terça-feira, 18 de setembro de 2012

Alvos e limites do desejo e níveis de raciocínio

Introdução:
Olá amigos. Os procedimentos os quais imaginei para salvar o restinho do meu ano letivo estão dando certo. Eles são basicamente o seguinte: continuar com minha metodologia de estudo para os assuntos de exatas, que tem dado razoavelmente certo: se resumem a resolver os exercícios enquanto se explora a teoria. Já os assuntos da área de humana, meu problema, foram resolvidos assistindo aulas no Youtube. Não simplesmente assistindo aulas, como também anotando as informações importantes no caderno. É interessante perceber que, se desprovido de um caderno e caneta para sintetizar as informações importantes no caderno, eu tenho uma grande tendência a tirar minha atenção da aula, principalmente tendo facebook na janela ao lado. Isto são coisas que a variação de comportamento consegue descobrir. Mais uma vez, sem surpresa pra ninguém, irei falar sobre psicologia evolutiva. Não me sinto mais com propriedade para utilizar este termo após descobrir que ele já é algo consolidado na acadêmica científica, embora, pelo o que eu percebi, pouco direcionado. De qualquer forma, por falta de termo melhor, continuarei usando ele. Organizar esta filosofia será meu próximo ponto, estou desenvolvendo conceitos demais, e a ligação entre eles está cada vez mais dispersa, a exemplo desta postagem, que tratará sobre o detalhamento do desejo, que foi explicado numa postagem anterior. Segundo o que eu percebo, a organização possivelmente será feita em torno do gráfico do bem-estar evolutivo. Além disto, farei um trabalho enorme de referencia, pois muito do que eu observei foi também observado por outros cientistas. Por hoje, irei explorar um pouco mais o funcionamento do desejo.

Alvos e limites do desejo:
É possível observar na sociedade que a falta do limite causa muitos acidentes, que eventualmente se transformam em distúrbios sérios. É exemplo, principalmente, do excesso de desejo de pessoas com distúrbio sexuais que submetem outras a efeitos altamente danosos ao seu instinto. Por isto, entender como funciona os limites do desejo é uma das minhas principais preocupações quanto ao desejo é o seu limite. Para entender como funcionam seus limites, vamos relembrar sua função: estimular o humano a se esforçar para alcançar o objetivo do desejo, para então liberar sensações de bem-estar. Entendido isto, é importante observar quais tipos de coisas costumam ser alvo do desejo. Este conhecimento só foi observado por mim há pouco tempo atrás, e ainda está em período de observação, mas provavelmente é isto, pois não há fatores para ser de outra forma. Embora não pareça, devido a enorme capacidade de associação da mente humana, estas coisas alvo do desejo costumam ser os elementos do gráfico, ou seja: saúde, produção, competição e prazer. Quando não é isto, ele é derivado dos próprios sentimentos, como raiva e afeto, e estes sentimentos são derivados de desejos anteriores. Então, de forma indireta, estes desejos dos sentimentos também se relacionam com os elementos do gráfico.

De forma geral, o desejo atua naqueles elementos do gráfico em que o humano sente que pode ter mais que a maioria das pessoas. Exemplificando, vamos supor que exista uma nova forma de produzir na sociedade que beneficie aqueles que, desde cedo, mexem com computador. Obviamente, todos aqueles que mexem com computador desde cedo, e que, portanto, se adéquam a este modo de produção, irão se sentir bem produzindo isto, pois são melhores nisto que a maioria da sociedade. Outro exemplo é alguém que é melhor que a maioria da sociedade em certo tipo de competição. A tendência é que ela goste de fazer isto. Ou ainda, imaginemos crianças que, embora não sejam boas, são estimuladas a pensarem que poderão ser boas mais que a maioria da sociedade. A tendência é que elas valorizarem aquilo. Não estou levando em consideração aqui outras complicações, como, por exemplo, por alguma reação a experiência ruim, uma pessoa possa associar coisas ruins a algo que ela faz melhor que a maioria da sociedade. Sendo assim, será assumido isto: o desejo atua mais fortemente naquele elemento do gráfico que o humano se considera melhor que a maioria da sociedade. Portanto, ele sentirá bem-estar quando sentir que está caminhando nesta direção.

