domingo, 7 de fevereiro de 2016

Sistemas de classificação e a objetificação do ser humano

Durante meus estudos independentes de psicologia, surgiu-me a necessidade de classificar os seres humanos. Este ser humano é alto, aquele é baixo. Este humano é pobre, aquele é rico. Este é inteligente, aquele burro. Este humano está acima da média, aquele abaixo. Classificações como estas são comuns quando se desenvolve sistemas de classificação para estudos da realidade. Afinal, um físico precisa saber se está lidando com um objeto líquido ou sólido em seu sistema para fazer suas previsões.

Contudo, observo algo interessante quando comunico as pessoas meu sistema de classificação dos seres humanos. As pessoas apresentam certa aversão ao sistema de classificação. A alegação mais significante era a de que o ser humano é muito mais do que qualquer classificação pode exprimir, cada ser humano é único. Esse tipo de afirmação me causava certa estranheza, já que quando observados um objeto e determinamos se ele é sólido ou líquido, a argumentação de que “cada objeto é único” também pode ser aplicada, já que cada objeto tem seu arranjo único de átomos tal como o ser humano, mas ninguém sente aversão a este tipo de classificação.

Então surge o mistério de explicar o que causa a aversão nas pessoas quanto a classificação dos seres humanos. E aqui vemos claramente o poder da mente humana, com sua capacidade de fazer associações implícitas que, com muita dificuldade pelo menos pra mim, podem ser traduzidas com alguma precisão para a linguagem humana. Neste caso, explico esse fenômeno psicológico como a “aversão da objetificação ao ser humano”. Segue a explicação.

Quando se tenta objetificar o ser humano através de classificações, excluí-se o maior atributo de todo ser humano: estar vivo. Isto porque um ser humano é vivo, mas um objeto é morto. Um objeto é o que é e assim o será até que algo ou alguém o mude, mas não uma pessoa. O poder de transformação está dentro dela, e quando um agente externo a classifica como “rica ou pobre, inteligente ou burra, acima ou abaixo da média”, este agente simplesmente está ignorando este poder e transformando-a em algo morto. E isto explica a aversão apresentada à classificação de seres humanos, já que é comum ao ser humano não se sentir a vontade diante da morte. O mesmo não acontece à classificação de coisas que já são objetos, como o exemplo do estudo físico citado anteriormente.

Sinto-me satisfeito diante desta definição deste fenômeno, tanto pela demonstração de poder de associação implícita da mente humana como também por ela me sugerir um modo de evitar essa associação e continuar meus estudos. O próximo questionamento a ser feito é: supondo que se consiga desenvolver um sistema de classificação de ser humano que consiga respeitar que o ser humano seja vivo, porque desenvolver isto? E é aqui que entra as implicações sobre o estudo da realidade.

Porque nos preocupamos em classificar um objeto em seu estado líquido ou sólido? Ora, para melhorar nossa capacidade de observação e comunicação. Classificar em si não diz muita sobre a realidade, mas a argumentação feita através de objetos definidos através da classificação diz. Por exemplo: “isto é líquido” não diz muita coisa sobre o objeto, mas “todo objeto líquido adquire a forma do seu recipiente” diz. O mesmo se aplica aos seres humanos. Classificamos pra aumentar nossa capacidade de comunicação e observação. Não é um erro classificar, mas sim achar que a classificação mortifica alguma coisa. A classificação é viva, pois ela depende de um ser vivo, neste caso o ser humano, para validá-la ou não. Afinal, quem torna a frase “todo objeto liquido adquire a forma de seu recipiente” verdadeira senão um ser vivo?

