domingo, 26 de agosto de 2012

Sistemas evolutivos e os dez estados de autoconhecimento da mente humana

Introdução:
Olá amigos. Após um longo período de procrastinação eu começo a escrever. Vamos às novidades. Encontrei um bomberman online sexta e estou jogando ele desde então. Vicia bastante e envolve um clima bem competitivo. Sexta feira também foi um dia em que eu dormir bem tarde e não sei por qual motivo. Por conseqüência, ontem também dormi tarde, e isso é atrapalha bastante a rotina de estudos. Também iniciei minha tímida campanha pra divulgação da psicologia evolutiva no mundo acadêmico. Meu objetivo final é conseguir permissão pra ensinar psicologia evolutiva nas faculdades a todos os interessados, para depois montar uma equipe de estudos e fazer dela uma ciência. Suponho que isso não irá atrapalhar tanto minha rotina de estudo este ano. Preciso pelo menos dar o pontapé inicial pra próximo ano já iniciar desenvolvendo novos projetos, seja eles relacionados a P.E. ou não. A postagem de hoje se tratará sobre um tema novo, que surgiu na postagem anterior, chamado “sistemas evolutivos” e também uma interpretação segundo os conhecimentos da P.E. sobre os estados da vida budista.

Sistemas evolutivos:
Durante o processo de adaptação a realidade, após o entendimento sobre como a realidade universal e humana funciona, chega a hora da última etapa: o envolvimento com os sistemas evolutivos. Para haver o envolvimento com os sistemas evolutivos, é necessário que haja o esforço por parte do indivíduo. Como observado no gráfico, o que faz ele se esforçar é o desejo, que impulsiona principalmente as necessidades de prazer e competição. Porém, para obter estas duas coisas de forma constante, é preciso estar conectado tanto diretamente quanto indiretamente com a sociedade, de modo que se arme o esquema do gráfico evolutivo. Diante disto, todo o estilo de vida capaz de se encaixar no gráfico pode ser considerado um sistema evolutivo, pois ele gera qualidade de vida e bem-estar de modo constante. Contudo, é preciso entender bem como ocorre o envolvendo como forma de conhecimento complementar ao processo de adaptação a realidade. Para isto, faremos uma revisão sobre como ocorre o processo de forma natural utilizando exemplos e os conceitos de desejo e de ciência. Embora esta revisão não esteja igual à realidade, pois o desenvolvimento descrito adiante pode apresentar bastantes variações, ela pode ser usada para fins de estudo.

Tudo começa na fase infantil, quando o que se deseja principalmente são os recursos básicos de sobrevivência, tais como ausência de dor física, alimentação, proteção e contato físico. Coisas simples se tornam divertidas, como o ato de explorar e de conhecer coisas novas, pois tudo tem seu teor de novidade. Por não conhecer, todas as coisas têm o potencial de serem ou não aproveitáveis ao instinto, o que o faz explorá-las. É na fase infanto-juvenil que as coisas começam a deixar de ser novidade para ser rotineira, e o instinto do desejo, o que faz o humano sempre buscar melhorar, começa a agir de outra forma. As novidades agora começam a se tornar raras, por isso ele começa a observar as pessoas o contexto a sua volta e a passa a desejar aquilo que está associado com o melhor, através do desejo associativo, e que ele observa que é possível alcançar. É daí que se tem inicio a configuração do sistema evolutivo.

O humano então irá passar por um processo de desejar, tentar obter aquilo que ele deseja e conseguir ou não. É desta forma que o sistema evolutivo se refina. Através da sucessão de erros e acertos, o humano irá começar a compreender como as coisas funcionam. Através deste entendimento é que ele começará a focar naquilo que realmente ele percebe que traz o resultado desejando, fazendo-o se sentir bem. Alguns exemplos: uma pessoa se sente satisfeita em desenvolver arte e desenvolveu um estilo de vida totalmente baseado nisto, encontrando todos os elementos no gráfico nisto. Outra consegue fazer a mesma coisa, porém, desenvolvendo estudos acadêmicos. Em casos de distúrbios, é possível perceber pessoas fazendo isto com coisas que são ruins para a sociedade como um todo, mas é bom para ela e para as pessoas que vivem ao seu redor, como roubar.

