O milagre da existência
(Caçadores de chuva)
(Caçadores de chuva)
Guilherme e Liliane estavam sentados na praia, de mãos dadas, se beijando, até que uma forte ventania os surpreendeu. As nuvens estavam fechando o céu, que já não mais tinha um sol muito forte. Começou a chover e o mar a se agitar. Eles correm para se abrigar debaixo de uma cabana de palha, então se sentam e ficam olhando a chuva e o mar.
Guilherme olha maravilhado as cores do mar azul se misturando com o cinza azulado da chuva. Aquele friozinho gostoso que vem da ventania o fez se agarrar ainda mais a Liliane, e ouvindo os coqueiros balançar por causa do vento, ele comenta:
- Liliane, olha que coisa surpreendente a chuva caindo sobre o mar agitado. Só de pensar que, cada gota de chuva, ao atravessar o ar, se torna a forma aerodinâmica mais perfeita conhecida pelo homem, e que ao bater na água, um impacto é gerado, e se esse impacto fosse calculado em um dos nossos computadores, mesmo sendo ele de ultima geração, demoraria anos para que pudéssemos simular esse impacto perfeitamente com todas as variáveis que aqui se encontra hoje, tais como a movimentação que a enorme força do vento causa no mar, formando as ondas, e que se multiplicarmos isso pelas milhares de gotas de chuva que caem durante um segundo, demoraríamos milênios para calcular uma coisa que, simplesmente, acontece em uma fração de segundo.
- Nossa, que interessante Gui. Fala Liliane, se abraçando ainda mais nele, que continua a falar.
- Eu como físico acho isso surpreendente, e é nessas horas que eu fico pensando na presença de Deus, e em como ele age na natureza. Se ele é as equações físicas, que determinam como cada coisa será, ou se foi ele quem criou tudo isso, e deixa as coisas acontecerem, e fica lá, só contemplando sua criação. De qualquer forma, eu acho um milagre estarmos aqui agora, observando isso, com a consciência de nossas complexas mentes, o computador mais avançado já visto pelo homem, e que foi sendo feito através dos tempos, pela evolução. Se isso foi ao acaso ou não, eu não sei. Eu só sei que temos sorte por esse planeta ser da distancia exata do sol, o suficiente para manter o planeta entre 0 e 40 graus, dando condições a existência da vida, pois se a terra fosse alguns quilômetros mais próxima do sol, nossa temperatura ultrapassaria os 70 graus, desestruturando a maioria das formas de vida simples que se formaram, e se fosse alguns quilômetros mais distantes, faltaria calor para mover as mesmas, fazendo tudo se congelar, inclusive a água, que ora está na chuva, ora está nos seres vivos, prejudicando assim, a evolução da vida.
- Incrível isso, eu não sabia de nada disso. Comenta Liliane.
- Existir por si só já é um milagre, sendo de Deus ou não. Eu e você estarmos aqui hoje, abraçadinhos, de mãos dadas, vendo essa chuva caindo sobre o mar e sentindo o frio que o vento dela trás pra cá que balança os coqueiros. Sentindo também o calor que nossos corpos produzem por estarem vivos, sentindo os nossos lábios se tocando, se beijando... E o amor, o amor que eu sinto por você, isso tudo é incrível, e é por isso temos que aproveitar, contemplar, cada minuto desse maravilhoso evento que é a vida que temos.
Liliane, emocionada, abraça Guilherme com muita força e o beija brevemente, interrompendo o beijo para dizer:
- Que lindo Gui, te amo.
Por: Leandro de Andrade Moura
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