Introdução:
Dia após dia sigo minha caminhada no amadurecimento espiritual em Cristo. Estes dias tenho estado muito ocupado com o teatro evangélico que participei recentemente, mas agora acabou e tenho tempo para voltar aos meus estudos bíblicos. Participar desta peça, porém, foi uma experiência sobrenatural. É interessante notar o mover do espírito, pois durante a peça não senti emoção precisamente, mas senti que estava num momento único e especial, dado por Deus, que aconteceu simplesmente porque era da vontade dela. Não deveria ser assim todo o proceder da vida? Obviamente, eu e meus irmãos do teatro trabalhamos bastante para seu acontecimento, oramos a Deus, criamos, para que tudo ocorresse perfeitamente, mas ainda sim não foi mérito nosso tal acontecimento, apenas honra por termos participado de tal evento.
Estou caminhando através de Mateus, atualmente. Encontro-me em Mateus 10. Até agora, vi o início da vida de Jesus, que foi pulada diretamente para o seu próprio renascimento. Acredito que esse início tenha sido mencionado para convergir certas profecias em Jesus e para dar base histórica para o que acontecerá em seguida. De qualquer forma, chegamos logo no renascimento de Jesus, através do seu batismo por João. É tão interessante quanto o próprio Jesus passou pelo processo de segunda vida. Toda vida antes do renascimento de Jesus parece ter sido ignorada, assim como todos devemos ignorar toda vida antes que tivemos no mundo. Ainda, depois do discurso que Jesus da no monte, parece-me que ele estava se descobrindo. Essa foi à sensação que eu tive. Obviamente, por espírito, ele sempre soube que ele é ele. Enfim, não há momento mais oportuno para que eu escrava sobre o que eu penso sobre o renascimento. Prossigamos.
Renascimento:
No vídeo da prof. Lúcia Helena Galvão, ela diz que o renascimento é uma prática muito recorrente em diversas culturas. Esquecer toda vida animal para então renascer espiritualmente parece fazer sentido, afinal, todo ser humano nasce na ignorância, e caminha para a luz, que é o crescimento espiritual e para nós, cristãos, o próprio Cristo. De qualquer forma, o renascimento em si pode causar uma série de confusões. Gostaria aqui de estabelecer uma visão que, a meu ver, parece lidar bem com eles. Antes, no entanto, é preciso estabelecer o cenário no qual este conceito irá atuar.
Atualmente, as igrejas cristãs buscam novos fieis ou reacender o fogo dos antigos que se distanciaram da palavra de Deus. Para ser um fiel, no entanto, é preciso declarar Jesus como verdadeiro salvador. Este é um processo de renascimento, pois quando se aceita Jesus, se toda a vida anterior construída antes dele. A partir de agora, uma nova vida irá ser construída através dos ensinamentos de Jesus. Tradicionalmente, uma única nova vida é o suficiente. Mas, para mim, não é. Para mim, devem ser necessárias tantas segundas novas vidas quanto for necessário.
Esta afirmação, no entanto, pode parecer absurda para muitos, mas quando pensamos o que é construir uma segunda vida, ela se torna factível. Porque afirmo isto? Ora, pensemos o que é construir uma segunda vida: abandona-se tudo o que traz morte na vida anterior, assim como todos os pecados, num verdadeiro processo de renovação espiritual, para então construir em cima disso o novo. Ora, a partir de então há a construção de um modo de trabalho, de uma família, de amizades e tudo mais o que tiver de haver construído para dar condições ao bom combate do homem.
Porém, este próprio processo pode ser feito de forma inadequada. Imaginemos que tal pessoa construiu sua vida em cima de uma espiritualidade pouco desenvolvida ou influenciada por pessoas que realmente não a amam, é óbvio que ela irá desenvolver esta nova vida com algum resquício de pecado. Portanto, o processo de renascer de novo é adequado, embora possa expor uma falha da influência que venha das autoridades espirituais sobre aquela pessoa. Ela, novamente, passará tudo a limpo e começará a reconstruir, e a autoridade poderá orar para melhorar sua influência.
O que acontecerá, por exemplo, num casamento em uma situação dessas? Ora, Deus tem a infinita capacidade de perdoar, seres humanos não. Se for preciso que haja a separação, que assim seja. Mas quando haver o renascimento, qualquer ligação que havia entre duas pessoas foi desfeito e precisará ser reconstruído. Imaginemos um casal que não deu certo, a pessoa escolheu renascer, se distanciou e após uns anos, tentou de novo. A outra terá a opção de escolher ou não de se casar com esta nova pessoa ou estará livre para ficar com outra. Idem acontece para quaisquer outros tipos de relação que aquela pessoa renascida tiver. Com a igreja, amigos, família, trabalho, etc etc etc.
O perdão humano deve ser sincero e todo ser humano tem o direito de ignorar outro ser humano. No entanto, peço a todos que tenham a compaixão de não ignorar um filho de Deus. Ou seja: se uma pessoa te fez mal, é direito seu de romper todo relacionamento com ela, mas é dever seu direcioná-la a um bom caminho, seja guiando-a as autoridades espirituais ou até mesmo humanas que tiver na sua região. Isto fará com que ela tenha melhor andamento em seu processo de renascimento, e para que ela saiba que, embora ela tenha cometido erros, nela existe a vida, aquela que você respeitou, para que ela reconstrua tudo, seja com você ou outra pessoa.
