Seguir leis sem saber o porquê de sua existência ou significado é uma ignorância que pode levar a burrice ou perda de pontos estratégicos. Por isso, sigo apenas as minhas próprias regras. Por: Leandro Moura
terça-feira, 5 de janeiro de 2021
Efeitos da adoração
Neste momento, quando o ser humano consegue sair de si em um processo de relacionamento com alguma outra coisa ou alguém, é quando deparamo-nos com um verdadeiro processo de relação. Afinal, aquele algo com o qual ele está se relacionando está trazendo informações novas para ele, as quais ele deve estar atento e responder corretamente, para então alcançar algo desejado.
Deus criou o ser humano para relacionar-se com ele. A cada dia Deus descia ao Éden para ter relação com o ser humano. Para Deus, esta relação significa amor. Para o homem, além de amor, também era um amadurecimento cada vez mais profundo em toda sabedoria que Deus tinha a dar. Afinal, Deus sempre tem coisas novas a ensinar. Um degrau por dia, assim desejava Deus para que o ser humano reinasse em paz no Éden.
Mas o pecado do humano foi não querer relacionar-se. Pelo contrário, quis fazer tudo por sua própria conta, através de fórmulas milagrosas oferecidas pela serpente, rápido e fácil. Descobriu, no entanto, que aquilo que desejara não é o que traria felicidade. Reinou sobre um mundo caído, mas sem a capacidade de relacionar-se com Deus. Uma vida vazia em que os desejos descontrolados os faziam pecar. Reis e sacerdotes, todos corruptos. Os profetas, mortos.
Chegou então o cordeiro, o leão, que verdadeiramente se relacionou com Deus, pois era Deus, para então nos dar acesso a este relacionamento com Deus através do auxílio do seu santo nome e espírito. Hoje vivemos o Éden aqui na terra. Hoje vivemos a oportunidade de nos relacionar um pouco a cada dia, para que não pequemos, mas para que Deus nos ensine algo e demonstre seu amor por nós, através de nós, a todos aqueles que ainda estão perdidos.
Ao não confiar em Deus pecamos, buscando nossa própria solução. Ao confiar em Deus o adoramos e assim todos os nossos sentidos estão focados naquilo que ele tem para nos ensinar através do relacionamento. Hora ele pedirá para que esperemos, hora ele pedirá que avancemos. Tudo suportaremos e realizaremos de acordo com sua graça, que nos trouxe seu próprio filho, Jesus Cristo, para nos ensinar acerca desse amor.
quarta-feira, 25 de novembro de 2020
Resumo: Projeto nacional: o dever da esperança, por Ciro Gomes.

quinta-feira, 5 de novembro de 2020
Impureza e linguagem religiosa e a produção de consenso
Introdução:
Olá a todos. Hoje vou escrever um pouco sobre algumas peculiaridades sobre a forma como eu vejo as linguagens religiosas. Escrevo com um certo cansaço, pois atualmente estou num processo bastante quanto à questão profissional. Estou terminando uma faculdade de tecnologia, mas não consigo me enxergar trabalhando na área, embora eu esteja consigo terminar todas as cadeiras da faculdade. Acredito que isto tenha mais haver com a falta de capacidade de projetar uma identidade. De qualquer forma, creio que o próprio tempo se encarregará de resolver isto, bastando a mim ter equilíbrio suficiente para passar por isto. Portanto, todo este processo me deixa cansado até para escrever sobre minhas ideias referentes a filosofia. Mas, aproveitando um dia desocupado, vamos escrever, ressaltando porém que boa parte da experiência que eu estou usando para produzir estes textos advém do Cristianismo e sua história, porém, acredito que eles são generalizáveis.
Impureza:
Acredito ser possível afirmar que é comum em linguagens religiosas haver a figura do “impuro”. Ou seja: são elementos, práticas, símbolos, objetos, cuja propriedade é tirar a pureza daquilo com o qual eles entram em contato. Pureza neste contexto acaba tendo um valor implícito, pois uma vez que algo é puro significa que todo o seu ser é bom, enquanto que algo impuro significa que embora aquele ser tente demonstrar somente sua bondade, há algo de mal nele. Em outras palavras, em uma sociedade é comum que as pessoas busquem demonstrar sua melhor face, enquanto que a melhor face de alguém pura representa ela toda, e é boa, a melhor face de alguém impura representa apenas parte dela, sendo a outra face, portanto, oculta e má. Assim entende-se o porquê da pureza ser valorizada em algumas culturas e também o porquê de buscar-se não misturar-se com coisas impuras.
