Há muito venho desenvolvendo pensamentos para entender o que significa a verdade, a realidade, e como estes conceitos podem nos ajudar a sermos melhores humanos. Concluo, durante todo este processo, que a única coisa que podemos fazer enquanto seres humanos perto da infinidade da realidade é acreditar em nós mesmos enquanto seres vivos e conscientes da nossa existência. Mais que isso é pedir demais, pois é requerer que ultrapassemos as barreiras naturais que a existência nos impõe, como as distâncias espaciais e temporais. Porém, ferramentas interessantes foram desenvolvidas ao longo do caminho. Pretendo compartilhá-las neste texto.
O que o ser humano é senão um explorador da realidade? Cada um de nós é responsável por testar as possibilidades que nos parecem mais promissoras durante nosso tempo de vida, para assim fazer descobertas e contribuir com a evolução. Entretanto, estas descobertas estão na realidade e é nosso do nosso interesse organizá-la para tornar mais fácil seu entendimento e compartilhamento. Disto nasce a linguagem, e dela vem as construções, como a ciência, para explicar a realidade.
Porém, problemas surpreendentes começam a surgir quando tentamos explicar tais construções apenas com linguagem ou quando tentamos estudar a própria linguagem isoladamente. Isto demonstra que não há formas de conter a realidade dentro da linguagem, pois sempre precisamos da realidade para que a linguagem tenha sentido. Este fato nos leva a pensar sobre o processo de continuidade, pois a linguagem é algo combinado entre as partes comunicantes e só encontra sentido através deste acordo construído através do tempo e de modo a fazer a evolução se tornar possível.
Digo isto para refletir sobre o seguinte fato: o que nos impede de desenvolver a linguagem indefinidamente? Quando, por exemplo, um cientista preguiçoso desenvolve um artigo que foge completamente da nossa realidade, e mesmo que este artigo seja aprovado, o que faz com que esta nova linguagem desenvolvida por ele para explicar um fato novo da realidade não seja disseminado? Ora, a sua falta de contribuição da realidade. Talvez o mesmo fato seja explorado de forma melhor através de outros recursos linguísticos, que torne mais fácil seu entendimento e utilização.
Porém, não são raros os casos que o desenvolvimento de uma nova linguagem se tornou útil para a exploração de uma nova área da realidade, e estes recursos linguísticos acabam ganhando nomes tão usados que se tornam naturais aos nossos ouvidos e aos nossos instintos: parece que eles e a realidade se combinam em uma coisa só. Dito isto, podemos concluir também que é importante investigarmos se uma linha de pensamento que nos conduz diante a desconhecida realidade é realmente importante ou se ela está distante demais do que realmente é útil observar para a evolução. Em alguns casos, apenas a prática pode responder a esta pergunta.
O processo de continuidade também nos leva a refletir sobre a evolução da própria linguagem. Ela começa como algo que explica apenas ações simples, e a concatenação destas ações simples em novas palavras, pouco a pouco, vão sofisticando a linguagem, bem como a população a ela associada. A linguagem, além de precisar de seu dicionário, também precisa de seu meio tecnológico para existir. Isto é claramente evidenciado na matemática quando duas áreas diferentes da matemática conseguem fazer a mesma coisa, porém com eficiências diferentes, justamente por serem construções diferentes. A este evento chamamos de homomorfismo.
O dicionário e seus significados só são valorados através da utilização. Mas em algum momento, a utilização se misturará com a continuidade, pois chegaremos naquele conjunto de palavras básicas que são diretamente ligadas a ações. Se esta continuidade for perdida, todo o significado do dicionário também o será. Podemos chamar isto de núcleo da linguagem, pois a partir dele podemos reconstruir a utilização do dicionário. Podemos também associar um grau de precisão ou eficiência à linguagem para determinada área, pois é natural imaginar que uma linguagem que deseja descrever um evento na sua área de núcleo tenha maior precisão ou eficiência que uma que está distante deste núcleo.
