sábado, 11 de agosto de 2018

A relação do indivíduo com a verdade

Introdução:
Durante esta semana eu escrevi algumas importantes postagens no Devir Social. Acontece que todas estas postagens, que buscam criar ferramentas para observar o indivíduo sociologicamente, também nos direcionam a refletir a relação do indivíduo com a verdade. Portanto, a postagem de hoje no blog terá como objetivo entender um pouco melhor algumas das grandes questões da nossa sociedade à luz das ferramentas criadas no Devir Social. Quem desejar ler antes sobre quais textos estou falando, por favor, dirijam-se a leitura dos seguintes textos: Linguagem dos organismos sociais, Análise das autoridades segundo a linguagem dos organismos.

Relação dos organismos com a verdade segundo a linguagem dos organismos:
O que é a verdade, segundo a linguagem dos organismos? É possível conceituar a verdade como, simplesmente, aquilo que funciona. Isto porque existe uma produção social e uma linguagem, e se a linguagem consegue resultar na produção social, então ela é verdadeira. Do contrário, a linguagem é falsa, e como organismo se estrutura sobre uma linguagem falsa, ele não produz, porque a falseabilidade se dá com a não conferência da linguagem com a realidade. Este conceito de verdade, um tanto simples, pode ser bastante intrigante quando relacionamos as diferentes formas que as autoridades dos organismos sociais são produzidas.

A religião, por exemplo, busca construir uma linguagem que é capaz de compreender as verdades eternas sobre a realidade do ser humano. A ciência, por sua vez, a mesma coisa, no entanto, seu foco é compreender as verdades eternas sobre a realidade da matéria. A política, entretanto, ela busca pegar as verdades destas duas grandes autoridades e aplicá-las ao contexto econômico e cultural daquele tempo, objetivando seus fins eleitoreiros, portanto, ela se preocupa muito mais com os resultados práticos, mesmo que neles haja imprecisões, manipulações ou mesmo mentiras. Se dá resultado, então, provavelmente, a política se “apodera” destas ferramentas que, naquele contexto, se mostram verdadeiras.

Portanto, cada indivíduo, que é a autoridade de menor grau de uma sociedade e, portanto, possuí uma linguagem e uma produção social, se relaciona as diferentes verdades produzidas pelos diferentes organismos, cada um a seu nível de responsabilidade e comprometimento com sua própria produção social. Por possuir uma produção social, cada indivíduo, também, tem sua própria relação com a verdade, sendo ele aquele que seleciona e gera pequenas mutações nas verdades que chegam até ele, sendo ele também o responsável pela reprodução daquilo que ele acha verdadeiro. Assim, é possível analisar a relação do indivíduo com a verdade.

Relação do indivíduo com a verdade segundo a linguagem dos organismos:
Se o indivíduo é capaz de produzir suas próprias verdades, isto significa que ele é capaz de produzir uma linguagem e relacionar sua linguagem com sua produção. Obviamente, cada ser humano é capaz de associar novas informações, das diferentes fontes dos agentes, de uma maneira inovadora, de modo a ter uma produção mais eficiente. Esta produção, que é anunciada através da linguagem, pode se reproduzir entre outros seres humanos e ter um enorme impacto nos próprios organismos sociais. Afinal, a história está lotada por grandes seres humanos que revolucionaram a religião, a ciência e a política.

No entanto, esta interpretação nos permite ir um pouco além. Isto porque diferentes indivíduos estão em diferentes posições nos organismos sociais, de modo que a produção social que saí deles tem diferentes impactos. Por conseqüência, toda a percepção de realidade deles é alterada por conta destes impactos que a verdade produzida que saí deles causa no mundo. Isto implica que, a depender da relação do indivíduo com o organismo, ele tem uma diferente percepção acerca da verdade. Esta é uma conclusão muito importante, pois permite que analisemos cada indivíduo e sua relação com a verdade a depender da sua relação com os organismos sociais.

