quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Modelo e atuação: ser humano e o ajuste de detalhes.



    Na discussão sobre a modelagem da realidade, quanto mais preciso o modelo, mais complexo é de torná-lo ainda mais preciso, de forma que a certo ponto este custo explode exponencialmente. Ainda mais: prever exatamente tudo o que irá acontecer é impossível, pois para tanto seria preciso compreender todo o universo. Isto nos leva a fatídica conclusão de que, independente do modelo, ao aplicá-lo na realidade, haverá imprecisões. Estas imprecisões são previstas e calculadas de modo a se tornarem insignificantes em processos mecânicos, como indústrias. Um acidente, seja lá por qual motivo for, se torna um interessante caso de estudo para os especialistas e gera aperfeiçoamentos na modelagem para que não ocorra novamente. Entretanto, na modelagem de comportamentos humanos, a coisa se torna um tanto mais complexa.

    Isto porque cada humano é por si só único. Desta forma, só ai, imaginar um modelo capaz de prever o comportamento de algumas centenas de humano já se torna complexo o suficiente para explodir se quisermos alguma razoável capacidade de prever o futuro. Portanto, isto seria o suficiente para assumir que qualquer tipo de modelagem humana tende a ser um desperdício de tempo se não fosse pelo fato de que cada ser humano é capaz de se adaptar às suas circunstancias, de acordo com o que ele acredita. É justamente este último fato que torna não somente possível, mas objeto de estudo de vários pensadores, a modelagem do comportamento humano. Porém, percebam esta curiosa colocação que eu utilizei para explicar o mecanismo que viabiliza a modelagem do ser humano, “acreditar”.

     Antes de explicar esta colocação, faremos uma breve reflexão sobre algumas considerações sobre o desenvolvimento de modelos num contexto humano. Um modelo preciso demais implica em bons resultados, mas também num gasto maior. Na realidade humana, este gasto é de tempo para a adaptação das pessoas ao modelo ou de recursos para transmitir a informação e verificar se ela foi bem executada. De modo que, embora os resultados sejam altos, o gasto para mantê-lo também o é, visto que seres humanos sempre se renovam através das gerações.    Por outro lado, um modelo simples demais tem um baixo custo de execução, mas pode se tornar bastante instável devido à variação abrupta de resultados. Ainda, devemos lembrar que variação de resultados abruptos numa realidade humana pode ser o suficiente para causar revoltas, mortes ou mesmo revoluções.

    Deste modo, fica fácil perceber o processo de calibragem que todo modelo de comportamento humano passa. Por um lado, é preciso que o modelo seja simples o suficiente para que as pessoas consigam compreendê-lo e executá-lo, e que o custo de fazer as pessoas entender ele seja baixo, por outro, é preciso um modelo que seja preciso o suficiente para que a variação de resultados seja precisa o suficiente de modo a não estressar a sociedade ao ponto de interromper o seu processo de continuidade. Portanto, coube aqui a palavra “acreditar”, pois quanto mais uma população acredita no modelo social ao qual ela é submetida, maior é a sua capacidade de suportar o estresse, se adaptar e esperar que uma nova onda de resultados venha de modo a permitir a continuidade da sociedade.

    Manter, contudo, a credulidade de um sistema não é uma tarefa simples, tão pouco determinística. Em outras palavras, não é possível desenvolver um modelo para modelar como fazer um modelo ter um alto índice de credulidade. Isto porque, uma vez que um modelo de fazer a população acreditar em determinado modelo seja desacreditado, devido ao continuo fracasso dos modelos em questão, o modelo também perde sua credibilidade e eficácia. Isto, em tempos de globalização, em que informações de diversos modelos sociais são comparadas e verificadas a cada instante, é um processo que se torna muito veloz.

    É interessante perceber que a falta de credulidade de um modelo, inclusive, é um fator que aumenta em muito a instabilidade do modelo. Por exemplo: se a pessoa não  acredita naquele modelo, o que fará ela ter o esforço de fazer o que for preciso para tornar sua realidade, o que aquele modelo prevê de modo a fazê-lo funcionar bem? Ela simplesmente vai ignorá-lo, reorganizar sua realidade como bem querer, o que irá influenciar também a organização da realidade das pessoas próximas a ela. O resultado desta influência, que pode ser desarmônica ou não com o modelo de um modo geral, pode ser uma incógnita. Mas a probabilidade de um comportamento desenvolvimento sem pensar no modelo total ser harmônico com o modelo é bastante baixa, o que, de modo geral, vai gerar ainda mais instabilidade no modelo.

