar vivo? Por certo, sabemos que Cristo nos trouxe a vida através do seu sacrifício. Através dele, temos acesso ao espírito santo, e este nos capacita para a vida eterna, aonde as respostas não são encontradas fora, mas sim na palavra e dentro de nós.
    Muitos, porém, que não nasceram de novo tentam desenvolver uma resposta pronta à vida. Um sistema capaz de responder a todo estímulo de maneira automática, de modo que nós não precisaríamos mais confiar em nós e naquilo que há dentro de nós, mas sim neste sistema. Entretanto, para implantar este tais sistemas, agem como servos da morte, pois sustentam que o sofrimento e sacrifícios são necessários para um bem maior. Afinal, que bem comum é este construído em cima de morte e sofrimento?
    Cristo, pois, já nos ensinou qual é o maior bem comum: usar nossa própria vida como sacrifício para servir as pessoas. Portanto, independente de qual sistema estamos inseridos, o que mais importa é usarmos nossa própria vida para servir as pessoas. Isto significa que para cada problema seremos capazes de observá-lo e usar o que tem dentro de nós para trazer boas respostas ao mundo. Sem o espírito santo, contudo, o que temos a oferecer? Apenas mais morte, naturalmente, até que alguém guiada pelo espírito consiga converter aquilo que é produzido por pessoas naturais aos propósitos de Deus.
    Portanto, que tipo de reformas deveremos desejar ao nosso país, senão aquelas que nos permite a servir mais? Através do serviço é que poderemos responder à vida, pois nós somos o que realmente são vivos. Quanto mais o espírito de Deus puder atuar na nossa sociedade, mais próximos da volta estaremos. Entretanto, quanto mais outros sistemas governarem, mais próximos do pecado estaremos.
Portanto, reconciliar este sistema, que foi construído por mentes naturais e, portanto, que não contemplam a relação com Deus e só produzem pecado, é nosso ministério enquanto Cristãos. Este é o caminho para converter o pecado do mundo à glória do Senhor, oferecendo nosso próprio corpo como sacrifício vivo a serviço de Cristo e não buscando o sacrifício do próximo, renovando este século através da renovação das nossas mentes.

sábado, 11 de agosto de 2018

A relação do indivíduo com a verdade

Introdução:
Durante esta semana eu escrevi algumas importantes postagens no Devir Social. Acontece que todas estas postagens, que buscam criar ferramentas para observar o indivíduo sociologicamente, também nos direcionam a refletir a relação do indivíduo com a verdade. Portanto, a postagem de hoje terá como objetivo entender um pouco melhor algumas das grandes questões da nossa sociedade à luz das ferramentas criadas no Devir Social. Quem desejar ler antes sobre quais textos que estou falando dirijam-se aos seguintes links: Linguagem dos organismos sociais, Análise das autoridades segundo a linguagem dos organismos.

Relação dos organismos com a verdade segundo a linguagem dos organismos:
O que é a verdade, segundo a linguagem dos organismos? É possível conceituar a verdade como, simplesmente, como a existência. No entanto, no contexto deste estudo, entende-se que a verdade é percebida pela forma como ela se efetiva. Isto porque existe uma produção social e uma linguagem, e se a linguagem consegue resultar na produção social, então ela é verdadeira. Do contrário, obviamente, a linguagem é falsa. Caso um organismo se estruture sobre uma linguagem falsa, ele não produz, porque a falseabilidade se dá com a não conferência da linguagem com a realidade. Este conceito de efetivação de verdade, um tanto simples, pode ser bastante intrigante quando relacionamos as diferentes formas que as autoridades dos organismos sociais são legitimadas.

A religião, por exemplo, busca construir uma linguagem que é capaz de compreender as verdades eternas sobre a realidade do ser humano. A ciência, por sua vez, a mesma coisa, no entanto, seu foco é compreender as verdades eternas sobre a realidade da matéria. A política, entretanto, busca utilizar as verdades e aplicando-as ao contexto econômico e cultural daquele tempo, objetivando seus fins eleitoreiros. Portanto, ela se preocupa muito mais com os resultados práticos, mesmo que neles haja imprecisões, manipulações ou mesmo mentiras, do que com sua a integridade à longo prazo. Se dá resultado, então, provavelmente, a política se “apodera” destas ferramentas que, naquele contexto, se mostram verdadeiras.