Entendido isto, podemos passar então para a análise do impuro. Imaginemos que existe alguma comida que, uma vez que se coma, a pessoa passe mal. Numa dada sociedade onde existe esta comida, não se sabe o porquê ela provoca este mal, só se sabe que ela faz mal. Sabe-se isto através da experimentação. Portanto, é provável que as autoridades religiosas dessa sociedade ou comidade taxará esta comida como impura. No entanto, este exemplo da comida é muito simples, pois a ciência trouxe para nós capacidade o suficiente não somente para entender o motivo desta “impureza” como também para modificá-la, se necessário, fazendo com que aquele alimento que fazia mal deixe de fazer mal. Isto seria uma espécie de processo de purificação caso alguém daquele tempo tivesse descoberto isto por acaso. Contudo, este mesmo princípio observado na comida também pode ser vista em coisas mais complexas, inclusive no comportamento.
Quando a impureza está no plano da matéria, como, por exemplo, este da alimentação, é fácil para a ciência desvendar o porquê isto fazia mal e propor como melhorar. No entanto, é preciso lembrar que a linguagem religiosa muitas vezes é usada para construir a identidade de uma comunidade e, sendo assim, a própria linguagem religiosa é quem determina algumas funções comportamentais. Ora, como então entender o que é impuro para determinada linguagem religiosa se esta impureza está relacionada com o comportamento? Para tanto, é preciso entender o próprio espírito desta comunidade para entender o porquê ela considera determinado comportamento impuro, ou seja, maléficos para os seus membros. Ouso dizer, no entanto, que isto pode ser impossível para o método científico, pois envolve um profundo processo de relacionamento e mesmo de identificação para ser possível.
Por fim, é necessário ressaltar que é possível encontrar este princípio da impureza em toda comunidade humana. Porém, modernamente, este termo entrou em desuso, então as pessoas simplesmente entendem comportamentos impuros como “ruins” ou “não desejáveis”, mas não conseguem construir um pensamento sistemático e objetivo para definir o porquê assim o são. Em outras palavras, a impureza existe na linguagem não dita, no conjunto de comportamentos que as pessoas eticamente sabem que é errado, mas não existe nenhuma sistematização da comunidade para oficializar aquilo como não eticamente desejável. Provavelmente isto ocorre porque se existisse, uma linguagem religiosa começaria a ser produzida e estas comunidades são construídas eticamente já para evitar a linguagem religiosa por traumas do passado. Então eles ficam neste limbo do contraditório.
Linguagem religiosa e a produção de consenso:
Uma comunidade religiosa existe através do consenso. Seus membros concordam com o que a autoridade religiosa diz. Naturalmente, é possível imaginar que em todo consenso possa existir algum grau de dissenso, mas este dissenso nasce da diferença aleatória que cada indivíduo e tem entre si e não é o suficiente para se organizar e ir contra a verdade produzida por aquela linguagem religiosa. Também, a tendência é quanto mais tempo se passe numa comunidade religiosa, maior seja a concordância entre as partes, já que os elementos aleatórios que separam as partes se tornam cada vez menos importantes através do tempo. Esta mesma relação pode ser vista sob o ponto de vista das escrituras.
Uma vez que um documento é escrito, há um processo de acomodação para saber se este documento será ou não aprovado pela comunidade. Isto pode demorar algumas gerações, inclusive. Porém, uma vez aprovado e o consenso assumir este documento como verdadeiro, ele fará parte da identidade da comunidade. Assim, as próximas gerações passaram a conhecê-lo como elemento normalizador da sua linguagem religiosa. Estou falando deste processo pois ele lembra-me bastante uma tecnologia chamada blockchain. Trata-se da principal tecnologia hoje em dia usada para produzir moedas virtuais e consiste de uma série de protocolos de tal modo que, uma vez que uma “verdade”, que neste contexto é uma transição econômica, seja consolidado pela rede blockchain, ou seja, por todos aqueles que colaboram na verificação se uma transição foi verdadeira, então isto nunca mais sairá da rede.
Também é possível que aconteça alguma coisa na realidade daquele grupo que faça com que o dissenso, antes aleatório, torne-se ordenado. Neste caso, provavelmente pode ocorrer uma cisão neste grupo, fazendo existir duas correntes religiosas vindas do mesmo tronco comum. Neste caso, uma das correntes pode descobrir falsa ou simplesmente não suportar o peso da realidade, ou então pode ser que, de fato, dali surjam duas vertentes que podem se reconhecer como irmãs de fé ou podem seguir caminhos durante o tempo. No entanto, é necessário ressaltar que haverá um tronco em comum entre as duas, a menos que uma delas decida abandonar aquela tradição. Neste caso, também estará abandonado parte da sua identidade. O mesmo vale para edição: qualquer alteração no tronco comum também significa uma alteração de identidade. Por isto é tão sério adulterar qualquer texto religioso: ao se fazer isto, está se adulterando o artefato normalizador da linguagem religiosa de um povo.