No final precisamos acreditar em nós, na nossa capacidade de observar, comunicar e de ser vivos. É preciso classificar a realidade para poder tomar decisões, aprender, ensinar, prever, adotar todos os benefícios que uma realidade bem classificada possa oferecer aos seres vivos que se preocupam em classificá-la, como resolver problemas e viver melhor. Claro que todo sistema de classificação tem sua distância da realidade, e essa distância deve ser conhecida e respeitada, mas isto não invalida os benefícios do estudo. Por exemplo, é dito que todo líquido adquire a forma de seu recipiente, mas não é dito o quão veloz ele faz isto.

Todo ser vivo deve ser livre para aceitar, rejeitar ou aperfeiçoar quaisquer sistemas que lhe é oferecido, assim como criar o seu próprio de modo a comunicar melhor à realidade que ele observa. Portanto, usemos essa liberdade com sabedoria, para aprendemos a resolver nossos problemas e encontrar os caminhos para a vida. Com isto em mente é que eu irei continuar com meus estudos do ser humano, sabendo que nenhuma classificação terá poder para definir exatamente o que um ser humano é, mas entendendo que é preciso ter alguma coisa, mesmo que imprecisa, para tirar minhas conclusões, organizar o que sinto e observo e conseguir desenvolver formas de prever e tomar decisões com base em algo mais estruturado que apenas a sensação.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Sobre filosofia e sua relação com o amor

Faz algum tempo que eu venho desenvolvendo estruturas teóricas para lidar com o amor. Mas durante o desenvolvimento destas estruturas, se tornou óbvio pra mim que isto não é algo tão simples quanto produzir matemática ou sistemas lógicos. Amor é algo muito mais profundo que uma estrutura congelada de regras e comportamentos: o amor é vivo como a água em estado líquido, quente o suficiente pra não ser congelado e frio o suficiente pra deixar quem nela vive ter estabilidade.

Pensando nisso, de que adianta, afinal, conversar sobre o amor? Desenvolver suas estruturas teóricas ou viajar através do pensamento por todas as suas possibilidades? De outro modo, pra que serve pensar filosoficamente sobre o que significa o amor? Se no final das contas, não existem regras, comportamentos ou atitudes que o defina? Para responder isto, vamos buscar inspiração de uma área um pouco inusitada: o desenvolvimento de sistemas computacionais, que de certa forma se assemelha a arte como explicarei a seguir, mas ao contrário dela, seu objetivo não é subjetividade.

Muito se fala sobre a inteligência artificial. Mas muitos já concluíram que, se existir uma inteligência artificial o suficientemente avançada, esta se assemelhará aos seres humanos a menos pela velocidade de tomada de decisões. Isto significa que ela poderá errar, pois estará limitada, assim como os seres humanos, aos seus dados de entrada, que nem sempre são verdadeiros ou precisos graças à imperfeição dos instrumentos sensoriais. Ou seja: viver é, de uma forma ou outra, um processo de sentir a realidade.

É então que chegamos aos desenvolvedores de sistemas computacionais. Estes precisam desenvolver algoritmos para resolver um problema do mundo real de maneira eficiente, para então serem reconhecidos em seus empregos. Mas a questão é: como são desenvolvidos os algoritmos? Podemos adiantar a suposição de que não existe nenhuma forma mecânica de fazer isto, pois se existisse, a inteligência artificial já teria se desenvolvido e seria diferente do ser humano. Portanto, resolver problemas se demonstra um exercício de criatividade, investigação e decisões que leve ao caminho correto da solução.

Se pensarmos quantos caminhos existem para a solução otimizada do um problema e quantos existem que não leve a ela, chegamos a conclusão que qualquer ser que tente chegar a solução otimizada através do acaso terá uma probabilidade insignificante de ter sucesso. É neste momento que somos capazes de perceber a importância de pensar filosoficamente sobre qualquer assunto, e mais ainda, sobre um assunto tão importante quanto o amor.

