quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Reflexão sobre a evolução e alguns dos seus mecanismos sociais aliados com perspectiva cristã


http://br.rfi.fr/franca/20161102-franca-enfrenta-crescimento-da-pobrefobia

"Evolução não é um processo simples: se evolui através daquilo que se acredita, seja através do sofrimento ou através da ajuda de quem está a frente em determinado aspecto da evolução. Contudo, em todo ser que é vivo existe uma força animal inerente à sua existência que chamamos de violência. Uma vez que tratamos outro ser vivo com violência, damos a ele o direito e o desejo de responder com violência ao nosso tratamento. Assim, inserimo-nos num cabo de guerra, aonde vai ganhar aquele que tem mais coragem de utilizar seus recursos para a obtenção daquilo que acredita. Dentre estes recursos, encontra-se aquele que é valioso a todo ser vivo, que é sua própria vida."

Existe uma enorme vontade de todos aqueles que fazem parte do movimento de esquerda em combater a pobreza, mas me pergunto se apenas a distribuição de renda é suficiente e necessária para tanto. Afinal, como desenvolver um método de distribuição de renda eficiente sem que se distribua, além da riqueza, também a experiência e a cultura daqueles que produzem? Sem contar que a pobreza não é problema somente no Brasil. Este é um problema mundial que determina, inclusive, a relação entre países. Não me parece um problema simples a distribuição de riqueza mundial, de modo que a riqueza distribuída seja aplicada eficientemente por quem a recebe.

De outro modo, também não acredito que seja simples a regulamentação da acumulação de riquezas de modo a deixar todos satisfeitos, até mesmo devido à preguiça e a condição de mentir que todo ser humano pode apresenta. Assim, como resolver este desejo de combate a pobreza sem a necessidade de distribuição de renda? Ora, parece-me que a dois mil anos atrás Jesus já havia chegado a esta resposta, que é o perdão.

Falando em outras palavras: o que é ser pobre senão não ter condições para atuar na sociedade e ter condições mínimas e dignas de vida? E como se chega a um estado de pobreza, senão através de um processo histórico regado a erros, seja erros de si mesmo e da própria família ou erros de terceiros? Assim chega-se a conclusão de que não é um mecanismo de distribuição de riqueza que precisamos, mas sim um mecanismo de recuperação social.

Contudo, acredito poder afirmar, até mesmo pelo sacrifício de Jesus na cruz, que não existe nenhum método mecânico para a recuperação dos seres humanos que não o interesse dos próprios seres humanos em assim fazê-lo. Podemos sim, organizar uma estrutura mecânica para viabilizar o desejo daqueles que desejam a recuperação, mas sem o desejo humano de recuperar, seja a si mesmo quanto a o próximo, estamos condenados eternamente à nossos próprios erros, sendo esta a a verdadeira origem de toda a pobreza. Há, ainda, de salientar que esse mecanismo deve ser social, não religioso, sendo este mais um desafio a criar para sua criação. Afinal, existem muitos modelos de fé no mundo, e cada região acaba desenvolvendo suas próprias especificidades.

Não é razoável admitir que eles larguem sua cultura em pró de outra, mas sim que se abram para aprender e se desenvolver. Esta é a principal diferença entre impor, modelo que rotineiramente costuma ser utilizado por sistemas religiosos, e negociar. Estamos lidando com seres vivos, detentores de corpo e de cultura: pedir que eles se livrem disto é pedir que eles joguem em fora tudo de bom que eles lutaram para desenvolver. Nós temos a aprender com eles quanto eles a aprender conosco, portanto, negociar é a palavra. Negociar de modo que a sociedade e a vida, não um sistema religioso ou político específico, saia vitorioso.

http://oglobo.globo.com/sociedade/papa-pede-aos-jovens-que-se-rebelem-questionem-que-estiver-errado-19803943

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

Níveis de degeneração social e a renovação social

Olá amigos. Faz muito tempo que eu não escrevo para este blog. Meus projetos têm sido completamente absorvidos pelo Devir Social e pela Coletânea Evolutiva. Contudo, hoje pensei em uma coisa interessante como resolução de alguns conflitos que estou tendo e achei por bem escrevê-los. Contudo, antes de prosseguir, é preciso que o leitor saiba que todo o conteúdo que se segue se baseara na minha filosofia sobre sexualidade, na qual eu separo a tendência sexual em duas grandes forças: a biológica e a cultural, e atribuo ao sexo a função de reprodução, quanto biológica como cultural também. Vamos ao texto.