Encerramento:
Com encerro mais um texto. Hoje eu também estava pensando em escrever sobre a importância da filosofia para a formação do estado. No entanto, acho por bem encerrar esta postagem por aqui, pois estes dois temas têm a ver com religião. Numa próxima postagem abordo essa questão. Também estive pensando em escrever um texto sobre o ato do voto. Ultimamente tenho achado bem confuso votar. Quais critérios são bons ou ruins? Está tudo uma confusão e nossas autoridades parecem achar tudo isto normal. A sensação que eu tenho é que nosso país está perdendo sua capacidade de se comunicar, e com isto de produzir qualquer tipo de consenso que nos leve a algum lugar. Enfim, amigos, um abraço a todos.
quarta-feira, 4 de novembro de 2020
O povo de dois reinos e o reino de Deus
Era uma vez uma região com um povo dividido em dois reinos. Estes reinos, pouco a pouco, começaram a odiar um ao outro e muitas brigas começaram a ocorrer. Certo dia este povo resolveu fazer o seguinte acordo: cada reino vai treinar um guerreiro seu e, em certo momento da vida destes guerreiros, eles iriam duela até a morte, e o perdedor teria seu reino escravizado pelo reino do vencedor. Isto deve acontecer a cada geração, mas o reino escravizado deve ter o direito de treinar seu próprio guerreiro. Assim, ambos começaram a treinar seus guerreiros desde crianças, para que eles tornam-se o mais fortes possíveis. Desde criança estas crianças entendiam que suas vidas só tinha um único propósito: vencer este duelo. Assim, o dia do grande duelo chegou e um dos guerreiros foi vitorioso em relação ao outro.
Esta tradição perdurou algumas gerações até que as pessoas começaram a indagar: por que um duelo até a morte? Isto é bárbaro! Que o duelo não seja até a morte. Então assim foi feito. No entanto, algo curioso aconteceu: os guerreiros, após a derrota, não aguentavam uma vida sem propósito e em um patamar inferior de existência, a de um escravizado. Portanto, seja entregando-se aos vícios ou diretamente, suicidavam-se. Após algumas gerações, estes suicídios entristeceram a Deus. Então ele interveio surgindo para um dos perdedores e disse: a partir de hoje você não é mais derrotado, pois servirá a mim, e isto lhe trará a honra necessária para viver. Então este guerreiro, a partir de então serviu a Deus, e começou a falar do nome de Deus para o seu reino. Geração após geração este reino continuava a perder, mas eles convenciam-se mais da existência de Deus, até que um dia, um dos guerreiros venceu e bradou: esta vitória será em honra de Deus.
Agora o outro reino passava a ser escravizado. Este reino, que ainda não conhecia a Deus, se viu escravizado por pessoas que proclamavam o seu nome. Logo perguntavam-se: o que é Deus? Mas a partir de seus primeiros guerreiros derrotados, Deus revelou-se a eles. Agora aquele outro reino começava a entender de qual Deus estava sendo falado pelo outro reino, que os escravizava. Assim ambos os reinos batalhavam em nome de Deus, mas desejando escravizar ao outro. Uns venciam, outros perdiam. Mas não havia mais suicídios. Um dia Deus falou a todos: escutem-me, acabem com este ódio, acabem com este desejo de escravizar ao outro. Sejam livres. Porém, a única fonte de alegria que aquele povo conhecia era escravizar o outro. Portanto, não deram ouvidos a Deus e continuaram com sua tradição.
Entristecido com isto, Deus, novamente, interveio. Desta vez, porém, falou a todo povo: vocês que alegram-se em escravizar ao outro, abandonem isto alegrem-se em tornar-se meus escravos, pois em mim vocês encontrarão liberdade. Mas, a vocês que desejam continuar alegrando-se na escravização do outro, eu decido que cada um de vocês receberão leis a seguir. A cada geração descerei para julgá-los e o reino que menos seguir minhas leis se tornará escravo do outro. Portanto, está acabada esta tradição de eleição de guerreiros para o duelo. Assim a história seguiu: alguns preferindo continuar no seu reino para tornar-se escravizador, mas aceitando quando Deus os julgava a serem escravizados e outros preferindo se desvincular do seu próprio reino para submeter-se a Deus.
