quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Características e funções da igreja e relativismo bíblico

Introdução:
Bem vindos a mais uma postagem. Este dia tem sido estranho, tanta coisa pra fazer que acabo não fazendo nada. Portanto, vou escrever e depois continuar a leitura de Mateus, se der tempo. Hoje venho escrever sobre mais três assuntos fundamentais para a fundamentação do meu pensamento teológico. No entanto, estes assuntos não se baseiam diretamente da leitura que tenho de Mateus, até agora, mas penso que eles estão adequados com o que está escrito na palavra.

Características e funções da igreja:
Pra que serve a igreja, afinal? Penso que em algum lugar na bíblia diz que o congregar no corpo de Cristo é um dos princípios sagrados que agradam ao próprio Deus. Isto, afinal, deve acontecer porque Deus não criou o homem para viver só, e sua a obra e presença ficam mais fortes quanto feitas em comunhão. No entanto, características extras da manifestação da fé começam a surgir através da congregação, e é sobre elas que irei falar agora.

Adaptação da palavra:
Um dos objetivos da vinda de Jesus, como explicado em “Portas do céu”, foi ser o caminho para que as pessoas acessem o paraíso. Portanto, sendo a igreja a representante de Cristo aqui na terra, ela tem função idêntica. Porém, quando começamos a estruturar uma igreja aqui na terra, nos deparamos com questões físicas a serem resolvidas, como geografia, cultura, recursos. Portanto, o conjunto de decisões estabelecidas por determinada igreja determinará como ela atua na terra.

De tal forma que, parece-me, cada igreja tem sua própria forma de acessar a Deus, todas válidas em Jesus. Para entender melhor isto, dou o seguinte exemplo: Jesus falaria da mesma forma à um camponês e a um homem da lei? Imagino que não, afinal, Jesus busca aproximar sua linguagem do cotidiano das pessoas para que elas acessem dentro de si o reino dos céus. Idem a igreja, que desenvolve sua própria linguagem e costume para acessar determinado povo específico e elevá-los a Cristo.

Isto que dizer que cada igreja tem sua base de funcionamento, mas sendo ela Cristã, todas elas devem ter como objetivo final trazer Cristo a terra.  Portanto, é natural que nos identifiquemos mais com um tipo de igreja à outra. Afinal, ninguém é igual. Ainda adiciono mais: Jesus dá a autoridade para todos aqueles que conhecem sua palavra para eles mesmos montarem suas próprias igrejas. Portanto, se alguém não se sentir representado por nenhuma igreja, ele mesmo que monte a sua e convide seus semelhantes. Afinal, desde que sigam a palavra de Jesus e o declarem com o seu salvador, eles possuem a autoridade da vida.

Aprender a relacionar-se:

Outra coisa que faz o congregar ser tão importante é o aprender a relacionar-se. Aquele que se isola do relacionamento humano esfria seu coração. Por mais conhecimento que ele tenha, tanto teológico quanto natural, devido ao seu coração frio, certamente ele se afastará de Deus.  É fácil imaginar que este não é o desejo do nosso criador. É possível concluir que relacionar-se na igreja é um modo de estar próximo ao criador, pois as superações diárias do convívio revelam a natureza humana para a criatura, e a necessidade dela confiar em seu criador para prosseguir.

O conhecimento obtido através do convívio na igreja deve ser aplicado no mundo. Isto significa que, ao aprendermos a nos relacionar com a igreja, estamos também aprendendo a nos relacionar com o mundo natural. Através dos desafios que a igreja nos impõe para adorarmos cada vez melhor, para conhecermos melhor a Deus, aprendemos, com o auxílio das nossas autoridades espirituais, a ser fortes em espírito. Assim, estamos fortes no espírito para realizar as obras no mundo mesmo que não tenhamos o auxílio da nossa autoridade espiritual. É através de obras cheias do Espírito Santo que abençoamos o mundo no tempo histórico que vivemos.

Calibragem no Espírito Santo:
Para finalizar, já ouvi falar de um princípio da bíblia do não escândalo, e somando isto ao fato de que precisamos escutar nossos ancestrais, explicado no conceito fundamental a equivalência do feminino e masculino, encontramos mais uma interessante característica da igreja: a autocalibragem cultural. No entanto, é preciso lembrar que estamos no contexto Cristão, portanto, aquele que deve determinar nossa cultura é o Espírito Santo. Dei alguns exemplos disto no conceito fundamental separação, mas vou dar mais uma breve explicação.

