Arte ou não?
Introdução:
Olá amigos. Como era previsto, mês passado só escrevi uma vez, e talvez eu repita a dose novamente. Pretendo escrever novamente sobre um ou outro comportamento novo que eu notei por ai e achei interessante, só não sei se será esse mês. Escrevo agora para postar os dois “poemas” que eu produzi esses tempos, juntamente com alguma interpretação. Mas antes, vamos às novidades. Comecei a estudar em um curso pré-vestibular, e desta vez estou empenhado na vida de estudante. Obrigo-me a estudar pelo menos até as cinco da tarde, fazendo principalmente atividades, contudo, às vezes passo desse horário, quando são atividades de cálculos, ou quase não consigo alcançá-lo quando são matérias pra decorar nomes e funções, como biologia, geografia ou história. De qualquer forma, essa vida rotineira me leva a pensar sobre o que é a rotina, e como encontrar meios para se satisfazer. Digo isto pois é confuso entender como o humano se satisfaz no seu dia-a-dia a ponto de não sentir falta de qualquer coisa no fim da noite, e como aliar isto a uma rotina de estudos delimitados. Irei fazer teorias sobre isto e futuramente, provavelmente, as postarei no blog. Vamos a postagem de hoje:
O jogo da realidade
A vida é como um jogo, e como todo jogo,
empolga se estiver sendo dominado,
desanima se estiver sendo perdido.
Portanto, não culpe a falta de dinheiro ou beleza,
de recursos, oportunidade ou qualquer outra condição.
Culpe apenas a falta de conhecimento em como jogar.
Pois os humanos são capazes de se adaptarem ao que quiserem,
mas ao se adaptarem ou desejarem a uma mentira, assumem um risco:
o de a realidade ser muito pior do que a mentira desejada.
Então se o medo o impedir de conhecer a realidade deste jogo,
abandone-o! Enfrente o desconhecido.
Ele esconde novas verdades, ou as verdades das antigas mentiras.
Ele esconde novos caminhos ou modos para realizar os desejos,
mas apenas os esforçados serão fortes o suficiente para desbravá-lo.
Se o sofrimento for um preço a pagar para desbravar o desconhecido,
pague-o! Pois ele é um pequeno preço em troca de uma felicidade maior.
Se nada for feito e o desconhecido tomar conta,
cada comportamento da realidade tende a ser uma surpresa desagradável,
e as mentiras invadirão a capacidade de construir adaptações sólidas,
de fazer o humano descobrir a si mesmo e encontrar o seu lugar.
A vida então se torna um jogo de resultados turvos e desesperançosos,
em que apenas a sorte fornece as pequenas felicidades do dia-a-dia,
em detrimento do prazer daquilo que se constrói com esforço e sabedoria.
Por: Leandro de Andrade Moura
Sobre este primeiro poema, eu o construí pensando principalmente na analogia sobre a vida ser um jogo. Entrando na definição de jogo, temos que jogar pode ser considerado como apostar no desconhecido, administrar leis de um sistema para obter benefícios ou superar desafios através de esforço e técnica. Então se a vida é um jogo, admite-se que ela tem as mesmas características do jogo que acabaram de ser explicadas. A declaração que a vida é um jogo é encontrada na primeira estrofe, e nela podemos também encontrar uma propriedade humana que a psicologia evolutiva, assim como a própria experiência de vida, conhece: a propriedade de gostar daquilo que se sente poder, já que poder se relaciona diretamente com as chances de evolução, exemplo: o poder de comprar uma casa, de conquistar uma pessoa, de ter o que deseja.
Sendo assim, deve-se, para obter sucesso no jogo, configurar a mente de modo a compreender esta dinâmica para a obtenção de resultados. Uma mente não configurada nesta realidade tende a responsabilizar a sua falta de sucesso a quaisquer comportamentos alheios ao seu, menos ao seu próprio. A segunda estrofe trata-se disto, pois é exemplo das desculpas que as pessoas tendem a usar para justificar seu fracasso em não alcançar determinado objetivo. O desejo de alcançar este objetivo parte da propriedade humana de gostar de posições em que se tenha poder, contudo, este desejo só é iniciado quando o humano acredita que ele pode se tornar real, o chamado princípio da realidade. Este princípio da realidade, na interpretação da psicologia evolutiva, é o que permite que o humano se adapte a qualquer sistema que lhe é apresentado. É sobre esta idéia que se monta a terceira estrofe, que fala sobre adaptar-se a realidade.
