quarta-feira, 4 de novembro de 2020

O povo de dois reinos e o reino de Deus

    Era uma vez uma região com um povo dividido em dois reinos. Estes reinos, pouco a pouco, começaram a odiar um ao outro e muitas brigas começaram a ocorrer. Certo dia este povo resolveu fazer o seguinte acordo: cada reino vai treinar um guerreiro seu e, em certo momento da vida destes guerreiros, eles iriam duela até a morte, e o perdedor teria seu reino escravizado pelo reino do vencedor. Isto deve acontecer a cada geração, mas o reino escravizado deve ter o direito de treinar seu próprio guerreiro. Assim, ambos começaram a treinar seus guerreiros desde crianças, para que eles tornam-se o mais fortes possíveis. Desde criança estas crianças entendiam que suas vidas só tinha um único propósito: vencer este duelo. Assim, o dia do grande duelo chegou e um dos guerreiros foi vitorioso em relação ao outro.

    Esta tradição perdurou algumas gerações até que as pessoas começaram a indagar: por que um duelo até a morte? Isto é bárbaro! Que o duelo não seja até a morte. Então assim foi feito. No entanto, algo curioso aconteceu: os guerreiros, após a derrota, não aguentavam uma vida sem propósito e em um patamar inferior de existência, a de um escravizado. Portanto, seja entregando-se aos vícios ou diretamente, suicidavam-se. Após algumas gerações, estes suicídios entristeceram a Deus. Então ele interveio surgindo para um dos perdedores e disse: a partir de hoje você não é mais derrotado, pois servirá a mim, e isto lhe trará a honra necessária para viver. Então este guerreiro, a partir de então serviu a Deus, e começou a falar do nome de Deus para o seu reino. Geração após geração este reino continuava a perder, mas eles convenciam-se mais da existência de Deus, até que um dia, um dos guerreiros venceu e bradou: esta vitória será em honra de Deus.

    Agora o outro reino passava a ser escravizado. Este reino, que ainda não conhecia a Deus, se viu escravizado por pessoas que proclamavam o seu nome. Logo perguntavam-se: o que é Deus? Mas a partir de seus primeiros guerreiros derrotados, Deus revelou-se a eles. Agora aquele outro reino começava a entender de qual Deus estava sendo falado pelo outro reino, que os escravizava. Assim ambos os reinos batalhavam em nome de Deus, mas desejando escravizar ao outro. Uns venciam, outros perdiam. Mas não havia mais suicídios. Um dia Deus falou a todos: escutem-me, acabem com este ódio, acabem com este desejo de escravizar ao outro. Sejam livres. Porém, a única fonte de alegria que aquele povo conhecia era escravizar o outro. Portanto, não deram ouvidos a Deus e continuaram com sua tradição.

    Entristecido com isto, Deus, novamente, interveio. Desta vez, porém, falou a todo povo: vocês que alegram-se em escravizar ao outro, abandonem isto alegrem-se em tornar-se meus escravos, pois em mim vocês encontrarão liberdade. Mas, a vocês que desejam continuar alegrando-se na escravização do outro, eu decido que cada um de vocês receberão leis a seguir. A cada geração descerei para julgá-los e o reino que menos seguir minhas leis se tornará escravo do outro. Portanto, está acabada esta tradição de eleição de guerreiros para o duelo. Assim a história seguiu: alguns preferindo continuar no seu reino para tornar-se escravizador, mas aceitando quando Deus os julgava a serem escravizados e outros preferindo se desvincular do seu próprio reino para submeter-se a Deus.

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