Ultimamente é possível perceber um grande clima de desanimo e desesperança na nossa sociedade, acompanho por um comportamento que as igrejas julgam “pecaminosos”. O pecado, na interpretação da filosofia citada anteriormente, é o caminho que leva a morte. Morrer não é de todo ruim: faz parte da vida, mas há alguns indícios que demonstram que a sociedade precisa se renovar para que a vida poda surgir novamente. São esses os níveis de degeneração social.

A minha filosofia da sexualidade veio através de uma interpretação da evolução. Portanto, uma sociedade degenerada é aquela que não consegue produzir evolução. Evoluir é um comportamento complexo, pois para tanto é preciso que haja mutação e seleção. O medo de mudar ou a incapacidade de escolher o que é bom ou o que é ruim demonstram o quão difícil é evoluir para qualquer ser humano. Isto nos leva, pouco a pouco, a uma sociedade degenerada, em que a degradação ocorrida devido ao tempo que ocorre nela é maior que sua capacidade de recuperação.

Vejamos um dos primeiros níveis: a dificuldade de reprodução. Pessoas com vinte anos já estão aptas a iniciar sua vida sexual, e por consequência começam sua busca por um parceiro. A dificuldade de reprodução pode ocorrer por motivos econômicos ou culturais. Existem ritos de reprodução, que são simbologias que servem tanto para movimentar a economia quanto dar senso de progressão a um relacionamento e marcar o ganho de confiabilidade do casal. Porém, quando a situação economia tá feia, estes ritos começam a se tornar falsos e parte da população começa a desprezá-los. Por fim, eles perdem seu significado cultural, e a reprodução passa a ser feita de qualquer forma.

A dificuldade economia também prejudica o casal a iniciar uma vida em sua própria casa, e isto implica em constantes brigas e num difícil inicio de relacionamento. É preciso ter uma cultura que se adapte a isto, pois um modelo de cultura em que os pais sempre acabem sem nenhum filho consigo não é sustentável, pois junto aos pais também há a casa deles, que ocupa um espaço geográfico que não deve ser desconsiderado. Este é o primeiro nível de degeneração cultural.

Em seguida, podemos começar a observar comportamentos que andem direcionados à violência e a morte. Pessoas aceitando que o ser humano é ruim e que para viver é preciso fazer o mal, é um forte indicio de que a sociedade precisa se renovar. Neste ponto, os relacionamentos tendem a ficar ainda mais caóticos, em que os casais sequer conseguem se respeitar a ponto de passar a experiência pros filhos, e a cultura se desestabiliza. Como os filhos ficam sem noção de progressão cultural, a parte central da sexualidade humana começa a se perder e a tentar buscar formas de dar sentido a vida. É quando os comportamentos de exploração reprodutiva começam a se configurar.

Homossexualismo, casamentos abertos, adoção, repulsão pela reprodução, são comportamentos que, ao invés de se tornarem exceção no sistema reprodutivo, tornam-se comuns. A desvalorização da figura humana começa a se tornar fortíssima, bem como os comportamentos de resgate da figura humana, mas através da violência. A economia neste ponto também anda caótica, pois a corrupção impera graças ao imediatismo trazido pela falta de marcadores de evolução. Basicamente, acredita-se que beleza e dinheiro mandam em tudo e ninguém tem fé o suficiente pra iniciar uma inovação que realmente melhore a vida das pessoas. Só perpetuam o já existente. Quando a corrupção atinge a níveis alarmantes, já é possível chamar isto de terceiro nível de degeneração.

Enfim, pior que isso não fica. Ou há guerra ou há inovação. E em ambos os casos, a economia melhora, e a maturidade trazida pelos comportamentos de exploração social daqueles que cresceram sem figura paterna e materna definidas acabam por voltar a regular a sociedade. É possível cogitar que isto já aconteceu inúmeras vezes na nossa sociedade pelos registros históricos trazidos através dos livros sagrados, como a bíblia, por exemplo. Enfim, esta postagem só foi mesmo para deixar a ideia registrada e trazer um pouco de reflexão a quem ler. Um abraço a todos e até a próxima.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

Se rouba é por escolha: nada tem haver com oportunidades

Um pensamento comum é o de que quando uma pessoa comete um crime, ela o faz por escolha. Nada tem haver com o ambiente externo: é dela a escolha de ser bom ou mal. Ainda mais, há pessoas que usam a si próprias, ou conhecidos, como exemplo de histórias de pessoas que passaram dificuldades e tiveram até a chance de ir pra criminalidade, mas não o fizeram e conseguiram uma forma de manter seu sustento honesto.

