
Este é um resumo bem informal, feito para uns amigos, que resolvi compartilhar aqui para posterioridade. É apenas um ponto de vista pessoal do que foi lido, pode conter erros, imprecisões, etc. A introdução do livro se dá por um lembrete de que ele foi escrito às vésperas de uma pandemia, e toda analise que se faz nele se torna crítica por causa deste fator. O prefácio é escrito por Mangabeira Uber, que anuncia que Ciro é um intelectual que dedicou a vida para conhecer novo povo e também que não podemos brincar, pois o desenvolvimento do nosso estado-nação é o único caminho real de emancipação do nosso povo. Em seguida, Ciro introduz uma análise histórica acerca do Brasil. Revelou que o Brasil já teve um projeto de país, liderado por Getúlio Vargas e seguido por outros nomes, como Juscelino Kubitschek, mas que foi interrompido pelas forças armadas. Não que as forças armadas não deram continuidade ao projeto de país, mas o fez através de financiamento externo ao invés de fazer as reformas para dar a estrutura econômica necessária para nosso país. Isto significou, portanto, um desenvolvimento sim, mas com sérios problemas sociais e uma dívida em dólar. Esta dívida, devido à mudança de política dos EUA, quando ele aumentou a taxa de juros, fez quebrar vários países latino-americanos, Brasil incluso. Foi neste período que começou a hiperinflação.
Ciro relata que sua geração venceu todas: conseguiram redemocratizar o país, conseguiram vencer a hiperinflação. No entanto, Ciro alerta: a hiperinflação brasileira não é somente uma doença da moeda, é um projeto de poder, pois perdurou 30 anos, algo não visto em outro lugar do mundo, pois conseguiu estabelecer um esquema que suga o poder de compra da maioria pobre brasileira enquanto corrige a poupança daqueles que conseguiam acumular dinheiro no banco. Ou seja: foi um mecanismo de transferência de capital, dos mais pobres para os mais ricos. Isto foi vencido, porém, foi preciso abrir mão de algumas coisas para estabilizar o país. Queimou-se reserva internacional e também fixou-se uma taxa de juros exorbitante, que devia ser temporada, mas acabou não sendo, pois a elite podre brasileira encontrou nisto o mecanismo de transferência de capital que tivera perdido anteriormente com o fim da hiperinflação. Foi demonstrado que o Brasil é um dos dez países mais desiguais do mundo, e a depender do método de avaliação, o primeiro. Ainda, essa desigualdade só piora nos governos Temer e Bolsonaro e será ainda mais agravada pela pandemia.
Isto fez o Ciro decepcionar-se com o partido que ele ajudou a criar, também fez ele sair do governo. O fez até perder a esperança na vida pública, seguindo a carreira privada e acadêmica temporariamente. Nisto tudo ele aponta o PT que, ao entrar no poder, ao invés de buscar as reformas reestruturantes necessárias para acabar com as desigualdades do país e permitir o crescimento de uma indústria forte, acabou por escolher o caminho mais fácil de negociar com o capital e continuar financiando o rentismo. O resultado disto foi que o grande capital e os pobres sentiram alívio, mas a classe média foi onerada. Por fim: o PT cooptou os líderes políticos da maioria dos partidos sociais, o que desestruturou toda a luta social durante 16 anos, e por isto o povo se tornou incapaz de organizar em torno de interesses maiores que não o próprio. Isto foi um processo despolitização promovido pelo PT enquanto estava no poder para não precisar lidar com as contradições das suas atitudes. Ciro relata isto com tristeza, e afirma nisto a nossa falta de capacidade de lidar com o bolsonarismo.
O bolsonarismo, por sua vez, continua o processo de sabotar quaisquer reformas necessárias para corrigir a grave situação do Brasil. Pelo contrário, a pretexto do neoliberalismo de goela do Paulo Guedes, que pouco conhece do Brasil e demonstra não saber o que está fazendo nesta pandemia, sendo o real uma das grandes moedas com maior desvalorização no mundo, vende nossas empresas estatais estratégicas à pretexto que de que a iniciativa privada é melhor em tudo o que faz. Esquece-se, porém, de princípios importantes como o do mercado para que isto seja verdadeiro, e, portanto, coloca pontos estratégicos da infraestrutura brasileira na mão de desconhecidos. Um exemplo disto é que o EUA não permitiu que uma das suas grandes empresas privadas de tecnologia fosse vendida para China enquanto que o Brasil permite vender a Embraer, que tem muito investimento do governo, seja vendida para o EUA. A Embraer é uma pérola nacional, pois conseguiu desenvolver boas tecnologias com pouca coisa e se destaca no mundo da aviação. Toda tecnologia seria transferida para o EUA, neste caso.