É preciso levar em consideração que, durante o esforço para alcançar o que se deseja, o jovem irá ter acesso a muitas pessoas e informações, que irão lhe guiar para agir de uma maneira ou outra. Além disso, também é preciso levar em consideração a sua estrutura familiar e sua cultura local, que são coisas que influenciam diretamente no que se deseja ou não. Depois de levar estas informações em consideração, é possível perceber o porquê uma pessoa desenvolve um sistema evolutivo bem diferente de outra, como mostrado anteriormente, já que algumas vezes eles conseguem se adaptar a determinado sistema evolutivo e outras vezes não. Após entender o contexto, a definição e a exemplificação de sistema evolutivo, é preciso entender agora quais são as condições necessárias para que alguém a se adapte ou não a um sistema evolutivo.

Interpretação dos Estados da existência, do budismo, pela psicologia evolutiva:
Durante algum tempo eu venho notando que é possível perceber algum padrão de comportamento entre diferentes tipos de pessoas. Observei que este comportamento em específico não está relacionado com as coisas que a pessoa gosta ou acredita, mas sim com o autoconhecimento que ela tem de si mesma. Eu já estava buscando maneiras de classificar estes comportamentos, algo bastante difícil. Por sorte, meu amigo, o Elon, me enviou o seguinte site: http://www.budanaweb.com/2008/07/o-budismo-classifica-em-dez-categorias.html. Assim que eu vi os estados da existência descritos neste site, logo os associei com os padrões de comportamentos associados ao autoconhecimento que eu buscava classificar.

Assumindo que a filosofia budista, por ser bastante praticada, tem bastante experiência prática quanto à dinâmica de comportamento humano que ocorre durante seu desenvolvimento, utilizarei este texto como inspiração e esboço da classificação que futuramente a psicologia evolutiva poderá desenvolver para seus próprios fins. Este conhecimento será útil provavelmente para ajudar as pessoas a atingir um estado de autoconhecimento saudável, que as ajudem a utilizar as ferramentas que a ciência as proporciona para aumentar sua qualidade de vida. É aconselhável que a leitura a partir daqui seja feita em paralela com o site referido, pois o conteúdo estará lá, e o que ficará aqui serão somente as interpretações sobre os estudos.

1. Estado de inferno: pode ser considerado o estado de traição. Quando a realidade trai o indivíduo, após ele gastar uma enorme parte de sua vida em algo que ele acreditava o motivo de sua existência, o sentimento da raiva o domina. Daí nasce o impulso da destruição. Tudo o que ele construiu se mostra falso, inclusive seu próprio eu, isto explicaria as tendências autodestrutivas.

2. Estado de fome: este pode ser explicado pela falta de autoconhecimento sobre o funcionamento do desejo e da realidade. Normalmente acontece quando o desejo é associado a coisas superficiais, que não estão interligadas intimamente com o esforço e a evolução do individuo. Isto pode fazer o indivíduo entrar num ciclo vicioso de desejo e consumo que não o satisfaz: sempre que ele não tem o que deseja, a culpa de sua infelicidade é isto. Quando ele o alcança, a sensação de vazio ocorre e ele irá buscar outro algo para preencher isto.

3. Estado de animalidade: nesse estado, o indivíduo tem noção da realidade universal e alguma noção de realidade humana, porém, ele ainda não conhece a si próprio o suficiente para se adequar ao que seu raciocínio pede. Ele sabe o que fazer para ter uma vida saudável, porém não sabe como fazer. Desta forma, ele acaba se entregando aos seus instintos e perdendo o autocontrole que precisa para alcançar o que deseja.

4. Estado de ira: o indivíduo tem noção de realidade humana e universal. Porém, ainda não se adequou a sociedade. Esta falta de adequação o faz se sentir deslocado. Motivado pelo desejo de se sentir melhor, ele busca naqueles que não o ajuda algum defeito para justificar o seu afastamento deles, algo que o prejudica e o causa raiva, mas ele não sabe como mudar. São alvo principalmente as pessoas que tem uma boa rede de conexões e de atividades definidas na sociedade.

5. Estado de tranqüilidade: é alcançado quando o indivíduo inicia seu processo de adaptação a sociedade, bem como aprofunda seus conhecimentos sobre seu próprio eu e sobre como as coisas funcionam. O inicio do entendimento sobre como agem os grupos que antes o causava raiva o faz aceitar as coisas como elas são. Agora ele entende que seus desejos dependem do seu esforço e de sua paciência.