É através do pensamento filosófico que exploramos todas as possibilidades do que pode ser sem nos preocuparmos com o caminho que leve de fato, aquilo que imaginamos à existência. Desta forma, embora não saibamos qual caminho seguir, diminuímos significantemente a chance de pegamos um caminho errado, pois existe a concepção filosófica de onde se quer chegar durante o processo de exploração da realidade. De fato, se pensarmos a quantidade de ideias significantes apresentadas por seres humanos para a resolução de problemas, percebemos a importância deste processo não somente para o amor, como também para qualquer atividade de envolvimento com a realidade.

Contudo, é inocente quem pensa que pensar na concepção filosófica é o suficiente para a resolução do problema. Isto é apenas parte do processo, embora uma parte importante. Muitas soluções são alcançadas ao acaso, com uma concepção básica de sua filosofia, mas com uma grande exploração da realidade. De fato, quanto mais se conhece sobre a realidade, maior é a chance de desenvolver uma concepção filosófica já compatível com ela. Caso contrário, é preciso testar, e se der errado, voltar à filosofia e explorar todas as possibilidades não levando em conta aquele caminho.

É natural supor que a solução otimizada, aquela que resolve o problema da melhor maneira possível, só é alcançada através de um forte embasamento filosófico associado ao forte embasamento prático. Esta dupla união é tão rara que quem a alcança é tem uma grande chance de se destaca em sua área, ou mesmo ser eternizado como alguns dos nossos mais famosos pensadores.

Agora que fortemente inspirados pela forma como a filosofia pode ajudar a resolver problemas, entendemos a importância de pensar filosoficamente sobre o amor: é através da concepção filosófica do que é o amor que os seres humanos têm maior chance de fazer as escolhas em seu cotidiano que o leve a ele. E embora cada ser humano seja único, e, portanto, o caminho que o leve ao amor também seja único, conceber o que é o amor, conversar sobre isso e observar como outras pessoas o alcançaram pode aumentar a chance de ele esbarrar ao acaso no caminho certo pra ele.

Finalizando o texto, falamos muito sobre como a filosofia pode ajudar o ser humano a resolver seus problemas e como usar isso no contexto de amor, respeitando a individualidade de cada um. Contudo, começando por um ponto de partida filosófico sobre o que é o amor, podemos fazer uma definição geral do que ele venha a ser. Cada um que se sinta a vontade para fazer sua própria definição, decidir qual pode ser a melhor ou a pior para si, e aqui darei a minha como forma de despedida: amor, para mim, é o caminho que leva o ser humano à vida e a satisfação. Um abraço a todos e até a próxima postagem!

domingo, 16 de agosto de 2015

Resposta sobre o sexo e sua essência instatânea da Natália: a função do sexo na atual abstração de evolução do ser humano

Eu consegui entender metade sobre o que vcs conversaram nessa conversa. Vou tentar dar uma opinião: sermos onda é uma boa analogia pra entendermos o oceano da evolução. O que é onda se não uma energia sendo transmitida através de um meio físico com uma fonte geradora? Qual fonte geradora é essa? Não sabemos. Mas uma vez essa energia transmitida para o material, o material, através das suas propriedades, a transmitirá para o futuro. Tal material somos nós, humanos, e essa energia é a evolução.

Se essa onda será infinita ou não no mar da existência, não saberemos. Mas aqui entramos com a função do sexo: o que ele se tornou? Originou-se como um método de reprodução de modo a aumentar a variabilidade genética para se adaptar melhor as propriedades do ambiente, de acordo com a lei da seleção natural. Mas, agora, abstraímos a noção de ambiente, e assim sendo, abstraímos também a noção de reprodução. O que significa se reproduzir, atualmente? Gerar filhos sem criá-los? Podemos dizer que isto é uma forma de reprodução adequada ao que o humano se tornou atualmente? Muitos diriam que não.