Imaginemos que cada comportamento tenha um impacto no convívio social. Na igreja em específico, este impacto será avaliado três fontes: o pai, a mãe e a autoridade espiritual de quem efetuou aquele comportamento. É preciso que os três estejam de acordo para que aquela pessoa tenha capacidade de sustentar aquele comportamento, de modo a influenciar as outras pessoas a segui-lo. Caso contrário, certamente ela será desestimulada a continuar com aquele comportamento. Se, ela ainda assim seguir em busca daquilo, significa que existe algo mal construído na vida dela, que fatalmente a levará a algum pecado.

Dado que ela consiga sustentar aquele comportamento, é chegada a hora da própria comunidade sentir o impacto daquele comportamento. A comunidade poderá segui-la ou ignorá-la. De qualquer forma, quem decidirá isto é o próprio amadurecimento espiritual das pessoas que pairam ali, de modo que a igreja se adapte às características culturais de cada local. Portanto, é perfeitamente possível um comportamento que é mal visto em uma igreja ser comum em outra, e ambas as igrejas estarem alinhadas no caminho do senhor.

Obviamente, na realidade, isto não acontece. É comum, primeiro, a igreja sofrer o impacto, para depois haver a intervenção da autoridade religiosa. Ainda, precisamos contar que nem sempre todos que entram na igreja têm uma boa estrutura familiar, faltando-lhes a figura materna e paterna, de modo que eles irão precisar suprir isto da maneira que o espírito lhes revelar. De qualquer forma, nenhuma igreja deverá ser perfeita assim como nenhum humano o é, somente Cristo, que é o destino final de ambos, igreja e humano.

Existem, ainda, muitas pessoas que precisam elevar-se espiritualmente para se adaptarem ao convívio na igreja. Certamente elas se sentem incomodadas com certos comportamentos que em essência não são maus. Portanto, este é o momento adequado para que elas amadureçam, e é esperado que elas tenham o auxílio de sua autoridade espiritual, da palavra ou mesmo do próprio Espírito Santo, através da oração, para tanto. Desta forma, a igreja se acostuma a receber vidas, e através disto crescimento, ao invés de se acomodar ao seu nível espiritual e deixar que o mundo decaia.

Relativismo bíblico:
Certa vez ouvi que um dos maiores inimigos atuais da igreja é o relativismo bíblico. Não sei se ainda é válido ou como a igreja tem se comportado a tal ataque, mas gostaria de deixar clara aqui minha posição na seguinte afirmação: este não é nosso inimigo. Digo isto pois acredito que o relativismo não é a causa, mas sim a consequência de um profundo processo de transformação que nosso mundo está sofrendo, e este processo tem haver com a crise de autoridade. No entanto, antes de explicar melhor um pouco isto, gostaria de dissertar o quão estranha me parece ser a ideia de que o relativismo é o inimigo.

Imaginemos, pois, uma pessoa que acredite na relatividade do gênero. Outra, no entanto, mostrará a bíblia e afirmará: Deus diz que se criou o homem e a mulher, e assim deve ser. Porém, aquela que acredita na relatividade dos gêneros dirá: não concordo com isto! Minha interpretação é outra. E logo haverá a acusação do relativismo bíblico, que fechará a discussão. Portanto, finalizamos com a seguinte situação: uma, por algum motivo, busca provar uma visão diferente daquela dita pela bíblia, enquanto que outra busca provar, através das escrituras, a visão da bíblia. Elas, não encontrando conciliação, se afastaram, fugindo da unidade de Deus. Portanto, percebam: a palavra de Deus, ao invés de causar união, causará separação.

É certo que Deus nos pede para nos separar do mundo e olhar para as coisas espirituais, e sua palavra certamente é nosso guia espiritual. No entanto, percebam que a pessoa que busca provar algo diferente do que está na bíblia irá se afastar do corpo de Cristo, perdendo a oportunidade de aprender. A que está no corpo de Cristo, por outro lado, perderá a oportunidade de encontrar formas de demonstrar a aquela pessoa que aquilo que ela acredita está errado. afinal, ela estará afastada à deriva das mentiras do mundo ou em busca da verdade de Deus fora das escrituras, tendo que passar por todo tipo de engano que ela poderia aprender conhecendo a palavra, mesmo que discordando de parte dela.

