A arte, suas características e meu blog
Olá a todos. Novamente ao som do Miles Davis eu escrevo. Ultimamente eu tenho passado novamente por crises com este blog. Sua função na minha vida é confusa, e o esforço para atualizá-lo é grande. Planejei escrever sobre Grease, um filme antigo que assisti com meu amigo um dia desses, mas deixarei isto pra outra postagem. Para esta, irei fazer uma reflexão sobre a função da arte na nossa sociedade, e os atuais mecanismos que a produz e consome, pondo inclusive meu blog nesta perspectiva. Como essa introdução ficou um pouco pequena, vou enrolar um pouco mais. Sobre o meu twitter, escrever sempre a 140+ caracteres é cansativo. Na verdade, sua função também está confusa. Talvez eu já tenha dito que iria resolver isso antes, mas vou primeiro resolver o blog. Um pensamento pode ajudar o outro neste caso. Além de achar uma função apropriada para o twitter, quero acabar com a mania dos 140+ caracteres, e até pensei em fazer isso, seria tão simples. Mas preciso de um estopim, um evento que justifique a mudança de comportamento, e isto eu não tenho. Enfim, vamos a postagem.
Sobre a arte meus amigos, és algo que há muito tempo não se define, mas que existe como função de vida de várias pessoas. A psicologia evolutiva define a arte em si como a atividade de desenvolver novas tecnologias humanas, seja para qual for o fim, e o ato de produzir arte como uma forma de evolução abstrata. Abstrata porque ela não depende do ambiente para ter maiores chances de sobreviver e reproduzir, e sim das pessoas que entram em contato com a arte. Obviamente que o ambiente influencia o gosto das pessoas, contudo, são as pessoas que decidem valorizar ou não tal estilo de arte. Mediante a valorização é que há maiores chances de sobreviver e reproduzir do artista, o que constitui uma boa evolução. A própria sensação de evolução causa prazer no humano, e como a arte é uma forma de evolução, muitas vezes os artistas a usam como forma de hobby. Mas o problema é que na arte também há os distúrbios, onde as pessoas tentam melhorar as coisas que não necessariamente tragam maiores chances de sobreviver e reproduzir, apenas por agregar algum sentimento de evolução ou afeto a aquele algo. (Na minha visão, existem artistas que se esquecem de ter filhos e esposa em nome da sua arte, o que não é necessariamente saudável.)
Quando falamos em tecnologias humanas, a que a arte desenvolve, queremos dizer, de fato, qualquer coisa relacionada aos humanos. Seja pelos novos sentimentos que os traga, seja pela forma que uma mensagem é comunicada, seja pela forma como aquilo é utilizado na vida de uma pessoa, dentre varias outras aplicações das tecnologias humanas, tudo isto pode ser considerado arte. É a discussão destas várias funções que a arte pode assumir que me interessa escrever hoje. Para introduzir este assunto, vou relembrar o que eu e meu amigo Bruno Pontual discutimos um dia desses sobre a arte antiga pelos lados da Grécia e Roma, se bem me lembro. O meu professor de literatura tinha me dito que naquele tempo quem escrevia as peças de teatro eram os filósofos, e eles faziam isso com o objetivo de trazer para as pessoas novas experiências e conhecimentos humanos, para que elas saiam mais enriquecidas do teatro. Comparamos isto com a arte atualmente, e notamos que a única preocupação da indústria do entretenimento parece ser produzir arte para passar o tempo iludindo o instinto, gerando o consumo.
Outro detalhe observado por mim durante as minhas conversas com ele é que antigamente era fácil definir a arte, enquanto que hoje não é. Por exemplo, podemos classificar as obras românticas em gerações de acordo com as sub-características que cada uma delas apresentam, e estas estão inseridas dentro do contexto do romantismo. As características do romantismo por sua vez podem ser diferenciadas do barroco ou do arcadismo, pois são todas bem definidas e podemos apontar as causas para cada definição destas. Já na arte atualmente é difícil apontar as causas e definir os artistas, principalmente na indústria do entretenimento. Isto acontece devido a enorme facilidade que as indústrias oferecem aos artistas quando notam nestes potencial instintivo para o consumo. O artista, por causa disto, tem pouca oportunidade de amadurecer sua filosofia e conhecimento de mundo para criar uma arte que realmente comunique a realidade, por exemplo, produzindo apenas material de consumo para o público-alvo. Em comparação com antigamente, um artista deveria se esforçar muito para conseguir as habilidades técnicas para produzir a sua arte, conseqüentemente, acabava amadurecendo com os erros e acertos da vida.
