Introdução:
Olá amigos. Depois de passar a tarde toda sem fazer nada e perceber que o dia já anoiteceu, resolvi fazer algo produtivo: escrever para meu blog. Esse final de semana provavelmente não terei tempo porque terei umas aulas extras do pré-vestibular. Falando em estudo, final de ano está cada vez mais desanimador. Tentarei dar um “splint” como o professor mencionou e absorver alguns assuntos antes das provas, que chegará em no máximo três meses. Eu decidi que se eu não passar em engenharia numa faculdade pública, tentarei arrumar descontos em psicologia em alguma faculdade privada. É preciso levar em consideração que eu nunca estudei seriamente na vida, apenas este ano, então minha adaptação ao pré-vestibular não foi tão eficiente quanto eu imagino que aqueles que estudavam desde o ensino médio obtiveram. Isto sem contar com a falta e a preguiça de alguns professores, e com minha própria também. Quanto a política, não sei ainda em quem votar. Não é possível definir uma posição de voto com o tanto de informação que se transmite na internet e na televisão. Acredito que seja preciso um debate mais profundo que discutir apenas o que foi feito por cada candidato e o que cada um deles irá fazer. Mas algo mais complicado que isso envolve ideologia, e ideologia é algo bastante perigoso. É uma situação bem complicada de resolver. Enfim, vamos a postagem, hoje tratará sobre analogia relações social com as ecológicas e desejo reativo.
Analogia de relações sociais com as relações ecológicas:
Na minha penúltima postagem, em “alvos e limites do desejo”, cheguei à conclusão de que o humano deseja os itens explicados no gráfico do bem-estar evolutivo, e quanto melhor ele for naquilo em relação a maioria das pessoas da sua sociedade, maior será seu desejo. Foi exemplificado o caso do computador que, ao se tornar um meio de produção, muitas pessoas começaram a desejar a se tornarem boas nisso, principalmente aquelas que participaram do inicio do desenvolvimento dos computadores e por isso já sabiam mexer nele. Isto porque ali já estava associada uma nova forma de produção, então aquelas que já sabiam se animavam, pois sabiam que se algo rolasse, seria com elas, e não com outras que teriam que aprender tudo e irão demorar tempo para isto. Desta forma, é possível assumir que a cada nova indústria que começa a se desenvolver na sociedade, e ela necessariamente está relacionada com um ou mais elementos do gráfico, surge também um novo nicho evolutivo, onde surgirão novos produtores e consumidores. Nisto se percebe a primeira relação social análogas às relações ecológicas: a de produtores e consumidores.
Um bom exemplo disto é a indústria da dança: há quem se sinta muito bem por produzir dança, principalmente porque é boa nisso por ter tendência genética ou treinar desde criança. A este tipo de pessoa cabe a pesquisa de novos estilos de dança e a execução de movimentos difíceis, ao desenvolvimento de apresentações, e isto por si só já se constitui em uma grande quantidade de tempo. Há quem consuma isto o que esta pessoa produz: aquelas que vão aos shows desta apresentação, bem como também tem aulas para aprender estes tais movimentos difíceis ou novos estilos. Mas o importante é saber o porquê, tanto a que produz quanto a que consome, se preocupam em aprender a dançar. Uma das causas é a busca pelo exercício físico, função a qual a dança exerce. Outra é a dança como um dispositivo social, que é utilizada pelas pessoas como meio de socialização. Existe também a dança com função comunicativa, que busca expressar, através do corpo, culturas, intenções, sentimentos e o que mais for possível. Nestes três casos nós vemos relações com os elementos do gráfico. No primeiro, a saúde. No segundo, a competição e a associação ao prazer. No terceiro, há a busca por conhecimento de produção e comunicação de imagens, que são as associações de sentimentos e conhecimentos aos contextos e necessidades do mundo.