Portanto, cada indivíduo, que é a autoridade de menor grau de uma sociedade e, portanto, possuí uma linguagem e uma produção social, se relaciona com as diferentes verdades produzidas pelos diferentes organismos sociais, cada um a seu nível de responsabilidade e comprometimento com sua própria produção social dentro daqueles organismos. Por possuir uma produção social, cada indivíduo, também, tem sua própria relação com a verdade, sendo ele aquele que seleciona e gera pequenas mutações nas verdades que chegam até ele, sendo também o responsável pela reprodução daquilo que ele acha verdadeiro. Assim, concluí-se que é possível analisar a relação do indivíduo com as formas que ele efetiva as verdades que ele emite.

Relação do indivíduo com a verdade segundo a linguagem dos organismos:
Se o indivíduo é capaz de produzir suas próprias maneiras de efetivar as verdades, isto significa que ele é capaz de produzir uma linguagem e relacionar sua linguagem com sua produção. Obviamente, cada ser humano é capaz de associar novas informações, das diferentes fontes dos agentes, de uma maneira inovadora, de modo a ter uma produção mais eficiente. Esta produção, que é coordenada e anunciada através da linguagem, pode se reproduzir entre outros seres humanos e ter um enorme impacto nos próprios organismos sociais. Tanto é que a história está lotada por grandes seres humanos que revolucionaram a religião, a ciência e a política.

No entanto, esta interpretação nos permite ir um pouco além. Isto porque diferentes indivíduos estão em diferentes posições nos organismos sociais, de modo que a produção social e linguagem que saí deles tem diferentes impactos. Por consequência, toda a percepção de realidade deles é alterada por conta destes impactos que aquilo que é produzida causa no mundo. Em outras palavras, a depender da relação do indivíduo com o organismo, ele tem uma diferente percepção acerca da verdade. Esta é uma conclusão muito importante, pois permite que analisemos cada indivíduo e sua relação com a verdade a depender da sua relação com os organismos sociais.

Inicialmente, já é possível compreender os indivíduos que tem uma relação “determinística” ou de “livre-arbítrio” com a realidade, isto porque se forma como eles efetivam a verdade que saí deles tem algum impacto nos organismos sociais aos quais eles pertencem, eles sentem que, de fato, tiveram escolha, do contrário, eles sentem que de nada adianta tentar contra a verdade que se propagada, portanto, ou a reforça ou a ignora. Também é possível entender a relação do indivíduo com o coletivo no sentido de “é o indivíduo que faz o coletivo ou vice-versa?”. Isto também é algo relativo, uma vez que é preciso analisar o impacto do que é produzido pelo indivíduo em relação ao coletivo e vice-versa.

Verdade: eterna ou uma decisão política?
É possível perceber duas características acerca da efetivação da verdade: ela pode ser eterna ou efêmera. No entanto, se a a efetivação for efêmera, ela só tem utilidade material. Se ela for eterna, ela só tem utilidade ideal. É o ser humano que decide, afinal, quais verdades ele vai inserir na sua vida. A consequência de ser uma pessoa que busca apenas a verdade de utilidade ideal é que ela apenas irá saber como as coisas devem ser para que sejam coerentes, mas nunca vai conseguir traduzir essa verdade para seu próprio tempo histórico. A pessoa que só utiliza verdades de utilidade material vai ser muito hábil em manobrar a matéria, mas não saberá o que fazer com ela de modo a se harmonizar com os outros indivíduos.

A ciência busca a verdade eterna sobre a matéria, enquanto que a religião busca a verdade eterna sobre o ser humano. Cada uma ao seu modo são produtoras de verdade, portanto, são elas as fontes das verdades que irão alimentar os indivíduos da sociedade. Estas fontes necessariamente precisam preocupar-se em anunciar uma verdade que seja eterna, pois, do contrário, elas estão anunciando uma verdade que visa à utilidade, e uma vez que visa a utilidade ela se transforma em uma verdade política. Portanto, se estas autoridades basearem sua busca em verdades temporais, certamente correm o risco de poluir sua própria produção com princípios e método de efetivação de verdade que não pertencem a elas próprias.

Cada decisão do indivíduo tem suas consequências, tanto para bem quanto para o mal. É dele o dever de encontrar o caminho da sua própria evolução. Se o indivíduo busca usar uma mentira que funciona socialmente para alcançar seus objetivos, deve ser dele a responsabilidade de arcar com as consequências desta mentira. Sob o ponto de vista do conceito de efetivação verdade anunciado neste texto, uma mentira também é uma verdade, pois ela causa produção social. No entanto, é uma verdade de prazo limitado e com consequências incalculáveis. De um modo geral, a mentira é rejeitada pelas linguagens religiosas, podendo até mesmo ser chamada de blasfêmia. Já na linguagem científica, ela é chamada de falsidade e descredencia metodicamente a autoridade que a emite.

