Introdução:
São momentos difíceis os que a igreja passa quando ela se encontra inserida numa região com bastantes problemas sociais. Em certo ponto a sociedade que não acompanha o trabalho que a igreja desenvolve impõe a ela a responsabilidade de atuar naquele local ou a taxa como aproveitadora do sofrimento alheio através de seus dízimos. De fato, a igreja desenvolve um papel de empresa, pois ela tem aspectos físicos a serem gerenciados e se utiliza de diversos aparatos tecnológicos para poder exercer sua função de acordo com o mínimo de expectativa. Algumas vezes até a própria atuação da igreja confunde a divina missão da sua existência com as expectativas que a sociedade impõe a ela. Portanto, acredito ser importante refletirmos sobre qual é o papel da igreja na atuação social.
Origem:
Começaremos partindo do princípio de que a igreja é o lugar aonde conhecemos e damos continuidade aos ensinamentos de Jesus. Sendo assim, é de extrema importância entender quem é Jesus e seus ensinamentos. Muito se pode teorizar sobre o assunto através das escrituras bíblicas, mas acredito ser possível afirmar que todo o ensinamento e exemplo que Jesus trouxe a nós através de sua vinda a terra pode ser resumido pelo amor à vida. Sendo assim, em essência, ser cristão é amar a vida. Cabe ao cristão utilizar todos os ensinamentos de Cristo e sua fé em Deus para buscar dentro de si o caminho para a vida e para o amor, para que assim encontre o sagrado em si e consiga caminhar em paz e prosperidade cristã, realizando o ide de Cristo.
Guardiã da vida:
Não é preciso que Cristo se faça carne novamente para se sacrificar por nós e nos ensinar tudo o que ele já nos ensinou. Sua vinda se mantém viva nas igrejas, que são todas as reuniões aonde haja duas ou mais pessoas que invoquem seu nome. Portanto, a própria atuação das igrejas é a vida de Cristo na terra, através do espírito santo, porque é somente através dele que temos a revelação das escrituras sobre como agir para agradar a Deus. Deste modo, acredito ser possível afirmar que o título “guardiã da vida” se adéqua bem à igreja, pois é na fé e nos ensinamentos de cristo que se desenvolve um ambiente capaz de suportar os comportamentos que geram a vida eterna. Portanto, o ambiente da igreja é um ambiente sagrado, que agrada a Deus, que gera vida.
Divisão da fé:
É preciso observar, no entanto, que cada grupo de pessoas é diferente. São culturas diferentes, situações econômicas diferentes. Isto implica diretamente em uma atuação cristã diferente, o que explica as diferentes formas de atuar de uma igreja. Porém, sendo uma igreja cristã, embora possa ter uma base diferente, seu objetivo final é claro: fazer com que aqueles que creem se assemelhem a Cristo. Qualquer igreja que se desvirtue deste propósito está se desvirtuando de sua autoridade aqui na terra, que é gerar vida. Afinal, há a maior expressão de vida que o próprio Jesus? Cristo também é a expressão da verdade. Portanto, a igreja cristã não pode ter medo da verdade sob nenhum aspecto: nem da verdade ser contra ela ou a favor dela. Em verdade sabemos que Cristo também é fé. Deste modo, tão importante quanto à verdade é a própria fé. Sem fé, a igreja perde o seu sobrenatural, buscando agir exclusivamente pelos meios naturais, sem necessitar da presença de Deus.
Os iludidos:
Há pessoas que acreditam não precisar dos ensinamentos de Cristo para encontrar a vida ou sequer se preocupam com ela, de modo que assumem comportamentos irresponsáveis ou cometem suicídio, mesmo que vagarosamente. Estes são vistos pela igreja como “mundanos” ou “profanos”, pois carregam neles ensinamentos que só funcionam em determinada temporalidade e que não necessariamente levam a vida completa e sagrada, mas sim a vida parcial, que só faz bem a eles e as pessoas que estão imediatamente próximas a eles. Estas pessoas assim o são por serem inundadas pela ilusão de conhecimento suficiente, por não terem sentido a dor da morte em suas vidas ou por nunca sentiram a paz e o amor que um cristão encontra em seu caminho para saber que isto é algo desejável sobre todas as outras coisas. Ora, mas como Cristo, tenhamos amor, pois a única coisa que separa aquele que aceitou a Cristo deles é a revelação da vida eterna.