Inicialmente, já é possível compreender os indivíduos que tem uma relação “determinística” ou de “livre-arbítrio” com a realidade, isto porque, se a verdade que saí deles tem algum impacto nos organismos sociais aos quais eles pertencem, eles sentem que, de fato, tiveram escolha, do contrário, eles sentem que de nada adianta tentar contra a verdade que se propagada, portanto, ou a reforça ou a ignora. Também é possível entender a relação do indivíduo com o coletivo no sentido de “é o indivíduo que faz o coletivo ou vice-versa?”. Isto também é algo relativo, uma vez que é preciso analisar o impacto da verdade produzido pelo indivíduo em relação ao coletivo e vice-versa.

Verdade: eterna ou uma decisão política?
É possível perceber duas características acerca da verdade: ela pode ser eterna ou efêmera. No entanto, se a verdade for efêmera, ela só tem utilidade material. Se ela for eterna, ela só tem utilidade ideal. É o ser humano que decide, afinal, quais verdades ele vai inserir na sua vida. A conseqüência de ser uma pessoa que busca apenas a verdade de utilidade ideal é que ela apenas irá saber como as coisas devem ser para que sejam harmônicas, mas nunca vai conseguir traduzir essa verdade para seu próprio tempo histórico. A pessoa que só utiliza verdades de utilidade material vai ser muito hábil em manobrar a matéria, mas não saberá o que fazer com ela de modo a se harmonizar com os outros indivíduos.

A ciência busca a verdade eterna sobre a matéria, enquanto que a religião busca a verdade eterna sobre o ser humano. Cada uma ao seu modo são produtoras de verdade, portanto, são elas as fontes das verdades que irão alimentar os indivíduos da sociedade. Estas fontes necessariamente precisam anunciar uma verdade que seja eterna, pois, do contrário, elas estão anunciando uma verdade que visa à utilidade, e uma vez que visa a utilidade ela se transforma em uma verdade política. Portanto, se estas autoridades basearem sua busca em verdades temporais, certamente correm o risco de poluir sua própria produção com princípios que não pertencem a elas próprias.

Cada decisão do indivíduo tem suas conseqüências, tanto para bem quanto para o mal. É dele o dever de encontrar o caminho da sua própria evolução. Se o indivíduo busca usar uma mentira que funciona socialmente para alcançar seus objetivos, deve ser dele a responsabilidade de arcar com as conseqüências desta mentira. Sob o ponto de vista do conceito de verdade anunciado neste texto, uma mentira também é uma verdade, pois ela causa produção social. No entanto, é uma verdade de prazo limitado e com conseqüências indesejáveis. De um modo geral, a mentira é rejeitada pelas linguagens religiosas, podendo até mesmo ser chamada de blasfêmia. Já na linguagem científica, ela é chamada de falsidade e descredencia metodicamente a autoridade que a emite.

Naturalismo ou moralismo:
Uma conseqüência muito séria deste conceito de verdade aqui anunciado e a relação do indivíduo com ele é que várias questões que antes se buscava serem absolutas se provam relativas. Em especial é preciso discutir como se construir e validar as verdades políticas, afinal, se sabe com mais clareza qual é a fonte da verdade religiosa, que são os livros sagrados, e da verdade científica, que é o método científico. É possível entender que a fonte da verdade política é o documento de constituição de um país sobre o qual se derivam todas as leis. Este documento é uma peça natural aplicada a todos os seres humanos aplicado a um território e características especificadas. No entanto, também tem um aspecto interpretativo em si, uma vez que são leis que guiam ações de seres humanos. Portanto, como resolver esta situação?

Um dos maiores exemplos disto pode ser observado na questão “naturalismo” VS “positivismo” que muito se discute nas academias jurídicas. Qual é a verdadeira, afinal? Ora, segundo a interpretação deste texto, a verdade vai depender da relação do indivíduo com a sociedade e até mesmo com a própria lei. Portanto, esta é uma questão política, então é necessário que se pense em resolvê-la politicamente. No entanto, o que se vê é que apenas os mais graduados na área jurídica têm acesso a este tipo de discussão. No entanto, isto é um absurdo, pois o poder judiciário também é um poder político, portanto, precisa ser construído politicamente, não impositivamente.