O sofrimento é um desejo não alcançado, e um desejo só existe se o humano acreditar que é possível alcançar ele. Portanto, se há sofrimento, significa que o humano pensou ser possível um desejo que, na realidade, não é. Isto só surge devido a falta de compreensão da realidade por parte dos humanos, porém, é nesta lacuna de conhecimento que se expande todo o ego humano, é ela que torna possível ele se imaginar muito melhor e mais forte do que realmente é. Daí surge o medo de enfrentá-la e descobrir que a realidade é dura e trabalhosa. É possível afirmar que a realidade é difícil para todos devido ao desejo que o humano tem de sempre querer se tornar melhor, ou seja, sempre estar evoluindo. Portanto, não importa se a pessoa já seja poderosa, ela vai querer continuar evoluindo e isto significa continuar enfrentando desafios. A falta de compreensão, na prática, faz com que estes desafios sejam muito mais fáceis que parecem ou que muitas vezes o melhor venha sem esforço, e é isto o que seduz a muitos humanos a não quererem enfrentar a realidade.
Abandonar o medo de enfrentar o desconhecido é a declaração da quarta estrofe. Estar apto a enfrentar o desconhecido significa conhecer muito bem o que se tem e o que se é. Isto porque, ao enfrentá-lo, há o risco de descobrir que aquilo que ele baseia sua felicidade e qualidade de vida seja uma mentira, e devido a isto sofrer bastante. Porém, sofrimento maior para ele e sua família será se ele não enfrentar este desconhecido e aumentar ainda mais sua carga de conhecimento sobre as várias formas que a realidade humana pode se apresentar, e construir uma com base em valores reais, universais e duradouros. A falta de conhecimento sobre os humanos pode ser bastante decisiva, por exemplo, na relação com familiares ou desconhecidos, o que promoverá uma qualidade de vida pior e, se for um aspecto cultural de determinada comunidade, uma política, economia e cultura menos desenvolvida. Por isto é importante se sempre estar buscando o crescimento, o conhecimento e enfrentar aquilo que se tem medo.
Voltando a analogia sobre a realidade ser um jogo, e em como todo jogo, para obter os resultados desejados é preciso conhecê-lo para manipulá-lo, o mesmo acontece com a vida humana. Na quinta estrofe há apenas a conscientização de alguns benefícios que o conhecimento da realidade pode trazer. Ela mostra como, ao enfrentar o desconhecido, é possível otimizar os resultados da vida. Ao observar que, de modo geral, todo resultado é constituído de esforço multiplicado pela técnica, enfrentar o desconhecido e descobrir novas técnicas significa se esforçar menos para conseguir as mesmas coisas, sobrando mais tempo para aproveitar a qualidade de vida obtida através da evolução. Esta estrofe mostra ainda algo mais profundo, que é os caminhos de evolução que cada pessoa decide escolher, e mostra que mesmo que as pessoas a sigam ou a copiem, quem tem a força e o conhecimento necessário para continuar evoluindo e se renovando naquele caminho é ela.
A felicidade maior a qual a sexta estrofe refere-se é justamente a total compreensão da realidade. Obviamente, ela é muito árdua de ser obtida, por isso que o sofrimento será um preço a ser pago. Mas ao obtê-la, é possível ter uma alta consciência de todos os fatores que influenciam a sua vida, além de ter razoável controle sobre eles. Isto é vantajoso porque permite que o instinto se apegue bastante a esta visão de realidade, e todos os desejos que se manifestarão serão passíveis de concretização, dependendo apenas do esforço para torná-los reais. Na realidade sempre existirão fatores desconhecidos para os humanos, pois é fisicamente impossível saber de todos a todo tempo, mas haverá também uma enorme consciência em administração de riscos, uma enorme sensibilidade para prever resultados, uma boa percepção aos padrões e aos mínimos detalhes, e este conjunto de habilidades tornará muito alta a adaptabilidade de qualquer humano.
Na sétima estrofe há a tentativa de conscientizar o público do perigo que é deixar o desconhecido tomar conta. Nela é demonstrado como as habilidades advindas graças ao conhecimento podem deixar de prevenir mudanças desconfortáveis na realidade, como por exemplo, um namorado de repente enjoar da namorada e não fazer a mínima idéia do porque isto acontece, aceitando que é apenas algo natural e imutável, ou consciência do risco que é determinado investimento. Demonstra também como a falta destas habilidades irá diminuir a capacidade adaptativa humana, já que por não ser capaz de se adaptar a determinada atividade evolutiva, ou ter muita dificuldade, ele irá ter dificuldades de definir o que é e qual tipo de evolução deseja para seu futuro. Encontrar seu lugar na ultima parte desta estrofe faz referencia justamente a ter uma evolução definida e que se sustente na sociedade, pois este estar localizado nela é algo importante para uma evolução.
