terça-feira, 11 de setembro de 2012

Mapeamento dos v. instintivos e publicação: O fluxo da vida e Desejar o viver bem.

Introdução:
Olá amigos. Vamos a mais uma postagem. Hoje estou sem internet, embora já pretendesse escrever, vou passar o resto da noite só fazendo isso aparentemente. Passei o dia assistindo a dois filmes, achei os dois interessantes. Ultimamente eu tenho dedicado algum tempo a tentar compor poemas pra resumir a filosofia e comunicá-la com força, acredito que disto tenha surgido algo legal. Contudo, uma coisa me preocupa: meus poemas, assim como minha filosofia, parecem ser muitos de auto-ajuda. Sempre tive uma visão negativa quanto a filosofia auto-ajuda, ela geralmente tenda maquiar a verdade ou desenvolver algum modo mecânico de resolver as coisas que não pode ser muito bom. O que me faz pensar que ela não é igual as filosofias anteriores é que ela se preocupa principalmente em não maquiar a realidade, mas sim encará-la e se acostumar com ela, para então melhorar. Como meu amigo Elon disse, ciência é auto-ajuda, desta forma, minha filosofia, que se baseia na ciência, acaba herdando também esta característica. Também estou me notando cada vez mais tímido, talvez seja a pouca convivência com pessoas diferentes. Vou pensar em ser um pouco mais orgânico, pra me permitir errar um pouco mais e me adaptar a isso. Perder o medo de me expor talvez também seja bom, mas terei que administrar isso bem pra não ter objetivos prejudicados. Se bem que talvez um objetivo o qual eu tenha que não me expor para alcançar não seja assim tão bom, pois isto pode ser considerado algo próximo a mentir. Encerrando a introdução, vamos a postagem, que hoje será mais uma vez sobre psicologia e também será a publicação de dois poemas que eu fiz recentemente.

Mapeamento e transmissão dos valores instintivos:
Em uma postagem anterior eu descrevi um pouco sobre como ocorre o processo de adaptação de um individuo aos sistemas evolutivos. Lá eu expliquei que de forma bastante resumida que o humano, através de erros e acertos, vai se adaptando a determinado sistema evolutivo. Contudo, após fazer bastantes observações sobre o conjunto de valores de uma pessoa, aliando isto com os conhecimentos do gráfico do bem-estar evolutivo e também com o pensamento de mutação comportamental, eu pude perceber algo bem mais interessante: o mapeando dos valores instintivos. Enquanto que no texto anterior simplesmente eu assumo que as pessoas têm acesso a experiências e conhecimentos diferentes, e, portanto, são guiadas a sistemas evolutivos diferentes, agora se torna mais concreto o entendimento sobre como ocorre este processo. Considero que este conhecimento será muito interessante para a psicologia evolutiva por ele dar melhores condições de autoconhecimento e de fazer o raciocínio encontrar melhores soluções para os conflitos instintivos.

 No texto anterior, eu, com licença para fins de estudo, resumi que a fase infantil era a fase de descobrimento e observação de como funciona a realidade. Contudo, o instinto humano, mesmo nesta fase, já aflora. A criança não somente tem sentimentos de sobrevivência, como também tem desejos. Na maioria dos casos, os desejos infantis são simples, pois elas conhecem pouco da realidade para entenderem que podem desejar coisas mais complexas, porém, ainda sim existe. Com o desejo, há o acarretamento dos outros sentimentos, tais como alegria, raiva, medo, ciúme, inveja e tristeza. Isto significa que desde cedo, o indivíduo já começa a criando uma biblioteca de experiências associando cada elemento a seu respectivo sentimento. Sendo assim, sempre que o indivíduo quiser experimentar aquele sentimento novamente, ele recorrerá ao elemento que sua memória associa com aquele sentimento, e por desconhecimento, se for o caso, ele não irá recorrer a nenhum outro elemento. Observa-se, portanto, um tipo de mapeamento de experiências instintivas que levam a pessoa agir de determinada forma sem o consciente de ela estar diretamente envolvido.