Uma alternativa seria construir um modo de fazer este tipo de questão ser resolvido democraticamente, por exemplo. Ou ainda pode ser que exista alternativas, como construir um sistema de hierarquia que seja construída sobre determinados valores e resultados. Porém, é preciso que esta fonte de produção de verdade entre na discussão política e seja resolvida também politicamente, e não simplesmente imposta pelo poder judiciário. Afinal, o poder judiciário é um poder político, e se ele estiver corrompido, como imaginar sua devida restauração sem que haja um processo político, ou seja, que misture as outras esferas do poder constitucional? Sei, no entanto, que são os outros poderes que constroem o topo do poder judiciário. No entanto, através deste texto, gostaria apenas alertar que isto é uma pauta de discussão que pode ajudar ao Brasil a diminuir esta discrepância entre o que o povo espera e o que realmente na política e, portanto, ajudar no combate a corrupção.

quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Renovem vossa mente através da palavra, não vossa sociedade

    Caros irmãos, assim está escrito: “Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.”. Sabemos que a palavra de  Deus é a expressão da sua vontade, assim como o próprio Cristo o é. Portanto, o advirto: não desejei transformações fora, mas transformações dentro. Não use a palavra como instrumento para transformar as pessoas, mas sim para transformar a si mesmo e usa-te como exemplo de convencimento. Através da tua própria transformação, elevarás o padrão do mundo, para que ele se torne aceitável ao Senhor. Afinal, como a autoridade da matéria é do inimigo, somente através da renovação de vossa mente alcançarás o bem, pois tudo o que se torna sólido pode ser consumido pelo mal. Sabes, no entanto, que a capacidade de criação de Deus é infinita, basta que busques renovar a ti à luz da palavra que certamente conseguirás.

    Lembra-te: conheceres a verdade e a verdade vos libertará. Conhece a matéria para que submetê-la à tua autoridade santa e agradável a Deus. Sei, no entanto, que tua natureza urge por ver o espírito de Deus se materializando na face desta terra. Assim também é o desejo de Deus, meu caro amado, pois ele quer se relacionar com seu povo. No entanto, não pegue o caminho errado para alcançar a este destino. Lembra-te como Deus foi paciente, como Deus preparou cada detalhe para vinda do seu Filho. Assim também tu terás de ser para a volta dEle. O ministério de Cristo é um ministério de serviço, e somente aqueles que servem a seu próprio interesse, não por amor a Deus, são reprovados. A todos os demais Cristo serviu e amou. Sobre esta revelação te advirto: qualquer transformação social que tu pregas em nome de Cristo, se essa transformação não permitir que você sirva mais a sociedade, então ela é mentirosa.

    Afirmo-te mais: esta transformação trata-se tão somente de tu usando a Cristo para proteger-te de teus próprios medos, tentando impor aos ímpios aquilo que Cristo não é. Isto envergonha a Cristo e entristece a Deus, portanto, dupla é tua perda de galardão. Envergonha a Cristo pois não é isto o que ele nos ensina e tão pouco é isto o que ele é. Entristece a Deus pois isto faz com que o povo não o reconheça dentro de si quando, diante das dificuldades, busca elevar sua alma ao eterno, mas não tem conhecimento da palavra. Desta forma, buscando agir em nome de Cristo, por amor a Cristo, mas sem realmente enfrentares o teu medo e transformares tua mente, torna-te tão somente aquilo que o próprio Cristo reprova: alguém que usa o serviço para seu próprio benefício. Tornaste-te, portanto, matéria, e o mal está exercendo autoridade sobre ti.

