Um pouco mais sobre os sistemas sociais
Olá amigos. Poucas novidades nesta postagem, principalmente porque faz pouco tempo desde que escrevi a última, mas vamos a elas: estou escrevendo por estar sem internet o dia todo, já é final de noite e passei o dia assistindo Game of Throne, provavelmente já fiz meus elogios a este seriado no blog. Na escola continuo lendo “Rainbow Six”, outro algo que está me agradando muito. Existem dois pontos interessantes em ler livros, o primeiro é específico do Rainbow Six: os livros, por ter menos ação, abordam mais os bastidores da história; está sendo bem instrutivo entender um pouco mais sobre os grupos de ações especiais, polícias e os procedimentos que trazem o controle de algum lugar na prática. Outro ponto é que os livros trazem a oportunidade de observar a linha de raciocínio do personagem, coisa que alguns autores gostam de explorar. É mais difícil ter acesso a este tipo de informação tão intimamente nos filmes. Além disto, imaginar que tipo de conhecimentos ou experiências - para não dizer configuração mental - o autor precisou ter para produzir um livro destes é algo bem curioso que nos faz notar a beleza da existência da arte. Vamos a postagem de hoje, que tratará sobre a essência das leis de uma instituição e sua relação com as chances de sobrevivência.
Princípio da manutenção dos sistemas sociais
Ao observar as regras de uma instituição e o modo como as pessoas reagem a elas, é possível observar algo bastante interessante: algumas respeitam, outras não. Seguindo os princípios da verdade, é interessante saber o motivo que faz alguém respeitar um sistema ou não, até mesmo para saber quando se deve respeitar ou o que fazer para montar um sistema a qual todos respeitem. Mais uma vez irei usar os conhecimentos e objetivos da psicologia evolutiva para analisar e chegar a uma conclusão sobre as informações. Ao investigar, observei que o principal fator que faz alguém respeitar ou não um sistema é a quantidade de chances de sobreviver e reproduzir que ela associa a ele: ela irá respeitar a mesma medida que ela ache que o sistema a beneficia. Partindo deste princípio, resta-nos conhecer quais fatores fazem alguém considerar que há ou não chances de sobrevivência e reprodução num determinado sistema.
Sabendo da propriedade do humano controlar o raciocínio com o instinto e vice-versa, uma das formas de alguém considerar que há chances de reprodução e sobrevivência num sistema é associando estas chances a ele. Isto é feito principalmente durante a construção de valores, por exemplo: se alguém que é importante, seja por prover qualidade de vida ou por quaisquer outros motivos, para uma pessoa que ainda está desenvolvendo sua visão de mundo disser que algo é certo ou errado, esta pessoa irá associar esta importância a tal informação e irá buscar construir seus conhecimentos e personalidade com base nisto. É desta forma que um pai ensina a seu filho que é preciso respeitar certos valores, e este filho busca construir sua filosofia e qualidade de vida entorno disto. Se este valor for determinado sistema ou instituição, o filho tende a associar e a buscar sobrevivência e reprodução nisto.
Outro modo de associar chances de sobreviver e reproduzir a um sistema é entendendo o porquê da sua criação, ou seja, saber como ele aumenta as chances de sobreviver e reproduzir de modo prático, e se pode fazer isto conhecendo como era antes e como ficou após sua criação, seu histórico, entender em quais fatores este sistema se propõe a controlar ou qual motivação levou alguém a criá-lo. É com posse destes conhecimentos, e em concordância com eles, que irá gerar a conscientização das pessoas para a necessidade de respeitá-lo com a finalidade de aumentar as chances de sobrevivência e reprodução. Neste ponto é perceptível que pessoas com maior acesso a conhecimentos básicos de sua história tendem a respeitar mais o sistema. É por isto também que a posse destes conhecimentos é tão importante aos profissionais passíveis a corrupção e aos próprios cidadãos, pois com eles se aprende que um sistema social funcionando bem tende a trazer qualidade de vida melhor e mais estável que um sistema corrupto, que tende a beneficiar somente a quem dá o golpe até que outro consiga fazer o mesmo neste.
Observem que existe também a possibilidade de não concordância com o sistema ou a consideração que exista outro sistema melhor. Neste caso, ou a pessoa desconhece algum fator que torne tal sistema o mais adequado ao invés de outro, ou o sistema é moldado à base de distúrbios sociais e realmente poderia trazer mais chances de sobreviver e reproduzir a maioria da população se configurado de outra forma. Para resolver o primeiro caso é necessária a educação ou a busca pelo conhecimento, enquanto que para o segundo é necessário uma re-educação que pode ser seguida ou não de revoltas sociais, já que mesmo num sistema ruim há pessoas que se beneficiam dele, e talvez não queiram perder este beneficio em nome da maioria. Tanto para a falta de concordância como também para a falta de associação de coisas boas ao sistema, as conseqüências disto tendem a ser a mesma: a burla de sistema e a corrupção.