Ele então anuncia o projeto de país dele. Trata-se de baratear tudo quanto possível através do trabalho e da inteligência do povo brasileiro, enquanto buscamos aprimorar o que de melhor nós temos, e ainda buscando uma presença soberana no equilíbrio de poderes nacional, dando uma grande atenção às forças armadas. Falou-se, portanto, de 4 grandes setores: o médico, o do petro-quimico, o de defesa e o agronegócio. Também citou da necessidade de incentivar a inovação e reestruturar a construção civil. Por fim, deu sua opinião sobre as necessárias reformas tributária, educacional, previdenciária e política, demonstrando através de exemplos, dados e estudos que suas propostas são praticáveis no que há de mais moderno no mundo. Citou a necessidade do nosso povo compreender que nosso estado não é grande em áreas chaves, como saúde e educação, como os liberaróides anunciam com orgulho, mas que possuí um enorme peso na sustentação do rentismo. Também citou a necessidade de re-espiritualizarmos nosso povo, ou transformar nossos valores culturais, de um consumismo fútil e insustentável para a existência do planeta para um processo de consumo e produção responsável, que não somente se preocupa com o ato de consumo, mas com o ato político e ecológico do consumo.
A importância de cada setor é explicada: o médico, pois 80% dos medicamentos comprados pelo Brasil são importados que já possuem patente vencida. Isto significa que uma equipe de engenharia reversa poderia conseguir produzir no Brasil tais medicamentos, diminuindo a necessidade e a dependência do externo e valorizando nosso povo. A petro-químico: a Petrobrás é uma grande expoente tecnológica no mundo e, no entanto, vendemos petróleo para comprar seus refinados. Isto é um absurdo quando há refinarias brasileiras paradas podendo fazer este trabalho. O da defesa: é inconcebível que tecnologias chaves para defesa nacional estejam na mão de outros países. Nosso país precisa ter capacidade de dizer não para potências externas, e para isto é preciso se defender. Isto é um princípio de soberania. Lembrou dos casos de espionagem americana ao Brasil denunciados por Snowden e Julian Assange. E, por fim, o agronegócio: é o único destaque do Brasil atualmente, no entanto, está sofrendo. É preciso um forte investimento no estado orientado à fortalecer o que já é forte, pois grande parte dos insumos do agronegócio ainda hoje são importados e o governo Bolsonaro parece fazer pouco caso do agronegócio brasileiro quando faz acordos com o trumpismo puramente baseado em subserviência.
Durante todo o livro Ciro demonstra que ele não conhece estas coisas somente da boca pra fora, mas sim por uma busca profunda por respostas. Também mostra que dedicou sua vida à vida pública, e que por isto tem moral para falar sobre o que precisa ser feito. Demonstra resultados positivos nas diversas oportunidades que ele teve de agir como executor, os excelentes índices de saúde, educação e finanças públicas de Sobral. Também agradece a todos aqueles do campo acadêmico que o ajudaram a construir seu pensamento e também agradece aos seus pais, servidores públicos de baixo-clero, mas que o ensinaram a amar o país e a entender o quão revolucionário é um estado bem desenvolvido, a sua esposa, filhos, etc. Por fim reflete: se ele quisesse ser presidente do Brasil, como um dos governadores mais jovens, como aquele que ajudou o plano real, dentre diversos outros feitos políticos, ele certamente já teria o feito, porém, recusa-se, pois deseja somente ser presidente do Brasil quando o país estiver pronto para fazer as reformas necessárias para encontrar seu caminho de soberania e de processo civilizatório que será capaz de dar exemplo ao mundo e, quando isto chegar, estará pronto para dar sua vida para tanto.
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