O Devir Social gostaria de atacar a fundamentação desse pensamento para descobrir se ele é realmente válido ou apenas uma forma das pessoas fugirem da responsabilidade social que é inerente a todos nós, de cuidarmos do que é nosso e proporcionar uma vida melhor ao próximo.

Vejamos a seguinte linha de raciocínio: uma pessoa que diz que cometer ou não um crime é escolha própria alega fundamentalmente que fazer ou não a coisa errada também o é, já que cometer crime é algo errado. Ora, então ele está dizendo que nunca fez nada que sabia ser errado.

Se este for o caso, ela é um exemplo muito raro de pessoa: basicamente ela está dizendo que sempre teve sabedoria para manter todos os aspectos conhecidos da vida dele sobre controle, inclusive seus familiares. Afinal, ela nunca precisou mentir, nunca foi rude ou ignorante, nunca traiu a confiança de alguém, isto porque estamos usando uma visão simplista e determinística sobre o erro.

Porém, é interessante analisarmos a hipótese dela ter cometido algo que sabia que era errado, mesmo que esse erro não seja tão grave a ponto de ser punido pelo código penal. Já para iniciar já podemos considerá-la mentirosa, por ter dito que nunca errou sabendo que era errado, e semelhante ao criminoso, pois ambos erraram, só que o erro de um foi grave enquanto que o do outro não.

Contudo, o interessante a se observar é a justificativa que ela pode usar ao ter cometido tal erro: se ela disser que o cometeu somente porque escolheu, ela está afirmando que errar ou não é uma característica intrinsecamente individual. Isto o faz entrar em contradição novamente, pois por que ela reclamaria ou mostraria exemplos de quem acerta a quem erra se aquela pessoa está destinada a errar de todo jeito? Afinal, errar ou não é uma característica individual e nada externo irá afetar o resultado. A melhor coisa a se fazer neste caso seria simplesmente aceitar e aplicar as punições cabíveis, qualquer outra coisa seria perca de tempo.

Caso contrário, se o ambiente tiver levado ele a errar mesmo sabendo que era errado, então existe sim fatores externos que influenciaram no erro. Deste modo, alguém ter cometido um erro pode ter sido sim parte da característica individual dela, mas existem fatores ambientais que colaboram para a manifestação ou não destes fatores e cabe a nós fazer o melhor que podemos fazer para que melhorar o ambiente ao nosso redor, diminuindo as chances de tais manifestações acontecerem. Deste modo, concluímos que a afirmação primária dela é falsa: cometer ou não um crime não é somente uma escolha.

Sendo falsa ou não a frase a cima, o Devir Social considera que sua enunciação é algo desnecessário. Se a pessoa acredita que a frase é verdadeira, não tem pra que anunciá-la e ficar dando exemplos. Caso seja falso, a pessoa está cometendo um erro ao ficar discursando ele e também não está fazendo nada para melhorar a sociedade além de falar, e inclusive está desencorajando a quem deseja tentar quando usa os exemplos como forma de recriminação e segregação ao invés de inspiração.

Entender o porquê alguém cometeu algum crime não é uma coisa simples. Uma frase simples e generalista normalmente tende a estar errada, principalmente quando aplicada sobre seres humanos. Se, ainda, levássemos em consideração a relativização do erro, entraríamos num campo ainda mais complicado de analise cultural, pois o que é errado para uns pode ser certo para outros dependendo do contexto. Nestes casos o diálogo e negociação é mais que necessário para a prevenção ou reparo dos erros: é essencial.

Com esta análise o Devir Social espera ter contribuído com a discussão sobre o que é ser humano e com nossa responsabilidade com o ambiente que vivemos.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Realidade, continuidade e metalinguagem.

Há muito venho desenvolvendo pensamentos para entender o que significa a verdade, a realidade, e como estes conceitos podem nos ajudar a sermos melhores humanos. Concluo, durante todo este processo, que a única coisa que podemos fazer enquanto seres humanos perto da infinidade da realidade é acreditar em nós mesmos enquanto seres vivos e conscientes da nossa existência. Mais que isso é pedir demais, pois é requerer que ultrapassemos as barreiras naturais que a existência nos impõe, como as distâncias espaciais e temporais. Porém, ferramentas interessantes foram desenvolvidas ao longo do caminho. Pretendo compartilhá-las neste texto.