Os semivivos:
Há cristãos que se convertem sem que tenham morrido para o mundo, de fato. Convertem-se desejando a paz e a prosperidade de Cristo em suas vidas para melhorar suas vidas mundanas. No entanto, muitas vezes eles se esquecem que o princípio de Cristo é o amor à vida, independente de que vida seja esta e estando a sua inclusa. Quando isto acontece, o medo que o “profano” supere a paz e a prosperidade de Cristo se torna maior que o próprio amor. É a partir disto que a igreja, que deveria ser a guardiã da vida, se fecha e se torna guardiã de si mesma, pois ignora tudo o que vem do mundo e perde sua capacidade de converter vidas à Cristo. As paredes da igreja, que antes deveriam representar a presença física de Deus na terra bem como sua capacidade de acolher a quem precisa e ser uma casa de oração, torna-se um muro que separa quem está dentro de quem está fora e perde sua autoridade de vida.
Descaracterização de Cristo:
Isto é algo ruim para todo o cristianismo e mesmo para nossa sociedade, por três motivos principais: o primeiro dele é que isto cria uma imagem diferente de Cristo do que ele realmente é. Ele é a verdade, a fé e a vida, e seu princípio é o amor. Afinal, por amor ele se sacrificou por nós, e sem amor, de nada vale a verdade, a fé e a vida. Ora, quando a igreja resolve se isolar do mundo, é fácil imaginarmos as pessoas que agem de forma mecânica: fazem tudo igual, da mesma forma, sempre. Este não é o verdadeiro caráter da vida, bem como não é o verdadeiro caráter de Jesus, pois a vida se transforma assim como deve se transformar a fé em busca dos caminhos para seguir a Jesus até a sua vinda. Isolamento é algo que certamente Deus não quer para nós, pois ele se manifesta por meio da verdade, mesmo na vida daqueles que nunca ouviram falar dele, pois do contrário a vida destas pessoas não funcionariam nem de modo parcial.
Cristalização da igreja:
O segundo é que a igreja perde sua capacidade de se renovar. Se há alguma verdade, se há alguma vida, certamente há um pedaço de Deus ali, esperando para ser reconhecido e amado pela igreja, e é somente através do amor que seremos capazes de reconhecer este pedaço de Deus que há ali e seremos capazes de convertê-los a vida eterna, que é a de Cristo. Através da vinda daquela pessoa para dentro da igreja, com o que há de Deus nela, há uma renovação da própria igreja, que se parecerá mais com Cristo que antes. Do contrário, imaginemos se a vida da igreja fosse puramente determinada por rituais fechados e sem renovação: poderíamos encontrar Deus em um conjunto fechado de ações se ele próprio é ilimitado? Ora, pois não, do contrário não seria necessário à atuação do espírito santo para que seja feita a vontade de Deus. Apenas através de Cristo, que é amor e que nos concede tal espírito, é que podemos conhecer ao próprio Deus.
A frieza de coração:
O terceiro, a igreja perde sua capacidade de perdoar. O desconhecido muitas vezes é um grande inibidor do agir humano, mas também é um verdadeiro trabalho de fé e sacrifício. Ao lidar com o novo, podemos ser recompensados por Deus e trazer nova vida para a nossa igreja, como também Deus pode achar que aquela não é o momento ou o propósito adequado e fazer-nos falhar, de modo que nosso sacrifício mostrará a igreja que aquele não é o caminho e receberemos o apoio e conforto da igreja como a base para nossa recuperação. Afinal, De que serviria o perdão de Cristo se não cometêssemos erros? Um erro pode ser genuíno, quando realmente inovamos por acreditar que aquele é o caminho, como também pode ser um erro trazido pelo pecado, quando ignoramos os ensinamentos de Cristo e desejamos agir à nossa própria maneira. Se não cometermos erros, mesmo que seja para melhorar a nossa própria igreja, como poderemos perdoar a nós mesmo para aprender a perdoar daquele que está perdido? De um modo ou outro, Jesus ensina o perdão.
