http://br.rfi.fr/franca/20161102-franca-enfrenta-crescimento-da-pobrefobia
"Evolução não é um processo simples: se evolui através daquilo que se acredita, seja através do sofrimento ou através da ajuda de quem está a frente em determinado aspecto da evolução. Contudo, em todo ser que é vivo existe uma força animal inerente à sua existência que chamamos de violência. Uma vez que tratamos outro ser vivo com violência, damos a ele o direito e o desejo de responder com violência ao nosso tratamento. Assim, inserimo-nos num cabo de guerra, aonde vai ganhar aquele que tem mais coragem de utilizar seus recursos para a obtenção daquilo que acredita. Dentre estes recursos, encontra-se aquele que é valioso a todo ser vivo, que é sua própria vida."
Existe uma enorme vontade de todos aqueles que fazem parte do movimento de esquerda em combater a pobreza, mas me pergunto se apenas a distribuição de renda é suficiente e necessária para tanto. Afinal, como desenvolver um método de distribuição de renda eficiente sem que se distribua, além da riqueza, também a experiência e a cultura daqueles que produzem? Sem contar que a pobreza não é problema somente no Brasil. Este é um problema mundial que determina, inclusive, a relação entre países. Não me parece um problema simples a distribuição de riqueza mundial, de modo que a riqueza distribuída seja aplicada eficientemente por quem a recebe.
De outro modo, também não acredito que seja simples a regulamentação da acumulação de riquezas de modo a deixar todos satisfeitos, até mesmo devido à preguiça e a condição de mentir que todo ser humano pode apresenta. Assim, como resolver este desejo de combate a pobreza sem a necessidade de distribuição de renda? Ora, parece-me que a dois mil anos atrás Jesus já havia chegado a esta resposta, que é o perdão.
Falando em outras palavras: o que é ser pobre senão não ter condições para atuar na sociedade e ter condições mínimas e dignas de vida? E como se chega a um estado de pobreza, senão através de um processo histórico regado a erros, seja erros de si mesmo e da própria família ou erros de terceiros? Assim chega-se a conclusão de que não é um mecanismo de distribuição de riqueza que precisamos, mas sim um mecanismo de recuperação social.
Contudo, acredito poder afirmar, até mesmo pelo sacrifício de Jesus na cruz, que não existe nenhum método mecânico para a recuperação dos seres humanos que não o interesse dos próprios seres humanos em assim fazê-lo. Podemos sim, organizar uma estrutura mecânica para viabilizar o desejo daqueles que desejam a recuperação, mas sem o desejo humano de recuperar, seja a si mesmo quanto a o próximo, estamos condenados eternamente à nossos próprios erros, sendo esta a a verdadeira origem de toda a pobreza. Há, ainda, de salientar que esse mecanismo deve ser social, não religioso, sendo este mais um desafio a criar para sua criação. Afinal, existem muitos modelos de fé no mundo, e cada região acaba desenvolvendo suas próprias especificidades.
Não é razoável admitir que eles larguem sua cultura em pró de outra, mas sim que se abram para aprender e se desenvolver. Esta é a principal diferença entre impor, modelo que rotineiramente costuma ser utilizado por sistemas religiosos, e negociar. Estamos lidando com seres vivos, detentores de corpo e de cultura: pedir que eles se livrem disto é pedir que eles joguem em fora tudo de bom que eles lutaram para desenvolver. Nós temos a aprender com eles quanto eles a aprender conosco, portanto, negociar é a palavra. Negociar de modo que a sociedade e a vida, não um sistema religioso ou político específico, saia vitorioso.
http://oglobo.globo.com/sociedade/papa-pede-aos-jovens-que-se-rebelem-questionem-que-estiver-errado-19803943

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