terça-feira, 13 de outubro de 2020
Buscando um herdeiro
Durante sua vida, um homem produziu uma grande fortuna. Estando perto da morte, ele não queria que esta fortuna se perdesse. Ele teve dois filhos, porém um deles morreu e o outro lidava com a vida de maneira superficial. Ao que sobrou, ele deu apenas a superfície da sua fortuna. Preocupado, falou: Oh Deus! O que farei com esta grande fortuna? Não quero que ela se perca, mas não tenho a quem delegá-la. Então Deus disse: vá até a cidade e busque por um órfão, mas não qualquer um. Busque aquele que me busca e que não se satisfaz até me encontrar. Então o homem foi a cidade em busca dos órfãos. Lá anunciou: escutem, sou enviado por Deus para saciar aqueles que o buscam. Quem tiver o vazio em seus corações apresentem-se a mim, pois eu irei saciá-los. Logo muitos homens ajuntaram-se e a cada deles este homem deu uma pequena porção da sua fortuna, que para eles já era muito. Então os homens pararam de olhar para aquele que deu e começaram a olhar para a fortuna. Alguns a guardaram satisfeitos, outros pensavam em como obter mais e outros logo começaram a usufruí-las. No entanto, um deles indagou: você é mesmo enviado de Deus? Pois se for, responda-me, o que farei com esta fortuna? Isto aqui não saciará minha alma, pois o que busco de verdade é o Deus da vida. Foi assim que aquele que buscava um herdeiro o encontrou.
sábado, 10 de outubro de 2020
Exortação político-religiosa
A relação entre igreja e política partidária é uma das coisas mais prostituídas que há atualmente. A igreja deve ser mantida pela graça, pelo espírito santo, que se revela à nós através da leitura da bíblia, enquanto que o estado deve ser mantido através do monopólio da violência garantida pela constituição federal. Uma coisa é completamente contrária à outra. Misturá-las é uma promiscuidade que certamente envergonha o verdadeiro evangelho. É bem mais digno andar entre aqueles que, não conhecendo a Deus, buscam fazer o bem, embora falhem, que andar entre aqueles que, conhecendo a Deus, cedem ao desejo pecaminoso de suas almas pela segurança garantida pelo estado. Esta segurança, que deveria ser provida por Deus, enfraquece a fé e faz com que os templos se tornem obras humanas. Logo, para eles, a obra não será mais a do espírito, e sim das suas próprias mãos, recaindo em um sistema religioso, no mal sentido da palavra, de recompensas e punições, que não oferece salvação, mas sim uma prisão. Se o povo não tem mais onde se salvar, o que fará? Este é o início do fim, pois nada do que é de Deus se sustenta através da vontade pecaminosa da humanidade. Mas sabemos que Cristo renasceu e que sua vitória é certa, que a salvação está nele, e não nas palavras dos líderes religiosos. Alegremo-nos, portanto, nas aflições, e vivamos o verdadeiro evangelho.
quinta-feira, 8 de outubro de 2020
Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna
Capítulo 1:
Introdução ao livro. Alguns princípios de observação para relação instituição comunidade foram instaladas. A primeira e a segunda dizem, respectivamente, que tanto a instituição influencia a comunidade quanto a comunidade influencia a instituição, no sentido que a primeira define os atores, regras, poderes, personagens da segunda e a segunda, através das suas escolhas, definem o contexto social que permite ou não a existência da primeira. Depois, foi discutido as formas como a instituição modifica a comunidade. Três formas foram destacadas: a constitucionalista, ou projeto institucional, que enfatiza o poder do projeto institucional como forma de moldar uma comunidade. A segunda é os fatores socioeconômicos como principias moldadores, vindo da tradição de Aristóteles, em que o bem estar social e econômico são predominantes. O terceiro, o sociocultural como principais moldadores, vindo da tradição de Platão, em que os governos variam de acordo com a disposição de seus cidadãos. Por fim, anunciou-se os métodos de investigação e as áreas da Itália que serão destacadas para o estudo.
Capítulo 2:
Criar uma nova instituição não significa criar um novo governo. Como se diz na França, "Vinho velho em garrafa nova". O processo de regionalização na Itália iniciou-se, mas precisa demonstrar sua consolidação. No começo, havia uma forte polarização política entre os partidos e eleitores, mas o processo de implementar políticas regionais fez com que partes opostas tivessem que governar juntas, o que diminuiu o índice de polarização. O norte, que tinha uma tradição mais de esquerda, conseguiu se adaptar melhor ao governo regional que o sul, com tradição mais de direita. Isto é constatado pelas pesquisas, que diz que os cidadãos acham o governo regional melhor que o central, embora rejeite a ambos, e que o sul é menos entusiasmada com o governo regional que o norte, embora ainda queira que ele funcione. É nítido, no entanto, que os governos regionais conseguiram ganhar força e autonomia, segundo conceitos mostrados no livro.