A oitava estrofe é uma conclusão, que tenta impactar a importância de se abrir a realidade. É possível notar que a maioria das pessoas que não tem boas expectativas para melhorar de vida também não tem controle sobre seus próprios sentimentos e sobre como se adequar à sociedade às pessoas a sua volta. É por isto que a vida deixa de ser um jogo empolgante com os riscos claros e bases definidas e passa a ser turva e desesperançosa. As pequenas felicidades do dia-a-dia é justamente o que é colhido do descontrole que acaba sendo regulado de erros sistemáticos que poderiam ter sido evitados se houvesse um mínimo de coragem e preocupação. Por exemplo, sabe-se que se envolver em tal algo é perigoso, mas por falta de conhecimento em algo melhor, envolve-se da mesma maneira. A evolução firme e ligada com aspectos da realidade, como as propriedades humanas e sociais e que é construída através do esforço e sabedora, acaba não tendo condições de sobreviver, pois não há sabedoria para depositar o esforço nas coisas certas. Agora vamos ao próximo poema:
A arte dos desocupados.
Isto tudo é arte. A arte dos desocupados.
A arte que revela quem somos nos momentos difíceis.
A arte que revela pelo que estamos dispostos a lutar.
Mas há realmente alguma razão na arte,
Ou apenas a vontade instintiva de mudar?
http://www.youtube.com/watch?v=5WilOJ81I5E&list=
PL13EE30FFB9391920&index=1&feature=plpp_video
Por: Leandro de Andrade Moura
Este poema surgiu do ocorrido mostrado deste vídeo, e ele próprio faz parte do poema. Nele é possível observar vários adolescentes que não fazem a menor idéia prática do que estão fazendo, mas estão fazendo algo seguindo um ideal. Contudo, este ideal não é definido, ele simplesmente se baseia na idéia de que o simples fato de haver a movimentação pra um protesto sem haver nenhuma ponderação das implicações do que o protesto pede, vai melhorar e mudar algo. Para se ter uma idéia, muitos destes estudantes não sabe o motivo do aumento da passagem, pois a possibilidade de mudar algo que não se saiba os motivos é baixíssima. É daí que surge a segunda declaração da primeira estrofe, “a arte dos desocupados”, pois só esta classe de pessoas seria capaz de depositar uma enorme quantidade de esforço naquilo que não se tem idéia sobre qual resultado terá ao contrário das pessoas com atividades definidas e responsabilidades, que tem uma maior tendência a ponderar sobre como gastar seu tempo.
A arte nessa declaração foi empregada de acordo com o meu conceito de arte, que significa “aquilo criado para mexer com os sentimentos”. Esta movimentação não foi criada por mecanismos racionais, mas sim por mecanismos sentimentais. O desejo de mudar independente de como a realidade configure e o romantismo de buscar algo enfrentando os vários desafios para ter o orgulho de ter participado conquistas que tenha mudado algo grande, como os antepassados fizeram, são os principias motores motivacionais segundo o que eu observei. Então, por ser movido principalmente por sentimentos, porque não chamar isto de arte? Algo parecido com os flash-mobs. Se observado, podemos notar as pessoas criando o que acreditam, como placas além de outros mecanismos para demonstrar sentimentos, e fazendo aquilo que sentem, sem nenhuma fundamentação teórica, que é certo e bom.
Mas será mesmo que isto é tão sem razão como parece ser? A pergunta da terceira estrofe serve tanto para os apoiadores destes movimentos como também para mim, que adotei uma posição de contra desde o inicio sem uma reflexão profunda. Eu poderia responder esta pergunta com minha velha máxima filosófica que é motor da minha filosofia: tudo há um porque. Mas o interessante será responder de acordo com a psicologia evolutiva, há benefícios neste comportamento? Ao que me parece, sim, mas não o benefício que a consciência instintiva dos que participam deste evento acreditam. É um benefício de autoconhecimento, tanto individual quanto coletivo. O que sustenta isso são os eventos demonstrados no segundo parágrafo, em que várias situações mexem com o sentimento daqueles que participam de forma que eles enfrentem, para o nível deles, momentos difíceis e realmente entenda o que, de fato, é importante para suas vidas. É com base nisto que a pergunta do último parágrafo é formulada, e ela ganhou sua forma final porque se não houvesse o desejo de mudança, não haveria esforço pra mudar.
Encerramento:
Bom amigos, terminei a postagem. Realmente foi longa, devo ter demorado umas duas ou três horas aqui, pior ainda será revisar. O primeiro poema eu demorei uns três dias fazendo, o segundo foi uma madrugada pra imaginar a base, e um dia pra finalizar. O interessante é que ambos vieram de um desejo de comunicar algum aspecto ou frase de forma impactante, depois foi se desenvolvendo até ganhar a forma atual. Foi trabalhado, não espontâneo. Não sei se isso pode ser considerado uma arte forte, mas ainda sim considero que estes poemas tenham algum nível artístico, principalmente levando em consideração meu conceito de arte. Enfim, o encerramento é este, abraços a todos aqueles que chegaram até aqui, até a próxima.
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