Torna-se claro que ela atualmente é muito mais que somente a reprodução biológica: é também a reprodução do que essencialmente torna o que torna cada ser humano o que ele é. O ato sexual, portanto, embora não tenha mais nenhum efeito de reprodução biológico, ainda sim continua mantendo sua função, mas em uma nova abstração: ele é uma forma de reproduzir aquilo que o ser humano é. Quando fazemos sexo com outra pessoa, estamos dizendo a ela: continue a ser como vc é, isto me agrada, e por isto vou gastar meu esforço pra te agradar. E quando aceitamos o agrado de alguém, estamos dizendo a ela que é capaz de fazer ou o que ela é válido o suficiente pra nos satisfazer.

O sexo, de certa forma, está ligado a uma nova forma de alimentação. A energia sexual se tornou a nova fonte de alimento. Existem pessoas famintas, que querem cada vez mais e mais sexo porque querem cada vez mais e mais se firmarem enquanto serem que existem. Existem pessoas sem nenhum poder sexual, pois não são capazes de nada fazer ou não receberam herança nenhuma, são facilmente substituíveis. Estamos em uma nova selva: as pessoas sempre são capazes de ir além para se reproduzirem. Para isto, elas precisam de meios para sobreviver.

Além disto, o prazer de criar um filho está em ele ter vindo de uma boa fonte e da capacidade dele aprender o que há de melhor em nós e aperfeiçoar isto. Este processo é tão longo, atualmente, praticamente 18 anos, mais ou menos dependendo da família. Mas para termos o prazer de reproduzirmos temos que ter alcançado um patamar evolutivo bom o suficiente para nos sentirmos bem ao nos reproduzir: é ai aonde boa parte da energia sexual poderá ser bem aplicada, segundo a psicologia evolutiva. Aliás, existem várias formas de aplicar a energia sexual, como a forma destrutiva, por exemplo.

Sexo a forma mais primária de beleza. Todo ser humano precisa ser alimentado com beleza, para sua vida ser satisfatória. Quando ele é capaz de abstrair sua evolução a níveis mais elevados de sobrevivência ele consegue sentir beleza por coisas mais sofisticadas, mas ainda sim, de alguma forma, estas coisas estarão ligadas ao sexo, que se liga a reprodução. Contudo, um ser humano sem nenhum outro tipo de beleza recorrerá a beleza do sexo, na última instância, e se não consegui-la, se sentirá incapaz de seguir em frente na existência. Afim de evitar sua própria morte, ele assumirá posições complicadas para conquistar a beleza.

Desta forma, o ser humano vai sobrevivendo e reproduzindo, como uma grande onda. O sexo sim é algo instantaneo perto da eternidade da existência, mas seu significado é profundo e eterno. Quando fazemos sexo, estamos reproduzindo algo para a eternidade. Quando sentimos desejo sexual é porque aquele algo está associado, mesmo que inconscientemente, a algo que valorizamos e sentimos beleza. Assim a vida continua, assim suportamos a existência, assim sentimos a beleza e a satisfação de existir e dar continudade a existência.

PS: desculpas pelo texto srta. Natália, sempre me sinto inspirado a compartilhar minhas ideias com vc. Bjão.

sexta-feira, 31 de julho de 2015

Resposta à pergunta do Pedro Torres: como a discussão do que é ser humano pode ser reduzida a discussão do que é uma maçã

Pedro, vc lembra sobre a série de perguntas que vc fez a mim para identificar o que é uma maçã? Bem, tenho quase certeza que sim, mas vou expô-las aqui para quem mais tiver curiosidade em saber: o que é uma maçã? Uma maçã mordida continua sendo uma maçã? Uma maçã pequena continua sendo uma maçã? Metade de uma maçã é uma maçã? Ou seja, todas estas perguntas estão fazendo referência a uma "maçã" ideal. Contudo, quem idealiza essa maçã é o ser consciente, e essa idealização é feita através do uso que será feito daquela maçã. Porém, é preciso implementar a maçã na realidade, e a partir de então constrói-se um modelo. Alguns modelos vão aceitar uma maçã mordida como maçã, outros não. Alguns modelos vão aceitar uma maçã pequena sendo uma maçã, outros não. Da mesma forma, o ser humano.