Sendo assim, já temos condições de entender como funciona o limite dos desejos. Como o humano tende a desejar aquilo que ele se considera melhor que a maioria das pessoas no gráfico do bem-estar evolutivo, existe um motivo para ele ser melhor naquilo. Seja tendência genética, posicionamento social, estilo de vida, ou algum outro fator, ou mesmo engano quanto à interpretação da realidade, ele existe. Porém, estes são apenas fatores que fazem a pessoa ser ter mais vantagem naquilo que as outras, porém, sem esforço, estas vantagens não aproveitáveis. Sendo assim, é preciso o desejo de esforço para transformar aquela vantagem em desejo, e aquele desejo em resultado. Porém, é durante o processo que faz alguém desejar algo é que há a quantificação do limite. Ou seja: quanto mais desejo, mais longe a pessoa está disposta a ir para alcançar os resultados que quer. O limite surge quando este “mais longe” esbarra em coisas que possam prejudicar a saúde ou as outras pessoas, ofender valores éticos, morais, religiosos, ou a outras pessoas, causar desequilíbrio na vida, ou quaisquer outros limites que façam o desejo se tornar prejudicial ao invés de benéfico. É preciso considerar que os limites como o de saúde, por exemplo, são impostos quando o indivíduo entende que aquilo o faz mal, e quanto mais ele tiver compreensão daquilo, maior será à força do limite.

É interessante notar este limite na idade média, quando a religião era de forte influência na vida das pessoas. Elas provavelmente iam com seu desejo até o limite imposto pela moral religiosa da igreja que poderiam. Porém, este limite é puramente abstrato, criado a partir de uma idéia de pecado que raramente condiz com um cenário que realmente faça mal à sociedade ou aos indivíduos envolvidos com a prática. Portanto, não era raro o instinto falar mais alto e as pessoas ultrapassarem um pouco deste limite. Após o período de excitação hormonal, as pessoas se sentiam culpadas pelo o que fizeram. Daí nascia à prática de se confessar, que era a forma de tirar a culpa e os malefícios que ultrapassar o limite poderiam causar. É, inclusive, pensando na culpa religiosa com o gráfico de crescimento populacional, onde o desejo seria o crescimento e a culpa a resistência do ambiente, foi que eu me inspirei para traçar esta teoria. Percebam a variação que ocorre no desejo começa a oscilar quando chega ao seu eixo limite, tal como a resistência do ambiente. Isto demonstra que o humano precisa errar para descobrir quais são os limites em alguns casos.  Vou montar este gráfico a seguir, só por curiosidade:

(Clique para ampliar o esboço)
(resultado pode ser considerado diretamente proporcional ao esforço e a técnica, e inversamente proporcional a dificuldade. Como técnica é constante e a quantidade de esforço é igual a de desejo, monta-se o segundo gráfico.)


A falta de compreensão da realidade que uma pessoa com distúrbios filosóficos apresenta pode tornar a variância do limite algo bastante perigoso. Imaginemos uma pessoa que, por distúrbio, deseja algo já bastante perigoso. A tendência será ela ir um pouco mais profundo nisto, até perceber que é perigoso demais. Porém, neste nível de perigo ocorrem as coisas realmente graves, irreversíveis, como fortes danos ao psicológico e ao físico, ou mesmo a morte. A variância do limite tem características curiosas para pessoas sem grandes distúrbios. É aí onde a pessoa conseguirá o máximo do que o desejo pode lhe proporcionar de bom, e é onde ela sentirá mais vontade de se esforçar para concretizar algo e se sentirá bastante viva. Devido a esta grande importância, é comum haver a mistura de adrenalina com o hormónio que faz a pessoa se sentir bem, a levando um estado bastante inteso de concentração e emoção. Esta sensação pode ser muitas vezes viciante, coisa preocupante a se observar. Quando um desejo já deu tudo o que tinha que dar para beneficiar a evolução, e geralmente isto também é na variância do limite, o interessante é começar a buscar outras coisas para desfocar o desejo daquilo e também aumentar o leque de benefícios evolutivos. Por exemplo, se a variância do desejo ocorre no elemento de competição, e a pessoa está competindo muito por isto, talvez seja uma boa hora dela buscar saúde ou prazer para evitar vícios, que levam ao distúrbio, e um estilo de vida dependente de apenas uma atividade.