    Ama a Cristo, meu caro, pois tu o tens dentro de ti. Confia nele e não tenta fazer justiça com tuas próprias mãos. Humilha-te, submete-te as autoridades, tanto as terrenas quanto as celestiais, para que ele tenha autoridade sobre ti, e assim serás verdadeiramente exaltado por Deus. Quando fores exaltado, tamanho será teu galardão que teu coração daquilo que só pode ser o próprio Deus. Tua paz será indestrutível, serás irrepreensível, tua palavra será tão pesada quanto rocha, mas carregará em si a verdade que não machuca, mas exorta em amor todos os corações que ainda estão distantes do relacionamento com o Pai. Amado, não enxergas que assim é como Cristo foi? Cristo encheu-se do Pai e provou-te ser possível. Não somente isto, mas deu a ti a autoridade de ser como ele, para que carregues o espírito santo dentro de ti e mostres ao mundo o verdadeiro amor do Pai. Não te intimides, pois Cristo profetizou: os que virão e crêem em mim farão obras maiores que as minhas.

    Creia na palavra e cumpra-a, ame ao teu Deus e confia nEle. Assim o espírito santo te capacitará para toda boa obra de amor e de paz, te dará o que há de melhor neste mundo e, ainda sim, teu coração entenderá que tudo vem do altíssimo e tudo voltará para Ele. Somente assim teu coração será verdadeiramente nobre para governar a criação, então verdadeiramente estarás em Cristo, serás eterno e testemunharás a glória de Deus reinando na terra. Cristo já veio e se sacrificou por nós, suas palavras já foram lançadas, a profecia já foi estabelecida: ele irá voltar e glorificará nosso corpo. Não sejamos como os judeus, que crêem na letra, ou seja, na matéria, mas não crêem no Cristo, que também é o espírito santo. Rogo, irmãos, que não busquemos renovar este século através da nossa própria força ou justiça, fazendo uso da matéria e não do espírito, mas tão somente sejamos como Cristo para que assim a profecia se cumpra. Graça e paz para todos.

Não negue tua natureza, mas encontre-a em Cristo Jesus.

    Ouça-me: a única forma de destruir os preconceitos daqueles que produzem é tomando o seu lugar. No entanto, a única forma de tomar o lugar de alguém que produz é sendo melhor que ela naquilo que ela produz, mas não somente isto, também provar isto a sociedade. Sei que parece ser algo absurdamente improvável, mas lembre-se que a quebra de um preconceito é um ato heróico, digno de notas em livros históricos. E se dúvidas que alguém pode fazer algo deste tipo, rogo que olhe os livros de história. Se ainda sim não tiveres convencido, rogo-lhe que observe ao próprio Jesus, que destruiu, através da sua própria vida, um verdadeiro império de pessoas que usavam a palavra de Deus para criar problemas e oferecer a solução através da hipocrisia.

     No entanto, o advirto: se acaso sua alma buscar tamanha grandeza ao ponto de buscares conhecer a Cristo, o conheça profundamente. Nele, verás que o espírito santo fortalece aqueles que são fracos. Tenha em ti a força do espírito de Deus para cumprir com o propósito da tua vida, para que assim tenhas paz e vida eterna. No entanto, para isto, é necessário que faças parte do corpo de Cristo, pois ninguém que nega ao corpo tem a autoridade de usar o nome do filho. Se não és capaz de amar a um corpo, que convive na sociedade, tão pouco és capaz de amar a sociedade, portanto, que moral tens para propor melhorias a ela?

    Bem sei que, para os que nunca viveram em autoridade, deve ser difícil submeter-se a alguma. No entanto, ao submeter-se ao corpo de Cristo, te submetes à autoridade da palavra. Se algum líder te fizer algo que não está na palavra, estás livres para abandonar aquele corpo, desde que haja em ti a tentativa de repará-lo através da exposição das escrituras. No entanto, é necessário falar de algo específico neste texto para convencer tua alma à necessidade de respeitar e submeter-se as escrituras: trata-se da sexualidade. Digo-te o seguinte: o masculino e o feminino não são somente gêneros biológicos, são formas que a energia encontra para manifestar sua existência. Por isto, na natureza, as formas com maior capacidade de adaptarem-se a vida encontram-se especializadas nestes dois gêneros. No entanto, desde que o ser humano começou a modificar o ambiente a seus próprios propósitos, um novo ambiente se construiu: o espiritual.