O que é um ser humano? Um ser humano sem braço, continua sendo um ser humano? Um ser humano com braço robótico, continua sendo um ser humano? Um ser humano com síndrome de down, continua sendo um ser humano? Novamente, depende do modelo. Para alguns modelos sim, para outros, estes são humanos "especiais", e ainda, há outros que mesmo deixa de considerá-los. Chegamos então aos modelos, e parece-me haver aqui a referência de um modelo real, e os demais modelos implementados. Fazemos a pergunta que modela o modelo real? Será ele um modelo platônico, que existe antes mesmo do objeto em si existir? Talvez passamos aqui para o estudo da memética.

De onde vem a "maçã" ideal? Ou, ainda, voltando a nossa conversa, Pedro, de onde vem o significado do número? Do ser consciente, oras! Concordamos, nós dois, que se um dia todos os matemáticos do universo morressem, a matemática morreria junto. O mesmo vale para a maçã. O mesmo vale para o ser humano. Portanto, o mesmo que irá validar o que é o significado de um número, irá validar o que é uma maçã, e também irá validar o que é ser humano: a concordância entre os seres conscientes envolvidos.

Se estamos falando de um modelo, seja ele ideal ou implementado, estamos falando também da necessidade que o ser consciente tem de interagir com a realidade. Se houver apenas um ser consciente e a realidade, o modelo ideal será exatamente aquilo que esse ser consciente idealizar, afinal, só existe ele com capacidade de dar identidade aos fenômenos da realidade. Contudo, se estamos falando de um modelo entre mais de um ser consciente, o modelo ideal será a negociação que ocorre entre todos estes seres e o que eles aceitam. Desta forma, a pergunta: "quanto pesa uma maçã ideal?" se torna extremamente complexa de ser respondida, porque a resposta envolve o consenso de todos aqueles que lidam com modelos envolvendo maçãs implementadas. Podemos, para a finalidade de encontrar uma resposta objetiva a esta pergunta, assumir que o peso da maçã ideal será a média aritmética de todos os modelos de maçãs ideais que existem entre os seres conscientes que lidam com maçãs implementadas. Contudo, nem todo mundo que lida com maçã implementada explícita o quanto sua maçã ideal pesa. Aliás, isto nos leva a uma questão interessante: o quanto o algo ideal é definido? Novamente, acho que a memética trata sobre isso. Seguindo.

Vejamos o exemplo das unidades de meda, o quilo por exemplo. O quilo ideal pesa exatamente um quilo. O mais próximo que temos do quilo ideal é o quilo encontrado em um cofre protegido por autoridades internacionais e é usado como referência para o comércio e indústria global como uma forma de acordo e harmonia (desculpem-me a falta de precisão neste dado, procurem na web que acharão). Para ser mais preciso, o quilo ideal foi definido, em acordo uns séculos atrás como sendo este objeto, mas sabe-se que ele está perdendo peso devido suas propriedades físicas (como decaimento químico) e por isso ele está se afastando do que foi definido como o "ideal" para a indústria e comércio. Li isso rapidamente agora e parece-me que vão substituir objeto por um mais preciso, com menos decaimento.

Voltamos, então, a discussão, "o que é ser humano?" E através da linha de raciocínio anterior reduzimos discussão a "o que é uma maçã?". A forma de obter a resposta, para as duas perguntas, é a mesma. Através da negociação do modelo ideal daqueles que lidam com essas implementações. Em alguns casos pode ser impossível definir. Mas isto nos leva a seguinte pergunta: quem implementa? Não, não é o ser humano, pois o ser humano não pode ser ao mesmo tempo aquele que define e aquele que é definido, pois isto seria paradoxal. Afinal, afirmamos que ser humano é aquele que define, como Pedro mencionou através do princípio dos universalistas, seria dizer que todo ser que é capaz de definir, é ser humano, e sabemos que isto não é verdade. A resposta para esta pergunta, pelo menos para mim e para meu modelo, está numa entidade que eu chamo de ser consciente evolutivo. Este ser, e o ser humano é uma implementação deste ser, é aquele que é capaz de definir. O ser humano também o é por transitividade.