Obviamente, cada processo de renascimento tem um custo. E isto garante que não haja uma pessoa renascendo a cada erro que possa ser perdoado tanto por Deus quanto pelos humanos em volta e possa ser recuperado sem a necessidade de um renascimento. Por isso, o ideal é que seja feito apenas uma vez, mas como citado anteriormente, nem sempre é possível. Renascer é um processo árduo e custoso em sua própria essência, e o que cada pessoa irá perder a cada renascimento é tempo, mas o que ela irá ganhar é a oportunidade de ser restituída por Deus. Afinal, se ela realmente seguir os planos que Deus tem pra ela, assim será feito.
Há outra controvérsia no renascimento, que é a seguinte: se uma pessoa renasce, todos os seus pecados são esquecidos. Portanto, sobre o ponto de vista da carne, pequemos tanto quanto possamos para no fim da vida renasçamos. Sobre essa controvérsia, é preciso dizer o seguinte: o pecado traz a morte, e cada vez uma pessoa peca, ela mesma corre risco de morrer. Portanto, se você desejar passar toda sua vida num constante risco de morte e trazendo morte para pessoas ao seu redor, isto é uma escolha sua. Porém, imagine a glória que há para Deus quando uma pessoa que passou sua vida toda pecando aceita Jesus com sinceridade?
Qual é o melhor momento para renascer? Quando uma pessoa sente que as bases construídas em sua vida são todas falsas e quando ela reconhece em Cristo as verdadeiras bases para a vida. Por isso, preocupa-me um pouco um renascimento muito cedo, pois pode ser movido por ilusão e gerar decepção. Ainda, há certo conflito sobre como decidir quais elementos da vida anterior devem ser renascidos juntos com a pessoa. Acredito que o modo mais fácil de resolver esse conflito é através de uma autoridade religiosa que converta os elementos da vida anterior da pessoa à nova vida, declarando Jesus sobre estas coisas, se assim for adequado.
Portas do céu:
Acredito que o Mateus 7:14 seja um versículo bem conhecido. Fala que as portas do céu são estreitas. Penso que esta seja uma analogia para que eu possa expressar uma visão sobre uma coisa que pode ser melhorada na vida cristã. Atualmente, pela minha experiência de vida, muito se afirma sobre a salvação e o medo de ir para o inferno. É neste cenário que este versículo é muitas vezes usado para mostrar o quão é difícil subir aos céus. No entanto, eu acredito que possamos senti-lo de outra forma. Vejamos:
O que, afinal, fez Jesus descer à terra, se não o amor do próprio Deus com o seu povo, para que este pudesse acessar o paraíso criado pelo próprio Deus? Ora, Jesus desceu justamente para nos salvar, para nos mostrar a verdade. Jesus, que é a vida e a verdade nos diz: a porta do céu é pequena. Mas o que seria de nós se Jesus não tivesse descido para nos avisar isto? Jesus é o caminho, e o caminho é estreito, mas o que caminho existiria se Jesus não tivesse descido?
Pra mim, Jesus veio à terra para aumentar tornar a porta do céu maior. Pra mim, Jesus veio à terra para tornar o caminho aos céus menos estreito. Portanto, Jesus veio à terra para salvar mais pessoas, para que um dia nenhuma pessoa mais seja perdida. Ora, se, ao aceitarmos Jesus, damos continuidade à sua obra, o que mais deveríamos fazer, além de tentar alargar a porta e o caminho do céu, assim como Jesus fez? Estava Jesus preocupado se ele ia ou não entrar nos céus?
Quando realmente aceitamos Jesus, e seguimos seu caminho, ensinamos e ganhamos a mesma autoridade que ele, contato que ensinemos o seu nome e levemos sua palavra. Isto me indica claramente que um cristão que está mais preocupado que subir ou descer ao invés de alargar a porta dos céus está seguindo uma vida espiritual cristã de forma errônea. Ainda: dá clara diretrizes de que, uma vez seguindo um caminho de autoridade cristã, devemos nos preocupar em alargar o caminho e a porta ao invés de acusar sem nada oferecer para melhorar. Devemos lembrar que Jesus ofereceu a nós sua vida.
Este versículo pode ser uma demonstração de como uma autoridade pode utilizar de duas maneiras um versículo. Por um lado, este versículo pode ser usado como forma de medo. Siga o caminho de Deus ou então você vai para o inferno. Por outro, por amor: você já aceitou Jesus através da sua boca e o tem em seu coração, portanto, estais no céu. Vá e salve mais pessoas. Prefiro a interpretação por amor. Aumentar as portas do céu ao invés de ficar se preocupando se estamos nela ou não é algo fundamental para nossa atualidade, afinal, esta porta está tão pequena que nossas sociedades aqui na terra estão todas em puro declínio.
Se antes a principal preocupação do cristão era não pecar para não ir ao inferno, agora sua preocupação é sobreviver. Portanto, precisamos reverter este quadro nos preocupando em trazer salvação para pessoas que nem mesmo conhecemos, que nem mesmo merecem, que nem mesmo aceitaram Jesus, assim como o próprio Jesus fez ao vir. Uma vez feito isto teremos a chance de voltar a nos preocupar em não viver uma vida em pecado, quem sabe, até mesmo presenciar a volta do próprio Cristo à terra.
Encerramento:
Interessante notar como no final de Mateus 7, se fala da autoridade de Cristo. Assim espero que seja com todos aqueles que aceitem-no como salvador e que buscam encontrar sua identidade nele. Fico satisfeitos em escrever estes textos, embora eu não tenha escrito eles da melhor forma possível, vou deixá-los como registro. Futuramente quando eu falar em renascimento, estarei falando sobre este tipo de renascimento mencionado aqui. São dois conceitos fundamentais que acredito ter vindo de Jesus, o renascimento para a nova vida e a expansão das portas do céu. Um abraço a todos e até a próxima!
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