    Negar isto é negar a própria natureza, e negar a própria natureza é negar ao próprio corpo. Através destas negativas, qualquer coisa pode surgir. No entanto, a principal questão é: estas coisas são verdadeiras? Se forem, certamente fará com que vós produzais melhor que qualquer outro que não está sobre esta verdade, e tomarás o lugar daqueles que produzem na sociedade. No entanto, o que eu acredito é que esta negativa não é verdadeira. Se insistires a continuar negando teu próprio corpo, passarás tua vida lutando, tentando destruir preconceitos, mas no final das contas aqueles que aceitam sua natureza produzem mais, e por produzir mais, dominam a sociedade de modo a perpetuar a sua própria cultura. Sim, eu sei que te sentes fraco neste momento, no entanto, lembra-te somente disto: o Espírito Santo fortalece ao fraco que nEle habita. Buscai aprender sobre a palavra, te santifica no corpo de Cristo e então terás algo maravilhoso para oferecer a este mundo.

domingo, 29 de julho de 2018

Algumas mensagens sobre Cristo, parte 7

--- Creio que um cristão, para levar a palavra de Cristo, não precisa invocar nenhum sentimento que aqueles referenciados pelos frutos do espírito, tanto nele quanto em quem ele envia sua mensagem. A única exceção, no entanto, é para aquele que usa a palavra para fazer coisa ruim. Neste caso, pode o cristão invocar sentimentos ligados a reprovação, uma vez que aquele que se fundamenta na palavra para fazer aquilo que é ruim prejudica não somente a si mesmo, mas sim todo o corpo de Cristo.

--- Cristianismo trata-se de elevar o coração das pessoas à Cristo. Lança-se as sementes e espera-se que o espírito santo as faça brotar, retirando o coração de pedra e colocando o coração de carne. Uma vez transformada, cabe ao cristão elevar seu coração, dia após dia, ao patamar de Cristo, de modo que os frutos do espírito lhe sejam constantes. Se um coração for raivoso, direcione-o a raiva correta, as obras do inimigo. Se um coração for ambicioso, direcione-o a ambição correta, servir ao reino de Deus. Se um coração desejar poder, direcione-o ao poder correto, o de curar, fazer milagres e libertar as pessoas da prisão do pecado. Se o coração for sonhador, mostre que o maior sonho é o reino de Deus. Não há posição que a luz da verdade e no tempo de Deus não possa ser direcionada a Cristo.

--- Há quem construa conceitos no cristianismo para retratar o agir de Deus. De fato, isto não é de todo mal, pois conceitos específicos atingem públicos específicos. Mal é, no entanto, esquecermos que Deus é maior que qualquer conceito e que o espírito santo é livre para agir segundo a graça de Deus. Como, no entanto, pode o cristão confiar em tamanha liberdade? Acaso se pode advogar que no cristianismo tudo é livre?

Quem assim o faz se esquece que Cristo também é a palavra. Assim sendo, a todo aquele que aceita que Cristo renasceu dos mortos para ser seu senhor e salvador recebe o espírito santo dentro de si, mas assim só o faz porque conheceu a palavra, que é a verdade. De fato, o que convence o homem a trocar seu coração de pedra por um coração de carne não é nenhum conceito, mas a própria atuação do espírito santo que age através do ouvir a palavra de Deus.

Portanto, da mesma forma deve ser todo trabalho de convencimento cristão: através da proferição da palavra e da oração para que o espírito santo trabalhe da maneira como deseja nosso coração. No entanto, nos submetamos com a confiança naquele que se sacrificou por nós à sabedoria do altíssimo quando o desejo do nosso coração não é alcançado, para que ele trabalhe em nós nos dando sabedoria para que direcionemos corretamente nosso coração. Certamente isto nos alinhará a Cristo, pois ele se torna nossa verdadeira natureza no exato momento que o aceitamos como nosso senhor e salvador.