Isto me parece ser uma situação não desejável. Afirmo isto porque é possível imaginarmos que as pessoas que buscam ser contrárias a bíblia estão imersas em algum tipo de mentira demoníaca, e quando elas se afastam da igreja, afasta-se também a oportunidade da igreja descobrir e buscar formas de salvar pessoas desta mentira. Portanto, a igreja perde aquilo que de mais valioso há na terra, que são as vidas dos fiéis. O mesmo caso pode ser aplicado às pessoas com diferentes religiões, muitas vezes espiritualmente menos evoluídas. No entanto, é preciso deixar clara diferença entre as pessoas que buscam à Deus, mas estão submersas em mentiras, das que se convencem a servir Satanás através das mentiras e destruir a igreja. Que o espírito nos guie com a sabedoria para que diferenciemos o trigo do joio.

Ora, se aplicarmos nelas diretamente a palavra, sem que elas tenham tempo de absorver e buscar dentro de si aquilo que a palavra diz e comprovar como verdade, como esperamos que elas amadureçam espiritualmente? Certamente fazemos o contrário, a afastamos do amadurecimento, e ainda mostramos que somos nós quem precisamos amadurecer. O mesmo se aplica a quem faz mau uso da bíblia para desenvolver uma religiosidade que faz mal ao invés do bem. Não devemos atacá-las simplesmente com palavras, mas sim convencê-las através do espírito, através do exemplo, e utilizando as escrituras para validar que seu exemplo é a verdadeira vontade de Deus, assim como Jesus vez ao vir para cá.

Jesus, com sua vinda, não somente nos ensinou a verdade, como também nos mostrou que é possível vivê-la. Este é o verdadeiro amor de Cristo, esta é a verdadeira força de Cristo. As palavras certamente tem poder, contudo, quando usadas com amor, certamente são imbatíveis. Certo Cristão pode se ver frustrado ao perder certas batalhas, mas que ele mesmo se lembre de que tais batalhas são perdidas por ele, mas não por Cristo, e que nenhuma palavra lançada por ele, em Cristo, voltará vazia. Orar para ter um bom relacionamento com Deus e rogar por sabedoria certamente diminuirá suas frustrações e lhe mostrará boas colheitas, mas que principalmente seu amor por Cristo torne digno seu sacrifício. Aquele que vive por Cristo não vive pela alegria, mas por sua vida eterna.

Acredito que todo relativismo caí quando um Cristão levanta suas mãos em adoração. Porém, quem convence um Cristão a adorar é o próprio Espírito Santo. No entanto, isto é o que verdadeiramente tem se tornado mais difícil, sendo esta a verdadeira batalha a qual a igreja enfrenta. Afinal, a falta de estrutura social ao quais muitos países são submetidos faz com que o Espírito Santo dificilmente encontre pessoas preocupadas com ele, mas sim com a carne. Nestes casos, como podemos esperar que o Espírito Santo atue aonde ele não é buscado ou autorizado a agir?

Deus certamente respeita o livre-arbítrio, por isso mandou seu filho Jesus para convencer aos primeiros Cristãos a aceitarem-no, e estes foram as sementes que se espalharam pelo mundo. Estas sementes foram plantadas em terra fértil, geraram frutos, que se transformaram em sementes que chegaram até onde estamos atualmente. Porém, é certo que é necessário cada vez mais oração para que a verdade nos seja revelada pelo próprio Deus de modo que saibamos como plantar neste tempo histórico a semente de Cristo, para que assim a colheita continue a crescer. O verdadeiro inimigo, portanto, não é o relativismo bíblico, mas sim a própria igreja, que deverá orar a Deus sabedoria para seguir o bom combate ao qual Jesus nos capacitou, de tal modo que preparemos cada vez mais a terra para a atuação do Espírito Santo.

Conclusão:
Foram dois textos pesados nesta postagem! O primeiro será classificado como minha série de conceitos fundamentais acerca da teologia que eu acredito, já o segundo como liberdade espiritual, afinal, não estou propriamente fundamentado para desenvolver uma crítica tão profunda a igreja, portanto, estou usando de liberdade para tanto. Há um conceito entre o primeiro texto e o outro texto mencionado no primeiro, no entanto, vou deixar como está por enquanto, mas talvez eu faça outro texto somente com tal conceito e reorganize este dois. Está começando a ficar meio confuso, mas depois eu organizo direitinho de acordo com a necessidade de uso. No mais, finalizada mais esta postagem. Um abraço a todos e até a próxima!

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