O que o ser humano é senão um explorador da realidade? Cada um de nós é responsável por testar as possibilidades que nos parecem mais promissoras durante nosso tempo de vida, para assim fazer descobertas e contribuir com a evolução. Entretanto, estas descobertas estão na realidade e é nosso do nosso interesse organizá-la para tornar mais fácil seu entendimento e compartilhamento. Disto nasce a linguagem, e dela vem as construções, como a ciência, para explicar a realidade.

Porém, problemas surpreendentes começam a surgir quando tentamos explicar tais construções apenas com linguagem ou quando tentamos estudar a própria linguagem isoladamente. Isto demonstra que não há formas de conter a realidade dentro da linguagem, pois sempre precisamos da realidade para que a linguagem tenha sentido. Este fato nos leva a pensar sobre o processo de continuidade, pois a linguagem é algo combinado entre as partes comunicantes e só encontra sentido através deste acordo construído através do tempo e de modo a fazer a evolução se tornar possível.

Digo isto para refletir sobre o seguinte fato: o que nos impede de desenvolver a linguagem indefinidamente? Quando, por exemplo, um cientista preguiçoso desenvolve um artigo que foge completamente da nossa realidade, e mesmo que este artigo seja aprovado, o que faz com que esta nova linguagem desenvolvida por ele para explicar um fato novo da realidade não seja disseminado? Ora, a sua falta de contribuição da realidade. Talvez o mesmo fato seja explorado de forma melhor através de outros recursos linguísticos, que torne mais fácil seu entendimento e utilização.

Porém, não são raros os casos que o desenvolvimento de uma nova linguagem se tornou útil para a exploração de uma nova área da realidade, e estes recursos linguísticos acabam ganhando nomes tão usados que se tornam naturais aos nossos ouvidos e aos nossos instintos: parece que eles e a realidade se combinam em uma coisa só. Dito isto, podemos concluir também que é importante investigarmos se uma linha de pensamento que nos conduz diante a desconhecida realidade é realmente importante ou se ela está distante demais do que realmente é útil observar para a evolução. Em alguns casos, apenas a prática pode responder a esta pergunta.

O processo de continuidade também nos leva a refletir sobre a evolução da própria linguagem. Ela começa como algo que explica apenas ações simples, e a concatenação destas ações simples em novas palavras, pouco a pouco, vão sofisticando a linguagem, bem como a população a ela associada. A linguagem, além de precisar de seu dicionário, também precisa de seu meio tecnológico para existir. Isto é claramente evidenciado na matemática quando duas áreas diferentes da matemática conseguem fazer a mesma coisa, porém com eficiências diferentes, justamente por serem construções diferentes. A este evento chamamos de homomorfismo.

O dicionário e seus significados só são valorados através da utilização. Mas em algum momento, a utilização se misturará com a continuidade, pois chegaremos naquele conjunto de palavras básicas que são diretamente ligadas a ações. Se esta continuidade for perdida, todo o significado do dicionário também o será. Podemos chamar isto de núcleo da linguagem, pois a partir dele podemos reconstruir a utilização do dicionário. Podemos também associar um grau de precisão ou eficiência à linguagem para determinada área, pois é natural imaginar que uma linguagem que deseja descrever um evento na sua área de núcleo tenha maior precisão ou eficiência que uma que está distante deste núcleo.

Determinar o grau de precisão ou eficiência de uma linguagem é um trabalho complicado, mas bastante estudado na computação. Lá, eles utilizam o que chamam de “benchmark”, que são códigos ou pseudocódigos com o objetivo de avaliar um núcleo de linguagem em relação aos demais. Trazendo este evento para o nosso contexto, podemos chamar isto de “aferidores de atuação”, e o que se testa é a capacidade de cada linguagem de comunicar um aferidor da forma mais eficiente ou precisa possível, como desejar. Um aferidor é algo imaterial, como uma ação ou um algoritmo, e é definido e avaliado por um ser consciente e sua satisfação em relação a aquela comunicação e o que se pretendia comunicar.

Falamos anterior sobre ser consciente e área de núcleo. Numa nomenclatura mais precisa, o ser consciente evolutivo é aonde a linguagem efetua sua função de evolução, existência e continuidade. Área de núcleo é aonde aquela linguagem comunica mais diretamente as coisas imateriais, e áreas de atuação, por sua vez, são quaisquer partes da realidade capazes de ser comunicáveis. Portanto, cada aferidor pode ser categorizado em uma área de atuação, e então as linguagens com diferentes núcleos de comunicação podem ser testadas, inclusive áreas cujo núcleo pertence à área de atuação daquele aferidor.