    O contrário também é válido: uma pessoa que, ao perceber que ela pode fazer um pouco mais para reorganizar sua realidade de modo a alinhar-se com o modelo, influenciará positivamente com os resultados que o modelo prevê para a sociedade. Além disto, ela pode contribuir para que outras pessoas entendam e encontrem maneiras para se adequar ao modelo. Aqui, ainda, cabe invocar a responsabilidade que cada cidadão assume ao pertencer a um determinado modelo social. Ele pode, ou não, atender a essa responsabilidade, mas ai é uma escolha dele e é dele as consequências para os resultados. Afinal, se ele não contribui positivamente para o modelo, ele está contribuindo para sua possível degeneração.

    Existem ainda muitas outras situações decorrentes dos processos de adaptação, de transição entre as gerações, de renovação de um modelo social, da tentativa de se manter certo modelo artificialmente por determinados setores sociais e saturação, mas isto será deixado para uma próxima oportunidade. Para concluir, percebam o quão importante é a noção de credulidade no desenvolvimento de um modelo social. Este efeito emerge principalmente através da capacidade das pessoas de sentir sua cultura e formatá-la de modo simples e preciso, de modo a permitir sua reprodução e sobrevivência através das gerações, além, como todo modelo, seu aperfeiçoamento e calibragem.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Observações sobre sistemas hierárquicos e sobre a geração de riqueza na política


     Existem muitas formas de um grupo se organizar, cada uma delas tendo seus prós e contras. Uma destas formas é através de um sistema hierárquico. Uma característica interessante do sistema hierárquico é a capacidade que uma ordem tem de se propagar para o topo até a base, e o contrário não acontece. Vamos comentar um pouco sobre a segunda parte desta afirmação: assumi-se que tem está no topo tem mais experiência, o que, em um sistema vivo que age constantemente com as variações da realidade, é bastante precioso. A base fica responsável por aprender com o topo e, quem sabe, inovar com muita dificuldade. Sistemas hierárquicos tem pouca capacidade de renovação já que a experiência e continuidade são requisitos mais importantes, e pra uma coisa funcionar, ela tem que se mostrar funcional na prática muitas vezes.

     Voltando a primeira parte: a capacidade da ordem se propagar do topo para a base é possibilitada pelo interesse do sistema hierárquico inteiro de executar tal ordem. Por algum motivo, a pessoa do topo decide dar a ordem, pois é do interesse dela executá-lo. Quem está logo abaixo também tem o interesse de executá-lo, seja por motivos semelhantes de quem solicitou, seja por vontade dar continuidade a sua boa posição no sistema hierárquico. Afinal, quanto melhor for o resultado, mais o topo vai recompensar o nível imediatamente abaixo. Este nível imediatamente abaixo fica responsável por, também, fiscalizar a ação de quem estiver mais embaixo, de modo a se certificar de que a ordem foi executada corretamente. Assim se segue, até a ordem chegar ao seu executor final.

    Notemos algumas características interessantes deste sistema: todos aqueles que reproduzem a ordem tem sua credibilidade. Isto porque, uma ordem pode ser boa ou ruim, de interesse geral ou de interesse pessoal. Quanto pior e de interesse pessoal for uma ordem, menos interesse haverá de executá-la por parte de quem recebe a ordem. Portanto, se existir um sistema hierárquico mal estruturado, ou com pessoas que estruturam agindo sem propósito ou por interesses pessoas, a pessoa que estiver embaixo terá menos interesse em executar a ordem. Esta é uma forma interessante de analisar esta estrutura.

    Sistemas hierárquicos são ótimos em situações que o tempo é um fator extremamente importante, guerras, por exemplo. É perceptível que não existe, neste sistema, a intenção de questionar o teor da ordem, e isto economiza bastante tempo. Também, quanto mais interesse do sistema inteiro que ele continue, maior será o interesse de executar a ordem. Por exemplo: numa guerra, quanto o general quanto o soldado querem vencer. Sendo assim, todos vão se esforçar o máximo, por menor que seja a ordem. Ao contrário: uma empresa cujo a base operaria não está nem ai para a continuidade ou não da empresa, fará a ordem apenas para não perder seu emprego, de modo preguiçoso ou mesmo enganador.