Determinar o grau de precisão ou eficiência de uma linguagem é um trabalho complicado, mas bastante estudado na computação. Lá, eles utilizam o que chamam de “benchmark”, que são códigos ou pseudocódigos com o objetivo de avaliar um núcleo de linguagem em relação aos demais. Trazendo este evento para o nosso contexto, podemos chamar isto de “aferidores de atuação”, e o que se testa é a capacidade de cada linguagem de comunicar um aferidor da forma mais eficiente ou precisa possível, como desejar. Um aferidor é algo imaterial, como uma ação ou um algoritmo, e é definido e avaliado por um ser consciente e sua satisfação em relação a aquela comunicação e o que se pretendia comunicar.
Falamos anterior sobre ser consciente e área de núcleo. Numa nomenclatura mais precisa, o ser consciente evolutivo é aonde a linguagem efetua sua função de evolução, existência e continuidade. Área de núcleo é aonde aquela linguagem comunica mais diretamente as coisas imateriais, e áreas de atuação, por sua vez, são quaisquer partes da realidade capazes de ser comunicáveis. Portanto, cada aferidor pode ser categorizado em uma área de atuação, e então as linguagens com diferentes núcleos de comunicação podem ser testadas, inclusive áreas cujo núcleo pertence à área de atuação daquele aferidor.
É interessante notar que quanto mais precisa e eficiente for uma linguagem, mais trabalhosa vai ser pra ela atingir um processo de continuidade. É fácil mostrar o que é andar, por exemplo, porém mais complicado é mostrar o que é dançar. Mais ainda, para diferentes “escolas” de dança, esta palavra pode ser associada a um conjunto de ações diferente. Portanto, busca-se definir um significado geral para esta palavra, a fim de torná-la verdadeira para um maior número de situações, e então especificar de qual “escola” de dança se está falando com mais palavras. Isto é uma prática bastante comum de ser feita já que torna a linguagem mais satisfatória em sua comunicação.
Mais ainda, certos ritmos de dança são difíceis de serem descritos utilizados apenas com palavras. Vídeo se mostra um artefato tecnológico mais preciso para criar um dicionário sobre danças. Em alguns casos, é possível que uma dança comece de um jeito, e após um período de tempo se torne outra coisa, embora sua definição seja a mesma, graças à incapacidade da linguagem de capturar completamente a realidade. Mas isto é algo inerente a evolução. Como diz uma velha frase “nunca pisamos duas vezes no mesmo rio”.
Nos parágrafos acima eu fiz uma descrição satisfatória da metalinguagem. E, embora eu tenha falado no começo do texto que é difícil utilizar a própria linguagem para falar da linguagem, neste texto eu não utilizei a linguagem propriamente dita para falar sobre a linguagem, mas sim o núcleo da linguagem humana para falar da linguagem humana. Isso significa que só será capaz de entender este texto quem tenha consciência, no mínimo, do núcleo da linguagem humana, algo que só pode ser ensinado de humanos para humanos. Utilizei-me também do processo de continuação para fazer as definições acima, e assim expandi um pouco mais o que eu sinto ser o núcleo de linguagem humana, ou pelo menos a linguagem que eu poderei usar futuramente comigo mesmo.
Definimos neste texto metalinguagem e algumas de suas características, que foram as seguintes: núcleo de linguagem, tecnologia associada, utilização, processo de continuação, aferidores de atuação, precisão, eficiência, seres conscientes e áreas de atuação. Podem ou não haver mais fatores envolvidos com a metalinguagem, e a forma como eu expressei aqui esses conceitos fazem parte do que eu sinto que é a metalinguagem. Uma pessoa que sinta esta mesma área de atuação de forma diferente poderá descrevê-la diferente. O que importa para mim, atualmente, é satisfazer-me em esfera pessoal quanto a estas definições, já que estes conceitos ainda não tem utilidade na esfera pública. Quando houver necessidade, certamente as pessoas vão encontrar a melhor maneira de defini-los de acordo com a área que eles podem ser utilizados.
Enfim, aqui finalizo o texto. Sinto que posso explorar mais o conceito de área de atuação, seu tamanho e sua relação com a precisão e a eficiência, mas deixarei isto para uma próxima vez que eu revisar este texto. Abraço a todos.