É interessante notar que quanto mais precisa e eficiente for uma linguagem, mais trabalhosa vai ser pra ela atingir um processo de continuidade. É fácil mostrar o que é andar, por exemplo, porém mais complicado é mostrar o que é dançar. Mais ainda, para diferentes “escolas” de dança, esta palavra pode ser associada a um conjunto de ações diferente. Portanto, busca-se definir um significado geral para esta palavra, a fim de torná-la verdadeira para um maior número de situações, e então especificar de qual “escola” de dança se está falando com mais palavras. Isto é uma prática bastante comum de ser feita já que torna a linguagem mais satisfatória em sua comunicação.

Mais ainda, certos ritmos de dança são difíceis de serem descritos utilizados apenas com palavras. Vídeo se mostra um artefato tecnológico mais preciso para criar um dicionário sobre danças. Em alguns casos, é possível que uma dança comece de um jeito, e após um período de tempo se torne outra coisa, embora sua definição seja a mesma, graças à incapacidade da linguagem de capturar completamente a realidade. Mas isto é algo inerente a evolução. Como diz uma velha frase “nunca pisamos duas vezes no mesmo rio”.

Nos parágrafos acima eu fiz uma descrição satisfatória da metalinguagem. E, embora eu tenha falado no começo do texto que é difícil utilizar a própria linguagem para falar da linguagem, neste texto eu não utilizei a linguagem propriamente dita para falar sobre a linguagem, mas sim o núcleo da linguagem humana para falar da linguagem humana. Isso significa que só será capaz de entender este texto quem tenha consciência, no mínimo, do núcleo da linguagem humana, algo que só pode ser ensinado de humanos para humanos. Utilizei-me também do processo de continuação para fazer as definições acima, e assim expandi um pouco mais o que eu sinto ser o núcleo de linguagem humana, ou pelo menos a linguagem que eu poderei usar futuramente comigo mesmo.

Definimos neste texto metalinguagem e algumas de suas características, que foram as seguintes: núcleo de linguagem, tecnologia associada, utilização, processo de continuação, aferidores de atuação, precisão, eficiência, seres conscientes e áreas de atuação. Podem ou não haver mais fatores envolvidos com a metalinguagem, e a forma como eu expressei aqui esses conceitos fazem parte do que eu sinto que é a metalinguagem. Uma pessoa que sinta esta mesma área de atuação de forma diferente poderá descrevê-la diferente. O que importa para mim, atualmente, é satisfazer-me em esfera pessoal quanto a estas definições, já que estes conceitos ainda não tem utilidade na esfera pública. Quando houver necessidade, certamente as pessoas vão encontrar a melhor maneira de defini-los de acordo com a área que eles podem ser utilizados.

Enfim, aqui finalizo o texto. Sinto que posso explorar mais o conceito de área de atuação, seu tamanho e sua relação com a precisão e a eficiência, mas deixarei isto para uma próxima vez que eu revisar este texto. Abraço a todos.

domingo, 7 de fevereiro de 2016

Sistemas de classificação e a objetificação do ser humano

Durante meus estudos independentes de psicologia, surgiu-me a necessidade de classificar os seres humanos. Este ser humano é alto, aquele é baixo. Este humano é pobre, aquele é rico. Este é inteligente, aquele burro. Este humano está acima da média, aquele abaixo. Classificações como estas são comuns quando se desenvolve sistemas de classificação para estudos da realidade. Afinal, um físico precisa saber se está lidando com um objeto líquido ou sólido em seu sistema para fazer suas previsões.

Contudo, observo algo interessante quando comunico as pessoas meu sistema de classificação dos seres humanos. As pessoas apresentam certa aversão ao sistema de classificação. A alegação mais significante era a de que o ser humano é muito mais do que qualquer classificação pode exprimir, cada ser humano é único. Esse tipo de afirmação me causava certa estranheza, já que quando observados um objeto e determinamos se ele é sólido ou líquido, a argumentação de que “cada objeto é único” também pode ser aplicada, já que cada objeto tem seu arranjo único de átomos tal como o ser humano, mas ninguém sente aversão a este tipo de classificação.