    Em empresas, utiliza-se um sistema de recompensa para adicionar um interesse a mais em seus níveis de propagar a ordem de maneira rápida e correta e fiscalizá-la. De modo que, quem está no topo tem tudo, e passa uma grande recompensa para a parte seguinte, que pega parte dessa recompensa e transmite o resto pra baixo, assim por diante, de modo que quem está embaixo só recebe a recompensa depois da fiscalização e correta execução da ordem. Contudo, isto deve ser feito de modo equilibrado: a quantidade de recompensa dada ao nível de baixo não deve ser tão grande a ponto de desestabilizar sua posição. Afinal, quanto mais se ganha, maior é o desejo das pessoas de ocupar aquele lugar e cometer fraudes para prejudicar quem está imediatamente acima.

    Também, é preciso levar em consideração o conflito entre os níveis: se um nível superiro ganha muito e quer muito que uma ordem seja executada, e um nível anterior ganha pouco e tem pouco interesse de executar uma ordem, é possível notar um conflito se configurando. Afinal, quem ganha muito irá fiscalizar de modo rude quem está embaixo, ou mesmo ameaçar, de modo a criar um sentimento de instabilidade que fará com que a base veja a parte de cima como inimiga. Do contrário, se a parte de cima receber uma recompensa muito próxima a quem estiver embaixo, a vontade de fiscalizar a ordem será proporcional à vontade de quem está embaixo de não executá-la, de modo que a ordem não será corretamente executada.

     Notemos uma característica fundamentalmente interessante que diferença um sistema hierárquico natural de um sistema hierárquico artificial: no segundo, foi preciso estabelecer um sistema de recompensa de difícil calibragem. Já no primeiro, existe um genuíno interesse de que o sistema funcione e continue. Percebam que este interesse agrega uma riqueza ao sistema que o sistema de recompensa tenta reproduzir com muita dificuldade. Este interesse e esta riqueza são valores que não podem ser reproduzidos artificialmente somente através da vontade de uma única pessoa ganhar. Pode sim ser reproduzido através de mentiras, mas descoberta a mentira, o sistema caí completamente.

    Esta é uma noção interessante pra ser percebida sobre a geração de riqueza: cada pessoa que acredita no que faz e sendo esse crédulo a recompensa, gera uma riqueza inimaginável para o sistema para o qual ela contribui. Esta é uma importante característica a ser verificada em muitos tipos de organização, como política por exemplo. Organizar um conjunto de pessoas de modo que elas acreditem ter um futuro melhor, e criar nelas a vontade de lutar por isso, é uma característica que somente a política pode fazer. Fazer muito com pouco, isto é algo que somente aquele que acredita no que faz consegue fazer.

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Ideologia do fracasso

"Ideologia do fracasso": o fracasso existe por causa do sucesso, sendo o sucesso objeto desejado por aqueles que lutam para obtê-lo. Contudo, para que um tenha sucesso, outro deve fracassar. Quem tem sucesso quer que seus filhos também tenham sucesso, quem fracassa quer que seus filhos não sigam o mesmo destino. Mas, na luta de fracassado contra sucedido, sendo travada indiretamente por seus filhos, quem vai vencer, novamente? Na maioria dos casos o próprio fracassado. Quando repetimos esse comportamento por repetidas gerações, de modo que a vida dos fracassados se torne um martírio, o que esperar dessas pessoas senão que elas se agarrarem e desejem, inclusive, dar sua própria vida em defesa de algo? Ainda mais, pedem que a "ideologia do fracasso" seja combatida com violência: matar os fracassados e só deixar os bem-sucedidos vivos. Mas quem alimenta o sucesso senão o fracasso? É destino de todos os que sobreviveram travar outra guerra enquanto "ser bem sucedido" for o principal valor a ser defendido pelas classes dominantes no mundo.