Agora aqui vai uma especulação minha: é possível notar que as pessoas com distúrbios, de um modo ou de outro, buscam o melhor. Uma pessoa que faz mal a outras, faz isto porque assume que elas são idiotas, e que merecem isto. Uma interpretação errada da realidade, pois, na verdade, aquelas pessoas nunca tiveram, ou não quiseram, por algum motivo, chance de treinarem para se defender da maldade. Outro exemplo é o dos distúrbios do sexo, onde o agressor acredita que o que ele faz será facilmente superado pela vítima. Ou ao menos seu instinto o faz assumir isto diante a grande oferta de prazer fácil, embora perigoso, a qual ele se dispõe a fazer por ser um dos poucos da sociedade com coragem de fazer aquilo. Isto porque existe um princípio na psicologia, que é o princípio da empatia, que diz que as pessoas se põem no lugar de outras que considera semelhante a si, e ao fazerem isso, desenvolvem empatia e não querem pra elas o que não querem para si. Devido a isto é que é se nota este posicionamento filosófico de achar inferior a quem se vai fazer mal. Ou ainda talvez haja distúrbios mais profundos, de ordem mental. Este princípio foi visto por mim numa palestra que eu participei sobre vida digital e ele não está enunciado como eu vi lá, mas sim como eu interpretei. Este parágrafo é apenas especulativo e de caráter curioso.

Níveis de raciocínio:
Este lance de “limite assumido” me fez perceber uma coisa interessante. Existem cadeias de raciocínio que realmente conseguem influenciar o instinto, e outras cadeias que não conseguem. Embora já seja de conhecimento meu que o raciocínio consiga influenciar o instinto, a questão é entender exatamente quais tipos de cadeia de pensamento realmente conseguem fazer isto. De forma geral, a cadeia de pensamento que é trabalhada mais profundamente com o auxilio do instinto das informações da memória, é aquela com maior capacidade de influenciar no limite assumido pelo desejo. As que são simplesmente observadas, mas não passam por um processo de "digestão" costumam não fazer diferenças no dia-a-dia. Se, por exemplo, for apresentado um fato importante para uma pessoa, e ela não buscar compreender aquilo, ela, de fato, não vai compreender, e então o limite dos seus instintos irão ignorar aquilo. Por outro lado, se ela conseguir se convencer a ponto de querer modificar seu instinto para se adequar a aquela informação, é quando observa-se que há uma alteração na percepção de realidade da pessoa. Para compreender melhor esta situação, serão apresentados dois exemplos, e logo após entenderemos a diferença entre eles.

Vamos ao primeiro: Imaginem uma pessoa que, diante de um fato novo de um assunto que a interessa muito, começa a explorar suas lembranças e buscar referências que possam se conectar a este fato, além de tentar entender quais implicações terá aquele fato para as suas atitudes na atividade que exerce. É com posse dessa informação que ela irá fazer modificações práticas no seu dia-a-dia, como estabelecer limites ou alterar seu comportamento de algum modo, pois ela entendeu e acredita naquela informação, e que se seguir sua linha de raciocínio, as coisas ficaram melhores. O segundo exemplo é o de uma pessoa que, após se deparar com uma nova informação, simplesmente a lê repetidamente até absorver ou então a ignora. Ou ainda, percebe que aquela informação é importante, mas, porém, não faz nenhum tipo de esforço para associá-la ao dia-a-dia ou às suas memórias. Ou seja, ela acaba não percebendo como a informação altera sua realidade, e como isto pode fazer algo se tornar melhor. Se ainda sim ela perceber isso, é necessário saber se ela quer que aquele algo se torne melhor.

