terça-feira, 6 de março de 2018

Pecado, crime e autoridade

Certas vezes perguntam-me acerca da salvação de Cristo. Ora, se Cristo nos livrou do pecado, pode um cristão pecar? Sabemos que o pecado ocorre quando fazemos algo sem fé, e que o pecado gera nossa morte espiritual. No entanto, também sabemos que Deus perdoa nossas falhas, e que nossa salvação está garantia por Cristo Jesus independente de nossos pecados. No entanto, o que acontece se um Cristão pecar? Existem duas dimensões para esta resposta. A primeira é no mundo espiritual, pois uma vez que ele peque, provavelmente seu galardão é diminuído. Ora, sua salvação ainda está garantida, esta nunca será revogada porque foi conquistada por Cristo. No entanto, temos sim nosso prejuízo espiritual. Também, nos afastamos de Deus e da graça, e isto pode ser muito perigoso na vida de um Cristão. É certo que ambos os efeitos são sanados através do arrependimento, pois Deus é misericordioso, nos perdoa e nos faz continuar com nosso amadurecimento espiritual.

Muitos, porém, podem perguntar: ora, é assim tão fácil? Eu peco, mas continuo salvo? Isto significa que se, por exemplo, eu matar alguém e me arrepender em seguida, Deus me perdoa? A resposta é que sim. Se você se arrepender de coração, Deus é misericordioso e certamente o perdoará. Porém, é preciso lembrar quando Jesus diz: “Dá a Cesar o que é de Cesar, dá a Deus o que é de Deus”, o que significa que as leis humanas existem tanto quanto as leis espirituais. Ora, na velha aliança seriamos mortos se cometêssemos tal pecado, no entanto, na nova aliança, somos perdoados. Entretanto, tal pecado, além de pecado, é crime. Por ser crime, é preciso que aquele que o cometeu responda diante da justiça humana. Acredito que, através do que Jesus disse, podemos entender que a nova aliança entende que as leis humanas são para o estabelecimento de um reino espiritual mais elevado.

Como é curioso notar um homem que, ao pecar, mas não conseguir encontrar perdão para seus atos, pode chegar se torturar e guardar consigo um rancor e uma condenação enquanto que outro homem, acusado injustamente de um crime, mas em paz espiritualmente, pode encontrar paz em sua solidão. De fato, Cristo percebe que nossa relação com Deus independente do mundo, e que o desenvolvimento do mundo ocorre segundo a vontade de Deus. Sabemos que autoridades são constituídas por Deus, e que devemos respeitá-las. Cá está um bom motivo para que aprendamos, ainda mais, a respeitar as autoridades humanas, enquanto Cristãos. Sem elas, o conceito de crime e pecado poderiam se misturar, de modo que Deus precisaria agir de outro modo para com seus filhos, que não através da sua graça.

Deve ser preocupante, para os cristãos, verem suas autoridades humanas se deteriorando. No entanto, é preciso buscar entender a fonte de toda autoridade humana, que é a carta de constituição de um país. Firmar a autoridade desta carta perante os humanos é uma forma de enaltecer o sistema humano de leis, de modo que a justiça divina possa atuar na justiça humana. Através da efetivação da justiça humana, certamente a justiça de Deus poderá ser vista com mais clareza. No entanto, nem sempre a justiça humana está de acordo com aquilo que os cristãos acham correto. Neste ponto, é preciso entender que a sociedade ainda está em processo de amadurecimento, então é nosso dever atuar para que as leis humanas amadureçam, através da graça de Deus, e não de outra força, para que possamos trazer o reino dos céus à terra.

Existe, ainda, uma situação mais grave e digna de reflexão. Se, no final de tudo, a própria constituição de um país contiver, em si, elementos malignos? Enquanto que anteriormente nós deveríamos respeitar as autoridades humanas, que por sua vez respeitam a autoridade da constituição, se ela mesma for corrompida, o que faríamos? Neste caso é preciso observar que, uma vez que não exista a autoridade da C.F., não existe nenhum tipo de autoridade, senão a autoridade de Deus. Sendo assim, e também por isso, devemos nós mesmos ser observadores daquilo que constituí um país para ter certeza de que tal construção agrada a Deus, para que então possamos atuar nas pessoas, trazendo Jesus e o reino dos céus até elas. Do contrário, também podemos fazer pressão para que aquilo que é ruim seja alterado, pois, uma vez que não exista nenhuma autoridade acima da constituição de um país, há o próprio Deus, que é criador e autoridade sobre todas as coisas.

Para concluir, devemos lembrar que tudo isto deve ser feito através da graça, pois de outra forma estamos utilizando nossa própria força, e não a força de Deus. Se as coisas são feitas por nossa própria força, não temos condições de confiar o rumo de nossas vidas à Deus, e isto dimensionado a um país implica em um sítio de alerta, não de paz. Certamente os homens que irão construir a constituição de um país, nem todos eles são tocados diretamente por Cristo, afinal, estão lá justamente por sua força natural. No entanto, é preciso que cada Cristão acredite que, dentro deles, durante o processo de construção de uma constituição federal, as leis espirituais mais profundas do reino de Deus serão claras para eles. Afinal, se um país for construído sem a menor presença de Deus, o futuro deste país é a destruição total. Afinal, é o próprio Deus que constituí as autoridades humanas, e, sendo assim, há algo de inspiração divina nelas. Portanto, o respeito às autoridades é requisito fundamental para volta do reino de Deus para a terra.

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