Algumas mensagens sobre Cristo - parte 6

segunda-feira, 9 de abril de 2018

Algumas mensagens sobre Cristo, parte 6

--- A disciplina é quando algo externo pede ao ser humano que ele siga reto a um propósito ou resultado. A retidão é quando algo interno pede ao ser humano que ele siga reto a um propósito ou resultado. Acaso não achas que o reino de Deus não tem disciplina e retidão? Pois saiba que Deus espera de nós que cada um frutifiquemos de acordo com os dons que ele deu para nós. Se isto te escandaliza ou te preocupa, então leia a palavra e confio no espírito santo que há dentro de ti.

No entanto, se tens de dar tanto resultado quanto o mundo, e a palavra diz que até mais, o que diferencia então o reino de Deus do governo do mundo? Ora, quem domina o governo do mundo é o império do mal. Lá os resultados são produzidos através da mentira, do sofrimento, do fermento que faz crescer mas não nutre. No reino de Deus, entretanto, os resultados são obtidos através da palavra e da oração. No governo do mundo as pessoas esperam dar resultados para que sejam recompensadas, para que tenham prazer. Já no reino de Deus, buscamos dar resultados porque Deus nos capacitou para isto, buscamos dar resultado por amor, porque Deus nos amou primeiro.


--- Durante algum tempo venho buscando uma forma sistemática de separar a autoridade política da religiosa. No entanto, uma vez que eu faça isto, estou assumindo que o reino de Deus funciona através de leis, como era no tempo de Moisés, e não através de seus princípios e do espírito santo. Portanto, vos afirmo: é impossível separar a autoridade religiosa da autoridade política.

Como faremos, no entanto, se aqueles com autoridade religiosa usarem o nome de Cristo para crescer através da política, mas não através do amor? Como, também, evitar que o inverso aconteça? Concluí que não precisamos fazer nada para evitar este tipo de coisa. Afinal, quando isto acontece, o evangelho de Cristo é profanado e sem Cristo tais coisas não irão prosperar.

Portanto, a resposta sobre como agir com a mistura das autoridades políticas e religiosas é simples: você vê a Cristo nelas? Se sim, então as respeite. Se não, mostre a elas quem é Cristo através das escrituras ou busque autoridades que realmente o sejam. Percebam, portanto, que em última instância, Cristo deve estar no coração de todo cristão, e este é o única coisa que podemos confiar para que sua volta ocorra.


--- Muitas igrejas usam o nome de Cristo de forma inadequada. No entanto, não se assuste com isto. Lembre-se de que todo aquele que leva o nome de Cristo não é inimigo[1], e que um reino que briga entre si não prospera[2]. Leve para ele, portanto, a forma adequada de levar o nome de Cristo, e se ele realmente tiver Cristo em seu coração, certamente considerará sua autoridade ou te revelará algo novo, mas se não tiver certamente cairá.

1: Marcos 9:39-40
2: Mateus 12:26

terça-feira, 3 de abril de 2018

Reconciliando o efêmero com o eterno

No mundo natural, toda causa tem um efeito, que por sua vez é a causa de outro efeito. Deste modo, uma pessoa natural sempre terá um motivo pra explicar tudo aquilo que ela faz. Sempre poderá dizer que foi algum sentimento, que foi induzido por algum comportamento inadequado, que a fez errar.

É tentador pensar que apenas a tomada de consciência deste processo é o suficiente para impedir este ciclo. No entanto, isto é um mero engano. Afinal, cada pessoa natural é plenamente resultado do seu mundo natural, de modo que, mesmo ela buscando conscientemente não dar continuidade este ciclo, dentro dela não há nada mais além do natural, que, por sua vez, também é constituído de causa e efeito.