Quem está produzindo a dança sente, de alguma forma, que aquilo poderá ser aproveitado um dia. E o prazer de ser boa naquilo que a maioria das pessoas, aliado com a possibilidade de viver daquilo, mesmo que não seja de modo muito luxuoso, é o suficiente para algumas pessoas se dedicarem a um nicho evolutivo. É o caso das pessoas que fazem coisas por prazer de ser amador e tem um trabalho paralelo aquele, mas buscam melhorar, até se tornarem realmente boas e conseguirem viver disto. O público destas pessoas está relacionado ao mesmo nicho na qual ela se sente bem em produzir. Por exemplo, se aquela pessoa gosta de dançar porque isto é algo saudável, o seu público gostará disto pelo mesmo motivo, contudo, ela se dedica mais tempo para aquilo que seu público, por isso ela é a produtora e seu público é consumidor. Da mesma forma acontece com os outros nichos evolutivos sociais, por exemplo: no caso do rock, a agressividade. Na música pop, a dança e atitude. Na erudita, a técnica. Na música mpb, o estilo, etc. Muitas vezes é possível perceber que o próprio fã de determinado artista o admira porque este artista faz coisas que ele deseja fazer, por algum motivo. Este motivo é porque ele sente que é melhor naquilo que a maioria das pessoas, só não tem tempo ou algum outro recurso para potencializar aquilo como seu artista tem. Além disto, este motivo tem alguma relação com o gráfico.
Entendido esta primeira relação, vamos a outra que eu percebi e inclusive, já escrevi aqui no blog. É a relação de parasitismo. Existem pessoas que simplesmente são melhores em enganar e parasitar os outros. E nisto elas sempre serão melhores, portanto, seu instinto tenderá a sempre valorizar isto. Talvez, nestes casos, isto não possa ser considerado um distúrbio muito grave, mas ainda sim é distúrbio. O ato de parasitar é se beneficiar em cima do prejuízo dos outros, e isto vai contra a responsabilidade que todo humano deve ter com a boa evolução. Contudo, é algo inevitável pela própria mecânica que a evolução encontrou para existir. Para tal, é preciso que as pessoas montem um sistema de defesa e se tornem conscientes que este tipo de pessoa existe. Outras relações sociais análogas a ecológica devem existir, contudo, não observei a relação das pessoas com a devida atenção ainda para identificá-las. Porém, é preciso perceber que, diferente das relações ecológicas, que acontece entre espécies, às relações sociais análogas a elas acontece entre os desejos e as sensações relacionadas a ele, sensação de prazer e sensação de dor, no caso, que é o que acontece quando se obtém quando se esforça para ter o que deseja ou quando este esforço dá errado, respectivamente. Uma relação interessante que eu suspeito existir é o mimetismo, em que a pessoa é boa em imitar superficialmente a outra e consegue vários benefícios através disto, coisas simples e que ela deseja.
É possível perceber que, dentro de um modelo padrão de evolução, há a especificação. Ou seja: uma pessoa que tem como nicho evolutivo o mimetismo, ela tem um estilo de vida normal, como qualquer outra, mas que, porém, ela é boa especificamente em conseguir benefícios através da imitação. Outro exemplo é uma pessoa cujo nicho dela é dançar, embora ela desenvolva um estilo de vida normal, ela se destaca em dançar e seu estilo de vida se adéqua a isto. O que eu quero dizer é que os elementos que tornam uma evolução saudável devem existir em todas as pessoas, contudo, cada uma delas especializada naquilo em que ela é melhor, surgindo daí os nichos evolutivos sociais. Por isto surgem as relações entre os nichos evolutivos sociais, pois a especialização de uma é o que a outra precisa para ter uma vida saudável, porém em menores doses, mas que só são acessíveis se existir um produtor. Através disto surge uma população que produz bem e consome bem, e através disto desenvolve uma boa qualidade de vida. Esta relação pode ser melhor visualizada nas indústrias de produtos tradicionais, que são dividas em setor primário, de matéria prima, secundário, produtor, e terciário, consumidor. Cada setor depende do outro para que seus produtos tenham produção e consumo. O comentário a seguir sobre “auxiliadores” se encaixará porque podemos assumir que toda indústria é um nicho evolutivo definido, com produção e consumo constantes.