Então surge o mistério de explicar o que causa a aversão nas pessoas quanto a classificação dos seres humanos. E aqui vemos claramente o poder da mente humana, com sua capacidade de fazer associações implícitas que, com muita dificuldade pelo menos pra mim, podem ser traduzidas com alguma precisão para a linguagem humana. Neste caso, explico esse fenômeno psicológico como a “aversão da objetificação ao ser humano”. Segue a explicação.

Quando se tenta objetificar o ser humano através de classificações, excluí-se o maior atributo de todo ser humano: estar vivo. Isto porque um ser humano é vivo, mas um objeto é morto. Um objeto é o que é e assim o será até que algo ou alguém o mude, mas não uma pessoa. O poder de transformação está dentro dela, e quando um agente externo a classifica como “rica ou pobre, inteligente ou burra, acima ou abaixo da média”, este agente simplesmente está ignorando este poder e transformando-a em algo morto. E isto explica a aversão apresentada à classificação de seres humanos, já que é comum ao ser humano não se sentir a vontade diante da morte. O mesmo não acontece à classificação de coisas que já são objetos, como o exemplo do estudo físico citado anteriormente.

Sinto-me satisfeito diante desta definição deste fenômeno, tanto pela demonstração de poder de associação implícita da mente humana como também por ela me sugerir um modo de evitar essa associação e continuar meus estudos. O próximo questionamento a ser feito é: supondo que se consiga desenvolver um sistema de classificação de ser humano que consiga respeitar que o ser humano seja vivo, porque desenvolver isto? E é aqui que entra as implicações sobre o estudo da realidade.

Porque nos preocupamos em classificar um objeto em seu estado líquido ou sólido? Ora, para melhorar nossa capacidade de observação e comunicação. Classificar em si não diz muita sobre a realidade, mas a argumentação feita através de objetos definidos através da classificação diz. Por exemplo: “isto é líquido” não diz muita coisa sobre o objeto, mas “todo objeto líquido adquire a forma do seu recipiente” diz. O mesmo se aplica aos seres humanos. Classificamos pra aumentar nossa capacidade de comunicação e observação. Não é um erro classificar, mas sim achar que a classificação mortifica alguma coisa. A classificação é viva, pois ela depende de um ser vivo, neste caso o ser humano, para validá-la ou não. Afinal, quem torna a frase “todo objeto liquido adquire a forma de seu recipiente” verdadeira senão um ser vivo?

No final precisamos acreditar em nós, na nossa capacidade de observar, comunicar e de ser vivos. É preciso classificar a realidade para poder tomar decisões, aprender, ensinar, prever, adotar todos os benefícios que uma realidade bem classificada possa oferecer aos seres vivos que se preocupam em classificá-la, como resolver problemas e viver melhor. Claro que todo sistema de classificação tem sua distância da realidade, e essa distância deve ser conhecida e respeitada, mas isto não invalida os benefícios do estudo. Por exemplo, é dito que todo líquido adquire a forma de seu recipiente, mas não é dito o quão veloz ele faz isto.

Todo ser vivo deve ser livre para aceitar, rejeitar ou aperfeiçoar quaisquer sistemas que lhe é oferecido, assim como criar o seu próprio de modo a comunicar melhor à realidade que ele observa. Portanto, usemos essa liberdade com sabedoria, para aprendemos a resolver nossos problemas e encontrar os caminhos para a vida. Com isto em mente é que eu irei continuar com meus estudos do ser humano, sabendo que nenhuma classificação terá poder para definir exatamente o que um ser humano é, mas entendendo que é preciso ter alguma coisa, mesmo que imprecisa, para tirar minhas conclusões, organizar o que sinto e observo e conseguir desenvolver formas de prever e tomar decisões com base em algo mais estruturado que apenas a sensação.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sobre filosofia e sua relação com o amor

Faz algum tempo que eu venho desenvolvendo estruturas teóricas para lidar com o amor. Mas durante o desenvolvimento destas estruturas, se tornou óbvio pra mim que isto não é algo tão simples quanto produzir matemática ou sistemas lógicos. Amor é algo muito mais profundo que uma estrutura congelada de regras e comportamentos: o amor é vivo como a água em estado líquido, quente o suficiente pra não ser congelado e frio o suficiente pra deixar quem nela vive ter estabilidade.

