terça-feira, 3 de abril de 2018

Reconciliando o efêmero com o eterno

No mundo natural, toda causa tem um efeito, que por sua vez é a causa de outro efeito. Deste modo, uma pessoa natural sempre terá um motivo pra explicar tudo aquilo que ela faz. Sempre poderá dizer que foi algum sentimento, que foi induzido por algum comportamento inadequado, que a fez errar.

É tentador pensar que apenas a tomada de consciência deste processo é o suficiente para impedir este ciclo. No entanto, isto é um mero engano. Afinal, cada pessoa natural é plenamente resultado do seu mundo natural, de modo que, mesmo ela buscando conscientemente não dar continuidade este ciclo, dentro dela não há nada mais além do natural, que, por sua vez, também é constituído de causa e efeito.

Ora, qual outra força seria forte o suficiente para resgatar qualquer um deste mundo de escravidão, que se estende desde o começo dos tempos, além da palavra? Afinal, somente ela pode elevar o ser humano do plano natural para o plano espiritual, de modo que ele vença todas as suas limitações naturais. Afinal, aquele que tem a palavra no seu coração responde ao que é efêmero com o eterno, anulando assim o ciclo de escravidão da causa e efeito da natureza e elevando-se ao plano espiritual, aonde verdadeiramente é livre para trazer os céus ao plano terrestre.

Assim construimos o reino dos Céus aqui na terra, quando o coração de cada homem se eleva ao eterno, trazendo de lá coisas para a dimensão do espaço e tempo. Ora, pois, isto não significa que o ser humano não terá dentro de si elementos efêmeros, como fome ou sede, ou que não cometerá erros durante este processo, aonde as vezes passaremos fome e as vezes nos afartemos demais, ou mesmo misture dentro de si aquilo que é natural com o que é espiritual. No entanto, tenhamos consciência que temos dentro de nós o ministério da reconciliação, de modo a nos capacitar a unir aquilo que é eterno, a palavra de Deus e a sua presença, com aquilo que é efêmero, nossa própria carne e nossos pecados.

Cresçamos, pois, no espírito, para que cada vez mais sejamos capazes de responder ao que é natural com o que é espiritual. Como filhos de Deus, nascemos pequenos, mas o desejo do pai é que cresçamos. Lembremos que todo processo de crescimento também é envolto em erros, uma vez que se estamos fazendo algo novo e não temos a onisciência, fatalmente haverá acidentes. Aquele que não erra, pois, certamente não está crescendo, não atingindo assim o propósito que Deus preparou para nós. Quanto maiores no espírito, maior nossa capacidade de reconciliar o reino do Céu com o governo do mundo, destruindo assim o império do mal.

Saibamos que quando crianças no espírito, estamos aprendendo. Quando jovens no espírito, estamos conquistando nosso espaço no mundo. Quando adultos no espírito, estamos trazendo a presença de Deus para a terra. Quando anciãos no espírito, estamos auxiliando todas as demais gerações a orquestrarem-se para que o reino prospere. Não te apega, no entanto, naquilo que aparentava ser, pois somente Deus conhece tua verdadeira natureza. Te apega a palavra e no que Deus deseja de ti, teu crescimento. Assim a vitória de Cristo será consumada não somente no espírito, mas também na natureza.

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