Então, precisamos encontrar uma definição do ser consciente para o ser humano ideal. Para mim, a definição que a biologia desenvolveu através da Cladística, e aqui agradeço o link do Gabriel, é o suficiente para mim, enquanto ser consciente, para definir o ser humano ideal. Agora, quanto as implementações do ser humano, cabe a cada modelo que o implementa definir o que é ser humano para ele, e se essa modelagem é o suficiente para alcançar tudo o que o seres conscientes que participam deste modelo esperam.

Desculpem-me pelo texto longo, mas quis deixar tudo claro quanto a redução da definição do ser humano à definição de uma maçã e depois explicar, segundo o que eu percebo, como essas definição são feitas e suas classificações quanto ao seu grau de existência, pois eu imagino que isto serão questões que chegaremos ao decorrer dessa conversa. Abraço a todos.


Iana, exatamente por isso eu disse: "Não estou falando da representação do tempo, mas do tempo em si, como entidade." e "seja lá como vc queira sentir o tempo passando pela sua existência". Se vc sente o tempo passando através do movimento, que assim seja, vc tem o direito de definir o tempo como quiser prq vc é um ser consciente. Porém, não acho das definições, essa a mais correta, porque pela teoria da relatividade eu posso definir um ponto de referência inercial, e para esse ponto, ele nunca vai se mover, contudo, ainda sim, o tempo passa pra ele.

A menos que vc diga que o tempo está passando pra ele através do movimento interno dos seus átomos, e ai vem uma questão complicada: como fazer o átomo parar de se mover? E se conseguirmos, isto implica que o tempo também irá parar para aquele átomo? Talvez. Nesse caso, o tempo é movimento. Como parar o movimento? Se existir um como, então esta será a resposta para a pergunta: "como parar o tempo". Ou seja, podem ser coisas equivalentes.

Mas ainda sim há outro problema. Se definirmos o tempo como o movimento, e assumirmos como ponto de referência a entidade menos complexa do universo, o verdadeiro "átomo" universal, e se este átomo tiver uma natureza sem movimento, isto implica que para ele, o tempo não existe, já que ele não se movimenta. Se este "átomo" não tem movimento, e, portanto, o tempo para ele não existe, e se dele são compostas todas as matérias do universo, conceituar o tempo como movimento não me parece apropriado, a menos que seja o conceito de movimento a partir de certa complexidade de matéria. Mas que complexidade seria esta? Estamos estudando a natureza da física, afinal.

Então, ficamos com a pergunta: o que é o tempo? Eu respondo isto dizendo que nunca poderemos compreender totalmente o tempo, apenas ter um razoável modelo sobre o que ele significa. Afinal, ele, pra psicologia evolutiva, é a entidade consciente axiomática. Uma vez que vc o entenda, sobre qualquer forma, ele já vai ter mudado, e assim nunca seremos capaz de entendê-lo instantaneamente. Então você, como entidade consciente, será apenas capaz de senti-lo ou de desenvolver algum modelo que, no máximo, corresponda a realidade com certa imprecisão ou atraso.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

A ideia de um ser perfeitamente evoluído é absurda ou divina

Segue-se os motivos:

Assumimos que um ser evoluí, em ultima instância, em resposta ao seu ambiente.

Assumimos que o ambiente tal como conhecemos nunca será estático. Ele sempre estará em constante mudança.

Assumimos que se um ser é perfeitamente evoluído, ele não tem mais como evoluir. Ou seja: ele está perfeitamente adaptado a realidade do seu ambiente.