Deste mesmo ponto de vista é possível perceber a concorrência nos nichos evolutivos sociais. Supondo que haja um nicho evolutivo com muitas pessoas que se achem boas naquilo, haverá um processo de adaptação deste nicho a sociedade em que o consumo irá determinar quantas pessoas poderá sobreviver daquilo, em média. Daí surge o processo de concorrência, que seleciona os melhores, tanto em habilidade nativa, quanto em desejo de se esforçar para se tornar bom em tal nicho. Contudo, já que quanto melhor for à pessoa naturalmente naquilo, maior será o desejo dela em se esforçar para se adaptar a aquilo, a tendência será que as pessoas que são melhores naquilo ganhar da concorrência enquanto que as que são mais ou menos irão buscar outro nicho, e futuramente poderão se tornar consumidoras ou auxiliares. Um exemplo de pessoas auxiliares é o de que, numa indústria de música, não existe apenas o cantor principal, mas também os auxiliares. Estes auxiliares não têm o conjunto de condições necessárias para lançar uma carreira, mas tem os conhecimentos necessários para auxiliar os cantores a fazer aquilo. Numa indústria de música, suponho, a equipe auxiliar costuma ser fixa, pois é técnica, enquanto que o cantor, que trás o conteúdo a ser trabalhado pela equipe, varia. Estes auxiliadores existem porque a montagem de uma indústria é algo bem mais complexo do que a maioria das pessoas pensam, pois a técnica por traz da produção é bem trabalhosa. Contudo, eles trabalham mais por dinheiro, embora seja pelo fato deles serem bons que os tenha motivado a desenvolver aquele conjunto de habilidades.
Desejo reativo:
Em “Introdução a estrutura do desejo”, eu dei duas formas básicas de formação de desejo que foram percebidas por mim. A formação associativa e a adaptativa. Contudo, foi possível perceber outro tipo de formação de desejo, o desejo reativo. Antes, uma pequena revisão sobre os outros dois desejos. “Desejo associativo” é o tipo de desejo que surge quando alguém semelhante a pessoa consegue algo que também pode ser benéfico a ela. Por semelhança, ela assume que também pode ter aquilo e por isto deseja. “Desejo adaptativo” é o tipo de desejo que surge quando a pessoa compreende como é possível produzir algo que irá beneficiar ela. Não é simplesmente uma associação, mas sim um entendimento de realidade que faz a pessoa entender que algo que seja bom a ela é possível, e então ela vai e busca isto, mesmo que ninguém tenha feito isto antes. A diferença entre um e outro desejo é basicamente esta: o associativo é preciso de alguém semelhante tenha para então fazer surgir o desejo, o adaptativo é preciso compreender a realidade para então surgir o desejo.
Este parágrafo também servirá como uma revisão e uma reorganização de conceitos já ditos por mim anteriormente. Em ambos os casos, é possível aplicar a propriedade do desejo observada na postagem “Alvos e limites dos desejos”: o humano irá desejar aquilo que ele sente que é melhor que a maioria e esteja relacionada ao gráfico, seja por associação ou por adaptação. Neste caso, em associação, já que a pessoa é semelhante da outra, seja por motivos sociais ou econômicos, a mesma coisa que possivelmente seja boa pra uma também será para a outra. Esta propriedade se alia a propriedade associativa da mente humana. Já no desejo adaptativo, ela entende como encontrar os recursos para produzir o que deseja, e faz isto através da prática e da adaptação a como funcionam as coisas na realidade. Deste modo, ou a pessoa encontra um novo nicho evolutivo social, ou reinventa o seu ou o reencontra, lembrando que nicho evolutivo está relacionado com os elementos do gráfico do bem-estar evolutivo.