Capítulo 3:
No capítulo 3 são introduzidos alguns indicadores de eficiência governamental. Além disto, investiga-se várias causas do porquê os governos do norte apresentam desempenho superior aos do sul. Entre diversas hipóteses testadas, a mais promissora é que o povo do norte tem um espírito cívico mais acentuado que o sul. Hipóteses como educação ou consenso demonstraram não ter muita relevância na eficiência do governo. Vários parágrafos são utilizados para explicar o que é uma comunidade cívica e quais evidências levam a considerar que o norte apresenta tal caracterização. Estas evidências vão desde perfil de votação, à participação em atividades associativas e consumo de informações sobre o local. O sul, por outro lado, demonstrou evidências de ter relações clientelistas. Isto é, as pessoas associam-se verticalmente e com interesses próprios em relações mais pessoais do que institucionais.
Capítulo 4:
Neste capítulo o autor se dedica a definir o que é uma comunidade cívica. Após, começa a verificar no Norte da Itália os elementos que permitem demonstrar que existe indícios de formação de comunidades cívicas na Itália. Também demonstra que outros fatores que possivelmente poderiam colaborar para uma boa democracia, como educação, riqueza ou consenso político não são de fato significantes para este objetivo, acentuando que o fator predominante para a explicação dos bons governos é a comunidade cívica. À grosso modo, uma comunidade cívica é aquela em que seus cidadãos prezam pelas instituições como forma de apoio mútuo em contraste com o pensamento clientelista, onde as relações são construídas em torno do ganho pessoal. Além disso, também foi verificado que, embora sejam cívicas, a comunidade não deixa de ser politizada e que também o clientelismo consegue subsistir em meio a instituições formais como a democracia.
Capítulo 5:
É notório a diferença cultural entre o norte e o sul. Para explicar isto, este capítulo mergulha na história medieval da Itália. Nela, descobre-se que o sul da Itália foi reinada por um dos mais modernos estados monárquicos da época, altamente verticalizado, enquanto que o norte organizou-se em comunidades independentes e mais horizontais, pois havia uma cultura dos semelhantes se ajudarem. A partir daí, nota-se que o sul havia chegado no seu limite de crescimento, enquanto que o norte encontrava caminhos para crescer mais e mais, até a chegada das pestes na Europa, assim como outras instabilidades, que fizeram o norte fragmentar-se enquanto que o sul resistia, embora tendo a influência de outros países. Porém, a ética cívica do norte sobreviveu à isto e, após a unificação e democratização da Itália, o norte conseguiu ascender rapidamente enquanto que o sul, que também manteve suas relações servis e agora chamadas de clientelistas, teve dificuldades em construir governos eficientes. É preciso salientar que, embora não seja possível afirmar que apenas uma comunidade cívica seja suficiente para construir uma boa economia, é a experiência Italiana afirma que a comunidade cívica é um fator muito forte para tanto e que uma boa economia não implica em uma comunidade cívica.
Capítulo 6:
Entendido as origens da diferenciação entre norte e sul, este capítulo dedica-se a compreender o porquê tais diferenças persistem. Para isso, utilizou-se da teoria de jogos, principalmente do dilema do prisioneiro, para demonstrar que a solução ótima de um grupo em que não haja confiança prévia é desertar. Também utilizou a formulação de estado de Hobbies para afirmar que o estado é uma solução subótima à deserção do dilema do prisioneiro, pois ele age como uma terceira parte que evita a deserção. No entanto, também o estado se torna inconfiável neste cenário. Assim, a solução ótima é a comunidade cívica, onde cria-se o que foi chamado de "capital social", que é a capacidade que as pessoas tem de confiarem umas nas outras que irão cumprir os contratos sociais estabelecidos. Por outro lado, culturas que não hajam espaço para a produção de capital social tendem a não construí-lo e, portanto, a desconfiança é continuada. Assim, compreende-se que o norte conseguiu alcançar este estágio de capital social e se estabilizar nesta solução ótima enquanto que o sul não conseguiu e se estabilizou na solução subótima. Por fim, o autor lembrou que, através da introdução de um novo regime político, foi possível alterar o perfil das pessoas e, portanto, há esperança, mas que, provavelmente, também é preciso que haja uma mudança de dentro para fora para que a melhor solução para a democracia seja atingida.