--- Sabemos que o desejo pode cegar. Como podemos enxergar a verdade se estamos cegos? Se não enxergamos a verdade, é certo que não podemos sentir a vontade do próprio Deus, uma vez que ele mesmo é a verdade. No entanto, uma vez enxergando a verdade de Deus, surge uma vontade em nós, um desejo, que não é fruto de nós mesmos, mas sim fruto Dele. Este desejo, entretanto, não cega, mas sim une. Realizar o desejo de Deus é o que torna um ser humano puro, uma vez que todas as suas vontades são satisfeitas através da verdade e do amor. Do contrário, o humano será corrompido, aonde a realização da sua própria vontade causa a morte, o pecado, a separação de Deus e o mal na sua comunidade. Sabemos agora que o desejo que cega é aquele que surge do nosso próprio ser, que é limitado a esta vida, que não tem maturidade para acessar ao plano espiritual de Deus e, portanto, nunca estará em harmonia com sua própria existência. O desejo de Deus, entretanto, não nos cega, mas nos realiza. Não nos obriga a andar em mentiras, mas sim a andar em sabedoria. Não nos faz plantar o mal, mas sim o bem. Não nos faz matar, mas gerar vida. O desejo pela vida é aquilo que realmente deveria mover a todo ser humano, mas certamente deve ser aquilo que move todo que nasceu de novo.
--- A rigidez daqueles que não são flexíveis a verdade do próximo é o que determina sua incapacidade de se unir em um objetivo comum. Deste modo, quanto ao mal daqueles que só enxergam a si próprios, contra este me tranquilizo, pois eles nunca serão capazes de moverem-se através do espírito santo, já que não conseguem enxergar nada além de si.
--- Certo dia eu senti raiva de alguém que sentia raiva. No entanto, logo percebi: sofro do mesmo mal a qual condeno. Portanto, o que fazer além de me libertar? Mas, ora, aquilo que me liberta também deve libertar àquele que tem raiva. Sei então que os caminhos que me livrará daquilo que não gosto também fará com que eu liberte ao próximo daquilo que ele também não gosta. Afinal, quem gosta de ser escravo de algo que destrói? A diferença, no final, entre mim e ele, é que eu tomei consciência da minha própria prisão. Sei, pois, através de Cristo Jesus que sou capaz de mudar, de me transformar, mediante a fé e oração, e encontrarei os caminhos. Ele, entretanto, acha que sua raiva pertence a sua própria natureza, portanto, como pode buscar aquilo que considera sólido como pedra? Em verdade, está escrito: diga, e crê de coração, para se mover o monte para o mar, e assim acontecerá. Através do meu exemplo, mostrarei a ele o próprio Cristo. Não será de outra fonte que ele afirmará ser a sabedoria que transformará a mim mesmo naquilo que está escrito.
Algumas mensagens sobre Cristo, parte 4
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