Faz algum tempo que eu venho desenvolvendo estruturas teóricas para lidar com o amor. Mas durante o desenvolvimento destas estruturas, se tornou óbvio pra mim que isto não é algo tão simples quanto produzir matemática ou sistemas lógicos. Amor é algo muito mais profundo que uma estrutura congelada de regras e comportamentos: o amor é vivo como a água em estado líquido, quente o suficiente pra não ser congelado e frio o suficiente pra deixar quem nela vive ter estabilidade.
Pensando nisso, de que adianta, afinal, conversar sobre o amor? Desenvolver suas estruturas teóricas ou viajar através do pensamento por todas as suas possibilidades? De outro modo, pra que serve pensar filosoficamente sobre o que significa o amor? Se no final das contas, não existem regras, comportamentos ou atitudes que o defina? Para responder isto, vamos buscar inspiração de uma área um pouco inusitada: o desenvolvimento de sistemas computacionais, que de certa forma se assemelha a arte como explicarei a seguir, mas ao contrário dela, seu objetivo não é subjetividade.
Muito se fala sobre a inteligência artificial. Mas muitos já concluíram que, se existir uma inteligência artificial o suficientemente avançada, esta se assemelhará aos seres humanos a menos pela velocidade de tomada de decisões. Isto significa que ela poderá errar, pois estará limitada, assim como os seres humanos, aos seus dados de entrada, que nem sempre são verdadeiros ou precisos graças à imperfeição dos instrumentos sensoriais. Ou seja: viver é, de uma forma ou outra, um processo de sentir a realidade.
É então que chegamos aos desenvolvedores de sistemas computacionais. Estes precisam desenvolver algoritmos para resolver um problema do mundo real de maneira eficiente, para então serem reconhecidos em seus empregos. Mas a questão é: como são desenvolvidos os algoritmos? Podemos adiantar a suposição de que não existe nenhuma forma mecânica de fazer isto, pois se existisse, a inteligência artificial já teria se desenvolvido e seria diferente do ser humano. Portanto, resolver problemas se demonstra um exercício de criatividade, investigação e decisões que leve ao caminho correto da solução.
Se pensarmos quantos caminhos existem para a solução otimizada do um problema e quantos existem que não leve a ela, chegamos a conclusão que qualquer ser que tente chegar a solução otimizada através do acaso terá uma probabilidade insignificante de ter sucesso. É neste momento que somos capazes de perceber a importância de pensar filosoficamente sobre qualquer assunto, e mais ainda, sobre um assunto tão importante quanto o amor.
É através do pensamento filosófico que exploramos todas as possibilidades do que pode ser sem nos preocuparmos com o caminho que leve de fato, aquilo que imaginamos à existência. Desta forma, embora não saibamos qual caminho seguir, diminuímos significantemente a chance de pegamos um caminho errado, pois existe a concepção filosófica de onde se quer chegar durante o processo de exploração da realidade. De fato, se pensarmos a quantidade de ideias significantes apresentadas por seres humanos para a resolução de problemas, percebemos a importância deste processo não somente para o amor, como também para qualquer atividade de envolvimento com a realidade.
Contudo, é inocente quem pensa que pensar na concepção filosófica é o suficiente para a resolução do problema. Isto é apenas parte do processo, embora uma parte importante. Muitas soluções são alcançadas ao acaso, com uma concepção básica de sua filosofia, mas com uma grande exploração da realidade. De fato, quanto mais se conhece sobre a realidade, maior é a chance de desenvolver uma concepção filosófica já compatível com ela. Caso contrário, é preciso testar, e se der errado, voltar à filosofia e explorar todas as possibilidades não levando em conta aquele caminho.
É natural supor que a solução otimizada, aquela que resolve o problema da melhor maneira possível, só é alcançada através de um forte embasamento filosófico associado ao forte embasamento prático. Esta dupla união é tão rara que quem a alcança é tem uma grande chance de se destaca em sua área, ou mesmo ser eternizado como alguns dos nossos mais famosos pensadores.
Agora que fortemente inspirados pela forma como a filosofia pode ajudar a resolver problemas, entendemos a importância de pensar filosoficamente sobre o amor: é através da concepção filosófica do que é o amor que os seres humanos têm maior chance de fazer as escolhas em seu cotidiano que o leve a ele. E embora cada ser humano seja único, e, portanto, o caminho que o leve ao amor também seja único, conceber o que é o amor, conversar sobre isso e observar como outras pessoas o alcançaram pode aumentar a chance de ele esbarrar ao acaso no caminho certo pra ele.
Finalizando o texto, falamos muito sobre como a filosofia pode ajudar o ser humano a resolver seus problemas e como usar isso no contexto de amor, respeitando a individualidade de cada um. Contudo, começando por um ponto de partida filosófico sobre o que é o amor, podemos fazer uma definição geral do que ele venha a ser. Cada um que se sinta a vontade para fazer sua própria definição, decidir qual pode ser a melhor ou a pior para si, e aqui darei a minha como forma de despedida: amor, para mim, é o caminho que leva o ser humano à vida e a satisfação. Um abraço a todos e até a próxima postagem!
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