Pensando nisso, de que adianta, afinal, conversar sobre o amor? Desenvolver suas estruturas teóricas ou viajar através do pensamento por todas as suas possibilidades? De outro modo, pra que serve pensar filosoficamente sobre o que significa o amor? Se no final das contas, não existem regras, comportamentos ou atitudes que o defina? Para responder isto, vamos buscar inspiração de uma área um pouco inusitada: o desenvolvimento de sistemas computacionais, que de certa forma se assemelha a arte como explicarei a seguir, mas ao contrário dela, seu objetivo não é subjetividade.

Muito se fala sobre a inteligência artificial. Mas muitos já concluíram que, se existir uma inteligência artificial o suficientemente avançada, esta se assemelhará aos seres humanos a menos pela velocidade de tomada de decisões. Isto significa que ela poderá errar, pois estará limitada, assim como os seres humanos, aos seus dados de entrada, que nem sempre são verdadeiros ou precisos graças à imperfeição dos instrumentos sensoriais. Ou seja: viver é, de uma forma ou outra, um processo de sentir a realidade.

É então que chegamos aos desenvolvedores de sistemas computacionais. Estes precisam desenvolver algoritmos para resolver um problema do mundo real de maneira eficiente, para então serem reconhecidos em seus empregos. Mas a questão é: como são desenvolvidos os algoritmos? Podemos adiantar a suposição de que não existe nenhuma forma mecânica de fazer isto, pois se existisse, a inteligência artificial já teria se desenvolvido e seria diferente do ser humano. Portanto, resolver problemas se demonstra um exercício de criatividade, investigação e decisões que leve ao caminho correto da solução.

Se pensarmos quantos caminhos existem para a solução otimizada do um problema e quantos existem que não leve a ela, chegamos a conclusão que qualquer ser que tente chegar a solução otimizada através do acaso terá uma probabilidade insignificante de ter sucesso. É neste momento que somos capazes de perceber a importância de pensar filosoficamente sobre qualquer assunto, e mais ainda, sobre um assunto tão importante quanto o amor.

É através do pensamento filosófico que exploramos todas as possibilidades do que pode ser sem nos preocuparmos com o caminho que leve de fato, aquilo que imaginamos à existência. Desta forma, embora não saibamos qual caminho seguir, diminuímos significantemente a chance de pegamos um caminho errado, pois existe a concepção filosófica de onde se quer chegar durante o processo de exploração da realidade. De fato, se pensarmos a quantidade de ideias significantes apresentadas por seres humanos para a resolução de problemas, percebemos a importância deste processo não somente para o amor, como também para qualquer atividade de envolvimento com a realidade.

Contudo, é inocente quem pensa que pensar na concepção filosófica é o suficiente para a resolução do problema. Isto é apenas parte do processo, embora uma parte importante. Muitas soluções são alcançadas ao acaso, com uma concepção básica de sua filosofia, mas com uma grande exploração da realidade. De fato, quanto mais se conhece sobre a realidade, maior é a chance de desenvolver uma concepção filosófica já compatível com ela. Caso contrário, é preciso testar, e se der errado, voltar à filosofia e explorar todas as possibilidades não levando em conta aquele caminho.

É natural supor que a solução otimizada, aquela que resolve o problema da melhor maneira possível, só é alcançada através de um forte embasamento filosófico associado ao forte embasamento prático. Esta dupla união é tão rara que quem a alcança é tem uma grande chance de se destaca em sua área, ou mesmo ser eternizado como alguns dos nossos mais famosos pensadores.

Agora que fortemente inspirados pela forma como a filosofia pode ajudar a resolver problemas, entendemos a importância de pensar filosoficamente sobre o amor: é através da concepção filosófica do que é o amor que os seres humanos têm maior chance de fazer as escolhas em seu cotidiano que o leve a ele. E embora cada ser humano seja único, e, portanto, o caminho que o leve ao amor também seja único, conceber o que é o amor, conversar sobre isso e observar como outras pessoas o alcançaram pode aumentar a chance de ele esbarrar ao acaso no caminho certo pra ele.

