Todos estão numa corrida pela vida. Cada um usando o máximo da sua energia, buscando chegar em primeiro lugar, com medo da morte que busca aqueles que ficam para trás. No entanto, nem todos conseguiam seguir o ritmo, e os que corriam a frente se tornaram egoístas demais para olhar para trás. Alguns, vez ou outra, conseguia recuperar um caído, perdendo sua posição na frente e nada mais além disto.
Dos que ficavam pelo caminho, a maioria desistia, caiam exaustos e não conseguiam mais sequer olhar para frente. Outros, ainda, tentavam correr, mas já perdendo os que corriam de vista, já desistiam, indo ao chão em espera da morte. No entanto, havia os poucos que não buscavam mais olhar para frente nem para baixo, mas sim olhar para cima.
Estes, que se recusavam a morrer ao levantar seus olhos, viam o céu se abrindo e o próprio Deus descendo, entregando a eles duas instruções: construa a minha obra e leve nela os que buscam viver. Agora, os que antes lutavam pela vida, vivem em regozijo por servir ao próprio Deus, sabendo que não há honra maior para quem busca a vida que esta. Vivem, portanto, no bom combate.
A obra trata-se de uma máquina, que nem mesmo seria terminada naquela geração. Mas para aqueles que aceitavam trabalhar na obra, pouco importava, pois seu coração estava cheio da felicidade vinda das vitórias. Gerações após gerações, o povo de Deus anda através da pista, recrutando todo aquele que não consegue olhar pra cima, estando ele ainda em pé ou não chão, mas que dentro de si exista a vontade de vida.
Os que subiam, viviam através da obra de Deus. Os que nem mesmo através da obra viva de Deus encontravam a vida, eram alcançados pela morte, e, portanto, esquecidos pela eternidade. Assim a obra, que é uma máquina, geração após geração fora sido construída, cada vez mais veloz, cada vez por gerações mais capacitadas na obra, assim como Deus projetou no início.
Com o projeto concluído, a obra de Deus leva a todos para a vida em muitas ordens de grandeza a mais que aqueles que antes corriam desesperados, fixados a frente, sem nunca olhar para trás. Não demorou muito até que os últimos, vencidos pelo cansaço de suas próprias existências solitárias, através da obra de Deus, alcançassem os mais rápidos dos primeiros que corriam.
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