Ainda mais, quando existe alguma sensibilização por parte dos "jovens sucedidos", alguns que de alguma forma sentiram o fracasso, os país enxergam como fruto de doutrinação e impedem que os jovens se aproxime daquilo que mais se aproxime de alguma esperança que se conhece por meio da violência e demonização. Este movimento de violência e ignorância é adotado e demonização é aceito por jovens "sucedidos" que desejam manter o "sucesso" no seu futuro, assim como por alguns dos jovens "fracassados" que acreditam que são os fracassados iguais a eles que os impede de serem bem sucedidos, mesmo que para isso seja necessário matar alguns "fracassados"

https://www.facebook.com/midiaNINJA/videos/668668249957990/.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Reflexão sobre a evolução e alguns dos seus mecanismos sociais aliados com perspectiva cristã


http://br.rfi.fr/franca/20161102-franca-enfrenta-crescimento-da-pobrefobia

"Evolução não é um processo simples: se evolui através daquilo que se acredita, seja através do sofrimento ou através da ajuda de quem está a frente em determinado aspecto da evolução. Contudo, em todo ser que é vivo existe uma força animal inerente à sua existência que chamamos de violência. Uma vez que tratamos outro ser vivo com violência, damos a ele o direito e o desejo de responder com violência ao nosso tratamento. Assim, inserimo-nos num cabo de guerra, aonde vai ganhar aquele que tem mais coragem de utilizar seus recursos para a obtenção daquilo que acredita. Dentre estes recursos, encontra-se aquele que é valioso a todo ser vivo, que é sua própria vida."

Existe uma enorme vontade de todos aqueles que fazem parte do movimento de esquerda em combater a pobreza, mas me pergunto se apenas a distribuição de renda é suficiente e necessária para tanto. Afinal, como desenvolver um método de distribuição de renda eficiente sem que se distribua, além da riqueza, também a experiência e a cultura daqueles que produzem? Sem contar que a pobreza não é problema somente no Brasil. Este é um problema mundial que determina, inclusive, a relação entre países. Não me parece um problema simples a distribuição de riqueza mundial, de modo que a riqueza distribuída seja aplicada eficientemente por quem a recebe.

De outro modo, também não acredito que seja simples a regulamentação da acumulação de riquezas de modo a deixar todos satisfeitos, até mesmo devido à preguiça e a condição de mentir que todo ser humano pode apresenta. Assim, como resolver este desejo de combate a pobreza sem a necessidade de distribuição de renda? Ora, parece-me que a dois mil anos atrás Jesus já havia chegado a esta resposta, que é o perdão.

Falando em outras palavras: o que é ser pobre senão não ter condições para atuar na sociedade e ter condições mínimas e dignas de vida? E como se chega a um estado de pobreza, senão através de um processo histórico regado a erros, seja erros de si mesmo e da própria família ou erros de terceiros? Assim chega-se a conclusão de que não é um mecanismo de distribuição de riqueza que precisamos, mas sim um mecanismo de recuperação social.

Contudo, acredito poder afirmar, até mesmo pelo sacrifício de Jesus na cruz, que não existe nenhum método mecânico para a recuperação dos seres humanos que não o interesse dos próprios seres humanos em assim fazê-lo. Podemos sim, organizar uma estrutura mecânica para viabilizar o desejo daqueles que desejam a recuperação, mas sem o desejo humano de recuperar, seja a si mesmo quanto a o próximo, estamos condenados eternamente à nossos próprios erros, sendo esta a a verdadeira origem de toda a pobreza. Há, ainda, de salientar que esse mecanismo deve ser social, não religioso, sendo este mais um desafio a criar para sua criação. Afinal, existem muitos modelos de fé no mundo, e cada região acaba desenvolvendo suas próprias especificidades.

Não é razoável admitir que eles larguem sua cultura em pró de outra, mas sim que se abram para aprender e se desenvolver. Esta é a principal diferença entre impor, modelo que rotineiramente costuma ser utilizado por sistemas religiosos, e negociar. Estamos lidando com seres vivos, detentores de corpo e de cultura: pedir que eles se livrem disto é pedir que eles joguem em fora tudo de bom que eles lutaram para desenvolver. Nós temos a aprender com eles quanto eles a aprender conosco, portanto, negociar é a palavra. Negociar de modo que a sociedade e a vida, não um sistema religioso ou político específico, saia vitorioso.

http://oglobo.globo.com/sociedade/papa-pede-aos-jovens-que-se-rebelem-questionem-que-estiver-errado-19803943

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Níveis de degeneração social e a renovação social

