terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Acerca da autoridade política e religiosa

     Existe uma lei que diferença homens da natureza: o livre-arbítrio. No entanto, o que faria um pai ao ver seu filho colocando seu dedo na tomada? É claro que ele buscaria impedir no livre-arbítrio do seu filho, para seu próprio bem. Ele, afinal, tem essa autoridade, pois ele é pai. No entanto, certas crianças não conseguem crescer. Tornam-se adultos que, como crianças, utilizam seu livre-arbítrio para rumar ao próprio mal. Quem, portanto, teria autoridade para interceder nesta situação?

    Bem sabemos que governos estabelecidos por homens conseguem, através da lei, determinar o destino de um indivíduo. Como um pai, estes governos são constituídos de autoridade para, através da força física, alterar o curso de vida de uma pessoa. Esta autoridade vem da lei e da integridade de uma sociedade em cumpri-las. Estas leis, certamente inspiradas para evitar grandes maus ou para coordenar a sociedade de acordo com o que grandes homens indicam como correto, são aquilo que devem reger o comportamento dos indivíduos para o bem. Foram estabelecidas através de um feroz acordo entre homens, que fizeram guerras, deram suas próprias vidas, para que tais leis fossem desenvolvidas.

    No entanto, sabemos também que há outra grande fonte de autoridade, a saber, a do próprio Deus. Esta fonte emerge dentro do coração de cada homem que busca aos céus, que passa a utilizar seu livre-arbítrio para escutá-lo, segui-lo e construir uma vida baseado no seu bem. Esta fonte de autoridade, através do tempo, foi descrita por homens nas escrituras sagradas, para servirem como inspiração para que outros homens encontrem, dentro de si, também este Deus. Como um ser vivo, este Deus vai passando de geração a geração, através das escrituras, para que o homem se aperfeiçoe ao evitar erros e ensinar princípios que ele só irá entender depois de certa maturidade, tal como um pai faria.

    Ora, duas fontes de autoridade, ambas buscam aperfeiçoar o homem ao seu próprio bem. O que acontece, portanto, quando os governos não se preocupam em, como pai, proteger os seus governados das situações que os exponha a uma situação de animal, como passar fome ou temer pela própria segurança? O que acontece, portanto, quando os lideres religiosos utilizam seu próprio reino, instituído numa palavra que quer trazer o que há de melhor no ser humano, simplesmente para criar um local para a própria proteção e para proteger aqueles que fazem parte da mesma organização?

    É claro que nossa sociedade irá regredir a um estado animalesco. Cada um buscará sua própria salvação, de modo que nenhum ser humano terá condições de buscar dentro de si o que de melhor ele tem para entregar à nossa sociedade. Portanto, nossa sociedade recai na superficialidade das coisas, onde as relações humanas passam a ser cada vez mais rasas, as atividades humanas começam a ser cada vez mais imediatistas. Deste modo, a sociedade começa a se tornar menos sociedade, pois cada vez menos os indivíduos dependem dos outros para depender de si mesmo, ao ponto que, um dia, nem mesmo de sociedade poderemos nos chamar.

    São duas autoridades, portanto, que na sua mais pura essência desejam a mesma coisa: que o ser humano não destrua a si próprio, mas cresça em direção ao bem. Os governos, desenvolvendo um estado para que nos apoiemos, e a religião, nos guiando em como sermos humanos. Estaria Deus contido em apenas uma delas, a saber, na religião? Afirmar isto seria limitar Deus. Se a construção da linguagem religiosa vem do coração dos homens, utilizar força física para convencer seria ir contra o próprio livre arbítrio estabelecido por Deus. Se a construção da linguagem política vem da violência, esperar que homens possam se sensibilizar ao espírito é insensatez. É somente através do equilíbrio destas duas autoridades que encontraremos verdadeiramente a vontade de Deus.

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