Finalizando o texto, falamos muito sobre como a filosofia pode ajudar o ser humano a resolver seus problemas e como usar isso no contexto de amor, respeitando a individualidade de cada um. Contudo, começando por um ponto de partida filosófico sobre o que é o amor, podemos fazer uma definição geral do que ele venha a ser. Cada um que se sinta a vontade para fazer sua própria definição, decidir qual pode ser a melhor ou a pior para si, e aqui darei a minha como forma de despedida: amor, para mim, é o caminho que leva o ser humano à vida e a satisfação. Um abraço a todos e até a próxima postagem!

domingo, 16 de agosto de 2015

Resposta sobre o sexo e sua essência instatânea da Natália: a função do sexo na atual abstração de evolução do ser humano

Eu consegui entender metade sobre o que vcs conversaram nessa conversa. Vou tentar dar uma opinião: sermos onda é uma boa analogia pra entendermos o oceano da evolução. O que é onda se não uma energia sendo transmitida através de um meio físico com uma fonte geradora? Qual fonte geradora é essa? Não sabemos. Mas uma vez essa energia transmitida para o material, o material, através das suas propriedades, a transmitirá para o futuro. Tal material somos nós, humanos, e essa energia é a evolução.

Se essa onda será infinita ou não no mar da existência, não saberemos. Mas aqui entramos com a função do sexo: o que ele se tornou? Originou-se como um método de reprodução de modo a aumentar a variabilidade genética para se adaptar melhor as propriedades do ambiente, de acordo com a lei da seleção natural. Mas, agora, abstraímos a noção de ambiente, e assim sendo, abstraímos também a noção de reprodução. O que significa se reproduzir, atualmente? Gerar filhos sem criá-los? Podemos dizer que isto é uma forma de reprodução adequada ao que o humano se tornou atualmente? Muitos diriam que não.

Torna-se claro que ela atualmente é muito mais que somente a reprodução biológica: é também a reprodução do que essencialmente torna o que torna cada ser humano o que ele é. O ato sexual, portanto, embora não tenha mais nenhum efeito de reprodução biológico, ainda sim continua mantendo sua função, mas em uma nova abstração: ele é uma forma de reproduzir aquilo que o ser humano é. Quando fazemos sexo com outra pessoa, estamos dizendo a ela: continue a ser como vc é, isto me agrada, e por isto vou gastar meu esforço pra te agradar. E quando aceitamos o agrado de alguém, estamos dizendo a ela que é capaz de fazer ou o que ela é válido o suficiente pra nos satisfazer.

O sexo, de certa forma, está ligado a uma nova forma de alimentação. A energia sexual se tornou a nova fonte de alimento. Existem pessoas famintas, que querem cada vez mais e mais sexo porque querem cada vez mais e mais se firmarem enquanto serem que existem. Existem pessoas sem nenhum poder sexual, pois não são capazes de nada fazer ou não receberam herança nenhuma, são facilmente substituíveis. Estamos em uma nova selva: as pessoas sempre são capazes de ir além para se reproduzirem. Para isto, elas precisam de meios para sobreviver.

Além disto, o prazer de criar um filho está em ele ter vindo de uma boa fonte e da capacidade dele aprender o que há de melhor em nós e aperfeiçoar isto. Este processo é tão longo, atualmente, praticamente 18 anos, mais ou menos dependendo da família. Mas para termos o prazer de reproduzirmos temos que ter alcançado um patamar evolutivo bom o suficiente para nos sentirmos bem ao nos reproduzir: é ai aonde boa parte da energia sexual poderá ser bem aplicada, segundo a psicologia evolutiva. Aliás, existem várias formas de aplicar a energia sexual, como a forma destrutiva, por exemplo.

Sexo a forma mais primária de beleza. Todo ser humano precisa ser alimentado com beleza, para sua vida ser satisfatória. Quando ele é capaz de abstrair sua evolução a níveis mais elevados de sobrevivência ele consegue sentir beleza por coisas mais sofisticadas, mas ainda sim, de alguma forma, estas coisas estarão ligadas ao sexo, que se liga a reprodução. Contudo, um ser humano sem nenhum outro tipo de beleza recorrerá a beleza do sexo, na última instância, e se não consegui-la, se sentirá incapaz de seguir em frente na existência. Afim de evitar sua própria morte, ele assumirá posições complicadas para conquistar a beleza.

Desta forma, o ser humano vai sobrevivendo e reproduzindo, como uma grande onda. O sexo sim é algo instantaneo perto da eternidade da existência, mas seu significado é profundo e eterno. Quando fazemos sexo, estamos reproduzindo algo para a eternidade. Quando sentimos desejo sexual é porque aquele algo está associado, mesmo que inconscientemente, a algo que valorizamos e sentimos beleza. Assim a vida continua, assim suportamos a existência, assim sentimos a beleza e a satisfação de existir e dar continudade a existência.

PS: desculpas pelo texto srta. Natália, sempre me sinto inspirado a compartilhar minhas ideias com vc. Bjão.