Olá amigos. Faz muito tempo que eu não escrevo para este blog. Meus projetos têm sido completamente absorvidos pelo Devir Social e pela Coletânea Evolutiva. Contudo, hoje pensei em uma coisa interessante como resolução de alguns conflitos que estou tendo e achei por bem escrevê-los. Contudo, antes de prosseguir, é preciso que o leitor saiba que todo o conteúdo que se segue se baseara na minha filosofia sobre sexualidade, na qual eu separo a tendência sexual em duas grandes forças: a biológica e a cultural, e atribuo ao sexo a função de reprodução, quanto biológica como cultural também. Vamos ao texto.

Ultimamente é possível perceber um grande clima de desanimo e desesperança na nossa sociedade, acompanho por um comportamento que as igrejas julgam “pecaminosos”. O pecado, na interpretação da filosofia citada anteriormente, é o caminho que leva a morte. Morrer não é de todo ruim: faz parte da vida, mas há alguns indícios que demonstram que a sociedade precisa se renovar para que a vida poda surgir novamente. São esses os níveis de degeneração social.

A minha filosofia da sexualidade veio através de uma interpretação da evolução. Portanto, uma sociedade degenerada é aquela que não consegue produzir evolução. Evoluir é um comportamento complexo, pois para tanto é preciso que haja mutação e seleção. O medo de mudar ou a incapacidade de escolher o que é bom ou o que é ruim demonstram o quão difícil é evoluir para qualquer ser humano. Isto nos leva, pouco a pouco, a uma sociedade degenerada, em que a degradação ocorrida devido ao tempo que ocorre nela é maior que sua capacidade de recuperação.

Vejamos um dos primeiros níveis: a dificuldade de reprodução. Pessoas com vinte anos já estão aptas a iniciar sua vida sexual, e por consequência começam sua busca por um parceiro. A dificuldade de reprodução pode ocorrer por motivos econômicos ou culturais. Existem ritos de reprodução, que são simbologias que servem tanto para movimentar a economia quanto dar senso de progressão a um relacionamento e marcar o ganho de confiabilidade do casal. Porém, quando a situação economia tá feia, estes ritos começam a se tornar falsos e parte da população começa a desprezá-los. Por fim, eles perdem seu significado cultural, e a reprodução passa a ser feita de qualquer forma.

A dificuldade economia também prejudica o casal a iniciar uma vida em sua própria casa, e isto implica em constantes brigas e num difícil inicio de relacionamento. É preciso ter uma cultura que se adapte a isto, pois um modelo de cultura em que os pais sempre acabem sem nenhum filho consigo não é sustentável, pois junto aos pais também há a casa deles, que ocupa um espaço geográfico que não deve ser desconsiderado. Este é o primeiro nível de degeneração cultural.

Em seguida, podemos começar a observar comportamentos que andem direcionados à violência e a morte. Pessoas aceitando que o ser humano é ruim e que para viver é preciso fazer o mal, é um forte indicio de que a sociedade precisa se renovar. Neste ponto, os relacionamentos tendem a ficar ainda mais caóticos, em que os casais sequer conseguem se respeitar a ponto de passar a experiência pros filhos, e a cultura se desestabiliza. Como os filhos ficam sem noção de progressão cultural, a parte central da sexualidade humana começa a se perder e a tentar buscar formas de dar sentido a vida. É quando os comportamentos de exploração reprodutiva começam a se configurar.

Homossexualismo, casamentos abertos, adoção, repulsão pela reprodução, são comportamentos que, ao invés de se tornarem exceção no sistema reprodutivo, tornam-se comuns. A desvalorização da figura humana começa a se tornar fortíssima, bem como os comportamentos de resgate da figura humana, mas através da violência. A economia neste ponto também anda caótica, pois a corrupção impera graças ao imediatismo trazido pela falta de marcadores de evolução. Basicamente, acredita-se que beleza e dinheiro mandam em tudo e ninguém tem fé o suficiente pra iniciar uma inovação que realmente melhore a vida das pessoas. Só perpetuam o já existente. Quando a corrupção atinge a níveis alarmantes, já é possível chamar isto de terceiro nível de degeneração.