Contudo, se assumirmos que a afirmação 3 é verdadeira, então entraremos em contradição, porque se o ser é perfeitamente evoluído implica que seu ambiente é perfeitamente estático, o que é falso de acordo com a afirmação dois.

Porém, podemos adaptar a terceira afirmação para que ela não torne o sistema contraditório caso seja verdadeira. Segue a adaptação:

Assumimos que se um ser é perfeitamente evoluído, ele não tem mais como evoluir, e ele necessariamente tem de ser onipresente, onipotente e onisciente em relação ao seu ambiente.

Conclusão: o único ser perfeitamente evoluído que poderia existir seria a própria definição de Deus.

terça-feira, 2 de junho de 2015

A busca de Deus

Conhecer a verdadeira mecânica é conhecer a mente de Deus. Mas desta se derivam outras, as mecânicas mundanas, responsáveis pela continuação do que aqueles cujo o coração foi forte o suficiente pra resistir os desafios de alcançar tamanho conhecimento foram capazes de presentear a humanidade. Desta mecânica mundana nascem as recompensam e os prejuízos, todos a curto prazo, para preencher a vida daqueles que se preenchem com os conhecimentos passageiros, mas fáceis de se obter, da vida.

Conhecer a mente de Deus é um dos maiores desafios para qualquer ser humano. Apenas através do verdadeiro amor é possível alcançá-la, pois para alcançar tais conhecimentos, puros em sua essência, é necessário matar toda impureza do ser e buscar através do sentimento divino. Pois é através da morte que se conhece a vida, e somente através o amor é capaz de guiar o ser humano corretamente para alcançar aquilo que é imutável, pois somente assim ele andará pelo vale da morte e mesmo assim terá forças para continuar.

Há ainda outro perigo para aqueles que alcançam a mente de Deus: acessar tais conhecimentos podem fazê-lo se esquecer do que ele é, e mesmo até se confundir com o próprio Deus. Mas somente Deus é Deus, e cada humano é o que ele é. Mas apenas conhecendo a mente de Deus se tem acesso a verdadeira fé, ao verdadeiro amor e aos conhecimentos capazes de revolucionar a mecânica mundana reproduzida por aqueles que são responsáveis pela continuidade da atualidade.

A atualidade que não é eterna: tende a se deteriorar e corromper por ser composta apenas dos conhecimentos descobertos por aqueles cujo guia não foi o sentimento divino, mas sim sentimentos efêmeros e fundamentados no passageiro ou na mentira. Mas neles não há culpa, pois o ser humano é falho por sua própria natureza, mas são suas falhas que dão espaço a renovação, à descoberta, e ao cada vez melhor entendimento da mente divina por aqueles que a buscam. Sem o pecado não há virtude. Sem a morte não há vida. Sem amor não há Deus.

O que não falta são pessoas capazes de produzir dinheiro, conhecimento, beleza, mas não estão em paz ou em nada contribuem para o bem-estar do próximo. Estes não são guiados pelo amor, mas pela mecânica da vida que os faz continuar sem acordar para o que é a vida, sem acordar para Deus. Para todos aqueles cujo suicídio já passou a mente, acreditem no amor: deixem o que há de ruim e em vocês morrer e que sobre somente o amor, e assim vocês estarão mais perto de Deus, pois terão condições de buscá-lo através do que é produzido por aqueles que agem apenas por agir. E então a recompensa chegará: evoluir através da paz divina.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

Formalização do conceito de sistema segundo a psicologia evolutiva:

Sistema é tudo o que faz parte uma entidade consciente. Ela tem controle sobre alguns dos aspectos de um sistema, mas não sobre todo ele. Todo sistema precisa produzir resultados, caso contrário, ele pode perder sua responsabilidade social. Para produzir resultados, são delegadas a determinadas entidades, a quais chamaremos de fêmeas, o controle de atribuir objetivos a serem cumpridos, e a outras, que chamaremos de macho, são delegadas a responsabilidade de atingir estes objetivos.

