Olá a todos, bem vindos a mais uma artigo. Desta vez, falaremos sobre a “força evolutiva” e suas caracterizações. Antes de continuar, gostaria de avisar que este é um assunto um pouco mais abstrato, e o que me leva a falar dele aqui no blog é a percepção de que este entendimento torna o ser humano capaz de compreender tanto características macro quanto micro da evolução. Força evolutiva, no contexto deste artigo, é a forma que a vida encontra para continuar através das tecnologias que provém sua adaptação sua iteração com a realidade. Esta observação será feita visualizando como as sociedades civis se organizam e a relação com a força da evolução, que de algum modo também está relacionada com o modo que os animais encontraram para prosseguir durante o processo de evolução e eu buscarei traçar essas analogias.
A primeira forma da organização da força evolutiva é a uniforme. Nela, toda sociedade está unida por um só interesse e/ou está de acordo com a tecnologia usada para alcançar este interesse. Não há nenhuma grande briga interna, pois a esmagadora quantia de recursos é direcionada para atingir o objetivo estabelecido socialmente. Este objetivo pode ser a expansão, a sobrevivência ou a caracterização diante outras sociedades, e o desejo de alcançá-lo é forte o suficiente para fazer a sociedade abrir mãos dos conflitos e interesses internos, assumindo formas objetivas de resolver as coisas. Analogamente, esta força uniforme pode ser vista como a força fundamental da vida organizada para sobreviver, quando sobreviver era um aspecto importante, não básico. Este estágio aconteceu no inicio da vida na terra.
A segunda forma é a organização bipolar. Quando a sobrevivência é alcançada e não existe nenhum interesse externo forte o suficiente para fazer as pessoas de uma sociedade esquecerem de seus próprios interesses, parte do recurso que antes era destinado a um único objetivo passa a ser investido para selecionar internamente quem irá liderar socialmente. De modo análogo, as espécies que conseguiam sobreviver naturalmente desenvolveram uma estrutura sexual polarizada em feminino e masculino, de modo a desenvolver uma forma interna de seleção natural, além da externa, acelerando o processo de evolução, e este processo tem exatamente este objetivo na polarização social: selecionar as tecnologias e as pessoas mais qualificadas para continuar a sociedade.
Contudo, esta forma de organização da força é animalesco, selvagem. Formam-se “times”, onde um está disposto a fazer tudo para vencer o outro, inclusive coisas que prejudiquem a própria espécie como um todo. É daí que surge a terceira força, o que faz a força evolutiva entrar em um estado de evolução “equilibrada”. Isto porque, se uma das forças tenderem demais à selvageria, as outras duas vão se unir, assim voltando para o estado anterior. Portanto, a evolução sempre acaba por tentar encontrar formas de manter o equilíbrio da competição eterna, para que este processo não entre em um estado de selvageria autodestrutivo, mas sim construtivo.
Na natureza, o que equilibra o feminino e o masculino é o ambiente. Quando, contudo, o ser humano conseguiu se emancipar do ambiente, através do desenvolvimento das tecnologias que permitiu seus costumes a se desenvolverem por meios artificiais, a força feminina e masculina perdeu sua referência ambiental. Contudo, a mesma inteligência que conseguiu desenvolver formas abstratas de viver, também desenvolveu uma força abstrata de evolução, que é a força divina. Deste modo, o equilíbrio entre o feminino e o masculino consegue ser reestabelecido através da força divina, que se materializa na forma de costumes, escolhas e através da concepção do ser humano como algo eterno.
Esta concepção de “eternidade” se mostrou de fundamental importância, afinal, se o ser humano agir somente em reação ao presente, ele entrará em costumes autodestrutivos. Atualmente, é fácil perceber as pessoas que não enxergam o ser humano como algo eterno se polarizando, seja entre divergências tecnológicas ou pela própria divergência sexual, fazendo coisas que, ao invés de contribuir com o ser humano, o destrói. É fácil perceber isto quando vemos, por exemplo, um grupo de homens formulando táticas para pegar mais mulheres, mesmo que estas táticas passem pela mentira, ou quando uma tecnologia precisa gastar recursos desenvolvendo desnecessariamente formas de defesa contra um inimigo que não reconhece sua derrota. De fato, um pouco de selvageria faz parte do processo de seleção natural, mas quando é demais, de alguma força a terceira força surge.
