quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Comunidade e democracia: a experiência da Itália moderna

Capítulo 1:
Introdução ao livro. Alguns princípios de observação para relação instituição comunidade foram instaladas. A primeira e a segunda dizem, respectivamente, que tanto a instituição influencia a comunidade quanto a comunidade influencia a instituição, no sentido que a primeira define os atores, regras, poderes, personagens da segunda e a segunda, através das suas escolhas, definem o contexto social que permite ou não a existência da primeira. Depois, foi discutido as formas como a instituição modifica a comunidade. Três formas foram destacadas: a constitucionalista, ou projeto institucional, que enfatiza o poder do projeto institucional como forma de moldar uma comunidade. A segunda é os fatores socioeconômicos como principias moldadores, vindo da tradição de Aristóteles, em que o bem estar social e econômico são predominantes. O terceiro, o sociocultural como principais moldadores, vindo da tradição de Platão, em que os governos variam de acordo com a disposição de seus cidadãos. Por fim, anunciou-se os métodos de investigação e as áreas da Itália que serão destacadas para o estudo.

Capítulo 2:
Criar uma nova instituição não significa criar um novo governo. Como se diz na França, "Vinho velho em garrafa nova". O processo de regionalização na Itália iniciou-se, mas precisa demonstrar sua consolidação. No começo, havia uma forte polarização política entre os partidos e eleitores, mas o processo de implementar políticas regionais fez com que partes opostas tivessem que governar juntas, o que diminuiu o índice de polarização. O norte, que tinha uma tradição mais de esquerda, conseguiu se adaptar melhor ao governo regional que o sul, com tradição mais de direita. Isto é constatado pelas pesquisas, que diz que os cidadãos acham o governo regional melhor que o central, embora rejeite a ambos, e que o sul é menos entusiasmada com o governo regional que o norte, embora ainda queira que ele funcione. É nítido, no entanto, que os governos regionais conseguiram ganhar força e autonomia, segundo conceitos mostrados no livro.

Capítulo 3:
No capítulo 3 são introduzidos alguns indicadores de eficiência governamental. Além disto, investiga-se várias causas do porquê os governos do norte apresentam desempenho superior aos do sul. Entre diversas hipóteses testadas, a mais promissora é que o povo do norte tem um espírito cívico mais acentuado que o sul. Hipóteses como educação ou consenso demonstraram não ter muita relevância na eficiência do governo. Vários parágrafos são utilizados para explicar o que é uma comunidade cívica e quais evidências levam a considerar que o norte apresenta tal caracterização. Estas evidências vão desde perfil de votação, à participação em atividades associativas e consumo de informações sobre o local. O sul, por outro lado, demonstrou evidências de ter relações clientelistas. Isto é, as pessoas associam-se verticalmente e com interesses próprios em relações mais pessoais do que institucionais.

Capítulo 4:
Neste capítulo o autor se dedica a definir o que é uma comunidade cívica. Após, começa a verificar no Norte da Itália os elementos que permitem demonstrar que existe indícios de formação de comunidades cívicas na Itália. Também demonstra que outros fatores que possivelmente poderiam colaborar para uma boa democracia, como educação, riqueza ou consenso político não são de fato significantes para este objetivo, acentuando que o fator predominante para a explicação dos bons governos é a comunidade cívica. À grosso modo, uma comunidade cívica é aquela em que seus cidadãos prezam pelas instituições como forma de apoio mútuo em contraste com o pensamento clientelista, onde as relações são construídas em torno do ganho pessoal. Além disso, também foi verificado que, embora sejam cívicas, a comunidade não deixa de ser politizada e que também o clientelismo consegue subsistir em meio a instituições formais como a democracia.

Capítulo 5:
É notório a diferença cultural entre o norte e o sul. Para explicar isto, este capítulo mergulha na história medieval da Itália. Nela, descobre-se que o sul da Itália foi reinada por um dos mais modernos estados monárquicos da época, altamente verticalizado, enquanto que o norte organizou-se em comunidades independentes e mais horizontais, pois havia uma cultura dos semelhantes se ajudarem. A partir daí, nota-se que o sul havia chegado no seu limite de crescimento, enquanto que o norte encontrava caminhos para crescer mais e mais, até a chegada das pestes na Europa, assim como outras instabilidades, que fizeram o norte fragmentar-se enquanto que o sul resistia, embora tendo a influência de outros países. Porém, a ética cívica do norte sobreviveu à isto e, após a unificação e democratização da Itália, o norte conseguiu ascender rapidamente enquanto que o sul, que também manteve suas relações servis e agora chamadas de clientelistas, teve dificuldades em construir governos eficientes. É preciso salientar que, embora não seja possível afirmar que apenas uma comunidade cívica seja suficiente para construir uma boa economia, é a experiência Italiana afirma que a comunidade cívica é um fator muito forte para tanto e que uma boa economia não implica em uma comunidade cívica.

Capítulo 6:
Entendido as origens da diferenciação entre norte e sul, este capítulo dedica-se a compreender o porquê tais diferenças persistem. Para isso, utilizou-se da teoria de jogos, principalmente do dilema do prisioneiro, para demonstrar que a solução ótima de um grupo em que não haja confiança prévia é desertar. Também utilizou a formulação de estado de Hobbies para afirmar que o estado é uma solução subótima à deserção do dilema do prisioneiro, pois ele age como uma terceira parte que evita a deserção. No entanto, também o estado se torna inconfiável neste cenário. Assim, a solução ótima é a comunidade cívica, onde cria-se o que foi chamado de "capital social", que é a capacidade que as pessoas tem de confiarem umas nas outras que irão cumprir os contratos sociais estabelecidos. Por outro lado, culturas que não hajam espaço para a produção de capital social tendem a não construí-lo e, portanto, a desconfiança é continuada. Assim, compreende-se que o norte conseguiu alcançar este estágio de capital social e se estabilizar nesta solução ótima enquanto que o sul não conseguiu e se estabilizou na solução subótima. Por fim, o autor lembrou que, através da introdução de um novo regime político, foi possível alterar o perfil das pessoas e, portanto, há esperança, mas que, provavelmente, também é preciso que haja uma mudança de dentro para fora para que a melhor solução para a democracia seja atingida.

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