Enfim, pior que isso não fica. Ou há guerra ou há inovação. E em ambos os casos, a economia melhora, e a maturidade trazida pelos comportamentos de exploração social daqueles que cresceram sem figura paterna e materna definidas acabam por voltar a regular a sociedade. É possível cogitar que isto já aconteceu inúmeras vezes na nossa sociedade pelos registros históricos trazidos através dos livros sagrados, como a bíblia, por exemplo. Enfim, esta postagem só foi mesmo para deixar a ideia registrada e trazer um pouco de reflexão a quem ler. Um abraço a todos e até a próxima.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Se rouba é por escolha: nada tem haver com oportunidades

Um pensamento comum é o de que quando uma pessoa comete um crime, ela o faz por escolha. Nada tem haver com o ambiente externo: é dela a escolha de ser bom ou mal. Ainda mais, há pessoas que usam a si próprias, ou conhecidos, como exemplo de histórias de pessoas que passaram dificuldades e tiveram até a chance de ir pra criminalidade, mas não o fizeram e conseguiram uma forma de manter seu sustento honesto.

O Devir Social gostaria de atacar a fundamentação desse pensamento para descobrir se ele é realmente válido ou apenas uma forma das pessoas fugirem da responsabilidade social que é inerente a todos nós, de cuidarmos do que é nosso e proporcionar uma vida melhor ao próximo.

Vejamos a seguinte linha de raciocínio: uma pessoa que diz que cometer ou não um crime é escolha própria alega fundamentalmente que fazer ou não a coisa errada também o é, já que cometer crime é algo errado. Ora, então ele está dizendo que nunca fez nada que sabia ser errado.

Se este for o caso, ela é um exemplo muito raro de pessoa: basicamente ela está dizendo que sempre teve sabedoria para manter todos os aspectos conhecidos da vida dele sobre controle, inclusive seus familiares. Afinal, ela nunca precisou mentir, nunca foi rude ou ignorante, nunca traiu a confiança de alguém, isto porque estamos usando uma visão simplista e determinística sobre o erro.

Porém, é interessante analisarmos a hipótese dela ter cometido algo que sabia que era errado, mesmo que esse erro não seja tão grave a ponto de ser punido pelo código penal. Já para iniciar já podemos considerá-la mentirosa, por ter dito que nunca errou sabendo que era errado, e semelhante ao criminoso, pois ambos erraram, só que o erro de um foi grave enquanto que o do outro não.

Contudo, o interessante a se observar é a justificativa que ela pode usar ao ter cometido tal erro: se ela disser que o cometeu somente porque escolheu, ela está afirmando que errar ou não é uma característica intrinsecamente individual. Isto o faz entrar em contradição novamente, pois por que ela reclamaria ou mostraria exemplos de quem acerta a quem erra se aquela pessoa está destinada a errar de todo jeito? Afinal, errar ou não é uma característica individual e nada externo irá afetar o resultado. A melhor coisa a se fazer neste caso seria simplesmente aceitar e aplicar as punições cabíveis, qualquer outra coisa seria perca de tempo.

Caso contrário, se o ambiente tiver levado ele a errar mesmo sabendo que era errado, então existe sim fatores externos que influenciaram no erro. Deste modo, alguém ter cometido um erro pode ter sido sim parte da característica individual dela, mas existem fatores ambientais que colaboram para a manifestação ou não destes fatores e cabe a nós fazer o melhor que podemos fazer para que melhorar o ambiente ao nosso redor, diminuindo as chances de tais manifestações acontecerem. Deste modo, concluímos que a afirmação primária dela é falsa: cometer ou não um crime não é somente uma escolha.

Sendo falsa ou não a frase a cima, o Devir Social considera que sua enunciação é algo desnecessário. Se a pessoa acredita que a frase é verdadeira, não tem pra que anunciá-la e ficar dando exemplos. Caso seja falso, a pessoa está cometendo um erro ao ficar discursando ele e também não está fazendo nada para melhorar a sociedade além de falar, e inclusive está desencorajando a quem deseja tentar quando usa os exemplos como forma de recriminação e segregação ao invés de inspiração.

Entender o porquê alguém cometeu algum crime não é uma coisa simples. Uma frase simples e generalista normalmente tende a estar errada, principalmente quando aplicada sobre seres humanos. Se, ainda, levássemos em consideração a relativização do erro, entraríamos num campo ainda mais complicado de analise cultural, pois o que é errado para uns pode ser certo para outros dependendo do contexto. Nestes casos o diálogo e negociação é mais que necessário para a prevenção ou reparo dos erros: é essencial.