Através destes dois exemplos é possível notar claramente os níveis de raciocínio. No primeiro, a pessoa logo de cara percebe que a informação é importante, pois o assunto a interessa muito. Diante deste nível de interesse, que já implica que aquele assunto está ligado de alguma forma com a sua evolução, o instinto junto com as associações daquele assunto que a memória tem indicam ao raciocínio que é preciso digerir a informação, fazendo o conjunto de associações citado anteriormente. No segundo caso, não há este esforço ou o conjunto de associações com que faça a pessoa perceba onde a informação poderá ser importante e como ela poderá modificar a realidade, ou ainda a realidade a qual aquela pessoa explora não está muito relacionada com aquela informação. Para um historiador, uma equação física pode não fazer tanta diferença, mas um objeto que comprove seu ponto de vista sobre um período histórico pode ser um item muito valioso, que buscará ser visto de várias formas e extrair a máxima quantidade de informação dali, pois só o historiador e sua classe conhecem toda a informação envolvida ali. O vice-versa também é válido. No próprio ensino médio, a maioria das informações é tratada como decorativas, contudo, sob outra ótica de observação, que pode ser obtida através de uma boa contextualização das informações, elas podem ser o suficiente pra mudar a interpretação de uma pessoa sobre o mundo.

Neste ponto, observa-se que a contextualização instintiva é tão importante quanto à informação racional propriamente dita. Quando digo contextualização instintiva, quero dizer toda esta carga de importância voltada a uma informação, sobre como ela pode modificar e melhorar a vida na prática, no dia-a-dia, ou mesmo em situações pouco prováveis e ainda sim importantes. É também interessante notar como isto reforça o conceito de configuração mental, que diz que a mente das pessoas se adapta ao seu estilo de vida através das propriedades da memória e da relatividade humana. A persistência ou não em determinada cadeia de pensamento é outro algo que faz parte das propriedades das configurações mentais, pois isto é uma característica que mistura o instinto ao racional. Quanto mais desejo de se adaptar a determinado contexto da realidade, maior será o esforço de explorar as informações em busca disto. Obviamente que noções de lógica, experiências em lidar com sistemas ou em como resolver desafios e problemas podem ajudar no processo de digestão da informação, pois isto reúne experiências boas para o instinto ter coragem de enfrentar e explorar a realidade desconhecida.

Encerramento:
Enfim, encerro mais um texto. Novamente sem correção, desta vez demorei um domingo e uma tarde de segunda para produzi-lo. Gostei das noções desenvolvidas por mim nesses dois assuntos, bem importante, ambas. A consolidação dos níveis de raciocínio pode ser algo interessante pra comunicação de idéias, e a noção de limite de desejo é algo importante principalmente pra quebrar preconceitos e medos em explorar a vida. É também interessante notar que a “contextualização instintiva” é, na verdade, outra forma de dizer “posição no mapeamento instintivo”, idéia mostrada em um texto anterior. Isto mais uma vez demonstra a confusão das minhas idéias. Por enquanto, estas idéias estão surgindo de forma compatível e complementar às minhas experiências, e isto é certa garantia de que eu não esquecerei nada nem confundirei quando for organizar. Para todo caso, ainda haverá estes escritos do blog, que serão utilizados por mim no processo de organização. Próxima postagem pretendo também trazer um pouco mais de características que podem ser extraídas do gráfico e a curiosa retomada de uns antigos conceitos meus que podem ser observados nele. Abraços a todos e até a próxima postagem.

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