Ora, qual outra força seria forte o suficiente para resgatar qualquer um deste mundo de escravidão, que se estende desde o começo dos tempos, além da palavra? Afinal, somente ela pode elevar o ser humano do plano natural para o plano espiritual, de modo que ele vença todas as suas limitações naturais. Afinal, aquele que tem a palavra no seu coração responde ao que é efêmero com o eterno, anulando assim o ciclo de escravidão da causa e efeito da natureza e elevando-se ao plano espiritual, aonde verdadeiramente é livre para trazer os céus ao plano terrestre.

Assim construimos o reino dos Céus aqui na terra, quando o coração de cada homem se eleva ao eterno, trazendo de lá coisas para a dimensão do espaço e tempo. Ora, pois, isto não significa que o ser humano não terá dentro de si elementos efêmeros, como fome ou sede, ou que não cometerá erros durante este processo, aonde as vezes passaremos fome e as vezes nos afartemos demais, ou mesmo misture dentro de si aquilo que é natural com o que é espiritual. No entanto, tenhamos consciência que temos dentro de nós o ministério da reconciliação, de modo a nos capacitar a unir aquilo que é eterno, a palavra de Deus e a sua presença, com aquilo que é efêmero, nossa própria carne e nossos pecados.

Cresçamos, pois, no espírito, para que cada vez mais sejamos capazes de responder ao que é natural com o que é espiritual. Como filhos de Deus, nascemos pequenos, mas o desejo do pai é que cresçamos. Lembremos que todo processo de crescimento também é envolto em erros, uma vez que se estamos fazendo algo novo e não temos a onisciência, fatalmente haverá acidentes. Aquele que não erra, pois, certamente não está crescendo, não atingindo assim o propósito que Deus preparou para nós. Quanto maiores no espírito, maior nossa capacidade de reconciliar o reino do Céu com o governo do mundo, destruindo assim o império do mal.

Saibamos que quando crianças no espírito, estamos aprendendo. Quando jovens no espírito, estamos conquistando nosso espaço no mundo. Quando adultos no espírito, estamos trazendo a presença de Deus para a terra. Quando anciãos no espírito, estamos auxiliando todas as demais gerações a orquestrarem-se para que o reino prospere. Não te apega, no entanto, naquilo que aparentava ser, pois somente Deus conhece tua verdadeira natureza. Te apega a palavra e no que Deus deseja de ti, teu crescimento. Assim a vitória de Cristo será consumada não somente no espírito, mas também na natureza.

sábado, 24 de março de 2018

Lei da demanda X lei da semeadura

Muito se fala acerca da lei da demanda, também conhecida como oferta e procura. Ela é, inclusive, reconhecida no meio acadêmico. Afinal, é fácil verificar seu efeito quando se fixa a atenção em qualquer produto no mercado, observando a relação entre as suas variáveis de oferta e procura. No entanto, existe uma lei que me chama bastante a atenção, mas que não é possível de ser reconhecida metodologicamente, e, portanto, nunca será aceito pela academia científica. Esta é a lei da semeadura, reconhecida por diversas religiões.

Ora, o motivo pelo qual esta lei nunca poderá ser reconhecida por uma metodologia é que, seguindo a analogia, cada semente e terreno têm seu próprio tempo e características, de modo que, embora seja possível encontrar associações, elas nunca poderão ser modularizadas a ponto de se tornar um modelo científico. Meu objetivo neste texto, porém, não é somente anunciar a lei da semeadura, mas analisar seus efeitos em nossa sociedade e contrapô-la com a lei da demanda.

A lei da demanda é uma lei imediatista. Em curto período de tempo é possível verificar seus efeitos. Já na lei da semeadura, no entanto, nada podemos dizer. Uma semente pode brotar rápido ou pode demorar. Geralmente, as práticas que geralmente geram efeitos sociais são sistematizadas pelas ciências sociais, como é o exemplo da propaganda. Porém, não é sobre isto que fala a lei da semeadura, pois ela é muito mais abrangente uma vez que se estende a valores e sentimentos, exemplo: quem planta violência, colhe violência. Inclusive, algumas religiões identificam isto como a lei do retorno.