O desejo reativo surge através dos sentimentos que reagem a desejos anteriores. Sabemos que primordialmente há o desejo, e em seguida, há as respostas ao desejo. Essas respostas são os sentimentos, que podem ser a sensação de bem-estar, de raiva, de dor, de afeto, entre outros. Sendo assim, dependendo da resposta do desejo daquela pessoa, ela pode acumular sentimentos positivos ou negativos em referencia a aquilo, e este sentimento irá guiar os futuros desejos. Por exemplo, se uma pessoa é levada a desejar a aprender um conteúdo escolar, mas não tem conhecimento o suficiente para fazer isto ou não entende o porquê irá utilizar isto, a tendência será ela associar aquilo à raiva ou a inutilidade, levando a preguiça. Isto guiará os próximos desejos dela, pois a cada repetição do mesmo resultado, o mesmo sentimento irá ser reforçado desestimulado futuros desejos. Ou ainda, se em outro caso a reação for positiva, gerando desta forma alegria ou afeto, haverá a estimulação de futuros desejos para aquele algo.
Neste ponto é possível perceber o porquê o instinto se sente estimulado quando é bom em algo que ele vê que poderá contribuir com sua evolução. Por contribuir com a evolução, ele acaba desejando, e ao obter sentimentos positivos por conseguir alcançar aquilo, seu instinto irá querer mais daquilo, e então o desejo se tornará maior a ponto dele querer o suficiente para aprender toda a parte difícil e se tornar realmente bom naquilo. Do mesmo modo, se a pessoa for ruim em algo, seu instinto irá desestimulá-la, e, portanto, ela irá ter menos estímulo para tentar ser boa naquilo. Se ainda o sentimento for forte o suficiente como raiva, ela irá buscar se distanciar de tudo aquilo associado a aquele algo. Neste caso se entende o porquê da raiva de certas pessoas por coisas que não estão necessariamente ligadas a elas. Estou dando exemplos simples até agora, mas existem exemplos mais complicados os quais eu não conheço muito bem. Existem casos em que as pessoas só associam raiva a determinado elemento de um desejo, mas ainda continua desejando ele. Então ela busca uma maneira alternativa de alcançar este desejo e, ao alcançar isto, busca uma forma de prejudicar aquilo que ela sente raiva por vingança. Outro exemplo é o de uma pessoa que associa sentimentos bons a determinado elemento da infância, e busca nisto a inspiração para sua identidade.
Encerramento:
Enfim, mais uma postagem encerrada. Faz tempo que eu estou com a analogia citada anteriormente na cabeça. O gráfico do bem-estar evolutivo foi um conhecimento chave para eu conseguir chegar a ela. Entender o que significa uma evolução humana na prática, através do sistema evolutivo, para então compreender sua especialização, que é onde o sistema evolutivo irá atuar. O que me incomoda bastante, atualmente, é a falta de definição sobre os outros sentimentos. Desde que eu desenvolvi o gráfico do bem-estar evolutivo, o desejo é o sentimento chave para desencadear os sentimentos, e isto desconfigurou meu entendimento sobre a função dos sentimentos. Reajustes serão bem-vindos. Outra coisa que vem me preocupando é minha construção da evolução aliada ao compromisso de sempre estar buscar o melhor, tanto pra mim quanto pras pessoas. Existe uma enorme tentação de construir coisas sem exatamente se preocupar com o próximo, mas isto é bastante perigoso. Após assumir compromissos com um sistema evolutivo mal feito, é difícil sair dele. Estou pensando nisso porque é difícil balancear a competição e os desejos, e durante a troca de algumas idéias, é preciso ter cuidado para não deixar que o instinto tome conta do sistema lógico de pensamento. É difícil ver as pessoas explorando as suas incertezas com a força de certezas mal fundamentadas que elas têm e não reagir a isto com certezas má fundamentadas também. Concluindo, uma boa noite para todos e até a próxima postagem
Nenhum comentário:
Postar um comentário