O esfriamento:
Quando uma igreja se cristaliza, ela se transforma em uma rocha. No entanto, a rocha já é Cristo, sobre o qual se fundamenta a igreja, de modo que o que atua nela é o espírito santo, que é vivo. Quando deixamos de semear a palavra, deixamos também de transformar a morte dos perdidos em vida para Cristo, de modo que a morte deles será perdida no mundo e irá gerar mais morte. Uma vez que recebida uma nova vida, ela precisará de amor, precisará se sentir parte do reino. Se, como dito anteriormente, a igreja não tiver sabedoria para receber a esta nova vida e tudo de novo que ela traz consigo, ela poderá buscar outra igreja que assim o faça. Deste modo, uma igreja de Cristo morrerá. Porém, isto não é algo que deva ser da preocupação Cristã, pois sabemos que a vitória de Cristo é eterna. O que realmente deve ser preocupante é o esfriamento do amor de Cristo no nosso tempo histórico.
Publicidade da igreja:
Se a igreja cristã como um todo esfriar, a colheita certamente será menor, de modo que perderemos mais vidas para o mundo e perderemos ainda mais a capacidade de plantar. Com a presença de Cristo menor na terra, o mal irá prosperar com mais facilidade, trazendo sofrimento tanto para a igreja quanto para toda a sociedade. Deste modo, um espírito de desespero pode começar a surgir na sociedade. No entanto, não esqueçamos: a principal publicidade da igreja é a vida, de modo que aqueles que sintam o desejo de ver sua igreja crescendo não se preocupem fazê-la crescer por meios naturais, mas preocupem-se em viver, amar, aprender e fazer o melhor que puder pelo próximo assim como Jesus ensinou e escutando a voz do espírito santo. Esta vida irá gera um brilho, típico da luz de Jesus, que irá iluminar a obscuridade da sociedade e chamar a atenção daqueles que realmente buscam a vida eterna. É certo que também chamará a atenção dos semivivos, mas a sabedoria da igreja saberá diferenciar aquele que vive por Cristo daquele que quer somente suas bênçãos.
A fé em Cristo prevalece:
Percebam: sempre será um trabalho de fé lidar com a igreja. Afinal, sem a fé, a igreja se reduz a um grupo de pessoas que não podem dar nada que qualquer outra entidade social possa dar com mais eficácia em menor prazo, pois ela estará limitada aos ensinamentos mortos da palavra, enquanto que as entidades sociais utilizariam todos os métodos naturais possíveis para atingir o seu objetivo. Ora, sabemos que os ambientes aonde não seja necessário a fé são aqueles que certamente a mente perversa daquele que conhece a palavra e todos os métodos naturais já dominou tudo, infectando estes lugares com pecado. É nisto que percebemos: quando Cristo parece mais fraco é quando ele estará mais forte. Sua vitória é eterna e Deus certamente dará modos para aquele que crê consiga vencer o mal de seus tempos e seguir adiante com o amor de Cristo.
Conclusão:
Preocupem-se em seguir a justiça de Deus e todo resto lhes será acrescido. Aos que não estiverem prontos para aceitar vida eterna vinda de Cristo, lancem neles a palavra e o amor que todo resto Deus fará, no tempo e propósito desconhecidos por nós, mas certamente adequados para a vinda de Cristo. Uma vez que a igreja realmente haja por fé e amor, ela certamente será capaz de materializar a presença do próprio espírito santo nela, que dará provisão, sabedoria e proteção para aqueles que buscam. Estando ele na igreja, certamente ele se espalhará pela sociedade, junto com a palavra, trazendo vida para aonde antes havia morte. Deste modo a igreja não será somente um local aonde as pessoas vão para buscar a Deus, mas também será a porta de entrada do reino dos Céus para a terra. Esta deve ser a ocupação da igreja, e quando menos ela perceber, tudo estará preparado para a volta de Cristo, e ele voltará.
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