A facilidade com que uma arte é consumida também é um bom ponto a ser observado. Enquanto que artes como música e filmes são consumidos rapidamente e com pouco esforço, um livro mostra-se bem mais demorado. Estas mesmas características também são notadas na densidade de conteúdo das mídias. Conteúdos densos levam mais tempo e esforço para serem absorvidos e geram mais resultados, conteúdos simples são absorvidos rapidamente e geram poucos resultados. Quando eu digo resultados aqui, quero dizer maior conhecimento sobre os humanos e sua realidade, pois tudo o que iludi o instinto tende a se tornar mais fácil de ser consumido e absorvido. Estes elementos acabam sendo fatores que filtram o público de acordo com os interesses e expectativas. Se determinado público tem expectativa de consumir algo rápido, não irá selecionar mídias demoradas e vice-versa. Se determinado público tem interesse de consumir algo denso, que lhe mostre a realidade, não vai selecionar algo simples e instintivo, e vice-versa. Normalmente as pessoas mais estruturadas racionalmente preferem o denso, enquanto que as que se deixam levar pelo instinto preferem algo simples. A oferta de tempo disponível também é uma determinante neste caso.
Agora que já explicado várias funcionalidades e aspectos da arte, vou enfocar um pouco neste blog. Nesta postagem estou tentando fazer uma analogia entre meu blog e a arte, porém, não considero que meu blog possa ser considerado como tal. Como muito já falei aqui, a princípio, sua principal função é apenas deixar registrada minhas idéias. Mas sinceramente, amigos, apenas esta finalidade não está mais sendo o suficiente. Se adentrarmos ainda mais no meu subconsciente, entenderemos que de alguma forma este meu blog é a forma com qual eu me imponho mundo afora. É a minha construção, e por isso eu faço questão de pô-lo no meu subnick. Tornam-se então funções secundarias a de registrar a evolução das minhas idéias e treinar meu hábito de escrever. Embora as secundárias sejam importantes, o que me motiva mesmo é a primaria, e ela não é exercida completamente enquanto as pessoas não lêem meu blog. O resultado disto é que se torna muito desgastante e sem propósito escrever para o blog na maioria dos casos.
Existem muitos motivos que levam as pessoas a não lerem meu blog. Vou explicar um por um neste parágrafo. O primeiro está na objetividade do blog: Se existe alguma arte, esta arte deve ter uma tecnologia que interesse a alguém. Neste blog eu não desenvolvo nenhuma tecnologia humana propriamente dita, mas apenas o estudo das tecnologias humanas. Acontece que o estudo das tecnologias humanas é algo extremamente denso, que necessita do distanciamento do estudante do seu instinto, além de uma grande dedicação. Por isso, poucas pessoas se interessam por este objetivo ou funcionalidade. O segundo é a forma como o conteúdo é exposto: e um exemplo disto é este texto, gigantesco. Nos tempos da indústria do entretenimento – e isto explica eu tê-la explicado a cima – ninguém cria a expectativa de, por exemplo, perder um dia inteiro apenas com um texto. As pessoas com a evolução comum desejam algo de fácil e rápido consumo e absorção, até mesmo graças as atividades evolutivas que elas exercem. É este o público para qual eu divulgo meu blog.