A psicologia evolutiva tem como um dos princípios investigativos a análise de cada uma das possibilidades de contexto para decidir aquela que trás as melhores chances de sobrevivência tanto para o grupo quanto para o individuo, e faremos isto, inclusive, com as conseqüências que trazem a burla do sistema. Existem leis que são criadas simplesmente a distúrbio do sistema, e sua inflação não traz conseqüências ao grupo e traz algum beneficio ao individual. Burlá-las é perfeitamente aceitável se os riscos ou punições forem baixos, e inclusive, os funcionários que são responsáveis por sua manutenção e sabem que não existem bons motivos para ela existir tendem a não punir ou a serem facilmente corruptíveis. Portanto, para a criação de um bom sistema é necessário que ele traga beneficio a todos e que estes estejam conscientizados, seja objetivo no que se propõe a melhorar e seja trabalhado para se adequar a todas as variações da realidade.
OBS: é interessante notar que este princípio ajuda a investigar por quais bases uma lei se sustenta num país: se por modelo de economia; tradições; falta de conhecimento por parte da população; dogmas religiosos ou por pressão daqueles que detém a riqueza. Além disto, se torna um dispositivo interessante se usado no dia-a-dia, tanto para o entendimento quanto para aperfeiçoamento de quaisquer sistemas institucionais, seja ela familiar, escolar, empresarial, política, etc.
Evolução parasitóide
O conceito de evolução parasitóide sempre me foi familiar, pois é um comportamento muito famoso no meio fictício. Trata-se de pessoas que produzem pouco e consumem muito, e compensam este déficit parasitando grandes produtores. A psicologia classifica este tipo de evolução como um distúrbio, pois a estabilidade deste tipo de evolução tende a ser arriscada e a utilizar dispositivo que degrade a evolução de outras pessoas como método de alcançar os objetivos rapidamente. O estereótipo deste conceito de evolução pode ser observado através dos ladrões de alta classe ou de pessoas que tentam se agregar a um grupo social economicamente superior ao delas através da mentira. Uma grande dúvida era se um dia poderia existir uma sociedade saudável o suficiente para, por exemplo, ser desnecessário o investimento em segurança ou para que as pessoas deixem de se preocupar com intrigas ou sabotagens e passem a se concentrar apenas na sua melhora.
A inspiração para o que talvez seja a resposta para esta pergunta veio das aulas de biologia do ensino médio, mais especificadamente o ciclo de reprodução dos vermes, algo que me impressionou muito. Esta aula me mostrou que os mecanismos que as várias espécies encontraram para ter mais chances de sobreviver e reproduzir são extremamente variados. Isto implica que onde houver chances de evolução, haverá alguma espécie que, se sofrer as devidas mutações que desenvolvam as tecnologias necessárias, irá se adaptar a preencher aquela lacuna. De forma análoga a isto estão as configurações humanas, que através de suas mutações, que são mudanças de comportamento causadas por acidentes, cansaço ou algum outro motivo, tendem a descobrir novos comportamentos, que são adotados ou não de acordo com a resposta do ambiente quanto as chances de sobrevivência e reprodução, algo semelhante a seleção natural.
Portanto, se o ambiente, neste caso a cultura de uma sociedade, apresentar uma lacuna para um tipo de evolução parasitóide, é altamente provável que as pessoas desenvolvam formas de preenchê-la. A tendência é que esta quantidade aumente à medida que forem fáceis as formas de parasitar algum ambiente, isto porque a maioria das vezes só investe em algo perigoso ou trabalhoso quem não tem opção melhor. É seguindo esta linha de raciocínio que se conclui que é indispensável o investimento em segurança para inibir a evolução parasitóide na maioria das pessoas, porém, também existe a possibilidade de haver pessoas tão boas neste tipo de evolução que o investimento para inibi-las é consideravelmente alto. Neste caso, se o investimento para inibi-las for mais alto que o que elas parasitam no sistema, o mais aconselhável é manter a situação até que se desenvolva alguma tecnologia que barateie o investimento.
OBS: a linha de pensamento da ultima parte do parágrafo anterior foi adaptada da conclusão de como resolver distúrbios do meu livro, até mesmo porque evolução parasitóide se comporta e é considerada como um distúrbio.
Encerramento:
Eu pretendia escrever sobre mais um tópico, mas ele foge do tema "sistemas sociais", por isto, vou deixá-lo para uma próxima. Esta postagem ficou razoavelmente satisfatória, pois, embora talvez tenha ficado meio confusa em alguns momentos, ao menos consolidou os conceitos. Ontem fui dormir as quatro da manhã a terminando, e hoje dei uma pequena revisada. Felizmente minha internet voltou e eu posso retornar ao The West, meu pequeno novo vício, mas esse tempo sem internet foi legal porque eu adiantei o livro e joguei Lost Laby, por isso não senti tanta falta. Ultimamente estou curtindo bastante uma banda chama "The Galaxy Asteroid Tour", que tem um som que mistura anos sessenta, R&B e rock segundo o que eu percebi. É interessante como a música deles me parece estranhamente familiar, e eu gosto disto. Enfim amigos, abraço a todos e até a próxima postagem.
2 comentários:
Muito bom seu blog para poucos pois os Brasileiros não gostam de pensar!mas flw cara é isso ai!é gente como você que o Brasil e o mundo precisa!tudo de bom!
Pensar não é tão fácil, é necessario bastante esforço. Obrigado hein cara.
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