Certo homem estava correndo por uma maratona, cujo prêmio diminuía
por cada pessoa que ultrapassasse a linha de chegada. Este homem, que
entrou achando que a corrida seria boa e o prêmio suficiente,
enganou-se. A corrida é bem mais dura, mais cansativa do que ele
imaginava. Agora, no meio da maratona, está sem energia. Para conseguir
prosseguir, resolveu comer seu próprio braço. Assim conseguiu a energia
que faltava para chegar na linha de chegada. Lá, sentou-se, cansaço,
olhando para trás e para seu braço, e pensou: nada disso valeu a pena.
Os outros, que conseguiram ultrapassar chegar na linha de chegada com
certa facilidade, olhavam pra ele com certo desdém. Os amigos que
estavam com ele antes desta corrida, agora estão longe. Ele se encontra
sozinho, deformado, cansado. Agora olha pra trás e se pergunta: este
prêmio valeu mesmo a pena? Certamente que não. Debilitado, mas
principalmente, sem alegria alguma. Venceu um desafio que sabia que
venceria, mas o que deixou para trás? Tudo! E o que construiu durante o
caminho? Nada. Assim finalizou seu percurso, paralisado, perdido e
isolado.
Deitado no chão, pergunta a Deus o que havia
feito de errado. Deus logo responde: escolhestes aquilo que não é da tua
natureza. Não és tu um corredor. És o que és, mas não um corredor. Logo
replicou: o que faço agora, meu Deus? Estou condenado à morte? E Deus
responde: não, meu filho. Irei te dar mais uma chance. Olhe para seu
braço. Espere ele se recuperar. Irá demorar, mas logo estará novo. Neste
tempo, busque sua própria natureza, e faça dela a motivação do seu
viver. Através dela construirás tudo mais que precisares, porque através
dela serás dotado de intuição. Então o jovem rapaz sentou-se ao relento
da grama, esperou o tempo passar enquanto seu braço recuperava-se. Logo
atrás dele vieram outros feridos, cansados, desiludidos. Acenou,
tornaram-se amigos. Olharam para o lado e descobriram que seguir a
trilha montada por aqueles que já foram não é o único caminho. Há o novo
a ser descoberto. Eles não sabiam qual a natureza deles, mas certamente
não é a de simplesmente seguir em frente. Com fé em Deus, eles vão
descobrir.
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