Naturalismo ou moralismo:
Uma consequência muito séria deste conceito de efetivação de verdade aqui anunciado e a relação do indivíduo com ele é que várias questões que antes se buscava serem absolutas se provam relativas. Em especial é preciso discutir como se construir e validar as verdades políticas, afinal, se sabe com mais clareza qual é a fonte da verdade religiosa, que são os livros sagrados, e da verdade científica, que é o método científico, mas, no entanto, as verdades políticas são uma área cinzenta. É possível entender que a fonte da verdade política é o documento de constituição de um país sobre o qual se derivam todas as leis. Este documento é uma peça natural aplicada a todos os seres humanos aplicado a um território e características especificadas. No entanto, também tem um aspecto interpretativo em si, uma vez que são leis que guiam ações de seres humanos. Portanto, como resolver esta situação?

Um dos maiores exemplos disto pode ser observado na questão “naturalismo VS positivismo” que muito se discute nas academias jurídicas. Qual é a verdadeira, afinal? Ora, segundo a interpretação deste texto, a verdade vai depender da relação do indivíduo com a sociedade e até mesmo com a própria lei. Portanto, esta é uma questão política, então é necessário que se pense em resolvê-la politicamente. No entanto, o que se vê é que apenas os mais graduados na área jurídica têm acesso a este tipo de discussão. Isto parece um absurdo, pois o poder judiciário também é um poder político, portanto, precisa ser construído politicamente e não impositivamente.

Uma alternativa seria construir um modo de fazer este tipo de questão ser resolvido democraticamente, por exemplo. Ou ainda pode ser que exista alternativas, como construir um sistema de hierarquia que seja construída sobre determinados valores e resultados. Porém, é preciso que esta fonte de produção de verdade entre na discussão política e seja resolvida também politicamente, e não simplesmente imposta pelo poder judiciário. Afinal, o poder judiciário é um poder político, e se ele estiver corrompido, como imaginar sua devida restauração sem que haja um processo político que misture as outras esferas do poder constitucional? Sei que são os outros poderes que constroem o topo do poder judiciário. No entanto, através deste texto, gostaria apenas alertar que isto é uma pauta de discussão que pode ajudar ao Brasil a diminuir esta discrepância entre o que o povo espera e o que realmente acontece na política para, portanto, ajudar no processo de validação da nossa democracia.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Renovem vossa mente através da palavra, não vossa sociedade

    Caros irmãos, assim está escrito: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. Sabemos que a palavra de  Deus é a expressão da sua vontade, assim como o próprio Cristo o é. Portanto, o advirto: não desejei transformações fora, mas transformações dentro. Não use a palavra como instrumento para transformar as pessoas, mas sim para transformar a si mesmo e usa-te como exemplo de convencimento. Através da tua própria transformação, elevarás o padrão do mundo, para que ele se torne aceitável ao Senhor. Afinal, como a autoridade da matéria é do inimigo, somente através da renovação de vossa mente alcançarás o bem, pois tudo o que se torna sólido pode ser consumido pelo mal. Sabes, no entanto, que a capacidade de criação de Deus é infinita, basta que busques renovar a ti à luz da palavra que certamente conseguirás.

    Lembra-te: conheceres a verdade e a verdade vos libertará. Conhece a matéria para que submetê-la à tua autoridade santa e agradável a Deus. Sei, no entanto, que tua natureza urge por ver o espírito de Deus se materializando na face desta terra. Assim também é o desejo de Deus, meu caro amado, pois ele quer se relacionar com seu povo. No entanto, não pegue o caminho errado para alcançar a este destino. Lembra-te como Deus foi paciente, como Deus preparou cada detalhe para vinda do seu Filho. Assim também tu terás de ser para a volta dEle. O ministério de Cristo é um ministério de serviço, e somente aqueles que servem a seu próprio interesse, não por amor a Deus, são reprovados. A todos os demais Cristo serviu e amou. Sobre esta revelação te advirto: qualquer transformação social que tu pregas em nome de Cristo, se essa transformação não permitir que você sirva mais a sociedade, então ela é mentirosa.