Com esta análise o Devir Social espera ter contribuído com a discussão sobre o que é ser humano e com nossa responsabilidade com o ambiente que vivemos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Realidade, continuidade e metalinguagem.

Há muito venho desenvolvendo pensamentos para entender o que significa a verdade, a realidade, e como estes conceitos podem nos ajudar a sermos melhores humanos. Concluo, durante todo este processo, que a única coisa que podemos fazer enquanto seres humanos perto da infinidade da realidade é acreditar em nós mesmos enquanto seres vivos e conscientes da nossa existência. Mais que isso é pedir demais, pois é requerer que ultrapassemos as barreiras naturais que a existência nos impõe, como as distâncias espaciais e temporais. Porém, ferramentas interessantes foram desenvolvidas ao longo do caminho. Pretendo compartilhá-las neste texto.

O que o ser humano é senão um explorador da realidade? Cada um de nós é responsável por testar as possibilidades que nos parecem mais promissoras durante nosso tempo de vida, para assim fazer descobertas e contribuir com a evolução. Entretanto, estas descobertas estão na realidade e é nosso do nosso interesse organizá-la para tornar mais fácil seu entendimento e compartilhamento. Disto nasce a linguagem, e dela vem as construções, como a ciência, para explicar a realidade.

Porém, problemas surpreendentes começam a surgir quando tentamos explicar tais construções apenas com linguagem ou quando tentamos estudar a própria linguagem isoladamente. Isto demonstra que não há formas de conter a realidade dentro da linguagem, pois sempre precisamos da realidade para que a linguagem tenha sentido. Este fato nos leva a pensar sobre o processo de continuidade, pois a linguagem é algo combinado entre as partes comunicantes e só encontra sentido através deste acordo construído através do tempo e de modo a fazer a evolução se tornar possível.

Digo isto para refletir sobre o seguinte fato: o que nos impede de desenvolver a linguagem indefinidamente? Quando, por exemplo, um cientista preguiçoso desenvolve um artigo que foge completamente da nossa realidade, e mesmo que este artigo seja aprovado, o que faz com que esta nova linguagem desenvolvida por ele para explicar um fato novo da realidade não seja disseminado? Ora, a sua falta de contribuição da realidade. Talvez o mesmo fato seja explorado de forma melhor através de outros recursos linguísticos, que torne mais fácil seu entendimento e utilização.

Porém, não são raros os casos que o desenvolvimento de uma nova linguagem se tornou útil para a exploração de uma nova área da realidade, e estes recursos linguísticos acabam ganhando nomes tão usados que se tornam naturais aos nossos ouvidos e aos nossos instintos: parece que eles e a realidade se combinam em uma coisa só. Dito isto, podemos concluir também que é importante investigarmos se uma linha de pensamento que nos conduz diante a desconhecida realidade é realmente importante ou se ela está distante demais do que realmente é útil observar para a evolução. Em alguns casos, apenas a prática pode responder a esta pergunta.

O processo de continuidade também nos leva a refletir sobre a evolução da própria linguagem. Ela começa como algo que explica apenas ações simples, e a concatenação destas ações simples em novas palavras, pouco a pouco, vão sofisticando a linguagem, bem como a população a ela associada. A linguagem, além de precisar de seu dicionário, também precisa de seu meio tecnológico para existir. Isto é claramente evidenciado na matemática quando duas áreas diferentes da matemática conseguem fazer a mesma coisa, porém com eficiências diferentes, justamente por serem construções diferentes. A este evento chamamos de homomorfismo.

O dicionário e seus significados só são valorados através da utilização. Mas em algum momento, a utilização se misturará com a continuidade, pois chegaremos naquele conjunto de palavras básicas que são diretamente ligadas a ações. Se esta continuidade for perdida, todo o significado do dicionário também o será. Podemos chamar isto de núcleo da linguagem, pois a partir dele podemos reconstruir a utilização do dicionário. Podemos também associar um grau de precisão ou eficiência à linguagem para determinada área, pois é natural imaginar que uma linguagem que deseja descrever um evento na sua área de núcleo tenha maior precisão ou eficiência que uma que está distante deste núcleo.