Por exemplo: vamos supor que existe uma criança que, por algum motivo, deseje andar com determinada tribo na sua escola. Esta tribo não a aceita, e por isto esta criança acaba sentindo raiva dos indivíduos desta tribo. Este sentimento de raiva a quaisquer grupos parecidos com aquele que a negou a acompanhará até a fase da adolescência ou mesmo adulta. É interessante também observar que este sentimento leva a estereotipagem, e que geralmente isto monta um sistema em si, onde nem o grupo aceita a outra pessoa pela imagem, nem ela gosta do grupo, sentido raiva. Por isso esse sentimento é levado até a adolescência ou mesmo fase adulta, e geralmente a pessoa deseja o grupo principal porque lá há bons parceiros sexuais. Durante este período, ela irá buscar se sentir bem com algo, e quando encontrar, é a este algo que ela irá associar coisas boas. Então se percebe que, mesmo sendo apresentado algo novo a esta pessoa, ela irá continuar recorrendo ao que faz bem a ela para se sentir bem, pois isto seu instinto sabe que funciona e com o menor esforço. É comum notar que há uma supervalorização de determinada atividade para mantê-la alvo do desejo. Porém, é algo que acontece de forma orgânica pela própria propriedade do lastro de que o indivíduo olha com bons olhos aquilo que lhe faz bem e com maus olhos aquilo que lhe faz mal.

O perigo disto, e é onde a psicologia evolutiva pretende atuar, é que estes sentimentos podem ser causa de distúrbio. Vamos supor que, devido a uma grande experiência ruim, se apegue demais a uma coisa só e sinta raiva das outras. Sua visão da realidade irá ficar presa ao que ele acha bom e ao que ele acha ruim, e isto o inibirá de descobrir novas formas de se tornar uma pessoa melhor. Para exemplificar, vamos supor que o indivíduo comentado no parágrafo anterior tenha se tornado um bom político, e que os indivíduos da tribo citada anteriormente seja parte importante da sociedade, mas que, contudo, não tem atividade política. Logo, devido à raiva, o político não irá tentar ajudar a esta parte importante da sociedade, e com isto atrapalhará não somente a si, como também as pessoas não envolvidas com tudo isto. Também é preciso observar que a falta de conhecimento que aquela raiva irá trazer irá lhe atrapalhar também em suas atividades de socialização, de educação, de transmissão de valores, dentre tantas e tantas coisas. Aos indivíduos da tribo que não aceitaram o rapaz que agora é um bom político também vale o mesmo, se eles ainda nutrirem sentimentos ruins e preconceituosos contra aqueles que são diferentes deles.

Embora este exemplo tenha sido um bastante clichê, provavelmente ele foi o suficiente para entender como funciona o mapeamento de valores instintivos. Contudo, é interessante observar algo mais profundo ainda: imaginemos que haja algo bem difícil de obter, mas que a pessoa é levada a desejar aquilo devido a pressões externas. Mas, por perceber que aquilo estava muito longe de sua realidade e o esforço para obtê-la seria absurdo de grande, se comparado a outras pessoas mais estruturadas, a pessoa irá recorrer às coisas que a faz bem. É através disto que novos sistemas evolutivos surgem, podendo, portanto, ser considerado como uma mutação de comportamento. Vamos supor que, um adolescente, incentivado a fazer engenharia civil, porém, sempre viveu em computadores e se sente bem com aquilo, e sabe que tem futuro. Embora para seus pais, o que haja futuro é a engenharia civil, porque é isso o que o mapeamento instintivo deles indica, o adolescente, com um novo mapeamento instintivo, vai lá e aposta na engenharia de computadores, e então consegue ganhar dinheiro e montar um sistema evolutivo. Se não fosse por essa mutação de comportamento, possibilitada pelo avanço tecnológico, o jovem iria concorrer num mercado saturado que é a engenharia civil neste contexto, talvez até mesmo ganhando menos e tendo uma qualidade de vida menor.

Neste exemplo também é possível perceber a transição de mapeamento instintivo que acontece dos pais pros filhos, e que pode haver mutações neste processo, positivas ou negativas. Sendo assim, é preciso estar atento as boas mutações, para incentivá-las com responsabilidade, e as más mutações, para corrigi-las. Más mutações são distúrbios, e para corrigir um distúrbio, é preciso primeiro identificá-lo, daí a utilidade de fazer um mapeamento dos valores instintivos, para então corrigir o que for possível e não for saudável. Existe um ditado popular que diz “os filhos são espelhos da criação familiar”, e esta frase parece ter sua fundamentação nesta propriedade. Se existir uma família cuja transmissão de valores seja feita de forma forte, o filho irá tender a ter aqueles mesmos valores. Porém, se a família for fraca em sua transmissão de valores, o filho provavelmente poderá desenvolver distúrbios, algo próprio das mutações humanas. É importante lembrar que não apenas os familiares têm influência nas transmissões de valores, como também os amigos, conhecidos, televisão, enfim, todos e tudo aquilo que aparente ter um bom poder instintivo. Para finalizar, entendo que a utilização destes conhecimentos como estou descrevendo pode ser bastante utópico, porém, já é o suficiente para uma nova percepção de realidade e para pequenos melhoramentos.