6. Estado de alegria: quando o indivíduo entende como adequar seus desejos as coisas simples da vida ou também para aquelas coisas que são conquistáveis para ele. Por alcançar o desejado, seu instinto libera bons sentimentos que o faz se sentir bem, alegre.  Porém, neste estado, seu conhecimento é limitado a si próprio e as coisas que o rodeiam. Seu instinto tem a tendência de entrar na zona de conforto e se sente mal sempre que precisa sair dela, porém, com o tempo ele sente a necessidade de mudança motivada pelo enjôo da rotina.

7. Estado de erudição: é o estado de expansão de conhecimento e de auto-aperfeiçoamento.  O indivíduo, movido por sua necessidade de sair da zona de conforto e não por necessidade social ou econômica, inicia sua busca por novos conhecimentos e pelo crescimento individual. Contudo, por já ter uma rotina definida e por já ter razoáveis conhecimentos, esta expansão é feita de forma consciente e sóbria. Isto reflete no aprecio pelo conhecimento bem elaborado e que explora as várias formas que a realidade universal e humana pode se apresentar. Neste ponto se adéqua a apreciação pelo estudo técnico da arte, filosofia e ciência.

8. Estado de absorção: neste estágio, o indivíduo sente que está maduro o suficiente para iniciar sua própria produção daquilo que ele estuda ou faz para se sentir bem, além de sua rotina. Iniciam-se aqui os projetos e experimentos para ir além e absorver novos aspectos da realidade, dando progressão à evolução humana. Estes projetos ou experimentos são bem organizados e tendem a ser saudáveis, já que o indivíduo tem os conhecimentos sobre a realidade universal e humana adquiridos no estado de erudição. Aqui se encontram as pessoas que produzem arte, filosofia ou ciência. Elas geralmente são preocupadas com a perfeição de sua obra, já que seu desejo está direcionado a isto.

9. Estado de Bodhisattva: quando levado ao extremo o contínuo processo de auto-aperfeiçoamento, ele se torna uma espécie de estado da fome aprimorado em que o benefício se torna pouco para tanto esforço. A forma mais saudável para sair deste dilema, segundo o budismo, é que o indivíduo utilize todo seu conhecimento da realidade para ajudar a outros humanos. Isto se mostra uma forma de sair da solidão do estado da fome aprimorada além de ajudar ao próximo e a si próprio a alcançar os desejos e a se sentir bem.

10. Estado de Buda: neste estado entende-se que a perfeição é a própria existência, não precisando, portanto, de nenhuma atividade que faça o indivíduo crescer em si. Ele deseja apenas a manutenção da existência. É para isto que é voltado seu esforço mental e físico. O indivíduo que chega a este estado provavelmente entende que apenas poucos podem chegar nele, e por isto toma para si a responsabilidade de preservar a manutenção da vida. Por isto, ele se esforça para utilizar todo o seu conhecimento para compreender e ajudar a todos, independente de seus sentimentos. Para que seus sentimentos não influenciem em seu esforço e na sua busca por compreensão, ele adota um estilo de vida simples, rotineiro e se desapega dos prazeres do instinto. Só precisa ajudar e existir para se sentir bem.

Considerações sobre a interpretação dos 10 estados da existência:
Os dez estados da existência humana, segundo o budismo, pode ser chamado pela psicologia evolutiva como os dez estados de autoconhecimento da mente humana. A principal intenção da psicologia evolutiva ao se interessar em categorizar os estados da mente humana é desenvolver metodologias que ajudem ao humano a chegar a um estado mental em que ele esteja totalmente adaptado ao seu próprio ser, a sociedade e a realidade. É neste estágio que se observa que o humano alcança um ótimo estilo de vida, observando suas próprias configurações e utilizando seu conhecimento, humano e universal, para desenvolver ferramentas que ajudem a ele e aos que estão a sua volta. É quando podemos assumir que o humano está totalmente adaptado a realidade.

