segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

Pacto de fraternidade

                Certo dia, dois homens conviviam em uma sociedade com pacto de fraternidade. Este pacto dizia que, se estivesse por baixo, outro o ajudaria a levantar, pois assim se manteria a dignidade de ambos, para que ambos fossem livres e pudessem ser tratados de igual maneira pela justiça. Aconteceu que estes dois homens começaram a desenvolver negócios em ambientes semelhantes e um não gostava do deus do outro. Portanto, ao invés de se unirem, se separaram, tornando-se rivais.

                Esta competição durou muitos anos, e durante este tempo, a rivalidade transformou-se em inimizade, de tal modo que nem mesmo eles pudessem se olhar na rua sem que houvesse desconforto. Porém, por algum motivo qualquer, um destes saiu vitorioso dessa rivalidade. Assim sendo, seu negócio tomou conta de todo o mercado. O outro teve de fechar as portas, estava velho demais para aprender a fazer outra coisa da vida e se recusava aceitar a servir ao seu adversário, por não concordar com seu deus. Preferia, portanto, morrer.

                Porém, a sociedade a qual ambos viviam dizia que, se um estivesse mal, era dever do outro ajudar. Portanto, organizou-se a pedir impostos daquele que fora vitorioso, a princípio recusara-se a pagar. Sua recusa era por saber para aonde se destinava aquele dinheiro e por não desejar tal destino, para que não alimentasse um deus que não fosse um dele. Porém, os organizadores lembraram-no: você fez um pacto conosco, e através deste pacto toda a estrutura social foi organizada para que vocês competissem com liberdade e igualdade. Agora, se você preza por essa sociedade, pague seus impostos. Do contrário, esta sociedade o recusará.

                Este homem, apesar da raiva por estar alimentando seu inimigo, pagou seus impostos, pois sabia que era justo. O outro homem, apesar da raiva que tinha da origem daquele dinheiro, o aceitou, pois sabia que aquele dinheiro vinha, na verdade, da sociedade construída através daquele pacto. Assim, aquele dinheiro fora utilizado para que o homem derrotado vivesse o fim de sua vida com dignidade, ensinasse aos seus filhos tudo o que aprendera, para que seus filhos tivessem a oportunidade de, um dia, voltar a competir por uma vida melhor através do relaxamento de seu adversário ou encontrar um novo caminho através daqueles ensinamentos.

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