    Afirmo-te mais: esta transformação trata-se tão somente de tu usando a Cristo para proteger-te de teus próprios medos, tentando impor aos ímpios aquilo que Cristo não é. Isto envergonha a Cristo e entristece a Deus, portanto, dupla é tua perda de galardão. Envergonha a Cristo pois não é isto o que ele nos ensina e tão pouco é isto o que ele é. Entristece a Deus pois isto faz com que o povo não o reconheça dentro de si quando, diante das dificuldades, busca elevar sua alma ao eterno, mas não tem conhecimento da palavra. Desta forma, buscando agir em nome de Cristo, por amor a Cristo, mas sem realmente enfrentares o teu medo e transformares tua mente, torna-te tão somente aquilo que o próprio Cristo reprova: alguém que usa o serviço para seu próprio benefício. Tornaste-te, portanto, matéria, e o mal está exercendo autoridade sobre ti.

    Ama a Cristo, meu caro, pois tu o tens dentro de ti. Confia nele e não tenta fazer justiça com tuas próprias mãos. Humilha-te, submete-te as autoridades, tanto as terrenas quanto as celestiais, para que ele tenha autoridade sobre ti, e assim serás verdadeiramente exaltado por Deus. Quando fores exaltado, tamanho será teu galardão que teu coração daquilo que só pode ser o próprio Deus. Tua paz será indestrutível, serás irrepreensível, tua palavra será tão pesada quanto rocha, mas carregará em si a verdade que não machuca, mas exorta em amor todos os corações que ainda estão distantes do relacionamento com o Pai. Amado, não enxergas que assim é como Cristo foi? Cristo encheu-se do Pai e provou-te ser possível. Não somente isto, mas deu a ti a autoridade de ser como ele, para que carregues o espírito santo dentro de ti e mostres ao mundo o verdadeiro amor do Pai. Não te intimides, pois Cristo profetizou: os que virão e crêem em mim farão obras maiores que as minhas.

    Creia na palavra e cumpra-a, ame ao teu Deus e confia nEle. Assim o espírito santo te capacitará para toda boa obra de amor e de paz, te dará o que há de melhor neste mundo e, ainda sim, teu coração entenderá que tudo vem do altíssimo e tudo voltará para Ele. Somente assim teu coração será verdadeiramente nobre para governar a criação, então verdadeiramente estarás em Cristo, serás eterno e testemunharás a glória de Deus reinando na terra. Cristo já veio e se sacrificou por nós, suas palavras já foram lançadas, a profecia já foi estabelecida: ele irá voltar e glorificará nosso corpo. Não sejamos como os judeus, que crêem na letra, ou seja, na matéria, mas não crêem no Cristo, que também é o espírito santo. Rogo, irmãos, que não busquemos renovar este século através da nossa própria força ou justiça, fazendo uso da matéria e não do espírito, mas tão somente sejamos como Cristo para que assim a profecia se cumpra. Graça e paz para todos.

Não negue tua natureza, mas encontre-a em Cristo Jesus.

    Ouça-me: a única forma de destruir os preconceitos daqueles que produzem é tomando o seu lugar. No entanto, a única forma de tomar o lugar de alguém que produz é sendo melhor que ela naquilo que ela produz, mas não somente isto, também provar isto a sociedade. Sei que parece ser algo absurdamente improvável, mas lembre-se que a quebra de um preconceito é um ato heróico, digno de notas em livros históricos. E se dúvidas que alguém pode fazer algo deste tipo, rogo que olhe os livros de história. Se ainda sim não tiveres convencido, rogo-lhe que observe ao próprio Jesus, que destruiu, através da sua própria vida, um verdadeiro império de pessoas que usavam a palavra de Deus para criar problemas e oferecer a solução através da hipocrisia.

     No entanto, o advirto: se acaso sua alma buscar tamanha grandeza ao ponto de buscares conhecer a Cristo, o conheça profundamente. Nele, verás que o espírito santo fortalece aqueles que são fracos. Tenha em ti a força do espírito de Deus para cumprir com o propósito da tua vida, para que assim tenhas paz e vida eterna. No entanto, para isto, é necessário que faças parte do corpo de Cristo, pois ninguém que nega ao corpo tem a autoridade de usar o nome do filho. Se não és capaz de amar a um corpo, que convive na sociedade, tão pouco és capaz de amar a sociedade, portanto, que moral tens para propor melhorias a ela?