A força divina, entretanto, se concretizou demais se tornando uma força uniforme, de modo a não permitir que o novo surgisse. Para isto, foi necessário desenvolver uma estrutura social que organiza a força que mantém a sociedade continuando através do conceito de pesos e contramedidas. É assim que surgem os três poderes, legislativo, executivo e judiciário. Estes três poderes organizam diferentes formas que o poder pode interagir com a realidade, e põe um agente controlando o outro. Assim, nenhuma força é soberana e uniforme, ela tem sempre seu par. Também, é preciso pensar racionalmente em quais medidas tomar para reorganizar as forças sempre que o equilíbrio dos três poderes está se quebrando, que é quando a sociedade começa a voltar para o estágio de selvageria e de vale tudo. Separar a força evolutiva em três e manter este equilíbrio é uma forma de garantir a competição saudável em certos aspectos da vida.
Quando começamos a pensar em mais que três forças, entramos em um estado de selva. Afinal, qual seria a função única da quarta força, se uma é para sobreviver, duas é para reproduzir, três é para frear a competição autodestrutiva? Se existe uma quarta força, pode existir uma quinta, uma sexta, uma sétima... Um verdadeiro estado de selva, com várias espécies se aproveitando de diferentes aspectos tecnológicos e geográficos. É isto o que explica a existência de vários países, vários estados, várias espécies de animais, equilibradas numa ecológico alcançado através do tempo. Socialmente falando, o que antes era ambiente, agora se torna a atuação do estado. Seguindo esta interpretação, quanto mais saudável é o estado, melhor ele consegue direcionar a energia que ele recebe do sol para gerar vida. Comparem o deserto do Saara, que tem vida, mas é um ambiente difícil, com a floresta amazônica, que tem a maior biodiversidade do planeta.
É interessante notar que, de tempos em tempos, a força evolutiva pode alterar sua caracterização. Dois exemplos já foram dados, quando o equilíbrio dos três poderes começa a se quebrar e quando uma ameaça externa surge, unificando todos os ameaçados em uma só força. Outra interessante conversão de características acontece quando, dentro de uma “selva”, surge uma tecnologia forte o suficiente para alterar completamente o equilíbrio da selva, dividindo, deste modo, a sociedade em uma situação binária: sua implementação ou não. Deste modo, as diversas forças se organizam em dois “times”, os que são a favor, que vão ser beneficiados, e os que são contra, que vão ser prejudicados. Neste momento, até aqueles que vão ser pouco prejudicados ou beneficiados por esta implementação ou não se sentem pressionados escolherem um lado, pois se o lado que ela estiver vencer, eles vão se beneficiar mais pela própria vitória em si do que pela implementação, além de se protegerem contra as enormes forças que vão se aglomerar em torno de um objetivo. Felizmente, a democracia foi inventada para tentar resolver este tipo de conflito sem o uso direto da força física.
Finalizando esta analise, pode até ser que exista uma função para uma quarta força, mas se existir eu ainda desconheço. Há quem diga que o ministério público e o tribunal de contas são forças equiparadas aos três poderes, mas eu preciso discordar, pois caso fossem, a polícia e o exercito também o seriam. Afinal, já aconteceu em vários lugares no mundo a força militar se tornar forte o suficiente a ponto de impor sua soberania na sociedade. No máximo, o MP e o TC são materializadores da vontade popular, mas o que eles fazem deveria ser feito pelo próprio cidadão, pois o risco é que eles se desconectem da sociedade e façam coisas transvestidos da vontade popular, mesmo que sem nenhuma intenção maldosa por traz. Espero que esta postagem tenha sido interessante para todos e mostrado a importância de entender sobre os aspectos “abstratos” da evolução. Um abraço a todos.