Um terceiro motivo ainda existe: minha falta de dedicação em passar o conteúdo de forma bem produzida, o que espanta até mesmo o grupo de evolução alternativa. Isto se exemplifica pelo fato d’eu quase nunca revisar meus textos. Poderia também trabalhar um pouco de marketing e fazer coisas pra atrair o instinto humano, como por imagens e grifar as partes importantes, mas não faço nada disso. Além do mais, será raro até mesmo a parte intelectualizada e que tem a expectativa instintiva de passar o dia fazendo o estudo de um texto, se interessar no conteúdo passado por mim, já que como eu disse, tal conteúdo necessita de um distanciamento instintivo e dedicação para ser absorvido, não sendo portanto simplesmente algo posto para ser refletido pelo instinto intelectual dos mesmos e torná-los mais complexos. Meu blog está destinado à ausência de público enquanto alguns dos seus aspectos não mudar, ou através de uma imensa improbabilidade do destino de aparecer alguém com as características necessárias para se interessar por ele.
Resta-me então decidir se vou abandonar o blog, se vou mudar e como mudar. O interessante é como a arte e a personalidade está relacionada com nossos princípios, e isto acaba por se relacionar com o nosso objetivo evolutivo. Meu instinto só se interessa em desperdiçar esforço com o blog nesta função, ou tema, e neste formato, pois eles se relacionam estritamente com minha personalidade e com meus princípios. Meu instinto quer ser observado, e quer ser observado do jeito que ele é, mas ninguém quer observá-lo, daí o conflito e a necessidade de mudar. A real discussão é se eu devo ou não mudar meus princípios, e se eu fizer isto, com quais objetivos eu devo fazê-lo. O desenvolvimento desta resposta está em como o meu instinto pode melhor alcançar altos poderes humanos, e isto é respondido pelo conjunto de habilidades que eu já desenvolvi e que eu tenho maiores chances de alcançar níveis altos. Claramente estou caminhando para uma evolução de poder racional, e daí precisarei converter esta para a evolução poder social e instintivo para manter-me equilibrado (isto está melhor explicado no livro).
A maneira mais eficiente de converter poder racional para o poder instintivo é através do poder social, ou seja, preciso gerar dinheiro pra com o dinheiro, gerar poder instintivo. Este blog claramente não é uma ferramenta pela qual eu possa fazer este tipo de conversão, já que ele não presta nenhum serviço a sociedade e conseqüentemente, não gera dinheiro. Contudo, devo-me lembrar das funções secundárias deste blog, e novamente é a elas que eu me agarro para mantê-lo vivo, que são as de me fazer estar em contato com a escrita e registrar minhas idéias. A primeira das citadas anteriores me faz ter maior capacidade de comunicação, ainda mais agora que eu estou tentando escrever melhor, e isto será importante no meio acadêmico ou em algum trabalho que eu tenha que utilizar os mecanismos racionais. A segunda é curiosa, se baseia na esperança de que alguém, algum dia, se interesse por isso – mesmo que este alguém seja eu mesmo -. São pequenas vantagens, mas que faz parecer ao meu instinto que é necessário manter este blog vivo.
Despeço-me com uma reflexão que me fez ter poucas mudanças, mas certeza de que o blog irá continuar vivo. Irei me esforçar para encontrar coisas para escrever nele nos momentos de tédio ou ainda arrumar alguma alternativa. Já que eu tenho metade de um parágrafo para escrever a despedida, vou contar as novidades de alguns dias pra cá (esta postagem demorou três dias pra ser terminada.). O diretor da minha escola se engajou na minha empreitada de forçar o sistema a conhecer minha teoria e me ajudou na questão daquele folheto publicado algumas postagens antes. Deu algumas dicas de design de marketing para o folheto, que ficou bem melhor, e irá ele mesmo levar o folheto para algumas universidades particulares além de alguns amigos seus da área da psicologia. Pra falar a verdade, estou um pouco nervoso com a responsabilidade que estou assumindo de encarar a comunidade científica, mas me sinto preparado o suficiente para isto e estou confiante. Paralelamente também estou me relacionado com os humanos a tal ponto de apaixonar-me, embora eu não tenha exatamente certeza do que eu esteja fazendo. Ainda sim, seja lá qual for o desconhecido que enfrento, sinto-me preparado. Enfrentar o desconhecido é o que os humanos fazem, o problema é fazer isto sem estar preparado. Enfim, encerrando a postagem, abraço a todos e até mais amiguinhos.