    Bem sei que, para os que nunca viveram em autoridade, deve ser difícil submeter-se a alguma. No entanto, ao submeter-se ao corpo de Cristo, te submetes à autoridade da palavra. Se algum líder te fizer algo que não está na palavra, estás livres para abandonar aquele corpo, desde que haja em ti a tentativa de repará-lo através da exposição das escrituras. No entanto, é necessário falar de algo específico neste texto para convencer tua alma à necessidade de respeitar e submeter-se as escrituras: trata-se da sexualidade. Digo-te o seguinte: o masculino e o feminino não são somente gêneros biológicos, são formas que a energia encontra para manifestar sua existência. Por isto, na natureza, as formas com maior capacidade de adaptarem-se a vida encontram-se especializadas nestes dois gêneros. No entanto, desde que o ser humano começou a modificar o ambiente a seus próprios propósitos, um novo ambiente se construiu: o espiritual.

    Negar isto é negar a própria natureza, e negar a própria natureza é negar ao próprio corpo. Através destas negativas, qualquer coisa pode surgir. No entanto, a principal questão é: estas coisas são verdadeiras? Se forem, certamente fará com que vós produzais melhor que qualquer outro que não está sobre esta verdade, e tomarás o lugar daqueles que produzem na sociedade. No entanto, o que eu acredito é que esta negativa não é verdadeira. Se insistires a continuar negando teu próprio corpo, passarás tua vida lutando, tentando destruir preconceitos, mas no final das contas aqueles que aceitam sua natureza produzem mais, e por produzir mais, dominam a sociedade de modo a perpetuar a sua própria cultura. Sim, eu sei que te sentes fraco neste momento, no entanto, lembra-te somente disto: o Espírito Santo fortalece ao fraco que nEle habita. Buscai aprender sobre a palavra, te santifica no corpo de Cristo e então terás algo maravilhoso para oferecer a este mundo.

domingo, 29 de julho de 2018

Algumas mensagens sobre Cristo, parte 7

--- Creio que um cristão, para levar a palavra de Cristo, não precisa invocar nenhum sentimento que aqueles referenciados pelos frutos do espírito, tanto nele quanto em quem ele envia sua mensagem. A única exceção, no entanto, é para aquele que usa a palavra para fazer coisa ruim. Neste caso, pode o cristão invocar sentimentos ligados a reprovação, uma vez que aquele que se fundamenta na palavra para fazer aquilo que é ruim prejudica não somente a si mesmo, mas sim todo o corpo de Cristo.

--- Cristianismo trata-se de elevar o coração das pessoas à Cristo. Lança-se as sementes e espera-se que o espírito santo as faça brotar, retirando o coração de pedra e colocando o coração de carne. Uma vez transformada, cabe ao cristão elevar seu coração, dia após dia, ao patamar de Cristo, de modo que os frutos do espírito lhe sejam constantes. Se um coração for raivoso, direcione-o a raiva correta, as obras do inimigo. Se um coração for ambicioso, direcione-o a ambição correta, servir ao reino de Deus. Se um coração desejar poder, direcione-o ao poder correto, o de curar, fazer milagres e libertar as pessoas da prisão do pecado. Se o coração for sonhador, mostre que o maior sonho é o reino de Deus. Não há posição que a luz da verdade e no tempo de Deus não possa ser direcionada a Cristo.

--- Há quem construa conceitos no cristianismo para retratar o agir de Deus. De fato, isto não é de todo mal, pois conceitos específicos atingem públicos específicos. Mal é, no entanto, esquecermos que Deus é maior que qualquer conceito e que o espírito santo é livre para agir segundo a graça de Deus. Como, no entanto, pode o cristão confiar em tamanha liberdade? Acaso se pode advogar que no cristianismo tudo é livre?

Quem assim o faz se esquece que Cristo também é a palavra. Assim sendo, a todo aquele que aceita que Cristo renasceu dos mortos para ser seu senhor e salvador recebe o espírito santo dentro de si, mas assim só o faz porque conheceu a palavra, que é a verdade. De fato, o que convence o homem a trocar seu coração de pedra por um coração de carne não é nenhum conceito, mas a própria atuação do espírito santo que age através do ouvir a palavra de Deus.

Portanto, da mesma forma deve ser todo trabalho de convencimento cristão: através da proferição da palavra e da oração para que o espírito santo trabalhe da maneira como deseja nosso coração. No entanto, nos submetamos com a confiança naquele que se sacrificou por nós à sabedoria do altíssimo quando o desejo do nosso coração não é alcançado, para que ele trabalhe em nós nos dando sabedoria para que direcionemos corretamente nosso coração. Certamente isto nos alinhará a Cristo, pois ele se torna nossa verdadeira natureza no exato momento que o aceitamos como nosso senhor e salvador.

Algumas mensagens sobre Cristo - parte 6