Uma vez explicado um pouco melhor acerca da lei da semeadura, vamos analisar um pouco a sociedade à luz desta lei. Muitos dizem que o livre mercado deve ser o ambiente ideal pelo qual uma sociedade deve se desenvolver. Interferência mínima do governo, as empresas dando o melhor de si para oferecer o melhor produto, o consumidor com todo direito de escolha pra decidir o que é bom e o que é ruim. Isto seria verdadeiro se não existisse em qualquer coisa que é viva a capacidade de utilizar técnicas egoístas, que geram um bem para si, mas um mal maior para o próximo.

Ora, uma vez que as empresas sejam livres para fazer o que for necessário para conquistar mercado, sem nenhum filtro que decida aquilo que é bom e aquilo que é ruim, certamente haverá uma grande proliferação de práticas egoístas. A curto prazo, elas funcionam, a longo, não. Além disto, as empresas vão buscar semear o máximo possível do seu produto, da maneira mais agressiva possível, para conquistar mercado. A maneira pela qual se consegue agressividade é apelando aos instintos humanos, de maneira que as pessoas acabam sendo expostas constantemente a sementes que geram nela o estado de animalidade, que, afinal, o que gera consumo. Este é o ponto principal deste texto.

Sobre o ponto de vista da propaganda, quanto mais lugares para plantar a mensagem que ela quer passar, melhor. Quanto mais estas mensagens apelarem aos instintos humanos também, melhor. Ora, o que seria isto senão a própria lei da semeadura em ação? O que eles estão plantando afinal, senão o consumo? Deste modo, como desejaremos ter uma sociedade em que as pessoas tenham equilíbrio de consumo e produção, se a força que predomina é a do mercado, e esta força faz de tudo para que se consuma mais e mais? Para mim, há uma clara contradição neste modelo, a menos que a intenção daqueles que o plantam seja realmente produzir um bando de zumbis consumidores, sem nenhum valor mais elevado nenhum em si.

Isto reflete diretamente na construção dos nossos estados. Obviamente, para quem deseja este tipo de cenário, um estado pequeno, sem capacidade de articular seus agentes de modo que traga melhores benefícios para sua população é o ideal. A população, quando não consciente do que está acontecendo e sobre o efeito do que está acontecendo, acaba por votar naquele que traga melhor resultados à curto prazo, afinal, ela está sob um estado animalesco de consciência. A consequência disto é claramente um estado corrupto e ineficiente, que vende seus valores mais elevados ao consumo imediato.

Uma pena, pois o maior potencial semeador de um país é certamente seu governo. Se a população soubesse usar bem seu poder de voto e seu dever constitucional de cuidar do seu próprio estado, certamente se preocuparia com quem colocaria no governo e desenvolveria modos de acompanhar aquilo que os governantes fazem, pois são estas as sementes que se massificam em nossa sociedade. Então fica o alerta a todos aqueles que dizem que se preocupam com seu país, mas que também dizem que o livre mercado é o suficiente para o desenvolvimento da produção: isto, seguindo a linha de raciocínio que desenvolvo neste texto, é contraditório.

Obviamente, o livre mercado é sim importante, pois ele reflete a natureza animal do ser humano, que não deve ser ignorada. No entanto, também devemos lembrar que o ser humano é um ser espiritual, aqui entrando a lei da semeadura. Embora a lei da semeadura tenha origem no mundo espiritual, não podemos utilizar o estado para massificar uma estrutura específica de sementes. Por outro lado, devemos fazer com que o estado massifique sementes gerais, como a dignidade, o trabalho, a integridade, dentre outras coisas. Assim contribuiremos para a criação de um ambiente propício à produção de uma cultura mais elevada, de modo a tornar uma sociedade forte e saudável. Do contrário, se o consumo for à ordem da vida das pessoas, sempre teremos algum tipo de degeneração ao animalesco, o que gera uma sociedade violenta.