5 comentários:
like that....mas preciso de mais tempo para absorver o que esta escrito....comentarei o texto..é bem legal!
Alias, fico pensando se não estou te importunando com meus comentários. Acho que te devo apresentações. rss
deep! comentando de fim para início. Parar o blog por não ter leitores não é um motivo muito a ser considerado, mesmo que tenha mudado de opinião, simplesmente deixar de fazer algo poque outros não gostam ou simplesmente não ligam, é deixar de lado seu "eu". Lembre-se do "eu", "você" e "nós", serve para qualquer relacionamento, seja ele de amizade, de coleguismo ou de amor.
Agora, na reflexão há dois temas (arte e seu blog) que não se relacionaram de forma completa, apesar de que arte é como a pessoa faz, não como os outros a julgam, ou seja, se temos no entretenimento uma arte voltada para o consumo, não quer dizer que a pessoa que a fez (ex:os atores), não fizeram arte cultural, podemos dizer que eles acharam que estavam passando algo a alguém. Outro ponto a levar em consideração é o fato que sempre existiu a arte popular, e que muitas vezes ficou esquecida no tempo, pois o que fica e o que ficará será semrpe o que adicionou algo a sociedade, quem se lembra de todos os filmes que estavam passando em dezembro de 1975? Ou quem se lembra de todos os poemas que foram trocados em 1000dc na Inglaterra? O popular sempre existiu para divertir as massas, e de certa forma é e semrpe será útil para revoluções culturais e é nesse momento, que há mudanças na cultura ou no jeito de ver a cultura. Mozart era popular, divertia as massas e é um dos maiores copositores de todos os tempos, mas para época era entretenimento de massa, Não tinha nada a acrescentar.
(ps: Espero profundamente que o funk brasileiro não tenha o mesmo destino)
voltando...mesmo na Grecia e Roma antigas, provavelmente houve a arte popular, não feita por filosofos, mas o que ficou foram os que introduziram algo a sociedade, mas não quer dizer que a outra arte não fez nada para a sociedade, pelo contrario, tocou os sentimentos, e de certa forma introduziu pensamentos diferentes.
para não ficar confuso...o que provavelmente esta...
a arte grandiosa faz algo para a sociedade a arte popular revoluciona a sociedade (mesmo que seja manipulada, mas ai é outra discussão.
e concluindo, seu blog passa a ser arte mesmo que você não o considere, pois é seu jeito de mostrar ao mundo seu pensamento, seu sentimento, sua visão...
É até difícil responder a comentários tão bons quanto este, hahaha, mas vamos lá.
Ótima interpretação littlebee, pensamentos tão maduros quanto estes me faz repensar em várias coisas. Nunca havia percebido isto da arte popular sempre existir, e realmente faz todo o sentido. Demorei um pouquinho pra entender sua afirmação que arte grandiosa é aquela que acrescenta a sociedade, e a arte popular é aquela que revoluciona. Imagino que seja porque a arte popular quebra de pequenos a pequenos limites, a arte grandiosa mostra novos caminhos. É isso? De qualquer forma, novamente, ótima percepção e interpretação, pois a arte é realmente uma coisa difícil de definir. (o que tem de opinião preconceituosa por ai...)
De forma alguma vc está me importunando littlebee, estou adorando. Pra falar a verdade eu to curioso pra te conhecer mais (falei isso no twitter já). x)
com relação a arte grandiosa e popular, o que realmente tentei passar é que a arte grandiosa consolida uma tendencia, a arte popular (revoluciona) pois é o povo que de pouco em pouco como colocou molda o destino dessa tendencia.
Vamos trocando ideias...gosto de debater com você, acho que minha intuição em relaçaõ a você estava certa!
Seria interessante uns exemplos, mas já consigo imaginar alguns. Hahaha, mas agora to mais curioso sobre qual intuição é essa que vc tem em relação a mim.
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