O fluxo da vida

Havia dois pontos e uma estrada ligando eles.
No primeiro ponto está o humano, incompleto.
No segundo ponto está o objetivo, esperando.
Por instinto, o humano deseja alcançar seu objetivo.

O humano caminha na estrada e alcança seu desejo.
As coisas são simples. Ele se sente bem, se sente vivo.
Quando seu objetivo o deixar de ser, um novo surgirá,
E assim o humano continuará caminhando: evoluindo.

Mas é cansativo caminhar, o humano deseja melhorar.
Desenvolve ferramentas, mecanismos, explora a realidade.
Encontra uma maneira melhor para alcançar seu objetivo,
Um automóvel, então com menos esforço se obtém o que deseja.

A sociedade evolui. Humanos seguem caminhos diferentes.
Alguns, por sorte, alcançam logo os automóveis. Outros não.
Então a estrada se torna diversificada, todos se olham entre si.
Os que andam, cansados, desejam obter sua própria melhora.

Então o que antes era o meio de transporte se torna o desejo.
O objetivo se torna um ponto, algo para ser alcançado sem esforço.
Apenas um ponto qualquer, não se entende mais o objetivo.
Se chega nele apenas por costume, desaprendeu-se como usá-lo.

Agora todos têm automóveis, mas os avanços continuam.
O que antes era bom em poupar esforço deixou de ser.
Apareceu um melhor. As pessoas não se sentem mais satisfeitas.
Estão presas num transito sem sentido. Desejam o que nunca tem.

Aqueles que conseguem estar sempre com o que há de melhor.
São os poucos que se sentem satisfeito neste transito maluco.
Pois isto os permite mudar de realidade de acordo com sua vontade.
Sem consciência do que são. Insatisfeitos com sua própria satisfação.

Há ainda quem consiga conquistar o melhor através de seu trabalho.
Estes se tornam escravos do sistema. Não desfrutam do conquistado.
É notório o distúrbio na definição de melhor. Na definição de satisfação.
A identidade se torna perdida. Os objetivos, esquecidos. A vida, vendida.

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Desejar o viver bem.

Nenhum humano sofre pelo impossível.
Há quem chore por não viver em marte?
Concluí-se: o conhecimento molda o instinto,
Mas o que seria da razão sem a emoção?

O humano precisa desejar para se esforçar,
Assim ele sente, vive. Enfrenta o desconhecido.
Adapta-se ao que for necessário para sobreviver.

Todo humano tem o dever de melhorar.
A si próprio, o lar, o cotidiano, a quem ama.
Do desejo vem a o esforço, e disto a melhora.

Mas como melhorar o que não se conhece?
Como conhecer sem tentar, e errar, e errar...?
Da variação de tentativas, a seleção natural.
Da boa utilização dos sentimentos, a evolução.

Como se satisfazer desejando o impossível?
Mas e quando o impossível se torna possível,
Através das mentiras, trapaças e egoísmo?

A corrupção invade os desejos, o ser humano.
Inicia-se a construção do um futuro mentiroso.
Logo surge o desrespeito, a vontade do tudo fácil.

É preciso desejar o melhor que a realidade oferece,
Ter forças para não deixar o desejo se corromper,
Vencer os sentimentos ruins, saber o valor do esforço,
E assim seguir o caminho da boa evolução, o viver bem.

Encerramento:
Hoje eu planejava fazer a explicação dos dois poemas, mas isto irá render uma postagem enorme se eu levar em consideração que cada estrofe será um parágrafo.  Acredito que explicar a linha de raciocínio que eu quis expor ao desenvolver o poema seja algo interessante pela própria proposta do poema, que é transmitir pensamentos filosóficos de modo mais impactante. Estou tentando desenvolver soluções para salvar o final de ano letivo que ainda tenho, mas está difícil. Percebi que possa haver uma rede de valores instintivos um pouco mais extensas do que imaginei para explicar meu comportamento, que se estendem a configurações humanas. Amanhã iniciarei os procedimentos para por minha solução em prática. Salvar este resto de ano letivo é necessário para situações que eu ainda não defini muito bem, mas que estão acontecendo por ai. Finalizando, abraços a todos e até a próxima postagem.

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