Assumindo que já exista um sistema estabelecido, onde os machos e as fêmeas já saibam como produzir resultados, e observando que todo sistema precisa continuar crescendo para não perder sua atividade social, é possível assumir que a fêmea sempre tenderá a aumentar a dificuldade dos objetivos, a isto definiremos de aumentar o estresse do sistema. Os machos, para cumprir o objetivo, precisarão inovar ou corromper.

Embora estas palavras possam parecer sinônimas, atribuiremos aqui um sentido pejorativo a corrupção e apreciativo a inovação. Toda corrupção é alcançada através da mentira, e toda inovação é alcançada através da busca. Desta forma, deseja-se que um sistema cresça através da inovação, e não através da mentira, pois a primeira gera bons frutos em relação a responsabilidade social, a segunda não. Além disto, machos acostumados a buscar são bons em se adaptar a novos contextos, já os adaptados a mentira não.

Aqui entra o conceito de inflação um sistema. Quanto maior for a diferença entre a expectativa da fêmea e a real produção dos machos, maior será a inflação do sistema. É natural que haja um nível aceitável de inflação no sistema vindo da busca e do estresse, a qual popularmente chama-se "gambiarra", que podem ser inclusive fruto de inovação. Contudo, um sistema muito inflacionado pode ser perigoso, pois seus resultados são corroídos a cada geração de machos e a cada mudança de expectativas a qual eles são submetidos.

É possível que o sistema entre num estado de relaxamento ou mesmo abandono. Isto acontece quando a fêmea perde o interesse de estressar os machos, seja porque o sistema já está bom demais a ponto da fêmea não se preocupar com a melhora, descaso da fêmea com a função do sistema para a sociedade ou mesmo falta de cobrança da sociedade pelos resultados daquele sistema. Quando isto acontece, é comum a corrupção se instalar e os resultados começarem a cair. Em casos extremos, os próprios machos ou mesmo a sociedade podem querer reviver o sistema pressionando ou trocando a fêmea.

Existe também as definições de sistema artificial e sistema natural. O sistema acima é um sistema natural. Um sistema artificial tem características diferentes, pois o macho é quem lidera a busca e não existe fêmea para estressá-lo ou não, ela apenas o acompanha e dá suporte a ele e sua busca. É comum um sistema natural se tornar artificial quando as entidades que o controlam querem impedir a perca de poder através da inovação. É quando há os períodos de revolução. Tecnologias são sistemas as quais as entidades têm completo controle, não apenas parcialmente.

Este texto tem como objetivo demonstrar conceitos fundamentais sobre a relação entre entidades de um sistema, e o compromisso dele com a sociedade. Podemos ver que não existe processo de automatização para manter um sistema saudável, se não a preocupação com a forma de produção dos seus resultados e com impacto social que eles produzem para a sociedade. É preciso ainda analisar a sociedade a qual este sistema está inserido, e se o que ela está exigindo é realmente possível ou não de ser realizado sobre uma quantidade de estresse humanamente suportável a ponto da corrupção não ultrapassar o limite da gambiarra.

Toda entidade que não busca fazer parte de um sistema tende a um looping de retroalimentação que a faz tender ao enlouquecimento. Toda entidade também tem dentro de si o feminino e o masculino, mas em sua personalidade há uma maior capacidade de se estabilizar ou em um, ou em outro. Porém, um feminino sem um pouco de masculino não tem capacidade de inspirar as novas gerações, e um masculino sem um pouco de feminino não tem condições de encontrar prazer em suas conquistas. Cada entidade se conecta a outra de um modo único como uma forma de se completar e autenticar como aquele que contribui com a evolução. Toda entidade consciente, sistema ou tecnologia tem como objetivo a evolução, que é o meio pelo qual a vida encontra para ser experienciada e continuada. Isto deve ser a principal referência de calibragem social: a boa evolução da nossa sociedade.