Este estado pode ser considerado o nono estado de existência humana, o Bodhisattva.  Contudo, para a psicologia evolutiva ele pode ser chamado como o “Estado de adaptação”. Justamente porque neste estado ele consegue utilizar, e tem consciência disto, os mecanismos lógicos e o conhecimento sobre a realidade para desenvolver ou se adaptar a novos mecanismos que melhorem sua qualidade de vida. O último estado de existência humana, o Buda, para a psicologia evolutiva é o “Estado de amor”. Neste estado, além de desenvolver uma ótima qualidade de vida, o indivíduo também entende que todos os humanos merecem ser amados, independente do que eles são ou fazem. Isto porque ele utiliza seu conhecimento para entender o porquê uma pessoa é como é, e após fazer isto, ele percebe que a única diferença entre ela e qualquer outra pessoa, inclusive ele, são as configurações genéticas e sociais. Devido a isto, ele entende e sente que é preciso ter respeito à essência humana, que é evoluir, e faz isto não somente para si e aqueles que ele gosta, como também para desconhecidos. Como, para a psicologia evolutiva, evoluir é amor, daí vem o nome deste estado.

Dos estados anteriores, o estado de animalidade pode ser mais observado na fase infantil, em que o humano ainda não entende nada sobre si. O estado da ira pode ser mais observado fase adolescente, onde ocorrem os contatos mais críticos com a sociedade. O estado da fome pode ocorrer em alguns adultos que, por distúrbio, são impedidos de enxergar os reais valores da vida. O estado de inferno é observado sempre que há uma grande traição da realidade, seja por parte dos humanos, seja por parte das circunstancias, em que o indivíduo se esforça demais numa mentira e vê todo seu esforço valendo nada e seus desejos não sendo alcançados. Os estados de tranqüilidade e o de alegria são observados quando o humano está conseguindo se adaptar a sociedade. Os estados de erudição e de absorção são observados quando o humano está se adaptando a realidade universal e a realidade humana. O estado de mecanismo ocorre quando o humano já está adaptado a estas duas realidades, porém, ainda mantém algum vinculo com seus distúrbios, o que o impede de amar independente do que seja. O estado de amor surge quando o humano consegue entender e superar seus distúrbios e agir tanto para a evolução individual quanto para a evolução social.

Estes dez estados da mente humana não podem ser considerados estágios, já que é possível perceber que, de algum modo, o humano consegue passar de um estado para outro sem necessariamente precisar seguir a ordem. Contudo, é interessante que todo humano experimente todos, compreenda-os e os supere. Provavelmente só assim se obtém a experiência humana necessária para compreender e chegar ao estado de amor com bastante consciência. As diferenças entre a interpretação budista e a interpretação da psicologia evolutiva sobre estes estados se deve principalmente a carga de conhecimento teórico que a psicologia evolutiva pode trazer. O budismo, por ter sua carga prática, desenvolveu o estado de amor como o estado de Buda porque eles perceberam que só é possível se chegar a ele abrindo mão dos valores humanos, pois daí se vai junto os distúrbios. Contudo, o que a psicologia evolutiva espera fazer é não abrir mão destes valores, e sim utilizar os conhecimentos dados por ela para minimizar o máximo possível o efeito destes distúrbios, chegando a algo bastante próximo do estado de amor, o que já é algo muito saudável e sustentável. Neste estado, o humano terá condições de contemplar uma vida de boa evolução através dos sistemas evolutivos que ele se esforça para desenvolver.

Encerramento:
Enfim, finalizo mais uma postagem. Sinto que meus conceitos estão uma bagunça. Embora eu esteja progredindo, preciso arrumar essa bagunça, caso contrário sua utilização como ferramenta ficará mais árdua e anti-intuitiva, sem contar que aumenta a chance de enganos ou redundância durante o desenvolvimento dos conceitos. Pretendo reunir a grande parte dos conceitos e o gráfico, talvez eu faça isso na próxima postagem. Esta semana eu escutei bastante uma cantora chamada Lorena Simpson, mas algo me incomodava. Eu gostava dela, mas meu inconsciente dizia que ela é fruto da indústria musical, e isto, de certo modo, diminuía minha valorização sobre o que ela produzia. Cheguei a duas conclusões: o objetivo da indústria de música é ganhar dinheiro, e eles estão fazendo isso, portanto, o reconhecimento artístico da parte técnica não é necessário. A parte artística é encabeçada pela Lorena Simpson, que agrega a imagem dela ao que ela produz, com ou sem auxílio da indústria. Portanto, devo assumir que ela faz o que faz porque quis e se dedicou bastante para chegar a este ponto, portanto, é válida minha valorização a imagem dela, em específico. Ainda preciso essa diferença entre obrigação e boa ação. Após esta pequena reflexão, termino minha postagem. Abraços a todos.

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