Determinar o grau de precisão ou eficiência de uma linguagem é um trabalho complicado, mas bastante estudado na computação. Lá, eles utilizam o que chamam de “benchmark”, que são códigos ou pseudocódigos com o objetivo de avaliar um núcleo de linguagem em relação aos demais. Trazendo este evento para o nosso contexto, podemos chamar isto de “aferidores de atuação”, e o que se testa é a capacidade de cada linguagem de comunicar um aferidor da forma mais eficiente ou precisa possível, como desejar. Um aferidor é algo imaterial, como uma ação ou um algoritmo, e é definido e avaliado por um ser consciente e sua satisfação em relação a aquela comunicação e o que se pretendia comunicar.

Falamos anterior sobre ser consciente e área de núcleo. Numa nomenclatura mais precisa, o ser consciente evolutivo é aonde a linguagem efetua sua função de evolução, existência e continuidade. Área de núcleo é aonde aquela linguagem comunica mais diretamente as coisas imateriais, e áreas de atuação, por sua vez, são quaisquer partes da realidade capazes de ser comunicáveis. Portanto, cada aferidor pode ser categorizado em uma área de atuação, e então as linguagens com diferentes núcleos de comunicação podem ser testadas, inclusive áreas cujo núcleo pertence à área de atuação daquele aferidor.

É interessante notar que quanto mais precisa e eficiente for uma linguagem, mais trabalhosa vai ser pra ela atingir um processo de continuidade. É fácil mostrar o que é andar, por exemplo, porém mais complicado é mostrar o que é dançar. Mais ainda, para diferentes “escolas” de dança, esta palavra pode ser associada a um conjunto de ações diferente. Portanto, busca-se definir um significado geral para esta palavra, a fim de torná-la verdadeira para um maior número de situações, e então especificar de qual “escola” de dança se está falando com mais palavras. Isto é uma prática bastante comum de ser feita já que torna a linguagem mais satisfatória em sua comunicação.

Mais ainda, certos ritmos de dança são difíceis de serem descritos utilizados apenas com palavras. Vídeo se mostra um artefato tecnológico mais preciso para criar um dicionário sobre danças. Em alguns casos, é possível que uma dança comece de um jeito, e após um período de tempo se torne outra coisa, embora sua definição seja a mesma, graças à incapacidade da linguagem de capturar completamente a realidade. Mas isto é algo inerente a evolução. Como diz uma velha frase “nunca pisamos duas vezes no mesmo rio”.

Nos parágrafos acima eu fiz uma descrição satisfatória da metalinguagem. E, embora eu tenha falado no começo do texto que é difícil utilizar a própria linguagem para falar da linguagem, neste texto eu não utilizei a linguagem propriamente dita para falar sobre a linguagem, mas sim o núcleo da linguagem humana para falar da linguagem humana. Isso significa que só será capaz de entender este texto quem tenha consciência, no mínimo, do núcleo da linguagem humana, algo que só pode ser ensinado de humanos para humanos. Utilizei-me também do processo de continuação para fazer as definições acima, e assim expandi um pouco mais o que eu sinto ser o núcleo de linguagem humana, ou pelo menos a linguagem que eu poderei usar futuramente comigo mesmo.

Definimos neste texto metalinguagem e algumas de suas características, que foram as seguintes: núcleo de linguagem, tecnologia associada, utilização, processo de continuação, aferidores de atuação, precisão, eficiência, seres conscientes e áreas de atuação. Podem ou não haver mais fatores envolvidos com a metalinguagem, e a forma como eu expressei aqui esses conceitos fazem parte do que eu sinto que é a metalinguagem. Uma pessoa que sinta esta mesma área de atuação de forma diferente poderá descrevê-la diferente. O que importa para mim, atualmente, é satisfazer-me em esfera pessoal quanto a estas definições, já que estes conceitos ainda não tem utilidade na esfera pública. Quando houver necessidade, certamente as pessoas vão encontrar a melhor maneira de defini-los de acordo com a área que eles podem ser utilizados.

Enfim, aqui finalizo o texto. Sinto que posso explorar mais o conceito de área de atuação, seu tamanho e sua relação com a precisão e a eficiência, mas deixarei isto para uma próxima vez que eu revisar este texto. Abraço a todos.